Selva de letrinhas

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Selva de letrinhas

Felipe Simão, conhecido por ser polêmico, pelo seu senso de humor ácido e cretino, por não ter papas na língua e sair proferindo impropérios a quem quiser ouvir, e até mesmo para quem não quiser; resolveu se desafiar e escreveu um livro infantil de poesias, totalmente livre de palavrões, de obscenidades ou de bizarrices, mostrando que no seu coração de poeta maldito também há espaço para doçura. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  1. 23

    23 - O menino

    Como eu, um homem tão defeituoso,consigo escrever linhas tão lindas,às vezes eu queriaque a vida fosse como um papel em branco,sem todas as cicatrizes,as rugas,os amassados,as marcas que me monstrificam,assim seria leve como uma pluma,como as pétalas duma flor,arrancadas uma a umanuma brincadeira de bem-me-quer,flutuando no ar,poderia voltar a ser criançae ser o que eu quiser;saudoso tempoem que eu era o dono do mundo,era eu que tingia seus contornos,tudo tinha o significado que a minha mente quisesse dar,eu construíacarros e caminhões,helicópteros e aviões,criava máquinas,que até hoje o homem desconhece,com madeira e papelões As portas foram se fechando para aquele menino,a batida mais secafoi na entrada da felicidade,ela se fechou antes mesmo que ele pudesse tocar a maçaneta,tamanha maldade,antes que outra passagem se abrisseo chão desapareceue o garoto caiu num buraco negro,foi lançado em águas nebulosase viu espicharem seus braços e pernas,nadando num mar de perversidade Talvez o menino ainda esteja vivo,feito sua morada num coração de pedras,onde o xisto não deixa brotar nem uma tiririca,mas ele transforma as rochas em sonhos,o músculo venoso palpita pondo pedregulhos para voar;o toque desse menino tem poderesque dispensam a gravidadee todas as coerções da realidade,o infante caminha por infinitas escadarias,vagaroso,observador,contempla borboletas e paisagensque só os seus olhos são capazes de ver;saem saltitantes de sua boca,as letras que ele inventa,que nunca deixou de criar,os seus universos erguidospara se abstrair do próprio olhar,que ressoam muito além dos ouvidose do que podem as conchas marítimas captar,a doçura dos odores e das delíciasque não passam pelas narinase tampouco se entregam ao paladar;inúmeros são os seus truques,seus segredos de encantar,o garoto dispensa as mãose não pára de desenhar,sua voz é luminosae ele nunca esqueceu de cantarolar O monstro anda penoso,carrega os dias nas costasaté o encontro de seu fim,quando se apagarão todas as mazelasno efeito da luz brancaque me cegará,chegado o momento em que me partocomo todos, um dia eu irei,mas o menino ficará Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  2. 22

    22 - A poesia me pegou pelo pé

    Nunca pensei em ser poeta,a poesia me pegou pelo pé,abriu-se em mim uma fonte de palavrasque jorram ao longe como as águas dum igarapé A poesia me pegou pelo pé,com uma brincadeira de rimas,por deboche,eu que desprezava suas obras-primas,virei seu fantochee hoje por suas linhas me abro,descrevo meu lado puroe o macabro,saem pulsando pela ponta do lápissentimentos,sensações,emoções que nem eu entendo;só saio escrevendo,deixo versos por aí,como se fossem migalhas de pão,como fizeram Maria e João,são caminhos que não sei refazer Nem surreal,como o filho do diabonem engravatado,como um homem normalsou um artista,não aquele que penso,mas aquele que sinto,aquele que tanto neguei,que hoje me carrega pelas trilhas que não tracei,estradas que me fizeram sair do meu próprio labirinto A poesia me pegou pelo pé,a comédia me pegou pelo pé,o teatro me pegou pelo pé,a música me pegou pelo pé,eu nunca escolhi nenhum deles,já estavam dentro de mim,esperando a hora de sair,me pegaram pée eu agora não tenho mais péspara fincar no chão Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  3. 21

    21 - Desenhista

    Se a minha casa estivesse pegando fogo,e por desafogoeu só pudesse salvar um objeto,levaria comigo uma caneta,qualquer que fosse,só para me lembrar,que não importa o que aconteça,o evento mais terrível, o mais abjetonão pode me impedir de escrever,me fazer parar,eu sou um desenhista,os meus rabiscos são palavrasque traçam sonhos,pois não dá para viverdeixando de sonhar Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  4. 20

    20 - Corpo de céu

    Se eu fosse feito de céu,todo azul, esqueceria as mágoas do mundo,navegaria fundona cor dos teus olhos,pelo ar flutuaria,me desprendendo de qualquer raize pela primeira vez eu seria,eu seria felizcréditos pela música de fundo:FairyTale Waltz de Kevin MacLeod fait l'objet d'une licence Creative Commons Attribution 4.0. ⁠https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/⁠Source : ⁠http://incompetech.com/music/royalty-free/index.html?isrc=USUAN1100232⁠Artiste : ⁠http://incompetech.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  5. 19

    19 - Uma estorieta

    Agora vou contar uma estorietaEra uma vez o Seu Salazarque foi pai de Dona Marieta,que tinha uma grande... bolsa-de-tricotar,cujo tamanho ninguém ousa duvidaro mundo inteiro cabia lá dentro,ela levava todo tipo de tempero, sal, pimenta, coentro…Dona Marietaera perneta,mas ia a todas as quintadas,abrindo as suas bandas Dona Marieta era irmã de Dona Maricota,que era casada com o padeiro, Seu Gamalho,que passava... a ricotano seu pão-de-alho Dona Maricota era comadre de Dona Marica,que gostava de chupar... laranja com sica,e todo dia tocava... cavaquinhopara o seu marido, Seu Candinho Dona Marica era prima de Dona Marreca,que saía por aí mostrando pra todo mundo a sua... boneca,toda feita de porcelana Dona Marreca era madrinha de Dona Mariana,que tinha a mania de arreganhar... a casca da bananaDona Mariana montou um carrinho de pipocae ficou amiga de Dona Maroca,que vendia paçocae adorava uma bela... pirotecniaTodo fim de ano ela ia,e arrastava Dona Mariana,para ver os fogos de Copacabana Elas ficavam na casa de Dona Manola,que sempre chorava,quando descascava...uma cebola Dona Manola era vizinha de Dona Manuca,que toda sexta-feira fazia... faxinano salão de sinucaque ficava na esquinada rua Guilhermina Dona Marieta,de tanto dar... pirueta,acabou batendo na muretae caiu de bunda na sarjeta Dona Maricota,depois que ficou viúva se sentiu muito mal,casou-se de novo com o salineiro, Seu JuvenalE passou a colocar na... ricotao seu sal Dona Marica,coitada,levou uma picada...do mosquito com Zikae foi parar no hospital de Curicica Dona Marrecafoi alargar... a sua beca,porque comeu demaisna casa de Seu Tomás,no caminho escorregou em gosma de pererecabateu a cabeça e entrou numa sonecada qual não acordou nunca mais Dona Mariana,decidiu vender... a sua cabanae se mudou para a República Dominicana Dona Maroca,com medo duma enorme... galinha-chocafugiu para a Guiné-Bissaue lá começou a tocar... o berimbau Dona Manola,um dia,levou... uma evidência à delegacia;numa conversa tolase apaixonou pelo Delegado Padilhae com ele teve uma filha,a Dona Majuque abriu... uma barraca de vudu, Dona Manuca,levou uma tacada na nucae ficou pra sempre maluca Eu confessotambém ser um pouco zuretade vocês me despeçopois assim acaba a minha estorieta Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  6. 18

    18 - Macuriri

    Macuriri nasceu condenado à esperança,nasceu para ser eternamente criança,já nasceu com preguiça,ele rejeita lingüiça,e como petiscosó come marisco Macuriri tem o peito brancoque é a cor da paz,Macuriri tem a força do índio goytacaz,tem os olhos castanhos como a castanha de cajuos lábios tamanhos, cor de jambu,Macuriri adora comer doce com frufru Macuriri é saltimbanco,é muito sagaz,Macuriri tem o cabelo azulque é a cor do manto do povo de Cabul,Macuriri é malandro,não tem o sangue-azul Macuriri tem a pele verdeque é a cor da verdade,e é a causa da sua distinçãoMacuriri foi moldado pela sinceridadee não pode dizer “não”,Macuriri é travesso,mas não faz por maldade,é a sua confissãoMacuriri é avesso à vaidade,e à boa razão Macuriri nunca teve liberdade,cresceu numa prisãoMacuriri não tem saudade,pois só viveu na solidão,Macuriri fugiu da sua cidade,abandonou o Sertão Ele vem duma terra distante,dominada por um jacaré gigante,chamado Ururau,que caçava criancinhas para fazer mingau,e gostava de chupar... creme de bacalhau Macuriri foi corajoso o bastante,para enfrentar o Ururau,prendeu o jacaré numa armadilhae fincou no seu coração uma forquilha,Macuriri saiu erranteandando por qualquer cantoe ele pode estar por aí,preste bem atenção para ouvir o seu canto,o canto de Macuriri Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  7. 17

    17 - Seu Lulu

    O Seu Lulué fanhoPara falar a verdade, ele é um pouco estranho,gosta de tomar... vitamina de chuchu,é vegetariano e somo come... popa de caju,só que todo ano ele leva perupara o Natal, na casa de Seu PenedoNa festa junina, é o único a subir no pau-de-sebo,todo mundo desisteO povo insiste,mas Seu Lulu nunca revela o seu segredo Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  8. 16

    16 - Madorra

    Era uma vez uma cachorra,que tinha o nome de Madorrae engolia muita... saliva,porque era muito ativa,sempre se mexiapara todo canto corria,a todo instanteficando ofegantee babando bastante Madorraera muito agitada,não suportava o marasmo;fazia questão de ter uma dose... de sarcasmoe ficou conhecida por ser muito malcriada Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  9. 15

    15 - Saudade de Maria

    Que saudade de Maria,aquela que era afilhada da nossa tiaque era boa... de matemática,que era muito... simpáticae todo mundo chamava de VandinhaNão me pergunte por quêNão vou saber responder Que saudade de Maria,que era nossa vizinha,que era muito astuta,aquela que todo mundo diziaque foi ganhar a vida vendendo fruta,que todo dia,seguia a sua labuta,para rua ela iarodar... com a sua barraquinha Que saudade de Maria,que foi parida na gruta,que era filha de... Dona Guta Que saudade de Maria,que sempre se apaixonava,que de verdade amava,e por isso nunca conseguiu ser bruta Ô saudade,saudade de Maria,falo na maior sinceridadesinto falta de ter Maria todo dia Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  10. 14

    14 - Cadê o menino?

    Cadê aquele menino,filho de Dr. SabinoAquele que gostava de jogar baralho?Que sempre que iaà casa de Dona Luziabrincava com Seu Carvalho? Aquele menino,franzino,que subia no galho,que um dia escorregou... no orvalho e teve que encher a roupa de retalho Aquele menino,que o padre pedia para tocar... o sino;um com cara de paspalho,que namorava aquela menina que só chupava... a cabeça do alho - Ah, sei, aquele menino,um pirralho metido a granfino,que enfiava na... vitrola o disco do Zé Ramalho?Faz tempo demais,Mas, se não me engano, esse rapazagora está morando na casa de João Cabralho Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  11. 13

    13 - Pepeu Papeca

    Pepeu Papeca era um bom menino,sabia se comportar,Pepeu papava tudinho,não deixava nada no prato sobrar,Pepeu papava tudinho,no café, no almoço e no jantar,não deixava cair a peteca,não deixava a comida estragar Mas Pepeu Papecagostava mesmo era de papar... cheiro-verde,Pepeu papava tudinho,não deixava nem o prato esfriar, Nada saciava a sua sede,até que um dia Pepeu Papecaconheceu uma garota sapecae nunca mais quis saber de cheiro-verde,seu nome era Pâmela Papeco,era menina, mas também brincava de boneco Pepeu cresceu e virou príncipe,e Pâmela se tornou a sua princesa,os dois formavam um casal de muita lindeza Pepeu virou cavaleiro da tempreela subiu na garupa do seu cavaloe os dois foram viver felizes para sempre Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  12. 12

    12 - Parlenda do rejeitado

    Eu queria ser prefeitoduma cidade sem confimEu queria fazer tudo do meu jeito,e escrever a história até o fim Eu queria que não apontassem os meus defeitos,que não tivesse de guardar todo amor só para mim,que ignorassem meus trejeitos,e entendessem o meu latim Eu queria ser mais afeito,mais amado enfim,queria ser eleitodono de mim Eu queria ter mais coragem no peito,ir até o fim,queria ter mais respeitoser um rei, um delfim Eu queria lutar pelo meu direito,ser um guerreiro ou um anjo serafim,queria vencer o preconceitoe que os outros confiassem em mim Eu queria ser perfeito,porque errar tem um gosto ruim,eu queria ser aceito,porque é muito triste viver assim Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  13. 11

    11 - Poesia perdida

    Uma página mal passada,deslida,do caderno não foi transcrita,poesia recém-nascida,pobrezinha, ficou para trás, foi esquecida,largada como um bebê numa caixa de sapato;era tão bonitae nunca teve um leitor de fato,quão cruéis podem ser dois dedos ao esfregar umas folhas de papel!Deixaram uma obra-prima ao léu,uma trova com sabor de arco-írise outras doçuras do céu,uma poesia que não se casou,nunca fez uma viagem de lua-de-mel,sequer noivou,nunca vestiu o véu,ficou para as traças,uma solteirona cerrada num pedaço de papel Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  14. 10

    10 - Magnitude

    Olho para a copa das árvores e vejo o sol escapando pelos galhosolho para a roxidão da noite e vejo as estrelas salpicando no céuem tudo há uma beleza contida,que escondida foge aos nossos olhos apressados,desatentos ao que realmente importa,mas quando paro e começo a caminhar sem pressa,o universo parece que por mim se interessae cheio de atitudecomeça a me mostrar a sua magnitude,a sua grandeza O mundo tem tantas texturas,tantas cores,que é impossível aos meus olhos captar todase talvez essa seja a sua grande beleza Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  15. 9

    9 - O gato que não usava botas

    Um dia,de repente,o gato deu vida a fantasiade agir como gente,começou a ficar de pé nas patas traseiras,a gesticular com as dianteiras,empinou-se num andar galante,empossou-se dum gestual elegante;aprendeu a se sentar na mesa,a comer com garfo e faca na maior destreza,a usar o toalete,a limpar com guardanapo sua boca suja de croquete,desimpressionou-se da luz a laser,dos ratinhos de borrachae até de sua bola,passou a detestar o apelido de “Frajola”em caçar não via mais beleza,nunca mais comeu ração,só queria saber de comida francesa;aprendeu até mesmo a jogar xadrez e dominócomeçou a trajar paletó,às vezes colete,gravata comprida,às vezes borboleta,monóculo,cartolabengala,o felino, incrivelmente, aprendeu a falar,e fazia salapara as visitas,que figura atraente,com sua fala mansa e envolventeera agradável demais,bastante cortêse muito sagazsabia contar piadas como ninguém,dominava a arte do flerte cordiale tinha sacadas geniais,tratava os humanos na maior camaradagem,só numa coisa permanecia selvagem,dispensava cinto, suspensórios, todo tipo de alçaso bichano se recusava a usar calças,detestava também usar calçados,deixava todos avisados,não era coisa para gato,a moda de usar sapato,tamanha cafonia,ele até escreveu uma sinfoniacom um complicado arranjo de notasdeixou expostoo seu repúdio ao mau gostodo Gato de Botas Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  16. 8

    8 - Bicho do Azar

    Tenho muitas coisas a fazer,mas hoje é dia de azar,é melhor esquecer,é melhor ficar quieto,não é bom sair de casa em dias de azar,a má sorte vira uma bola de neve que não para de rolar;não adianta insistir em fazer as coisas darem certo,quando certo mesmo é o nosso azar Tem hora que o Bicho-do-azar gruda no nosso pénão solta de jeito nenhum, não arreda pé,maldito bicho do azar,quando ele agarra não quer mais largar Mas de repente, uma hora,o bicho do azar se catapulta feito catapora,do nada some, vai embora;é bicho de fase, é de luaquando dá o tempo, finalmenteele larga a genteganha a ruao que a gente não pode é acharque o Bicho-do-azarestá sempre no nosso lar  Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  17. 7

    7 - Colheita

    Fui à Lagoa,perambular à toa,e como semprecolhi umas estrofes A natural beleza sempre inspiraas palavras pairam pelo ar daquele céu de poesiasse pode tocar letra por letracomo frutas num pomar;uma por uma se retira,vencendo doces dilemas,e assim nascem, de um em um, os poemas Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  18. 6

    6 - O gato

    O gato hipnotiza com seus movimentos,com seu jeito de brincar,o gato amolece o coração,com seu ronronado,sua doçura de miar O gato é o que não deixa esse apartamento ser vazio,ele caça ratos,caça insetos,caça também a depressão,despedaça o mal-estar,deita do meu lado no colchãoe faz dessas paredes um lar Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  19. 5

    5 - Amores e amoras

    Por que choras?Por que choras,Marilena,se a vida é feita de amores e amorase doces rimas de poemas? Por que vais para longe?Por que queres morar na casa do Conde,Mariana,se a vida dura muito mais que uma semana? Por onde se esconde?Por que te escondes,Giuliana,se é tão bonito o horizonte,se amores tens aos montese a rima para o fim da vida está longe de se achar? Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  20. 4

    4 - Amanda

    Ó mulher, que não me conhece,que nunca me viu e já me esqueceA tua vozdesata todos os meus nós,desata meu coraçãonos acordes da canção,a tua voz, doce voz,ela me faz pensar o que seria de nós,um amor platônico,um amor icônico,uma cantora famosa,e um poeta desconhecidouma bela rosae um capim enxerido,a dizer “bom-dia”,inesquecível manhã seria,mas não és mais que uma mera ilusãoe eu só posso te amar no meu coração Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  21. 3

    3 - No Reino da Espanha

    O gato se assanhae arranhao sapato da rainha da Espanha O rato com façanhao queijo apanhae no buraco se entranha O pato com fome tamanhabica a lasanhae com o cozinheiro se estranha A aranha se assanhacheia de manha,pica o rei da Espanha O príncipe se assanhae faz campanhapara assumir o Reino da Espanha O rato com fome tamanhalarga de manhae come a aranha O gato com façanhao rato apanhae começa a preparar a sua lasanha O pato com o gato se estranha,um bica, o outro lanha,mas no final o pato ganhaO gato solta o rato,o rato cospe a aranha,a aranha o piso arranhaquando é esmagada pelo sapato da rainha da Espanha o rato é preso pelo meganha,pois com cara de pau tamanhatentou furtar a coroa da Espanha O gato com suas botas lustradas de banha,do príncipe a coroa apanhae salva o Reino da Espanha O pato com medo da sanhado cozinheiro que queria a sua entranhafugiu para o Reino da Alemanha Nem mentira, nem fato,essa estória é o retratoda artimanhaque aconteceu no Reino da Espanha Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  22. 2

    2 - Menino endiabrado

    Quando eu era pequeno diziam:“Esse menino é o diabo”,a verdade é que eu só fazia muitas perguntase de respondê-las os adultos se eximiama verdade é que o diabo está no ombro esquerdo de cada um de nós,é um papagaio que repete suas ideias maldosas,mas no ombro direito fica um anjinho que lhe serve de algozpondera com palavras caridosasé linda sua vozcomo canto de um canário,posto o cenário,a que mimos consentir?Nenhum deles estabelece uma ordem a se cumprir,somos nós que decidimos a quem ouvir Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

  23. 1

    1 - Selva de letrinhas

    Bem vindos à Selva de letrinhas,onde as vírgulas feito ervas daninhas,um livro de poesias encantadaspara crianças comportadase adultos malcriados Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

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Felipe Simão, conhecido por ser polêmico, pelo seu senso de humor ácido e cretino, por não ter papas na língua e sair proferindo impropérios a quem quiser ouvir, e até mesmo para quem não quiser; resolveu se desafiar e escreveu um livro infantil de poesias, totalmente livre de palavrões, de obscenidades ou de bizarrices, mostrando que no seu coração de poeta maldito também há espaço para doçura. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

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