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EPISODE · Jun 25, 2022 · 10 MIN

Lembro de uma vez que eu me despi

from Psicanálise em Ato · host Adelmo Marcos Rossi

A reflexão filosófica é um pensamento sobre o Real, sobre um fato da realidade, o Espanto, o Real é o Espanto, fonte da literatura do Extraordinário. Sempre fui angustiado, desde jovem, não é à toa que era admirador de Roda Viva e outras. O incômodo com a realidade existe lá fora, tendo um parceiro com o amor, suporta-se, a gente tem uma parceria para compartilhar quando se tem um grande amor, que com esse amor você visita, o mundo, passeia, tem parceria, um entrega-se ao outro, um encobre o outro, apoia, e assim se passa uma vida. A teoria feminista veio introduzir uma novidade nesse tipo de relação, que é uma relação difícil, a relação de amor sempre foi uma relação difícil, não é novidade isso. O policamente correto traz para dentro do relacionamento uma contaminação imaginária – Na Arca, de Machado, existe uma ilustração disso. Terra que terão no futuro. Que terra é essa que terão no futuro? “O homem tem que ser confiável. A mulher pode não ser” “Eu posso faltar com a confiança, eu sou mulher, mulher não sabe o que quer, por isso, tem o direito de faltar com a confiança”. “Mas o homem não, o homem tem que ser confiável”. A repressão interna faz a gente ter vergonha de se desnudar”. “Vou ficar peladinha, vou mostrar a bucetinha, ele, o piruzinho”. Desnudar-se na linguagem, o nudismo. “Lembro de uma vez que eu me despi” Estava falando sobre o despir-se, sobre o pânico dela em ficar sozinha no Rio, com o marido em Tokio. “Estou me despindo igual aquele dia em que eu me despi, fiquei nua, porque tinha o peitinho torto, e eu queria ver se você iria sair correndo”. Em 1881, ela tirou a blusinha e mostrou o peitinho torto, e teve a primeira relação sexual em junho, e ela quis tirar o marido de um casamento para ficar com ele, ficou nua, depois disse que era para mostrar o peitinho torto. Em 1988, sete anos depois, ela se desnudou em palavras, dizendo “estou me despindo, fazendo uma streap-tease”, escreve desse jeito. E essa streap-tease que ela faz, o marido diz “se você mesma lesse o que você escreve, você se daria um valor ‘zero’”. Era o Macho Alpha – um chute na bunda dela – e ela confirma – “talvez seja isso que eu valha – um zero” Aí, se coloca como bem humilde, para o homem ir lá socorrer, “a miserável, a Bagatela”. “Ela faz a Bagatela, e o marido socorre” Olha que interessante este áudio! O marido não é confiável. A mulher encheu o homem de contradição, deixou a cabeça dele toda desparafusada. “Adelmo, como é que você aguenta tanta falsidade?” Não sei como você aguenta, Adelmo! Se disso não nascer um pensador novo, como o que estou fazendo, se não for isso, nasce um suicida, um louco, um alcoólatra, que vai guardar tudo isso pelo lado de dentro, e não vai por nada para fora!

A reflexão filosófica é um pensamento sobre o Real, sobre um fato da realidade, o Espanto, o Real é o Espanto, fonte da literatura do Extraordinário. Sempre fui angustiado, desde jovem, não é à toa que era admirador de Roda Viva e outras. O incômodo com a realidade existe lá fora, tendo um parceiro com o amor, suporta-se, a gente tem uma parceria para compartilhar quando se tem um grande amor, que com esse amor você visita, o mundo, passeia, tem parceria, um entrega-se ao outro, um encobre o outro, apoia, e assim se passa uma vida. A teoria feminista veio introduzir uma novidade nesse tipo de relação, que é uma relação difícil, a relação de amor sempre foi uma relação difícil, não é novidade isso. O policamente correto traz para dentro do relacionamento uma contaminação imaginária – Na Arca, de Machado, existe uma ilustração disso. Terra que terão no futuro. Que terra é essa que terão no futuro? “O homem tem que ser confiável. A mulher pode não ser” “Eu posso faltar com a confiança, eu sou mulher, mulher não sabe o que quer, por isso, tem o direito de faltar com a confiança”. “Mas o homem não, o homem tem que ser confiável”. A repressão interna faz a gente ter vergonha de se desnudar”. “Vou ficar peladinha, vou mostrar a bucetinha, ele, o piruzinho”. Desnudar-se na linguagem, o nudismo. “Lembro de uma vez que eu me despi” Estava falando sobre o despir-se, sobre o pânico dela em ficar sozinha no Rio, com o marido em Tokio. “Estou me despindo igual aquele dia em que eu me despi, fiquei nua, porque tinha o peitinho torto, e eu queria ver se você iria sair correndo”. Em 1881, ela tirou a blusinha e mostrou o peitinho torto, e teve a primeira relação sexual em junho, e ela quis tirar o marido de um casamento para ficar com ele, ficou nua, depois disse que era para mostrar o peitinho torto. Em 1988, sete anos depois, ela se desnudou em palavras, dizendo “estou me despindo, fazendo uma streap-tease”, escreve desse jeito. E essa streap-tease que ela faz, o marido diz “se você mesma lesse o que você escreve, você se daria um valor ‘zero’”. Era o Macho Alpha – um chute na bunda dela – e ela confirma – “talvez seja isso que eu valha – um zero” Aí, se coloca como bem humilde, para o homem ir lá socorrer, “a miserável, a Bagatela”. “Ela faz a Bagatela, e o marido socorre” Olha que interessante este áudio! O marido não é confiável. A mulher encheu o homem de contradição, deixou a cabeça dele toda desparafusada. “Adelmo, como é que você aguenta tanta falsidade?” Não sei como você aguenta, Adelmo! Se disso não nascer um pensador novo, como o que estou fazendo, se não for isso, nasce um suicida, um louco, um alcoólatra, que vai guardar tudo isso pelo lado de dentro, e não vai por nada para fora!

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