EPISODE · Feb 15, 2023 · 6 MIN
Livro do Gênesis 8,6-13.20-22 (com reflexão)
from OUVIR E REFLETIR · host REINALDO ROCHA
Livro do Gênesis 8,6-13.20-22 [6] Passados quarenta dias, Noé abriu a janela, que tinha feito na arca, e soltou um corvo, [7] que ficou revoando, até que secassem as águas sobre a terra. [8] Soltou, também, uma pomba para ver se as águas tinham baixado sobre a face da terra. [9] Mas a pomba, não achando onde pousar, voltou para junto dele na arca; porque as águas ainda cobriam a superfície de toda a terra. Noé estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e recolheu-a na arca. [10] Esperou, então, mais sete dias e soltou de novo a pomba. [11] Pela tardinha, ela voltou, e eis que trazia no bico um ramo de oliveira com as folhas verdes. Assim, Noé compreendeu que as águas tinham cessado de cobrir a terra. [12] Esperou ainda sete dias, e soltou a pomba, que não voltou mais. [13] Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas se retiraram da terra. Noé abriu o teto da arca, olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca. [20] Então Noé construiu um altar ao Senhor e, tomando animais e aves de todas as espécies puras, ofereceu holocaustos sobre o altar. [21] O Senhor aspirou o agradável odor e disse consigo mesmo: "Nunca mais tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as inclinações do seu coração são más desde a juventude. Não tornarei, também, a ferir todos os seres vivos, como fiz. [22] Enquanto a terra durar, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite, jamais hão de acabar". Palavra do Senhor. REFLEXÃO O livro do Gênesis apresenta-nos dois relatos do dilúvio, tal como apresentara dois relatos da criação. Só que, enquanto estes estão separados um do outro em Gn 1 e Gn 2, os dois relatos do dilúvio estão embutidos um no outro. Mas é possível distingui-los. Enquanto, para um, o dilúvio dura quarenta dias, número aproximativo para um período bastante longo, para outro dura doze meses lunares com mais onze dias, o que perfaz 365 dias, isto é, um ano solar. O importante é que o dilúvio, ainda que tendo durado muito, também teve um termo. As águas acabaram por se retirar. Este fato ilumina-nos sobre o modo de agir de Deus. Outra diferença que notamos entre os dois relatos é que, enquanto num os animais puros reunidos na arca são sete, ou sete pares por espécie, no outro são apenas dois: um macho e uma fêmea. Eram mesmo precisos sete pares de animais? Não chegavam dois por cada espécie? O problema está no sacrifício de animais e pássaros com que termina o relato. Tal não seria possível se só houvesse um par por cada espécie… Ao sentir o odor deste sacrifício, Deus reconcilia-se com a criação e promete jamais voltar a amaldiçoar a terra por causa do homem. Esta imagem de Deus pode fazer-nos sorrir. Mas é menos primitiva que a do relato paralelo da Mesopotâmia, onde os deuses, ao sentirem o odor do sacrifício, se aproximam como um enxame de moscas. Depois do dilúvio, e do sacrifício, Deus decide não voltar a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as tendências do coração humano são más, desde a juventude. A maldade do coração humano esteve na origem do dilúvio, e está no seu termo. Deus apercebe-se de que o remédio tentado não foi eficaz, e desiste de voltar a usá-lo. Assim verificamos que, em Deus, castigo e misericórdia quase se identificam. Nascem da mesma motivação.
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Livro do Gênesis 8,6-13.20-22 [6] Passados quarenta dias, Noé abriu a janela, que tinha feito na arca, e soltou um corvo, [7] que ficou revoando, até que secassem as águas sobre a terra. [8] Soltou, também, uma pomba para ver se as águas tinham baixado sobre a face da terra. [9] Mas a pomba, não achando onde pousar, voltou para junto dele na arca; porque as águas ainda cobriam a superfície de toda a terra. Noé estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e recolheu-a na arca. [10] Esperou, então, mais sete dias e soltou de novo a pomba. [11] Pela tardinha, ela voltou, e eis que trazia no bico um ramo de oliveira com as folhas verdes. Assim, Noé compreendeu que as águas tinham cessado de cobrir a terra. [12] Esperou ainda sete dias, e soltou a pomba, que não voltou mais. [13] Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas se retiraram da terra. Noé abriu o teto da arca, olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca. [20] Então Noé construiu um altar ao Senhor e, tomando animais e aves de todas as espécies puras, ofereceu holocaustos sobre o altar. [21] O Senhor aspirou o agradável odor e disse consigo mesmo: "Nunca mais tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as inclinações do seu coração são más desde a juventude. Não tornarei, também, a ferir todos os seres vivos, como fiz. [22] Enquanto a terra durar, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite, jamais hão de acabar". Palavra do Senhor. REFLEXÃO O livro do Gênesis apresenta-nos dois relatos do dilúvio, tal como apresentara dois relatos da criação. Só que, enquanto estes estão separados um do outro em Gn 1 e Gn 2, os dois relatos do dilúvio estão embutidos um no outro. Mas é possível distingui-los. Enquanto, para um, o dilúvio dura quarenta dias, número aproximativo para um período bastante longo, para outro dura doze meses lunares com mais onze dias, o que perfaz 365 dias, isto é, um ano solar. O importante é que o dilúvio, ainda que tendo durado muito, também teve um termo. As águas acabaram por se retirar. Este fato ilumina-nos sobre o modo de agir de Deus. Outra diferença que notamos entre os dois relatos é que, enquanto num os animais puros reunidos na arca são sete, ou sete pares por espécie, no outro são apenas dois: um macho e uma fêmea. Eram mesmo precisos sete pares de animais? Não chegavam dois por cada espécie? O problema está no sacrifício de animais e pássaros com que termina o relato. Tal não seria possível se só houvesse um par por cada espécie… Ao sentir o odor deste sacrifício, Deus reconcilia-se com a criação e promete jamais voltar a amaldiçoar a terra por causa do homem. Esta imagem de Deus pode fazer-nos sorrir. Mas é menos primitiva que a do relato paralelo da Mesopotâmia, onde os deuses, ao sentirem o odor do sacrifício, se aproximam como um enxame de moscas. Depois do dilúvio, e do sacrifício, Deus decide não voltar a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as tendências do coração humano são más, desde a juventude. A maldade do coração humano esteve na origem do dilúvio, e está no seu termo. Deus apercebe-se de que o remédio tentado não foi eficaz, e desiste de voltar a usá-lo. Assim verificamos que, em Deus, castigo e misericórdia quase se identificam. Nascem da mesma motivação.
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