#20 A distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa episode artwork

EPISODE · Jun 9, 2020 · 11 MIN

#20 A distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa

from Slow Portuguese - Learn Portuguese · host Slow Portuguese

Support the Podcast: bit.ly/SlowPortuguese - PayPal Donation A distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa Gênero é uma categoria linguística inerente aos substantivos, mas em apenas um subconjunto desses substantivos está relacionado a "sexo”. Nos últimos tempos, vem se disseminando a tese da proposição de um suposto gênero neutro na língua portuguesa. O tema é complexo, ainda mais quando se ignoram questões caras para a ciência linguística, como a distinção entre gênero social e gênero gramatical, a função da escrita enquanto sistema representacional que se relaciona com a fala e, mais do que tudo isso, a dinamicidade em se tratando de línguas naturais. Para exemplificar, recuperamos os argumentos apresentados em artigo publicado no caderno PrOA de 4 de outubro, em que a historiadora Ana Maria Colling defende o uso de caracteres, @ ou ‘x’, para conferir às palavras um gênero não marcado. A distinção de gênero em português seria sexista e reproduziria preconceitos de gênero ao desqualificar um dos pares. Segundo o artigo, formas como "todos" e "eles" se referem apenas aos homens. Não se reconhece ali, portanto, que o gênero masculino simplesmente coincide com o não marcado, isto é, o gênero que inclui tanto o masculino quanto o feminino. O texto apresenta também algumas soluções para chegar à linguagem sexualmente neutra. Uma delas seria seguir o exemplo do Colégio Pedro II e colocar ‘x’ no lugar de ‘a’ e ‘o’.  Uma solução que só funciona na língua escrita, já que na fala esses ‘x’ são impronunciáveis. Outra, seria usar de torneios de linguagem, evitando os pronomes flexionados; por exemplo, em vez de dizer "boa tarde a todos", usar "boa tarde a todas as pessoas". O fato de essa expressão substituta empregar "todas" e "as" não é visto como um problema. Conceito de identidade de gênero enfrenta novas resistências O empenho para "higienizar" a língua de seu suposto preconceito é tanto que "@" é empregado até em sintagmas como "pessoas agredid@s", esquecendo que, no caso de "agredidas", o gênero é determinado por concordância, assim como seria em "indivíduos agredidos". Veja que a questão não é de uma norma externa, ditada por uma gramática prescritiva. Embora os falantes do português nem sempre realizem a concordância, nenhum falante do português diria "pessoas agredidos". Algumas observações das pesquisas linguísticas podem ajudar a esclarecer essas confusões. Em primeiro lugar, é preciso dizer que nem todas as línguas têm gênero. Por exemplo, o guarani não distingue gênero em substantivos e pronomes. Outras línguas têm gênero, mas não relacionado à categoria semântica "sexo" e sim a categorias como "animado/inanimado", ou "humano/não humano" (por exemplo, as línguas sul-americanas Macuxi e Hixkariana). Frise-se que o próprio termo "gênero" vem do latim "genus" e significava originalmente "tipo", "espécie". (CHARACTER LIMIT) More in: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2015/12/por-que-a-distincao-entre-genero-social-e-gramatical-na-lingua-portuguesa-e-necessaria-ao-idioma-4928930.html Support the Podcast: bit.ly/SlowPortuguese - PayPal Donation

Support the Podcast: bit.ly/SlowPortuguese - PayPal Donation A distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa Gênero é uma categoria linguística inerente aos substantivos, mas em apenas um subconjunto desses substantivos está relacionado a "sexo”. Nos últimos tempos, vem se disseminando a tese da proposição de um suposto gênero neutro na língua portuguesa. O tema é complexo, ainda mais quando se ignoram questões caras para a ciência linguística, como a distinção entre gênero social e gênero gramatical, a função da escrita enquanto sistema representacional que se relaciona com a fala e, mais do que tudo isso, a dinamicidade em se tratando de línguas naturais. Para exemplificar, recuperamos os argumentos apresentados em artigo publicado no caderno PrOA de 4 de outubro, em que a historiadora Ana Maria Colling defende o uso de caracteres, @ ou ‘x’, para conferir às palavras um gênero não marcado. A distinção de gênero em português seria sexista e reproduziria preconceitos de gênero ao desqualificar um dos pares. Segundo o artigo, formas como "todos" e "eles" se referem apenas aos homens. Não se reconhece ali, portanto, que o gênero masculino simplesmente coincide com o não marcado, isto é, o gênero que inclui tanto o masculino quanto o feminino. O texto apresenta também algumas soluções para chegar à linguagem sexualmente neutra. Uma delas seria seguir o exemplo do Colégio Pedro II e colocar ‘x’ no lugar de ‘a’ e ‘o’.  Uma solução que só funciona na língua escrita, já que na fala esses ‘x’ são impronunciáveis. Outra, seria usar de torneios de linguagem, evitando os pronomes flexionados; por exemplo, em vez de dizer "boa tarde a todos", usar "boa tarde a todas as pessoas". O fato de essa expressão substituta empregar "todas" e "as" não é visto como um problema. Conceito de identidade de gênero enfrenta novas resistências O empenho para "higienizar" a língua de seu suposto preconceito é tanto que "@" é empregado até em sintagmas como "pessoas agredid@s", esquecendo que, no caso de "agredidas", o gênero é determinado por concordância, assim como seria em "indivíduos agredidos". Veja que a questão não é de uma norma externa, ditada por uma gramática prescritiva. Embora os falantes do português nem sempre realizem a concordância, nenhum falante do português diria "pessoas agredidos". Algumas observações das pesquisas linguísticas podem ajudar a esclarecer essas confusões. Em primeiro lugar, é preciso dizer que nem todas as línguas têm gênero. Por exemplo, o guarani não distingue gênero em substantivos e pronomes. Outras línguas têm gênero, mas não relacionado à categoria semântica "sexo" e sim a categorias como "animado/inanimado", ou "humano/não humano" (por exemplo, as línguas sul-americanas Macuxi e Hixkariana). Frise-se que o próprio termo "gênero" vem do latim "genus" e significava originalmente "tipo", "espécie". (CHARACTER LIMIT) More in: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2015/12/por-que-a-distincao-entre-genero-social-e-gramatical-na-lingua-portuguesa-e-necessaria-ao-idioma-4928930.html Support the Podcast: bit.ly/SlowPortuguese - PayPal Donation

NOW PLAYING

#20 A distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa

0:00 11:58

No transcript for this episode yet

We transcribe on demand. Request one and we'll notify you when it's ready — usually under 10 minutes.

The Small Business Startup School – Business Notes | Financial Literacy | Retail Psychology – For Professionals & Entrepreneurs The Small Business Startup School Inc. Starting or buying a small business? While personal circumstances may vary, business patterns remain timeless. On The Small Business Startup School, we explore strategies, insights, and practical solutions to help entrepreneurs confidently navigate their journey.Hosted by Ola Williams—a retail entrepreneur, fintech founder, and financial coach with over two decades of experience—this podcast marries financial awareness and retail psychology with optimism to deliver actionable takeaways.Join us to learn, grow, and connect as we uncover the keys to business success.Let’s continue to learn together and be encouraged to keep on connecting! Kaizen Blueprint Aldo Chandra "Kaizen" is a Japanese term for continuous improvement. This podcast provides a blueprint to learn about health, wealth, relationships and everything else in between. Through our podcast, we strive to inspire, educate, and motivate our audience to cultivate a mindset of lifelong learning, productivity, and personal development. By sharing insights, strategies, and practical tips, we aim to guide listeners on their journey towards realizing their fullest potential, fostering success, and creating lasting positive change. She’s a Hazard to Herself She’s a Hazard Hi there, I’m Mallory, and I’d like to invite you into our world with “She’s a Hazard to Herself!” Join us as we navigate life with Multiple Sclerosis from the seat of my power wheelchair. Discover stories of resilience, family, and the community we’ve built around chronic illness. Whether you’re impacted by MS or want to learn from our journey, there’s something here for you. So why wait? Subscribe to “She’s a Hazard to Herself” on your favorite podcast app and be part of our journey today. Let’s lift each other up, one episode at a time! The Field Priest Methodius Chwastek The Field is a place of cultivation and of battle. In the Church, we learn to cultivate a life pleasing to God. This life is shaped in the spiritual battle. This series examines, chapter by chapter, the Christian classic The Field, by Saint Ignatius Brianchaninov. Please join me as I explain this great work in terms the modern Orthodox Christian can understand. 

Frequently Asked Questions

How long is this episode of Slow Portuguese - Learn Portuguese?

This episode is 11 minutes long.

When was this Slow Portuguese - Learn Portuguese episode published?

This episode was published on June 9, 2020.

What is this episode about?

Support the Podcast: bit.ly/SlowPortuguese - PayPal Donation A distinção entre gênero social e gramatical na Língua Portuguesa Gênero é uma categoria linguística inerente aos substantivos, mas em apenas um subconjunto desses substantivos está...

Can I download this Slow Portuguese - Learn Portuguese episode?

Yes, you can download this episode by clicking the download button on the episode player, or subscribe to the podcast in your preferred podcast app for automatic downloads.
URL copied to clipboard!