PODCAST · education
Aos olhos do público
by Raphael Rosário
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04. O jardineiro de BH
Roberto Burle Marx, nasceu em 1909 e foi um importante personagem do movimento modernista. Paisagista, desenhista, arquiteto, pintor, ecologista, botânico, escultor, gravador, litógrafo, ceramista, tapeceiro, decorador e designer têxtil e de joias, Burle Marx consagrou-se internacionalmente reconhecido como arquiteto-paisagista, com inúmeros projetos realizados em todo o mundo.Burle Marx foi apelidado pela redação do jornal Estado de Minas de “jardineiro de BH”; Ricardo Lanna destaca a importância dos projetos paisagísticos na cidade, na época que foram executados, chegando a repercutir em revistas especializadas da Europa e Estados Unidos. Entre os projetos estão o Museu de Arte da Pampulha, Pampulha Iate Clube, Praça Alberto Dalva Simão, Iate Tênis Clube, Igreja de São Francisco de Assis, Residência Kubitschek, Usiminas e a famosa Casa do Baile.Após vários anos de descaracterização arquitetônica e paisagística, os jardins foram recuperados no ano de 2002, após a reinauguração do espaço como Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design.Na Casa do Baile, um dos destaques é o perfumado crino-africano, que foi trazido do Quênia por Burle Marx. O jardim conta com a presença de coração-magoado, papiro, árvore de mulateiro, capim-mombaça e muitas outras espécies que embelezam o espaço museal e todo o Conjunto Moderno da Pampulha.Referências bibliográficas:ESTADO DE MINAS. Conheça a trajetória de Burle Marx, o jardineiro de BH. Site Estado de Minas. 2013. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/07/06/interna_gerais,417765/conheca-a-trajetoria-de-burle-marx-o-jardineiro-de-bh.shtml. Acesso em: 13 jun. 2025.ESTADO DE MINAS. Jardins de Burle Marx revelam beleza e vitalidade aos 80 anos. Site Estado de Minas. 2022b. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2022/01/31/interna_gerais,1341358/jardins-de-burle-marx-revelam-beleza-e-vitalidade-aos-80-anos.shtml. Acesso em: 13 jun. 2025.LANARI, Raul. Pampulha: Tempo, História e Museus: Casa do Baile. Belo Horizonte: Pampulha Território Museus, 2021.SENADO FEDERAL. Burle Marx: o arquiteto paisagista que se tornou ecologista e colecionador de espécies da flora brasileira. Site Senado Federal. 2023. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/museu/bloco-noticias-destaques/burle-marx-o-arquiteto-paisagista-que-se-tornou-ecologista-e-colecionador-de-especies-da-flora-brasileira. Acesso em: 13 jun. 2025.
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03. A Pampulha que inspira
O Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, é mais do que um ponto turístico às margens de uma lagoa. Ele é o reflexo de um Brasil que, lá nos anos 1940, ousou imaginar o futuro.Idealizado por Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade, e projetado por Oscar Niemeyer, o conjunto uniu arte, arquitetura e natureza em perfeita harmonia. A Igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube foram pensados não só como obras isoladas, mas como parte de um espaço coletivo, aberto ao lazer, à cultura e à convivência.Mais do que abrigar funções específicas, esses espaços foram criados para provocar sensações. A leveza das formas, o uso criativo do concreto, os painéis de Portinari e os jardins sinuosos de Burle Marx nos convidam a caminhar sem pressa, a observar, a pertencer. A Pampulha propõe um olhar mais humano para a cidade — onde o espaço público se transforma em lugar de encontro, contemplação e identidade. Essa proposta era, à época, extremamente inovadora, e continua sendo referência até hoje.Décadas depois, em 2016, o reconhecimento chegou com força internacional: o Conjunto da Pampulha foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Um título que reforça não apenas seu valor arquitetônico, mas também seu papel na história urbana do Brasil.Celebrar os 82 anos da Pampulha, em 2025, é lembrar que inovação e beleza podem — e devem — caminhar juntas. E que algumas ideias, mesmo nascidas há tanto tempo, continuam apontando caminhos para o nosso futuro.Referências bibliográficas:IPHAN. Conjunto moderno da Pampulha completa 80 anos. Site IPHAN. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/conjunto-moderno-da-pampulha-completa-80-anos. Acesso em: 13 jun. 2025.UNESCO. Pampulha Modern Ensemble. Site Unesco. s.d. Disponível em: https://whc.unesco.org/en/list/1493/. Acesso em: 13 jun. 2025.
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02. A fauna da Pampulha
A Lagoa da Pampulha, situada em Belo Horizonte, é um ecossistema rico e diversificado que abriga uma variedade impressionante de espécies da fauna silvestre. Estudos ambientais recentes identificaram pelo menos 300 espécies ao redor da lagoa. Entre eles estão capivara, preás, serpentes, jacarés, colhereiros, corujas, etc. Apesar dos desafios impostos pela poluição e pela urbanização, a fauna local demonstra notável resiliência. Observações feitas em 2022 registraram a presença de peixes, como lambaris e tilápias, que resistem às águas poluídas e com baixa concentração de oxigênio dissolvido.Para garantir a preservação dessas espécies e promover uma convivência harmoniosa entre a população e a fauna silvestre urbana, a Prefeitura de Belo Horizonte iniciou a elaboração do Plano de Manejo da Fauna Silvestre. Este plano visa diagnosticar a situação atual das espécies, identificar conflitos e propor ações específicas para cada regional administrativa, além de desenvolver programas educativos voltados para a conscientização ambiental.A interação entre a comunidade e a fauna da Lagoa da Pampulha é fundamental para a conservação desse patrimônio natural. Ações educativas e de manejo adequado são essenciais para assegurar que as futuras gerações possam continuar apreciando e aprendendo com essa biodiversidade única. Além disso, é importante ações individuais, como jogar lixo nas lixeiras, não invadir os espaços onde se encontram os animais e cobrar o poder executivo municipal, políticas de conservação e reparo, desse ecossistema que apesar de belo, resiste diariamente aos desafios urbanos.Referências bibliográficas:BELO HORIZONTE. Plano de manejo da fauna silvestre de Belo Horizonte. Site Prefeitura de Belo Horizonte. 2024. Disponível em: https://prefeitura.pbh.gov.br/meio-ambiente/plano-de-manejo-da-fauna-silvestre-de-belo-horizonte?utm. Acesso em: 13 jun. 2025.ESTADO DE MINAS. Animais resistem aos golpes da poluição e dão show na Pampulha. Site Estado de Minas. 2022a. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2022/06/05/interna_gerais,1371220/animais-resistem-aos-golpes-da-poluicao-e-dao-show-na-pampulha.shtml#:~:text=H%C3%A1%20peixes%2C%20c%C3%A1gados%2C%20jacar%C3%A9s%2C,resist%C3%AAncia%20aos%20olhos%20dos%20moradores.. Acesso em: 13 jun. 2025.
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01. A Forma da Inclusão
Na Casa do Baile, em Belo Horizonte, a acessibilidade faz parte da experiência cotidiana. A equipe educativa do espaço adota uma abordagem sensorial e contextual, apresentando aos visitantes cada elemento arquitetônico e paisagístico com foco na inclusão. Texturas do piso, formas das pilastras, vegetação ao redor e cores das estruturas são descritas e exploradas de forma a proporcionar compreensão ampla e multissensorial do ambiente.Fazem parte dessa rotina as ferramentas didáticas inclusivas, desenvolvidas para garantir o acesso à informação por diferentes públicos. Entre elas está a planta baixa tátil, que revela as transformações funcionais do espaço ao longo dos anos — como restaurante dançante, museu e centro de referência — utilizando materiais com diferentes formas, cores e texturas que facilitam o entendimento por meio do toque.Outros recursos complementam essa prática: o mapa em alto relevo da Lagoa da Pampulha, que demonstra a localização geográfica da Casa; a maquete tátil, com teto removível e elementos em braille e diferentes texturas; e o azulejo tátil, que traduz em relevo a arte de Paulo Werneck presente na fachada do edifício. Esses materiais são usados diariamente durante as mediações e foram elaborados com apoio técnico especializado, priorizando acessibilidade sensorial e autonomia.A atuação educativa da Casa do Baile mostra como os espaços culturais podem ser ambientes de descoberta para todos os públicos. Por meio da integração entre conteúdo, forma e experiência tátil, promove-se um encontro mais amplo e democrático com a arquitetura, a arte e a memória.
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