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Ambiente é o Meio
by Ambiente é o meio
Criado em 2006, é um programa de entrevistas semanais, vinculado à Rádio USP, que aborda diversos temas sócio-científicos em um contexto ambiental, analisando questões de sustentabilidade por meio de diálogos com especialistas e pesquisadores da área.É um projeto de extensão da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, em parceria com a Rádio USP, coordenado pelos professores José Marcelino de Rezende Pinto e Marcelo Pereira de Souza, ambos da FFCLRP.
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#220: Piscicultura impacta negativamente as espécies exóticas no Lago de Furnas
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, o entrevistado é o biólogo Paulo dos Santos Pompeu, professor titular da Universidade Federal de Lavras, no Sul de Minas Gerais, falando sobre seu estudo acerca do impacto da piscicultura no Lago de Furnas, conhecido como o Mar de Minas, e os desafios para a saúde e conservação de seu ecossistema. O objetivo da pesquisa do professor é entender os principais impactos humanos e seus efeitos sobre os rios do Brasil, com foco na ecologia de peixes. Ele busca identificar as ameaças e desenvolver estratégias para a conservação de longo prazo das espécies, como a manutenção de trechos de rios sem barramentos e a integridade dos ecossistemas fluviais. O biólogo ressalta a urgência de repensar a relação com nossos rios e reservatórios. A preservação do Lago de Furnas e de outros ecossistemas aquáticos depende de um esforço conjunto que envolva políticas públicas eficazes, fiscalização rigorosa, pesquisa científica e, acima de tudo, uma mudança de mentalidade em relação à conservação e ao uso sustentável dos recursos hídricos. Ouça o episódio completo no player acima.
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#219: Bitucas de cigarro são o lixo mais comum do planeta
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, os entrevistados são os pesquisadores Victor Vasques Ribeiro, engenheiro Ambiental pelo Centro Universitário São Judas Tadeu, e André Salem Szklo, graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os engenheiros alertam sobre as consequências alarmantes do descarte inadequado de bitucas de cigarro; comentam as estratégias da indústria do tabaco e as possíveis soluções para mitigar o problema.Segundo os pesquisadores, essas bitucas de cigarro, também conhecidas como guimbas, representam o lixo mais comum no planeta. Afirmam que a estimativa é de que 4,5 trilhões de bitucas sejam descartadas em ambientes naturais anualmente em todo o mundo. No Brasil, informam que, embora não haja uma estimativa exata, o número é astronômico, pois existem cerca de 20 milhões de fumantes adultos consumindo em média dez cigarros por dia. Lembram que uma única bituca na natureza pode levar de um ano e meio a dez anos para se decompor, dependendo das condições ambientais, situação que é dificultada pela indústria do tabaco, que se recusa a divulgar a composição química de seus produtos, tornando a identificação e o tratamento dos poluentes ainda mais desafiadores. Ouça o episódio completo no player acima.
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#218: Estudo revela que Cerrado possui mais de mil toneladas de carbono por hectare
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, a entrevistada é a bióloga Larissa Verona, mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), falando sobre resultados recentes de sua pesquisa que evidenciam a pouca importância dada ao Cerrado brasileiro. O foco do estudo de Larissa foi quantificar o carbono presente nas áreas úmidas do Cerrado, determinar o tempo que esse carbono está estocado e avaliar sua suscetibilidade a mudanças. Segundo a pesquisadora, foram encontradas 1,2 mil toneladas de carbono por hectare, um valor seis vezes maior do que a biomassa da Floresta Amazônica acumula na mesma área.Larissa conta que a estimativa é de que esse carbono pode ter até 20 mil anos de idade, destacando a importância dessas áreas como grandes estocadoras de carbono e a necessidade de sua proteção.Ouça o episódio completo no player acima.
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#217: Projeção para aumento de energia renovável no Brasil é de apenas 1% até 2035
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, o especialista Bruno Milanez, docente do Programa de Pós-graduação em Geografia e do Departamento de Engenharia de Produção e Mecânica da Universidade Federal de Juiz de Fora, falou sobre a transição energética no Brasil e seus desafios.Para Milanez, a transição deveria envolver a diminuição da intensidade do uso de energia e a redução gradual dos combustíveis fósseis, substituindo-os por tecnologias renováveis, como solar e eólica. No entanto, ele aponta que o Brasil não segue nenhuma dessas diretrizes. Como evidenciado pelo Plano Decenal de Expansão Energética (PDE), que prevê um aumento contínuo na geração de energia, tanto fóssil quanto não fóssil, o País não busca uma economia de consumo de energia.A matriz energética brasileira, que hoje é 50% renovável e 50% não renovável, tem uma projeção de aumento de apenas 1% na participação de renováveis até 2035, o que é considerado insuficiente para os desafios das mudanças climáticas. Desse modo, para Milanez, o termo transição energética no Brasil é considerado contraditório e o rótulo de energia limpa para renováveis é questionável devido aos impactos socioambientais e emissões de carbono nos processos de fabricação e transporte.Ouça o episódio completo no player acima.
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#216: UrbVerde quer expandir ferramentas de gestão ambiental para todo o Brasil
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, o profissional e coordenador geral da UrbVerde Marcel Fantin, docente do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP, falou sobre o funcionamento da iniciativa ambiental da USP, a UrbVerde.Voltada para o desenvolvimento urbano sustentável, a plataforma disponibiliza mapas e indicadores sobre temas contemporâneos e urgentes, como mudanças climáticas, vegetação urbana, ilhas de calor e acessibilidade a espaços públicos de lazer. A UrbVerde oferece ferramentas, aos governos municipais e à sociedade, que buscam implementar políticas públicas ambientais eficazes.Além dos mapas, a plataforma oferece materiais educativos e guias para gestores públicos e sociedade civil. A equipe de pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento planeja expandir a iniciativa para todos os municípios do Brasil e estruturar cursos para capacitar estudantes e gestores no uso da plataforma.Ouça o episódio completo no player acima.
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#215: Agroecologia é resposta à exploração intensiva dos recursos naturais
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, a geógrafa e pesquisadora Tatiane Cristina Fernandes Basconi, professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), compartilhou um pouco sobre seu estudo relacionado à agroecologia.Segundo Tatiane, após as pesquisas voltadas às experiências de Karl Marx, estamos vivendo uma ruptura metabólica – conceito desenvolvido por John Bellamy Foster para descrever a quebra na relação entre sociedade e natureza. Agravada pelo capitalismo, essa relação deixa evidente a exploração intensiva dos recursos orientada pela lógica do lucro. Esse processo, argumenta a pesquisadora, desestabiliza os ciclos naturais e aprofunda as crises ambientais.Em seus estudos, Tatiane destaca a transição agroecológica, processo que se manifesta nos assentamentos da reforma agrária, como uma resposta à crise ecológica e econômica vividas atualmente. Ela destaca que, apesar das contradições, as famílias assentadas apresentam concepções de natureza, riqueza e desenvolvimento que entram em tensão com a lógica capitalista, abrindo caminho para uma possível reconexão metabólica.Ouça o episódio completo no player acima.
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#214: Segundo especialista, o Brasil é o líder mundial no uso de bioinsumos
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, o professor Italo Delalibera Júnior, docente do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, compartilhou uma análise sobre crescimento do uso de bioinsumos e como são melhores para o meio ambiente.Segundo o professor Delalibera, o Brasil é o líder mundial no uso de bioinsumos, especialmente em campo aberto e grandes culturas como soja, milho e algodão, algo incomum em outros países onde o uso se concentra em cultivos protegidos ou de alto valor agregado. Mais da metade dos produtores brasileiros utilizam insumos biológicos, uma quantidade significativamente maior do que nos Estados Unidos e na Europa.O mercado brasileiro de bioinsumos cresce a uma taxa de 22% a 25% ao ano, quatro vezes mais rápido que a média global. Esse crescimento se tornou possível devido à modernização da legislação brasileira, que pode acelerar o registro de produtos biológicos para um a dois anos, em comparação com outros países, onde esse prazo chega a sete anos. Ouça o episódio completo no player acima.
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#213: COP30 apresenta retrocesso em relação à conferência anterior, afirma especialista
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, o pesquisador André Felipe Simões, docente do curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, completou a tríade sobre a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), realizada em Belém (PA) em novembro do ano passado, compartilhando sua experiência na delegação da conferência.Para o pesquisador, é necessária extrema cautela ao criticar a COP30 pois, diplomaticamente, foi exitosa, em grande parte devido ao trabalho da delegação brasileira. Os esforços se concentraram em avançar nos processos de financiamento climático, mitigação, enfrentamento do desmatamento em florestas tropicais e na luta pelo phase out dos combustíveis fósseis, ou seja, a luta para que nos afastemos da produção e consumo de combustíveis fósseis.No entanto, ele apontou que a COP30 não foi bem-sucedida em conter o agravamento da mudança climática, não havendo menção ao afastamento da produção de combustíveis fósseis nos documentos finais, o que representou um retrocesso em relação à COP29.Ouça o episódio completo no player acima.
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# 212: Brasil reassume protagonismo climático, diz especialista sobre a COP 30
Nesta edição do programa Ambiente é o Meio, o professor do Instituto de Física da USP, Paulo Artaxo, compartilhou com os ouvintes sua análise da COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), realizada em Belém (PA) em novembro do ano passado, destacando que a conferência foi marcada por altos e baixos.Para o professor, conflitos geopolíticos e tensões internacionais enfraqueceram o multilateralismo, dificultando acordos globais mais ambiciosos. Ainda assim, o Brasil retoma um protagonismo nas questões ambientais e climáticas, com forte participação de organizações da sociedade civil e uma presidência considerada eficiente.Artaxo ainda afirma que as negociações climáticas continuam sofrendo forte influência de interesses econômicos, especialmente da indústria do petróleo, e critica o modelo de governança da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele alerta que, sem reduzir as emissões, o planeta pode aquecer até 3 °C e critica a defesa da exploração de petróleo na Amazônia, apesar do potencial brasileiro em energias renováveis. Ouça o episódio completo no player acima.
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# 211: COP30 valorizou povos indígenas, avalia especialista
Nesta edição do programa Ambiente é o Meio, o analista sênior de políticas climáticas do Instituto Socioambiental (ISA), Ciro Brito, avaliou a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), realizada em Belém (PA) em novembro do ano passado, como positiva, destacando a transição do ciclo de regulamentação do Acordo de Paris para a implementação das metas climáticas.Para o paraense Ciro Brito, mesmo em um cenário de tensões e fragilidade do multilateralismo, a presidência brasileira conseguiu propor consensos combinados com coalizões de países interessados em avançar em temas específicos. Brito cita ainda a volta das discussões em torno do financiamento climático, com países do Sul Global cobrando maior contribuição dos países ricos.Ainda segundo Brito, a COP30 ampliou o debate político e social sobre justiça climática e valorizou o papel dos povos indígenas como protetores da floresta. Nesse contexto, ressaltou o protagonismo do atual presidente e da ministra do meio ambiente do Brasil.Ouça o episódio completo no player acima.
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#210: Modelo de energia eólica desafia justiça ambiental
O programa “Ambiente é o Meio” entrevistou a pesquisadora Maria Albertina Thomaz, advogada especialista em sustentabilidade, sobre os impactos da expansão da energia eólica no litoral do Piauí. Com experiência junto a comunidades de pescadores artesanais, ela destacou que a justiça ambiental — conceito surgido nos Estados Unidos nos anos 1980 — defende a distribuição equilibrada dos benefícios e prejuízos do desenvolvimento, além da participação efetiva das populações afetadas nas decisões.Apesar de o Nordeste concentrar a maior parte da produção eólica do país, e o Piauí ocupar posição de destaque, a pesquisadora apontou contradições na instalação de grandes empreendimentos em áreas socialmente vulneráveis. Em comunidades como Labirinto e Pedra do Sal, a chegada das torres alterou práticas tradicionais, afetou a pesca, o extrativismo e a produção agrícola, além de gerar impactos como poluição sonora, desmatamento e conflitos fundiários.Ouça o episódio completo no player acima.
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#209: Regras ESG no Brasil são fracas, afirma pesquisador
O programa Ambiente é o Meio desta semana conversa com o pesquisador e advogado Tiago Lopes de Andrade Lima sobre o uso do ESG no mercado financeiro, principalmente quanto à aplicação em atividades potencialmente poluidoras.Formado em direito ambiental e sustentabilidade pela USP, Lima conta que a sigla ESG — ambiental, social e governança — ganhou projeção internacional em 2004, a partir do relatório Who Cares Wins, do Pacto Global da ONU em parceria com o Banco Mundial. Segundo ele, a proposta era de que empresas mais responsáveis tenderiam a ser mais rentáveis no longo prazo.O que o pesquisador encontrou em seus estudos foi a falta de métricas científicas claras para definir o que, de fato, é ESG. Lima faz distinção entre sustentabilidade fraca – admite a substituição do capital natural por outros tipos de capital – e sustentabilidade forte – reconhece os limites planetários e atribui valor intrínseco à natureza. Ao analisar as normas brasileiras, concluiu que elas se alinham mais à primeira visão e carecem de base científica, o que compromete sua capacidade de promover transformações reais.Ouça o episódio completo no player acima.
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#208: Mercado de economia verde para o Cerrado pode trazer riscos ambientais
O programa Ambiente é o Meio desta semana entrevistou Bruno Bassi, do Observatório do Agronegócio no Brasil De Olho nos Ruralistas, para discutir a COP 30, o lobby empresarial e os créditos de carbono ligados a plantios de eucalipto no Cerrado.Bassi conta que o Observatório articula pesquisa acadêmica e jornalismo investigativo para analisar a atuação de empresas e setores econômicos; e que um relatório recente, lançado antes da COP 30, mapeou o lobby de grandes empresas, incluindo o Banco BTG Pactual, no contexto da chamada “economia verde”.A investigação, segundo ele, incide sobre os projetos ambientais do BTG, especialmente acordos com Meta, Microsoft, IKEA e Apple para a compra de créditos de remoção de carbono associados a áreas no Cerrado do Mato Grosso do Sul. Embora o banco anuncie grandes áreas de restauração, parte significativa dos projetos permite o uso de monoculturas de eucalipto ou pinus, o que gera controvérsia científica. Pesquisadores alertam para riscos ambientais, como alto consumo de água, uso de agrotóxicos e impactos sobre a biodiversidade.Ouça o episódio completo no player acima.
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#207: Indústria da moda oferece pouca informação sobre seus impactos ambientais e sociais
O primeiro podcast 2026 do Ambiente é o Meio conversou com Isabella Luglio, gerente de Pesquisa do Fashion Revolution Brasil, para discutir os impactos socioambientais da indústria da moda. A conversa abordou a falta de comprometimento do setor com a sustentabilidade e destacou a importância da transparência como instrumento de mudança.Formada em design de moda, Isabella conta que direcionou sua carreira para a pesquisa e o ativismo ao perceber as contradições do modelo tradicional da indústria. Ela integra o Fashion Revolution Brasil, organização que faz parte de um movimento global criado em 2013 após o desabamento de um prédio de confecções em Bangladesh, tragédia que revelou graves violações trabalhistas na cadeia produtiva da moda.A entrevistada ressaltou que a moda está entre as indústrias mais poluentes do mundo devido ao uso intensivo de água, produtos químicos, fibras sintéticas derivadas do petróleo e à lógica acelerada de produção, atualmente marcada pelo ultra fast fashion. Esse modelo amplia a exploração de recursos naturais finitos e a geração de impactos ambientais.Ouça o episódio completo no player acima.
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#206: Visão afetiva pode ajudar na preservação amazônica
O Ambiente é o Meio desta semana recebe a arqueóloga Ana Caroline Souza Arapium, pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, para falar sobre seus estudos em um sambaqui (montes de conchas, ossos e restos de animais feitos em épocas pré-históricas) do Baixo Amazonas. Além de suas pesquisas em zooarqueologia (estuda restos de animais), Ana Caroline fala de origens indígenas e sua trajetória profissional, lembrando que começou cedo, aos 10 anos de idade, em um programa de rádio chamado “A Hora do Chibé” em que contava histórias ancestrais do Baixo Amazonas. A arqueóloga destaca a importância de pesquisadores indígenas, como ela, na reconstrução e valorização das memórias de seus antepassados, trazendo uma perspectiva interna e afetiva para a ciência. Ana Caroline acredita que seu trabalho abre portas para outros jovens indígenas na ciência.Ouça o episódio completo no player acima.
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#205: Catadores são os principais responsáveis pela reciclagem no Brasil
O Ambiente é o Meio desta semana recebe a engenheira ambiental Ana Maria Rodrigues Costa de Castro para conversar sobre o papel dos catadores de recicláveis na economia e no meio ambiente. Ana Maria, que é especialista em Engenharia Hidráulica e Saneamento e atua junto ao Núcleo de Estudo e Pesquisa em Resíduos Sólidos (Neper) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, afirma que, embora o Brasil seja campeão mundial na reciclagem de latinhas de alumínio, apresenta baixa reciclagem total de resíduos sólidos, estimada em cerca de 4% apenas.Nesse contexto, enfatiza a pesquisadora, temos que os catadores de recicláveis são os principais responsáveis pela reciclagem no País, mesmo atuando de maneira informal e com poucos dados governamentais sobre sua atuação, situação que se repete em muitos outros países, que até negam a existência desses profissionais.Ouça o episódio completo no player acima.
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#204: Acesso ao saneamento é considerado marcador de desigualdade
Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Leo Heller, da Universidade Federal de Minas Gerais, ex-Relator Especial para os Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (DHAS) das Nações Unidas e pesquisador do Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para falar sobre os direitos humanos à água e ao saneamento.Heller explica que a água e o saneamento básico passaram a ser considerados direitos humanos pela Organização das Nações Unidas (ONU) apenas em 2010, mesmo que especialistas na área já os considerassem há muito tempo. O pesquisador afirma também que o saneamento é um importante marcador de desigualdade, pois quem não tem acesso, no Brasil, são: populações rurais; povos tradicionais, indígenas e quilombolas; pessoas que vivem em assentamentos nos grandes centros urbanos e pessoas de cidades pequenas.Outro ponto mencionado pelo pesquisador é que ninguém pode ter o acesso ao sistema de água ou esgoto limitado pela incapacidade de pagamento; além de ser proibido o corte da água das casas daqueles que não tenham meios para pagar pela conta.Sobre a questão da privatização do sistema de água e saneamento, Heller diz que os governos e empresas não abrem espaço para escutar a população afetada por essa ação. Para o pesquisador, a privatização representa um risco aos direitos humanos que ocorre por vários fatores e cita dois: o aumento das tarifas para a população e o aumento da exclusão, já que as empresas relutam quanto aos investimentos em áreas de baixa atratividade econômica.Ouça o episódio completo no player acima.
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#203: Amontoados de conchas permitem estudo da biodiversidade brasileira
Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe Gabriela Prestes Carneiro, historiadora e pesquisadora do Museu Nacional de História Natural de Paris, para falar sobre a presença de sambaquis na Amazônia.Gabriela explica que sambaquis são monumentos feitos de conchas construídos por populações humanas há cerca de 3 mil anos e, no Brasil, encontrados principalmente no litoral, no norte da Amazônia e no interior do País. A pesquisadora diz ainda que sambaqui significa conchas amontoadas, em tupi. Esses monumentos, segundo Gabriela, desempenharam diferentes funções ao longo do tempo, servindo, por exemplo, de cemitérios e moradias.A pesquisadora destaca que os sambaquis permitem o estudo da biodiversidade e mudanças do ambiente ao longo do tempo: “Por serem feitos de conchas, formam um contexto ideal de conservação”. Dentro dessas construções, continua, é possível identificar fibras, sementes, espinhos e escamas de peixes, e até mesmo remanescentes humanos conservados.Apesar de não serem mais construídos no Brasil, Gabriela afirma que em países como Guiné-Bissau e Senegal, os sambaquis ainda fazem parte da cultura. A pesquisadora conta que, no Senegal, algumas populações enterram seus mortos nesses monumentos formados por conchas.Ouça o episódio completo no player acima.
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#200: Arquitetura hostil limita permanência de pessoas em locais públicos ou privados
Está no ar o novo episódio do Ambiente é o Meio, que recebeu o professor Jeferson Cristiano Tavares, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAU-USP), para falar sobre arquitetura hostil.Tavares explica que o termo se refere a ações que modificam espaços urbanos para impedir a permanência de pessoas em situação de vulnerabilidade, como pedras sob viadutos, grades em canteiros e bancos com divisórias.Ele destaca que as principais vítimas são pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica, e lembra que terra e moradia são caras, restando-lhes poucas opções de abrigo. O professor também comenta a Lei nº 14.489/2022, conhecida como Lei Padre Júlio Lancellotti, que proíbe a arquitetura hostil e busca impedir que ela se torne uma política pública.
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#199: Plantar árvores é algo positivo, mas não é suficiente para restaurar a Mata Atlântica, dizem especialistas
Está no ar o novo episódio do programa Ambiente é o Meio com as biólogas Débora Cristina Rother (UFSCar) e Carine Emer (Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Instituto Juruá) para falar sobre os desafios da restauração da Mata Atlântica. Elas explicam que, embora o plantio de árvores seja importante, ainda não é suficiente para recuperar a complexidade das florestas originais. As pesquisadoras apresentam resultados de um estudo realizado em Batatais (SP), mostrando como áreas restauradas se integram à paisagem e como a dispersão de sementes por animais tem contribuído para a regeneração natural.
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#198: Mesmo despercebidos, fungos fazem parte do dia a dia da população, garante especialista
Está no ar o novo episódio do programa Ambiente é o Meio , que recebeu o professor Carlos Taborda, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, para falar sobre a importância dos fungos para o ambiente e para a sociedade. Ele explica como esses organismos são essenciais na produção de alimentos e medicamentos, na troca de nutrientes entre plantas e solo, e alerta para os impactos das queimadas, agrotóxicos e mudanças climáticas na destruição dos fungos. Taborda também comenta os riscos das micotoxinas produzidas em grãos armazenados, que podem afetar a saúde humana, animal e a economia.Saiba mais ouvindo o episódio completo!
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#197: Desmatamento afetou quantidade de chuva e temperatura da Amazônia nos últimos 35 anos
O programa O Ambiente é o Meio recebeu os pesquisadores Luiz Augusto Toledo Machado e Marco Aurélio Franco para discutir como o desmatamento influencia a redução das chuvas e o aumento das temperaturas na Amazônia.Eles apresentam um estudo realizado em parceria com cientistas da Alemanha e da China, que analisou uma área de 2,6 milhões de km² ao longo de 35 anos. Os resultados mostram que, nesse período, as chuvas diminuíram 21 milímetros durante a estação seca e a temperatura máxima aumentou 2°C, efeitos diretamente relacionados ao desmatamento. Regiões com maior perda de floresta apresentaram temperaturas mais altas e menos chuva.Os pesquisadores destacam que os impactos mais fortes ocorrem entre 10% e 40% de desmatamento e defendem a preservação das áreas ainda intactas. Concluem que o estudo oferece dados concretos para embasar debates políticos sobre o peso do desmatamento e das emissões de gases no aquecimento global.Ouça o episódio completo para saber mais!
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#196: Brasil vive bom momento para reduzir a emissão de gases estufa, diz pesquisadora
O programa “Ambiente é o Meio” recebeu a bióloga Bárbara Zimbres, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), para discutir como o desmatamento e a agropecuária aumentam a pegada de carbono no Brasil.Ela explicou que o país é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, mas, ao contrário das principais potências, essas emissões vêm do setor agrícola, e não da produção de energia — que no Brasil é relativamente limpa.Bárbara ressaltou que o Brasil tem potencial para reduzir suas emissões, especialmente com o fortalecimento da fiscalização ambiental e o combate ao desmatamento, sobretudo na Amazônia. Também destacou a importância da legislação ambiental nesse processo.Por fim, observou que os incêndios representam um desafio, pois nem todos são criminosos — muitos estão ligados ao uso tradicional do fogo para limpeza e renovação de pastagens.
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#195: Plano nacional propõe recuperação de 12 milhões de hectares de florestas e biomas desmatados
Está no ar o novo episódio do podcast Ambiente é o Meio, com a bióloga Luisa Fernanda Liévano Latorre, pesquisadora do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS), para falar sobre o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).A pesquisadora explica que o Planaveg está alinhado aos compromissos internacionais do Brasil para restaurar ecossistemas degradados, buscando mitigar as mudanças climáticas e recuperar a biodiversidade. O plano prevê a recuperação de 12 milhões de hectares de florestas e outros ecossistemas até 2030, e, segundo a bióloga, restaurar 30% de cada bioma já seria suficiente para combater os efeitos climáticos. Um estudo do IIS, com mais de 80 pesquisadores, identificou as áreas prioritárias para a restauração. Luisa destaca ainda que essa recuperação também cria novos hábitats para plantas e animais.
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#194: Capitalismo é o responsável pela destruição da natureza, afirma pesquisador
Está no ar o novo episódio do programa Ambiente é o Meio, com o professor Theófilo Codeço Machado Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Cândido Mendes, para falar sobre seu novo livro Capitalismo e Sustentabilidade: Empresa Regenerativa e a Sustentabilidade Corporativa no Século XXI, publicado pela Editora Vozes.Rodrigues afirma que seu livro busca mostrar a incompatibilidade entre o capitalismo e o meio ambiente, pois é o capital que destrói a natureza. Citando Marx, ele explica que o sistema capitalista criou uma separação inédita entre o ser humano e a natureza. Para o professor, os desastres atuais, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, indicam um colapso climático, que exige não apenas mitigação, mas regeneração.Ele critica a visão neoliberal de que empresas existem apenas para gerar lucro e defende o modelo das empresas regenerativas, baseadas em quatro eixos: governança inclusiva, valor compartilhado, impacto ambiental positivo e cidadania corporativa. Segundo Rodrigues, algumas organizações já aplicam esses princípios isoladamente, mas somente sua integração plena poderá levar à superação do capitalismo e à criação de um novo modo de produção.
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#193: Mostra fotográfica conta a história do povo Paiter Suruí
Está no ar o novo episódio do programa Ambiente é o meio, com a arquiteta Lahayda Mamani Poma para falar sobre a mostra de fotografias Paiter Suruí, Gente de Verdade, sobre a história do povo indígena Paiter Suruí, em exposição no Instituto Moreira Salles, do qual é cocuradora.Lahayda explica que o povo Paiter Suruí, cujo nome significa “gente de verdade”, vive entre Mato Grosso e Rondônia e teve contato com não indígenas há apenas 50 anos, com a chegada da Funai nos anos 1970. A exposição reúne mais de 800 fotografias produzidas pelos próprios Paiter Suruí, registrando desde o primeiro contato com câmeras, nos anos 1970, até 2007, quando o uso de fotos digitais se tornou comum. As imagens foram organizadas pelo Coletivo Lakapoy a partir do interesse de Ubiratan Suruí nas fotos guardadas por sua mãe. A mostra, com um olhar autêntico e sensível sobre a vida na aldeia, está em cartaz no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, até 2 de novembro, com visita virtual disponível no site do instituto.
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#192: Lógica capitalista explica colapso climático
Está no ar o novo episódio do podcast Ambiente é o Meio, com o professor Eduardo Sá Barreto, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), para falar sobre a crítica ecossocialista, tema de seu novo livro Pequeno Guia para a Crítica Ecossocialista do Capitalismo, publicado pela Editora Lutas Anticapital.O professor Barreto explica que, embora Karl Marx não tenha desenvolvido uma teoria ambiental, seus escritos revelam sensibilidade ecológica e oferecem bases teóricas para compreender a crise ambiental. Seu livro busca popularizar esse debate, unindo fundamentos teóricos e implicações práticas para um público interessado em questões ambientais e sociais. Segundo ele, o capitalismo é incapaz de superar sua lógica destrutiva, marcada pelo crescimento contínuo, consumo excessivo e uso acelerado da tecnologia — justamente o contrário do necessário para enfrentar a crise ecológica. Hoje, vivemos, afirma o professor, um cenário de escassez causado pelo colapso climático.
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#191: Tomografia revela a produção de carbonato de cálcio por corais paulistas
Está disponível o novo episódio do programa Ambiente é o Meio, vinculado à Radio USP, com o professor Guilherme Henrique Pereira Filho, do Departamento de Ciências do Mar (IMar) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para falar sobre a captura de carbono por corais alcatrazes, presentes no Arquipélago de Alcatrazes, no litoral de São Paulo.Pereira explica que os corais, animais do grupo dos cnidários que vivem em associação com algas e produzem carbonato de cálcio, sofrem com as mudanças climáticas, mas os do Atlântico Sul apresentam maior resistência e capacidade de recuperação após o branqueamento. O professor relata que o IMar estuda há dez anos os corais do Arquipélago de Alcatrazes e, por meio de tomografias de seus esqueletos, analisou o crescimento das colônias e os efeitos climáticos. A pesquisa também estimou que os corais da região produzem cerca de 170 toneladas de carbonato de cálcio por ano.
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#190: Sazonalidade climática interfere na produção energética em Belo Monte
Está no ar o novo episódio do programa Ambiente é o Meio, com o professor Rodolfo Aureliano Salm, da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), aborda os impactos socioambientais da Usina de Belo Monte sobre as comunidades indígenas da região da Volta Grande do Xingu. Ele explica que, embora as terras indígenas homologadas não tenham sido alagadas — devido à opção por canais artificiais em vez de um grande reservatório —, os impactos ambientais foram significativos.Salm destaca que a produção de energia de Belo Monte é baixa, influenciada pela sazonalidade climática da região, fator que deveria ter sido considerado no planejamento da usina. O professor também ressalta que a energia hidrelétrica não é totalmente limpa, já que sua construção envolve extenso desmatamento e alterações ambientais profundas.
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#189: Arborização urbana adequada promove saúde ambiental e da população
Está no ar o novo episódio do programa Ambiente é o meio, com a arquiteta e urbanista Léa Gejer, coordenadora de projetos técnicos do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, explica que a organização atua mundialmente apoiando governos locais em ações de sustentabilidade. Ela destaca que a arborização urbana é bastante desigual, tanto entre diferentes cidades quanto dentro de uma mesma cidade — onde bairros mais valorizados costumam ter mais árvores, enquanto áreas periféricas apresentam baixa cobertura vegetal.Sobre o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), Léa ressalta que se trata de uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, integrada ao Programa Cidades Verdes e Resilientes, com o propósito de orientar e articular políticas de arborização nas cidades brasileiras. Ela também enfatiza que uma arborização adequada traz múltiplos benefícios, como promoção da biodiversidade, proteção da água e do solo, redução da poluição e da erosão, melhoria estética e climática das cidades e impactos positivos na saúde da população.
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#188: Livro aborda como o colonialismo continua impactando povos originários
Está no ar o novo episódio do Programa Ambiente é o Meio, com o indígena militante dos direitos humanos Givanildo Manoel da Silva, conhecido como Giva, para falar sobre seu novo livro, Terra de Sangue, Sangue na Terra: O Rastro do Colono-Capitalismo em Pindorama, que busca compreender os problemas dos povos indígenas na atualidade.Ao longo do episódio, o autor fala sobre como se descobriu indígena e sobre como o colonialismo e o capitalismo, chamado por ele de colono-capitalismo, realizaram o apagamento da memória indígena nos povos originários. Silva também diz que as práticas capitalistas de hoje são as mesmas do período colonialista, apenas mais modernas.
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#187: Livro traz relatos das vítimas do desastre ambiental em Mariana
Está no ar o novo episódio do Programa Ambiente é o Meio, com a pesquisadora Gabriela de Paula Marcurio, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), para falar sobre o livro A Máquina do Terror: A Luta das Pessoas Atingidas pela Samarco em Mariana, de sua autoria, que retrata os impactos do desastre ambiental de 2015.A pesquisadora conta que, com o rompimento da barragem, os rejeitos foram despejados e se misturaram com a água do rio Gualaxo do Norte, formando um turbilhão de lama que empurrou casas, carros, animais e árvores, fazendo com que as comunidades fossem inundadas. Gabriela conta ainda que os moradores das comunidades foram evacuados apenas no dia seguinte ao rompimento.Além de perder seus bens, as vítimas do desastre em Mariana também precisam conviver com outros problemas decorrentes do rompimento da barragem. A pesquisadora conta que os moradores relatam problemas de saúde e sintomas relacionados à contaminação por metais pesados, enquanto a mineradora afirma que os rejeitos não são tóxicos.
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#186: Brasil tem dinheiro para financiar transição energética
Nesta semana, o Programa Ambiente é o Meio recebe a diretora executiva do Instituto Internacional Arayara, Nicole Figueiredo de Oliveira, para falar sobre os investimentos brasileiros na exploração de petróleo, realizados principalmente através dos leilões pelo Conselho Nacional de Política Energética e pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).Nicole informa que existem dois tipos de leilão de blocos exploratórios: o leilão de partilha, no qual a empresa que adquiriu o bloco partilha os recursos advindos da exploração com a União, e o leilão de concessão, em que a empresa que adquiriu o bloco tem o direito de explorar o petróleo daquele local sem a necessidade de compartilhar os recursos adquiridos por um período de tempo – geralmente 20 anos.Ao elencar as ações governamentais em favor da exploração de petróleo, Nicole chama a atenção da sociedade quanto aos prejuízos ambientais e aumento do aquecimento global advindos da exploração. Lembra que, há mais de dez anos, autoridades do Painel Intergovernamental de Cientistas das Mudanças Climáticas (IPCC) orientam para a necessidade de não mais perfurar novos poços e encerrar os já existentes para conter o aquecimento global em 1,5ºC. Sem contar com a toxicidade para a biodiversidade de vazamentos que ocorrem durante a extração de petróleo.
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#185: Antiecologismo faz oposição ao ambientalismo
Neste episódio, o Programa Ambiente é o Meio recebe o economista, pesquisador e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti para falar sobre o antiecologismo brasileiro.O professor explica que o antiecologismo é a oposição, a resistência a ideias e ações ambientalistas que promovem a defesa do meio ambiente. Segundo Cavalcanti, os antiecologistas são os que acreditam num meio ambiente adaptado às suas necessidades, e não o contrário. Cavalcanti cita, ao longo do episódio, figuras brasileiras aliadas ao movimento ambientalista que atuam na proteção ao meio ambiente. Afirma, ainda, que os povos originários são os maiores aliados dos ambientalistas no combate ao antiecologismo.
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#184 Professor defende economia ecológica para desenvolvimento sustentável
Neste episódio do Programa Ambiente é o Meio, o professor José Marcelino conversa com o professor aposentado da Universidade de Pernambuco Clóvis de Vasconcelos Cavalcante, que é membro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (Eco-Eco). O professor Cavalcante destaca sua formação em Economia com forte base matemática e suas experiências com figuras importantes, como o fundador da bioeconomia, o economista e matemático Nicholas Georgescu-Roegen. Segundo Cavalcante, foi dessa forma que iniciou seu caminho na economia ecológica e nos fundamentos da economia tradicional.O professor Cavalcante conta ainda como foi a criação da Eco-Eco e sua experiência com outros expoentes brasileiros, como Gilberto Freyre e Celso Furtado, cujas obras criticam a obsessão com o PIB (Produto Interno Bruto) e defendem critérios biológicos de economia e produção.Cavalcante lembra também da experiência no Butão, local onde conheceu o conceito de Felicidade Nacional Bruta (FNB). Afirma que felicidade pode ser ilimitada e não causa danos ambientais, ao contrário do crescimento econômico.
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#183 Monoculturas podem impactar recursos hídricos no Ceará
Neste episódio, o Programa Ambiente é o Meio conversa com o promotor de Justiça do Estado do Ceará Thiago Marques Vieira sobre as atividades de monocultura na Chapada do Araripe. Vieira, que atua como coordenador auxiliar do Centro de Apoio e Defesa do Meio Ambiente do Ceará, aborda a importância ambiental, cultural e social daquela região que abrange partes do Ceará, Pernambuco e Piauí.A Chapada do Araripe tem aproximadamente 1 milhão de hectares e é conhecida como caixa d’água do sertão devido à sua formação geológica única que permite grande infiltração de água. A região alimenta importantes reservatórios, incluindo o açude do Castanhão, que abastece Fortaleza.A área possui uma rica biodiversidade, envolvendo diferentes biomas – Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado – e abriga espécies endêmicas como o pássaro soldadinho-do-araripe, além de conter a primeira Floresta Nacional do Brasil, criada em 1946. A região também é significativa pelo seu patrimônio paleontológico, sendo sede do primeiro geoparque brasileiro.Segundo o promotor, toda essa diversidade ambiental e riqueza hídrica, que conta ainda com a presença de comunidades tradicionais (indígenas kariri, quilombolas e mais de 150 comunidades extrativistas), enfrenta atualmente ameaças do avanço de monoculturas, especialmente da soja, com impactos tanto na quantidade como na qualidade da água.
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#182: Orçamento ambiental brasileiro aumentou, mas ainda é insuficiente
Nesta semana, o programa Ambiente é o Meio recebe a economista do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) Alessandra Cardoso para falar sobre o orçamento do meio ambiente e as reais necessidades ambientais brasileiras. Segundo Alessandra, a política ambiental do Brasil é considerada uma das mais avançadas do mundo, no entanto, o orçamento ambiental do País é de aproximadamente R$ 4 bilhões, o que representa, aproximadamente, apenas 0,3% do PIB. A economista garante ainda que para que a política ambiental funcione, além do orçamento – que melhorou neste governo em comparação com o governo anterior, apesar de ainda ser insuficiente -, é necessário que existam órgãos ambientais que atuem em conjunto e cooperem entre si. Alessandra reforça ainda que não é possível fazer uma política ambiental à altura do potencial e das necessidades brasileiras com o arcabouço fiscal e com os bloqueios de gastos para o meio ambiente.
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#181: Mexilhões verdes podem afetar biodiversidade marinha
Neste episódio, o Ambiente é o Meio recebe o professor Edison Barbieri, dos programas de pós-graduação em Agricultura e Pesca do Instituto de Pesca e em Biodiversidade de Ecossistemas Costeiros da Unesp, para falar sobre o impacto dos mexilhões verdes na biodiversidade marinha brasileira.O professor conta que esses mexilhões verdes começaram a ser detectados na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 2018, mas já podem ser encontrados nos litorais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Sobre a chegada desses mexilhões ao País, o professor diz que a hipótese mais provável tenha sido os lixos plásticos presentes nos oceanos.Segundo Barbieri, os mexilhões verdes são uma espécie invasora que, além de causar competição com espécies nativas, também podem transmitir doenças, ameaçando a biodiversidade marinha nacional. Além da competição, o professor também diz que esses moluscos podem afetar a cadeia trófica e também podem causar contaminação gênica.
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#180: PL diminui participação social e responsabilidade sobre danos ambientais
Neste programa o Ambiente é o Meio recebe a engenheira ambiental Renata Utsunomiya para falar sobre o Projeto de Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que está sendo chamado de “PL da devastação”. O projeto propõe mudanças para o processo de licenciamento ambiental, garantindo a viabilidade ambiental de obras e atividades que podem causar alguma degradação ambiental. Entre os principais pontos do projeto de lei, Renata destaca a autodeclaração, que permite que empreendimentos obtenham licença ambiental por meio da autodeclaração sem a necessidade de análises técnicas prévias por órgãos ambientais; a delegação de licenças para projetos para o Estado, permitindo que o Estado delibere sobre a criação de novos projetos; impactos diretos, responsabilizando o empreendedor apenas pelos impactos que afetam diretamente o meio ambiente; e violações de direitos socioambientais de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.Ainda segundo a engenheira ambiental, o projeto de lei busca minar as possibilidades de participação social nas tomadas de decisão e também diminuir a responsabilização dos empreendedores sobre os danos aos territórios tradicionais.
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#179: USP desenvolve plataforma para monitoramento ambiental
Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe o professor Marcel Fantin, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos, para falar sobre a plataforma UrbVerde. Desenvolvida pela USP, a plataforma objetiva encontrar soluções para os problemas espaciais urbanos e apoiar o planejamento urbano sustentável de cidades e municípios brasileiros.A UrbVerde foi criada em 2021, a partir de um edital da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, e foi implantada em 2023. Em 2024, conseguiu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Até o fim de 2025 deve abranger todos os municípios brasileiros. Atualmente, apresenta dados apenas dos municípios paulistas.Segundo o professor, essa nova fase da plataforma, com apoio da Fapesp e do CNPq, vai possibilitar que ela se torne uma ferramenta para a elaboração de políticas públicas de ação climática.De acordo com Fantin, a UrbVerde é dividida em três camadas. A primeira aborda a questão da arborização urbana; a segunda camada trata da distribuição de parques e praças nos municípios, mostrando quais bairros possuem mais áreas de convivência; a terceira e última camada da plataforma apresenta um mapeamento das ilhas de calor nos municípios, evidenciando quais bairros apresentam temperaturas acima da média.O professor destaca que a UrbVerde é uma plataforma de acesso geral, permitindo que tanto o público especializado quanto a sociedade civil faça uso dela.
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#178: Indígenas são contratados para colheita da maçã
No episódio desta semana do Ambiente é o Meio, a jornalista e pesquisadora Maria Helena de Pinho aborda a exploração do trabalho indígena na colheita de maçã no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Ela apresenta dados de um estudo da organização Papel Social, que mostra que a migração de indígenas para essa atividade ocorre desde 2009, com denúncias de exploração feitas ao Ministério Público do Trabalho desde 2012.Para tentar combater o aliciamento ilegal, foi criado um procedimento de intermediação das contratações envolvendo a Funtrab (do Mato Grosso do Sul) e empresas do setor, com apoio do Ministério Público do Trabalho. Essa ação aumentou a presença de indígenas nas lavouras em cerca de 6 mil pessoas desde 2021.Apesar dos avanços nas condições de contratação, o aliciamento ilegal ainda persiste. Segundo Maria Helena, a principal razão da migração é a violência e a negação do direito à terra nos territórios indígenas. Muitos trabalhadores partem em busca de renda, mas acabam enfrentando dívidas e frustrações.
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#177: Mata Atlântica perdeu mais de 180 mil hectares em uma década
Neste episódio, o programa Ambiente é o Meio recebe a ecóloga e pesquisadora do INPE, Silvana Amaral, para discutir o desmatamento da Mata Atlântica. Segundo ela, entre 2010 e 2020 foram desmatados 186.290 hectares do bioma, monitorados por imagens de satélite em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica. Apesar de alto, esse número é pequeno se comparado ao desmatamento em biomas como a Amazônia e o Cerrado, que ainda preservam áreas muito maiores de vegetação nativa. A Mata Atlântica tem menos de 20% de sua vegetação original, mesmo com proteção legal significativa.Silvana destaca que os estados mais preservados são São Paulo e os da região Sul, devido ao relevo e à presença de parques de conservação. Ela também fala sobre o reflorestamento, explicando que uma floresta leva cerca de 15 anos para se recuperar, embora já haja sinais de potencial arbóreo em áreas com apenas oito anos. Ainda que a biodiversidade e a capacidade de absorver carbono não sejam ideais nesse estágio inicial, o solo já começa a ser protegido.
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#176: Agrotóxicos estão mais concentrados em chuvas de regiões de cultivo, diz estudo
Neste episódio, o Programa Ambiente é o Meio recebe a professora Cassiana Montagner, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para falar sobre a presença de agrotóxicos na água das chuvas do Estado de São Paulo. Segundo a professora, a preocupação com a presença de agrotóxicos nas chuvas paulistas começou durante um estudo sobre as diferentes formas de manejo da cana-de-açúcar. A partir de então, conta Cassiana, seu grupo de pesquisa passou a monitorar três cidades paulistas: Brotas, Campinas e a própria cidade de São Paulo. A observação durou dois anos para que fosse possível determinar com precisão os níveis de agrotóxicos nas águas das chuvas.Após esse tempo de observação e de estudo da água coletada, os pesquisadores detectaram os agroquímicos mais utilizados no Estado da São Paulo e analisaram os 15 compostos, entre eles, produtos legislados e proibidos no Brasil e também ao redor do mundo, como na União Europeia, onde o uso desses produtos é controlado. Conta Cassiana que encontraram maiores concentrações dos agrotóxicos em regiões de grandes cultivos de cana-de açúcar, como Brotas, e menores concentrações em regiões mais urbanizadas, como São Paulo; fato que, segundo a professora, não significa que cidades mais urbanizadas não façam uso desses produtos.
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#175: Estudo avalia saúde dos solos da América Latina e Caribe
Nessa semana, o Programa Ambiente é o Meio recebe o professor Raul Roberto Poppiel, do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, para falar sobre o primeiro mapa da saúde dos solos da América Latina e do Caribe.Poppiel afirma que a saúde do solo relaciona-se com a capacidade de desempenho de suas funções. Nesse sentido, o estudo, segundo o professor, avalia como funções como produção de alimentos, ciclagem de nutrientes, disponibilidade de água e armazenamento de carbono são desempenhadas nos solos latino americanos e caribenhos.O professor diz ainda que a avaliação da saúde dos solos é realizada de forma pontual, ou seja, o estudo de uma amostra de solo apresenta informações apenas da localidade de onde foi retirada, sem fornecer dados sobre outras localidades. Já o mapa permite que a saúde dos solos seja avaliada de forma espacial, ou seja, permite que mais localidades tenham seus dados avaliados.
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#174: COP 30 deveria discutir a importância da água, defende professora da USP
Neste episódio, o Programa Ambiente é o Meio recebe a professora Yara Schaeffer Novelli, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, para falar sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, que vai ser realizada no Brasil, em novembro, e porque a água deveria ser o tema central do encontro.Para a professora, esta é a primeira vez em seus 30 anos de existência, que a COP vai ser realizada em um país da América do Sul e que o principal tema a ser debatido deveria ser a responsabilidade com as águas. A escolha do local para a realização da COP, segundo a professora, dá margem para a discussão sobre a água, pois Belém é a “terra das chuvas com hora marcada”.Outro aspecto mencionado pela professora é o das áreas úmidas. Esses ambientes são ecossistemas, entre ambientes aquáticos e terrestres, continentais ou costeiros, fundamentais para o ciclo da água e a preservação da biodiversidade. As áreas úmidas, segundo Yara, são fixadoras de carbono e, quando desmatadas, liberam o gás de efeito estufa na atmosfera, tornando-a mais tóxica.
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#173: Mundo tecnológico gera preocupação com impactos ambientais
Neste episódio, o Programa Ambiente é o Meio recebe o professor Daniel de Angelis Cordeiro, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, para falar sobre computação sustentável e questões socioambientais ligadas à computação.Segundo o professor, o uso da computação e de recursos computacionais oferece impactos ambientais preocupantes. Não só pela quantidade de energia gasta para o funcionamento do computador e seu descarte adequado, mas por questões que vão da manufatura desses hardwares ao transporte dos computadores.Cordeiro afirma ainda que existe preocupação com o descarte de lixo eletrônico e que cada país tem sua própria legislação quanto a isso. No entanto, o professor explica que nem todos os computadores podem ser reciclados devido a conteúdos que não podem ser completamente apagados, ou materiais que não podem ser reaproveitados.Ao longo do episódio, o professor também fala sobre uma estimativa do Banco Mundial, publicada em 2024, apontando que 5% a 6% de toda a energia produzida no mundo é utilizada apenas em tecnologia de informação e comunicação, incluindo data centers, celulares, televisões e relógios inteligentes. A mesma estimativa aponta que a computação é responsável por entre 1,7% a 4% de todas as emissões de gases de efeito estufa no mundo.
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#172: Falta de coleta de lixo favorece descarte irregular e contaminação ambiental
Nesse episódio, o Programa Ambiente é o Meio recebe o biólogo marinho e presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis, para falar sobre a poluição marinha por microplásticos.Schepis inicia o programa explicando que o próprio mar deposita grandes quantidades de resíduos nas praias e nos estuários, uma região costeira onde a água doce e a água do mar se misturam. A vegetação desses locais, os mangues, é um berçário para a vida marinha e também um filtro biológico natural para a depuração da matéria orgânica.O presidente do EcoFaxina também afirma que o descarte irregular dos resíduos é realizado, na maioria das vezes, pelos moradores das regiões litorâneas por não contarem com serviços públicos de coleta de lixo e rede de esgoto. O descarte inadequado, enfatiza Schepis, impacta o meio ambiente, a cadeia trófica e, consequentemente, a saúde da população que se alimenta de animais de origem marinha contaminados pelos resíduos e pelos micro plásticos.Para Schepis, a solução para a questão da poluição marinha é a coleta dos resíduos pelos próprios moradores das comunidades. Essa ação, além de ajudar na preservação ambiental, é capaz de promover a geração de empregos.
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#171: Descarte inadequado contamina meio ambiente com micro plásticos
Neste episódio, o Programa Ambiente é o Meio recebe o pesquisador e professor Ítalo Braga de Castro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para falar sobre a presença de micro plásticos nas águas e nas cadeias tróficas.O professor inicia o episódio explicando que micro plásticos são fragmentos de plástico menores que 5 milímetros e maiores que 1 micrômetro, que podem atingir o meio ambiente por meio do descarte inadequado de plásticos ou de escapes do sistema de gestão de resíduos.Castro também explica o que são organismos sentinelas, usados para monitorar a contaminação das águas pelos microplásticos. Esses animais (moluscos, ostras e mexilhões) acumulam os plásticos porque filtram grandes quantidades de água diariamente. Por conta da filtragem de água, esses sentinelas não acumulam os micro plásticos em seus organismos para sempre, mas ainda são capazes de transmiti-los para outros animais – inclusive os humanos – por meio da ingestão.O pesquisador finaliza afirmando que ainda não existem limites seguros estabelecidos para os micro plásticos, como acontece com os metais pesados, e que a exposição humana a esses materiais pode acelerar processos inflamatórios e causar danos ao material genético.
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#170: Rios e aquíferos realizam troca de água em interação natural
Neste episódio, o Ambiente é o Meio recebe o engenheiro José Uchôa, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, para falar sobre a perda de água subterrânea de aquíferos e a diminuição da vazão de água de rios brasileiros.Uchôa inicia o episódio falando sobre a interação natural entre rios e aquíferos, que realizam troca de água em época de estiagem. O pesquisador explica que as trocas acontecem por conta dos níveis dos rios e dos aquíferos em conexões hidráulicas entre eles. Segundo Uchôa, rios perenes, aqueles que não secam mesmo em épocas de estiagem, continuam correndo por conta da água que recebem de aquíferos. Já os rios não perenes, aqueles que secam, cedem água para os aquíferos, que na época de estiagem ficam com os níveis mais baixos, ou por fatores como o uso agrícola dessas águas. Segundo o pesquisador, potencialmente, mais de 50% dos rios brasileiros perdem água para aquíferos por conta de um conjunto de fatores, que incluem a geologia e o clima da área onde ficam localizados. Acrescenta ainda que determinadas regiões brasileiras utilizam mais águas subterrâneas do que outras, como a região de Ribeirão Preto, onde os aquíferos já tiveram uma diminuição de cerca de 30 metros no nível de água.
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#169: Pesquisa liga uso de agrotóxicos ao aumento do câncer em produtores rurais
Neste episódio, o Ambiente é o Meio recebe a enfermeira e pesquisadora em ciências da saúde Fernanda Meire Cioato para falar sobre sua pesquisa que relaciona o desenvolvimento de câncer em agricultores ao uso excessivo de agrotóxicos, desenvolvida na Universidade de Caxias do Sul (UCS). A pesquisa realizada por Fernanda analisou agricultores da região de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e mostrou a relação entre o uso de agrotóxicos, que tem aumentado no País nos últimos anos, e sua relação com o crescente número de casos de câncer em agricultores.A pesquisadora diz ainda que os tipos mais comuns da doença observados nos produtores rurais são o câncer de mama nas mulheres, de próstata nos homens, além de câncer de pulmão e leucemias. Fernanda também afirma que os homens são os principais afetados pois mantêm contato mais direto com os produtos do que as mulheres.Fernanda afirma ainda que é necessário pensar em novas formas de garantir a produção de alimentos de qualidade, tanto para que os produtores tenham menos contato com agrotóxicos quanto para que esses alimentos sejam saudáveis para o consumidor final.
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ABOUT THIS SHOW
Criado em 2006, é um programa de entrevistas semanais, vinculado à Rádio USP, que aborda diversos temas sócio-científicos em um contexto ambiental, analisando questões de sustentabilidade por meio de diálogos com especialistas e pesquisadores da área.É um projeto de extensão da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, em parceria com a Rádio USP, coordenado pelos professores José Marcelino de Rezende Pinto e Marcelo Pereira de Souza, ambos da FFCLRP.
HOSTED BY
Ambiente é o meio
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