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paisagem imaginária
by Frederico Pessoa
Uma escuta aberta e receptiva às múltiplas sonoridades do mundo. Paisagem Imaginária traz semanalmente pequenos recortes de nosso entorno: composições e registros sonoros, reflexões e textos poéticos, diferentes seres e lugares, múltiplas vozes, línguas e linguagens. Frederico Pessoa nos convida a uma imersão nas vibrações que ressoam em nossos corpos: uma escuta profunda do mundo.
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O som, colhido do espaço que nos circunda por nossa pele e ossos, assim como pelos nossos ouvidos, está inextricavelmente ligado à nossa percepção e à nossa experiência. [...] O som do mar, do vento e da chuva nunca deixa de renovar nosso assombro pela natureza. [...] A ausência do som é silêncio, o desconhecido: vozes inaudíveis sempre foram uma metáfora para a visão do místico e para a revelação de um mundo invisível além de nossa compreensão.(Suzanne Delehanty)
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O medo provocado unicamente pelos sons, ou pela impossibilidade de se discernir se um ataque é real ou sônico, é um medo virtualizado. A ameaça se desprende da necessidade de sua confirmação. E ainda assim, o medo induzido pelos sons não é menos real. O terror de um futuro indesejado, mas possível, é despertado. Talvez, de forma ainda mais profunda devido à sua presença espectral.(Steve Goodman)
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Oh Vini ela disse e não havia Vini mas havia um ruído simples só um ruído e com um ruído havia olhos e com os olhos havia um rabo e depois a Rosa pensou que importa se eu estiver morta disse a Rosa mas se eu estiver mesmo minha roupa ficará torta, as amoras são sonoras, as groselhas ficam velhas o morango é rubro e você eu descubro disse Rosa para a Rosa e tudo era prosa.(Gertrude Stein)
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A duração de um som é sua característica mais fundamental. Sons que se repetem, que são contínuos ou que têm duração prolongada, desafiam a mortalidade acústica natural de tornarem-se silêncio.(Bill Fontana)
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A liberdade de se deixar ser envolvido, submergir em um contínuo fluxo sonoro onde a acuidade da percepção é acentuada pela descoberta de uma pulsação sutil, ali, no fundo, vibrações, respiração. [...] A imersão em um espaço que nada limita ou confina. Apenas ali, onde o começo absoluto se encontra. Oferecendo um novo ouvido para uma forma de escuta ingênua e primeva.Respiração, pulsação, ritmo, murmúrio … contínuo.(Éliane Radigue)
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Em vez de se mover de uma fonte para uma destinação, como uma carta ou um míssil, o som se difunde em todas as direções, como um gás. De forma diferente da luz, o som dobra esquinas. [...] se alastra e se derrama, como um aroma.(Steven Connor)
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[...] os pedestres atravessam, murmúrios quase inaudíveis, passos, vozes confusas. [...] Um certo rumor leve, às vezes um grito, um chamado. [...] Silêncio e vozerio se alternam, o tempo quebrado e também marcado, arrebatam quem escuta da janela.(Henri Lefebvre)
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Chilreios 100% sintéticos surgiram em meio à selva sonora urbana, empoleirando-se nas alturas para se fazerem ouvidos acima dos ruídos. Algo mudou em nossa apreensão do mundo moderno. Esse mundo agora fala de maneiras que apenas a natureza falava.(Michel Chion)
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Todos os dispositivos de reprodução sonora têm uma coisa em comum: liberam o som de sua fixação a um determinado tempo e lugar. (Cathy Van Eck)
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O corpo é o que preferimos. Tensionando ao acelerar, dançando a noite inteira. Mas é a voz que entra em nós. Mesmo Sem dizer nada. Mesmo sem dizer nadaRepetindo distraidamente a si mesma.(Tracy K. Smith)
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Ficamos ali em silêncio, escutando os sons que sobem da floresta lá embaixo. [...] Silêncio. Ele fecha os olhos e abre a boca, um longo rugido ecoa, ressoando mais e mais ao se propagar no espaço.(Nastassja Martin)
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Até mesmo dobrar os lençóis (algo tão trivial quanto isso), como apontou Virginia Woolf, pode botar tudo a perder, afugentar a escuta silenciosa da qual surge toda escritura. O ouvido se aguça na clausura.(María Negroni)
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Imagine ser feito da mesma substância que o mundo que o rodeia. Ser da mesma natureza que a música, uma série de vibrações do ar, como uma água-viva que não passa de um espessamento da água. [...] A vida enquanto imersão é a vida em que nossos olhos são ouvidos. [...] Um ouvido que é o som que escuta.(Emanuele Coccia)
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O som acolhe uma multiplicidade de associações e codificações efetivas e potenciais, reais e imaginárias, que se modificam continuamente em diferentes contextos e por diversos modos de transformação.(Douglas Kahn)
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Onde quer que estejamos, o ruído ocupa quase todo nosso campo auditivo. Quando o ignoramos, ele nos perturba. Quando o escutamos, percebemos o quanto é fascinante. (John Cage)
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Um transdutor é um dispositivo que converte uma forma de energia em outra. O mecanismo auditivo humano performa múltiplas transduções, convertendo energia acústica em energia mecânica e, depois, em energia elétrica, antes que o som possa ser decifrado pelo cérebro. (James P. Cowan)
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Silêncio, no fim, é uma palavra que reservamos para aquilo que não podemos perceber, o inaudível. (John Biguenet)
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A escuta começa pelo cotidiano, pela proximidade que penetra sutilmente o inaudito. Nesse processo, o esfacelamento gradual das crenças que precisam ser deixadas para trás, se dá.(Don Ihde)
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A humanidade habita um instável oceano de ar, continuamente agitado por perturbações denominadas ondas sonoras. (Frederick Vinton Hunt)
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O passado nos chega das maneiras mais espontâneas, imediatas e sensoriais não por meio do artifício da fotografia de viagem, mas por meio dos sons parcialmente lembrados. Esses sons quase esquecidos, abrigam em sua essência a textura e a delicadeza da própria memória. (Fran Tonkiss)No quarto programa: M. Atallah, D. B. Mitre, P. Bizzotto e A. Krenak
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Michel Serres nos diz: "ouvimos através de nossa pele e pés. Ouvimos através de nosso crânio, abdômen e tórax. Ouvimos através dos músculos, nervos e tendões. Nosso corpo-caixa, estirado ao máximo, é recoberto da cabeça aos pés por um tímpano.” No terceiro programa ressoamos: Ana Maria Romano Gomez; Adina Izarra, Emilia Badala e Leiner Hoki.
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O que é então estar [être] à escuta? [...] O que é existir segundo a escuta, por ela e para ela, o que aí se coloca em jogo em termos de experiência e de verdade? O que aí se joga, o que aí ressoa, qual é o tom da escuta, ou seu timbre? A escuta seria ela-mesma sonora?” (Jean-Luc Nancy).No segundo programa, nos colocamos à escuta para receber Angelica Negrón, Alma Laprida, Flora Holderbaum, Flávia Péret e Anne Carson.Peças sonoras: Me he perdido, de Angelica Negrón; Reuniones familiares (excerto), de Alma Laprida; O pássaro, a máquina e a voz, de Flora Holderbaum.Textos: Estudos para um acidente, de Flávia Péret; Fala curta sobre Ovídio, de Anne Carson.Voz: Flávia Péret
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Uma escuta profunda implica, para a compositora Pauline Oliveros, "escutar de todas as maneiras possíveis, tudo o que for possível ouvir, não importa o que estiver fazendo. Essa escuta intensa inclui os sons da vida cotidiana, da natureza, ou os seus próprios pensamentos, assim como os sons musicais. A escuta profunda representa um estado acentuado de consciência e conexão com tudo o que existe." No primeiro episódio, nos conectamos a Diana Maria Restrepo, Bernard Parmegiani, Antônio Bispo dos Santos e Hildegard Westerkamp.Não perca!!!
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Uma escuta aberta e receptiva às múltiplas sonoridades do mundo. Paisagem Imaginária traz semanalmente pequenos recortes de nosso entorno: composições e registros sonoros, reflexões e textos poéticos, diferentes seres e lugares, múltiplas vozes, línguas e linguagens. Frederico Pessoa nos convida a uma imersão nas vibrações que ressoam em nossos corpos: uma escuta profunda do mundo.
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