PODCAST · music
Balanço e Fúria
by Rodrigo Corrêa
Um podcast dedicado a interpretar as relações entre música e política.
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O estado da arte do funk carioca, com Taísa Machado
Durante a última década, pudemos acompanhar a ampliação do ecossistema artístico que compõe o funk, reverberando o que está presente na dimensão musical e na cultura de baile para outros campos, como a pintura, a fotografia, o cinema, a instalação e a performance.Imaginar que essas produções possam encontrar espaço em ambientes institucionais, receber outras chancelas e alcançar novos públicos pode dar a impressão de que estejam relativamente protegidas das violências que acontecem nas ruas. Mas isso não é necessariamente verdade.Nas últimas semanas, vimos a repercussão da censura à exposição “Funk: Um grito de ousadia e liberdade”, no Museu da Língua Portuguesa, encerrada antecipadamente em 31 de maio, e como ações desse tipo transformam os debates sobre arte, mais uma vez, em conversas sobre violência.Diante dessa velha realidade que é a perseguição ao funk, nesta conversa com Taísa Machado, uma das curadoras da exposição, tentamos mapear a diversidade dessa atuação funkeira que insiste em subverter espaços, que não abre mão da contradição em nome da assimilação e que, a cada dia, refina ainda mais suas propostas estéticas em diversas frentes.Na capa do episódio, arte de Bruno Lyfe
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Sound System guerrilha – cartografias, práticas e vibrações, com Dani Pimenta e Natan Nascimento
A relevância de uma cultura pode ser constatada não apenas por sua capacidade de mobilizar público e alcançar visibilidade, mas também pelas diversas iniciativas que surgem daqueles que constroem essa comunidade, articulando outras frentes, que, no caso desta conversa, se dedicam à preservação da memória e à criação de um arquivo voltado ao mapeamento da diversidade territorial e formal dos Sound Systems no Brasil.Em tempos de vulnerabilidade dos registros e de sequestro de dados, o Mapa Sound System Brasil, encabeçado por Dani Pimenta e Natan Nascimento, realiza um importante trabalho de cartografar iniciativas Brasil afora e tornar visível a expansão dessa cultura.Nesta conversa, a festa é fundamental, mas a pesquisa e a prática são o mote para pensar território, engenharias e vibrações.
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Da fábrica de bico à fábrica de Marighella – pesquisas e tecnologias entre funk, trap e grime, com Fleezus
A música Fábrica de Bico, do MC Zói de Gato, pode ser considerada um dos marcos em termos de consumo de música pela internet no Brasil. O registro mais antigo no YouTube é de 16 anos atrás, e o vídeo mais acessado tem cerca de 13 milhões de visualizações. Mas a música é mais antiga que isso, e seu impacto foi maior.Muito provavelmente, essa é uma impressão localizada, especialmente para quem cresceu no estado de São Paulo no começo dos anos 2000 e estudou em escola pública. Ainda assim, a combinação de MC Zói de Gato, MC Bill e Bolinho com “Buffalo Bill” e “Bonde da Juju”, do Backdi e Bio G3, remonta a uma paisagem que pode ser enriquecida por três elementos: o celular Motorola V3, a Escola da Família e as lan houses.Por um lado, esses sons foram virais. Jovens periféricos, independentemente do gênero musical que preferiam, não escapavam de refrões que se tornavam clássicos quase instantaneamente. Por outro, vemos ali um modo de produção, da música aos clipes, que não só antecipou, mas pautou produções futuras, como as do Kondzilla, e contaminou, de um jeito ou de outro, linguagens mais recentes, como o trap e o grime.Pegando o bonde dessa história a partir de Zói de Gato, conversamos com Fleezus sobre o que marca o gosto e as pesquisas dessa geração paulistana no começo dos anos 2000 e como isso representa um fio que liga outras estéticas e discursos.
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