Transição energética não pode perpetuar injustiças do modelo atual, alerta pesquisador do Inesc

EPISODE · Oct 29, 2024 · 59 MIN

Transição energética não pode perpetuar injustiças do modelo atual, alerta pesquisador do Inesc

from Conversa Bem Viver · host Brasil de Fato

Lançado nesta terça-feira (29), o novo estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) alerta para a discrepância dos subsídios ofertados pelo governo federal para produção e consumo de energia de fonte fóssil em relação às renováveis. Os incentivos aos combustíveis provenientes do petróleo, gás natural e carvão somaram R$ 81,74 bilhões, 81,9% do total de tudo que o Estado brasileiro contribui em isenção energética, enquanto os subsídios às renováveis somaram R$ 18,06 bilhões ou 18,10% do total. Em resumo, a cada R$ 1,00 gasto em fontes renováveis de energia, R$ 4,52 são subsidiados aos combustíveis fósseis. &#8220;Esse estudo foi feito para pressionar o governo para que possamos ter uma transparência maior, que a gente possa saber quais são esses subsídios, visto que a gente vive um cenário muito preocupante a nível global de mudanças do clima&#8221;, explica Cássio Carvalho, autor do estudo em entrevista ao programa Bem Viver desta terça. &#8220;Combustíveis fósseis são os grandes responsáveis pelo aquecimento global. E que, como resultado, traz para as populações desastres, como foi, no primeiro semestre, as enchentes no Rio Grande do Sul, ou agora, no segundo semestre, as secas.&#8221; Embora o especialista alerte que a transição energética é um tema urgente, ele aponta para que esse processo não &#8220;continue perpetuando um modelo injusto do sistema energético.&#8221; &#8220;O que está sendo debatido muito fortemente, sobretudo no Nordeste, são os impactos que as eólicas estão levando para as comunidades&#8221;, alerta o pesquisador. As famílias &#8220;estão abrindo a janela e vendo uma torre eólica quase entrando dentro da sua casa e trazendo diversos problemas de saúde, de ruído, desterritorialização. Isso tudo está ampliando, inclusive, o êxodo rural&#8221;. “Essas empresas, por mais que sejam empresas que vão instalar fontes renováveis, como é o caso da eólica, como é o caso das fazendas solares que ocupam gigantescas áreas, seja aqui no Centro-Oeste, é mais um entrave na disputa das terras da questão agrária do país.” O estudo mostra que, em 2023, os subsídios para produção e consumo de energia chegou a R$ 99,81 bilhões, o que representou um aumento de 3,57% em relação a 2022. Esse foi o resultado de uma elevação de R$ 3,82 bilhões ao incentivo às fontes renováveis, em detrimento das fontes fósseis, que tiveram uma queda de R$ 372 milhões, uma diminuição de menos de meio ponto percentual. Campanha Aqui, a luta é pauta!_ Há mais de duas décadas, construímos uma visão popular do Brasil e do mundo a partir do conhecimento jornalístico. Nosso trabalho alia rigor na apuração ao interesse público. Não temos medo de dizer: aqui, a luta é pauta. O jornalismo do Brasil de Fato sempre esteve em defesa da classe trabalhadora. Estamos ao lado daqueles e daquelas que sabem que outro mundo é possível. Esse mundo está em plena construção nas experiências de reforma agrária, nos saberes ancestrais dos povos e territórios, na agroecologia, na organização popular e no combate às desigualdades. Mas para que essas notícias cheguem longe, precisamos de você. Nosso jornalismo de visão popular não anda só. Vem com a gente nessa luta? _ Apoie. Leia. Lute. Receba notícias no seu e-mail: <a href="https://www.brasildefato.com.

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