EPISODE · May 20, 2021 · 5 MIN
Notas sobre Historiadoras #5- Maria Beatriz Nascimento
from História Presente · host LPPE-UERJ
Sonho- por Maria Beatriz Nascimento Seu nome era dor Seu sorriso dilaceração Seus braços e pernas, asas Seu sexo seu escudo Sua mente libertação Nada satisfaz seu impulso De mergulhar em prazer Contra todas as correntes Em uma só correnteza Quem faz rolar quem tu és? Mulher!… Solitária e sólida Envolvente e desafiante Quem te impede de gritar Do fundo de sua garganta Único brado que alcança Que te delimita Mulher! Marca de mito embotável Mistério que a tudo anuncia E que se expõe dia-a-dia Quando deverias estar resguardada Seu ritus de alegria Seus véus entrecruzados de velharias Da inóspita tradição irradias Mulher! Há corte e cortes profundos Em sua pele em seu pelo Há sulcos em sua face Que são caminhos do mundo São mapas indecifráveis Em cartografia antiga Precisas de um pirata De boa pirataria Que te arranques da selvageria E te coloque, mais uma vez, Diante do mundo Mulher. Maria Beatriz Nascimento era uma mulher negra, historiadora, professora, poeta, intelectual e ativista pelos direitos humanos, uma referência nos direitos do povo negro. A intelectual nasceu no dia 17 de julho de 1942 em Sergipe, sua mãe era doméstica, Rubina Pereira Nascimento, e seu pai, Francisco Xavier. A família se mudou para a favela de Cordovil na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro no ano de 1950. Sua carreira acadêmica e ativista iniciou-se no ano de 1971, ao ingressar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aos 28 anos de idade, no curso de História. Fez pós-graduação na Universidade Federal Fluminense, instituição onde ajudou a criar o grupo de estudos André Rebouças que incentivava as discussões e estudos sobre as questões raciais fazendo um paralelo com o ensino. Teve como tema de dissertação “Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas”. Além disso, foi professora da rede estadual pública de ensino no Rio de Janeiro. Os estudos de Maria Beatriz Nascimento foram essenciais para o incentivo às discussões sobre o silenciamento da intelectualidade negra brasileira. Uma de suas maiores obras é o filme “Ó ri” que começou a ser produzido do ano de 1977, dirigido por Raquel Gerber, que tem como proposta o registro do Congresso dos Povos de Origem Africana, organizado em São Paulo. Este congresso teve o propósito de instigar pesquisas acadêmicas sobre povos africanos e diaspóricos fazendo uma relação entre o Brasil e o continente africano pelos movimentos negros (1977-1988). O longa é dividido por núcleos temático: rituais religiosos, formas de expressão cultura, raízes étnicas e lutas históricas. Beatriz Nascimento foi uma grande influência nos estudos étnicos-raciais e no ativismo político, escrevendo sobre o papel das mulheres negras no Brasil e a luta pela sobrevivência dessas mulheres que lidavam com do machismo e, simultaneamente, com o racismo. Seus artigos foram publicados em vários periódicos, como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional, etc. No ano 1995, Beatriz cursava mestrado em comunicação social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em janeiro do mesmo ano, a intelectual foi brutalmente assassinada ao defender um amiga de seu companheiro violento. Maria Beatriz Nascimento foi um exemplo de profissional e ser humano responsável por trazer novas abordagens aos estudos racializados. Pesquisa, texto e narração: Larissa Nobre Coordenação do projeto: Jacqueline Ventapane Abertura: Leonardo Pereira Apoio: AUDIOLAB/UERJ
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Sonho- por Maria Beatriz Nascimento Seu nome era dor Seu sorriso dilaceração Seus braços e pernas, asas Seu sexo seu escudo Sua mente libertação Nada satisfaz seu impulso De mergulhar em prazer Contra todas as correntes Em uma só correnteza Quem faz rolar quem tu és? Mulher!… Solitária e sólida Envolvente e desafiante Quem te impede de gritar Do fundo de sua garganta Único brado que alcança Que te delimita Mulher! Marca de mito embotável Mistério que a tudo anuncia E que se expõe dia-a-dia Quando deverias estar resguardada Seu ritus de alegria Seus véus entrecruzados de velharias Da inóspita tradição irradias Mulher! Há corte e cortes profundos Em sua pele em seu pelo Há sulcos em sua face Que são caminhos do mundo São mapas indecifráveis Em cartografia antiga Precisas de um pirata De boa pirataria Que te arranques da selvageria E te coloque, mais uma vez, Diante do mundo Mulher. Maria Beatriz Nascimento era uma mulher negra, historiadora, professora, poeta, intelectual e ativista pelos direitos humanos, uma referência nos direitos do povo negro. A intelectual nasceu no dia 17 de julho de 1942 em Sergipe, sua mãe era doméstica, Rubina Pereira Nascimento, e seu pai, Francisco Xavier. A família se mudou para a favela de Cordovil na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro no ano de 1950. Sua carreira acadêmica e ativista iniciou-se no ano de 1971, ao ingressar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aos 28 anos de idade, no curso de História. Fez pós-graduação na Universidade Federal Fluminense, instituição onde ajudou a criar o grupo de estudos André Rebouças que incentivava as discussões e estudos sobre as questões raciais fazendo um paralelo com o ensino. Teve como tema de dissertação “Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas”. Além disso, foi professora da rede estadual pública de ensino no Rio de Janeiro. Os estudos de Maria Beatriz Nascimento foram essenciais para o incentivo às discussões sobre o silenciamento da intelectualidade negra brasileira. Uma de suas maiores obras é o filme “Ó ri” que começou a ser produzido do ano de 1977, dirigido por Raquel Gerber, que tem como proposta o registro do Congresso dos Povos de Origem Africana, organizado em São Paulo. Este congresso teve o propósito de instigar pesquisas acadêmicas sobre povos africanos e diaspóricos fazendo uma relação entre o Brasil e o continente africano pelos movimentos negros (1977-1988). O longa é dividido por núcleos temático: rituais religiosos, formas de expressão cultura, raízes étnicas e lutas históricas. Beatriz Nascimento foi uma grande influência nos estudos étnicos-raciais e no ativismo político, escrevendo sobre o papel das mulheres negras no Brasil e a luta pela sobrevivência dessas mulheres que lidavam com do machismo e, simultaneamente, com o racismo. Seus artigos foram publicados em vários periódicos, como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional, etc. No ano 1995, Beatriz cursava mestrado em comunicação social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em janeiro do mesmo ano, a intelectual foi brutalmente assassinada ao defender um amiga de seu companheiro violento. Maria Beatriz Nascimento foi um exemplo de profissional e ser humano responsável por trazer novas abordagens aos estudos racializados. Pesquisa, texto e narração: Larissa Nobre Coordenação do projeto: Jacqueline Ventapane Abertura: Leonardo Pereira Apoio: AUDIOLAB/UERJ
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