PODCAST · technology
Tecnocracia
by Guilherme Felitti
O Tecnocracia é uma coluna mensal que debate as consequências de se viver sob a influência das tecnologia.
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A crise climática passa pelas fontes de energia de que a humanidade depende
Este episódio é uma continuação do Tecnocracia #78 (“Não há assunto mais urgente que a mudança climática”), da mesma maneira que os episódios do House se sucedem: você pode ouvi-los de forma independente, mas é provável que aproveite melhor este se já tiver ouvido o anterior. Dá para dar risada do doutor Gregory House sem saber nada da história principal, mas você entende melhor algumas cenas que não envolvam o deus ex-machina da resolução de casos médicos extraordinários. (mais…)
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84
A infernal vida em que todos precisam ser “influencers”
Não é sempre, mas uma gota sozinha pode transbordar um balde. Abre aspas para a BBC Brasil: Corre em livros de História a seguinte anedota sobre o então imperador Dom Pedro II: ao chegar ao baile que veio a ser o último do seu reinado e da monarquia, no dia 9 de novembro de 1889, tropeçou ao entrar no salão. Ao se reerguer, disse, brincando: “A monarquia tropeça, mas não cai.” Se verdadeira, a piada carregava uma ironia que Dom Pedro II só conheceria mais tarde. A festa derrubou, de fato, a monarquia seis dias depois, em 15 de novembro de 1889. (mais…)
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83
Memento: O começo do setor de apps de transporte no Brasil
No Brasil o registro que funciona de verdade é o da torneira — e olha lá, que borrachinhas velhas desperdiçam litros e litros de água diariamente. Piadinha infame à parte, falemos sério: o Brasil não registra sua história direito e, quando registra, não cuida. (mais…)
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82
O SUV é o retrato da imbecilidade que virou o trânsito
Há uma longa lista de tecnologias e produtos criados para guerra e adaptados para a vida em tempos de paz. Trata-se de um processo justificado: guerras são momentos de comoção popular em que há esforços — tanto financeiros como de mão de obra — concentrados em um único objetivo. Além de 75 milhões de mortos, nações destruídas, uma nova ordem geopolítica, um genocídio baseado em religião e um líder nazista cuja popularidade tem renascido pelas redes sociais, a II Guerra Mundial nos deu a computação. Na Inglaterra, a equipe liderada por Alan Turing criou uma máquina chamada de “Bletchley bombe” para quebrar as comunicações codificadas pelo sistema Enigma dos nazistas. Do outro lado do Atlântico, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia criaram o ENIAC, considerado o primeiro computador eletrônico da história. Quarenta anos depois, o mercado da computação pessoal explodiu. (mais…)
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81
O que foi a Oi
O budismo nos ensina que uma das maiores fontes de frustração do ser humano são expectativas não cumpridas. Na teoria a gente sabe, mas, rapaz… como é difícil não nutrir expectativas. (mais…)
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80
Nubank: a rara ascensão de um mamute no rígido cenário bancário do Brasil
Vamos começar o segundo episódio da sexta temporada do Tecnocracia explorando duas ideias sem um elo aparente entre elas. A primeira saiu da cabeça de, facilmente, um dos dez seres humanos mais geniais da história. Em 1687, um polímata inglês de 45 anos lançou um livro chamado Princípios matemáticos da filosofia natural. O livro era composto de basicamente duas leis definidas pelo quarentão após décadas de observação e experimentação com matemática, astronomia e física. Você não apenas já ouviu falar delas, como o livro continua sendo fundamental em uma série de campos do pensamento humano: a lei do movimento e a lei da gravitação universal. Estamos falando de sir Isaac Newton. (mais…)
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79
Não há assunto mais urgente que a mudança climática
Então, eu quero começar a sexta temporada do Tecnocracia falando sobre tempo. Sobre duas acepções de tempo. A primeira delas: o tempo como a sucessão irreversível de eventos que transforma o presente em passado e o futuro em presente. O tempo como os segundos que avançam no seu relógio. O tempo acumulado que resulta em cabelos brancos, dobras caídas e memória falha. O tempo nos dá distanciamento do que já vivemos, do que estamos vivendo agora. E este olhar à distância nos permite entender melhor o que passou. Dar um roteiro, conectar pontos. Essa interpretação acontece em camadas — quanto mais tempo te separa do evento, maior o contexto, mais profundo consegue ser o entendimento. Tal qual o jornalismo é o primeiro esboço da história, o recesso de fim de ano é também a primeira tentativa de olhar para trás e tentar entender que porra foi aquele ano dentro da sua história. (mais…)
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78
Além do hype: IA gerativa é revolucionária e perigosa
Esse episódio começa com duas histórias separadas por quase 3 mil anos que se uniram por uma tecnologia. As duas histórias aconteceram em ambientes de que você já ouviu falar e, provavelmente, frequentou. Atualização (18/12): Ao contrário do que foi publicado originalmente, o vulcão que atingiu Herculano e Pompeia foi o Vesúvio, não o Etna. (Como disse o Guilherme, esta errata prova que nem ele, nem eu, ficamos pensando no Império Romano. A primeira é em Pompéia — não o bairro classe média cheio de ladeiras em São Paulo, mas a cidade no sul da Itália. Para falar a bem da verdade, não é exatamente Pompéia, mas uma cidadezinha do seu lado, uma espécie de São Caetano de Pompéia: Herculano. Em 790 a.C., uma erupção do vulcão Vesúvio produziu energia térmica 100 mil vezes maior que a da bomba de Hiroshima ou Nagasaki. A explosão do vulcão produziu uma coluna de gases e pedra liquefeita com 33 quilômetros de altura. Calcula-se que, a cada segundo da erupção, o vulcão despejava 1,5 milhão de toneladas de gases e lava 1. Como você bem sabe, a erupção foi forte o suficiente para enterrar debaixo de 20 metros de fuligem não apenas Pompéia, mas também Herculano. (mais…)
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77
O papel da big tech nas eleições brasileiras de 2022, parte 3
Este é o terceiro episódio de uma trilogia. Ao contrário de algumas das principais trilogias do cinema, é muito provável que você entenda tudo que eu vou descrever aqui, mas, tal qual em House, embora os episódios funcionem de forma independente, eles se complementam quando unidos. Ao contrário de House, aqui não tem o médico manco tendo uma epifania e criando um “deus ex-machina” lá pelo 36º minuto do episódio para que ele termine com a resolução do problema. Nas eleições brasileiras, tudo que poderia ter acontecido, aconteceu. Ou quase tudo — e não graças à big tech, mas a gente já chega lá. (mais…)
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76
O papel da big tech nas eleições brasileiras de 2022, parte 2
Este episódio é uma continuação do episódio anterior e o prelúdio para o próximo episódio. (mais…)
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75
O papel da big tech nas eleições brasileiras de 2022, parte 1
Perto das 19h30 do dia 1º de dezembro de 2022, o coronel Jean Lawand Junior, subchefe do Estado-Maior do Exército, abriu o WhatsApp e gravou uma mensagem de áudio para um colega do Exército. Nela, não existe espaço para subjetivo: Lawand clama para que “ele dê a ordem que o povo tá com ele”. O “ele” na mensagem se referia ao ainda Presidente da República, Jair Bolsonaro, a um mês de sair do Palácio após ser derrotado nas urnas cinco semanas antes pelo agora presidente Lula. O destinatário da mensagem de Lawand era o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Cid era uma espécie de braço direito, faz-tudo do ex-presidente — onde estava Bolsonaro, estava Cid a tiracolo carregando pasta, celulares e afins. (mais…)
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74
A sangria da tecnologia é consequência de um “novo normal” que nunca chegou
Queremos conhecer quem ouve o Tecnocracia. Se puder, tire dois minutinhos para responder a primeira pesquisa demográfica do podcast. Ajuda bastante e não custa nada. Em janeiro de 1953, estreou no Théâtre de Babylone, em Paris, a nova peça de um dramaturgo irlandês chamado Samuel Beckett. Na peça, dois mendigos passam dois atos conversando sobre a vida, interagindo com outros três personagens e esperando um sujeito que só conhecemos pelo nome. Dado que em janeiro de 2023 completaram-se 70 anos da estreia, não tem por que se preocupar com spoiler, não é mesmo? Então um leve spoiler para você: no fim, o tal Godot não aparece e os mendigos, Estragon e Vladimir, terminam a peça revoltados com a ausência, mas imóveis, incapazes de se movimentarem. Ambos, em outras palavras, se mantêm Esperando Godot, o que vem a ser o título da peça. Esperando Godot é um clássico do teatro moderno, reencenado centenas de vezes com diferentes abordagens e panos de fundo e dissecada atrás de significados políticos, psicológicos, filosóficos, sexuais… (mais…)
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73
Descanso não é luxo, é necessidade
E aí, descansou? Certeza? Todo fim de temporada do Tecnocracia eu sugiro em tom assertivo usar o recesso de fim de ano para parar e descansar a cabeça. Em 2022 o conselho foi ainda mais assertivo, dado o quão exaustivo foi o ano, tanto do excesso de trabalho como da pedreira emocional com as eleições de maior impacto desde a redemocratização. A democracia sobreviveu (todos suspiram de alívio) e o segundo semestre produziu material para décadas de dissertações e teses de política, ciência sociais e psiquiatria, mas terminamos o ano em frangalhos. Usamos, logo, o pouco tempo de recesso e as férias que foram se encavalando frente a tanta coisa urgente para parar tudo, sair da rotina, nadar no meio da tarde, passear quilômetros com o cachorro e usar outras partes da cabeça que não as que a rotina se acomoda. Depois de tanto tempo fazendo sempre tanto e adaptados a rotinas em que o excesso de atividade eliminou a contemplação, como reaprender a não fazer nada? Mergulhados numa cultura que incentiva de forma quase doentia a produtividade até mesmo nos nossos hobbies, como parar e usar o tempo de que dispomos com a cabeça vazia? Perceba que essa noção de produtividade é tão profunda que meu instinto foi usar o verbo “desperdiçar” tempo, trocado por “usar” ao notar a ironia. Essas não são perguntas retóricas e para explicar eu vou lançar mão de uma história pessoal. (mais…)
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72
O ano da implosão
Dois mil e vinte e dois não foi um ano bom para aquela sensação tecno-utópica que nos tomou nas últimas duas décadas. Quem defende a certeza quase religiosa de que tecnologia só serve para o bem teve que dar piruetas argumentativas dignas de Daiane dos Santos. Por outro lado, quem encara a questão com ceticismo — eu e toda a galera envolvida no Manual do Usuário — termina o ano com uma sensação de surpresa, de não esperar algumas implosões tão rápidas e definitivas como vistas em 2022. (mais…)
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71
LGPD, LAI e o blecaute de transparência do Governo Bolsonaro
Conta o mito que cerca de 750 antes de Cristo dois gêmeos foram abandonados pela mãe nas margens do rio Tibre, na Itália, após o pai mandar matá-los. Segue a lenda que aquele rio tinha um deus específico chamado Tiberino que salvou os gêmeos da morte e permitiu que, mais tarde, uma loba os encontrasse no meio do mato e os alimentassem. O leite da loba garantiu que Rômulo e Remo sobrevivessem até que um pastor os adotassem. (mais…)
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70
Se a internet revolucionou como consumimos sexo, por que estamos transando menos?
Em 1903, dois imigrantes que chegaram aos Estados Unidos fugindo do Império Russo deram à luz a um sujeito chamado Gregory Pincus. Ninguém sabia ainda, mas Pincus seria considerado, décadas mais tarde, um gênio. Depois de se formar em biologia na Universidade de Cornell e defender com sucesso seu mestrado e doutorado na Universidade de Harvard, Pincus encontrou a grande área da biologia que o interessava: a reprodução e o papel dos hormônios nela. (mais…)
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69
Como chegamos até aqui?
Nota do editor: Este é um Tecnocracia diferente, gravado ao vivo pelo Guilherme Felitti durante a Python Brasil, evento que rolou em Manaus (AM) no último sábado (22). O texto abaixo foi levemente adaptado para facilitar a leitura. Se preferir, veja no YouTube e acompanhe os slides. Quando me convidaram [a palestrar na Python Brasil], fiquei muito honrado e pensando por que que me chamaram. Não foi exatamente pela minha capacidade de programar em Python. Tem seis anos que programo — eu era jornalista e fiz uma mudança de carreira. Meu nível técnico é muito melhor do que era, mas tem algumas coisas do Python que ainda não consigo entender, como decoradores. Aquilo para mim um grande mistério. O ponto principal é eu não estou aqui para falar de questões técnicas, mas para “desanimar” vocês um pouco. Quero conversar sobre as consequências da tecnologia, porque falar das consequências da tecnologia é falar também do trabalho de vocês e como ele está impactando a sociedade. Começo dizendo que nenhuma tecnologia é isenta, nenhuma tecnologia age no vácuo. A partir do momento que ela sai da mente humana, ela sempre é adaptada e impacta outros seres humanos. De uma maneira um pouco menos etérea, isso significa que as tecnologias, quando são introduzidas na sociedade, têm consequências que quase ninguém é capaz de antever. (mais…)
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68
Como o TikTok acabou com o maior trunfo das redes sociais comerciais
Tecnologia cria hábitos e hábitos criam memórias. Um dos hábitos alimentados por tecnologia que a juventude brasileira de classe média na década de 1990 tinha era, na sexta à noite, ir até uma videolocadora. Na época, a mídia ainda era física e, consequentemente, limitada — hoje, a mídia é um apanhado de dados gravado num disco rígido (na sua máquina ou num servidor na nuvem), o que a torna ilimitada pela reprodutibilidade. Quando o videocassete se tornou barato no fim da década de 1970, explodiu o fenômeno do homevideo e os apocalípticos de ocasião juraram que o reprodutor doméstico mataria os cinemas. Na real, os cinemas ficaram bem e os estúdios encontraram uma nova forma de recuperar o investimento na produção dos filmes. Mas como comprar mídia física original era caro, surgiu um modelo do aluguel. As locadoras de vídeo dominaram a maneira como consumíamos multimídia — não apenas filmes, mas games também — na década de 1990. (mais…)
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67
O metaverso proposto pela Meta/Facebook já nasceu morto
Vamos começar o episódio com um exercício. Eu vou ler três declarações e você vai me dizer quem falou aquilo e quando. Vamos lá: “O tablet expande o poder da computação pessoal em empolgantes novas áreas. Combinar a simplicidade do papel com o poder do computador tornará as pessoas ainda mais produtivas. Ele torna o computador uma ferramenta ainda mais valiosa para executivos que gastam tempo em reuniões e longe de suas mesas.” “Eu imagino levá-lo a reuniões, mas também me deitar com ele à noite para ler meus e-mails e um livro. Quando meu marido me lembrar que um fim de semana especial está chegando, eu posso fazer as reservas [do hotel] online.” “O tablet representa a próxima grande evolução de design e funcionalidade do computador.” (mais…)
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66
Luta contra sindicatos expõe o lado retrógrado da Big Tech
Terminado o primeiro semestre, 2022 já trouxe algumas novidades técnicas bastante relevantes em tecnologia: o chip M2 solidificou a Apple como um player cada vez mais poderoso no setor de chips, o DeepMind decifrou a estrutura de quase todas as proteínas conhecidas e o telescópio espacial James Webb produziu as imagens mais detalhadas do Universo, enquanto o metaverso, tal qual um carro a álcool numa manhã gelada de julho na década de 1990, dá várias partidas em falso com a esperança de pegar no tranco. Como a gente já falou aqui, nos últimos anos os assuntos mais interessantes que acontecem no mercado de tecnologia não têm relação necessariamente com chips, códigos e placas de silício. São notícias que mostram como a tecnologia saiu do caderno de informática dos jornais1 para adentrar nas coberturas política e policial. É desse certame que, ao meu ver, vem um dos assuntos mais interessantes em tecnologia em 2022. Envolve um tipo de organização inventada não na última década e nem mesmo no último século. A Mesopotâmia e a Babilônia já experimentavam essa tecnologia 2 mil anos antes de Cristo. Após a Revolução Industrial, com o fim do vassalagem e a emergência de uma economia baseada na indústria, o movimento ganhou ainda mais força e os traços que observamos até hoje. Essa “tecnologia” não envolve necessariamente cálculos. É mais uma forma de mobilização e interação humana do que uma tecnologia naquele sentido clássico da acepção de tecnologia como uma ferramenta externa que lhe permite melhorar algo já possível ou executar algo impossível. (mais…)
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65
Em 2022, vontade política não significa necessariamente engajamento online
Corujas não são exatamente exemplos de força. Uma coruja pesa, em média, dois quilos, sendo que as penas que cobrem seu corpo correspondem a uma parte relevante do peso. Músculos? Quase nada. Como qualquer bicho que não as orcas, as corujas têm predadores naturais. Linces, cobras, águias e falcões adoram um galetinho de coruja nas refeições. O que faz a pobre coruja para se proteger? Existem algumas técnicas, mas a estratégia tradicional de defesa das corujas passa por projetar uma ilusão. Tome o exemplo do corujão-orelhudo, conhecido no Brasil também como jacurutu. Quando um predador ou uma ameaça se aproxima, a jacurutu adota uma postura específica — baixa a cabeça, encolhe o corpo e abre as asas para cima. Assim, a coruja tenta passar a impressão de que é muito maior do que efetivamente é. Caso o predador não se sinta ameaçado, a jacurutu emite sons agudos e, por fim, dá um salto para frente com a intenção de agredir a ameaça com as garras afiadas. As garras afiadas são o que lhe resta, já que, atrás da plumagem, não existe nada além de ar. (mais…)
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64
Tadao Takahashi, o sujeito que montou a internet no Brasil
A hierarquia corporativa tem alguns cargos de enorme projeção e outros nem tanto. O mais conhecido você certamente conhece: o CEO, Chief Executive Officer. As três letras representam a forma mais popular de denominar quem é responsável pode liderar a empresa: tomar as principais decisões e arcar com as consequências, sejam elas boas ou ruins. (mais…)
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63
O que é: A Zona Franca de Manaus
A Hevea brasiliensis é uma árvore nativa da bacia hidrográfica do Amazonas que vive décadas e atinge entre 20 e 30 metros de altura. A árvore cresce com facilidade em terrenos argilosos ou alagados, como é o caso das várzeas, e sua copa é composta de folhas trifolioladas. “É uma planta que possui os dois sexos, mas em flores separadas. As flores são pequenas e têm tonalidade amarelada ou bege”, segundo descrição do Museu Paraense Emílio Goeldi. Mas não estamos falando da Hevea brasiliensis pela copa ou pelos frutos, e sim pelo seu tronco. Com espessura que varia entre 30 e 60 centímetros, o tronco da Hevea brasiliensis verte um caldo branco e pegajoso quando você produz cortes diagonais pequenos. Os cortes atingem os vasos laticíferos, onde está armazenado o látex. Você não precisa ter pego goiaba no pé para entender que se trata da seringueira1. (mais…)
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62
Reação do Telegram alivia, mas não resolve desinformação eleitoral no Brasil
Todo ser vivo vive para reproduzir e não existe reprodução consentida que não envolva lubrificação1. O objetivo é sempre levar o gameta masculino ao encontro do gameta feminino. Quando a coisa fica quente, todo corpo animal tem métodos bastante eficientes de facilitar a reprodução. No homem, um dos principais são os chamados corpos cavernosos. Quando ele se excita, os corpos cavernosos se enchem de sangue, o que resulta na ereção. Nas mulheres, quem faz o papel de facilitar a penetração e, consequentemente, a fecundação são as glândulas de Bartholin, duas glândulas alveolares do tamanho de ervilhas localizadas na entrada da vagina. Quando a mulher se excita, as glândulas de Bartholin secretam muco que lubrifica a entrada e o corpo vaginal, como forma de facilitar a penetração. (mais…)
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61
Moderação: o que Big Tech pode fazer e o que é melhor nem fazer
O dicionário Houaiss define “moderação” como o afastamento de todo e qualquer excesso ou a virtude de permanecer na medida exata. Qual é a medida exata? Tradicionalmente quem define isso somos nós (você sabe quanto beber antes de passar daquela linha que tornará os próximos dias imprestáveis). Quando o auto-julgamento falha ou há discordâncias severas entre os pontos de vista, existem alguns acordos que todos nós assinamos metaforicamente para que possamos conviver com o mínimo de harmonia numa sociedade. São os chamados pactos civilizatórios. Isso existe desde que o ser humano se percebeu como tal, mas desde pelo menos o século XVIII a.C. passamos a estruturar e “colocar no papel” (ou no pergaminho) algumas regras mais importantes. (mais…)
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60
No Brasil, Big Tech quer ganhar dinheiro e fugir das responsabilidades
Toda empresa nasce. Nem toda cresce. A maioria morre. Segundo dados do IBGE, seis a cada dez empresas no Brasil fecham antes de completar cinco anos1. Algumas poucas crescem tanto que se perpetuam pela vida inteira do(a) fundador(a). Ainda menos dominam o mercado e viram um negócio que passa adiante por décadas ou, um grupo ainda mais diminuto, séculos. “Séculos, Guilherme? Não é exagero?” A Faber Castell, aquela dos lápis de cor, foi fundada em 1761. O Brasil e os Estados Unidos eram colônias e a Revolução Francesa ainda demoraria duas décadas para acontecer quando o marceneiro Kaspar Faber fundou a empresa cujos produtos você acha até hoje na papelaria. A empresa mais antiga em operação do mundo é uma construtora japonesa chamada Kongō Gumi, fundada em 578 em Osaka, a cidade mais ocidental do Japão2. Pare para pensar um pouco: ainda faltava quase um milênio para que o Brasil fosse colonizado. (mais…)
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59
A Big Tech está se lixando para a sociedade — e isso inclui a democracia
Este episódio começa com uma história pessoal: há alguns anos eu tive câncer. O tumor que eu descobri por acidente estava no meu testículo direito. Um dia, e não tem jeito bonito de contar isso, eu fui coçar meu saco e percebi que o testículo estava com uma textura lisa. Qualquer um que tenha ou já tenha tocado em um testículo (ou seja: todo mundo) sabe que testículos não são lisos, mas rugosos. Eu cometi o erro de buscar o sintoma no Google e no dia seguinte eu estava sentado na recepção do Pronto Socorro do Hospital do Câncer em São Paulo para fazer os exames de sangue, raios-x e ressonâncias magnéticas que revelariam uma semana depois que, sim, tudo indicava que era um câncer mesmo. O tratamento que eu fiz durou pouco mais de um mês e envolveu, basicamente, uma cirurgia para tirar o testículo. (mais…)
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58
Mentir custa caro e quem paga a conta somos todos nós
Durante séculos, a base da economia do Brasil colonial era o açúcar, parte de algo que você aprendeu no colégio: desde 1500, a economia brasileira é compreendida de ciclos. O do açúcar é o segundo, sucedendo o ciclo do pau-brasil. Em termos econômicos, produzir açúcar para exportar para a Europa era muito lucrativo. Em termos práticos, porém, o processo exigia um volume enorme de mão de obra. Quem fazia o trabalho duro eram os escravos africanos sequestrados dos seus povoados na África e trazidos para o Brasil durante mais de três séculos. Acomodados em galpões sujos, abafados e pestilentos, os escravos tinham uma vida brutal, com horas extenuantes de trabalho diário e nenhum direito. Sempre que citamos o assunto vale a pena relembrar: a escravidão é o principal pilar no qual a sociedade brasileira se apoiou e ecoa até hoje. Desde 1888, quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, lá se vão 133 anos. É um terço de todo o tempo em que a escravidão foi praticada no Brasil. A sociedade brasileira sofrerá ainda séculos das consequências dessa chaga. Segundo o IBGE, mais da metade dos brasileiros é de pessoas pardas ou pretas, segundo a terminologia do próprio instituto. (mais…)
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57
O impacto do “boom” de banda larga no Brasil profundo
No episódio do Tecnocracia sobre a quebra do sistema Telebrás, falei de como aquele leilão ofereceu uma rara porta para um mercado de difícil entrada. O que não expliquei a fundo é que o Ministério das Comunicações criou um mecanismo extra na quebra para estimular a competição nas áreas leiloadas. (Se só houvesse um vencedor por área, então trocava-se um monopólio federal por vários regionais.) Não tinha muito sentido, ainda que tenha sido isso que acabou acontecendo, como o episódio detalhou. (mais…)
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56
Como o bolsonarismo usou a tecnologia para prender nossos pais em uma realidade paralela
É uma história que todo mundo conhece, viveu ou está vivendo. Enfermeira e epidemiologista, Maria Cristina Willemann vinha alertando desde fevereiro de 2020 sobre os potenciais efeitos nocivos de um vírus detectado na China e como se proteger dele. Os alertas de Maria Cristina não estavam restritos a seus familiares, amigos e vizinhos. A epidemiologista deu algumas entrevistas tanto para a mídia local em Santa Catarina, onde vive, como para a nacional. Em agosto de 2020, por exemplo, lá estava Maria Cristina falando sobre a pandemia de Covid-19 para o Jornal Hoje, da TV Globo. (mais…)
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55
Em menos de um ano, o Pix já fez mais que as criptomoedas em uma década
Em 8 de dezembro de 2000, uma das maiores salas de reunião do hotel Hyatt Regency, perto do Aeroporto Internacional de São Francisco, estava reservada para uma reunião que exigiria bastante espaço. Lá, três das principais figuras do Vale do Silício seriam apresentadas à invenção que prometia ser o grande avanço tecnológico da década. John Doerr, sócio da Kleiner Perkins, um dos fundos de investimento em tecnologia mais influentes da história, já tinha chegado. Jeff Bezos, fundador da Amazon, chegou logo depois. Faltava um, que estava sempre atrasado: Steve Jobs só apareceu minutos depois das 8h30, quando a reunião deveria começar. A sala precisava ser grande porque o sujeito que convocou a reunião precisava fazer demonstrações fora do computador. Assim que chegou à sala com grandes pacotes embalados em caixas de papelão, Dean Kamen montou dois protótipos e deu para que Bezos e Doerr brincassem. Enquanto ambos testavam os protótipos, Jobs chegou. A tecnologia que todos estavam ali para dar seus pitacos prometia revolucionar a mobilidade urbana da mesma maneira como o PC ou o celular revolucionaram a computação pessoal. (mais…)
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54
O que foi a quebra do sistema Telebrás
Em outubro de 1861, um sujeito conseguiu criar uma máquina que registrava a voz humana, convertia ela em impulsos elétricos e a repassava a outro terminal por meio de um fio de cobre. No outro terminal, os impulsos eram reconvertidos em voz para chegar aos ouvidos de alguém fisicamente distante do locutor. Era um protótipo de uma tecnologia que hoje chamamos de telefone. Qual é o nome deste sujeito? Você, provavelmente, com uma ponta de orgulho, puxa da memória e crava o nome associado à invenção do telefone no seu cérebro. Mas é bem provável que você tenha errado. Esse sujeito era o cientista e inventor alemão Johann Philipp Reis. De novo. (mais…)
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53
Ao trocar transparência por lucro, Facebook coloca em risco toda a sociedade
Até o século XIX, baleias iluminavam ruas e aqueciam casas. Não as baleias em si — ver o maior animal do planeta trocando a lâmpada de um poste seria alucinógeno demais até para o Buñuel —, mas algo que elas carregam. Durante décadas, um dos produtos mais cobiçados provenientes da carcaça da baleia foi a sua gordura, da qual químicos eram capazes de extrair um óleo. Entre algumas utilidades, como produzir margarina, esse óleo também servia como combustível para os recém-inaugurados sistemas de iluminação pública nos Estados Unidos e na Europa. Mais que isso, o óleo de baleia foi usado como lubrificante para as máquinas da Revolução Industrial. A demanda pelo óleo fez a indústria baleeira crescer até atingir seu ápice em 1820. (mais…)
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52
TikTok inaugura nova era da internet em que os Estados Unidos não são protagonistas
Milhões de adolescentes dançam diariamente no TikTok. E milhares de adultos mais velhos têm se preocupado muito em não dançar. Você pode dar de ombros para o TikTok como se fosse uma onda passageira, bobeira de jovens sem importância para o mercado de tecnologia. “Ah, Guilherme, eu não sou mais jovem: tenho saudades do MSN, minhas ressacas duram três dias e eu já vacinei”. Ok, eu também, bonitinho e bonitinha — com exceção do MSN. Agora, deixe de ser um velho azedo que acha que as únicas coisas que prestam são aquelas da sua geração — esse é um dos piores caminhos para envelhecer. No Tecnocracia desta quinzena, eu vou apresentar argumentos para fazer você reconsiderar sua posição e não cair na armadilha de virar o vovô Simpson esbravejando para as nuvens. O TikTok já é um dos principais fenômenos não apenas de tecnologia, mas de cultura jovem no mundo. Esse sucesso todo não tem consequências apenas para quem tem entre 12 e 25 anos. O mercado de tecnologia B2C está passando por um momento inédito, em que não são empresas dos Estados Unidos que dão as cartas. São elas que estão correndo atrás de um fenômeno global gestado longe do Vale do Silício. (mais…)
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51
A discussão sobre voto impresso não é técnica, é ideológica
Em 1953, um jogador de futebol profissional estava assistindo a um torneio amador no interior do Rio de Janeiro quando ficou embasbacado pela habilidade de um sujeito de 19 anos. Ao chegar no clube que defendia, sugeriu que um olheiro desse um pulo na próxima rodada do torneio amador. Esse alguém foi, também ficou fascinado e levou o jovem para General Severiano, antigo estádio do Botafogo, no dia seguinte. (mais…)
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50
Aleksandar Mandic
Como eu faço o Tecnocracia? Tenho um arquivo no Google Docs onde elenco alguns assuntos que me chamam a atenção e eu acho que, em algum momento, poderíamos falar a respeito. De vez em quando, eu leio algo que acho que se encaixa em um dos assuntos, abro o arquivo, colo lá e sigo minha vida. Em outras vezes, ouço de alguém conhecido(a) uma história ou uma informação que se encaixa naquele mesmo assunto. E vou juntando links, frases, histórias e informações, como se fosse uma caixa de recortes. Quando está maduro o suficiente, eu separo tudo num novo arquivo e vou costurando as referências todas e encontrando algumas novas — a pesquisa só para quando eu gravo — até ter um roteiro que eu acho que fica de pé. O Ghedin edita1, eu gravo e vai ao ar. No começo do ano, eu tinha feito a anotação de um possível episódio sobre o Mandic. No começo da pandemia, ele documentou como ficou 41 dias internado com COVID-19. Foi bem grave, chegou a ficar em coma. Ali, bateu na trave. Depois da alta, o Mandic começou a publicar um post e outro de novo no hospital, fazendo exames. Até que surgiu a palavra quimioterapia. A ideia era tentar gravar uma conversa para fazer um episódio sobre a história dele — aqui no Tecnocracia você já percebeu o quanto eu insisto nessa coisa de guardar, ouvir, registrar. A gente não dá muito valor para memórias assim no Brasil, enquanto os EUA tem prateleiras inteiras nas livrarias contando essas histórias. Não deu tempo. (mais…)
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49
Nunca interagimos tanto, mas nunca fomos tão solitários. Por quê?
Em julho de 1845, um sujeito chamado Henry David Thoreau resolveu impor um auto-isolamento em uma cabana do tamanho de uma sala de estar no terreno de um amigo ao lado do Lago Walden, em Massachusetts. Àquela altura da vida, Thoreau, 28 anos, era um ilustre desconhecido. Seu primeiro livro, A week on the Concord and the Merrimack River, seria publicado quatro anos depois para uma recepção inexistente. Conta o jornal New York Times: “Ele vendeu uma mera fração da sua tiragem de mil cópias. Quando a editora lhe entregou o encalhe da tiragem, Thoreau empilhou-os em seu quarto e escreveu no seu diário: ‘Agora eu tenho uma biblioteca de quase 900 volumes, sendo que mais de 700 fui eu que escrevi’”. (mais…)
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48
O Mercado Livre se veste de Amazon para combater a própria Amazon
Há uma piada corriqueira sobre as relações próximas e perigosas entre grandes empresários e políticos no Brasil, contada pela primeira vez pelo engenheiro Henrique Guedes no livro Histórias de empreiteiros. Conta a história: durante a ditadura, houve um evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual de São Paulo, para empossar o novo governador. Presente à posse estava um político antigo que já tinha ocupado cargos altos na administração pública. Andando pela solenidade, o tal político antigo se encontrou com Sebastião Camargo, fundador e presidente da construtora Camargo Correia, que, àquela altura e durante muitos anos, foi a maior do Brasil. Desenrolou-se o seguinte diálogo curto, iniciado pelo político velho: — Olá, Sr. Sebastião, o senhor também por aqui? — Eu estou sempre aqui. Os senhores é que mudam. (mais…)
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O que foi a bolha da internet
No começo do século XVII, não existia uma economia mais pujante e sofisticada que a holandesa. Enclausurada num pedaço de terra do tamanho do Espírito Santo, a Holanda tinha sido forçada a desenvolver tecnologia para escapar das limitações geográficas. Para tanto, os holandeses conquistaram as águas, fosse para a construção de diques que possibilitassem o desenvolvimento de cidades em áreas alagadas (60% da população mora em áreas abaixo do nível do mar, logo o nome Países Baixos) ou a criação de uma potente indústria naval. (mais…)
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A relação conflitante do YouTube com canais que testam os limites da democracia
Há duas semanas, o site jornalístico Núcleo me convidou para aprofundar um fio que tinha publicado no Twitter sobre o impacto do banimento do Terça Livre do YouTube para o bolsonarismo digital. Esse episódio do Tecnocracia é uma versão estendida daquela análise. O Núcleo publica análises sobre a interseção entre tecnologia e política no Brasil e eu te aconselho a visitá-los. *** À primeira vista, o banimento do Terça Livre do YouTube, ocorrido em 4 de fevereiro, pode parecer um golpe pesado contra a máquina de comunicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Afinal, a partir do momento em que o maior site de vídeos do mundo tirou do ar dois canais do Terça Livre (além do principal, caiu um outro de backup), o presidente perdeu um dos seus apoiadores mais aguerridos e histriônicos em uma das suas principais plataformas de comunicação. Para o bolsonarismo, o YouTube funciona como um repositório onde canais favoráveis ao governo publicam vídeos que serão compartilhados em outras plataformas, como grupos do WhatsApp, Telegram e Facebook. (mais…)
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Como uma tecnologia centenária redefiniu a maneira como vivemos
Em 1902, um sujeito chamado Henry Ford ganhou o famoso bilhete azul da empresa que ele mesmo havia fundado no ano anterior. A Henry Ford Company era a segunda tentativa do jovem engenheiro, então com 39 anos, de estabelecer um negócio de sucesso para desenvolver e vender uma tecnologia ainda nascente: o carro. (mais…)
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Donald Trump é o primeiro grande case de déspota digital auxiliado pela Big Tech
Essa história começa com dois fenômenos paralelos. O primeiro. Como você entrou na internet? Pode ter ouvido de um(a) amigo(a) e resolveu, lá atrás, testar a conexão discada, as salas de chat, o IRC, o fazer amigos(as) só por mensagens de texto, sem nunca ter visto a cara ou ouvido a voz. Quando apareceram, as redes sociais se tornaram porta de entrada para milhões de pessoas. Você pode ter sido uma delas — no Brasil, lá por 2007, 2008, o Orkut era sinônimo de internet, enquanto no resto do mundo eram o MySpace e, depois, o Facebook. Gente fora daquele perfil entusiasta começou a aparecer — tua tia do interior, o povo todo do colégio e da faculdade. (mais…)
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[Extra] As big techs não são amigas do jornalismo
Todo fim de ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Farol Jornalismo, startup de conteúdo do Rio Grande do Sul, convidam um grupo de pessoas que analisarão os desafios que o jornalismo enfrentará no ano que começa. Em 2020, eu fui um dos convidados para escrever sobre o impacto dos monopólios digitais no jornalismo. O texto conversa tão bem com o Tecnocracia que resolvi gravá-lo como uma espécie de episódio extra. Ele faz parte de um especial chamado O Jornalismo no Brasil. Em 2021 que fala ainda sobre saúde mental, jornalismo científico, a tensão entre transparência e privacidade e a relevância do jornalismo negro e periférico. Te aconselho a reservar um tempo para ler. O título do texto narrado é As big techs não são amigas do jornalismo. Se preferir lê-lo, siga o link ao lado.
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As empresas que nos colocaram nessa enrascada não nos tirarão dela
Criar um serviço online onde as pessoas interagem, como uma rede social, não é fácil. Ao oferecer ferramentas para que seres humanos publiquem qualquer coisa com o intuito de interagir na internet, você é confrontado(a) com algumas questões sérias que quase nunca têm respostas fáceis ou óbvias. (mais…)
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Manual prático para retomar sua atenção do calabouço das redes sociais
Tudo bem? Como tá? O ano tá pesado, né? Todo jornalista interessado/a sofre com um problema: o excesso no consumo de informações. O Twitter é uma desgraça por pegar exatamente nesse ponto fraco: o fluxo infinito de notícias cria aquela sensação de que ficar fora por 10 minutos é o suficiente para que uma notícia de enorme importância tenha passado reto no seu radar. É aquele papo de FOMO1 do qual você já ouviu falar incontáveis vezes, aqui no Tecnocracia inclusive. (mais…)
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O filtro alucinógeno do Instagram colocou a humanidade no divã — e alguns no caixão
Em 1988, James Cameron era um diretor em franca ascensão em Hollywood, mas ainda tinha a ingrata obrigação de provar que seus filmes de ficção futuristas tinham apelo ao grande público a ponto de virarem sucessos comerciais. Cinco anos antes, em 1984, ele já tinha dirigido O exterminador do futuro que, você sabe bem, virou uma das maiores franquias dos anos 1980 e ocupa um espaço na cabeça de muita gente até hoje. Aquele primeiro filme não foi de cara o sucesso estrondoso que ele imaginava que seria. Os resultados bons, porém, lhe abriram algumas portas, como o convite da Fox para filmar Aliens, o Resgate, uma espécie de continuação do enorme sucesso criado e dirigido pelo Ridley Scott em 1979. O primeiro Alien continua sendo um dos grandes clássicos de terror futurista do cinema e Cameron soube aguentar bem a pressão para dirigir a continuação e entregou um filme que, se não ultrapassou o primeiro, foi muito bem recebido e envelheceu bem. (mais…)
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O museu de grandes novidades da tecnologia: o futuro que nunca chegou
Há alguns acontecimentos na história que parecem fadados a acontecer, que é só questão de tempo até que aquilo se concretize, mas que no fim não acontecem. Na política brasileira, existe a presidência de Tancredo Neves e o caso clássico de Fernando Henrique Cardoso posando para fotógrafos sentado na cadeira de prefeito de São Paulo dias antes da eleição de 1985, tamanha era sua confiança. Quando Jânio Quadros levou, declarou à imprensa: “gostaria que os senhores testemunhassem que estou desinfetando esta poltrona porque nádegas indevidas a usaram”. Na política internacional, o melhor exemplo é a esperada vitória do candidato republicano Thomas Dewey sobre o democrata Harry Truman pela Casa Branca em 1948. Truman não só levou como posou com um jornal que adiantava sua derrota, em uma das cenas mais clássicas do jogo político global. No esporte, a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1982, o Cavaliers perder do Warriors na final da NBA em 2016 e o rebaixamento do Fluminense no Brasileirão de 2009. (mais…)
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A raiva constante que sentimos na internet nos torna humanos piores
Na primeira onda de personagens da Marvel, lá na década de 1960, um dos favoritos do público que já consumia história em quadrinhos era um herói longe daquele ideal de Apolo que Superman e Capitão América carregam até hoje. O Coisa, do Quarteto Fantástico, exercia um certo fascínio por mostrar um sujeito que, transformado num amontoado de pedras à revelia, tinha que lidar com os lados bons — a força e a invulnerabilidade — e os nem tanto — basicamente você parece um muro com pernas. Com isso na cabeça, Stan Lee e Jack Kirby, as mentes criativas da Marvel na época, se colocaram a pensar em um novo herói. De um lado, havia o racional. “Por um longo tempo eu percebi que as pessoas preferem alguém que não seja perfeito. É uma aposta segura que você lembra do Quasimodo, mas você consegue nomear personagens mais heróicos, bonitos e glamurosos de O Corcunda de Notre-Dame? E também tem o Frankenstein. Sempre tive um ponto fraco pelo monstro de Frankenstein. Ninguém vai me convencer que ele era o vilão. Ele nunca quis machucar ninguém. Ele simplesmente forçou seu caminho em uma segunda vida tentando se defender e neutralizar quem tentava destruí-lo. Decidi que também poderia pegar algo emprestado também do Dr. Jekyll e Mr. Hyde — nosso protagonista iria se transformar constantemente da sua identidade normal para seu alter ego super-humano”, segundo o Stan Lee. (mais…)
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Milícias digitais como o QAnon ameaçam, com a ajuda das redes sociais, o pacto civilizatório
Quando eu entrei no jornalismo e, especificamente, no jornalismo de tecnologia, o clima que conduzia a área era de otimismo. Meu primeiro texto foi publicado em 2003, quando eu estava no terceiro ano de faculdade, o Google ainda era uma startup a se provar, Microsoft e GE se alternavam como maior empresa do mundo, a Nokia estava a quatro anos de lançar seu primeiro smartphone realmente popular, o N951, e Mark Zuckerberg era apenas um estudante de Harvard que fundaria o Facebook no ano seguinte2. O mundo ainda estava escalando a ladeira do “tecno-otimismo”, incentivado por algumas novidades que soavam, à primeira vista, como se fossem piadas. (mais…)
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O Brasil real não cabe nas discussões delirantes do Twitter
Em 1924, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Tarsila do Amaral eram três dos artistas mais relevantes do Brasil. Os três tiveram participação decisiva na Semana de Arte Moderna dois anos antes, um movimento artístico que desencadeou o Modernismo no Brasil ao questionar e reinventar alguns pilares nos quais a arte tradicionalmente se apoiava até então. O movimento reuniu escritores, poetas, pintores, escultores, músicos com o intuito de propor uma nova visão sobre o que era produzir arte e, principalmente, como se desvencilhar daquele modelo clássico trazido da Europa e regurgitado até então. A arte produzida no Brasil desde a vinda da Corte Portuguesa, cheia de pintores que vieram tentar a vida por aqui, reproduzia muito o que era praticado na Europa sem adaptações radicais. Desde que um sujeito francês chamado Jean-Baptiste Debret desembarcou no Brasil quase uma década depois da corte portuguesa e se tornou uma espécie de pintor oficial do reino, a arte brasileira seguia as suas pegadas. Quando o Museu do Ipiranga estiver aberto (sabe-se lá quando) você vai poder ver isso expresso na tela “Independência ou Morte ou O Grito do Ipiranga”, do Pedro Américo, recriando Dom Pedro I declarando a independência do Brasil. Tudo é clássico: a composição, as cores, o tema, a maneira como o brasileiro é retratado como um capiau que não entende nada do que está acontecendo… Você pode achar que a tela do Pedro Américo é muito distante da Semana de 22; não é. A tela é de 1888, 80 anos depois do desembarque da corte e 34 anos antes do movimento modernista, o que serve para mostrar também como o Brasil é novo. (mais…)
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O Tecnocracia é uma coluna mensal que debate as consequências de se viver sob a influência das tecnologia.
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Guilherme Felitti
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