EPISODE · Jun 16, 2020 · 19 MIN
#15 Sofia Dias & Vítor Roriz - Olhos postos no tecto
from Dito e Feito · host Teatro do Bairro Alto
Para este episódio começamos com uma questão: como dar a ver uma dança através do som? Uma dança invisível que tenta descrever-se a si própria na primeira e na segunda pessoa. As palavras que usamos para dar a ver o movimento tentam acompanhar o corpo, mas tendem a ordenar, precisar, objetivar, forçar a uma quase lentidão e a uma monotonia domável. Já o movimento tende a ser variável, anárquico e a resistir à nomeação. Às vezes as palavras passam ao lado dos movimentos como balas rasantes e perde-se a orientação. Outras vezes os movimentos acumulam-se à espera das palavras numa contenção que acaba por explodir. E com a impossibilidade de descrever tudo, as palavras tomam outros sentidos. E na dificuldade de ser descrito, o movimento esquece-se das palavras e avança indomável. Movimento e palavras têm densidades diferentes: um encontra o chão com estrondo, elas vagueiam, rondam e hesitam. Neste episódio a dança habitará algures na memória de quem a ouve — num espaço mental onde o ouvinte é também intérprete, traduzindo palavras e sons em imagens mentais de corpos em movimento. criação e gravação: Sofia Dias & Vítor Roriz edição sonora: Sara Morais música original: Raw Forest produção: Teatro do Bairro Alto
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Para este episódio começamos com uma questão: como dar a ver uma dança através do som? Uma dança invisível que tenta descrever-se a si própria na primeira e na segunda pessoa. As palavras que usamos para dar a ver o movimento tentam acompanhar o corpo, mas tendem a ordenar, precisar, objetivar, forçar a uma quase lentidão e a uma monotonia domável. Já o movimento tende a ser variável, anárquico e a resistir à nomeação. Às vezes as palavras passam ao lado dos movimentos como balas rasantes e perde-se a orientação. Outras vezes os movimentos acumulam-se à espera das palavras numa contenção que acaba por explodir. E com a impossibilidade de descrever tudo, as palavras tomam outros sentidos. E na dificuldade de ser descrito, o movimento esquece-se das palavras e avança indomável. Movimento e palavras têm densidades diferentes: um encontra o chão com estrondo, elas vagueiam, rondam e hesitam. Neste episódio a dança habitará algures na memória de quem a ouve — num espaço mental onde o ouvinte é também intérprete, traduzindo palavras e sons em imagens mentais de corpos em movimento. criação e gravação: Sofia Dias & Vítor Roriz edição sonora: Sara Morais música original: Raw Forest produção: Teatro do Bairro Alto
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