Desobediência Literária

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Desobediência Literária

🤲🏼 Associação fundada em 18/11/2025. 🎙️ O podcast em português com conversas e opiniões literárias, onde exploramos livros, autores e temas relevantes do universo literário. O nosso objetivo é aproximar leitores e promover obras de qualidade junto de um público apaixonado por literatura.

  1. 59

    O Operário em Construção - Vinicius de Moraes

    Num mundo em que o trabalho molda o trabalhador, “O Operário em Construção” surge quase como uma tradução poética de ideias marxistas.O trabalhador é quem produz a riqueza, mas é também quem se vê sempre na mesma posição social, sem melhoria das suas condições socioeconómicas.Neste livro de poemas, encontramos várias lados de Vinicius de Moraes, mas principalmente faz-nos despertar a consciência para o poder da burguesia sobre o proletariado. De um lado o patrão que reprime e pressiona, do outro um trabalhador que sabe dizer: Não!O trabalhador entende o seu valor ao ser responsável pela produção e riqueza do seu patrão.Esta foi a nossa conversa, assistida em direto no foyer do cineteatro em Castelo Branco e gravada para que agora todos a possam ouvir. O convite foi feito por Elsa Ligeiro, da editora Alma Azul, a quem agradecemos.Tivemos ainda o acompanhamento de banda sonora dos Cara de espelho, enquanto preparavam o seu espetáculo, que mais tarde tivemos o privilégio de assistir. Uma força que se juntou ao simbolismo desta luta por mais direitos e melhores condições de trabalho.

  2. 58

    A incrível história de Salazar - Marco Ferrari

    A liberdade é um dos valores mais importantes de qualquer sociedade democrática. Significa poder pensar, falar, escolher e viver sem medo de perseguição ou repressão. Quando existe liberdade, as pessoas podem expressar opiniões diferentes, participar na vida social e política, criar ideias novas e defender os seus direitos. Sem liberdade, a sociedade torna-se limitada, injusta e dominada pelo medo.Recordar a ditadura de Salazar é importante para compreender o valor da liberdade. Só conhecendo o passado se pode defender o presente e evitar que regimes autoritários regressem. A liberdade nunca deve ser vista como garantida, mas como um direito que precisa de ser protegido todos os dias.

  3. 57

    Mataram a Cotovia - Harper Lee

    Mataram a Cotovia desliza pelas mãos como um canto triste e luminoso, onde a infância encontra demasiado cedo as imperfeições do mundo. Pelos olhos de Scout, vemos nascer a coragem no silêncio, a justiça erguer-se contra a sombra e a bondade resiste onde tudo parece falhar. É uma história que permanece depois da última página, como um eco suave a lembrar que a empatia pode ser a mais rara das forças.

  4. 56

    Mais pesado do que o céu - Charles R. Cross

    Entre a luz e a sombra, o talento e o tormento, ‘Mais pesado do que o céu’ mergulha na vida de Kurt Cobain, o artista que sentiu o mundo mais intensamente do que a maioria. Da infância marcada pela dor e pela sensação de não pertencer, aos primeiros acordes que se transformaram em gritos de uma geração, até à fama estrondosa e aos amores turbulentos, cada página revela a complexidade de um homem que viveu à beira do abismo. Entre depressão, dependência e criatividade sem limites, a biografia de Charles R. Cross transporta-nos para a mente de um artista que amou, sofreu e deixou um legado que ecoa para sempre. Ler este livro é sentir o peso da genialidade e a fragilidade de um espírito que ardeu demasiado rápido, mas que jamais será esquecido.

  5. 55

    O profundo silêncio das manhãs de domingo - Manuel Jorge Marmelo

    Há livros que se leem, e há aqueles que se sentem no intervalo dos pensamentos, O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo pertence a esse lugar raro. Como a luz suave que entra pela janela numa manhã sem pressa, esta história desenrola-se em silêncios cheios de significado, onde cada palavra respira e cada pausa revela. É um convite a escutar o que normalmente passa despercebido: as memórias que sussurram, as ausências que ficam, e a beleza discreta de simplesmente existir.

  6. 54

    Almoço de domingo - José Luís Peixoto

    À volta da mesa, entre pratos partilhados e conversas que parecem simples, guardam-se memórias que o tempo não consegue apagar. Cada gesto, cada silêncio e cada sorriso fazem parte de algo maior: a história de quem somos e de onde vimos. Porque, no fundo, são estes momentos tão comuns e tão especiais que ficam connosco para sempre.

  7. 53

    Um quarto só seu | Biografia- Virginia Woolf

    Entre o pensamento e o silêncio, Um Quarto Só Seu de Virginia Woolf abre um espaço delicado de reflexão sobre liberdade, criação e voz.Com sensibilidade e lucidez, Virginia lembra-nos que toda a mente criativa precisa de um lugar onde possa existir sem limites, um quarto simbólico onde as ideias ganham forma, as palavras encontram caminho e a imaginação pode finalmente respirar.

  8. 52

    A miúda da banda - Kim Gordon

    Entre o ruído das guitarras e o silêncio das memórias, Kim Gordon escreve-se em páginas cruas e sinceras em A miúda da banda. Das ruas inquietas de Nova Iorque aos palcos incendiários dos Sonic Youth, este livro é um eco de uma época onde arte e música se confundiam com vida.Mais do que uma autobiografia, é um retrato sensível de criação, perda, liberdade e identidade, como uma canção que continua a ressoar muito depois do último acorde.

  9. 51

    Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

    O Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, mergulha numa epidemia que vai além da perda da visão, é a cegueira da alma e da empatia. Entre o caos e a solidariedade, a história revela como o medo, o egoísmo e a violência surgem, mas também como a compaixão e a esperança podem sobreviver. Uma reflexão profunda sobre a humanidade e sobre o que significa realmente “ver” o outro.

  10. 50

    Novas cartas portuguesas - Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa

    Três mãos semearam palavras na terra dura do silêncio.De cada frase nasceu uma luz discreta, que abriu caminhos onde antes havia sombra.Com gestos de tinta e silêncio, desenharam horizontes onde a liberdade podia respirar.E o que era carta tornou-se num vasto mar inquieto, impossível de conter.

  11. 49

    Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

    Esta semana abordamos Memórias Póstumas de Brás Cubas, relato de um homem que só foi verdadeiramente honesto depois de morrer. Entre vaidades persistentes, afectos falhados e ambições inúteis, confirma-se que o ego sobrevive a quase tudo, inclusive ao tempo. Dois séculos depois, continua desconfortavelmente actual. Afinal, mudam-se os tempos, mas o ego segue imortal. A diferença é que agora chamamos a isto lucidez.

  12. 48

    América - Franz Kafka

    Esta semana embarcamos numa viagem estranha e inquieta por um mundo que promete tudo e devolve o desencontro. Conhecemos um espaço suspenso entre o sonho e a vigília, onde os caminhos se alongam e o chão nunca é totalmente firme. As promessas brilham à distância, mas desfazem-se ao toque. Kafka escreve em silêncio, com uma estranheza suave, e lembra-nos que procurar um lugar no mundo é, muitas vezes, aceitar perder-se e continuar, mesmo assim.

  13. 47

    As velas ardem até ao fim - Sándor Márai

    À luz trémula de uma vela, o passado regressa sem pedir permissão.As velas ardem até ao fim é um acerto de contas com o tempo, onde as memórias adormecidas despertam à luz de uma chama persistente. Entre o que foi vivido e o que foi perdido, a verdade arde em silêncio, sem pressa, até não restar sombra alguma.Um livro que nos mostra como algumas amizades não terminam, apenas ficam à espera.

  14. 46

    Sputnik, meu amor - Haruki Murakami

    Há amores que nascem sem gravidade e ficam a flutuar. Em Sputnik, Meu Amor, as almas movem-se em órbitas silenciosas, tocam-se apenas na distância. O desejo transforma-se em eco, a solidão em paisagem, e o tempo dilui-se num espaço onde a realidade já não tem contornos definidos. Como um satélite perdido no escuro, cada coração procura um sinal, um ponto de luz, um lugar onde possa finalmente descansar. Uma história suspensa, feita de ausência, espera e de tudo aquilo que nunca chegou a acontecer.

  15. 45

    O avesso da pele - Jeferson Tenório

    O avesso da pele é um romance que olha para a memória e para o corpo como lugares de conflito e de resistência. Através da relação entre pai e filho, o livro expõe as marcas deixadas pelo racismo, pela violência e pelo silêncio, revelando como estas experiências moldam vidas inteiras e atravessam gerações. É uma narrativa dura e profundamente humana, que recusa simplificações e obriga-nos a confrontar realidades muitas vezes ignoradas. Uma leitura exigente, necessária, que permanece muito depois da última página.

  16. 44

    Flores - Afonso Cruz

    Flores é um livro que não se lê depressa, mexe connosco por dentro.Uma história sobre aquilo que se perde sem darmos conta: as memórias, os gestos, as pessoas que nos moldaram. Fala do peso do mundo e da dor que carregamos em silêncio, mas também do amor como refúgio e resistência. No meio do esquecimento e da rotina, este livro lembra-nos que viver é recordar, cuidar e agarrar-nos aos pequenos momentos, aqueles que parecem insignificantes, mas que acabam por nos salvar.Afonso Cruz convida-nos a olhar para dentro e perceber que são os instantes aparentemente pequenos que permanecem para sempre.

  17. 43

    Admirável mundo novo - Aldous Huxley

    Vivemos num mundo de conforto imediato e informação constante, onde tudo parece organizado, previsível e seguro. As redes sociais moldam pensamentos, o consumo promete satisfação, e a tecnologia promete facilidades, mas no fundo tudo nos distrai do essencial: sentir, questionar e escolher. Como no Estado Mundial de Huxley, muitas vezes trocamos a liberdade pela ordem, a autenticidade pelo espetáculo, e a profundidade das emoções por prazeres superficiais e anestesiantes. A felicidade, por vezes, é artificial, medida e imposta, não conquistada. Mas ainda existe a inquietação dentro de cada indivíduo, a centelha que nos lembra que a vida verdadeira exige risco, questionamento e consciência. Entre o conforto e o vazio, entre o entretenimento e o pensamento crítico, surge a pergunta que atravessa os séculos: será que uma vida sem dor, mas também sem liberdade, pode ser considerada plenamente humana?

  18. 42

    O perfume - Patrick Süskind

    Neste episódio, através da obra O Perfume vamos conhecer uma França decadente, onde cada rua tem um odor próprio e cada aroma revela algo oculto. No centro desse mundo está Grenouille, uma presença quase inumana, sem cheiro e sem afeto, movida apenas pela obsessão de capturar a essência perfeita. A personagem move-se como um predador silencioso entre aromas que os outros mal percebem, transformando beleza em poder e sensibilidade em violência. É um romance que nos confronta com a pergunta inquietante: o que acontece quando a busca pela perfeição ultrapassa todos os limites da moral e da própria humanidade?

  19. 41

    As crianças adormecidas - Anthony Passeron

    Esta semana vamos fazer uma viagem aos anos 80 e perceber o porquê de As Crianças Adormecidas não ser apenas um livro. É a história de uma vida que se perdeu demasiado cedo e de uma família que tentou esconder a dor porque o mundo não sabia lidar com ela. O autor dá-nos a conhecer a vida do seu tio que se perdeu cedo demais, engolido pela heroína, pelo VIH e pelo mundo que fechava os olhos.Quando a história termina, não é só o tio do autor que sentimos perder mas toda uma geração silenciada, apagada e adormecida. E nós ficamos ali, a fechar o livro devagar, como quem tenta respirar depois de um mergulho demasiado fundo.

  20. 40

    As coroas de ilusão - Hugo Veiga Simão

    Hoje vamos viajar à Cidade das Coroas e abordar a obra As Coroas de Ilusão. Esta obra transporta-nos para a enigmática Cidade das Coroas, um lugar onde o brilho ofusca mais do que ilumina. Entre ruas sonhadas e personagens moldadas pela busca de poder, o livro revela como a aparência se tornou a maior ficção do nosso tempo. Aqui, cada coroa é uma promessa e um engano, símbolo de um esplendor que existe apenas para esconder o vazio. A obra convida-nos a abrandar o passo, a olhar com mais profundidade e a perceber que, muitas vezes, o que resplandece não é ouro, é apenas ilusão.

  21. 39

    Campânula de vidro - Sylvia Plath

    Entre as páginas de a Campânula de vidro, Sylvia Plath abre uma janela crua para a mente, a solidão e as pressões invisíveis que moldam a vida.Este livro não se lê, atravessa-se.Ao longo da leitura, acompanhamos a luta interior da protagonista, o seu afastamento gradual da realidade e o difícil confronto com as suas próprias sombras.A campânula de vidro convida-nos a olhar para dentro, a reconhecer as nossas fragilidades e a pensar sobre como cada um de nós já sentiu de alguma forma essa campânula invisível.

  22. 38

    Noturnos - Rui Sobral

    Esta semana abordamos Noturnos, de Rui Sobral. Um livro de poesia onde é notável a escrita intensa, e onde a noite emerge como uma metáfora da solidão, da memória e da sobrevivência interior.Através de breves versos, o autor explora temas como a ausência, o luto e o peso das palavras que nunca foram ditas. Curiosos para conhecer esta obra que nos convida a explorar o espaço poético de sombra e reflexão?

  23. 37

    Drácula - Bram Stoker

    Esta semana viajamos até à Transilvânia para conhecer o Conde Drácula, de Bram Stoker.É considerado um cântico sombrio da noite eterna. Entre névoas densas e castelos esquecidos, o Conde ergue-se como um espectro de elegância e horror, uma presença que seduz antes de destruir. O sangue é sua linguagem, o desejo a sua condenação. Nas páginas deste romance, o medo respira devagar, infiltrando-se como uma bruma pelos recantos da alma. É uma obra onde o tempo se detém, onde a morte ganha forma e o amor perde-se na escuridão. Porque em Drácula, a sombra é eterna… e o coração humano, o seu banquete.Mas Stoker não vive apenas em Drácula: nos seus contos de terror e arrepios, o sobrenatural espreita em cada recanto, revelando que o verdadeiro horror habita dentro de nós.Entre a névoa e o silêncio, a sua escrita transforma o medo em arte e a escuridão, em eternidade.

  24. 36

    Frankenstein - Mary Shelley

    Esta semana abordamos a solidão através da obra “Frankenstein” de Mary Shelley.Percebemos como criamos monstros sem perceber.Não através de fios e relâmpagos, mas através de ausências, rejeições e palavras não ditas.A criatura de Frankenstein nunca quis ser temida, apenas queria ser vista.Mas o olhar que encontrou foi o do medo.No fundo, Frankenstein fala daquilo que mais nos une, a necessidade de criar, de amar, de ser aceite, mesmo quando somos feitos de pedaços.E talvez o que chamamos de “monstro” seja apenas a parte de nós que ainda não aprendeu a ser perdoada.

  25. 35

    Contos Extraordinários - Edgar Allan Poe

    Neste episódio, entre o sussurro das páginas e o eco da noite, ergue-se o mundo sombrio de Edgar Allan Poe, onde a razão se perde nas névoas da imaginação. Em “Contos Extraordinários”, Edgar Allan Poe mergulha na alma humana como quem caminha por um labirinto de sombras. Cada história é um espelho do medo, da culpa e da beleza escondida no obscuro. O terror transforma-se em poesia, a loucura em arte, e o silêncio ganha voz. Ler Poe é perder-se entre o sonho e o abismo, onde o extraordinário nasce do mais profundo da mente. Os seus contos e poemas são portais para um universo onde o belo e o terrível coexistem, onde cada palavra é uma ferida que brilha. Ler Poe é caminhar pelos corredores da mente humana, onde o medo se veste de poesia e a imaginação é um espelho quebrado da alma. Em cada página, há silêncio, sombra e uma verdade antiga: que o extraordinário habita no mistério, e que o mistério habita em nós.

  26. 34

    Hamlet - William Shakespeare

    “Ser ou não ser…”  Uma pergunta sussurrada nas sombras de um castelo, que ressoa em corredores silenciosos e nos pensamentos mais profundos de um príncipe atormentado.Hamlet não é apenas um nome, é o reflexo das nossas dúvidas, das escolhas que nos pesam e dos segredos que carregamos no coração. Entre fantasmas que murmuram vingança e intrigas que corroem a confiança, cada passo do príncipe é uma dança com o destino.Neste episódio, abrimos as portas da Dinamarca para explorar os monólogos que revelam a alma e os conflitos que nos desafiam. Preparados para mergulhar numa tragédia onde o amor, a loucura e a morte se entrelaçam, e cada palavra tem o poder de atravessar séculos?

  27. 33

    Menina, nome feminino - Camille Laurens

    Esta semana abordamos a desigualdade de género e o peso das expectativas sociais sobre o que é ser menina.Através de “Menina - nome feminino” a autora desmonta a aparente inocência do nascimento feminino e revela as marcas de uma sociedade que, desde cedo, define papéis, limita desejos e impõe fronteiras.Um livro que denuncia o peso de carregar um nome e um género como destino.Menina - nome feminino, quando até ao nome já nasce marcado pelo peso do género.

  28. 32

    O palácio do riso - Germán Marín

    Esta semana, vamos conhecer “o palácio do riso” de Germán Marín.Trata-se de uma narrativa intensa e com uma pitada de ironia que mergulha nas sombras da ditadura chilena e na fragilidade da memória.Através da sua escrita inquieta e segmentada o autor mistura autobiografia, história e ficção, expondo as cicatrizes individuais e coletivos de um país, a opressão sentida durante 17 anos.Uma obra intensa cheia de fragmentos que nos fazem pensar sobre a identidade a dor e a resistência, que nos mostra como o riso pode nascer até nos momentos mais sombrios.

  29. 31

    Uma solidão demasiado ruidosa - Bohumil Hrabal

    Esta semana, mergulhamos numa reflexão profunda sobre cultura, liberdade, e a beleza escondida no quotidiano.Abordamos “uma solidão demasiado ruidosa” escrita por Bohumil Hrabal.Trata-se de um romance curto e poético, que acompanha Hanta, um homem que trabalha há mais de 30 anos numa cave, a prensar papel e livros destinados a serem destruídos.No ambiente silencioso da sua cave, entre pilhas de papel, encontra frases, pensamentos e imagens que são alento para a sua alma.Com lirismo e alguma melancolia, o autor mostra-nos como até nos lugares mais sombrios pode existir beleza, sabedoria e resistência.

  30. 30

    O som do rugido da onça - Micheliny Verunschk

    Esta semana, abordamos uma obra dolorosa de ler, mas com conteúdo muito importante. O que a torna especial e de leitura obrigatória.O som do rugido da onça é como uma floresta em palavras, densa, viva, atravessada por vozes que o tempo tentou silenciar.A autora envolveu o mito e a história, revelando a dor das crianças arrancadas do seu ambiente e a persistência da memória que insiste em sobreviver.O rugido não é apenas da onça, é da revolta, do corpo, da língua, da ancestralidade que resiste.Um livro que nos faz ouvir aquilo que foi calado e que nos devolve a força bruta e delicada da lembrança.Perante uma abordagem tão crua desta obra, prometemos que o episódio tem um desfecho muito ternurento.Curiosos?

  31. 29

    Ilha de Verão - Erskine Caldwell

    Esta semana, viajamos de barco para a ilha de verão para mergulharmos num romance intenso sobre preconceitos, desigualdades, origens sociais e raciais.Através das personagens intensas, o autor expõe o conflito entre classes sociais.Assistimos a uma presença constante do preconceito racial e o peso de uma tecnocracia que ameaça a força da vida.Não obstante, por entre estes conflitos e tensões, neste paraíso isolado, mantém-se também a celebração da vida, da liberdade e da resistência do ser humano.Apanhem este barco connosco.

  32. 28

    Jardim do Ogre - Leïla Slimani

    Neste episódio, vamos conhecer um jardim secreto, onde cresce a solidão da personagem principal.Adele é uma mulher bela, inquieta e prisioneira de um desejo que parece não ter fim.A autora, Leïla Slimani, leva-nos a conhecer caminhos sombrios, onde o prazer se mistura com a vertigem e onde cada flor oculta os espinhos.O “Jardim do Ogre” não é apenas um romance, é um espelho que reflete a delicadeza, a fragilidade e a brutalidade da alma humana.

  33. 27

    As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain

    Hoje, viajamos até às margens do Mississipi, para conhecermos Tom Sawyer.Tom, é uma alma insubmissa no corpo de um menino rebelde.Um especialista em fugir para não ir à escola, um menino corajoso, que brinca aos piratas numa ilha deserta, até um tesouro escondido acaba por se tornar realidade nas suas mãos.O Tom não é simplesmente um menino do sul dos EUA, é a definição da infância eterna, livre, inquieta, rebelde mas sempre encantada com a promessa de descobrir novos mundos.Vamos à boleia deste barco, e conhecer este pirata?

  34. 26

    De Arronches com a Livraria Inculta

    Esta semana, gravámos a partir de Arronches no Convento da Nossa Senhora da Luz, uma conversa muito especial e intimista.A convite da Livraria Inculta, participámos na II edição do Festival de Arroches, e não podíamos ter ficado mais felizes com esta experiência.Através de uma bonita conversa com a Helena, depressa percebemos a sua paixão pela literatura e o seu sonho em abrir uma livraria.A Inculta é uma livraria independente, que tem como missão principal, apoiar escritores emergentes. Conseguimos verificar a sua forte vocação cultural e literária, direcionada para a literatura lusófona.Diferenciada de outras livrarias, pela seleção cuidadosa das obras, a sua vocação cultural não se limita à venda de livros. Organizam eventos, workshops e atividades comunitárias focadas na promoção da literatura lusófona.A Inculta é muito mais que uma livraria tradicional, é um ponto de encontro literário!Preparados para conhecer a Inculta?

  35. 25

    O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

    Esta semana, celebramos os cem anos da obra “O grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald.É um livro repleto de festas, amores impossíveis e segredos mal resolvidos.Neste clássico intemporal, seguimos a história de Jay Gatsby, um homem misterioso, que nos leva a questionar até onde estamos dispostos a ir por alguém que amamos (ou idealizamos)?Entre cocktails, jazz e carros de luxo, esconde-se uma história triste, misteriosa e muito humana.Um retrato bem real dos loucos anos 20, onde o glamour, a riqueza e as festas escondem um vazio silencioso.Viajamos juntos até aos anos 20?

  36. 24

    Livros Musa Impassível

    Neste episódio, vamos apresentar três obras pertencentes à editora independente Musa Impassível.A Musa Impassível, dedica-se à publicação de obras que primam pela profundidade intelectual e pela elegância literária.Acreditam que cada livro é uma obra cuidadosamente lapidada, onde o conteúdo segue paralelamente com o rigor e a paixão silenciosa.A Musa impassível abre o espaço a novas vozes que se recusem a ser superficiais.Apresentamos “Os contos da noite”, escrito por Bernardo Brandão, que através de uma escrita onde o erotismo impera, nos convida a ler sem tabus.Falamos também do “Quinto Império” escrito por João Carlos Nunes, onde através de uma viagem pela utopia o mistério e o histórico, fazem um ensaio literário sobre o império português.E terminamos, com o “Rasgo” escrito por Margarida Maria Rocha, que nos conduz, através de um fio cronológico numa autobiografia poética.Deixem-se inspirar pela beleza impassível da palavra!

  37. 23

    A queda - Albert Camus

    Neste episódio, abordamos uma obra narrada em primeira pessoa pela personagem principal.Uma obra breve, incisiva e mordaz, que podemos classificar de romance filosófico.Depressa nos apercebemos de que se trata de uma reflexão sobre a condição humana.No decorrer da ação, a personagem expõe as suas fraquezas, os medos e os arrependimentos.É uma crítica clara à sociedade moderna e aos valores superficiais, não estivéssemos a falar de Camus.Preparados para A Queda? Segurem-se bem!

  38. 22

    Catarina e a beleza de matar fascistas - Tiago Rodrigues

    Através de uma distopia, neste episódio falamos de Catarina e a Beleza de Matar Fascistas.A ação decorre em 2028. Portugal é governado pela extrema-direita.Como se se tratasse de um ritual, todos os anos, uma família reúne-se no Alentejo com a intenção de raptar e matar um fascista.Esta tradição ocorre na sequência da morte de Catarina Eufémia, assassinada em 1954, por reivindicar melhores condições laborais.Existe um claro paralelismo entre a obra e a realidade política recente. Em ambas, verifica-se a ascensão da extrema-direita em Portugal.É importante que continuemos a abordar este tema, para que a história não se repita.Venham connosco conhecer este livro!“Não passarão”!

  39. 21

    Uma vida à sua frente - Romain Gary

    Neste episódio abordamos a obra “Uma Vida à Sua Frente” de Romain Gary, publicado sob o pseudónimo Émile Ajar em 1975. A história é narrada por Momo, uma criança órfã, que vive num bairro pobre de Paris. Momo é criado por Madame Rosa, uma ex-prostituta judia e sobrevivente de Auschwitz, que acolhe em sua casa filhos de outras prostitutas.A narrativa, comovente e cheia de humor, acompanha a relação afetiva entre Momo e Madame Rosa, marcada por amor, dificuldades, marginalização e resistência. A obra aborda temas profundos como o abandono, a velhice, o racismo, a prostituição, a pobreza e a dignidade humana, sempre através do olhar sensível e inocente de Momo.Acompanhem-nos nesta viagem especial!

  40. 20

    Karl Marx - Uma pequena biografia

    No episódio desta semana, abordamos o poeta do proletário - Karl Marx.Nas sombras densas das fábricas em chamas, Marx lutou de forma brava.Com a sua rebeldia, conseguiu forjar palavras como punhais e no sopro frio da ideologia despertou mundos tão desiguais.Na bruma escura do capital, viu o motor da engrenagem oculta.Com Engels ao lado, com tinta e ideias, escreveu o futuro página a página.A sua luta não foi só a escrita, foi uma lenda.Preparados para conhecer esta mente brilhante?

  41. 19

    A morte de Ivan Ilicht - Lev Tolstói

    Neste episódio, vamos viajar através de vários temas, como a negação da morte, a hipocrisia da burguesia e a procura pela vida autêntica.Tolstói inicia a narrativa com a notícia da morte da personagem principal, e acompanhamos a sua trajetória desde a juventude, o seu casamento por conveniência e a carreira burocrática, até ao momento em que adoece com uma enfermidade misteriosa e incurável.O autor escreve esta obra com uma clareza psicológica.O livro é curto, mas extremamente impactante. Tolstói oferece uma crítica feroz à sociedade superficial e materialista.Convida-nos a refletir sobre valores que, atualmente, são pouco claros e amplamente desvalorizados pelo ser humano.“Em vez de morte, havia luz.”

  42. 18

    Gente Pobre | Noites Brancas - Fiódor Dostoiévski

    Neste episódio, vamos abordar duas obras-primas de Dostoiévski.Através de “Gente Pobre”, conhecemos duas personagens pobres que se comunicam através de cartas.Neste caso, Dostoiévski constrói uma crítica subtil à burocracia, à desigualdade social e à marginalização.A estrutura epistolar (romance contado por meio de cartas) cria intimidade emocional e revela o contraste entre a miséria material e a riqueza dos sentimentos.Em “Noites Brancas”, acompanhamos a história de um amor impossível, com uma forte carga lírica e psicológica.A narrativa é marcada através de um tom melancólico e introspetivo, revelando a fragilidade das emoções humanas diante da realidade concreta.O que faz um breve momento ecoar na eternidade das nossas vidas?

  43. 17

    O Caruncho - Layla Martínez

    Que segredos pode guardar uma casa?Há casas que não se esquecem, cada canto sussurra histórias antigas, cada sombra esconde um segredo.Através desta obra, a autora conduz-nos por um labirinto de silêncios, memórias e presenças que talvez nunca tenham partido.Caruncho é um romance inquietante e perturbador que explora a opressão, o trauma e a memória.É uma leitura intensa, com um misto de terror e feminismo.“No creo en brujas, pero que las hay, las hay.”

  44. 16

    O Principezinho - Antoine de Saint-Exupéry

    Neste episódio, abordamos uma fábula extraordinária sobre o amor, a tristeza, a generosidade e a solidão.Trata-se de um livro infantil, mas está longe de poder ser reduzido a essa categoria.Convida-nos a refletir sobre a importância dos laços que criamos e a assumir a responsabilidade por aqueles que amamos e cuidamos.Esta fábula ajuda-nos a ponderar sobre a nossa existência e a perceção que temos do mundo.A personagem relata a viagem pelos planetas do Sistema Solar, e como cada um representa os vários estereótipos da nossa sociedade.Preparados para conhecer O Principezinho?“O essencial é invisível aos olhos.” Só se vê bem com o coração!

  45. 15

    Desaparecer em Puget Sound - João Porfírio

    Neste episódio, viajamos até ao Estado de Washington no final da década de 80.Praticamente desde a primeira página, identificamos a presença de referências musicais que seguem em paralelo com todo o enredo.Conhecemos, através de uma escrita cativante, a história de Peter Melvin, um jovem que se debate com a sua própria identidade e com o que pretende realmente fazer da vida.Através desta obra, percebemos que uma família disfuncional será sempre uma família, e prevalecerá sempre a união.Um livro perfeito para todos os fãs de grunge e para todos os fãs de uma grande história.Aceitam viajar connosco?

  46. 14

    A Pérola - John Steinbeck

    Neste episódio, vamos abordar uma obra que representa uma parábola poética sobre as grandezas e misérias do mundo em que vivemos.Explora o perigo das ambições e, essencialmente, alerta-nos sobre o que acarreta sair da nossa zona de conforto. Identificamos com facilidade a presença da ganância e do racismo, mas também nos apercebemos de valores muito importantes: a coragem, a coesão social e a família.Venham connosco conhecer as consequências de encontrar uma pérola!

  47. 13

    Triunfo dos Porcos - George Orwell

    À boleia de uma sátira brilhante, neste episódio, visitamos a quinta dos animais para assistir ao triunfo dos porcos!Acompanhamos a revolta dos animais perante os humanos e tudo o que implicou esta decisão.No entanto, nem tudo são rosas, e percebemos que, num primeiro momento, todos os animais são iguais, tanto em direitos como em deveres. Porém, com o passar do tempo, os porcos assumem posições cada vez mais autoritárias para com os restantes animais.Esta fábula política tem como objetivo alertar para o perigo dos regimes totalitários.A moral da história é simples: não há organizações perfeitas, e os vícios do poder político são transversais.Preparados para visitar A Quinta dos Animais?

  48. 12

    O estrangeiro - Albert Camus

    Um homem pode ser estrangeiro na sua própria casa, na sua própria terra ou até dentro de si.Basta acordar e não compreender o sentido das coisas.Neste episódio, vamos refletir de forma profunda e perturbadora sobre a condição humana.Vamos ver como a indiferença e o desinteresse pelo mundo ao nosso redor podem desafiar as normas sociais e emocionais.Evidenciamos o absurdo, a alienação e a busca pelo sentido da vida.Preparados para conhecer O Estrangeiro?

  49. 11

    Pela Vida - Alexandra David-Néel

    Neste episódio, vamos abordar uma obra que é, claramente, um manifesto inspirador em defesa da vida e da liberdade.Alexandra David-Néel, através da sua obra Pela Vida, efetua uma crítica à sociedade apática em que vivemos, reprovando a obediência cega.Uma obra visionária, e um reflexo da vida livre e desprendida da autora.

  50. 10

    A Noite - José Saramago

    Neste episódio, vamos fazer uma viagem ao passado e voltar ao dia 24 de abril de 1974.Escrita por Saramago, esta obra dramática tem a capacidade de envolver o leitor nesse cenário.«A Noite» é o espelho do momento de mudança e transformação da nossa história, que nos possibilita uma reflexão sobre a censura e a liberdade.Preparados para este regresso ao passado?

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🤲🏼 Associação fundada em 18/11/2025. 🎙️ O podcast em português com conversas e opiniões literárias, onde exploramos livros, autores e temas relevantes do universo literário. O nosso objetivo é aproximar leitores e promover obras de qualidade junto de um público apaixonado por literatura.

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Ana Mónica | Ana Oliveira

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