EPISODE · Aug 31, 2024 · 2 MIN
23 - Resignação
from Linhas tortas · host Felipe Simão
Às vezes parece que tudo vai virar poesia, que a inspiração se esconde em cada esquina, que cada nuvem andeja no céu veleja pela força de compor um verso, quem sabe até uma estrofe; o poeta sofre com papel e caneta à mão, craveja na folha a mais fustigante aflição e costura a ferida no corpo do lírico eu que já não é mais seu Às vezes parece que tudo vai virar poesia, mas a vida é feita de tédio, com intervalos de emoção; às vezes parece que toda rima vai virar poema, que todo riso vai virar cena de livro e depois de filme no cinema, às vezes parece que não haverá dilema, que não importa o tamanho do problema, que não pesará a mágoa ou qualquer outra coisa que chateia; longe da escória, cidadão livre e cada sua estória, mesmo que feia, vai virar letra bonita; mas de fastio fez-se a vida, a trilha se entrava, a mente trava e tudo vira palavra não dita, frase encardida, ferrugem de memória que para nada serve; mas enquanto as palavras não faltam, a percepção não se perde, a memoração não falha, e as estórias não deixam de acontecer, sigo poeta, de papel e caneta até o amanhecer, as letras correm o papel apressadas e nem veem a lua desaparecer, os dias devoram a vida, o tédio devora as horas, e as horas vão nos comendo minuto a minuto sem percebermos, mas hoje não, não neste dia, nesta madrugada, ela ficará, e mesmo quando eu me for, ela ainda estará aqui, será um clarão no escuro, enquanto houver alguém para conhecê-la, com os olhos, com os ouvidos, no seu sentimento perpassar o momento mais duro, a resignação de que a maior parte da vida é antoja, presencialidade de sentido vazia, à transcendência é um ataque, um verdadeiro baque, saber que nem tudo vai virar poesia
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Às vezes parece que tudo vai virar poesia, que a inspiração se esconde em cada esquina, que cada nuvem andeja no céu veleja pela força de compor um verso, quem sabe até uma estrofe; o poeta sofre com papel e caneta à mão, craveja na folha a mais fustigante aflição e costura a ferida no corpo do lírico eu que já não é mais seu Às vezes parece que tudo vai virar poesia, mas a vida é feita de tédio, com intervalos de emoção; às vezes parece que toda rima vai virar poema, que todo riso vai virar cena de livro e depois de filme no cinema, às vezes parece que não haverá dilema, que não importa o tamanho do problema, que não pesará a mágoa ou qualquer outra coisa que chateia; longe da escória, cidadão livre e cada sua estória, mesmo que feia, vai virar letra bonita; mas de fastio fez-se a vida, a trilha se entrava, a mente trava e tudo vira palavra não dita, frase encardida, ferrugem de memória que para nada serve; mas enquanto as palavras não faltam, a percepção não se perde, a memoração não falha, e as estórias não deixam de acontecer, sigo poeta, de papel e caneta até o amanhecer, as letras correm o papel apressadas e nem veem a lua desaparecer, os dias devoram a vida, o tédio devora as horas, e as horas vão nos comendo minuto a minuto sem percebermos, mas hoje não, não neste dia, nesta madrugada, ela ficará, e mesmo quando eu me for, ela ainda estará aqui, será um clarão no escuro, enquanto houver alguém para conhecê-la, com os olhos, com os ouvidos, no seu sentimento perpassar o momento mais duro, a resignação de que a maior parte da vida é antoja, presencialidade de sentido vazia, à transcendência é um ataque, um verdadeiro baque, saber que nem tudo vai virar poesia
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23 - Resignação
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