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Let's Rock - Um podcast da Idade da Pedra

Este é um podcast em que os convidados e convidadas são os arqueólogos e arqueólogas, e não só, que se dedicam ao estudo da Pré-História. As nossas conversas pretendem contribuir para a partilha do conhecimento sobre Pré-História, sobre quem a investiga e, claro, também como é feita essa investigação. O Let's Rock - um podcast da Idade da Pedra é uma iniciativa de Sara Cura. Tem a edição de Nuno Portugal da Escola Superior de Comunicação Social.

  1. 34

    Santa Vitória: o Primeiro Recinto de Fossos de Portugal

    Neste episódio do Let's Rock, converso Ana Catarina Basílio, arqueóloga do Município de Reguengos de Monsaraz eprofessora na Universidade de Évora, sobre o seu percurso académico e profissional e sobre a investigação do recinto de fossos de Santa Vitória, em Campo Maior, o primeiro do género escavado em Portugal. A nossa conversa percorreuhistória do sítio desde os anos 80 até ao regresso com o projeto de investigação SANTVIT, o que se ganhou ao comparar este pequeno recinto com o ComplexoArqueológico dos Perdigões, bem como as singularidades de Santa Vitória. Ana fala-nos ainda sobre a sua experiência e os desafios da comunicação e envolvimento público comestes sítios arqueológicos.Sugestões da Ana:O Demónio da Classificação: Pensar / organizar de Georges VignauxThe Social Life of Things: Commodities in Cultural Perspective editado por Arjun Appadurai

  2. 33

    Let's Rock Stories: o Cacau

    Do interior da floresta amazónica ao mundo globalizado, a história do cacau é feita de ciência, rituais e inovação. Neste episódio, exploramos as descobertas arqueológicas e genéticas que recuam a domesticação do Theobroma cacao há mais de cinco mil anos. Percorremos as redes de troca pré-colombianas, os rituais simbólicos do cacau na Mesoamérica, a sua chegada à Europa e os atuais desafios ecológicos da produção. Neste 7 de julho — Dia Mundial do Chocolate — convidamos-te a mergulhar nesta viagem comsabor a passado milenar e impacto global.Fontes:Seleno Health. (n.d.). The origins and history of cacao.https://selenohealth.com/blogs/learn-about-cacao/the-origins-and-history-of-cacaoAgusto, F. B., Leite, M. C. A., Owusu-Ansah, F., Domfeh, O., Hritonenko, N., & Chen-Charpentier, B. (2024). Cacao sustainability: The case of cacao swollen-shoot virus co-infection. PLOS ONE, 19(3), e0294579. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0294579Lanaud, C., Vignes, H., Utge, J., et al. (2024). A revisited history of cacao domestication in pre-Columbian times revealed by archaeogenomic approaches. Scientific Reports, 14, 2972. https://doi.org/10.1038/s41598-024-53010-6Zarrillo, S., Gaikwad, N., Lanaud, C., Powis, T., Viot, C., Lesur, I., Fouet, O., Argout, X., Guichoux, E., Salin, F., Solorzano, R. L., Bouchez, O., Vignes, H., Severts, P., Hurtado, J., Yepez, A.,Grivetti, L., Blake, M., & Valdez, F. (2018). The use and domestication of Theobroma cacao during the mid Holocene in the upper Amazon. NatureEcology & Evolution, 2(12), 1879–1888. https://doi.org/10.1038/s41559-018-0697-x

  3. 32

    Evolução Humana e Ciência Integrativa: o HEIRS Hub, com Godefroy Devevey

    Neste episódio converso com Godefroy Devevey, Science Strategy Officer no ICArEHB (Universidade do Algarve), cuja carreira alia investigação científica e gestão estratégica de ciência.Com formação em Biologia e especialização em Ecologia e doenças em aves e pequenos mamíferos, o Godefroy passou por instituições em França, Suíça, EUA e Reino Unido, antes de se apaixonar pela “ciência da ciência”. Ao longo da conversa, explica-nos como é o seu trabalho de apoio aos investigadores e ao centro — desde a procura de financiamento até ao desenho de estratégias. Um trabalho de equipa cujos resultados têm provado enorme sucesso.Além disso, falamos em detalhe sobre o projeto que o Godefroy lidera atualmente: o HEIRS – Hub for Human Evolution Research Synthesis. Ficamos a saber o que é a ciência integrativa de síntese, como surgiu o HEIRS, por que razão este é o momento certo para promover essa abordagem no estudo da Evolução Humana, e de que forma o hub ganha vida através da colaboração interdisciplinar, calls for proposals, estadias sabáticas, formações e simpósios.Para saber mais:Heirs website: https://heirs.icarehb.com/Transição de carreira em arqueologia: «Alt-Ac Paths seminar series» promovidos pelo Icarehb (fiquem atentos às suas redes sociais)Sugestão de leitura: A Origem das Espécies de Charles Darwin

  4. 31

    Domesticação - o conceito e um estudo caso: a papoila-do-ópio (com Hugo Oliveira)

    Neste episódio do Let’s Rock mergulhamos no conceito de domesticação, frequentemente utilizado mas nem sempredefinido com precisão. O nosso convidado é o Hugo Oliveira, com formação em Biologia e Arqueologia,  investigador integrado do Icarehb com extenso e relevante trabalho desenvolvido em arqueogenómica e arqueobotânica. Discutimos a complexidade em torno do termo domesticação, os seus limites conceptuais e as suas implicações ideológicas. Exploramos ainda os contributos da genética e da arqueologia para compreender a transição para a agricultura e analisamos um caso específico e fascinante : a domesticação da papoila-do-ópio. A partir de evidências arqueobotânicas e genómicas, revisitamos a sua origem no Sul da Europa e debatemos as motivações que terão levado ao cultivo desta planta — alimentares, medicinais ou psicotrópicas. Ainda houve tempo para conhecer como o trabalho do Hugo tem aplicações directas na melhoria da agricultura contemporânea.Neste episódio falamos de diversos livros e aqui ficam asreferências:O Princípio de Tudo - Uma Nova História da Humanidadede David Graeber e David WengrowThe Invention of Prehistory - Empire, Violence, and Our Obsession with Human Origins de Stefanos Geroulanos Against the Grain de  James C. ScottThe Creation of Inequality: How Our Prehistoric Ancestors Set the Stage for Monarchy, Slavery, and Empire de Joyce Marcus & Kent V. Flannery Milk of Paradise: A History of Opium de Lucy Inglis

  5. 30

    Let's Rock Stories: Mel, Cera e Abelhas

    Neste episódio, celebro as abelhas, heroínas discretas da biodiversidade, a propósito do seu dia mundial a 20 de maio. Muito além do mel, a sua importância ecológica é imensa — e hoje elas enfrentam sérias ameaças como pesticidas, poluição e perda de flora. Viajamos até à Pré-História para descobrir como o ser humano sempre valorizou o mel, com provas desde a arte rupestre até resíduos arqueológicos de cera de abelha. Exploramos práticas com as dos povos Hadza da Tanzânia, que arriscam escalar baobás em busca de mel, usando técnicas ancestrais e ferramentas adquiridas através de trocas com outros povos, como os Datoga. Este episódio mistura ciência, Pré-História e etnoarqueologia para mostrar como, desde a Pré-História, fomos seduzidos pela doçura do mel e pela utilidade da cera produzida pelas abelhas. Para saber mais: Alyssa N. Crittenden (2011): The Importance of Honey Consumption in Human Evolution, Foodand Foodways, 19:4, 257-273Chasan R, Rosenberg D, Klimscha F, Beeri R, Golan D, Dayan A, Galili E, Spiteri C. 2021 Bee products in the prehistoric southern levant: evidence from the lipid organic record. R. Soc. Open Sci. 8: 210950. https://doi.org/10.1098/rsos.210950Dunne, J., Höhn, A., Franke, G. et al. Honey-collecting in prehistoric West Africa from 3500 years ago. Nat Commun 12, 2227 (2021). https://doi.org/10.1038/s41467-021-22425-4Frank W. Marlowe, J. Colette Berbesque, Brian Wood, Alyssa Crittenden, Claire Porter, Audax Mabulla, Honey, Hadza, hunter-gatherers, and human evolution, Journal ofHuman Evolution, Volume 71, 2014, Pages 119-128, ISSN 0047-2484, https://doi.org/10.1016/j.jhevol.2014.03.006.

  6. 29

    Let's Rock Stories: Lanças de Madeira

    Sabias que as armas mais antigas da humanidade eram feitas de madeira? Sim, esse material frágil que tão raramente sobrevive ao tempo. E no entanto, há cerca de 300 mil anos, o sítio arqueológico de Schöningen revela que já se faziam lanças tão bem desenhadas que podiam matar um cavalo a vinte metros de distância. Este podcasté da Idade da Pedra, mas neste episódio vamos falar de madeira. Como eram feitas estas lanças tão antigas e como eram utilizadas?

  7. 28

    Bifaces, Migrações e o Acheulense da Península Ibérica (com Carlos Ferreira)

    Neste episódio, viajamos até ao Paleolítico Inferior com oarqueólogo Carlos Ferreira, investigador da UNIARQ e especialista no tecno-complexo Acheulense com foco especial no seu estudo no território atualmente português. A partir de Madrid, onde está a estudar coleções arqueológicas, o Carlos ajuda-nos a compreender o que é o Acheulense, a importância dos seus icónicos bifaces e o que estes nos dizem sobre a cognição humana e a possível emergência de sentido estético. Conversamos ainda sobre as rotas migratórias entre África e a Europa, sobre as características do Acheulense ibérico e os desafios de investigar sítios muito antigos em contextos fluviais. Um episódio essencial para quem se interessa pelas dinâmicas das primeiras ocupações humanas em Portugal.

  8. 27

    Especial Festa da Arqueologia (com Célia Pereira e César Neves)

    Neste episódio especial do Let’s Rock – um podcast da Idade da Pedra, celebramos um evento que, desde 2009, se tornou um verdadeiro ponto de encontro entre arqueólogos/as e os públicos: a Festa da Arqueologia, organizada pela Associação dos Arqueólogos Portugueses, que acontece de 25 a 27 de abril, no Convento do Carmo entre as 10h e as 18h.Para conhecer melhor a história da Festa e o que está a ser preparado para esta 7ª edição, convidei o César Neves, arqueólogo do Museu Arqueológico do Carmo, e a CéliaPereira, conservadora do mesmo museu.Ao longo da conversa, recuamos até à origem da iniciativa — e percebemos o que motivou a sua criação, como tem evoluído ao longo das edições e que impacto tem tido naforma como o público se aproxima da Arqueologia. Falámos sobre o envolvimento das instituições participantes, o feedback dos visitantes, e como a Festa tem conseguido manter-se relevante e cativante ao longo dos anos.E claro, mergulhámos no tema de 2025: a alimentação. Porquê falar de comida na Arqueologia? O César e a Célia respondem a esta questão e guiam-nos pelo programa deste ano, destacando as atividades interativas, oficinas, jogos, visitas e conferências — tudo pensado para envolver miúdos, graúdos, curiosos e apaixonados pela arqueologia.Consultem o site da Festa para preparar a vossa visita:https://www.arqueologos.pt/festa_arqueologia/index.html

  9. 26

    «Arqueólogos não escavam dinossauros» com Susana Nunes

    Cenas da vida de um/a arqueólogo/a: 🦖 “Então… já escavaste muitos ovos de dinossauro?”💰 “E o pote das libras, já apareceu?”Pois é… cansada de ouvir estes (e outros) equívocos, a Susana Nunes decidiu responder com humor, conhecimento e muita criatividade nas redes sociais através do projeto «Arqueólogos Não Escavam Dinossauros».A Susana Nunes é arqueóloga e mediadora patrimonial com uma sólida trajetória na preservação e divulgação do património cultural. Ao longo do seu percurso combinou a investigação e a arqueologia preventiva com um forte compromisso na área educativa, tendo sido coordenadora e formadora do Curso Profissional de Assistente de Arqueólogo na Escola Profissional de Arqueologia. Atualmente, lidera a área de educação patrimonial na empresa Palimpsesto, dinamizando projetos que aproximam a arqueologia da sociedade. Neste episódio, conversamos sobre: 🔍 O que realmente fazem os/as arqueólogos/as🛠️ Comunicação e mediação do património🏛️ A importância de trazer a arqueologia para o espaço público🎓 O ensino profissional da arqueologia

  10. 25

    Let's Rock Stories: O Cabelo

    Porque é que os humanos são o único animal que pode naturalmente deixar crescer o cabelo na cabeça – e deixá-lo crescer muito– tornando isso uma questão cultural e identitária? Neste episódio, exploramos como a perda de pelo corporal e o desenvolvimento do cabelo na cabeça estão ligados à evolução do bipedalismo e à termorregulação. Desde os primeiros hominínios até ao Homo sapiens, o cabelo cumpriu funções essenciais para a sobrevivência e adaptação. Mas será que sempre teve apenas um papel biológico?

  11. 24

    Arquiteturas e Género na Pré-História Recente (com Ana Vale)

    Neste episódio converso com a arqueóloga Ana Vale. A Ana é investigadora e gestora de ciência aqui na FLUP e integra o Centro de Investigação CITCEM. Fez o doutoramento na Universidade do Porto, mas nesse período passou muito tempo em Manchester e teve a oportunidade de participar no projeto de Stonehenge, algo que marcou a sua forma de fazer e pensar a Arqueologia. Ao longo da sua carreira tem publicado dezenas de artigos em revistas científicas, mas também capítulos de livros e dois livros. O seu percurso inclui a coordenação de vários projetos de investigação e também a orientação de trabalhos académicos. O trabalho da Ana é uma referência incontornável no estudo das arquiteturas Pré-Históricas e também nos estudos de arqueologia de género e foram esses os grandes temas da nossa conversa. Discutimos os olhares que se projetam no passado acerca das mulheres e de como se têm vindo a transformar lá fora, mas também em Portugal. A Ana, falando do seu trabalho e não só, explica-nos como se desconstroem discursos que colocam a mulher Pré-Histórica num lugar estático e numa cristalização em torno da esfera doméstica e da fertilidade. A mesma desconstrução e enorme atenção ao detalhe é feita pela Ana Vale no estudo das arquiteturas da Pré-História Recente que assim ganham vida como espaços habitados e onde se desenrolaram quotidianos muito mais diversos e complexos do se poderia pensar.

  12. 23

    Peixes, Sazonalidades e Caçadadores Recolectores (com Rita Dias)

    Neste episódio conversei com Rita Dias, arqueóloga e zooarqueóloga com uma carreira muito multifacetada que cruza a investigação académica, o ensino e grande experiência profissional em arqueologia empresarial. A Rita é doutorada em Zooarqueologia pela Universidade do Algarve e especialista no estudo da sazonalidade através de restos de peixes, usando a esclerocronologia e a análise de isótopos estáveis. Pode parecer complicado, mas a Rita explica-nos tudo isso mostrando como a investigação focada em pequenos restos de peixes é uma janela para a compreensão dos comportamentos de subsistência e sazonalidade dos caçadores-recolectores do Holoceno. A Rita também nos fala do seu percurso desenvolvido na empresa Era Arqueologia, nomeadamente como gestora e piloto de drones do projeto Odyssey, que utiliza tecnologias de ponta como a deteção remota e inteligência artificial para registar, inventariar e proteger o património arqueológico. A sua experiência diversificada coloca-a numa posição única para entendermos como se faz a transição de uma carreira da académica para o mundo das empresas, os desafios que isso coloca, mas também como se criam oportunidades de fazer pontes entre a investigação científica e a arqueologia mais profissional que se desenvolve em contexto empresarial.

  13. 22

    Let's Rock Stories Especial de Natal: As estrelas

    O Natal que agora vivemos termina no dia 6 de janeiro, com o dia de Reis. Conta o evangelho de S. Mateus que uma estrela, a estrela de Belém, brilhava intensamente no céu anunciando o nascimento de Jesus. O astro terá guiado os reis Magos até este outro rei, recém-nascido algures na Terra Sagrada, não muito longe de Jerusalém. Mas será que essa estrela existiu mesmo? Ou terá sido outro fenómeno astronómico? Estas são questões que há muito ocupam estudiosos, desde uma perspetiva religiosa , mas também histórica e científica. Contudo, a relação entre nós e as estrelas é bem mais antiga do que a época do relato do nascimento de Jesus Cristo. Podemos dizer com bastante certeza que a nossa vontade de dialogar com os céus através das estrelas, próximas de divindades detentoras de poderes que não controlamos, mas que queremos favoráveis, remonta à Pré-História. A que momento preciso da Pré-História?  Não é possível afirmar com certeza.

  14. 21

    Detecção Remota e Geofisíca em arqueologia: novas formas de olhar os sítios e as paisagens (com Tiago Pereiro)

    O que é a Geofísica e a Detecção Remota em Arqueologia? E como entra a Inteligência Artificial na identificação de sítios arqueológicos? E como podemos melhor proteger o nosso património arqueológico? Neste episódio converso com Tiago Pereiro, arqueólogo que nos últimos anos se especializou na deteção remota de sítios arqueológicos e cujo trabalho tem contribuído para grandes mudanças na forma como olhamos para os monumentos megalíticos, para os recintos pré-Históricos e para as suas paisagens circundantes. O Tiago tem um percurso muito diversificado que o levou, numa pausa na profissão que tanto ama, ao Reino Unido e o trouxe de volta a Portugal para regressar de forma inovadora ao trabalho de campo em arqueologia. Uma conversa que não é só sobre técnicas, é também sobre a proteção dos sítios arqueológicos e as suas paisagens e, sobretudo, sobre mudanças nos territórios, nas metodologias e na vida de quem se dedica à arqueologia.

  15. 20

    Let's Rock Stories: o beijo

    Quando foi a última vez que beijou alguém? Um beijo rápido na face? Um beijo suave nos lábios? É algo que nos parece tão familiar, mas, se pensarmos sobre por que o fazemos, torna-se um pouco intrigante e misterioso. Será apenas um gesto de afeto, ou há algo mais profundo — algo antigo e universal — neste gesto tão habitual? Desde beijos românticos a simples saudações com um toque de face, o beijo é algo familiar para muitos de nós. Mas como terá ele começado? E qual o propósito deste gesto e porque assumiu tantas formas diferentes? Para o saber temos de recuar milhões de anos.

  16. 19

    Let's Rock Stories: O Buraco da Agulha

    Imagine uma época onde cada saída de espaços protegidos poderia fazer a diferença entre a vida e a morte—não só devido a predadores, mas também devido ao frio que podia ser implacável. Há cerca de 25 mil anos, no chamado último glaciar máximo, o frio na Europa, coberta por gelo em muitas áreas, era intenso e os nossos antepassados não podiam enfrentá-lo sem a proteção extra de vestuário que, graças a uma pequena grande invenção – a agulha com buraco, podiam coser com eficácia e em camadas, assegurando uma proteção adequada do corpo. Mas a história da roupa começa muito antes deste pequeno objeto e, também, antes deste último e rigoroso período glaciar. Na Pré-História Antiga não havia pret a porter, nem tão pouco tecidos confortáveis. Em vez disso, os nossos antepassados tiveram de contar com o seu engenho, transformando lentamente as peles dos animais que caçavam em algo que pudesse garantir a proteção dos seus corpos e assim aumentar as hipóteses de sobrevivência. Mas como descobriram este processo? E quais eram as ferramentas que utilizavam para o fazer antes da invenção da agulha com buraco, objeto pequenino, mas bastante revolucionário. A agulha é daqueles casos que passa despercebido, um objeto a que não damos grande valor, mas marcou um ponto de viragem na história da humanidade. Com este objecto já não se tratava apenas de costurar roupas para manter o corpo quente, estas eram também uma forma de expressão cultural. Então, como passámos de peles de animais lançadas sobre os ombros a roupas costuradas e decoradas com precisão?   Para saber mais Ian Gilligan et al. ,Paleolithic eyed needles and the evolution of dress.Sci. Adv.10,eadp2887(2024).DOI:10.1126/sciadv.adp2887 Nicole Leoni Sherwood, Tim Forssman, Identifying use-wear distributions on sewing needles: Possible Later Stone Age sewing needle made from a tooth root at Little Muck Shelter, South Africa, Journal of Archaeological Science: Reports, Volume 53, 2024, 104347, ISSN 2352-409X, https://doi.org/10.1016/j.jasrep.2023.104347. Toups MA, Kitchen A, Light JE, Reed DL. Origin of clothing lice indicates early clothing use by anatomically modern humans in Africa. Mol Biol Evol. 2011 Jan;28(1):29-32. doi: 10.1093/molbev/msq234.

  17. 18

    Let's Rock Stories: Os Gatos

    Neste episódio da nova rubrica Let’s Rock Stories falo-vos das origens nossa relação com os gatos. Ao contrário de cabras, ovelhas, porcos ou vacas, e até mesmo os cães, os gatos pouco contribuem para a nossa sobrevivência. Então como e porque é que se aproximaram de nós e porque é que nós os acolhemos? E já agora, há quanto tempo é que isso aconteceu? A nossa história com os gatos não tem sido a mais fácil de desvendar. Tem lógica, porque haveria de ser fácil se o bicho é tão enigmático e sofisticado? Tinha de se fazer difícil, claro.

  18. 17

    O desenho e a ilustração científica em Arqueologia (com Guida Casella)

    O que são o desenho e a ilustração científica? E quais as suas especificidades em Arqueologia? Podemos todos desenhar? E como é contar as histórias dos cientistas através de desenhos? Neste episódio converso com Guida Casella que respondendo a estas e outras questões também nos fala do seu percurso na ilustração científica especialmente dedicado à Arqueologia. A Guida é formada em Belas Artes, tendo descoberto o desenho científico no último ano da licenciatura, o que determinou o rumo da sua carreira. Atrás do desenho científico, viajou e viaja muito. Andou pelo Canadá, Inglaterra e Estados Unidos e desenvolveu um olhar muito crítico e informado sobre a divulgação de arqueologia através de desenhos e ilustrações. Os seus trabalhos podem ser encontrados de norte a sul de Portugal. Colaborou e colabora com institutos e centros de investigação, arqueológos, museus e autarquias. Em 2019 concluiu, na Universidade Nova, o doutoramento em Medias Digitais com um trabalho intitulado “Digital Storytelling para Arqueologia”, focando a comunicação feita a partir do Castro de Zambujal durante 50 anos. Desde 2019 que dá aulas de Desenho de Arqueologia e de Património na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e em 2023 criou a Pós Graduação de Aperfeiçoamento Ilustração Científica.

  19. 16

    Grutas Artificiais, Matérias-Primas Líticas e a paixão pelas rochas (com Patrícia Jordão)

    O que são as Grutas Artificiais? Como eram feitas e utilizadas? E como é que do estudo das rochas se retiram tantas informações sobre hábitos e comportamentos dos nossos antepassados Pré-Históricos? Neste episódio converso com Patrícia Jordão, arqueóloga e doutorada em Geologia, atualmente investigadora em Geoarqueologia na UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade. A Patrícia responde a estas perguntas e mostra-nos como através das rochas e do seu estudo detalhado, por vezes envolvendo técnicas laboratoriais bastante complexas, conseguimos saber sobre a mobilidade das populações, a dimensão dos seus territórios e até trocas que se faziam entre regiões e populações diferentes. Também nos conta sobre um detalhado estudo sobre as Grutas Artificiais da Estremadura e que revelou novos dados sobre os comportamentos funerários do Neolítico e Calcolítico desta região, numa época em que além dos animais e das plantas, domesticámos também a morte. Nota Importante: Por lapso referem-se as Grutas do Poço Velho em Cascais como grutas artificiais visitáveis, mas é incorrecto. Tratam-se de necrópoles Pré-Históricas que se podem visitar.

  20. 15

    Como se estuda o nosso passado mais remoto? (com Alexandre Varanda)

    Como se estuda o nosso passado mais remoto?Quanto mais recuamos, menos são as pistas, mas mais desafiante é recontruir a nossa história!Neste episódio do Let's Rock - um podcast da Idade da Pedra, converso com Alexandre Varanda, arqueólogo e investigador da UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, que se dedica a estudar os vestígios das mais antigas ocupações humanas do nosso território e da Península Ibérica.O Alexandre faz-nos uma síntese de um longo período no tempo, representado pelo tecno-complexo Acheulense, com origem em África e que se expandiu para vários locais no planeta. Deste período temos sobretudo utensílios em pedra, sendo os bifaces os mais conhecidos, e cujo estudo detalhado pode revelar muito acerca da variabilidade do comportamento dos nossos antepassados há centena de milhares anos.Nos seus trabalhos o Alexandre olha para a Península Ibérica, mas também para o Médio Oriente e aplica novas metodologias e técnicas, como a morfometria 3D, que permitem destrinçar diferenças e padrões nos utensílios em pedra com maior rigor.

  21. 14

    O que nos contam as plantas sobre o nosso passado? (com Patrícia Monteiro)

    Neste episódio converso com Patrícia Monteiro, arqueóloga especializada em Arqueobotânica, investigadora no LARC – Laboratório de Arqueociências do Património Cultural, I.P. e no ICArEHB - Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano. A Patrícia explica-nos o tanto que podemos aprender sobre o comportamento humano e sobre as paisagens Pré-Históricas, analisando os restos de plantas. Ficámos a saber como se faz o estudo arqueobotânico, desde a recolha dos vestígios na escavação até à sua análise em laboratório. Também conversámos sobre as origens do uso, controlo e produção do fogo e sobre as estratégias de utilização da madeira pelos últimos caçadores recolectores do território atualmente português.

  22. 13

    Arqueologia Experimental: uma forma de investigar e divulgar a Pré-História (com Pedro Cura)

    Neste episódio converso com Pedro Cura, destacado investigador em Arqueologia Experimental, mas também um prolífico divulgador de Pré-História através de atividades que têm por base a sua investigação. Desde a utilização de ferramentas em pedra à construção de Parques Arqueológicos representando várias épocas da nossa história, o trabalho do Pedro tem dado diversos contributos à ciência e tem aproximado inúmeros públicos ao contacto vivo com a Pré-História. Entre estes incluem-se renomados Chefs de cozinha com os quais tem trabalhado, oferecendo inovadores cruzamentos disciplinares e gastronómicos.

  23. 12

    O que nos diz a Arte Paleolítica acerca de quem a fez? (com André Tomás Santos)

    Neste episódio converso com André Tomás Santos, professor na Universidade de Coimbra e especialista em Arte Rupestre. O André explica-nos como podemos determinar a antiguidade das pinturas e gravuras feitas há milhares de anos e o que elas nos dizem sobre quem as fez. Ficamos a saber que, no caso do Vale do Côa, estudando as figuras gravadas, os sítios e vestígios arqueológicos, e o território circundante podemos conhecer um pouco do que seria a ideologia destas comunidades humanas e sua forma de organizar o mundo.

  24. 11

    Como os cães se tornaram os nossos melhores amigos (com Cleia Detry)

    Neste episódio converso com Cleia Detry, especialista em Arqueozoologia, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora na UNIARQ. Ouvindo a Cleia ficará a saber como os cães se tornaram os nossos melhores amigos. Quando os domesticamos, porquê e porque é que hoje temos tantas raças de cães? Mas também falámos da domesticação de outros animais, como cavalos e burros que se confundem aos olhos dos arqueólogos, e como, uma vez domesticados fomos, ao longo da história, modificando os animais de acordo com os nossos interesses.

  25. 10

    O Côa, o Alqueva e o Lapedo na primeira pessoa (com Francisco Almeida)

    Neste episódio converso com Francisco Almeida, arqueólogo especializado em Pré-História Antiga que, desde 2011, reside e trabalha na Austrália. As suas investigações em Pré-História Antiga e Tecnologia Lítica contribuíram para uma renovação das metodologias de estudo em Portugal. O Francisco Almeida viveu, pessoalmente e profissionalmente, três momentos chaves da Arqueologia Portuguesa: o movimento de salvaguarda das gravuras do Côa, os trabalhos arqueológicos prévios à Barragem do Alqueva e a investigação e valorização do sítio do Abrigo do Lagar Velho no Vale do Lapedo. Neste episódio conta-nos como foi viver tudo isso. Também falámos da importância de trabalhar em proximidade com as comunidades aborígenes na Austrália.

  26. 9

    Investigar e comunicar a Pré-História (com João Cascalheira)

    Neste episódio converso com o João Cascalheira, investigador especializado em Pré-História Antiga e director do Centro de Investigação em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano - ICArEHB. O João fala-nos dos desafios de coordenar uma unidade de pesquisa em intenso crescimento e atividade, das estratégias adoptadas e também de toda a atenção que dedicam à comunicação da investigação que desenvolvem. Falamos do seu projeto de investigação Finisterra, financiado pelo European Research Council, que foca as trajetórias e dinâmicas culturais dos últimos Neandertais na Península Ibérica. Ainda deu tempo para trocarmos umas ideias sobre a pseudociência e Pré-História.

  27. 8

    Os Museus, a Pré-História e a Sociedade (com Vânia Carvalho)

    Neste episódio converso com Vânia Carvalho sobre Museus, Pré-História e a sua relação com a sociedade. A Vânia é licenciada em História, variante Arqueologia, é mestre em Evolução e Biologia Humanas e tem um diploma de estudos avançados em Turismo, Lazer e Cultura. Integra, desde agosto de 2006, a equipa do Município de Leiria. Coordena o Centro de Diálogo Intercultural de Leiria, o Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho, no vale do Lapedo e o Museu de Leiria, que funciona também como sede da Reserva Arqueológica Municipal. A Vânia falou-nos dos seus projetos de museologia e da importância de saber comunicar a pré-história com e para a sociedade. Fala-nos de como da Pré-História à atualidade os objetos e os sítios arqueológicos têm múltiplas possibilidades de ganhar significado junto dos públicos quando visitam os museus. Também conversámos sobre os seus projetos de mediação cultural que envolvem ativamente as comunidades locais.

  28. 7

    O tanto que nos dizem os animais sobre o nosso passado (com Nelson Almeida)

    Neste episódio converso com Nelson Almeida, arqueólogo que se dedica ao estudo de faunas em sítios arqueológicos, particularmente do Neolítico e Calcolítico. O Nelson é atualmente investigador na UNIARQ e também é professor auxiliar convidado na Universidade de Évora. Falámos sobre a sua especialização em zooarqueologia e sobre o tanto que nos podem dizer os ossos dos animais sobre o nosso passado. Também sobre o seu novo projeto Zoochanges aprovado e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e ainda acerca da Cooperativa O Legado da Terra de que é membro co-fundador.

  29. 6

    Grãos de terra e biomoléculas contam a história da humanidade (com Vera Aldeias)

    Neste episódio converso com a Vera Aldeias, arqueóloga especializada em Geoarqueologia. A Vera é investigadora no ICArEHB – Centro de Arqueologiae Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve. Antes esteve nos Estados Unidos na Universidade da Pensilvânia e posteriormente no Instituto Max Planck na Alemanha. Em 2022 recebeu uma bolsa do European Research Council para fazer investigação de ponta sobre sedimentos, e o DNA, proteínas e lípidos que deles se podem extrair e que nos podem dizer muito sobre os Neandertais. Falámos da sua investigação em geoarqueologia, da carreira internacional, sobre os desafios para obter um financiamento e reconhecimento tão relevante e também da relação entre a Pré-História e a sociedade.

  30. 5

    O que dizem as pedras sobre o nosso passado? (com Ana Abrunhosa)

    Neste episódio converso com a Ana Abrunhosa, arqueóloga especializada no estudo artefactos líticos e matérias-primas, investigadora em Pós-doutoramento no IPHES - Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social e investigadora colaboradora do ICArEHB - Interdisciplinary Center for Archaeology and the Evolution of Human Behaviour. A Ana conta-nos sobre o tanto que podemos saber, estudando os artefactos em pedra e as rochas em que foram feitos, sobre o comportamento tecnológico e a mobilidade na paisagem dos nossos antepassados. Fala-nos também das suas preocupações e atividades relacionadas com a representatividade e dificuldades de carreira das mulheres no estudo da Pré-História Antiga. Claro que também conversámos sobre a conquista da Ana em 2023 ao ser coautora de um estudo publicado e capa da prestigiada revista Nature Human Behaviour.

  31. 4

    Um Neandertal vai ao restaurante e manda vir uma sapateira (com Mariana Nabais)

    Neste episódio converso com a Mariana Nabais, arqueóloga especializada em zooarqueologia, investigadora integrada da UNIARQ e investigadora em Pós-Doutoramento no IPHES - Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e evolução social. A Mariana conta-nos como tem vindo a desconstruir ideias sobre os neandertais através do estudo das suas dietas, como é o processo de ganhar uma prestigiada bolsa de investigação Marie Curie e sobre a sensação de ter o seu trabalho publicado nas colunas de jornais como o New York Times após a publicação de um estudo que indica que as sapateiras eram alimento para os neandertais em Portugal.

  32. 3

    Arqueologia Pública e Investigação: o exemplar caso da Ota (com André Texugo)

    O André Texugo é um jovem arqueólogo e pré-historiador que nos traz neste episódio a história do Projeto Arqueológico da Ota. Com foco no período Calcolítico e nos recintos murados da região do Oeste e aplicando tecnologias de detecção remota, o trabalho do André desenvolveu-se sempre numa exemplar associação entre a Arqueologia Pública e a investigação, fazendo a ponte entre a ciência e as comunidades locais para a valorização do património arqueológico e do território.

  33. 2

    O Paleolítico e a Arqueologia Preventiva: que relação no seculo XXI? (com Cristina Gameiro)

    Cristina Gameiro, arqueóloga e pré-historiadora, responde a esta e outras questões sobre as dinâmicas da investigação em Paleolítico Superior em Portugal. Numa riquíssima conversa fala-nos dos desafios, das dificuldades e das oportunidades da investigação neste período cronológico, traçando uma retrospetiva da história das investigações desde a descoberta das gravuras do Vale do Côa e da criança do Lapedo.

  34. 1

    Os Neandertais são nossos primos? (com Telmo Pereira)

    Telmo Pereira, docente na Universidade Autónoma de Lisboa e investigador em Pré-História, responde a esta e outras questões sobre os nossos antepassados e sobre arqueologia pré-histórica. Fala-nos um pouco do seu percurso académico e deixa alguns conselhos para quem está a dar os primeiros passos no mundo da investigação em arqueologia.

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Este é um podcast em que os convidados e convidadas são os arqueólogos e arqueólogas, e não só, que se dedicam ao estudo da Pré-História. As nossas conversas pretendem contribuir para a partilha do conhecimento sobre Pré-História, sobre quem a investiga e, claro, também como é feita essa investigação. O Let's Rock - um podcast da Idade da Pedra é uma iniciativa de Sara Cura. Tem a edição de Nuno Portugal da Escola Superior de Comunicação Social.

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