EPISODE · Apr 23, 2026 · 24 MIN
Estás a Criar Conteúdo Mas Não Estás a Gerar Negócio — E Aqui Está o Porquê.
from "O Criador Contente" o Podcast | Dicas Para Criadores e Criação de Conteúdo · host Marco Novo
Estás a fazer barulho ou a fazer negócio?Deixa-me ser directo contigo logo à partida: se estás a criar conteúdo de forma consistente, mas não estás a ver resultados — não estás a atrair clientes, não estás a gerar oportunidades, não estás a fazer crescer o teu negócio — há uma hipótese muito real de que não estás verdadeiramente a criar conteúdo. Estás apenas a ocupar espaço no feed de algumas pessoas.E isso dói ouvir, eu sei. Mas é exactamente por isso que vale a pena falar sobre isto.Neste episódio d’O Criador Contente mergulhei fundo nesta questão, porque é um erro que vejo acontecer com muita frequência — e que também eu próprio já cometi. A boa notícia? Tem solução. E começa com uma palavra que uso muito: intencionalidade.O problema começa no posicionamentoA primeira pergunta que tens de te fazer é simples, mas poderosa: quando alguém vê o teu conteúdo, percebe claramente quem tu és e o que fazes?Sou jardineiro? Advogado? Especialista em moda? Criador de conteúdo para marcas de gastronomia? Se a resposta não for imediata e clara para quem te vê pela primeira vez, tens um problema de posicionamento.E atenção — o posicionamento não é só para quem quer trabalhar com marcas. É igualmente importante se és um profissional liberal, um empresário ou alguém que quer usar o conteúdo para atrair clientes directamente. O teu público precisa de perceber, rapidamente, com o que conta quando te segue.Os teus valores também fazem parte do posicionamentoIsto é algo que muitas vezes se esquece. O teu posicionamento não é só o que fazes — é também como e porquê o fazes. Os teus valores, o teu tom, a tua forma de ver o mundo.Imagina que és um criador com uma postura clara em relação à sustentabilidade ambiental. Se de repente aparece uma marca com uma pegada ecológica questionável e tu fazes o endorsement porque pagaram bem… a tua comunidade vai sentir-se traída. E tem razão para isso.A coerência entre o que dizes, o que defendes e com quem trabalhas é o que constrói — ou destrói — a confiança. E sem confiança, não há negócio.O catavento das tendências não te vai salvarJá viste acontecer com frequência. Aparece uma nova trend, toda a gente começa a publicar os avatares 3D, as dancinhas, o formato da semana, e lá vamos nós atrás.Pode gerar likes. Pode gerar comentários. Pode até gerar algum crescimento de seguidores.Mas dificilmente te vai gerar negócio.Porquê? Porque ir constantemente atrás de tendências vai precisamente contra a construção de um posicionamento sólido e de um tom reconhecível. Podes até criar um posicionamento involuntário — o de “seguidor de tendências” — mas isso não te vai ajudar a ser reconhecido como referência na tua área.E ser uma referência é o que te traz negócio.O erro do “eu, eu, eu”Outro padrão que vejo com demasiada frequência: conteúdo centrado exclusivamente em quem o cria.“Tenho empresa há X anos.”“Somos inovadores.”“Sou diferente da concorrência.”“A nossa qualidade é inigualável.”O teu futuro cliente não quer saber disso — pelo menos não assim. O que ele quer saber é: o que é que tu podes fazer por mim?Agora, atenção — isto não significa que não deves falar de ti. Significa que quando falas de ti, deve ser para ilustrar uma solução, para mostrar uma transformação, para provar que o problema que o teu cliente tem pode ser resolvido. Usar a tua experiência para exemplificar é completamente diferente de te gabar constantemente.A diferença entre um é conectar. O outro é afastar.Só conteúdo de venda? Problema garantido.Se sempre que o teu público encontra o teu conteúdo a única coisa que vê é uma promoção ou uma chamada para comprar, o algoritmo vai ignorar-te — e o público também.As pessoas, na maior parte das vezes, não estão à procura de comprar. Estão à procura de aprender, de se inspirar, de resolver um problema, de se entreter. Se o teu conteúdo só existe para vender, deixa de ser relevante. E relevância é tudo.Educa antes de venderA forma mais eficaz de criar relevância é através da educação. Em vez de dizer “esta lapiseira escreve bem, compra já”, experimenta uma abordagem diferente:* Identifica um problema com o qual o teu público se identifica* Mostra que entendes esse problema* Apresenta a solução — e aí sim, o teu produto ou serviço entra naturalmente na conversaÉ esta sequência — problema → identificação → solução — que cria confiança. E é a confiança que, com o tempo, gera vendas.Conteúdo polarizador não é conteúdo agressivoUma das coisas que também partilho neste episódio, e que pode parecer contra-intuitiva, é a importância de marcar posição.Muitas vezes tentamos ser tão inclusivos, tão neutros, tão inofensivos no nosso conteúdo que acabamos por não dizer nada. E conteúdo que não diz nada não cria nada — nem identificação, nem negócio.Não estou a falar de ser agressivo ou polémico por ser. Estou a falar de ter uma perspectiva, de defender uma posição, de ser alguém com quem as pessoas concordam — ou discordam. Isso é o que cria comunidade real. Só uma parte do público se vai identificar contigo, e está bem assim. Não precisas de agradar a toda a gente. Precisas de ser a referência certa para as pessoas certas.O contexto também é estratégiaHá outro erro subtil que vale a pena mencionar: ignorar o contexto temporal do conteúdo.Falar de bagagem quando ninguém está a planear viagens. Falar de seguros de férias em pleno Inverno. Falar de vindimas em Maio. São exemplos óbvios, mas o princípio aplica-se a qualquer área.Quando o teu conteúdo aparece no momento certo — quando o teu público já está a pensar naquele tema, naquele problema, naquela necessidade — a receptividade é completamente diferente. Respeitar os timings é uma forma de respeitar a atenção do teu público.Métricas de vaidade não pagam contasPara terminar, um aviso que dou com alguma regularidade: não baseies as tuas decisões de conteúdo apenas em likes, comentários e partilhas.Esses números podem ser enganadores. Uma publicação pode ter imenso engagement porque foi engraçada, porque tocou numa emoção, porque apanhou uma onda — sem que isso signifique que estás a atrair clientes ou a construir autoridade na tua área.As métricas que importam para o negócio são outras: pedidos de contacto, leads geradas, conversas iniciadas, vendas atribuídas ao conteúdo. Não ignores as métricas de vaidade, mas não deixes que sejam elas a guiar a tua estratégia.Em resumo: conteúdo intencional vs. conteúdo decorativoSe ficasses com uma única ideia deste episódio, era esta: a diferença entre conteúdo que gera negócio e conteúdo que gera barulho é a intencionalidade.Intencionalidade no posicionamento. No tom. Na coerência. No que escolhes falar e quando. Em como apresentas o valor do que fazes. Em quem queres atrair — e, implicitamente, em quem não queres.Criar conteúdo sem esta intencionalidade é como gritar num concerto. O som existe. Mas ninguém te ouve.Se este tema te fez pensar — e espero que sim — ouve o episódio completo. Aprofundo cada um destes pontos com exemplos concretos e vais sair de lá com coisas para aplicar ainda esta semana.O Criador Contente — um podcast sem promessas para criadores sem pressas.Também podes gostar de…→ Ep. 48 — Criar para Vender vs. Criar para Ser AdmiradoSe este episódio te fez questionar a intenção por trás do teu conteúdo, este complementa-o na perfeição. Falo sobre a tensão entre criar para agradar e criar para converter — e porque estas duas coisas nem sempre andam juntas.→ Ep. 47 — Conteúdo Relacional vs. Transaccional: Qual Está a Construir Mesmo o Teu Negócio?A distinção entre conteúdo que constrói relação e conteúdo que empurra para a venda é fundamental para perceber porque é que o teu conteúdo pode estar a falhar — mesmo quando parece estar a correr bem.→ Ep. 28 — A Arte de Traduzir Características em BenefíciosFalo directamente sobre o erro de vender características em vez de transformações — um dos pontos centrais deste episódio, aprofundado com exemplos práticos.🚀 Segue “O Criador Contente” no Substack para mais conteúdos fenomenais:**Queres potenciar o teu conteúdo? 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