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Cara do Espelho
by Diogo Souza
Meu nome é Diogo Souza, sou escritor, jornalista e social media. Escrevo mais para descobrir do que para dizer quem sou. Por aqui, minha arte em forma de textos. caradoespelho.substack.com
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O hábito que me salvou do bloqueio criativo: as páginas matinais
Por muito tempo, eu achei que precisava de um ritual solene para escrever até perceber que essa idealização toda estava me afastando da escrita.Neste vídeo, eu compartilho o hábito que me ajudou a atravessar o bloqueio criativo e a transformar a escrita em algo mais livre e menos performático. Falo sobre as páginas matinais, sobre o livro O Caminho do Artista, de Julia Cameron, e sobre como essa prática foi mudando minha relação com a criação, com o mestrado e com a vida.Links citados:• Newsletter: https://caradoespelho.substack.com/• O Caminho do Artista (Julia Cameron): https://s.shopee.com.br/qgY0sQx8O• Análise Crítica da Narrativa (Luiz Gonzaga Motta): https://encurtador.com.br/YZSs• Meu site/livros: https://www.escritordiogosouza.in/
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Meu livro ficou 5 anos na gaveta e eu junto com ele. Cansei de adiar!
Esse livro ficou cinco anos na gaveta, quase esquecido nos meus arquivos. Mas agora ele voltou para as minhas mãos: impresso, real, editado do jeito que eu sonhei. Meu nome é Diogo Souza, sou escritor e comunicólogo, e hoje vamos falar sobre o que acontece quando você para de adiar. Se você ficar até o fim, deixa um like, um comentário. Isso me ajuda. A ideia desse livro nasceu em 2018, junto com o meu TCC na graduação. Eu dediquei meses seguidos a ler tudo que eu consegui sobre o Titanic. Uma lista extensa de documentários, filmes, livros, artigos, fóruns, etc. Eu sentia dentro de mim uma necessidade de escrever algo sobre aquele navio. Mas ainda não sabia o que se passaria a bordo dele. Os livros “Titanic Minuto a Minuto” e “Uma noite fatídica” me ajudaram a entender a tragédia e o aspecto simbólico por trás do navio. Eles me deram o ritmo dos ponteiros do relógio, eu já tinha o espaço, o tempo, me faltava o enredo. Ainda sem personagens e sem trama, escrevi o primeiro texto daquele livro que ainda era só uma ideia. Mas foi só em 2020 que comecei a escrever o livro. Quando a pandemia começou, eu já estava há um mês escrevendo. E o que era uma atividade secundária virou a coisa mais importante dos meus dias, tomando cada vez mais tempo e dedicação de minha rotina. O mundo que conhecíamos ruía lá fora, o lockdown testava nossos limites. Escrever esse livro me desconectava daquele medo constante. Ele me manteve inteiro.A alegria de concluir pela primeira vez na vida uma obra de ficção aliviou o medo do desconhecido daquela fase. Aquele era um ano eleitoral, eu ainda trabalhava com comunicação e havia uma campanha política de rua acontecendo em plena pandemia. Eu tinha medo. Eu sentia que o tempo tava acabando. Então eu publiquei o livro por mim mesmo. Aprendi como fazer isso na Amazon e no Clube de Autores. Fiz tudo com urgência, com pressa. Alcancei coisas maravilhosas com esse lançamento inicial, mas o tempo passou, o mundo foi voltando aos trilhos, então olhei pro livro e pensei: “Eu podia ter feito melhor.”E aí eu guardei o livro, removi das vendas para preparar um relançamento meses depois. Bem, cinco anos se passaram desde então. Lá estava eu trabalhando muito, priorizando projetos que não eram meus. Sem tempo para mim, para meus sonhos. Se eu tinha algum tempo, não tinha energia. Se tinha energia, não tinha tempo. Eu vivia em função de não me cansar muito, pois no dia seguinte cansaria muito mais. Fiquei esperando o tempo perfeito que nunca chegou. Eu acabei esquecendo desse livro porque, decisão após decisão, fui esquecendo de mim. Recentemente, eu reorganizei o meu escritório. Pintei, arrumei, criei um espaço que fosse meu de verdade. E isso fez parte de um processo maior: de voltar a me lembrar de quem eu sou.Em 2025, comecei a levar a sério a decisão de parar de adiar minha vida. Eu me dei conta de que tinha passado anos vivendo para coisas externas, que tinham representado uma parte importante de minha caminhada, mas que era hora de recalcular a rota. Foram muitas da mudanças que promovi em minha vida, mudei minha rotina pelo avesso e voltei a ser dono do meu tempo. Levaram meses até me lembrar desse livro, eu senti que era hora de fazer do jeito certo.Eu enviei o texto pra Opera Editorial. Eles aprovaram o original, fechamos contrato, eles editaram, fizemos pré-venda. E agora, finalmente, o livro chegou impresso. Cinco anos depois e alguns meses, além do atraso da entrega dos correios. Mas dessa vez, do jeito que eu sempre quis. Queria ter mais capacidade de traduzir a estranha sensação de ter em mãos um livro que você escreveu. Um objeto tão simples, um amontoado de palavras, leve, mas tão carregado de sentimento e significado. Tatear meu próprio livro me faz viajar no tempo, rever algumas cenas de uma criança que sonhava por meio de palavras em folhas de papel. Escutar novamente alguns nãos, alguns avisos de que isso não valia a pena e perceber como todos estavam completamente enganados. E se permitir rir deles é maravilhoso. Vale muito a pena! Folhear estas páginas que carregam meu suor, minhas lágrimas e o esforço coletivo daqueles que me antecederam e que me permitiram chegar até o sublime momento de colocar diante da página em branco e não parar até que finalmente este livro estivesse parido, livre de mim, das minhas mãos para as mãos do mundo. E isso me assusta e me conforta ao mesmo tempo. Porque soltar algo que ficou guardado por tanto tempo é como soltar uma versão de mim que estava guardada junto com o livro. “Titanic: o amor não é para covardes me ensinou a sobreviver em 2020. Agora, ele me relembra a importância de sonhar e viver de novo. Com foco e equilíbro. Com fé. Com as minhas próprias mãos, no meu próprio tempo.Foram muitos anos aguardando as condições ideais e perfeitas. Buscando ou esperando uma perfeição técnica, uma conjunção exata de fatores e a ilusão de achar que precisava ser perfeito antes de ser visto. Mas a verdade é que a imperfeição é a única coisa que conecta a todos nós e a ilusão de superá-la também. Fugir dela é fugir da essência humana. Esperar o tempo ideal é perder o tempo real. Esses livros não são perfeitos, assim como o autor que vos fala. Mas são meus, de direito e de alma. E agora são de vocês também.Se você chegou até aqui, meu muito obrigado pela leitura! Esse podcast é a versão em áudio do vídeo de estreia do meu canal do Youtube, caso se interesse: To hear more, visit caradoespelho.substack.com
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Pensando minha relação com o cansaço
Quando eu finalmente dei o passo que faltava e saí de um trabalho que me exauria para me dedicar a mim mesmo, me deparei com um momento delicado. O alívio da rotina foi imediato, porém algo indefinido pairava no ar. Eu finalmente tinha tempo para mim mesmo, para descanso, projetos pessoais, casa, casamento, amigos etc. No entanto, a falta de uma rotina e de horas ocupadas, ou ao menos preenchidas na agenda, me causou uma angústia por dias. Eu me sentia culpado por não rodar no modo selva, trabalhando desde o despertar e tensionado com isso até o adormecer.Me recordo de que, no primeiro mês, o sentimento era tão corrosivo que cheguei a acionar uma inteligência artificial e treinei um chatbot para atuar como uma assistente pessoal para gerenciar meus dias. Eu anotava todas as demandas que eu achava que deveria fazer; então, fazia um planejamento do que queria fazer ao longo da semana e em quais dias poderia distribuir as tarefas; por fim, enviava para o chatbot treinado, e ele organizava os dias e horários das coisas a fazer, incluindo os repousos.Segui esse sistema por duas semanas até que ele finalmente parou de fazer sentido. Meus dias não eram mais corridos e não fazia sentido manter neles a lógica de exaustão que eu fiz questão de deixar para trás na tentativa de não sucumbir. Foi quando notei que era algo além de rotina e hábito. Nesse ponto, coube a mim admitir que meu problema era o vício em estar cansado. O cansaço era uma forma de me validar, de dar sentido à vida. Eu não admitia não trabalhar o suficiente, pois a romantização do cansaço estava tão internalizada que, sem me cansar e sem me esgotar, a coisa não fazia sentido.Sim, um absurdo, reconheço.Felizmente, o passar do tempo rompe expectativas e tensiona todo tipo de padrão ao qual nos agarramos para chamar de zona de conforto. Aquele modo de vida não cabia mais por uma razão simples. Era natural operar dessa forma quando minha vida estava submersa em ambientes e ciclos que funcionavam nessa lógica de exaustão. Não havia tempo nem ânimo para mais nada. O que restava? Manter o ciclo e se ocupar cada vez mais com exaustão para ignorar o vazio promovido nas demais áreas da vida. Com uma mudança estrutural tão profunda na rotina, pude me reconectar com camadas de mim que considerava perdidas no passado. Elas estavam de volta à posse de minhas mãos: interesses, desinteresses, simpatias e antipatias, assim como o descanso e os projetos pessoais.O casamento, a família, os amigos, os estudos e os hobbies foram fundamentais para recolorir uma vida que antes se via acinzentada e dar movimento às minhas próprias narrativas. Meu brilho voltou.Das coisas que eu jamais imaginei que faria, a chegada do tarô como hobby foi a que mais mexeu com meus sentimentos, justamente por parecer ser tão alheia a todas as outras esferas de minha vida e, paradoxalmente, se conectar profundamente com cada uma delas. A beleza das cartas e das jornadas entre arcanos maiores e menores são lembretes de que tanto o movimento quanto a pausa são necessários. E que andar por aí carregando pesos e propósitos alheios não faz bem para ninguém.Além disso, meses depois desses movimentos iniciais, voltei a me dedicar à escrita. Estou publicando profissionalmente um livro que deixei guardado na geladeira por aguardar o momento certo. Esse “aguardar” se converteu em abandono. Abandono da obra e abandono de mim mesmo, por não dedicar um esforço sequer para realizar meus próprios sonhos. Quando o ânimo voltou, os sonhos também floresceram. A roda começou a girar. Meu livro Titanic: o amor não é para covardes deve chegar impresso em breve, me fazendo lembrar de que meus sonhos são possíveis quando dedico minha paixão, minha energia e meu tempo a eles.A culpa de que falei acima ainda me persegue. Descansar ainda me inspira um tipo de desconfiança. Aquela sensação de cometer um crime. Outras vezes, me pego exagerando no volume de tarefas, nas horas dedicadas e no estresse envolvido. Há outras em que me torno o mais procrastinador dos procrastinadores: não realizo nada, mas tudo continua no meu radar, o que também pode ser bem cansativo.A jornada não é linear — isso já está demonstrado em minha própria biografia —, mas é perceptível como desintoxicar-se do vício em trabalho e da romantização da exaustão devolve a vontade e o sentido de viver. Ter tempo para si é oferecer cura para a alma e preenchimento para a existência. Liberdade para ser. Se eu fosse panfletar alguma coisa por aí, com certeza seria algo como: “excesso de trabalho e cansaço são incapazes de preencher o vazio de sua alma”. Dito isso, aqui finalizo e repouso nesta nova e estranha fase.Obrigado por chegar até aqui! Inscreva-se para receber mais atualizaçoes:Publiquei este texto junto a um vídeo no Tiktok: To hear more, visit caradoespelho.substack.com
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