RIACHAR POR AÍ (9) com Kristina Tsupryk | Ucrânia – uma invasão monstruosa
Episode 9 of the Riachar por aí podcast, hosted by Riachar por aí, titled " RIACHAR POR AÍ (9) com Kristina Tsupryk | Ucrânia – uma invasão monstruosa" was published on May 21, 2022 and runs 150 minutes.
May 21, 2022 ·150m · Riachar por aí
Summary
Após interregno de um ano, retomamos a edição do podcast “Riachar por aí…” com a publicação do episódio nº 9, trazendo a lume uma matéria hedionda e inflamável a diversos níveis. Convidámos Kristina Tsupryk para conversar sobre a invasão da Ucrânia, uma guerra barbaramente arquitetada pela Federação Russa e comandada pelo seu responsável máximo, Vladimir Putin. Kristina Tsupryk de 21 anos, é jornalista em Londres onde tem vindo a documentar os protestos contra a agressão russa na Ucrânia. Nativa da cidade de Lviv, situada no lado oeste ucraniano, emigrou aos quatro anos com os pais para Portugal, mais concretamente, para Torres Novas - uma cidade pequena, por si considerada preconceituosa e pouco acolhedora ao estranho e ao exótico, onde a única opção para evitar bullying e xenofobia foi a assimilação cultural. Assim o tentou, mas graças à democracia em que vive foi nutrindo nela o pensamento crítico. Hoje identifica-se como “biologicamente 100% Ucraniana” na luta pela preservação da matriz da sua cultura. Num artigo publicado recentemente (7 Maio) no Diário de Notícias, o destacado filósofo Edgar Morin, considerado um dos principais pensadores contemporâneos, proclamava de forma sucinta que o fundamento para esta guerra terá sido «a inclinação da Ucrânia para o Ocidente depois de Maidan que provocou a agressão russa e a agressão russa provocou não só o apoio a uma nação vítima de invasão, mas a vontade de a integrar no Ocidente, o que correspondia, de resto, à vontade de uma maioria de ucranianos». Esta declaração é suficientemente esclarecedora e válida para contraditar os pretextos espúrios e as mentiras disseminadas pelo regime despótico sediado no Kremlin com o objetivo de justificar o indefensável, o indesculpável e o injusto ataque à soberania de um país e do seu povo. A conversa com a Kristina foi longa e repleta de tópicos centrados na guerra contra a Ucrânia, tendo começado pelo principio, isto é, pela contextualização histórica da relação entre a Ucrânia e a Rússia. Um dos acontecimentos que marcou negativamente a história da União Soviética, o “Holodomor” (1932-1933), é evocado para sublinhar os sucessivos genocídios a que o povo ucraniano tem sido sujeito. Um outro aspeto importante salientado pela convidada prende-se com a forma como se devem pronunciar os nomes de cidades ou regiões: deve-se usar a grafia ucraniana ou a russa? Neste contexto de conflituosidade, utilizar o idioma russa e a sua pronúncia é uma arma política forte a favor do invasor. Sabe-se que neste momento a Federação Russa já ordenou a alteração da toponímia de várias cidades e ruas na Ucrânia. Em particular, tem-se verificado que a imprensa vem privilegiando a língua do agressor russo, em desfavor da expressão ucraniana. A propósito da vontade legitima do povo ucraniano, e no contexto da Euromaidan (2013-2014) – também conhecida como Primavera Ucraniana -, Kristina reitera que "houve uma altura em que queríamos integrar a União Europeia porque nos sentíamos mais próximos destes ideais do que continuar a ser vitimas da corrupção aberta na Rússia”. A luta contra o autoritarismo opressivo, a corrupção generalizada das autoridades e a cleptocracia, constituem prismas de um combate mais vasto contra a “guerra híbrida” que Putin alimenta desde que chegou ao poder. Uma guerra destinada a difundir padrões de conduta idealizados pela propaganda do Kremlin e a condicionar comportamentos gerados na ignorância. A este propósito a nossa convidada é visivelmente assertiva quando defende que, a propósito da desinformação generalizada das populações, “a ignorância é não querer voluntariamente pesquisar a informação válida”.
Episode Description
Após interregno de um ano, retomamos a edição do podcast “Riachar por aí…” com a publicação do episódio nº 9, trazendo a lume uma matéria hedionda e inflamável a diversos níveis. Convidámos Kristina Tsupryk para conversar sobre a invasão da Ucrânia, uma guerra barbaramente arquitetada pela Federação Russa e comandada pelo seu responsável máximo, Vladimir Putin.
Kristina Tsupryk de 21 anos, é jornalista em Londres onde tem vindo a documentar os protestos contra a agressão russa na Ucrânia. Nativa da cidade de Lviv, situada no lado oeste ucraniano, emigrou aos quatro anos com os pais para Portugal, mais concretamente, para Torres Novas - uma cidade pequena, por si considerada preconceituosa e pouco acolhedora ao estranho e ao exótico, onde a única opção para evitar bullying e xenofobia foi a assimilação cultural. Assim o tentou, mas graças à democracia em que vive foi nutrindo nela o pensamento crítico. Hoje identifica-se como “biologicamente 100% Ucraniana” na luta pela preservação da matriz da sua cultura.
Num artigo publicado recentemente (7 Maio) no Diário de Notícias, o destacado filósofo Edgar Morin, considerado um dos principais pensadores contemporâneos, proclamava de forma sucinta que o fundamento para esta guerra terá sido «a inclinação da Ucrânia para o Ocidente depois de Maidan que provocou a agressão russa e a agressão russa provocou não só o apoio a uma nação vítima de invasão, mas a vontade de a integrar no Ocidente, o que correspondia, de resto, à vontade de uma maioria de ucranianos». Esta declaração é suficientemente esclarecedora e válida para contraditar os pretextos espúrios e as mentiras disseminadas pelo regime despótico sediado no Kremlin com o objetivo de justificar o indefensável, o indesculpável e o injusto ataque à soberania de um país e do seu povo. A conversa com a Kristina foi longa e repleta de tópicos centrados na guerra contra a Ucrânia, tendo começado pelo principio, isto é, pela contextualização histórica da relação entre a Ucrânia e a Rússia.
Um dos acontecimentos que marcou negativamente a história da União Soviética, o “Holodomor” (1932-1933), é evocado para sublinhar os sucessivos genocídios a que o povo ucraniano tem sido sujeito. Um outro aspeto importante salientado pela convidada prende-se com a forma como se devem pronunciar os nomes de cidades ou regiões: deve-se usar a grafia ucraniana ou a russa? Neste contexto de conflituosidade, utilizar o idioma russa e a sua pronúncia é uma arma política forte a favor do invasor. Sabe-se que neste momento a Federação Russa já ordenou a alteração da toponímia de várias cidades e ruas na Ucrânia. Em particular, tem-se verificado que a imprensa vem privilegiando a língua do agressor russo, em desfavor da expressão ucraniana.
A propósito da vontade legitima do povo ucraniano, e no contexto da Euromaidan (2013-2014) – também conhecida como Primavera Ucraniana -, Kristina reitera que "houve uma altura em que queríamos integrar a União Europeia porque nos sentíamos mais próximos destes ideais do que continuar a ser vitimas da corrupção aberta na Rússia”. A luta contra o autoritarismo opressivo, a corrupção generalizada das autoridades e a cleptocracia, constituem prismas de um combate mais vasto contra a “guerra híbrida” que Putin alimenta desde que chegou ao poder. Uma guerra destinada a difundir padrões de conduta idealizados pela propaganda do Kremlin e a condicionar comportamentos gerados na ignorância. A este propósito a nossa convidada é visivelmente assertiva quando defende que, a propósito da desinformação generalizada das populações, “a ignorância é não querer voluntariamente pesquisar a informação válida”.
Similar Episodes
No similar episodes found.
Similar Podcasts
No similar podcasts found.