EPISODE · May 6, 2025 · 55 MIN
É Tudo Culpa da Cultura: O CORPO BARIÁTRICO
from É tudo culpa da cultura · host Michel Alcoforado
A cirurgia transforma o estômago — mas também o olhar dos outros. Nesse episódio a gente recebe a antropóloga Natália Figueiroa, que vai mergulhar nas camadas culturais, sociais e médicas que moldam a percepção sobre os corpos gordos — especialmente contexto da cirurgia bariátrica. A conversa parte do conceito de corpo como interface e revela como o estigma da gordura afeta decisões, relações sociais e identidades. A partir de sua trajetória pessoal e pesquisa de campo, Natália discute a medicalização da obesidade, o papel dos dispositivos sociotécnicos (como a balança ou o copinho de café) e a lógica do compromisso moral imposta aos pacientes bariátricos. Um episódio potente sobre corpo, escolha, controle e o preço social de caber nas medidas. Durante o papo, também entramos na ambiguidade dessa experiência: de um lado, a promessa de saúde e pertencimento social; do outro, as cicatrizes (físicas e simbólicas) de um processo que exige disciplina extrema, vigilância constante e que muitas vezes mantém vivo o estigma mesmo depois da perda de peso. O corpo bariátrico, como nos mostra Natália, não é apenas uma forma transformada — é um campo de batalha entre o desejo individual e as normas coletivas. Como construir uma ética do cuidado que não recaia na culpabilização do sujeito? Que outras formas de existir e resistir podem emergir quando a gente deixa de tratar o corpo gordo como problema? Esse episódio é um convite a rever o que consideramos saúde, autocontrole e aceitação — e a olhar com mais atenção para as histórias que os corpos contam, mesmo quando tentam silenciá-las. Apresentação: Michel Alcoforado Roteiro: Michel Alcoforado Produção e Pesquisa: Fabíola Gomes Captação, sonorização e edição: Voz Ativa Produções Vinheta: Estúdio Cavalo ID Visual: Diego Oliveira e Juliana Silva Plataformas e mídias: Carla Viveiros Gestão de projeto: Carolina Piza AUTORES CITADOS NO EPISÓDIO Donna Haraway, Bruno Latour, Georges Vigarello , Michel Foucault, Denise Bernuzzi de Sant’Anna INDICAÇÃO DE LEITURAS Ciência em Ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora, de Bruno Latour (Editora Unesp) https://amzn.to/4kahMgG As metamorfoses do gordo no Ocidente: da Idade Média ao século XX, de Georges Vigarello (Editora Vozes) https://amzn.to/3RMg9cO Gordos, magros e obesos: uma história do peso no Brasil, de Denise Bernuzzi de Anna (Editora Estação Liberdade) https://amzn.to/3GDLwUs Sociologia da obesidade, de Jean-Pierre Poulain (Editora Senac) https://amzn.to/44TMi9V O meu livro, De tédio ninguém morre: pistas para entender os nossos tempos, já está disponível. Compre aqui: https://amzn.to/3GHUXCn Me siga nas redes sociais: instagram.com/michelalcoforado/ linkedin.com/in/michelalcoforado/ twitter.com/michelalcoforad
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A cirurgia transforma o estômago — mas também o olhar dos outros. Nesse episódio a gente recebe a antropóloga Natália Figueiroa, que vai mergulhar nas camadas culturais, sociais e médicas que moldam a percepção sobre os corpos gordos — especialmente contexto da cirurgia bariátrica. A conversa parte do conceito de corpo como interface e revela como o estigma da gordura afeta decisões, relações sociais e identidades. A partir de sua trajetória pessoal e pesquisa de campo, Natália discute a medicalização da obesidade, o papel dos dispositivos sociotécnicos (como a balança ou o copinho de café) e a lógica do compromisso moral imposta aos pacientes bariátricos. Um episódio potente sobre corpo, escolha, controle e o preço social de caber nas medidas. Durante o papo, também entramos na ambiguidade dessa experiência: de um lado, a promessa de saúde e pertencimento social; do outro, as cicatrizes (físicas e simbólicas) de um processo que exige disciplina extrema, vigilância constante e que muitas vezes mantém vivo o estigma mesmo depois da perda de peso. O corpo bariátrico, como nos mostra Natália, não é apenas uma forma transformada — é um campo de batalha entre o desejo individual e as normas coletivas. Como construir uma ética do cuidado que não recaia na culpabilização do sujeito? Que outras formas de existir e resistir podem emergir quando a gente deixa de tratar o corpo gordo como problema? Esse episódio é um convite a rever o que consideramos saúde, autocontrole e aceitação — e a olhar com mais atenção para as histórias que os corpos contam, mesmo quando tentam silenciá-las. Apresentação: Michel Alcoforado Roteiro: Michel Alcoforado Produção e Pesquisa: Fabíola Gomes Captação, sonorização e edição: Voz Ativa Produções Vinheta: Estúdio Cavalo ID Visual: Diego Oliveira e Juliana Silva Plataformas e mídias: Carla Viveiros Gestão de projeto: Carolina Piza AUTORES CITADOS NO EPISÓDIO Donna Haraway, Bruno Latour, Georges Vigarello , Michel Foucault, Denise Bernuzzi de Sant’Anna INDICAÇÃO DE LEITURAS Ciência em Ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora, de Bruno Latour (Editora Unesp) https://amzn.to/4kahMgG As metamorfoses do gordo no Ocidente: da Idade Média ao século XX, de Georges Vigarello (Editora Vozes) https://amzn.to/3RMg9cO Gordos, magros e obesos: uma história do peso no Brasil, de Denise Bernuzzi de Anna (Editora Estação Liberdade) https://amzn.to/3GDLwUs Sociologia da obesidade, de Jean-Pierre Poulain (Editora Senac) https://amzn.to/44TMi9V O meu livro, De tédio ninguém morre: pistas para entender os nossos tempos, já está disponível. Compre aqui: https://amzn.to/3GHUXCn Me siga nas redes sociais: instagram.com/michelalcoforado/ linkedin.com/in/michelalcoforado/ twitter.com/michelalcoforad
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É Tudo Culpa da Cultura: O CORPO BARIÁTRICO
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