EPISODE · Oct 27, 2022 · 45 MIN
Tecnologias e trabalho: Um cenário em transformação
from Ciência & Cultura Cast · host SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
O que há de novo nas mudanças que estão acontecendo nas relações de trabalho afetadas pelas novas tecnologias?“Existe um mito de que a tecnologia é neutra. Mas ela não é”. Com esta afirmativa, o sociólogo Ricardo Antunes, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dá início ao Ciência & Cultura Cast sobre a relação das tecnologias com o trabalho. Antunes é referência no campo da sociologia do Trabalho no Brasil e no exterior, tema sobre o qual já publicou diversos livros, entre eles “Uberização, trabalho digital e indústria 4.0” (2020, Editora Boitempo) e o mais recente “Capitalismo pandêmico” (2022, Boitempo).Também no debate, a psicóloga Marilene Zazula Beatriz, professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), falou sobre sua área de interesse, que é o trabalho em organizações sob os princípios da Economia Solidária, além da tecnologia social e a psicologia social do trabalho. A professora trabalha com uma incubadora de economia solidária na universidade. “O empreendimento autogestionário é um exemplo maravilhoso de processo tecnológico. Mas não falo de alta complexidade de tecnologia.”O cientista social Ricardo Colturato Festi, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), participou do bate-papo trazendo os dilemas da modernização no mundo do trabalho, tema de sua tese de doutorado. Ele é autor do livro “A fábrica sem patrão” (2021, Editora Lutas Anticapital) e membro do grupo de trabalho “Mundo do trabalho e suas metamorfoses”, da Unicamp, coordenado por Ricardo Antunes. O que virá?Antunes lembra que o trabalho humano sempre dependeu da tecnologia, desde a gênese humana. “A partir do século 18 há uma mudança no modo de vida de muita profundidade, e a tecnologia se torna um instrumento vigoroso para instauração e expansão do modo de produção nascente que era o modo de produção capitalista”. Segundo o pesquisador, no período “pré-moderno”, a tecnologia passa a ter um objetivo vital inquestionável: gerar mais riqueza. “Não estamos mais na era da hegemonia do capital industrial. Hoje é o capital financeiro, e ele é destrutivo. Ele trata o trabalho como um custo. O capitalismo do nosso tempo não consegue se reproduzir sem destruir.” Para Antunes, é inaceitável dizer que um trabalhador desempregado na informalidade virou empreendedor. “Agora estamos vivendo o capitalismo pandêmico.” O pesquisador faz a provocação: “A humanidade vai ter que decidir se quer sobreviver.”
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O que há de novo nas mudanças que estão acontecendo nas relações de trabalho afetadas pelas novas tecnologias?“Existe um mito de que a tecnologia é neutra. Mas ela não é”. Com esta afirmativa, o sociólogo Ricardo Antunes, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dá início ao Ciência & Cultura Cast sobre a relação das tecnologias com o trabalho. Antunes é referência no campo da sociologia do Trabalho no Brasil e no exterior, tema sobre o qual já publicou diversos livros, entre eles “Uberização, trabalho digital e indústria 4.0” (2020, Editora Boitempo) e o mais recente “Capitalismo pandêmico” (2022, Boitempo).Também no debate, a psicóloga Marilene Zazula Beatriz, professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), falou sobre sua área de interesse, que é o trabalho em organizações sob os princípios da Economia Solidária, além da tecnologia social e a psicologia social do trabalho. A professora trabalha com uma incubadora de economia solidária na universidade. “O empreendimento autogestionário é um exemplo maravilhoso de processo tecnológico. Mas não falo de alta complexidade de tecnologia.”O cientista social Ricardo Colturato Festi, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), participou do bate-papo trazendo os dilemas da modernização no mundo do trabalho, tema de sua tese de doutorado. Ele é autor do livro “A fábrica sem patrão” (2021, Editora Lutas Anticapital) e membro do grupo de trabalho “Mundo do trabalho e suas metamorfoses”, da Unicamp, coordenado por Ricardo Antunes. O que virá?Antunes lembra que o trabalho humano sempre dependeu da tecnologia, desde a gênese humana. “A partir do século 18 há uma mudança no modo de vida de muita profundidade, e a tecnologia se torna um instrumento vigoroso para instauração e expansão do modo de produção nascente que era o modo de produção capitalista”. Segundo o pesquisador, no período “pré-moderno”, a tecnologia passa a ter um objetivo vital inquestionável: gerar mais riqueza. “Não estamos mais na era da hegemonia do capital industrial. Hoje é o capital financeiro, e ele é destrutivo. Ele trata o trabalho como um custo. O capitalismo do nosso tempo não consegue se reproduzir sem destruir.” Para Antunes, é inaceitável dizer que um trabalhador desempregado na informalidade virou empreendedor. “Agora estamos vivendo o capitalismo pandêmico.” O pesquisador faz a provocação: “A humanidade vai ter que decidir se quer sobreviver.”
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Tecnologias e trabalho: Um cenário em transformação
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