EPISODE · Mar 18, 2026 · 23 MIN
A PERDA DA AUTONOMIA DA ÉTICA: DA ARQUITETURA GREGA À NORMATIVIDADE MODERNA
from Ética em Movimento · host Profº Xiko Acis
Resumo Este artigo examina a transformação histórica do conceito de ética por meio de uma análise histórico-conceitual dos principais pontos de inflexão desde a Antiguidade Clássica até a Modernidade. Argumenta-se que, na filosofia clássica, particularmente nas obras de Platão e Aristóteles, a ética era compreendida como investigação racional do bem comum e mantinha autonomia estrutural em relação aos costumes históricos e à normatividade positiva. No contexto da crise republicana romana, Cícero promoveu uma integração estratégica entre natureza, razão e lei ao identificar a lex com a recta ratio naturae. Essa formulação, politicamente motivada, reduziu o espaço conceitual no qual a ética poderia funcionar como um ponto de vista crítico independente dos sistemas normativos. O artigo sustenta ainda que essa integração foi consolidada na tradição medieval, especialmente em Agostinho e Tomás de Aquino, e posteriormente secularizada na filosofia moderna por pensadores como Hobbes e Kant, reforçando assim a identificação estrutural entre ética e normatividade. Nesse contexto, o artigo distingue entre autonomia normativa, entendida como a primazia da razão sobre fontes externas de obrigação, e autonomia estrutural, definida como a prioridade lógica da investigação do bem comum sobre a formulação de qualquer regra de conduta. Conclui-se que a recuperação dessa distinção estrutural constitui uma condição filosófica necessária para reconstituir a autonomia racional da ética nos debates contemporâneos. Palavras-chave: Ética; Moral; Lei; Cícero; Autonomia estrutural; Filosofia moral.
What this episode covers
Resumo Este artigo examina a transformação histórica do conceito de ética por meio de uma análise histórico-conceitual dos principais pontos de inflexão desde a Antiguidade Clássica até a Modernidade. Argumenta-se que, na filosofia clássica, particularmente nas obras de Platão e Aristóteles, a ética era compreendida como investigação racional do bem comum e mantinha autonomia estrutural em relação aos costumes históricos e à normatividade positiva. No contexto da crise republicana romana, Cícero promoveu uma integração estratégica entre natureza, razão e lei ao identificar a lex com a recta ratio naturae. Essa formulação, politicamente motivada, reduziu o espaço conceitual no qual a ética poderia funcionar como um ponto de vista crítico independente dos sistemas normativos. O artigo sustenta ainda que essa integração foi consolidada na tradição medieval, especialmente em Agostinho e Tomás de Aquino, e posteriormente secularizada na filosofia moderna por pensadores como Hobbes e Kant, reforçando assim a identificação estrutural entre ética e normatividade. Nesse contexto, o artigo distingue entre autonomia normativa, entendida como a primazia da razão sobre fontes externas de obrigação, e autonomia estrutural, definida como a prioridade lógica da investigação do bem comum sobre a formulação de qualquer regra de conduta. Conclui-se que a recuperação dessa distinção estrutural constitui uma condição filosófica necessária para reconstituir a autonomia racional da ética nos debates contemporâneos. Palavras-chave: Ética; Moral; Lei; Cícero; Autonomia estrutural; Filosofia moral.
NOW PLAYING
A PERDA DA AUTONOMIA DA ÉTICA: DA ARQUITETURA GREGA À NORMATIVIDADE MODERNA
No transcript for this episode yet
Similar Episodes
Apr 8, 2026 ·83m
Mar 11, 2026 ·57m
Jul 9, 2025 ·51m
Jul 2, 2025 ·47m
Jun 25, 2025 ·49m
Jun 18, 2025 ·55m