EPISODE · Sep 6, 2023 · 13 MIN
Freud não tomou o Narcisismo como princípio, mas a ciência, e nisso estava o Narcisismo de Freud.
from Psicanálise em Ato · host Adelmo Marcos Rossi
Acontece mais ou menos assim: A psicologia vai acontecendo na vida da gente sem que a gente sequer perceba, viver é psicológico, mas ninguém sabe disso, porque viver é espontâneo, vive-se naturalmente, a vida vai acontecendo sem que se perceba que viver é psicologia aplicada, e será somente lá adiante que o cidadão irá se dar conta desse fato, se é que vai, quando lhe acontecer uma perda, uma queda, um obstáculo qualquer que o derrube, alguma doença que se repete insistentemente, e então ele é recomendado procurar um psicólogo ou psicanalista para tentar descobrir a causa dos seus sintomas, do seu comportamento, o que é que o levou à derrota, dificilmente lhe explicam, diretamente, que psicologia é simplesmente jogo de palavras, a guerra de palavras está na base da desgraça humana, se a pessoa aprender a ser fria e calculista, observar bem antes os movimentos, calculá-los, e não entrar de imediato, aprender a ser criativo nas interpretações, isso se aprende, compreender o jogo que se faz, então, ela compreenderá o que é a psicanálise criada pelo Freud, nenhum psicanalista toma a psicanálise por esse lado, basta observar como repetem fórmulas deixadas por Freud, raro que surja alguém criativo reformulando o que Freud deixou escrito, dizia Freud que o escritor literário o havia antecipado, não somente o antecipou, como também o sucedeu, os escritores de antes de Freud não diferem dos que vieram depois dele, significa dizer, o escritor, por saber fazer o jogo de palavras, está antecipando a psicanálise, vindo antes dela, nem precisa dela, mas há muito escritor que escreve sem saber disso, ao que parece, o único escritor que escrevia consciente que a vida é psicologia aplicada foi o Machado de Assis, reconhecidamente um escritor psicológico, o que não se sabia é que Machado tinha ferramentas de sustentação, conhecia a castração pelo temor da travessia do Rubicon, sabia que com as palavras se pratica o Similia similibus curantur, cura-se o mesmo com o mesmo, que o jogo de palavras é Petalogia, com a lanterna de Diógenes procurava um homem – um homem como ele mesmo – tinha conhecimento do poder de Oráculo que têm as palavras, tinha a imortalidade em mira, seu princípio foi o Narcisismo, e foi com o Narcisismo que ele manobrou com a linguagem vindo a se tornar o escritor número um do Brasil. O novo livro, “O Imortal Machado de Assis – Autor de si mesmo”, diagnosticou em Machado essa estrutura sustentando sua escrita psicológica.
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Acontece mais ou menos assim: A psicologia vai acontecendo na vida da gente sem que a gente sequer perceba, viver é psicológico, mas ninguém sabe disso, porque viver é espontâneo, vive-se naturalmente, a vida vai acontecendo sem que se perceba que viver é psicologia aplicada, e será somente lá adiante que o cidadão irá se dar conta desse fato, se é que vai, quando lhe acontecer uma perda, uma queda, um obstáculo qualquer que o derrube, alguma doença que se repete insistentemente, e então ele é recomendado procurar um psicólogo ou psicanalista para tentar descobrir a causa dos seus sintomas, do seu comportamento, o que é que o levou à derrota, dificilmente lhe explicam, diretamente, que psicologia é simplesmente jogo de palavras, a guerra de palavras está na base da desgraça humana, se a pessoa aprender a ser fria e calculista, observar bem antes os movimentos, calculá-los, e não entrar de imediato, aprender a ser criativo nas interpretações, isso se aprende, compreender o jogo que se faz, então, ela compreenderá o que é a psicanálise criada pelo Freud, nenhum psicanalista toma a psicanálise por esse lado, basta observar como repetem fórmulas deixadas por Freud, raro que surja alguém criativo reformulando o que Freud deixou escrito, dizia Freud que o escritor literário o havia antecipado, não somente o antecipou, como também o sucedeu, os escritores de antes de Freud não diferem dos que vieram depois dele, significa dizer, o escritor, por saber fazer o jogo de palavras, está antecipando a psicanálise, vindo antes dela, nem precisa dela, mas há muito escritor que escreve sem saber disso, ao que parece, o único escritor que escrevia consciente que a vida é psicologia aplicada foi o Machado de Assis, reconhecidamente um escritor psicológico, o que não se sabia é que Machado tinha ferramentas de sustentação, conhecia a castração pelo temor da travessia do Rubicon, sabia que com as palavras se pratica o Similia similibus curantur, cura-se o mesmo com o mesmo, que o jogo de palavras é Petalogia, com a lanterna de Diógenes procurava um homem – um homem como ele mesmo – tinha conhecimento do poder de Oráculo que têm as palavras, tinha a imortalidade em mira, seu princípio foi o Narcisismo, e foi com o Narcisismo que ele manobrou com a linguagem vindo a se tornar o escritor número um do Brasil. O novo livro, “O Imortal Machado de Assis – Autor de si mesmo”, diagnosticou em Machado essa estrutura sustentando sua escrita psicológica.
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Freud não tomou o Narcisismo como princípio, mas a ciência, e nisso estava o Narcisismo de Freud.
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