EPISODE · Feb 3, 2023 · 5 MIN
Carta aos Hebreus 13,1-8 (com reflexão)
from OUVIR E REFLETIR · host REINALDO ROCHA
Carta aos Hebreus 13,1-8 Irmãos, [1] perseverai no amor fraterno. [2] Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. [3] Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! [4] O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros. [5] Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: "Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei". [6] De modo que podemos dizer, com ousadia: "O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?" [7] Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. [8] Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade. Palavra do Senhor. REFLEXÃO A hospitalidade é um comportamento social e comum, e até os maus a praticam, mesmo que seja por razões que não o testemunho de fé. Portanto, praticar a hospitalidade não é um pedido absurdo e nem significa impor um peso sobre o cristão. Na época, sem muitas opções de hotéis, a hospitalidade caseira se constituía numa prática corriqueira, o que nos leva a pensar que o autor estivesse se referindo a outro tipo de hospitalidade, reflexão possível e reforçada pela figura dos anjos referida na passagem. Anjos são portadores de mensagens, e praticar hospitalidade pode ser compreendida como respeito à diversidade de opiniões, mesmo que contrárias ao próprio Evangelho. A reflexão é pertinente, se pensarmos numa possível preocupação do autor de Hebreus com a obstinação natural dos judeus. A Carta aos Hebreus é dirigida a judeus cristianizados espalhados pelo mundo, mas que poderiam voltar às sua origens, zelosos e obstinados em suas convicções e tradições, e fechados para a missão. Esta reflexão nos leva também a outro equivoco, dos mais constrangedores, e de muitos cristãos em todos os tempos, o fundamentalismo, originalmente um termo que identifica a preocupação com a verdade, mas que se tornou uma obsessão e um fim em si mesmo, o que afasta as pessoas que pensam diferente. Se até a vocação da humanidade é construir relações que promovam a convivência fraterna, muito mais a dos cristãos, é promover condições para que Cristo se torne o Salvador de todos. Cristo praticou a hospitalidade ao discutir com líderes religiosos, mesmo sabendo da intransigência deles. Pelo menos Nicodemos se converteu. Os apóstolos praticaram a hospitalidade, mesmo ameaçados pelos sinedritas. Pelo menos Gamaliel se converteu. Hospitalidade, sim, fundamentalismo, não.
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Carta aos Hebreus 13,1-8 Irmãos, [1] perseverai no amor fraterno. [2] Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. [3] Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! [4] O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros. [5] Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: "Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei". [6] De modo que podemos dizer, com ousadia: "O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?" [7] Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. [8] Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade. Palavra do Senhor. REFLEXÃO A hospitalidade é um comportamento social e comum, e até os maus a praticam, mesmo que seja por razões que não o testemunho de fé. Portanto, praticar a hospitalidade não é um pedido absurdo e nem significa impor um peso sobre o cristão. Na época, sem muitas opções de hotéis, a hospitalidade caseira se constituía numa prática corriqueira, o que nos leva a pensar que o autor estivesse se referindo a outro tipo de hospitalidade, reflexão possível e reforçada pela figura dos anjos referida na passagem. Anjos são portadores de mensagens, e praticar hospitalidade pode ser compreendida como respeito à diversidade de opiniões, mesmo que contrárias ao próprio Evangelho. A reflexão é pertinente, se pensarmos numa possível preocupação do autor de Hebreus com a obstinação natural dos judeus. A Carta aos Hebreus é dirigida a judeus cristianizados espalhados pelo mundo, mas que poderiam voltar às sua origens, zelosos e obstinados em suas convicções e tradições, e fechados para a missão. Esta reflexão nos leva também a outro equivoco, dos mais constrangedores, e de muitos cristãos em todos os tempos, o fundamentalismo, originalmente um termo que identifica a preocupação com a verdade, mas que se tornou uma obsessão e um fim em si mesmo, o que afasta as pessoas que pensam diferente. Se até a vocação da humanidade é construir relações que promovam a convivência fraterna, muito mais a dos cristãos, é promover condições para que Cristo se torne o Salvador de todos. Cristo praticou a hospitalidade ao discutir com líderes religiosos, mesmo sabendo da intransigência deles. Pelo menos Nicodemos se converteu. Os apóstolos praticaram a hospitalidade, mesmo ameaçados pelos sinedritas. Pelo menos Gamaliel se converteu. Hospitalidade, sim, fundamentalismo, não.
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Carta aos Hebreus 13,1-8 (com reflexão)
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