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EPISODE · Apr 3, 2024 · 1H 24M

“O choque elétrico é inenarrável; não é para matar, é para estraçalhar”, lembra Flávio Tavares

from TUTAMÉIA TV · host Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

O jornalista Flávio Tavares foi preso três vezes durante a ditadura militar brasileira. “A primeira vez fui preso logo depois do golpe, em 6 de maio. Fiquei três dias preso, fui bem tratado e houve um pedido de desculpas pela Voz do Brasil, pelo ‘lamentável equívoco’. Depois fui preso pela ‘guerrilha de Uberlândia’, que nunca existiu. Tinha estado em Uberlândia para falar com um grupo que queria fazer luta armada. Depois, fui preso em 69, no Rio. Ao contrário das outras vezes, fui maltratado, sofri choques elétricos brutais. O choque elétrico é inenarrável. Até nos olhos, nos testículos. O choque elétrico não é para matar, é para estraçalhar a vítima”, afirma ao TUTAMÉIA. Aos 90 anos, ele diz que suas prisões refletem o endurecimento do regime, o avanço da ditadura militar. “De um modo geral, os golpes militares são duros no início e depois se abrandam. No Brasil, foi ao contrário”. Na última prisão no Brasil, Tavares lembra o que os seus torturadores lhe diziam: “Agora não há Supremo Tribunal Federal para lhe dar um habeas corpus, como tinha sido na vez anterior. Agora você vai ficar 30 anos preso”. Ele ficou 30 dias preso: “No trigésimo dia sequestram o embaixador norte-americano, e eu sou um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador”. Então comentarista político da Última Hora, fundada por Samuel Wainer, Tavares acompanhou em Brasília a ignóbil sessão do Congresso que declarou vaga a presidência da República enquanto João Goulart ainda estava no Brasil, na madrugada do dia 2 de abril. O depoimento integra uma série de entrevistas sobre o golpe militar de 1964, que está completando sessenta anos. Com o mote “O que eu vi no dia do golpe”, TUTAMÉIA publica neste mês de março mais de duas dezenas de vídeos com personagens que vivenciaram aquele momento, como Almino Affonso, João Vicente Goulart, Anita Prestes, Frei Betto, Roberto Requião, Djalma Bom, Luiz Felipe de Alencastro, Ladislau Dowbor, José Genoíno, Roberto Amaral, Guilherme Estrella, Sérgio Ferro e Rose Nogueira. Inscreva-se no TUTAMÉIA TV e visite o site TUTAMÉIA, https://tutameia.jor.br, serviço jornalístico criado por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena. Acesse este link para entrar no grupo AMIG@S DO TUTAMÉIA, exclusivo para divulgação e distribuição de nossa produção jornalística: https://chat.whatsapp.com/Dn10GmZP6fV...

O jornalista Flávio Tavares foi preso três vezes durante a ditadura militar brasileira. “A primeira vez fui preso logo depois do golpe, em 6 de maio. Fiquei três dias preso, fui bem tratado e houve um pedido de desculpas pela Voz do Brasil, pelo ‘lamentável equívoco’. Depois fui preso pela ‘guerrilha de Uberlândia’, que nunca existiu. Tinha estado em Uberlândia para falar com um grupo que queria fazer luta armada. Depois, fui preso em 69, no Rio. Ao contrário das outras vezes, fui maltratado, sofri choques elétricos brutais. O choque elétrico é inenarrável. Até nos olhos, nos testículos. O choque elétrico não é para matar, é para estraçalhar a vítima”, afirma ao TUTAMÉIA. Aos 90 anos, ele diz que suas prisões refletem o endurecimento do regime, o avanço da ditadura militar. “De um modo geral, os golpes militares são duros no início e depois se abrandam. No Brasil, foi ao contrário”. Na última prisão no Brasil, Tavares lembra o que os seus torturadores lhe diziam: “Agora não há Supremo Tribunal Federal para lhe dar um habeas corpus, como tinha sido na vez anterior. Agora você vai ficar 30 anos preso”. Ele ficou 30 dias preso: “No trigésimo dia sequestram o embaixador norte-americano, e eu sou um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador”. Então comentarista político da Última Hora, fundada por Samuel Wainer, Tavares acompanhou em Brasília a ignóbil sessão do Congresso que declarou vaga a presidência da República enquanto João Goulart ainda estava no Brasil, na madrugada do dia 2 de abril. O depoimento integra uma série de entrevistas sobre o golpe militar de 1964, que está completando sessenta anos. Com o mote “O que eu vi no dia do golpe”, TUTAMÉIA publica neste mês de março mais de duas dezenas de vídeos com personagens que vivenciaram aquele momento, como Almino Affonso, João Vicente Goulart, Anita Prestes, Frei Betto, Roberto Requião, Djalma Bom, Luiz Felipe de Alencastro, Ladislau Dowbor, José Genoíno, Roberto Amaral, Guilherme Estrella, Sérgio Ferro e Rose Nogueira. Inscreva-se no TUTAMÉIA TV e visite o site TUTAMÉIA, https://tutameia.jor.br, serviço jornalístico criado por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena. Acesse este link para entrar no grupo AMIG@S DO TUTAMÉIA, exclusivo para divulgação e distribuição de nossa produção jornalística: https://chat.whatsapp.com/Dn10GmZP6fV...

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