Locuções_Tarik Kiswanson_Limiar podcast artwork

PODCAST · arts

Locuções_Tarik Kiswanson_Limiar

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    02_Locução_Tarik Kiswanson_Limiar

    Tarik Kiswanson – LimiarLimiar: passagem ou instante de transição entre dois ou mais estados. Tarik Kiswanson nasceu na cidade de Halmstad, na Suécia, em um bairro habitado por muitas famílias imigrantes de primeira e segunda geração – um limiar espacial entre a Europa e outras partes do mundo. Sua mãe e seu pai, palestinos, haviam escapado da guerra em Jerusalém e passado por Trípoli e Amã antes de chegar ao escritório de imigração sueco, que adaptou seu sobrenome original, Al Kiswani, para Kiswanson – um limiar temporal do exílio.Sem se decidir por estar definitivamente de um ou de outro lado de seus limiares – e sem se reconhecer inteiramente em uma só língua ou um só país –, Tarik Kiswanson cresceu na Suécia, estudou em Londres e vive em Paris desde 2010. Na capital francesa, trabalha como artista e escritor, em busca de linguagens que lhe permitam refletir sobre vidas em errância, histórias desenraizadas, traduções impossíveis e modos de abrigar subjetividades em horizontes de espera e suspensão.Autor de poemas e vídeos, Tarik realiza esculturas como linguagens em que formas, objetos e espaços se articulam para tornar noções temporais e corpóreas algo sensível. Elementos recorrentes nessa prática são seus Nests [Ninhos]: obras de superfícies lisas e alvas, cuidadosamente trabalhadas, lixadas e pintadas, que estabelecem relações de apoio, suspensão e contraponto com a arquitetura e com objetos impregnados de memórias.Na instalação que dá nome a esta que é sua primeira mostra individual em São Paulo, o artista propõe uma intervenção arquitetônica que subverte a percepção usual do espaço. A fluida circularidade da sala é contraposta a um volume suspenso, que só revela seu interior estreito e alto após a caminhada pelo espaço. Nessa passagem-limiar penetrável pelo olhar, convivem três elementos. Um deles é uma cadeira produzida em meados do século passado pela fábrica Móveis Cimo, exemplo de uma linha de mobiliários essencial para a modernização do design brasileiro por ter sido adotada como produto básico para diversos órgãos estatais; esse modelo, especificamente, corresponde ao que se encontrava nas salas de espera de escritórios de imigração brasileiros, acomodando os corpos de quem vivia um momento de transição entre tempos e espaços.Outro elemento é um cadeiral de igreja católica produzido por volta da metade do século 19. Se a própria religião foi um veículo estrutural do ciclo colonial de exploração do Brasil, incluindo-se o trânsito da arquitetura e do mobiliário sacro – seja pelo traslado marítimo, seja pela reprodução de modelos europeus na colônia –, esse banco é parte dessa história. Produzido na Bélgica ou na Holanda, ele foi trazido ao Brasil na época de sua produção, depois retornou à Europa e agora volta a São Paulo. Preparado para acomodar o corpo em repouso durante a liturgia dedicada ao louvor de uma divindade invisível, esse objeto agora flutua fora de alcance.O terceiro objeto levitando no espaço é Cradle [Berço], a mais recente das esculturas de Kiswanson em forma de casulo, presença cuja escala e forma apontam para o que está ausente. Os corpos e subjetividades passaram por limiares institucionais – como a igreja e o escritório de imigração – estruturalmente preparados para dar nome e destino a vidas em transição, indiferentes ao estado sempre inacabado de tais limiares. Como é da natureza de sua poética, Tarik Kiswanson não explica nem representa o estado vigente de um mundo marcado por imigrações, exílios, diásporas, colonizações, guerra e genocídio; em vez disso, ele desenvolve uma linguagem escultórica que não existiria fora deste mundo, e tampouco sem sua própria experiência de desterro. Um dos artistas convidados para a mostra A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant, Tarik é leitor do poeta martinicano, com quem converge na defesa do direito à opacidade da identidade e da linguagem. Sua obra oferece uma oportunidade de ressonância sensível daquilo que em cada um de nós escapa de identidades estanques, relatos de origem coesos e pertencimentos enraizados – tudo aquilo que vibra na presença da diferença e do intraduzível, em um perene processo de transformação para algo ainda não conhecido.

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    01_MAM São Paulo encontra Instituto Tomie Ohtake

    O programa MAM São Paulo encontra Instituto Tomie Ohtake nasce da colaboração entre duas instituições comprometidas com o fortalecimento da dimensão pública da arte e da cultura. Mais do que uma contingência devido à reforma da Marquise do Parque Ibirapuera – que ocasionou o fechamento temporário da sede do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo) –, a iniciativa dá continuidade a um ciclo de cooperação que propõe a circulação de acervos, o intercâmbio de saberes e a construção conjunta de experiências curatoriais e educativas.Nesse gesto mútuo de encontro, ambas as instituições reafirmam sua vocação para o diálogo, a escuta e a criação de projetos diversos de fruição e reflexão sobre arte. A colaboração se insere em um momento de intensificação dos vínculos entre organizações e de expansão para além dos edifícios que tradicionalmente habitam.A parceria é composta por duas exposições. Aqui-lá, concebida a partir da coleção do MAM São Paulo, reflete sobre deslocamentos, relações e pertencimentos, tomando como referência o pensamento do poeta Édouard Glissant. A curadoria, realizada em diálogo pelas equipes das duas organizações, apresenta obras que evocam travessias, rastros e identidades em movimento. Em paralelo, Limiar, instalação inédita de Tarik Kiswanson, aborda as experiências de migração e transformação, conectando-as à história de São Paulo e aos processos de enraizamento e mudança.Esses projetos se inscrevem em uma trajetória mais ampla de circulação do MAM São Paulo, com ações no MAC USP, na Fundação Bienal, no Sesc Vila Mariana, na Cinemateca Brasileira, na Biblioteca Mário de Andrade e em espaços em outras cidades. Ao mesmo tempo, reafirma o compromisso do Instituto Tomie Ohtake com práticas de colaboração institucional e de ampliação do acesso à arte.Unir forças é, tanto para o MAM São Paulo quanto para o Instituto Tomie Ohtake, uma forma de renovar os modos de atuação, potencializar o encontro entre públicos e fortalecer redes. Estar aqui e lá é estar em movimento – e seguir construindo, em conjunto, espaços de arte, pensamento e imaginação.Instituto Tomie Ohtake e Museu de Arte Moderna de São Paulo

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