EPISODE · May 2, 2026 · 53 MIN
Horizonte de Eventos - Episódio 94 - Quem Chega Primeiro na Lua: China ou EUA?
from Horizonte de Eventos · host Sérgio Sacani Sancevero
No dia onze de fevereiro deste ano, um foguete subiu da costa de Hainan ao amanhecer e fez algo que a imprensa internacional praticamente ignorou. Em vez de sumir no espaço, voltou. Subiu até passar dos cento e quarenta quilômetros de altitude, separou seu segundo estágio, deu meia-volta no ar rarefeito da estratosfera, reacendeu os motores, desceu, e pousou suavemente na água ao lado de um navio de recolha. Aquele era o primeiro estágio do Long March 10A, o foguete que vai levar a primeira tripulação chinesa à Lua antes de 2030. A China acabou de demonstrar publicamente que sabe pousar foguetes orbitais. E o mundo mal prestou atenção.Este é o segundo de dois episódios sobre o programa lunar chinês. Hoje, a conversa olha para frente. Para o que está prestes a acontecer.Em agosto deste ano, a Chang'e 7 vai partir rumo ao polo sul da Lua. Vai pousar num pico permanentemente iluminado pelo Sol perto da cratera Shackleton, e vai liberar um pequeno saltador movido a metano e oxigênio que tem missão histórica: descer fisicamente, com seus próprios motores, até o fundo de uma cratera onde o Sol nunca brilhou em pelo menos dois bilhões de anos, e medir o gelo de água que está lá embaixo, congelado a temperaturas mais frias que a superfície de Plutão.Em 2028 vem a Chang'e 8, com um robô humanoide bípede e uma impressora 3D que vai tentar fundir poeira lunar em tijolos usando luz do Sol concentrada por fibra ótica. Não é mais teste de laboratório com simulante terrestre. É a primeira tentativa de transformar regolito lunar real em material de construção.E em 2030, se tudo seguir o plano, dois taikonautas vão pousar na superfície da Lua. A arquitetura é elegante na simplicidade: dois lançamentos do foguete Long March 10, encontro em órbita lunar, descida no lander Lanyue, retorno na cápsula Mengzhou. Cada peça desse quebra-cabeça já tem precedente direto em missão chinesa anterior. A novidade é, basicamente, escala. E gente dentro.Falamos também do estado real do programa Artemis americano nesta primavera de 2026. Da vitória da Artemis II no primeiro de abril, do pouso adiado pela enésima vez para a Artemis IV, do Starship V3 que continua sem voar, do elevador de cinquenta e dois metros que pode emperrar com astronautas dentro, do Lunar Gateway suspenso, do Exploration Upper Stage cancelado. Duas estratégias para o mesmo destino. Uma conservadora, derivada de tecnologia já demonstrada. A outra ambiciosa, comercial, dependente de coisas que ainda nunca foram feitas.A pergunta que paira nos corredores da NASA, e que ninguém quer responder em voz alta: quem chega lá primeiro com gente?
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No dia onze de fevereiro deste ano, um foguete subiu da costa de Hainan ao amanhecer e fez algo que a imprensa internacional praticamente ignorou. Em vez de sumir no espaço, voltou. Subiu até passar dos cento e quarenta quilômetros de altitude, separou seu segundo estágio, deu meia-volta no ar rarefeito da estratosfera, reacendeu os motores, desceu, e pousou suavemente na água ao lado de um navio de recolha. Aquele era o primeiro estágio do Long March 10A, o foguete que vai levar a primeira tripulação chinesa à Lua antes de 2030. A China acabou de demonstrar publicamente que sabe pousar foguetes orbitais. E o mundo mal prestou atenção.Este é o segundo de dois episódios sobre o programa lunar chinês. Hoje, a conversa olha para frente. Para o que está prestes a acontecer.Em agosto deste ano, a Chang'e 7 vai partir rumo ao polo sul da Lua. Vai pousar num pico permanentemente iluminado pelo Sol perto da cratera Shackleton, e vai liberar um pequeno saltador movido a metano e oxigênio que tem missão histórica: descer fisicamente, com seus próprios motores, até o fundo de uma cratera onde o Sol nunca brilhou em pelo menos dois bilhões de anos, e medir o gelo de água que está lá embaixo, congelado a temperaturas mais frias que a superfície de Plutão.Em 2028 vem a Chang'e 8, com um robô humanoide bípede e uma impressora 3D que vai tentar fundir poeira lunar em tijolos usando luz do Sol concentrada por fibra ótica. Não é mais teste de laboratório com simulante terrestre. É a primeira tentativa de transformar regolito lunar real em material de construção.E em 2030, se tudo seguir o plano, dois taikonautas vão pousar na superfície da Lua. A arquitetura é elegante na simplicidade: dois lançamentos do foguete Long March 10, encontro em órbita lunar, descida no lander Lanyue, retorno na cápsula Mengzhou. Cada peça desse quebra-cabeça já tem precedente direto em missão chinesa anterior. A novidade é, basicamente, escala. E gente dentro.Falamos também do estado real do programa Artemis americano nesta primavera de 2026. Da vitória da Artemis II no primeiro de abril, do pouso adiado pela enésima vez para a Artemis IV, do Starship V3 que continua sem voar, do elevador de cinquenta e dois metros que pode emperrar com astronautas dentro, do Lunar Gateway suspenso, do Exploration Upper Stage cancelado. Duas estratégias para o mesmo destino. Uma conservadora, derivada de tecnologia já demonstrada. A outra ambiciosa, comercial, dependente de coisas que ainda nunca foram feitas.A pergunta que paira nos corredores da NASA, e que ninguém quer responder em voz alta: quem chega lá primeiro com gente?
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