Coluna Atílio Bari

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Coluna Atílio Bari

Coluna Atílio Bari

  1. 115

    O riso crítico de Juca de Oliveira em “Caixa 2” retorna

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari relembra a trajetória do ator e dramaturgo Juca de Oliveira, falecido há pouco mais de um mês, e sua formação no histórico Teatro de Arena, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, Milton Gonçalves e tantos outros. Surgido no início dos anos 1960, o grupo desenvolveu uma dramaturgia voltada às questões sociais e políticas do Brasil, em contraste com o repertório clássico do Teatro Brasileiro de Comédia e a estética mais acadêmica ligada à Escola de Arte Dramática. Foi nesse ambiente de intensa efervescência política que Juca consolidou uma carreira marcada pelo engajamento crítico.Ele nunca abandonou o olhar atento às contradições do país. Essa postura se reflete em “Caixa 2”, comédia de sua autoria que expõe, com humor ácido, as relações obscuras entre o sistema financeiro e figuras de poder. Na trama, uma quantia milionária vai parar em uma conta errada, desencadeando um conflito que revela suspeitas de corrupção, propinas e crimes diversos.Montada originalmente em 1997, a peça foi um grande sucesso. Agora, retornou aos palcos no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, sob direção de Alexandre Reinecke, com Paulo Gorgulho no papel do banqueiro, ao lado de Cássio Scapin, Taumaturgo Ferreira e Flávia Garrafa. O espetáculo, em cartaz até 31 de maio, constrói um retrato irônico e perturbador das engrenagens da corrupção, convidando o público a rir — e se indignar — diante de escândalos que já não surpreendem, mas seguem profundamente presentes.

  2. 114

    Livros no lixo e o peso simbólico do descaso cultural

    Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari comenta um caso de descarte de livros em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, onde funcionários da Prefeitura foram flagrados jogando centenas de exemplares da Biblioteca Pública Monteiro Lobato em caçambas. As imagens mostram livros sendo transportados em carrinhos de mão e arremessados sem qualquer cuidado. Diante da repercussão, a Prefeitura apresentou explicações que, na avaliação do colunista, não se sustentam diante do que foi registrado.Ele chama atenção para o contexto mais amplo do problema. A biblioteca está fechada desde 2020 para uma reforma que nunca começou, o que pode ter contribuído para a deterioração do acervo. Ainda assim, Atílio argumenta, existem técnicas capazes de recuperar livros afetados por fungos, o que torna o descarte ainda mais questionável. Além disso, havia entre os títulos descartados, possivelmente obras raras, títulos fora de catálogo e produções de autores locais — materiais que não podem simplesmente ser substituídos. Para o colunista, o episódio escancara o descaso recorrente com espaços culturais como bibliotecas, museus e teatros.Ao refletir sobre o caso, ele amplia a discussão ao lembrar que a eliminação de livros carrega um peso simbólico histórico, presente em episódios como a “Queima de livros” na Alemanha Nazista. O colunista também cita o filme Fahrenheit 451, de François Truffaut, que retrata uma sociedade onde a palavra escrita é proibida e livros são sistematicamente destruídos. Embora reconheça diferenças entre ficção, história e o caso de Osasco, ele destaca que a reação popular é essencial para conter o descaso e preservar o valor da cultura.

  3. 113

    Tiradentes: da execução ao mito nacional brasileiro

    Na coluna desta semana, escrita no feriado de 21 de abril, Atílio Bari retoma a história de Tiradentes para refletir sobre sua trajetória e construção como símbolo nacional. Joaquim José da Silva Xavier foi executado em 1792, acusado de liderar a Inconfidência Mineira, movimento contra os impostos da Coroa Portuguesa. Ao longo do tempo, sua figura inspirou obras importantes, como peças teatrais e o “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles, consolidando sua presença no imaginário histórico e cultural brasileiro.Diferentemente de outros inconfidentes, Tiradentes não fazia parte da elite influente da época. Embora tivesse posses e atuasse como alferes, não contava com proteção política, militar ou religiosa durante o longo processo judicial. Enquanto outros envolvidos conseguiram preservar bens e reduzir punições por meio de manobras e relações de poder, ele acabou isolado, sendo o mais penalizado — perdeu tudo e foi executado, tornando-se o principal bode expiatório do movimento.Após a morte, sua imagem caiu no esquecimento por décadas, sendo resgatada apenas com a Proclamação da República, quando passou a ser construído como herói nacional. Essa reconstrução atendeu a interesses políticos e simbólicos, aproximando-o tanto do povo quanto de instituições como o Exército e a Igreja. A partir disso, Tiradentes tornou-se figura central na memória nacional — mas sua história também levanta questionamentos atuais sobre poder, injustiça e os riscos enfrentados por quem desafia estruturas dominantes.

  4. 112

    O lado oculto da Lua e as sombras persistentes do Brasil

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari explora o lado oculto da Lua, que sempre despertou a curiosidade humana, inspirando cientistas, escritores e até correntes esotéricas ao longo do tempo. Em 1973, a banda Pink Floyd transformou esse fascínio em música ao lançar “The dark side of the moon”, um dos álbuns mais icônicos da história. Com a famosa capa do prisma que decompõe a luz em cores, o disco aborda temas universais como tempo, morte, loucura e dinheiro.O colunista também menciona missões espaciais recentes que voltaram a explorar o satélite natural da Terra, como a Artemis II, reunindo cientistas de diversos países para observar justamente esse “lado de lá”. Lamentando a ausência do Brasil na iniciativa, Atílio faz um paralelo com os “lados ocultos” nacionais, afirmando que, por aqui, o conhecimento parece maior quando o assunto reflete as sombras da política e das instituições. Em sua análise, práticas como ocultação de recursos e irregularidades administrativas continuam sendo recorrentes.Para ele, exemplos recentes reforçam essa percepção: figuras políticas envolvidas em escândalos passados retornam a cargos de destaque após processos prescritos, enquanto denúncias de favorecimento e irregularidades continuam surgindo em diferentes esferas do poder. Ao mesmo tempo, cidadãos comuns, como aposentados, enfrentam prejuízos causados por fraudes e descontos indevidos, muitas vezes sem resposta. Entre metáforas e realidade, o “lado escuro” brasileiro expõe desigualdades e problemas estruturais, já retratados há décadas em obras artísticas como a peça Caixa 2 — em nova temporada no Teatro das Artes, em São Paulo, a partir de 17 de abril — que denuncia justamente os bastidores ocultos das finanças e da política no país.

  5. 111

    De Medéia a Joana: a tragédia social em “Gota d’água”

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari revisita o mito de Medéia, a mulher traída que assassina os próprios filhos. No Brasil, em 1975, durante a ditadura militar e sob a censura imposta pelo AI-5, Chico Buarque e Paulo Pontes trouxeram uma releitura contundente com “Gota d’água”, transpondo o mito para a realidade de um subúrbio carioca marcado por repressão, desigualdade e medo. Como eco desse contexto, a obra incorpora versos emblemáticos: “Quero lançar um grito desumano/ Que é uma maneira de ser escutado”.Na adaptação brasileira, Medéia se transforma em Joana, mulher que dedicou a vida a Jasão, um sambista a quem ajudou a formar como homem e artista. Em ascensão graças à música “Gota d’água”, ele abandona Joana para se casar com a filha de seu produtor, também proprietário do conjunto habitacional onde vivem. Joana, por sua vez, é empurrada à exclusão e à perda, o que a conduz a uma vingança levada às últimas consequências.Décadas depois, a obra retorna aos palcos em “Gota d’água - no tempo”, dirigida e protagonizada por Georgette Fadel, que revisita sua premiada interpretação de Joana. A nova montagem, em cartaz até 3 de maio, no Sesc Consolação, reafirma a atualidade dos temas abordados: desigualdade social, individualismo crescente e a corrosão dos valores sob a lógica do capital. Com elenco ampliado, banda ao vivo e a presença de Cristiano Tomiossi retomando o papel de Jasão, o espetáculo permanece como um retrato incisivo de uma sociedade em que ascensão e sobrevivência frequentemente exigem rupturas morais profundas.

  6. 110

    A estrela Dalva de Oliveira revive em memória e no palco

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari revisita a trajetória de Dalva de Oliveira, uma das maiores vozes do rádio nas décadas de 1940 e 1950. A “Rainha da voz” arrastava multidões e emocionava ouvintes com canções de amores intensos e sofridos. “Os corações mais sensíveis se emocionavam às lágrimas com as suas interpretações”, enquanto fãs se acotovelavam na porta da Rádio Nacional para ver de perto sua majestade.  Entre esses admiradores estava Renato Borghi, que se encantou ainda criança com a voz de Dalva ao ouvi-la em um disco infantil. “Foi o início de um amor descomunal”, que atravessou décadas e se transformou em devoção artística. O ator acompanhou intensamente os episódios da vida da cantora. Anos depois, já consagrado no teatro ao lado de Zé Celso Martinez Corrêa, Borghi tentou levar Dalva aos palcos, sonho interrompido pela morte da artista. Em 1987, transformou essa paixão no espetáculo “A Estrela Dalva”, protagonizado por Marília Pêra.Quase quatro décadas depois, esse vínculo ganhou uma nova forma no espetáculo “Minha estrela Dalva”, em cartaz até julho no Teatro do Sesi, na Avenida Paulista. Em cena, Borghi revisita sua própria memória e imagina encontros com a cantora. A montagem conta com Soraya Ravenle no papel da estrela, além de Elcio Nogueira Seixas interpretando o Borghi jovem, sob direção de Elias Andreato. Aos 91 anos, Borghi segue emocionado e fiel àquela voz que o encantou na infância, provando que algumas paixões atravessam o tempo e se eternizam no palco.

  7. 109

    Juca de Oliveira deixa legado marcante na dramaturgia brasileira

    Na coluna desta quarta-feira (25), Atílio Bari lamenta a morte de Juca de Oliveira, anunciada no último sábado. Ao longo de décadas, o ator construiu uma trajetória marcante na televisão, no cinema e, sobretudo, no teatro. Entre seus trabalhos mais lembrados estão o filme “O caso dos irmãos Naves”, dirigido por Luiz Sérgio Person, e a potente adaptação de “Rei Lear”, apresentada em forma de monólogo. Sua presença em cena, sempre intensa, consolidou uma carreira admirada por público e crítica.Ainda jovem, Juca destacou-se em montagens como Frei Luís de Sousa, ao lado de Aracy Balabanian, e logo iniciou sua carreira profissional, passando pelo Teatro Brasileiro de Comédia e pelo Teatro de Arena. Durante a ditadura militar, enfrentou a repressão e chegou a se exilar na Bolívia com Gianfrancesco Guarnieri. De volta ao Brasil, integrou o elenco de novelas importantes, como “Saramandaia” e “Nino, o italianinho”.Com o fim da censura, retornou ao teatro também como dramaturgo, escrevendo peças de grande repercussão, como “Caixa dois” e “Qualquer gato vira-lata tem uma vida sexual mais sadia que a nossa”.Seu trabalho abordava temas como corrupção, desigualdade e as contradições da sociedade brasileira. Conhecido pelo humor e pela personalidade afetuosa, costumava brincar que gostava de “se reunir com amigos para tomar vinho e falar mal de quem não estivesse presente”. Juca de Oliveira deixa um legado duradouro na cultura nacional, com personagens, reflexões e uma dedicação profunda ao teatro que seguem vivos na memória do público.

  8. 108

    Agro e poder viram alvo crítico na Agropeça teatral

    Na coluna de hoje, o agronegócio é apresentado como uma força dominante não apenas na economia brasileira, mas também na cultura e no imaginário popular, impulsionado por campanhas que repetem o lema “o agro é pop”. Esse poder econômico e simbólico ultrapassa o campo e se espalha pela música, pela moda e pelo comportamento, consolidando o chamado “agronejo” e suas variações.O grupo Teatro da Vertigem propõe uma reflexão crítica com o espetáculo “Agropeça”, ambientado em uma arena de rodeio e inspirado no universo do “Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, ressignificado sob uma perspectiva maisdura. A montagem reconstrói os personagens: Pedrinho surge como um homem conservador e machista, Narizinho questiona a exploração de Tia Anastácia, o Visconde representa o capital estrangeiro e Emília, além de objeto de desejo, assume o papel de denúncia social.Encenado em um espaço ligado ao MST, o espetáculo adota um tom crítico que, por vezes, pode soar unilateral, mas ganha força ao incorporar elementos de festa de rodeio, com música, religiosidade e figuras políticas. Com direção de Antonio Araújo e destaque para Tenca Silva no papel de Emília, Agropeça se apresenta como “uma experiência e tanto”, ao tensionar o universo agro em suas múltiplas dimensões.

  9. 107

    Mostra internacional de teatro movimenta São Paulo

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari destaca a 11ª edição da “Mostra internacional de teatro de São Paulo”, em cartaz até 15 de março. A iniciativa retoma o espírito dos históricos festivais organizados entre as décadas de 1970 e 1990 pela produtora e atriz Ruth Escobar, que trouxe ao Brasil encenadores e companhias de várias partes do mundo. A MIT SP foi criada em 2014 pelo diretor Antonio Araújo e pelo produtor cultural Guilherme Marques, com colaboração de Raphael Steinhauser e uma ampla equipe, resgatando essa tradição de intercâmbio artístico internacional.Mais do que trazer espetáculos estrangeiros, o evento também promove processos criativos, performances, debates e ações pedagógicas, reunindo produções internacionais e trabalhos de várias regiões do Brasil. A abertura da Mostra apresentou “História da violência”, adaptação da obra do escritor francês Édouard Louis, em uma encenação vinda da Alemanha que aborda temas como racismo, homofobia e relações familiares. A trama acompanha um jovem que leva para casa um homem de origem argelina e vê a relação afetiva inicial se transformar em um episódio de extrema violência. Outro destaque da programação é “Quem matou meu pai”, também baseado na obra de Édouard Louis, em cartaz até sexta-feira no Teatro Paulo Autran. No espetáculo, o próprio autor revisita sua relação conturbada com o pai alcoólatra e violento, enquanto discute temas como desigualdade social e preconceito na França contemporânea. Com uma programação extensa — confira em mitsp.org —, que inclui espetáculos, debates, performances e atividades gratuitas espalhadas por diversos espaços da cidade, a MIT-SP segue consolidando seu papel como um dos eventos mais importantes do teatro em São Paulo.

  10. 106

    Medea de Sêneca: paixão, ódio e a ambiguidade humana

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari destaca “Medea”, de Sêneca, em cartaz no Sesc Consolação até 15 de março, com direção de Gabriel Villela. A montagem parte da versão escrita nos primeiros anos do cristianismo e mergulha na face mais cruel do mito eternizado por Eurípides. Aqui, a história da mulher que trai a própria família por amor a Jasão e, depois, tomada pelo ódio, executa uma vingança devastadora, ganha contornos ainda mais duros. O espetáculo apresenta uma Medéia fragmentada em três vozes: Rosana Stavis surge como a narradora que antecipa a explosão final; Mariana Muniz encarna a face mística da personagem; e Walderez de Barros relata friamente os atos sangrentos que culminam na morte de Creusa, do rei Creonte e dos próprios filhos.Concebida por Villela, a encenação está centrada na palavra, “mastigada e pronunciada pelo elenco impecável em tons trágicos”, em contraste com os diálogos coloquiais. A cenografia de J. C. Serroni cria um ambiente de ruínas gregas envelhecidas e grandes cortinas que envolvem o espaço cênico, enquanto figurinos e máscaras suntuosos, com toques de dourado, reforçam o peso dramático da tragédia. “Cruel, como cruéis são os dias que vivemos, de falsidades, vinganças, loucuras e ódios. Mas acima de tudo, um espetáculo fascinante”, conclui o colunista.  

  11. 105

    Alô, alô marciano, procuro sinais de vida inteligente

    Na coluna desta quarta-feira (25), Atílio Bari comenta a peça “CHOQUE! Procurando sinais de vida inteligente”, em cartaz até 29 de março no Teatro FAAP. Com direção de Gerald Thomas, que interveio no texto original escrito por Jane Wagner, a obra se estabelece como uma reflexão sobre as contradições humanas, o papel da mulher na sociedade e os dilemas da vida contemporânea. Todos os personagens da encenação, estruturada como um monólogo múltiplo, são interpretados pela atriz Danielle Winits.O colunista se pergunta o que a personagem principal, cercada de sacos de lixo e restos de embalagens de sopa, está buscando. “O que busca o ser humano nesse mundo conturbado em que vivemos, recheado de TikToks que nos enganam, de Instagrams que nos confundem, de burnouts e desesperanças?”. A resposta pode vir do próprio diretor da montagem: Gerald Thomas reflete que os mundos criados por Aldous Huxley e George Orwell eram temidos, mas agora, talvez, por causa dessa epidemia de “influencers”, os jovens estarão, de fato, condenados a desaprender tudo aquilo que a história ensinou. O questionamento deixa de ser sobre a existência de vida inteligente lá fora e passa a ser se há aqui dentro. Na trama, a catadora, Trudy, apresenta diferentes pontos de vista sobre temas como a lógica capitalista e as relações humanas. Para Atílio, Danielle se prova uma atriz “madura, forte, vigorosa, dona absoluta da cena, com sua voz potente e suas expressões e gestuais desconcertantes”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção._________Estação CulturaDe segunda a sexta, das 10h às 12h, na Cultura FMProdução e reportagem: Cirley RibeiroApresentação: Teca LimaRádio Cultura FM103,3 MHzhttps://cultura.uol.com.br/radio/APP – CULTURA PLAY

  12. 104

    Justiça, violência e o motociclista no globo da morte

    Até que ponto uma violência descabida pode nos levar a cometer atitudes impensadas?É a pergunta que Atílio Bari lança aos ouvintes na coluna desta quarta-feira (11). No episódio, o colunista fala sobre o espetáculo “O motociclista no globo da morte”, em cartaz no Teatro Vivo até 29 de março. A história de Antônio, vivido por Eduardo Moscovis, coloca um homem tranquilo, pacato e sensato diante de uma situação de injustiça e violência.A trama apresenta uma situação semelhante a um caso de brutalidade que comoveu o país: o caso do cão Orelha. No espetáculo, um homem agressivo, ressentido pela rejeição de uma garçonete, decide descontar a fúria em um cachorro de rua que costuma andar pela região. O que ele faz com o animal causa uma revolta no protagonista que, até então, era apenas espectador da barbárie, armado de um princípio que o isenta de responsabilidade, definido pelo colunista como: “não é comigo, não tenho nada com isso”.Com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, a obra não utiliza artifícios cênicos para contar a história, narrada cruamente por Moscovis, aumentando a perplexidade do espectador. Por fim, Atílio levanta outro questionamento: “aonde pode nos levar essa normalização da agressividade que está afetando os nossos sentimentos e os nossos julgamentos? A violência gera violência? Como diz a peça, somos todos motociclistas num imenso globo da morte, se esquivando dos semelhantes para evitar um desastre”.Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do Estação Cultura, todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.__________ Estação CulturaDe segunda a sexta, das 10h às 12h, na Cultura FMProdução e reportagem: Cirley RibeiroApresentação: Teca LimaRádio Cultura FM103,3 MHzhttps://cultura.uol.com.br/radio/APP – CULTURA PLAY

  13. 103

    A crítica atemporal presente na “Ópera do malandro”

    Em 1978, tempos de ditadura militar no Brasil, a “Ópera do malandro” chegou ao palco do Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro. Uma criação de Chico Buarque, com direção de Luís Antônio Martinez Corrêa, irmão de Zé Celso. Na versão brasileira da “Ópera dos três vinténs”, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht — que, por sua vez, foi inspirada na “Ópera dos mendigos”, de John Gay —, a história se passa na Lapa, famoso bairro boêmio do Rio que, nos anos 1940, entra em processo de decadência. A trama acompanha malandros, prostitutas, contrabandistas, policiais desonestos e empresários inescrupulosos, propondo-se a retratar a sociedade brasileira e denunciar costumes enraizados desde a política até a classe mais baixa.Na coluna desta quarta-feira (04), Atílio Bari comenta uma nova versão do espetáculo, cuja crítica que carrega se prova atemporal. A montagem, em cartaz até março no Teatro Renault, apresenta, segundo o diretor Jorge Farjalla, uma nova visão do clássico. “Ressaltou as personagens femininas, ampliou o papel de algumas delas, trouxe a travesti Geni para o centro da trama, trouxe a umbanda, misturou tudo com melodrama, tiroteios, e incorporou canções que não faziam parte da montagem original”.Para o colunista, Farjalla “criou um espetáculo grandioso, em que ressalta, mais do que em algumas das montagens anteriores, a face mais hipócrita dos valores da família brasileira. E dos nossos políticos. E das nossas policias. Enfim, do nosso país, corrupto, venal, injusto e violento”. No elenco, Ernani Moraes, Totia Meireles e José Loreto dão vida aos personagens centrais do enredo concebido por Buarque que, claro, está presente na trilha sonora com clássicos como “Geni e o zepelim”, “Folhetim” e “Homenagem ao malandro.Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do Estação Cultura, todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

  14. 102

    Os perigos do habitat nosso de cada dia

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre o espetáculo “Habitat”, em cartaz no Teatro Estúdio. Escrito e estrelado por Rafael Primot, com direção de Lavinia Pannunzio e Eric Lenate, o texto acompanha o drama de Adailton, segurança de um supermercado a quem o patrão dá a ordem de resolver o problema de um cão vira-lata que vai todos os dias ao estabelecimento, causando reclamações por parte da clientela.Com medo de perder o emprego, sua única fonte de sustento, Adailton recorre à violência depois de tentar afugentar o cachorro de outras maneiras. Assim como na história real na qual a obra foi inspirada, a cena foi gravada e chegou a uma jornalista que mantém uma ONG de proteção a animais, interpretada por Fernanda de Freitas. O vídeo viraliza e, “a partir daí, desenrola-se um jogo de interesses, hipocrisias e estratégias maquiavélicas. O habitual julgamento das redes sociais é, como quase sempre acontece, implacável, e Adailton passa a ser o monstro do momento”. “Habitat” é um retrato doimediatismo com o qual as opiniões são formadas, impulsionado pelas redes sociais. Nas palavras de Atílio: “A violência é o pano de fundo da peça. Não só a violência física praticada pelo segurança em um momento de desespero, mas também a violência de quem detém poderes contra aqueles que são desprovidos de qualquer tipo de defesa”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  15. 101

    O ano começa com teatro na cidade de São Paulo!

    Na primeira coluna do ano, Atílio Bari destaca alguns dos espetáculos teatrais que entraram em cartaz na capital paulista no primeiro mês de 2026. Palcos dos mais de 120 teatros espalhados pela cidade que nunca dorme já vibram com a movimentação do público, que lota casas e reafirma o interesse pela arte milenar.A primeira produção citada é “Domingo no Parque”, em cartaz no Teatro Claro Mais SP. A obra de Alexandre Heinecke é baseada na música homônima de Gilberto Gil, que relata o triângulo amoroso entre José, o rei da brincadeira, João, o rei da confusão, e Juliana, pivô da tragédia narrada ao som da capoeira. Já “Felicidade”, também inspirada em uma canção — “Vai (Amanhã de Manhã)”, de Tom Zé —, fica até fevereiro no Teatro Sérgio Cardoso. O texto do cartunista Caco Galhardo, com participação e direção musical de Zeca Baleiro, acompanha uma mulher que acorda completamente feliz, sem qualquer motivo.Até fevereiro também é possível prestigiar “Mulher em Fuga”, no Sesc 14 Bis, e “A Palma”, no Instituto Capobianco. A primeira, estrelada por Malu Galli, adapta dois livros do francês Édouard Louis sobre a própria mãe; já na segunda, uma atriz é tomada pela amargura porque não conseguiu alcançar o sucesso tão sonhado. Por fim, a peça “Dois Patrões” reimagina os eventos de “Arlequim, Servidor de Dois Patrões”, clássico texto da commedia dell’arte escrito por Carlo Goldoni no século XVIII. “Pantaleone surge como um chefão do jogo de bicho, e o criado Arlequim agora se chama Tico Sorriso, um sub empregado sempre faminto, embora tenha dois empregos”. A comédia dirigida por Neyde Veneziano e Giovani Tozi está em cartaz até o dia primeiro de março, no Teatro Itália.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  16. 100

    Por mais teatro em nossas vidas em 2026

    Na última coluna de 2025, Atílio Bari reflete sobre o fim de ano como um tempo de pausa e retrospectiva. É o momento de revisitar desafios superados, conquistas, encontros e despedidas, além de repensar escolhas, acertos e tropeços ao longo do caminho. A vida, feita de percursos imprevisíveis, convida a esse olhar atento para o que foi vivido e para aquilo que ainda pode vir a ser.O colunista destaca a atmosfera singular desse período, em que as luzes que enfeitam ruas e janelas parecem iluminar também as memórias e o interior das pessoas. Gestos simples ganham novos significados, renovam-se esperanças e fortalece-se a crença nas relações humanas e na possibilidade de um país melhor. O fim de ano surge, assim, como um convite à gratidão pelas oportunidades e pelas lições aprendidas, além da promessa simbólica de recomeço.Por fim, Atílio ressalta o papel fundamental da arte na construção da sensibilidade e da humanidade, com destaque especial para o teatro. Arte milenar, capaz de reunir todas as outras, o teatro cria mundos imaginários que refletem a realidade, preservam memórias e ampliam horizontes. É por meio dele que nos reconhecemos, nos transformamos e exercitamos a humanidade em seu sentido mais profundo, reafirmando a importância de mantê-lo sempre vivo. Evoé!Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  17. 99

    A banalidade do mal e os tempos de paz

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo de Bosco Brasil, “Novas Diretrizes em Tempo de Paz”, em cartaz até fevereiro no Teatro Estúdio. A peça se passa em meados da década de 1940, quando terminaram, quase ao mesmo tempo, a Segunda Guerra Mundial e a ditadura de Getúlio Vargas. O personagem principal, Clausewitz, interpretado por Eric Lenate, é um judeu polonês que trabalhava como ator em seu país. Da Polônia ele escapa para Manchester, na Inglaterra, e lá consegue um visto para entrar no Brasil.No Rio de Janeiro, Clausewitz começa a trabalhar em uma repartição pública, onde é submetido a um longo interrogatório por Segismundo, um colega de trabalho ranzinza, vivido por Fernando Billi. O polonês acaba lhe revelando os terríveis acontecimentos presenciados com a família e amigos, além de admitir a mentira que contou para ser aceito em solo brasileiro. Segismundo, autor de inúmeras atrocidades no passado de torturador a serviço da ditadura de Vargas, não se comove.Nas palavras de Atílio: “Escancara-se a banalidade do mal, na figura daquele funcionário que se coloca como um mero cumpridor de ordens, sejam elas quais forem, a serviço de um estado autoritário e repressor”. Segismundo propõe, então, um desafio: se Clausewitz se sair bem, o ex-torturador permitirá que fique no Brasil. Caso contrário denunciará a mentira do ex-ator, que voltará imediatamente para a Polônia destroçada, no navio que já está apitando ali no porto.Por fim, o colunista define a obra como “um convite à reflexão sobre a violência praticada pelos governos, os horrores das guerras e as desumanidades que as pessoas cometem, umas contra as outras”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  18. 98

    Gerald Thomas e as catástrofes nossas de cada dia

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a peça “Sabius, Os Moleques”, em cartaz no Sesc 14 Bis até o fim de dezembro. Escrita e dirigida por Gerald Thomas, a trama é sobre um planeta Terra que sucumbiu à humanidade, cometeu suicídio e caiu de sua órbita em uma cratera de outro mundo. Segundo Atílio, o espetáculo reafirma Thomas como um artista radical e que nunca deixa de surpreender. “Em Sabius, os Moleques, temos uma fábula inquietante, uma narrativa em que se misturam filosofia, crítica social e um questionamento corrosivo sobre os rumos da humanidade. É um teatro que não se destina a um mero entretenimento”.Para o colunista, “a intensidade das imagens provoca o espectador, e acentua o inconformismo que o autor e diretor destila através do seu sarcasmo e da sua ironia, e do seu desencanto com os rumos da nossa civilização. Tudo era melhor no passado? E no passado do passado? Por acaso um pretérito mais que perfeito? E o futuro do futuro, o que será?”Atílio Bari ainda cita a fase de grande efervescência criativa do diretor, que teve seu experimentalismo forjado no histórico teatro La MaMa, em Nova York, além de mergulhos na dramaturgia de Samuel Beckett e diversas montagens com a Companhia Ópera Seca. Outra peça dirigida por Thomas, “Choque – Procurando Sinais de Vida Inteligente”, estreou no Rio de Janeiro e, em breve estará num palco em São Paulo.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  19. 97

    O indecifrável poder do teatro para transformar

    No episódio desta quarta-feira, Atílio Bari compartilha um momento íntimo que, em suas palavras, “reafirma o poder do teatro na vida das pessoas”. Espectador de apresentações de fim de semestre de um curso de teatro, o colunista relata o impacto que a quinta arte causou nos estudantes que sobem ao palco. Para além das técnicas de interpretação, “eles se tornaram, visivelmente, pessoas mais completas. Foram percebendo que estudar teatro não é simplesmente aprender a decorar falas ou subir num palco. É mergulhar em um universo de descobertas pessoais e coletivas. É olhar para dentro de si e perceber que cada emoção, cada gesto, cada palavra pode se tornar uma ponte para se conectar com o outro”, afirma Atílio.Ele também explica o que o teatro exige de seus profissionais: disciplina, dedicação, coragem para os improvisos e perseverança para superar “o famoso frio na barriga, que, aliás, sempre existirá”.O colunista conclui citando suas próprias memórias, em uma reflexão sobre a relevância do teatro para a humanidade como um todo. “Penso que as coisas seriam muito melhores se todo mundo tivesse a oportunidade de colocar o teatro na sua vida”, ele diz, sobre o teatro rigoroso, generoso, sensível e humano.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  20. 96

    As vítimas da repressão em “Um Dia Muito Especial”

    Na coluna desta quarta-feira (19), Atílio Bari comenta o espetáculo “Um Dia Muito Especial”, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso. No palco, Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall interpretam os protagonistas originalmente vividos por Marcello Mastroianni e Sophia Loren no filme de Ettore Scola, lançado em 1977. A peça se passa em Roma, no dia 6 de maio de 1938, data em que Benito Mussolini e Adolf Hitler, que haviam firmado uma aliança política dois anos antes, desfilaram pelas ruas da cidade, acompanhados pelas massas. “Dentre todos os moradores de um modesto conjunto residencial de classe média, talvez média baixa, apenas duas pessoas não foram ver o desfile. Uma delas era uma dona de casa, ocupada em tirar da cama os seus seis filhos, cuidar da comida, lavar as roupas e colocar uma certa ordem no lar, doce lar. A outra pessoa era um radialista que havia sido recentemente demitido do seu emprego.”Os vizinhos tornam-se amigos e, a partir de suas conversas, “ao som do rádio da zeladora do prédio, que transmite as marchas e os aplausos do povo na parada militar, ambos se descobrem vítimas de uma sociedade repressora: ele por ser homossexual, e ela por perceber a sua condição de massacrada pelo machismo vigente, e relegada ao papel de mera reprodutora, cuidadora dos filhos e da casa, sem qualquer perspectiva para a sua vida senão a de se submeter aos caprichos do marido, chefe absoluto do lar”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  21. 95

    A república e a tal soberania brasileira

    Na coluna desta quarta-feira (12), Atílio Bari analisa as movimentações que culminaram na Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Na noite anterior o povo brasileiro havia ido dormir submetido às ordens de um rei, e amanheceu conhecendo um novo regime de governo: a república. A mudança, apesar de parecer súbita, vinha se estruturando desde o começo do século XVIII, defendida por figuras como Bernardo Vieira de Mello, principal incitador da Guerra dos Mascates. Foi ele quem subiu ao parlatório da Câmara de Vereadores de Olinda e deu o primeiro grito de “República do Brasil”. Quase 180 anos mais tarde, o Marechal Deodoro da Fonseca levantou-se no meio da noite, “colocou a farda cheia de medalhas, sem a espada, porque ela lhe apertava a barriga, montou em seu cavalo baio e foi até o Ministério da Guerra, onde pronunciou um meio discurso para a meia dúzia de militares que ali estava” e assinou, finalmente, a Proclamação. Os brasileiros, então, “acordariam todos num país soberano, sem ter a menor ideia do que isso mudaria nas suas vidas”.Atílio finaliza com uma crítica: “Hoje os tempos são outros, a voz das ruas tem mais peso, a população é mais atenta. Mas verdade seja dita: a tal soberania ainda não chegou à mãe do menino pobre da periferia, nem ao pai de família que não sossega enquanto a filha não chega em casa à noite depois do trabalho ou da escola, e muito menos àquela população que vive ameaçada nos poucos povoados que ainda restam lá na floresta, os povos originários”. Para muitos, o conceito ainda é um sonho distante.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  22. 94

    Dona Lola e uma história do humor brasileiro

    Na coluna desta quarta-feira (05), Atílio Bari comenta a peça “Dona Lola”, segundo espetáculo solo do ator Marcelo Médici, no qual homenageia as mulheres que foram fundamentais ao longo de seus 35 anos de carreira. Na peça, em cartaz até dezembro no Teatro Renaissance, a personagem principal tem a vida transformada ao se tornar um fenômeno das redes sociais com os vídeos postados pela neta.Atílio faz ode ao humor brasileiro, citando os precursores do gênero em nossas artes cênicas, nomes como Martins Penna, Arthur Azevedo e França Junior, que diversificaram o que se via nos palcos do século 19: dramalhões e comédias trazidas por companhias europeias, muitas vezes copiadas pelos elencos do Brasil. O colunista também traz à tona atores adorados pelo público: Francisco Correa Vasques, Procópio Ferreira, Oscarito, Grande Otelo e Dercy Gonçalves.Atílio enaltece ainda o humor radiofônico, marcado pelo sucesso de personagens e esquetes humorísticos de programas como o famoso PRK-30, transmitido pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e o televisivo que revelou talentos como Ronald Golias, José Vasconcellos, Agildo Ribeiro, Costinha e, mais tarde, Chico Anysio com sua enorme galeria de personagens e o perspicaz Jô Soares.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção. O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  23. 93

    Gil e Chico, cronistas das nossas vidas

    Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari comenta dois espetáculos: “Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar”, em cartaz no Sesc Consolação, e “Olhos nos Olhos”, no Teatro Porto. O primeiro é calcado no universo musical de Gilberto Gil, principalmente no disco “Refazenda”, gravado poucos anos depois de seu retorno ao Brasil, depois do exílio em Londres. Já a segunda peça, um solo da atriz Ana Lúcia Torre, percorre uma parte da obra de Chico Buarque, entrelaçando as canções com momentos da vida da artista — que celebra 60 anos de estreia no teatro — e da vida do país.Nas palavras do colunista, “Jeca” é sobre “o retorno do protagonista às suas raízes, que são as próprias raízes do povo brasileiro. Nós também somos do mato, como o pato e o leão. Refazenda, reencontro, redescoberta de um povo que pode ser a semente de um novo tempo, um refazer, um revalorizar a vida, a cultura, as pessoas. Daí que a peça é uma espécie de celebração das nossas origens, e uma revisão emocionada das nossas mazelas, das nossas políticas, e das nossas esperanças”. Ele ainda complementa: “As canções do Gilberto Gil trazem em si uma crítica poética e muitas vezes metafórica das nossas estruturas sociais, com pitadas filosóficas e espirituais”.Já sobre “Olhos nos Olhos”, Atílio diz que “somos conduzidos às letras das canções. Sim, Ana Lúcia não canta, ela diz as letras, com paixão e intensidade, e a gente descobre uma amplidão de sentidos nas canções, tanto nas mais românticas como nas mais carregadas de críticas sociais ou políticas. Ana Lúcia utiliza cada uma delas para abordar momentos da sua vida e da sua trajetória artística, e suas reflexões sobre o teatro, a mulher, o amor...”Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  24. 92

    “A Máquina” e o amor que desafia o impossível

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a nova montagem do espetáculo “A Máquina”, texto de João Falcão baseado no romance homônimo de Adriana Falcão, em cartaz no Teatroiquè até dezembro. A obra narra o romance entre os protagonistas Karina e Antônio. Ele, com peças que recolhe de um ferro-velho, constrói uma máquina capaz de viajar no tempo para buscar o futuro e trazer para a sua amada. “Antônio é mais um desses amantes que desafia o impossível em nome do amor”, Atílio define.Na primeira versão, que foi aos palcos no ano 2000, a peça revelou os talentos, até então desconhecidos, de Lázaro Ramos, Vladimir Brichta e Wagner Moura, que convenceram o autor a revezar o papel do protagonista masculino entre quatro atores — incluindo seu sobrinho, Gustavo Falcão, que assina a codireção da nova montagem. Em 2025, o elenco é composto pelos atores do premiado coletivo Ocutá, contando com Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto como os novos Antônios e Agnes Brichta — filha de Vladimir — intérprete de Karina.A encenação da versão atual acontece em um palco giratório, nas palavras do colunista, “como uma espiral de consciência, desejo, emoções e fantasias”, que complementa o ritmo vertiginoso e alucinante da peça. “Impossível sair do espetáculo sem se emocionar com essa história ao mesmo tempo singela na essência e sofisticada na forma, poética, humana como ela só. Universal, e muito, muito brasileira”, ele conclui.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  25. 91

    Os Mambembes e os sonhos que nos mantêm de pé

    Na coluna desta quarta-feira (15), Atílio Bari comenta “Os Mambembes”. A peça baseada em "O Mambembe", de Arthur Azevedo, está em cartaz em São Paulo até novembro, no Teatro Tuca. “A obra mergulha no universo dos artistas itinerantes, os mambembes, que enfrentam o preconceito, a miséria e o desprezo social com a força de quem carrega no peito o amor pela cena e pela vida errante nas estradas”, define o colunista.Atílio afirma que, em cena, uma trupe mambembe é mais do que apenas um grupo de atores — é uma família formada na luta, na dor e na alegria que os une. Quem carrega a responsabilidade de dar vida aos personagens que constituem essa dinâmica são alguns dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, entre eles: Claudia Abreu, Julia Lemmertz e Paulo Betti. Por fim, o colunista diz que o espetáculo, que pulsa com energia e humanidade, além de divertir, também emociona, “porque fala dos sonhos, aqueles sonhos que parecem tão pequenos para o mundo, mas que são o que mantêm de pé os sonhadores”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h. *Estagiária sob supervisão de Cirley Ribeiro. MTB 832/SC

  26. 90

    Shakespeare, os ódios e as intolerâncias

    Na coluna desta quarta-feira (08), Atílio Bari comenta a nova montagem de “O Mercador de Veneza”, texto de William Shakespeare, no Teatro Tuca. A trama acompanha Antônio, personagem vivido por César Baccan, um mercador que contrai uma dívida com o agiota judeu Shylock, interpretado por Dan Stulbach. Como garantia, Shylock exige uma libra da carne de Antônio, a ser cortada pelo agiota, de qualquer parte do corpo. O contrato desencadeia um julgamento dramático, colocando em pauta temas como justiça e preconceito.Na Inglaterra do século 17, marcada por um antissemitismo que essencialmente expulsou os judeus do país na época, Shakespeare criou o famoso discurso pronunciado por Shylock, que ainda hoje aflora discussões sobre intolerância religiosa. Na corte de Veneza, ele diz: “Sou um judeu. Um judeu não possui mãos, órgãos, sentidos, afeições, paixões, como todos os cristãos? Se um judeu ofende a um cristão, o que faz o cristão? Vingança. E se um cristão nos ultraja, não nos vingamos?”.O colunista conclui levantando a dúvida: “Afinal, o que vale mais: o contrato ou a vida de uma pessoa? O preconceito, de ambos os lados, os leva a um grau de desumanização. E por trás de tudo, o dinheiro como alavanca das ações”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  27. 89

    O show de La Bengell no Brasil em Revista

    Na coluna desta quarta-feira (01), Atílio Bari comenta o musical “Norma Bengell, o Brasil em Revista”, em cartaz no Teatro Sesi-SP. O texto narra a trajetória da célebre atriz, cantora, compositora, roteirista e cineasta, vivida no palco por Amanda Acosta. A artista, como define Atílio, foi uma musa do cinema e do teatro brasileiros, tendo atuado em mais de 40 filmes e em mais de 20 produções teatrais.  O colunista destaca os pontos de enfoque da peça, que, segundo ele, “aborda os momentos mais marcantes da vida dessa atriz de personalidade forte e de atitudes corajosas. Seus embates com a ditadura militar, seu engajamento nas questões de gênero, bem como as dificuldades que enfrentou durante a vida e a carreira. E seus relacionamentos, com os atores Alain Delon, Gabrielle Tinti e outros, vários outros”.O espetáculo tem música ao vivo e reúne um elenco com nomes como Leticia Coura, Luciana Carnieli e Paulo de Pontes. A direção é de Aimar Labaki, também autor do texto. Atílio encerra afirmando que a montagem é “uma merecida homenagem a essa figura controversa, símbolo de uma época, e um registro da história do nosso país a partir dos anos de 1950”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h. *Estagiária sob supervisão de Cirley Ribeiro. MTB 832/SC

  28. 88

    A importância do teatro voltado para crianças

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre o teatro infantil, gênero que ele define como “uma ponte entre o mundo real e o universo da imaginação”. “Nestes tempos em que as telas dominam a atenção dos pequenos desde a mais tenra idade, o teatro oferece uma experiência viva, sensorial e humana. Ele não apenas tem o dom de divertir, encantar e seduzir, como também é transformador, pelo poder de gerar identificação, em que a criança se transporta para as situações que acontecem em cena, espelha-se nelas, pensa sobre elas.”O colunista destaca grandes nomes das artes cênicas, como o russo Constantin Stanislavski, mundialmente conhecido pelo seu sistema de atuação para atores e atrizes, e defensor da ideia de que “o teatro para crianças deve ser como o de adultos, só que melhor”. Atílio também cita o casal brasileiro Tatiana Belinky e Julio Gouveia, percussores do teatro infantil feito com dignidade e respeito. Autora dos sucessos “Pluft, o Fantasminha” e “A Bruxinha Que Era Boa”, a mineira Maria Clara Machado também foi lembrada.Dado o tema, não poderiam ser deixadas de lado as produções da TV Cultura. Clássicos como “Castelo Ra-Tim Bum”, “Cocoricó” e “Mundo da Lua” e constituem, na opinião de Atílio, o melhor da produção brasileira para crianças e jovens. Ele encerra chamando atenção para uma versão para o palco de outro programa infantil de grande sucesso: o “Quintal da Cultura”. O espetáculo “A Incrível Viagem do Quintal”, em cartaz até setembro no Teatro Liberdade, apresenta os personagens Osório, Dorotéia, Ludovico e Ofélia em uma viagem pelas cinco regiões do país em busca de um RG perdido. No caminho, eles se deparam com as manifestações artísticas, os costumes e a cultura popular de cada lugar.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  29. 87

    O impagável “Terror de comédia” de Conde Drácula

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre “Drácula – um terror de comédia”, texto de Gordon Greenberg e Steven Rosen adaptado para os palcos brasileiros. O ator Tiago Abravanel dá vida ao semi-morto Conde Drácula. Nascido de narrativas populares do século XV, o vampiro apareceu pela primeira vez na obra do escritor irlandês Bram Stoker, no século XIX. Desde então, a figura foi reproduzida, parodiada e homenageada incontáveis vezes na cultura pop.No espetáculo dirigido por Ricardo Grasson e Heitor Garcia, a história do corretor de imóveis que procura o taciturno conde para fechar um grande negócio se repete, mas com um tom diferente. “As confusões e trapalhadas que acontecem em cena levam a comédia às raias dos antigos e impagáveis pastelões – uso esse termo com cuidado e muito respeito por esse estilo de comédia, em que o ator é um elemento fundamental para que tudo funcione como uma maquininha de gerar riso”, na definição de Atílio.Para o colunista, a obra, que se assemelha a adaptações como o satírico “Drácula, morto, mas feliz”, de Mel Brooks, e “Draculinha”, peça infantil de Carlos Queiroz Telles, é “uma comédia com letras maiúsculas, que cumpre magnificamente a sua proposta de levar o público às gargalhadas”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  30. 86

    O “Bom Ladrão” de Padre António Vieira na atualidade

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari volta a mencionar o Padre António Vieira, um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória. “Diante de uma audiência formada por figuras proeminentes da corte, juízes, ministros e que tais, Padre Vieira desatou o verbo e pôs-se a falar de ladrões e de seus roubos, e concluía afirmando, com ironia, que “roubar pouco é crime, mas roubar muito é grandeza”, diz o colunista.O religioso afirmava que “roubar sem ter poder faz o pirata, roubar com poder faz o Imperador”, em crítica à corrupção e à impunidade, especialmente entre as elites e autoridades da época. “Há os ladrões que roubam uma pessoa, surrupiam um pescado na feira ou um leite em pó no mercado, e se arriscam por isso. E há os ladrões que pilham as cidades, os estados, o país, e pouco lhes acontece, ou nada. Na época de Vieira, o ladrão sem poder era enforcado, o ladrão com poder mandava enforcar”.Atílio chama a atenção de governantes corruptos, desviadores do dinheiro público, funcionários espertinhos e fornecedores mal-intencionados: “acautelai-vos, porque Vieira garante que as vossas vidas após a morte serão entre labaredas, pois roubais daqueles que não têm poder. Ao invés de cuidarem dos seus rebanhos, como os pastores, os roubam, como os lobos”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  31. 85

    O caos moderno dos gregos e troianos

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a série “Kaos”, da Netflix. “Trata-se de um mergulho insolente e fascinante na mitologia grega, com seus deuses, semideuses e heróis. Insolente porque essas entidades mitológicas aparecem na série de uma forma bastante escrachada, mas sem perder as suas auras de celebridades mitológicas”.Zeus, interpretado por Jeff Goldblum, descrito como “onipotente e ao mesmo tempo inseguro”, está preocupado com a queda da sua popularidade e recorre aos demais deuses com medo de perder seu status divino. O colunista destaca o papel das outras divindades na trama, como Prometeu, “companheiro em outras épocas, e agora preso a um penhasco onde uma águia vem lhe bicar o fígado todos os dias” e Dionísio, “apaixonado pelos mortais, um tanto avoado e alheio ao desejo de vingança de Zeus contra a humanidade”.Para Atílio, “Kaos é uma série irreverente, com momentos de crueldade explícita, humor negro, politicagem, amor, fúria, e expõe os vícios, fraquezas e ambições desses deuses todos. Que já estão lá, na origem, na própria mitologia criada pelo povo grego, e que espelhavam, no Olimpo, as belezas e os horrores da humanidade, presentes também aqui, na nossa realidade contemporânea, o que nos mostra que continuamos os mesmos e vivemos como os nossos ancestrais”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  32. 84

    Nathalia e os fantásticos nonagenários

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo “A Mulher da Van”. O texto do autor inglês Alan Bennett ganha vida na interpretação de Nathalia Timberg que, prestes a completar 96 anos, realiza um desejo antigo ao estrelar a peça sobre a história real de uma senhora, acumuladora, que morava dentro de uma van na década de 1970.“Essa senhora carrega consigo, além das suas tranqueiras, uns mistérios do seu passado. De tempos em tempos ela muda a sua van de lugar, e estaciona sempre na porta de alguma residência. Eis que um dia para na frente da casa do autor do texto, o dramaturgo Allan Benett, e ele, penalizado, a deixa colocar o veículo na sua garagem.”Para além do tema central, Atílio faz uma ode aos colegas nonagenários da atriz, como Fernanda Montenegro, Othon Bastos, Ary Fontoura e Tony Tornado, para citar alguns. “Dizem que o vinho quanto mais velho melhor. Mas eles não são como o vinho, porque o vinho repousa em tonéis ou garrafas, imóveis, em temperaturas controladas, ao longo de anos e anos, para serem por fim degustados por alguns poucos privilegiados. Para eles, ao contrário, é a agitação dos palcos e dos estúdios, é o desafio de novos personagens que os torna cada vez mais saborosos para o público, nos grandes palcos, para milhares de pessoas numa temporada, ou na TV e no cinema, para milhões.”Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  33. 83

    A vontade livre de Flávio Império

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari nos leva à exposição “Tens a Vontade e Ela é Livre”, em cartaz até fevereiro na Estação Pinacoteca. A mostra resgata a obra do artista plástico Flávio Império, que também foi um dos mais reconhecidos cenógrafos e figurinistas do Brasil, tornando se uma figura central para a compreensão da cultura do país nas décadas de 1960 e 1970.O colunista destaca a parceria entre Flávio e Maria Bethânia, para quem “criou a ambientação cênica e as vestimentas dos shows Rosa dos Ventos, Pássaro da Manhã, e outros mais da Bethânia, e de Gal, e dos Doces Bárbaros e de mais uma porção de artistas desse mesmo quilate”. Entre os destaques da exposição, está a maquete que descreve o projeto que o artista fez para o show Pássaro da Manhã, concebendo um cenário em que Bethânia surge de uma noite escura no fundo e vai gradualmente se aproximando da plateia ladeada por tecidos que representam a alvorada.Nas palavras de Atílio, Flávio foi “um artista que soube traduzir em cena e na sua obra gráfica e de pintura os tempos sombrios da ditadura militar no Brasil, período em que realizou os seus trabalhos mais representativos, mais críticos e engajados, mas sem jamais esquecer as belezas e sensualidade do nosso povo. Flávio nos emociona com seus traços, suas cores, seu poder de traduzir o que nos parece intraduzível”.  Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  34. 82

    Intimidade indecente, amores e rancores

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a peça “Intimidade indecente”, que faz uma nova temporada no Teatro Renaissance. O espetáculo acompanha Mariano e Roberta — interpretados por Marcos Caruso e Eliane Giardini —, um casal separado lidando com a passagem do tempo, que também é personagem.Nas palavras de Atílio, o tempo se faz presente no desenrolar da narrativa e no corpo dos atores, que não usam qualquer tipo de maquiagem: “A passagem dos anos está no andar, nos gestos, nas manias que se acentuam. Tudo ali, à nossa frente, sem quaisquer recursos adicionais. Trabalho delicado, conduzido pela direção de Guilherme Leme Garcia”. O colunista destaca também o texto de Leilah Assumpção, celebrada dramaturga e autora de clássicos contemporâneos como “Fala baixo senão eu grito” e “Roda cor de roda”. “É atemporal, um tanto romântico, um tanto cruel, um tanto amargo, e também muito engraçado. No fundo, uma história de amor em que os protagonistas, com a intimidade construída pelas décadas de convivência, se provocam, se desafiam, se cobram, se criticam, se aproximam, se repelem, até que no fim... bom, é claro que não vou contar o fim”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  35. 81

    Chateaubriand, o “Cidadão Kane brasileiro”

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo musical “Chatô e os Diários Associados - 100 Anos de Paixão”, em cartaz no Teatro Liberdade. A peça apresenta ao público as façanhas da polêmica figura. O texto é de Fernando Morais, biógrafo do magnata das comunicações Assis Chateaubriand, e de Eduardo Bakr, com direção de Tadeu Aguiar. Nas palavras do colunista: “Esse homem foi praticamente tudo o que quis ao longo dos seus 76 anos de vida, iniciados ainda no século 19: jornalista, escritor, advogado, empresário, político, mecenas, imortal da Academia Brasileira de Letras, mulherengo, amigo de muita gente, inimigo de mais gente ainda”.Interpretado por Stepan Nercessian no palco, Chatô, como o empresário ficou conhecido, criou o maior conglomerado de mídia da América Latina, numa época em que a palavra mídia ainda não era usada entre nós: “No seu auge, os Diários Associados contavam com mais de cem jornais, dezenas de emissoras de rádio e TV, revistas e agências de notícias. Uma das suas criações, a revista O Cruzeiro, chegou a ter uma tiragem de mais de 700.000 exemplares, vendidos em banca, num Brasil em que ainda não havia o hábito da assinatura de jornais e revistas, e mais da metade da população era analfabeta. Trouxe a televisão para o Brasil, com a inauguração da TV Tupi de São Paulo”.O colunista encerra destacando a importância histórica da trajetória de Chateaubriand: “É uma parte da nossa história, quase um documentário musical, em que desfilam Carmem Miranda, Dalva de Oliveira, Francisco Alves, Mário Lago, Hebe Camargo e outros muitos ídolos pioneiros da comunicação de massa do nosso país. Que bom ver tudo isso no palco, um musical brasileiríssimo [...]”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  36. 80

    A cientista e o lugar de fala no espetáculo “A Médica”

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo “A Médica”, texto do inglês Robert Icke a partir da obra do escritor vienense Arthur Schnitzler, dirigida por Nelson Baskerville. A peça aborda temas sensíveis como religião, racismo e orientação sexual sob a ótica dos “especialistas em todo e qualquer assunto” das redes sociais.O texto acompanha a Dra. Ruth Wolff, interpretada por Clara Carvalho. Ela é chefe de um departamento especializado em pesquisas sobre o Alzheimer e precisa lidar com o caso de uma adolescente de 14 anos que dá entrada no local por causa de um aborto feito clandestinamente. Quando a médica se recusa a deixar um padre dar a extrema unção à menina, se inicia uma polêmica de proporções gigantescas.Nas palavras do colunista: “A questão transborda do contexto médico para outros campos de discussão. A doutora não permitiu a entrada do padre porque ela é judia e não entende a importância da presença de um religioso nos momentos finais da vida de uma pessoa católica? Ou será que é porque aquele é um hospital de padrão elevado, e não gosta de atender pacientes que não sejam da elite?  Pra complicar a situação, o padre é negro. Ah, então há aí um componente de racismo, certo?”. Ele conclui dizendo: “Uma montagem impactante e corajosa, uma discussão pertinente sobre questões atuais, que afetam cada um de nós e a sociedade como um todo”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Madeleine Alves (nas férias de Teca Lima) , vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  37. 79

    A irreverência de Dzi Croquettes (agora Sem Censura)

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre o grupo de atores e dançarinos Dzi Croquettes, que sacudiu o meio artístico em plena ditadura militar na década de 1970. Composto por treze homens que se vestiam de mulheres, mas sem a conotação do travestismo, o grupo estreou nas boates cariocas e paulistas para depois ocupar também o teatro. O colunista comenta os boicotes sofridos pela companhia ao longo de seus quatro curtos anos de existência: “O fato é que a vida do Dzi Croquettes virou um inferno. Proibições, batidas policiais, perseguições, ameaças. E eles se bandearam para Paris, com o dinheiro arrecadado numa temporada relâmpago no teatro Maria Della Costa. Maria franqueou o teatro para eles, gratuitamente, para poderem juntar o necessário para as passagens”.A temporada europeia rendeu bons frutos, colocando o Dzi Croquettes entre os grandes nomes do entretenimento da época: “Entram na vida deles Liza Minelli, Josephine Baker, Maurice Bejart, Nureyev e outra figuras carimbadíssimas. Viraram internacionais, para ódio dos milicos desta terra de coqueiro que dá coco”. Em temporada no Teatro Itália, Ciro Barcelos, um dos remanescentes do grupo, recupera parte da trajetória do Dzi Croquettes, agora sem censura. Nas palavras de Atílio: “Quem os conheceu vai se emocionar. Quem nunca os viu vai se surpreender”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  38. 78

    Gala Dalí, a potência por trás do gênio do Surrealismo

    Na coluna desta quarta-feira (18), Atílio Bari comenta o espetáculo “Gala Dalí”, em cartaz no Mi Teatro, inspirado na vida da esposa do surrealista Salvador Dalí. Elena Diakonova, a Gala, foi uma mulher à frente de seu tempo: ousada, liberal e determinada. À época em que se casou com o artista espanhol era separada e 10 anos mais velha. A russa foi responsável por dar um novo rumo à vida e à arte de Dalí.Atílio destaca as contribuições de Gala para a trajetória do pintor: “Gala foi sua musa, conselheira, administradora, divulgadora, agente. Promoveu exposições das obras de Dalí, defendia Dalí como sendo o mais surrealista dos surrealistas, estimulava-o a pintar, redirecionava o foco do pintor para obras cada vez mais surpreendentes, defendia-o das incompreensões dos conservadores, posou para ele em muitas e muitas ocasiões, tornou-o multimilionário, mas mais do que tudo isso, ela foi a companheira inseparável, o colo onde Dalí desfiava as suas mágoas e as suas inseguranças”.O colunista fala sobre o impacto que a morte de Gala, aos 89 anos, teve na vida do marido: “Pouco antes de morrer, ele escreveria: “Gala foi a fada boa do meu equilíbrio, que baniu as salamandras das minhas dúvidas e fortaleceu os leões das certezas. Gala trouxe-me, no verdadeiro sentido da palavra, a ordem que faltava à minha vida.Eu existia apenas num saco cheio de buracos, mole e delicado, sempre à procura de uma muleta. Ao juntar-me a Gala, encontrei a minha coluna vertebral e, ao fazer amor com ela, preenchi a minha pele".Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h. *Estagiária sob supervisão de Cirley Ribeiro. MTB 832/SC

  39. 77

    A Verdade é, de fato, nua e crua?

    Atilio Bari aborda o conceito de “verdade” na coluna desta quarta-feira (11), reflexão surgida em uma conversa dele com o diretor Marcos Damasceno, que esteve em cartaz nos últimos meses com a peça “Nebulosa de Baco”, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).Bari cita crenças de Aristóteles, na Grécia Antiga, e os relatos de Jesus Cristo, na bíblia, para ressaltar que até mesmo grandes figuras não conseguiram explicar, de maneira absoluta, o que é a Verdade. Durante o papo, ele e Damasceno lembraram da parábola judaica sobre a verdade e a mentira, imortalizada em uma pintura do francês Jean-Léon Gérôme.O colunista explica que, na metáfora, a Mentira vestiu as roupas da Verdade e acabou condenada, somente por estar nua. “(...) Coitada, perambula por aí, envergonhada, desprezada. Mas (a Verdade) se recusa a usar qualquer outra vestimenta que não seja a sua própria roupa”, afirma Atilio.Em seguida, ele conclui que a infiltração da Mentira não ficou no passado. (...) Hoje (a Mentira) frequenta palácios governamentais, templos religiosos, tribunais de justiça, grandes corporações multinacionais, e as redes sociais. E a Verdade verdadeira, onde foi parar? Está cada vez mais difícil encontrá-la”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.*Estagiária sob supervisão de Cirley Ribeiro. MTB 832/SC

  40. 76

    Mércia Albuquerque, a corajosa Lady Tempestade

    Atilio Bari dedica a coluna desta quarta-feira (04) à história de Mércia Albuquerque, advogada pernambucana que inspira o espetáculo “Lady Tempestade”, em cartaz até 6 de julho no Sesc Consolação. A montagem é estrelada por Andrea Beltrão, sob direção de Yara de Novaes.Morta em 2003, aos 69 anos, Mércia era conhecida no início da carreira pela defesa de menores abandonados. Tal cenário mudou em 1964, quando ela viu o líder comunista Gregório Bezerra ser arrastado pela polícia, despertando na profissional o desejo de ajudar os presos políticos durante o regime militar. “(Mércia) Atuou em cerca de 500 casos, investigou o paradeiro de muita gente sequestrada pelos militares, localizou várias dessas pessoas, algumas vivas, outras não”, conta o colunista.A advogada deixou um extenso diário com relatos da época, que serviu como base para Sílvia Gomez criar a dramaturgia de “Lady Tempestade”, descrita por Atilio como “impactante”.Bari justifica a opinião destacando a performance de Andrea Beltrão, que dá vida à personagem “A.”. “Na peça, ela é a atriz e é a advogada, basta um gesto e a magia está feita: surge o sotaque, surge a coragem, surge a tempestade”.Atilio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O ⁠"Estação Cultura"⁠, com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  41. 75

    Bárbara e as intermináveis saideiras retornam ao palco

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre o espetáculo “Bárbara”, em nova temporada no Teatro Bravos. A obra é baseada no livro autobiográfico “A Saideira”, que narra a luta da jornalista Barbara Gancia contra o alcoolismo.O colunista aproxima o ouvinte da definição da doença usando referências da cultura popular brasileira, como Heleninha Roitman, da novela Vale Tudo: “Uma personagem de ficção que, assim como tantos no teatro, no cinema e na TV, nos mostra a extensão, a profundidade e muitas vezes a incompreensão do seu drama”.Atílio também destaca a força da atuação de Marisa Orth — que dá vida a Bárbara no teatro: “[Ela] aproveita cada sílaba do texto, sem jamais descambar para o óbvio de caricaturar uma bêbada no palco. Há uma dignidade na sua interpretação, que faz jus à coragem da Barbara Gancia em relatar tão abertamente e tão despudoradamente as suas dramáticas experiências”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  42. 74

    Italo Calvino e o homem honesto como a ovelha negra

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a vida e a obra do escritor italiano Italo Calvino, autor do conto “A Ovelha Negra”, que descreve um país onde todos são ladrões e o cotidiano é um ciclo de roubos e trapaças, até que surge um homem honesto, impactando a ordem estabelecida. O colunista exalta a linguagem literária de Calvino, chegando a compará-lo com alguns dos maiores e mais distintos nomes da literatura brasileira: “Sua escrita é recheada de ironias, em um estilo que eu ousaria dizer ser muito próximo aos nossos modernistas de 1922”.Atílio encerra estabelecendo uma conexão entre ficção e vida real: “Não nos faz lembrar dos capangas a serviço dos latifundiários? Dos pequenos meliantes a serviço dos reis do tráfico? Do funcionariozinho da repartição que fajuta um documento para favorecer o chefe? Ou do assessorzinho do deputado ou vereador que aceita fazer uma rachadinha com o eleito pelo povo? Locais e situações onde a pessoa honesta passa a ser a ovelha negra, como no conto que acabei de resumir”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  43. 73

    Herbert Gans e o papel do pobre na sociedade

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari evoca o sociólogo e professor alemão-americano Herbert Gans para falar do papel do pobre na sociedade. Estudioso das comunidades dos subúrbios do estado de Nova York, Gans estudou a “cultura da pobreza” norte-americana e catalogou os benefícios que as classes mais abastadas obtinham às custas dos pobres.Atílio cita algumas das formas históricas de exploração física, mental e intelectual sofridas pela população menos afortunada e destaca uma polêmica brasileira recente: o caso de fraudes do INSS. “Preparava-se a revelação ao público de um grande, enorme, gigantesco esquema de assalto à população mais carente e desprotegida da sociedade brasileira: os aposentados, dentre eles uma multidão de pessoas em situação de extrema pobreza, idosos que trabalharam no campo, analfabetos, inválidos, e até gente que já estava morta”.O colunista ainda denuncia a falta de penalizações atribuídas aos responsáveis por esses abusos: “O manto da Nossa Senhora da Impunidade garante que os larápios arrastem seus processos até caducarem, ou sejam cancelados, ou as penas, se houverem, possam ser cumpridas nas piscinas das coberturas, nos metros quadrados mais valiosos do território nacional”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção. O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  44. 72

    A língua nossa de cada dia nos palcos de São Paulo

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari destaca a língua portuguesa como pano de fundo de dois espetáculos em cartaz na capital paulista. “Flor do Lácio” celebra a figura de Luís de Camões, autor do poema épico “Os Lusíadas”, e “O Céu da Língua”, texto de Gregório Duvivier, conduz o público a um passeio poético pelas subjetividades do idioma.O colunista chama atenção para outros nomes destacados em “Flor do Lácio”, como Bocage, Fernando Pessoa, Cesário Verde, Sá de Miranda e Florbela Espanca: “Aos poemas desses autores juntou-se uma dramaturgia que costura as palavras e os sentimentos que eles abordam, e que aparecem, alguns deles, musicados (...)”.Sobre “O Céu da Língua”, Atílio diz: “É o start, anglicismo mais ou menos moderno, de uma viagem pelas transformações da nossa língua ao longo dos tempos. E pela poesia, sempre a poesia aparecendo aqui e ali, criando imagens, metáforas, belezas com as palavras”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  45. 71

    Senhora dos Afogados e a potência do Teatro Oficina

    Na coluna desta quarta-feira (30), Atílio Bari fala sobre a nova montagem de “Senhora dos Afogados” pelo Teatro Oficina, em cartaz no Sesc Pompeia. Um dos fundadores da companhia e grande mestre das artes cênicas brasileiras, Zé Celso Martinez Corrêa (1937-2023) pensava em adaptar o texto de Nelson Rodrigues — a quem atribuía a potência de Shakespeare — desde a década de 80, mas morreu sem fazê-lo.Em 2025, o desejo de Zé Celso foi realizado por Marcello Drummond, continuador de seu trabalho à frente do grupo, e Monique Gardenberg, convidada para dirigir o espetáculo. Sobre o trabalho de direção, Atílio declara: “O que ela colocou no palco ganha ares de homenagem, de rito, carregado de memórias e — por que não? — de festa, bem ao estilo do bruxo do Oficina”.O colunista destaca também o caráter mítico da obra do dramaturgo, que escreveu peças como “Álbum de Família” e “Anjo Negro”. Citando Monique: “[Senhora dos Afogados] é uma tragédia delirante, carregada de fatalismo e de violência, que explodem diante dos nossos olhos e que ao invés de nos causar repulsa, nos fascina”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  46. 70

    A doutrina e a tradição conflitantes em Dois Papas

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo “Dois Papas”, em cartaz no Sesc Santo Amaro. O texto — que inspirou o filme homônimo de 2019, dirigido por Fernando Meirelles — promove um encontro entre o Papa Bento XVI e seu sucessor, Francisco, morto nesta segunda-feira (21). O colunista chama atenção para o teor das discussões que se sucedem no palco, destacando as divergências de pensamento dos dois homens: “Bento XVI era um conservador, um teólogo firmemente comprometido com as tradições e as doutrinas morais da Igreja (...) [Francisco] foi abandonando o pensamento ortodoxo, conservador, e assimilando cada vez mais as pautas progressistas”.Atílio encerra evocando uma imagem icônica de Francisco, ao caminhar sozinho em direção ao altar da Praça de São Pedro, em Roma, durante a pandemia de COVID-19: “Aquele homem, idoso, com seus passos lentos, carrega sobre os ombros o peso de catedrais góticas, de tradições seculares e estruturas resistentes às mudanças. Além de dogmas, escrituras, tradições, expectativas”, e se pergunta: “Não é muita coisa para um homem só?”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  47. 69

    A importância cultural da Páscoa, ovos e coelhos

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari percorre a história da Páscoa desde seus primórdios, muito antes de ser relacionada à cultura cristã. O colunista destrincha o simbolismo da tradição de presentear as crianças com ovos de chocolate e da figura do coelho nas festividades. O colunista aponta que o ovo sempre foi associado à fertilidade e à renovação. Os persas trocavam ovos pintados à mão na antiguidade, costume que também era praticado na China e se espalhou pelo mundo. Os de chocolate, entretanto, nasceram em uma fábrica numa pequena comuna na Suíça: “François Callier fabricava chocolates de alta qualidade e, talvez tenha sido ele o responsável pelo prestígio que os suíços continuam tendo nesse segmento até hoje. Callier inventou as fôrmas ovais e criou essa mania que se espalhou por todos os cantos do planeta”.Entre coelhos associados à Ostera, deusa germânica da fertilidade, do amor e do renascimento, e a incorporação desses elementos no cristianismo, sinalizando a nova vida após a ressurreição de Cristo, Atílio fala também sobre o cenário atual e a percepção de valor atribuída ao chocolate no período: “O capitalismo sabe que é uma data especial, que existe uma tradição, e, portanto, todo mundo acaba comprando, fica difícil ficar de fora”. Ele encerra afirmando que: “O que importa mesmo é que a gente não esqueça da história daquele homem que dedicou a vida pelo bem dos seus semelhantes”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  48. 68

    Oswald de Andrade, o mau selvagem

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a agitada vida de Oswald de Andrade, poeta, escritor, ensaísta e bon-vivant. O célebre autor de Pau-Brasil tem uma biografia nas livrarias. “Mau Selvagem”, de Lira Neto, é um retrato cuidadoso das aventuras e desventuras do biografado.Figura de destaque na Semana de Arte de 1922, Oswald tinha uma índole rebelde, afiliou-se ao Partido Comunista e foi preso algumas vezes: “Seus primeiros escritos, que traziam um caráter mais transgressor, foram duramente criticados, e quanto mais criticados eram, mais ele provocava, mais ele transgredia”.O colunista, por fim, destaca a obra biográfica: “Um título que evidencia a sua discordância com o Bom Selvagem, o índio de José de Alencar que se alia ao colonizador. Oswald preferia o mau, o que devora e engole o colonizador (...) E é também o retrato de uma época, de uma elite e de uma intelectualidade às quais Oswald pertenceu, agitou e ao mesmo tempo renegou”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  49. 67

    O mundo dos rios de leite de Antônio Conselheiro

    Na coluna desta quarta-feira,Atílio Bari fala sobre a peça “Restinga de Canudos”, da Cia. do Tijolo. O espetáculo retrata a vida e a cultura da comunidade fundada pelo beato Antônio Conselheiro, que enfrentou a recém proclamada República em defesa de sua terra e estilo de vida. Atílio comenta a passagem de Euclides da Cunha pela região, que resultou em um dos maiores clássicos da literatura brasileira, “Os Sertões”, publicado em 1902: “[Euclides] viu o sertão e o sertanejo, viu a miséria, viu a luta desigual entre aquela população humilde, religiosa, valente, contra os fuzis e os canhões (...) Ele afirma: Canudos não se rendeu. Foi massacrada, no primeiro crime cometido pela República brasileira”.O colunista encerra o episódio exaltando a obra: “A companhia reconstrói no palco a vida pulsante de Canudos, com suas rezas, festas e trabalho, através do olhar de duas professoras do vilarejo e dos poetas sertanejos, beatos, indígenas (...) Retratados de maneira dura, mas sem perder a poesia jamais”.Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximaa da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

  50. 66

    A força e a vitalidade de quem não se entrega, não

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a peça “Não me entrego, não! ”, monólogo do ator Othon Bastos em cartaz no Sesc 14 Bis. O ator de 91 anos — mais de 70 destes vividos nos palcos — contempla a vida e a resiliência usando sua própria trajetória como pano de fundo.Atílio destaca o papel do espetáculo como um manifesto de resistência da arte do teatro “num país onde a cultura avança e recua, sempre aos solavancos, tratada como artigo de menor importância num mercado que favorece o entretenimento digestivo para um público cada vez menos exigente”.O colunista chama atenção para as sensibilidades do ator no palco, emocionando a plateia com, nas palavras de Atílio: “sua expressividade magistral, sua dicção impecável, sua vitalidade que dá um olé na cronologia. Em cena, ele tem a idade que quiser”. E encerra afirmando: “É simplesmente imperdível!”. Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

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