PODCAST · news
P24
by PÚBLICO
De segunda a sexta às 7h. Antes de tudo: P24. O dia começa aqui
-
1000
China e EUA entre a guerra comercial, as tréguas e os negócios
Donald Trump adiou a visita à China por causa da guerra do Irão, mas aterrou, em Pequim, num momento em que a guerra está numa zona cinzenta, que nem é de guerra, nem é de paz. Irão, Taiwan e inteligência artificial deverão ser os temas principais desta visita de dois dias do presidente dos EUA à China. Há vários negócios em perspectiva e muitas discordâncias previsíveis. Os EUA querem vender Boeings, mas o sector automóvel quer travar a entrada das viaturas eléctricas chinesas no mercado norte-americano. Trump não deve estar satisfeito com o agravamento do défice comercial com a China, em Abril. As exportações chinesas cresceram 14,1%, em termos homólogos. O prolongamento da guerra com o Irão tem pressionado os preços da energia e o custo de vida: a inflacção saltou para os 3,8% em Abril, o maior aumento desde 2023, o que levou Trump a prometer suspender, temporariamente, o imposto federal sobre os preços da gasolina. E também não deve estar satisfeito com as sondagens: a sua popularidade nunca foi tão baixa, nem no primeiro mandato. Trump estará acompanhado por empresários como Elon Musk e Tim Cook. Vamos assistir a uma nova guerra comercial ou a uma fase de tréguas entre as duas potências? Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
999
Pacote fiscal para a habitação vai aumentar ou baixar os preços das casas?
O Presidente da República promulgou, finalmente, o pacote fiscal para a habitação, com o qual o Governo pretende responder aos problemas de habitação do país. Anunciadas há vários meses, estas mudanças apostam, sobretudo, na redução de impostos para incentivar a construção e o arrendamento a preços considerados “moderados”. Entre elas, estão a redução do IVA, para uma taxa de 6%, nas obras de construção de habitação que seja vendida por um preço máximo de 660 mil euros ou arrendada até 2300 euros, bem como a diminuição do IRS, para uma taxa de 10%, sobre os rendimentos prediais que sejam obtidos por via de rendas até esse mesmo valor de 2300 euros. É com base nestes limites que o Estado oferece benefícios fiscais a proprietários e investidores, ao mesmo tempo que aumenta ligeiramente as deduções para inquilinos. O mercado de arrendamento está a crescer e as rendas a aumentar. A grande questão é se este modelo, centrado no desagravamento fiscal, será suficiente para travar a subida dos preços e aumentar a oferta — ou se, pelo contrário, os efeitos vão ficar longe do impacto prometido. É isso que vamos discutir hoje com nosso convidado de hoje, Luís Mendes, geógrafo do IGOT, da Universidade de Lisboa, e vice-presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
998
Reino Unido: Starmer vai conseguir adiar a guerra pela sua sucessão?
Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, recusa demitir-se e garante que vai enfrentar “qualquer disputa pela liderança” do Partido Trabalhista. Ontem, num discurso para rebater a pressão de que tem sido alvo, Starmer arregaçou as mangas e garantiu que não vai “virar as costas”, porque a mudança de líderes tem “um grande custo para o país”. O Labour foi o grande derrotado nas eleições autárquicas, em Inglaterra, onde perdeu 1500 vereadores, e nas legislativas, na Escócia e no País de Gales. Starmer e o seu Governo têm sido penalizados pela crescente inflacção e o consequente elevado custo de vida e pelos efeitos da nomeação de Peter Mandelson para embaixador britânico nos EUA. Nesta conjuntura, vários trabalhistas ameaçam a liderança de Starmer. Starmer tem tudo contra si. Até parte do partido. Porquê tanta impopularidade? O que é que explica a derrota do Partido Trabalhista? Neste episódio, André Pereira Matos, professor da Universidade Aberta, onde co-coordena o Mestrado em Estudos sobre a Europa, fala sobre os resultados eleitorais no Reino Unido. Siga o podcast P24 e receba cada episódio logo de manhã no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para [email protected] omnystudio.com/listener for privacy information.
-
997
Com a saída da Ryanair, os Açores tornaram-se num destino só para ricos?
Se nas últimas semanas tentou marcar uma viagem para Ponta Delgada ou para a Ilha Terceira ou dos Açores para o continente, é muito provável que tenha apanhado um susto. A prometida democratização do céu açoriano, fruto da liberalização do espaço aéreo em 2015, sofreu um revés profundo nas últimas semanas. A saída da companhia área de baixo custo Ryanair do arquipélago lançou o alerta. Com menos oferta, os preços dispararam. A crise no Médio Oriente também não ajudou. Para quem visita as ilhas, os valores tornaram-se proibitivos. Para quem vive nas ilhas, o isolamento ganha outros contornos que nem as novas regras do subsídio de mobilidade parece conseguir corrigir. Sejamos claros, a Ryanair só voava para os Açores porque o Governo regional lhe pagava. Num jogo constante entre quem dá mais, a companhia irlandesa de baixo custo preferiu outros destinos e abandonou as ilhas de São Miguel e a Terceira. Agora, para voar entre os Açores e o continente só através da TAP ou da SATA, ambas companhias públicas. Nenhuma preencheu o vazio deixado pela Ryanair e também não apareceu nenhum privado a querer cobrir estas rotas. Entretanto, um sector turístico em crescendo nos últimos anos, percebe agora que nenhum crescimento é ilimitado. Há, por estes dias, alojamentos locais que não conseguem preencher as reservas, rent-a-car a funcionar meio gás e restaurantes quase sem turistas. Hoje, vamos directos Ponta Delgada à boleia do correspondente do PÚBLICO nos Açores, Rui Pedro Paiva.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
996
ChatGPT inventa batalhas e engana-se nas datas quando fala de História
Um grupo de investigadores, entre os quais dois portugueses, desenvolveram um estudo internacional sobre a forma como a inteligência artificial distorce a aprendizagem da história. Neste estudo, os investigadores analisaram 3500 interacções com LLMs, sistemas de inteligência artificial capazes de entender, gerar, resumir ou traduzir texto de maneira semelhante a um humano, como é o caso do ChatGPT. A intenção era saber o que é que estes modelos de linguagem afirmavam sobre quatro conflitos internacionais e em sete línguas diferentes. No caso da Guerra Colonial, os chats de inteligência artificial inventam batalhas ou aludem a documentários inexistentes, situam a operação Nó Górdio, em Moçambique, em 1964, em vez de 1970, ou omitem a independência da Guiné-Bissau, em 1974. Estes modelos de linguagem também cometem imprecisões ou erros profundos quando se trata da guerra do Vietname, das guerras na origem da desintegração da Jugoslávia ou do conflito israelo-palestiniano. Face a conteúdo fabricado e a distorções cronológicas, dois dos investigadores que integram o grupo pedem medidas urgentes ao Governo e ao Parlamento portugueses. É com Nuno Moniz, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, e Miguel Cardina, do Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra, que vamos falar neste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
995
O hantavírus é uma espécie de coronavírus?
O navio suspeito de ser um foco de hantavírus deverá chegar, nos próximos dias, ao porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias. Mónica García, ministra da Saúde da Espanha, disse que os 14 passageiros de nacionalidade espanhola serão transferidos de avião para um hospital militar em Madrid, onde irão cumprir quarentena, e que os restantes serão repatriados para os países de origem. O líder regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, opõe-se a este plano e pediu uma “reunião urgente” com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez. Até o dia de ontem, 6 de Maio, foram identificados oito casos de hantavírus, que já causou a morte de três passageiros. Segundo a OMS, o mais provável é que a infecção de hantavírus tenha ocorrido fora do cruzeiro onde se declarou o surto. Os hantavírus são um conjunto alargado de vírus predominantes em roedores, mas que podem infectar humanos. É sobre estes vírus e as suas consequências que vamos falar com Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciência do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
994
O voluntariado na Defesa não funciona, mas o Governo quer resolver o problema com um programa de voluntariado
A crise na relação com os Estados Unidos, e os seus reflexos na NATO, e o regresso da guerra à Europa, com o ataque da Rússia à Ucrânia, emitiram sinais de alarme sobre a fragilidade da defesa europeia. Em todos os governos da Europa, a questão militar ganhou uma visibilidade esquecida desde os tempos da guerra fria. Mas melhorar salários e responder à natureza da profissão militar é pouco. O efectivo das forças armadas aumentou ligeiramente, mas não o suficiente. Não há assim tantos voluntários como os que seria necessário. O Governo lançou um plano para chegar aos 27 mil militares em 2030, mas nem isso chega. É então que surge o anúncio do programa Defender Portugal, destinado aos jovens de 18 a 23 anos, com uma duração prevista entre três e seis semanas em regime de voluntariado, com um pagamento de 439 euros e a oferta da carta de condução. Objectivo, suscitar a atenção e atrair mais jovens para as forças armadas. Será isto suficiente para reequilibrar os défices de pessoal dos três ramos das forças armadas? Oportunidade para falarmos com o general Pinto Ramalho, um militar da arma da artilharia com um longo currículo e a participação em vários cursos em Portugal e no estrangeiro. Foi adjunto e chefe de gabinete de ministros da defesa, Chefe do Estado-Maior do Comando Operacional das Forças Terrestres (1996-1997), Director-Geral de Política de Defesa Nacional do Ministério da Defesa Nacional (2001-2004), Director do Instituto de Altos Estudos Militares (2004-2005) e do Instituto de Estudos Superiores Militares (2005-2006). Foi ainda Chefe do Estado-Maior do Exército entre 2006 e 2011.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
993
Depois de Sánchez, Friedrich Merz é o novo alvo da ira de Donald Trump
Num encontro com estudantes, o chanceler alemão, Friedrich Merz afirmou que “Uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança do Irão, especialmente pelos chamados Guardas da Revolução”. A nação é a americana, a arma dos iranianos é a astúcia e o grande problema é não haver na administração Trump um plano de saída do conflito, disse o chanceler. A resposta não se fez esperar. Trump acusou Merz de não ser capaz de “arranjar o seu país”, especialmente no que diz respeito à “imigração e à energia” e de ser “totalmente ineficaz” no que toca à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ao seu estilo vingativo, Trump afirmou que a América vai taxar os carros europeus em 25% e promete retirar mais de cinco mil soldados estacionados na Alemanha. Merz não pode ser acusado de ser agressivo. Ao longo do seu mandato, fez parte do coro europeu do apaziguamento até quando Donald Trump agia como provocador de serviço. Voltou a mostrar o mesmo tom. Mas lá foi dizendo que a guerra no Irão deve acabar e que a Europa está a pagar por um erro que não cometeu. Estará em curso a transformação de Merz num líder mais assertivo e condizente com o papel que a Alemanha representa na Europa e no mundo? Vale a pena olhar para o personagem e indagar se está em curso uma mudança, ou melhor, que mudança está a acontecer em Berlim. Depois de prometer criar o maior exército convencional na Europa, chegando até a enterrar o sacrossanto compromisso com o défice para elevar a despesa militar para 86 mil milhões de euros este ano, Merz continua a ser uma voz empenhada e activa na redefinição do papel da Europa num mundo com a parceria transatlântica esfrangalhada. Apesar de o seu poder ser trémulo no plano interno, com taxas de aprovação popular baixas e perspectivas sombrias para as eleições estaduais deste ano, Merz está a retirar Berlim e a Alemanha da condição de parceiro envergonhado e a falar cada vez mais alto, embora sempre em articulação com os parceiros europeus. Será este conflito verbal com Trump uma prova dessa nova atitude mais afirmativa da Alemanha? Estará a Alemanha pronta para interpretar o sentimento geral dos europeus em relação a Trump e a seguir o discurso desafiante do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez. Oportunidade para falarmos com Mónica Dias, Doutorada em Ciência Política e Relações Internacionais e Directora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. No seu longo currículo académico consta a docência na Universidade alemã de Colónia.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
992
O Estado já dá os livros aos alunos. Também deveria dar as refeições
As refeições servidas aos alunos nas escolas portuguesas têm originado várias discussões nos últimos meses. Para começar com o caso da escola dos Salesianos, em Março, quando se soube que os alunos que pagam mensalidades tinham acesso a comida diferente dos que frequentam a escola com o apoio financeiro do Estado. Ou com um estudo da Universidade do Minho, do mesmo mês, segundo o qual 64% dos municípios portugueses se queixavam que as verbas do Ministério para refeições escolares só davam para pagar 80% do seu custo efectivo. Ou, ainda no mesmo mês, com uma nota da Ordem dos Nutricionistas, que alertava para a impossibilidade de se garantir uma dieta equilibrada aos alunos com os 2,99 euros que o Estado paga por cada refeição. Na sequência da polémica dos Salesianos e do alerta do estudo da Universidade do Minho, o ministro da Educação, Fernando Alexandre disse, como ouvimos no registo do início deste episódio do P24, que o Governo estava a estudar o problema. No início do próximo ano lectivo, disse o ministro, talvez haja novidades sobre o valor que o Estado paga pelas refeições escolares. Mas, entretanto, há um dado novo que vai certamente entrar na discussão: as conclusões de um relatório europeu que recomenda aos Estados Membros refeições gratuitas para todos os alunos, e não apenas para os mais carenciados, como acontece em Portugal. Sabendo-se que entre nós há crianças que só comem uma refeição quente por dia, a que lhes é dada na escola, o tema das cantinas, da qualidade ou da apresentação da comida que lá é fornecida merece uma profunda discussão. Se é a escola é a principal rede de garantia para que todas as crianças tenham uma efectiva igualdade de oportunidades, procurar novas soluções, ou recursos para a condição básica dessa igualdade, a alimentação, é fundamental. Avaliar e discutir as conclusões desse relatório é, por isso, um bom passo para se repensar o que os nossos alunos comem, como comem e que papel tem de ter o Estado na garantia de que os mais carenciados não são prejudicados pelas restrições financeiras do ministério. O nosso episódio de hoje tem como objectivo acrescentar ingredientes a este debate. Para o efeito, convidámos a jornalista Patrícia Carvalho, da secção de sociedade do PÚBLICO, que assina hoje dois textos no jornal onde se explicam e contextualizam os eixos essenciais deste relatório europeu. See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
991
Porque é que o seguro de habitação deve ser obrigatório?
O Governo vai criar um fundo de catástrofes naturais e sísmicas para ajudar quem não conseguir pagar um seguro obrigatório para a habitação. Esta proposta faz parte do plano final do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), que prevê um investimento de 22,6 mil milhões de euros, para fazer face às consequências dos elevados prejuízos causados pelas tempestades, com destaque para a Kristin. A medida foi bem recebida pela Associação Portuguesa de Seguradores. O seu presidente, José Galamba de Oliveira, elogiou este seguro obrigatório, que será também exigido para instalações das empresas, apoiado por um mecanismo para garantir o seu acesso universal. Mas o presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Luís Menezes Leitão, considera que um fundo de catástrofes naturais e sísmicas associadas a um seguro deste género é “escandaloso”. No parlamento, a IL, PCP e BE dizem que o Governo está a fazer propaganda e o Livre elogiou a ideia de criar uma agência temporária para coordenar a execução do plano. O Chega diz que este programa é “marketing”. Faz sentido que o seguro de habitação seja obrigatório? É o que vamos perguntar ao convidado deste episódio, Paulo Fonseca, assessor jurídico da DECO e perito do Comité Económico e Social Europeu.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
990
Sem a luz da transparência, financiamento dos partidos fica condenado à escuridão das suspeitas
Numa recente intervenção no programa da CNN Portugal "O Princípio da Incerteza", Alexandra Leitão fez o resumo perfeito de uma polémica cujo desfecho terá enormes consequências nos próximos capítulos de uma democracia ameaçada pela suspeita tóxica dos extremismos. O que está em causa é simples: queremos uma democracia transparente, na qual quem tem o privilégio republicano de servir o país e os partidos que os representam está disposto a ser escrutinado? Ou, em nome de interesses ou opiniões pessoais, certamente legítimas, vamos deixar criar uma zona de sombra sobre questões importantes como as que nos permitem saber quem financiou os partidos? Esta polémica tem uma história. Grave. Tudo começa quando alguns partidos e políticos comunicaram à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos que, não se opondo à fiscalização das suas contas, exigiam que o nome das pessoas que os financiam não fosse revelado. Em defesa do seu pedido, invocavam o famoso RGPD, o Regulamento Geral de Protecção de Dados. Perante esta exigência, a Entidade pediu esclarecimentos à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA). Que, num parecer burocrático, falho de ponderação e sem cuidar da proporcionalidade do conflito de direitos que está em causa, concordou com a ocultação. O caso soube-se quando um jornalista do Público procurou informações sobre financiadores de um partido e teve como resposta, um não. A tentativa de ocultar os financiadores dos partidos mergulha a democracia num limbo propício à especulação e à suspeita – dois ingredientes preciosos para o discurso da extrema direita. E surge num contexto em que as dúvidas sobre a idoneidade dos políticos se agravam – uma situação perniciosa que o presidente da AR tentou expor de forma desastrada no seu discurso do 25 de Abril. Em especial porque sugere uma continuidade com as tentativas do primeiro-ministro em não revelar dados sobre a sua empresa Spinumviva. Todos os partidos da oposição estão de acordo com a necessidade de legislar para garantir a transparência e bloquear o parecer da CADA. O PSD não se pronuncia, mas António Leitão Amaro já disse estar de acordo com o Presidente da República na defesa da transparência. O que está em causa é o comportamento sofrível de Portugal no Índice de Transparência Internacional (48ª posição entre 182 países). Ou a deficiente aplicação em Portugal das regras do Grupo de Estados contra a Corrupção (GRECO) que estão contempladas na Estratégia Nacional Anticorrupção 2025-2028. Arrastar os pés ou recuar na transparência, que consequência pode ter numa matéria tão sensível como o combate à corrupção? Que impacte pode ter esta polémica na percepção pública que degrada a imagem de Portugal à categoria de país corrupto? Oportunidade para conversar com José Fontão, sociólogo, director na área de Prevenção do Branqueamento de Capitais da PwC e líder da Transparência Internacional em Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
989
Irão, de que serve esta guerra dois meses depois?
Há dois meses, Israel e EUA bombardearam o Irão e iniciaram uma guerra com impacto em todo o mundo. O Irão propôs um acordo aos EUA para abrir o estreito de Ormuz e adiar a questão do nuclear para uma fase seguinte. Os EUA cancelaram a viagem de Witkoff e Kushner até ao Paquistão. Quem terá mais pressa em chegar a um acordo? O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, esteve no Paquistão, em Omã e chegou ontem à Rússia. O regime não só se manteve como dá sinais de não estar isolado. Após o cessar-fogo tenso de 8 de Abril, vivemos numa “paz armada”. A ascensão de Mojtaba Khamenei ao poder em Teerão radicalizou o regime iraniana, que manteve o Estreito de Ormuz bloqueado e a economia mundial refém. No terreno, as forças israelitas consolidaram a ocupação do sul do Líbano até o Rio Litani. As estimativas indicam que o conflito já envolveu mais de 5 mil mortos em dez países, com o Irão e o Líbano a concentrarem o maior número de vítimas civis e militares. Além disso, a ONU alerta para uma crise de deslocamentos sem precedentes, com 4 milhões de pessoas obrigadas a abandonar suas casas. Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
988
Imigrantes do Sul da Ásia: muito visíveis para uns, mas invisíveis para o poder
O PÚBLICO inicia hoje a publicação de uma série de trabalhos chamada Filhos da migração sul-asiática, histórias para lá dos números, da autoria da jornalista Joana Gorjão Henriques. Nestas reportagens, vamos ouvir jovens da Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão, que vivem em Portugal. Não são retratos de comunidades, nem estatísticas sobre imigração. São histórias individuais que ajudam a compreender a vida para lá dos números. Vindos de quatro países política e historicamente distintos, estes jovens partilham um território de origem comum (o Sul da Ásia) e experiências semelhantes no país de acolhimento. Pertencem a comunidades pouco estudadas, marcadas pelo desconhecimento e por vários estigmas. Nos últimos anos, tornaram‑se mais visíveis no espaço público, sobretudo como alvo de campanhas políticas, discursos de ódio e ataques da extrema‑direita. Em contraste, permanecem largamente invisíveis nos lugares de poder e de decisão. São comunidades fundamentais para a economia portuguesa, presentes em vários sectores da mão‑de‑obra. Ainda assim, pouco se sabe sobre o seu quotidiano, as suas escolhas e expectativas. O primeiro episódio começa pela Índia, o país com a relação migratória mais antiga com Portugal e, hoje, a segunda maior comunidade imigrante residente no país. A jornalista do PÚBLICO Joana Gorjão Henriques é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
987
Pacote laboral: UGT rejeita, ministra convoca última reunião
O secretariado nacional da UGT rejeitou ontem, e por unanimidade, a proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo. A central sindical diz que mantém abertura para continuar a negociar. A ministra do Trabalho, que já tinha dado por finalizadas as negociações, convocou o que diz ser uma última reunião da Concertação Social, para o dia 7 de Maio, e quer que a central sindical apresente propostas. Caso não seja possível um acordo, a ministra Maria do Rosário Palma Ramalho diz que o Governo vai encerrar, formalmente, nessa reunião, o processo negocial e que o Governo avançará para o parlamento. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu o esforço negocial do Governo, e salientou que houve consenso quanto a 138 alterações à legislação laboral. O PS falou em “simulacro de negociação” e a IL em “forças de bloqueio”. A nossa convidada de hoje é Teresa Coelho Moreira, professora da Escola de Direito da Universidade do Minho e autora do Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho 2021.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
986
Portugal sabe gerir bem o seu oceano?
Com uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas da Europa e uma Plataforma Continental em processo de extensão, a nossa identidade e o nosso futuro económico estão intrinsecamente ligados ao oceano que nos rodeia, o Atlântico. Mas como é que se gere este território invisível para a maioria de nós? Hoje, no P24, falamos de "Governação Azul". O pretexto é a Conferência Cidade Azul, que decorre na Universidade Aveiro, e que coloca o foco no papel das cidades, da ciência e da diplomacia na protecção e exploração sustentável do oceano. Neste episódio gravado ao vivo contamos com Luís Menezes Pinheiro, docente e investigador da Universidade de Aveiro, representante de Portugal na Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO e coordenador do Comité Nacional para a Década do Oceano.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
985
Mais de metade dos adolescentes dorme mal e alguns sentem-se ansiosos
Chama-se Bem-Estar, Saúde Psicológica e Comportamentos Aditivos, e é um estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, que procurou correlações entre os níveis de bem-estar e o consumo de substâncias psicoactivas e outros comportamentos aditivos entre os alunos do ensino público português entre os 13 e os 18 anos. O estudo associa o sono insuficiente e sintomas de depressão, ansiedade e stress a uma maior probabilidade de consumos e comportamentos aditivos. Seis em cada dez estudantes não dormem o bastante para acordar descansados. Entre as raparigas, os indicadores emocionais e o consumo recente de medicação psicoactiva sem prescrição geram mais preocupação. O relatório mostra ainda que, para lá do debate sobre o tempo de ecrã, a maior gravidade pode estar no álcool, nas drogas ilícitas e sobretudo em tranquilizantes, sedativos, analgésicos fortes e “drogas inteligentes” usadas para estudar. Em paralelo, o suporte emocional parece ter enfraquecido após a pandemia: menos jovens sentem que conseguem desabafar com família e amigos, enquanto bullying e cyberbullying aparecem associados a mais riscos. Há sinais positivos — mais desporto e mais convívio — mas a pergunta central mantém-se: estamos a responder ao sofrimento juvenil com prevenção e diálogo, ou com automedicação e silêncio? A convidada deste episódio é Natália Faria, editora de Sociedade do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
984
Seguro em Espanha, entre o simbolismo e o reforço da amizade ibérica
Entre os escassos chefes de Estado presentes na cerimónia de tomada de posse do presidente António José Seguro, estava o rei de Espanha, Filipe VI. Não admira por isso que tenha recebido as palavras de agradecimento e elogio que acabámos de ouvir. Como não admira que, na sua primeira visita de Estado, António José Seguro tenha escolhido como destino a capital espanhola. Estará a cumprir uma tradição? Não, porque nem Jorge Sampaio, nem Mário Soares nem Aníbal Cavaco Silva escolheram Madrid para as suas viagens inaugurais. Estaria a seguir um conselho do seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa? O próprio Marcelo visitou o Vaticano antes de, no mesmo dia, ir apresentar cumprimentos ao rei da Espanha e ao seu chefe de Governo. Mas, ponde de lado o apelo da Santa Sé a um presidente católico, se houve um presidente que visitou o país vizinho, foi Marcelo. Nos seus dois mandatos, o anterior presidente foi 18 vezes a Espanha, a última das quais a 20 de Fevereiro deste ano, escassos dias antes de terminar o mandato. Não custa a perceber: Portugal tem fronteiras terrestres apenas com a Espanha; Portugal tem relações diplomáticas com os antecessores do estado espanhol desde o século XII; o primeiro embaixador português em Madrid foi nomeado em 1668. Nem tudo foi fácil nesta relação. Basta recordar as guerras de 1383/85 ou a União Ibérica sob a égide dos Filipes entre 1580 e 1640. Hoje o aviso de que de Espanha não vem nem bons ventos nem bons casamentos faz parte do passado. Mas, como o economista José Félix Ribeiro avisava há uns 15 anos atrás, o diálogo de Portugal com a Espanha está sempre no cerne da política externa portuguesa pela natural dificuldade de gerir as relações com o país que é o nosso único vizinho, com a desproporção de dimensão demográfica e económica que existe entre ambos e tendo em conta as ambições de centralização de decisões respeitantes à inserção europeia da Península ibérica que Madrid tradicionalmente manifesta” Apesar das memórias e da “desproporção” de que Félix Ribeiro fala, as relações de Portugal são óptimas e em temas sensíveis como o da gestão da água dos rios ibéricos tem sido possível produzir acordos. O problema maior, que o Presidente Seguro disse querer superar, é a desproporção económica. A Espanha é o nosso principal parceiro comercial, mas enquanto as exportações portuguesas valeram em 2024 25,5 mil milhões de euros, as importações da Espanha ascenderam aos 40 mil milhões. Como está a relação entre os estados ibéricos actualmente? O que podemos esperar dessa relação no futuro? Como se encaixaram as duas jovens democracias no contexto europeu? Oportunidade para falar com Diogo Noivo, licenciado em Ciência Política e Mestre em Segurança e Defesa pela Universidade Complutense de Madrid e pelo Centro Superior de Estudios de la Defensa Nacional. Diogo Noivo é politólogo e foi co-autor do podcast do PÚBLICO Desordem Mundial.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
983
Ricardo Araújo Pereira no novo podcast de Ana Sá Lopes. Ouça a estreia de “O Que Fazer Quando Tudo Arde”
Ricardo Araújo Pereira é o primeiro convidado do novo podcast “O Que Fazer Quando Tudo Arde”, uma conversa sobre os tempos que correm. Neste episódio. Ricardo Araújo Pereira descreve Donald Trump como uma “criança bêbada” e estávamos ainda em Março quando gravámos, ainda Trump não se tinha mascarado de Jesus Cristo. Falámos do riso e do Chega e da liberdade de expressão. Há um mês, Ricardo Araújo Pereira estava a preparar o guião do seu espectáculo de stand-up comedy que estreia sexta-feira e sábado, no Porto. Na altura, o texto estava a ser “dolorosamente composto”. Ricardo diz que não é homem de palco, que é inseguro, e que tem uma auto-estima baixa: “A minha avó estabeleceu uns parâmetros que fazem com que eu tenha uma auto-estima bastante baixa”. Mas ter auto-estima baixa talvez seja o segredo do seu sucesso: “Tenho que me esforçar mais”. See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
982
Um campeonato a provar a classe do futebol em Portugal
Foi um jogo intenso, por vezes bem jogado, com oportunidades de parte a parte, com jogadores estrangeiros a mostrar qualidade e jovens portugueses a revelar talento. No final, talvez fosse possível dizer que quer o Sporting, quer o Benfica, mereciam ganhar. Ou que o resultado mais justo seria um empate. Mas, como disse Rui Borges, o treinador do Sporting, o futebol por vezes é cruel. Com a vitória do FCPorto no Dragão, o sonho do tricampeonato está cada vez mais longe de Alvalade. Mesmo que o Sporting ganhe a sua partida em atraso contra o Tondela, o FC Porto fica com cinco pontos de vantagem quando faltam apenas quatro jogos para o final do campeonato. José Mourinho já havia praticamente desistido da luta pelo título, em especial depois de um empate frente ao Casa Pia. O jogo de ontem, porém, era crucial para as ambições do clube e para o desejo que manifestou de continuar no Benfica na próxima época. A sua equipa continua sem derrotas, bate o seu rival histórico no seu próprio terreno e pode sonhar com a possibilidade de chegar ao segundo lugar e entrar nas eliminatórias que dão acesso aos milhões de euros da Liga dos Campeões europeus. Nesta luta ombro a ombro, Mourinho não perdeu a oportunidade de entrar nos seus conhecidos jogos mentais. O Sporting joga muito, o Benfica jogou hoje muito, o FC Porto continua a impor o seu poderio e mais a norte, no Minho, a luta pela quarta posição continua viva, com o Braga, o Famalicão e o Gil Vicente a continuarem na luta. Também por aqui se prova a qualidade do campeonato português. Que para lá de ter mostrado e, no caso do Braga, continuar a mostrar o seu músculo nas competições europeias, nos tem proporcionado bons jogos. Para lá da emoção da incerteza que é, afinal, um dos principais ingredientes do futebol. O que nos espera até ao final do campeonato? Oportunidade para falarmos com Nuno Sousa, editor do Desporto do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
981
As tormentas do Líbano vistas pela luso-libanesa Safaa Dib
A notícia, dada pelo presidente Donald Trump, correu o mundo, por uma razão fácil de entender: um encontro diplomático entre representantes do Líbano e de Israel estava anunciado, pondo termo a um período de 34 anos sem conversações entre os dois países. Ainda é cedo para se acreditar que o encontro vai servir de base a um acordo entre as partes, ou até a um cessar-fogo. Porque o que separa o Líbano de Israel é mais do que um desaguisado entre dois países: é um conflito onde aparece uma milícia financiada pelo Irão, o Hezbollah, que usa o território libanês para atacar Israel e que serve de argumento para que Telavive continue a destruir não apenas supostas bases terroristas nesse território, como a bombardear e a matar civis na capital libanesa, Beirute. O Líbano é uma vítima clássica da geografia. Durante séculos, foi lugar de refúgio de muçulmanos sunitas, xiitas ou drusos, mas também de cristãos maronitas. Se em tempos remotos a coexistência entre estas comunidades foi pacífica e permitiu ao Líbano ser um oásis numa zona conturbada – o tempo em que o país era a Suíça do médio oriente e a sua capital uma espécie de Paris na orla este do Mediterrâneo, as tensões geopolíticas contemporâneas da região levaram o pesadelo para o interior das suas fronteiras. Uma guerra civil entre essas comunidades que se prolongou entre 1975 e 1990 causou a morte de pelo menos 120 mil pessoas. O país recuperou a paz através de um acordo ardiloso. Os cargos sensíveis do estado são divididos entre as suas 18 seitas reconhecidas, o presidente é um cristão maronita, o primeiro-ministro um sunita e o chefe do parlamento um xiita. Mas esse acordo não contemplou o desarmamento do Hezbollah. Sendo uma milícia manobrada pelo Irão, cuja existência se justifica num plano de hostilidade permanente contra Israel, sempre que há um conflito ou uma ameaça de conflito na região, o Líbano torna-se um alvo. E os libaneses vítimas permanentes da instabilidade política – ou no caso presente, da infâmia de um bárbaro como Netanyahu. Na semana passada, um bombardeamento a uma zona civil de Beirute causou 200 mortos. Um deputado italiano expressou de forma evidente, entre críticas a Giorgia Meloni, a rejeição internacional a este acto bárbaro. A família de Safaa Dib é o exemplo perfeito das tormentas do seu país de origem. Na guerra civil, o pai emigrou para os Emirados Árabes Unidos, onde conheceu um português. Em 1985, o senhor Dib decidiu resgatar a família e emigrou para Portugal. Safaa Dib veio para Lisboa com dois anos estudou Literatura na Universidade de Lisboa, foi editora e tornou-se uma figura grada do partido Livre na capital. No ano passado, publicou o livro Líbano, uma Biografia, na qual reflecte o destino trágico do seu país e o percurso da sua família. É um livro extraordinário, que cruza a memória histórica com a experiência pessoal. Safaa Dib é hoje a nossa convidada.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
980
Pedro Sánchez brilha fora de portas, mas ofusca-se internamente
O líder do governo de Espanha parece viver, por estes dias, em dois mundos paralelos. Para lá das fronteiras de Espanha, Pedro Sánchez é conhecido por ser o homem que não teme em subir o tom contra as acções de Israel ou do presidente Trump e por marcar uma posição de força face à escalada de tensão com o Irão. Mas dentro de Espanha as coisas estão bem diferentes. Pedro Sánchez vive entre a maioria parlamentar instável que o suporta e a sombra de processos judiciais de pessoas que lhe são ou foram bastante próximas. O último caso envolve a sua mulher, Begoña Gómez, por alegado tráfico de influências. Mas será que o caso tem pernas para andar? Ou é apenas mais um capítulo do processo de judicialização da política em Espanha. No episódio de hoje: o que move a estratégia externa de Sánchez? A postura firme sobre a guerra uma convicção profunda ou uma fuga para a frente para desviar as atenções do pântano em que vive no que toca à política interna? E, acima de tudo, pode este "não à guerra” salvar os socialistas de Espanha nas urnas? Neste P24 ouvimos a jornalista da secção mundo do PÚBLICO que segue a actualidade de Espanha, Inês Chaíça.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
979
De quem é a culpa de não haver acordo no pacote laboral?
O Governo vai ouvir, na comissão permanente da concertação social, amanhã, o que os parceiros sociais têm a dizer sobre a reforma laboral. Ao fim de oito meses de negociações, a confiança entre todas as partes parece comprometida. As confederações patronais acusam a UGT de ter ignorado os resultados das últimas rondas negociais, ou seja, de ignorar os consensos obtidos e de querer reabrir temas que já estavam fechados. A central sindical responde que só se pode pronunciar sobre “propostas escritas e concretas” e “não consensualizações”, segundo o seu secretário-geral, Mário Mourão. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, afirma que as negociações não se podem eternizar e que, “de uma forma ou de outra, se irá passar “à fase seguinte”. Contratação a termo, reintegração de trabalhadores despedidos ilegalmente ou o banco de horas individual são alguns dos pontos de fricção desta proposta de alteração da lei laboral. João Leal Amado, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
978
Trump bloqueia Ormuz. Esta guerra é útil para quem?
Donald Trump decidiu bloquear o tráfego naval com origem e destino ao Irão e diz que lhe é indiferente se Teerão volta ou não à mesa das negociações. Ou seja, os EUA pretendem abrir o estreito de Ormuz, bloqueando-o. A decisão do presidente dos EUA vem na sequência do fracasso das negociações, no fim-de-semana, no Paquistão. Convencer Trump a atacar o Irão foi uma grande vitória para Benjamin Netanyahu, mas o primeiro-ministro israelita tem pouco interesse em acabar com esta guerra agora e continua a bombardear o Sul do Líbano, onde já morreram mais de 2000 pessoas. Netanyahu garantiu que a guerra eliminaria a ameaça nuclear do Irão, destruiria o seu programa de mísseis balísticos e “criaria as condições” para o povo iraniano derrubar o seu governo. Nada disto está garantido. Joana Ricarte, especialista em Médio Oriente e professora de relações internacionais na Universidade do Porto, é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
977
Orbán caiu. Com que Hungria acordamos nesta segunda-feira?
Há muito que não olhávamos para as eleições na Hungria como na última noite. Péter Magyar, líder do partido opositor Tisza, venceu as eleições legislativas húngaras abrindo caminho para o fim da governação de 16 anos de Viktor Orbán. Que Hungria teremos na União Europeia com a nova liderança? Podemos já falar numa inversão de ciclo no que toca ao crescimento do populismo? São questões de partida para um episódio na ressaca da vitória eleitoral de Péter Magyar. Neste P24 partimos rumo a Budapeste com a enviada especial do PÚBLICO à Hungria, Maria João Guimarães.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
976
Hungria, a eleição nacional que conta para o destino da Europa
A Hungria entrou na recta final da campanha eleitoral num clima que oscila entre a ansiedade, a euforia e esperança. Ao fim de 16 anos no poder, Viktor Orbán corre o risco de perder o apoio dos eleitores húngaros. E esta simples possibilidade, confirmada por sucessivas sondagens, torna esta eleição não apenas importante para eles, como para todos os cidadãos da União Europeia. Maria João Guimarães, jornalista do PÚBLICO, está há dias na Hungria a acompanhar de perto o ritmo intenso e ansioso desta campanha. A Maria João é a convidada deste episódio do seu podcast da manhã.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
975
As mortes nas estradas dispararam e têm de voltar ao centro das preocupações do país
O número de pessoas mortas nas estradas de Portugal ficou muito além dos registos dos últimos anos. E o flagelo da sinistralidade rodoviária regressou à preocupação dos cidadãos e das autoridades. Vejam-se os números desta Páscoa: 2600 acidentes rodoviários registados até segunda-feira que causaram 53 feridos com gravidade e 20 vítimas mortais, quatro vezes mais do que no período homólogo de 2024 e de 2025. O que justifica esta tragédia? Não foi o número de acidentes que se multiplicou, Foi a sua gravidade. O mesmo tinha acontecido na Operação do último Natal – menos 4,4% no número de acidentes, mais 31% no número de mortos. Entre 18 de Dezembro e 4 de Janeiro últimos, 38 pessoas perderam a vida nas estradas. O Governo considera que estes registos reclamam “um tempo de uma reflexão séria” e acção. Num comunicado, o MAI promete para “muito em breve” a apresentação de “um pacote de medidas estratégicas” para combater “este flagelo”. Com estes números, Portugal, que apresenta uma taxa de sinistralidade muito acima da média da União Europeia, que é de 45 vítimas mortais por milhão de habitantes contra as 58 registadas no nosso país, está cada vez mais longe de cumprir as metas europeias estabelecidas pela União para 2030. O que está a acontecer e o que fazer para travar este flagelo social que, para lá das perdas humanas implica um custo económico anual que na Europa está estimado em 2% do Produto Interno Bruto? Oportunidade para uma conversa com Manuel João Ramos, presidente da Associação Portuguesa de Cidadãos Auto-Mobilizados, que acompanha há anos este problema.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
974
A paz chegou ao Irão nesta madrugada. E agora?
O Presidente norte-americano, Donald Trump, aceitou na noite desta terça-feira que vai suspender a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irão durante duas semanas, fazendo depender a trégua da reabertura do estreito de Ormuz, aceitando uma proposta de cessar-fogo paquistanesa a hora e meia do prazo do ultimato que tinha sido dado por Washington para Teerão desbloquear aquela via marítima. O que podemos esperar depois de uma guerra que não mudou o regime do Irão e que parece ter ficado aquém dos objectivos inicialmente traçados por Donald Trump? Temas para a conversa com o jornalista do PÚBLICO Pedro Guerreiro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
973
O Presidente de visita ao país destruído pelas tempestades e esquecido pelo poder central
O candidato António José Seguro prometeu e o presidente António José Seguro está a cumprir: a presidência aberta nas zonas assoladas pelo comboio de tempestades de Janeiro e Fevereiro começou esta segunda-feira e prolonga-se até sexta. Na rota do presidente estão quatro distritos e 18 concelhos. O objectivo, definido pelo próprio presidente: “dar voz a quem precisa de se fazer ouvir, porque o país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande e tão longa”. Sair de Belém e passar temporadas pelo país não é novidade. Os reis de Portugal faziam-no com frequência. E Mário Soares instituiu o ritual na agenda das presidências da era democrática. Mas esta viagem de Seguro tem um contexto especial: o apoio a territórios devastados nos quais a prometida ajuda do Governo tarda em chegar. Não deixa de ser interessante notar que no dia em que a peregrinação do Presidente começa, o Governo aprovou um regime de apoio “excepcional e temporário”, para vigorar até 31 de Agosto, para as autarquias afectadas. Esse regime permite flexibilizar regras financeiras — como empréstimos, fundos disponíveis, equilíbrio orçamental e inscrição de nova despesa — e acelerar a resposta à reconstrução Mas, prometeu também Seguro, para lá de ouvir queixas sobre atrasos, o propósito desta visita contempla também outros assuntos, alguns dos quais persistem década após década desde o começo da democracia. Os recursos financeiros atribuídos ao poder local, entre os mais baixos da União Europeia, estarão no rol das reivindicações; a regionalização, como meio de diluir a distância entre o estado central e o poder local, também. A oportunidade servirá por isso para se falar da crise recente e se discutir o modelo de desenvolvimento das regiões mais pobres e despovoadas do país. Mas se esse é um gesto, falta muito mais para que o país seja mais equilibrado e todos os portugueses tenham um mínimo de igualdade de oportunidades. Seguro, um homem do interior, promete ter esse debate no centro da sua agenda. Nesta presidência aberta, como no resto do seu mandato. Para aprofundarmos um pouco o que está em causa, convidámos para este episódio Bruno Gomes, presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, um concelho particularmente devastado pelas tempestades que nesta terça-feira recebe a visita do Presidente.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
972
A inteligência artificial nas universidades dividida entre a utilidade pedagógica e a utilização fraudulenta
Que formação precisa de ter jovem para ser um bom médico ou um bom engenheiro? Os sistemas da inteligência artificial generativa já fornecem respostas aos grandes problemas dos saberes que se adquirem na universidade, nota. Mas isso dispensa um médico de saber anatomia patológica, um engenheiro de saber física, ou um advogado de saber manobrar a complexidade do Código Penal ou do Código Civil? Ou, por outras palavras, serão dispensáveis no futuro os saberes especializados que, mais do que uma simples pergunta no Chat GTP, exibem estudo, memória e capacidade de relacionar conhecimentos? O que coloca um problema existencial às universidades ou politécnicos: como exigir esse conhecimento pessoal aos alunos quando eles podem ir buscá-lo à inteligência artificial com um simples clique? A pergunta instalou-se na comunidade académica e continua à espera de respostas cabais. A jornalista Cristiana Faria Moreira fez um trabalho profundo à procura dessa e de outras respostas aos desafios que a IA coloca ao ensino superior e da do seu texto, que pode ser lido no PÚBLICO online ou na edição impressa de domingo, sobram duas grandes conclusões: uma instituição científica como uma universidade não pode nem deve proibir o recurso à IA. Como não pode permitir que os alunos não apreendam e retenham conhecimento científico das suas áreas de estudo e sejam desobrigados de desenvolver a sua capacidade crítica, a sua imaginação, e, ponto essencial, um sentido ético das suas competências científicas ou tecnológicas. Um estudo recente, usado pela OCDE e citado no texto da jornalista, mostra o que está em causa. A estudantes de cinco universidades norte-americanas foi pedido que escrevessem um pequeno ensaio em 20 minutos. Um grupo trabalhou sem nenhuma ajuda exterior, outro recorreu a um motor de busca, e um terceiro trabalhou com uma ferramenta de IA. E foram os deste último grupo que tiveram melhores classificações. Mas uma hora depois, apenas 12% desses estudantes conseguiram citar de memória um excerto do próprio texto. Nos outros grupos, 89% foram capazes de o fazer. Sendo utopia travar a marcha da IA, que problemas e ameaças coloca ao ensino superior – aliás, ao ensino no geral? Vamos falar com a Cristiana Faria Moreira, jornalista que trabalha em especial na área da educação, para sabermos os traços principais do texto essencial que assinou.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
971
A criminalidade violenta desceu, mas as violações não
A criminalidade não tem tido grandes oscilações e Portugal é um país seguro? Sim. O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que reflecte a actividade dos vários órgãos de polícia criminal do país em 2025, não justifica percepções de insegurança, muito menos aquelas que são associadas à imigração. A criminalidade geral participada às autoridades nacionais cresceu, mas a criminalidade violenta desceu. Neste cenário de estabilização estatística, a violência doméstica desceu pelo terceiro ano consecutivo, mas as violações registaram os valores mais elevados da última década. O número de imigrantes notificados para saírem do país, mais de 23 mil, aumentou bastante face a 2024, se comparado com as 444 notificações do ano anterior, exibindo uma grande aceleração no último trimestre. A participação de portugueses em grupos online nazis e satânicos é outra das conclusões deste RASI. Para Luís Montenegro, Portugal tem a situação controlada, mas a segurança não pode ser dada como garantida. Há quatro tipos de crimes que preocupam o primeiro-ministro: tráfico de droga, violência doméstica, sinistralidade rodoviária e auxílio à imigração ilegal. Mariana Oliveira, jornalista do PÚBLICO, especializada nas questões de justiça e segurança, é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
970
Humanos voltam à Lua 50 anos depois para a conquistar
Mais de 50 anos depois, os seres humanos vão voltar à Lua. Os quatro astronautas da missão Ártemis II partem, esta quarta-feira, às 23h24 de Lisboa, do Centro Espacial Kennedy, na Florida, mos EUA. Pela primeira vez desde 1972, quatro astronautas vão voar fora da órbita terrestre, a caminho de uma circum-navegação à Lua, que é um ensaio para uma futura alunagem. Se a Ártemis I, lançada em 2022, foi o teste ao veículo e à sua capacidade de ir à Lua e voltar, a Ártemis II é o penúltimo ensaio antes de se tentar alunar outra vez – um ensaio já com humanos a bordo. Mas o regresso à Lua não é inocente. Há uma corrida entre os EUA e a China pela conquista da Lua. Jared Isaacman, bilionário e astronauta, empossado como administrador da NASA no início deste ano, não deixa dúvidas: “Vamos fazer tudo o que for preciso para voltar à Lua e não deixar que ninguém se apodere dela nunca mais”. A alunagem, propriamente dita, está marcada para 2028. De permeio, haverá uma missão de teste aos módulos de pouso lunar, que estão a ser construídos pela Space X (de Elon Musk) e pela Blue Origin (de Jeff Bezos), dois bilionários a disputar a Lua antes que a China lá chegue primeiro. De quem é a Lua, afinal? Alguém pode reivindicar a sua posse? O convidado deste episódio é Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciência do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
969
Com os combustíveis em máximos, vão os transportes aguentar a procura de quem largou o carro?
Cinco minutos de espera. Não parece mal, mas estes cinco minutos são, tantas vezes e na prática, dez ou mais. No painel digital da paragem, o tempo parece esticar-se mais do que o razoável, enquanto os passageiros se acumulam. Para quem vive ou trabalha nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, este cenário é comum. Poucas faixa bus, sem prioridades nos cruzamentos para os transportes públicos, pouca oferta face à procura, com autocarros presos no trânsito e sem serviços expressos dentro das cidades. Em Lisboa – e fica o aviso, hoje vamos falar muito de Lisboa, mas sem esquecer que esta é uma realidade que se vive noutras cidades do país – há na Carris um esforço para mudar, pelo menos assim o garante o presidente da empresa, Rui Lopo, em entrevista ao jornalista Samuel Alemão, do PÚBLICO. O que falta para que o transporte público seja, de facto, a primeira escolha e não o último recurso? E como será a partir desta quarta-feira com a mudança de mês? Ou a partir da próxima semana com o fim das férias da Páscoa. Haverá transportes para tantos passageiros? Neste P24 trazemos para a conversa o jornalista Samuel Alemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
968
José Luís Carneiro foi ao congresso do PS e saiu de lá como entrou: vivo
Não se esperava que nesta sua ida às boxes, para usar a expressão feliz do director do Público, David Pontes, sobre o 25 congresso do PS, José Luís Carneiro fosse atropelado, apesar de nas últimas semanas terem aparecido sinais ténues de contestação à sua liderança; como não se esperava que o secretário-geral do PS saísse de Viseu embalado numa vaga de entusiasmo irreprimível, próprio de um partido crente nas suas conquistas ao virar da esquina. Não admira por isso que no discurso de encerramento do congresso, José Luís Carneiro apostasse em declarar o PS não como uma personagem à procura de um actor, mas antes como um actor que sabe bem como interpretar as suas personagens clássicas: as do reformismo, da modernidade, da inclusão ou do futuro. Mas se esse discurso era o que se esperava de um líder no final de uma festa partidária, houve perguntas que continuaram sem resposta. A principal: como vai agir o PS perante a continuada fórmula do Governo que tem por base a crença que, em matéria de negociação política para viabilizar diplomas na assembleia, o PS e o Chega valem pelos votos, não pelos programas. Quer dizer, se alguém esperava uma posição diferente da ambiguidade tradicional, enganou-se. O que nos leva para uma série de perguntas que o PS continua, de alguma forma, sem responder de forma cabal. "O país mudou e mudou mais rápido do que nós. E quando o mundo muda, não basta fazermos mais do mesmo. É preciso reflectir, ouvir e agir", disse Miguel Costa Matos, perante o congresso. O PS, diz o deputado que liderou a Juventude Socialista, pede coragem de reflectir, o que quer dizer, reclama a predisposição de um partido que se diz reformista para discutir e admitir a sua própria reforma. A hesitação sobre a forma de lidar com o Governo ou as propostas da moção de José Luís Carneiro sobre a regionalização, ou as que apresentou para a economia – em especial o Simplex com recurso à inteligência artificial – são um ponto de partida para essa reflexão? Muito para lá do que se lê e se vê nos noticiários, um congresso partidário é sempre um momento em que se pode perceber melhor o que está nas entrelinhas das votações e dos discursos. Por isso vamos ter neste episódio David Santiago, editor de Política do Público que acompanhou o 25 congresso do PS em Viseu do princípio ao fim. Siga o podcast P24 e receba cada episódio logo de manhã no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para [email protected]. See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
967
Trump vai fazer do Irão o novo Iraque dos EUA?
O Irão rejeitou a proposta de cessar-fogo dos EUA, mas mantém abertura para continuar a negociar. Teerão deixou claro que o conflito só terminará segundo as suas próprias condições. Os iranianos não querem só o fim dos ataques. Querem também o pagamento de reparações, o fim das hostilidades em todas as frentes, contra o Hezbollah, no Líbano, nomeadamente, ou o reconhecimento da sua soberania sobre o estreito de Ormuz. Perante a possibilidade de um cessar-fogo, Israel intensificou os ataques. Benjamin Netanyahu terá ordenado uma ofensiva de 48 horas para destruir o máximo possível da indústria bélica iraniana e prepara-se para ocupar o Sul do Líbano. António Guterres, secretário-geral da ONU, já disse que o “modelo de Gaza não pode ser replicado no Líbano”. Os objectivos desta guerra já foram vários. Se Israel pretende destruir a capacidade militar e o regime teocrático, os EUA e o resto do mundo estão mais preocupados em pôr fim ao bloqueio do estreito de Ormuz. Mas a verdade é que Washington envia sinais contraditórios. Donald Trump fala no final da guerra e, mesmo assim, desloca mais soldados para o Médio Oriente. O convidado deste episódio é Ricardo Alexandre, editor da secção do Internacional da TSF, e autor do livro Tudo Sobre o Irão, que é apresentado neste domingo, no El Corte Inglés, em Vila Nova de Gaia, pelas 16h.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
966
Guerra no Irão faz regressar o fantasma do choque petrolífero de 1973
O cenário de um mundo em que os preços do barril de petróleo dispararam para valores incomportáveis, causando um choque que acabou de vez com o período glorioso de crescimento da Europa do pós-guerra, gerou estagflação, desemprego e miséria, em especial nos países pobres. Um cenário que teve um papel relevante no agravamento do mal-estar que se vivia em Portugal – em 1974, recorde-se, o regime autoritário do Estado Novo caiu sem grande estrondo. E agora, sem que se vislumbre um fim para a guerra contra o Irão, será que esse cenário se pode repetir? Fatih Birol, Director Executivo da Agência Internacional de Energia admite que sim. Ou seja, o petróleo que deixou de chegar ao mercado com a destruição de infra-estruturas e, principalmente, com o bloqueio do estreito de Ormuz é equivalente ao que se perdeu nos dois choques petrolíferos dos anos de 1970 (em 1973, na sequência da guerra do Yom Kipur e de 1979, associado à queda do regime do Xá Reza Pahlevi à subsequente guerra sangrenta entre o Irão de Khomeini e o Iraque de Sadam Hussein). Conclui Fatih Birol, que a situação actual não é assim tão diferente da que levou o mundo para uma recessão profunda há meio século. Compreendem-se assim os sinais de alarme que alastram por todo o mundo. Para já, as subidas dos preços por barril estão longe do que aconteceu entre 1973 e 1974 – em pouco mais de meio ano, subiram de três para 12 dólares. Não se comparam sequer com o disparo de 1979, de 13 para 34 dólares. Em 2008, convém recordar, os preços atingiram os 147 dólares por barril, ainda acima dos valores actuais, mesmo descontando a inflação. O problema é que, se já há quem admita o barril a 200 dólares, é impossível saber o que pode acontecer se o estreito por onde circula 20% do petróleo mundial, o de Ormuz, permanecer fechado por tempo indeterminado. Nos anos de 1970 o mundo mudou com o choque petrolífero decretado com o embargo dos países produtores, e em 2026 pode voltar a mudar por causa do bloqueio iraniano e da destruição causada pela guerra em campos petrolíferos ou em refinarias. Para fazer uma ponte entre o passado e o presente e situar a dimensão do choque que estamos a viver, convidámos para o episódio de hoje do seu podcast da manhã o engenheiro António Costa Silva. Nascido em Angola, estudou no IST e doutorou-se em Engenharia de Reservatórios Petrolíferos neste Instituto no Imperial College de Londres. Dirigiu a Partex, a empresa que geria os activos energéticos da Gulbenkian ou a Sonangol. Foi ainda ministro da Economia num governo de António Costa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
965
A eleição de juízes para o Tribunal Constitucional como prova cabal de um regime sob tensão
Aconteça o que acontecer, a novela do Constitucional deixará marcas na política. Os apelos de António José Seguro aos compromissos entre os partidos, não estão a ser ouvidos; a imagem do Tribunal Constitucional degrada-se com a partidarização da escolha dos seus membros e pode levar juízes de carreira a recusar a sua nomeação por não quererem ser vistos como apêndices dos partidos; e, para muitos cidadãos, toda esta historieta serve apenas para provar que os políticos estão bem mais preocupados com os seus pequenos poderes do que com a defesa do regime ou o prestígio das instituições. Sejamos francos: o problema não é fácil de resolver. Porque um modelo de escolha definido pelo PS e PSD em 1982 não resiste ao quadro parlamentar de hoje, quando em vez de dois grandes partidos há três. Dos dez juízes eleitos pela assembleia, cinco eram indicados pelo PS e cinco pelo PSD, com o propósito de garantir os equilíbrios no regime. Esse acordo ficou datado. Está comprometido. Como dos três juízes que saem dois foram escolha do PSD e um do PS, uma substituição directa deixaria o Chega, o segundo maior partido, fora do processo. O PSD não acha bem e decidiu manter os seus dois nomes e entregar o do PS ao Chega. É neste momento que tudo se complica. Como a eleição requer maioria de 2/3 dos deputados, que um bloco Chega PSD não consegue, o país anda nisto reunião após reunião. A impaciência e a acrimónia agravaram-se e já se fala em retaliações do PS no frágil equilíbrio da política caso não perca um dos seus ainda cinco juízes. Como se pode desatar este nó? Quem faz o papel de mau na novela? O que pode acontecer a seguir? Perguntas para a conversa com José Palmeira, Professor Auxiliar do Departamento de Ciência Política, na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
964
Desconhecidos em casa: há jovens e crianças em ensino doméstico fora do radar da Justiça e da Educação
Um trabalho de investigação do PÚBLICO deu-nos conta que há um número indeterminado de crianças e jovens no regime de ensino doméstico. Nada de mais até que se constata que muitos dos que aprendem em casa não estão registados numa escola pública ou privada, como exige a lei. O trabalho exaustivo da jornalista Andreia Sanches dá-nos conta que nem o Ministério da Educação nem o sistema judicial conhecem a dimensão do problema nem sabem como lidar com os seus impactes. Convém não dramatizar e concluir que todas essas crianças e jovens não vão à escola por causa do radicalismo dos pais ou por qualquer outra razão que comprometa os seus futuros. Os pais têm todo o direito de escolher a educação dos seus filhos. Mas para evitar abusos ou danos no processo de aprendizagem, o Estado tem a responsabilidade de acompanhar a decisão dos pais e exigir a avaliação regular dos alunos. Haver crianças e jovens numa zona cinzenta de desconhecimento é algo que custa a aceitar numa sociedade decente. E para o travar, basta uma única coisa: que os pais registem as suas escolhas nas escolas reconhecidas pelo Estado. Podem assim exercer a sua liberdade e o Estado pode assim cumprir o seu dever de garantir a educação ou a segurança das crianças.. Para sabermos mais e melhor o que está em causa, vamos conversar com a autora deste importante trabalho. A Andreia Sanches é redactora principal do PÚBLICO e a educação é há muitos anos o principal foco da sua actividade profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
963
"Cobardes", diz Trump: guerra no Irão agrava 'Guerra Fria' entre Europa e os Estados Unidos
A frase, esta não é uma guerra da Europa, pronunciada por Kaja Kallas, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, promete ficar para a posteridade. Porque marca de forma indelével mais uma divergência entre os membros da União Europeia e os Estados Unidos. Recuemos uns dias: há uma semana Donald Trump pediu o envolvimento dos europeus, dos japoneses, sul-coreanos e australianos na segurança do tráfego marítimo no estreito de Ormuz. Todos os seus apelos foram simplesmente recusados. E Trump não escondeu a sua acrimónia. Começando por dizer que os Estados Unidos não precisam de ninguém. Dias depois, porém, Trump passou ao ataque. Avisando que, sem o envolvimento europeu na sua guerra e na guerra de Netanyahu, a NATO teria um futuro sombrio. E, mais grave ainda, na última sexta-feira acusou os europeus de cobardia e avisou que os Estados Unidos “não esquecerão” a recusa em enviar meios militares para o mar vermelho. Desta vez a Europa manteve-se firme. Nem sequer vai reforçar os meios navais que hoje protegem a marinha mercante a sul do estreito de Ormuz. O foco da União continua a ser o apoio à Ucrânia, que no final da semana passada voltou a ser bloqueado por Viktór Orbán. Mas também aqui os líderes europeus parecem mais confiantes em tomar decisões duras: as críticas à Hungria atingiram uma dureza sem precedentes. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, chegou a falar de chantagem. Estará em curso uma mudança no sentido de uma União mais assertiva e corajosa na defesa da sua soberania e dos seus interesses, ora batendo o pé a Trump, ora pondo de lado a condescendência para com o vírus divisionista de Orbán? Como aconteceu com a Ucrânia, as ameaças externas estão a criar um novo espírito na Europa? E para onde nos levará esse espírito? Vamos discutir estes e outros temas com Rita Siza. Jornalista do PÚBLICO com ampla experiência internacional, a Rita é a nossa correspondente em Bruxelas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
962
A Hungria cansou-se de Viktor Orbán?
O primeiro-ministro húngaro tem, no próximo dia 12 de Abril, o maior teste de resistência da sua carreira política. O que antes parecia um passeio eleitoral para Viktor Orbán e para o partido que lidera, o Fidesz, transformou-se, nos últimos meses, num campo de batalha pela sobrevivência do modelo da 'democracia iliberal' que implementou na Hungria. A ascensão meteórica de Péter Magyar e do partido Tisza baralhou as contas em Budapeste. Pela primeira vez em dezasseis anos, a oposição não é apenas um conjunto de partidos fragmentados, mas tem um rosto que veio de dentro do sistema para o tentar derrubar. Até porque o rosto da oposição a Orbán militou no partido do primeiro-ministro húngaro de 2002 até 2024. Orbán foi eleito para proteger a soberania húngara contra o 'globalismo', mas o que os eleitores enfrentam agora é uma economia estagnada e um isolamento diplomático crescente. Afinal, poderá o homem que moldou a Hungria à sua imagem ser derrotado por um dissidente do seu próprio regime? Ou será que o controlo mediático e as mudanças nas leis eleitorais vão, mais uma vez, garantir a continuidade de Orbán? Manuel Serrano, analista de assuntos europeus, política internacional e processos eleitorais, é o convidado deste episódio do P24.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
961
A direita tem uma obsessão com “uma ideologia de género” que não existe
O parlamento vai discutir hoje as propostas apresentadas pelo PSD, Chega e CDS-PP para revogar a Lei da Autodeterminação de Género. As três propostas pretendem alterar a legislação em vigor desde 2018, que permite a qualquer pessoa acima dos 18 anos mudar de sexo e de nome no registo civil, sem necessidade de apresentar um relatório médico. A lei permite, também, que pessoas entre os 16 e os 18 anos possam mudar de sexo, desde que tenham a autorização dos pais e uma declaração de um profissional de saúde, que reconheça a sua maturidade para tomar aquela decisão. O projecto-de lei da bancada do PSD, por exemplo, volta a colocar nos 18 anos a idade mínima para atribuir legitimidade “a quem seja diagnosticada incongruência de género”, como é dito no texto, e queira proceder a esse pedido. E retira essa possibilidade a pessoas com 16 e 17 anos. Quando três partidos de direita se unem na tentativa de revogar esta lei “não estão apenas a atacar pessoas trans e intersexo, estão a preferir a demagogia à ciência”, escreveu no PÚBLICO Pedro Alexandre Costa, docente da Faculdade de Psicologia do Porto, que é o convidado deste episódio. Pedro Alexandre Costa, que integra o Grupo de Investigação em Sexualidade e Género do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, considera que estes partidos estão obcecados com uma "ideologia de género" que não existe.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
960
Fazer mil quilómetros com uma carga de nove minutos: a China mais à frente nos carros eléctricos
A BYD apresentou uma bateria que em nove minutos pode ser carregada para permitir uma viagem de 1000 quilómetros. Os que, naturalmente, se assustam com o cenário das grandes filas de carros eléctricos nas estações de serviço nos dias de maior tráfego, podem respirar de alívio. Em pouco mais tempo do que se gasta a encher um depósito de gasolina, em breve será possível carregar uma bateria e viajar de Caminha a Tavira sem ter o incómodo de parar por falta de energia. O novo paradigma da BYD reforça a vanguarda da China na indústria dos carros eléctricos – como aliás acontece em segmentos das energias renováveis. Note-se: não estamos a falar da liderança de uma indústria menor, como aconteceu nos primórdios da fábrica do mundo com materiais baratos e de duvidosa qualidade. Estamos sim a falar de uma das mais importantes indústrias do mundo que, desde o princípio deste ano, passou para o controlo da China. A BYD já ultrapassou as vendas da Tesla e é hoje o maior construtor mundial de carros eléctricos. Pelo preço? Nem tanto. Os especialistas reconhecem que os chineses são os donos da melhor e mais avançada tecnologia. Tudo terá começado em 2007, há menos de 20 anos portanto, sob a égide do ministro Wan Gang – um engenheiro formado na Alemanha que se tornou ministro da Ciência e do Comércio. Em 2010, a China tinha um plano em marcha que envolveu quantidades gigantes de dinheiro público. O acesso a matérias-primas e a existência de redes complexas de abastecimento e de mão-de-obra qualificada, fizeram o resto. Em meia dúzia de anos a China bateu aos pontos a Europa e os Estados Unidos e dispõe hoje de uma ampla vantagem. O anúncio da nova bateria da BYD é disso prova cabal. O que aconteceu e o que podemos esperar desta reconfirmação da liderança chinesa? Vamos fazer perguntas destas a Sérgio Magno, jornalista especializado em tecnologia e editor da secção ENTER, no PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
959
Nada de novo: mudanças no Código do Trabalho continuam encalhadas
Na tarde desta segunda-feira, depois de quatro horas de reunião entre patrões, sindicatos e ministra do Trabalho, Francisco Calheiros, da Confederação do Turismo de Portugal, repetiu o que se tem ouvido uma e outra vez nas últimas semanas: não há acordo para as mudanças propostas pelo Governo ao Código do Trabalho. Os intervenientes na negociação lá foram dizendo que houve mais flexibilidade na análise das propostas, que se evoluiu em algumas, mas, no essencial, tudo continua como antes: o Anteprojecto Trabalho XXI continua encalhado. Apresentado em Julho do ano passado, o projecto do Governo é ambicioso: estão em causa mais de 100 alterações ao Código do Trabalho, dos despedimentos sem justa causa em empresas com mais de cinco trabalhadores ao alargamento dos prazos dos contratos, dos serviços mínimos em caso de greve à parentalidade ou ao banco de horas. Pelo meio, houve quase meia centena de reuniões e os pontos de discórdia resumem-se hoje a pouco mais de uma dezena de alterações. Que para o Governo são traves mestras, sem as quais o edifício legislativo desaba. Para a UGT, continua a haver linhas vermelhas insusceptíveis de negociação. A longa caminhada destas alterações vai continuar com uma nova reunião entre as partes – da qual, em princípio, a CGTP continuará a não participar. O Governo não quer eternizar a discussão, mas o novo presidente faz da negociação uma obrigação de todas as partes. No vai não vai do debate, quisemos saber como Manuel Carvalho da Silva analisa a proposta do Governo, o processo negocial e, também, como podemos inserir o que está em causa na linha do tempo da história recente do país. Figura incontornável do sindicalismo português, Manuel Carvalho da Silva foi presidente da CGTP entre 1987 e 2012. Licenciou-se em sociologia em 2000 e doutorou-se no ISCTE, sete anos mais tarde, com a tese A centralidade do trabalho e acção colectiva. Sindicalismo em tempo de globalização. É também coordenador do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Protecção Social (CoLABOR).See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
958
Quem decide quando acaba a guerra no Irão?
O preço mundial do petróleo subiu na sexta-feira. Para tentar baixar o preço, os EUA aliviaram as sanções sobre países que comprem petróleo e produtos petrolíferos russos. A União Europeia classificou a decisão como “muito preocupante”. A Rússia agradece, pois pode vender cerca de 100 milhões de barris de petróleo actualmente em trânsito. Afinal, o que era uma “pequena excursão”, na expressão de Donald Trump, arrisca-se a ser a maior crise energética da história. O ataque ao Irão revelou-se um ataque à “economia mundial”, como lhe chamou a Economist. Trump foi eleito para acabar com as guerras e baixar a inflação, mas o que está a acontecer é o contrário. Os EUA terão gastado cerca de 11 mil milhões de euros, só nos primeiros seis dias, diz a CNN. Trump já disse que a guerra ia acabar em breve. Israel envolveu-se numa nova frente de guerra no Líbano e o Irão promete não desistir. Mojtaba Khamenei, o novo ayatollah, prometeu, na sua primeira declaração pública, a “vingança dos mártires”. Por outro lado, o presidente iraniano diz que a “única maneira de acabar com esta guerra “é reconhecer os direitos legítimos do Irão, pagar reparações e obter firmes garantias internacionais contra futuras agressões”. Quem decide quando acabará esta guerra? Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense e investigador do IPRI, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
957
Já sabemos quem vai ganhar os Óscares ou vamos ter uma surpresa?
Batalha Atrás de Batalha, o último filme de Paul Thomas Anderson, tem vencido vários prémios. O filme ganhou os Prémios da Associação de Produtores, os PGA Awards, reforçando o seu favoritismo para os Óscares, que serão entregues este domingo. É o que diz a estatística. Nos últimos 16 anos, este prémio coincidiu 14 vezes com o vencedor do Óscar de Melhor Filme. Antes disso, Batalha Atrás de Batalha venceu o Critics Choice Awards, Globos de Ouro e Paul Thomas Anderson foi considerado o melhor realizador várias vezes. Sim, Batalha Atrás de Batalha foi o título mais nomeado para os prémios da indústria britânica de cinema, os Bafta, e Thomas Anderson recebeu o prémio de melhor realizador. De prémio em prémio até ao Óscar final? Batalha Atrás de Batalha e Paul Thomas Anderson têm combatido com outro potencial favorito, Pecadores, de Ryan Coogler, que batera o recorde ao tornar-se no filme mais nomeado de sempre pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com 16 indicações. Acontece que Pecadores tem vindo a ganhar cada vez mais favoritismo. Vasco Câmara, crítico de cinema do PÚBLICO e convidado deste episódio, acha que estamos perante uma corrida entre os dois. Veremos no domingo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
956
Em caso de colapso económico, o regime de Cuba vai afundar ou sobreviver?
Cuba está sujeita ao embargo dos EUA há mais de 60 anos e desde o rapto de Nicólas Maduro que deixou de receber petróleo venezuelano. A economia da ilha depende, na sua quase totalidade, da energia externa e está perto do colapso. Os apagões são constantes, cada vez mais prolongados e regulares, os transportes são raros, cresce a inflação e a escassez de alimentos. A população tem recorrido a painéis solares para enfrentar a falta de combustível e permitir que o comércio e a vida prossigam. Esta semana, o Governo dos EUA afirmou que o petróleo de origem venezuelana pode ser revendido e transportado para Cuba, desde que essas transacções não beneficiem o regime. E, na semana passada, quatro pessoas morreram, pelo menos, numa troca de tiros com a guarda costeira cubana, quando uma lancha rápida, baseada na Flórida, entrou nas águas territoriais do país. O que irão fazer os EUA com Cuba? O secretário de Estado, Marco Rubio, filho de cubanos exilados na Flórida nos anos 50, não esconde as suas pretensões de mudar os regimes comunistas sul-americanos. Aparentemente, Rubio estará em negociações com um “herdeiro” do regime, entre aspas, Raúl Guillermo Castro, que é neto e cuidador de Raúl Castro, que sucedeu na presidência ao seu irmão Fidel, o líder histórico da revolução cubana. Estes são os temas de conversa com a convidada do episódio de hoje, Carmen Fonseca, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigadora em análise de política externa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
955
Ou a guerra acaba agora ou vai ser tudo mais caro
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a guerra com o Irão, praticamente, acabou. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz que a guerra “não terminou” e o Irão diz que a guerra continuará “enquanto for necessário”. Em que ficamos? Mojtaba Khamenei foi escolhido como guia supremo do Irão e a escolha não agradou a Trump. O filho de Ali Khamenei não tem experiência governativa nem grande intervenção pública. Mas é crítico do Ocidente e tem influência dentro do aparelho de segurança. O presidente dos Estados Unidos diz que a escolha vai “trazer os mesmos problemas” e preferia, claro está, uma solução semelhante à da Venezuela. Só que não há uma Delcy Rodríguez no Irão. A escalada da guerra, com o petróleo acima dos cem dólares por barril, e o impacto que isso implica nos preços em geral, penaliza o custo do dinheiro para quem tem empréstimos. A Euribor a 12 meses está perto dos 2,4% e ameaça agravar a prestação dos contratos a rever em Abril. Em Portugal, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, admite que o Governo não “exclui situações de défice, se as circunstâncias assim o impuserem”, devido ao impacto das tempestades e os efeitos da guerra no Médio Oriente. O convidado deste episódio, João Carvalho, director do Departamento de Economia e Gestão da Universidade Portucalense, prevê a subida de todos os preços se a guerra não acabar nos próximos dias.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
954
A IA vai substituir os humanos na guerra do futuro?
A Inteligência Artificial já estava a ser utilizada por Israel para comandar drones ou disparar armas, mas os EUA estrearam no Irão novas ferramentas de ataque. A Anthropic, autora do modelo de inteligência artificial generativa Claude, não permitiu que o Pentágono utilizasse a sua tecnologia para a vigilância em massa de cidadãos e para matar pessoas sem envolvimento humano. Donald Trump retaliou e quer classificar a Anthropic como um fornecedor de risco, algo que é atribuído, regra geral, a empresas chinesas, e disse ser uma empresa esquerdista e woke. No final, optou pela concorrente, a OpenAI. A China pede às suas empresas de IA que desenvolvam ferramentas de desinformação e tem usado estes grandes modelos de linguagem para identificar dissidentes, que é um dos cenários que a Anthropic quer evitar. Como se escrevia num editorial do El Pais na semana passada, o “choque da empresa Anthropic com o Pentágono demonstra que Trump prefere uma inteligência artificial sem escrúpulos”. A delegação da decisão de matar uma pessoa num sistema controlado por algoritmos de IA coloca questões éticas fundamentais sobre responsabilidade, proporcionalidade e distinção entre combatentes e civis, escreveu no PÚBLICO Arlindo Oliveira. Colunista do Público, professor do Instituto Superior Técnico e presidente do INESC, Arlindo Oliveira é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
953
Sai o “presidente dos afectos”, entra o "presidente previsível”
Umas vezes, Marcelo Rebelo de Sousa foi feliz e sabia disso. Outras, terá sido feliz, mas sem o saber. O 20.º Presidente da República será recordado como o presidente dos afectos, das selfies e da proximidade. Marcelo terminou os dois mandatos como Presidente da República, retomando a proximidade com a população, na sequência da calamidade provocada pelas tempestades e cheias. Esse foi o seu estilo predominante, que contrastou largamente com o estilo do antecessor e que não será seguido pelo sucessor, certamente. Essa proximidade e interesse pelas pessoas conduziu-o a um dos momentos que marcaram o seu segundo mandato e que ficou para a História como o “caso das gémeas”. Mas Marcelo será também recordado como o presidente da instabilidade política, do recorde de dissoluções parlamentares. Há quem o acuse de banalização institucional da presidência, devido aos seus comentários constantes sobre tudo e sobre todos. O fim da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa é a conclusão de um ciclo político. O Palácio de Belém tinha sido até aqui ocupado por presidentes que participaram na transição para a democracia. Ora, não é esse o perfil de António José Seguro, que hoje toma posse como Presidente da República. Qual foi o principal legado de Marcelo e que esperar de Seguro, para além da sua previsibilidade? David Santiago, editor da secção de Política do PÚBLICO, responde a estas e outras questões.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
952
António Lobo Antunes, o esplendor da literatura portuguesa
Desde Memória de Elefante, o seu primeiro romance, de 1979, que António Lobo Antunes criou uma “coisa muito, muito nova” na literatura portuguesa do pós-25 de Abril, como escreveu ontem Isabel Lucas, crítica literária do PÚBLICO, no obituário que lhe dedicou. António Lobo Antunes, que quis ser jogador de hóquei do Benfica, que foi psiquiatra e que sempre foi escritor, confessou, numa das entrevistas a Isabel Lucas, que tinha escrito dez ou 15 livros antes de publicar Memória de Elefante, rejeitado por várias editoras, e que todos eles tinham ido para o lixo. A guerra colonial era o tema desse livro. Tema e trauma presente nos primeiros romances, experimentais e inovadoras na literatura da época, a partir da inspiração de William Faulkner. “Não me apetecia morrer na guerra porque tinha a certeza de que ia escrever livros como nunca se tinham escrito”, disse ele numa entrevista. António Lobo Antunes, ao longo da sua carreira, embrenhou-se no aperfeiçoamento das suas vozes, da sua escrita, polifónica, até ao último dos seus romances, O Tamanho do Mundo, publicado em 2022. Foi um dos escritores nacionais mais premiados, mas faltou-lhe o Nobel.See omnystudio.com/listener for privacy information.
-
951
A minha casa: PÚBLICO celebra 36 anos com foco no drama da habitação
Chama-se Eduardo Souto de Moura, é um dos mais destacados arquitectos da escola do Porto, venceu o Pritzker de 2011 – uma espécie de Nobel da arquitectura – e vai será hoje o director por um dia do PÚBLICO. Na justificação que deu para ter aceitado o desafio do jornal, Eduardo Souto de Moura enalteceu a importância do tema escolhido para a edição especial de aniversário – a habitação, sem dúvida um dos maiores problemas com que a sociedade portuguesa, em especial os jovens, se debate. Mas no som que escutámos com essa justificação, o arquitecto, de 73 anos, afirma também que o desafio do PÚBLICO lhe concede a oportunidade de aprender. Uma lição de vida, portanto. Estamos assim num encontro perfeito entre o jornal e uma das mais prestigiadas figuras da cultura portuguesa. Cumprindo uma longa tradição, no dia do seu aniversário o PÚBLICO abre as portas a uma figura pública, escolhida de acordo com o tema editorial dessa edição. Já passaram por cá personalidades como António Barreto, Manuel Sobrinho Simões, Elisa Ferreira, Maria Teresa Horta, Gregório Duvivier ou Nelson Évora. O plano de trabalho segue um guião determinado: da ideia original parte-se para uma série de discussões de jornalistas e editores com o director por um dia para fixar os textos e as imagens que serão produzidas para a edição especial. No dia 5 de Março, os leitores têm por isso acesso a um jornal impresso com muitas mais páginas, que vale a pena coleccionar. Na edição que hoje está nas bancas, pode-se saber como a tecnologia pode tornar a casa mais eficiente e inteligente, os livros para explicar às crianças o que é casa, as casas no cinema, o espaço público como continuação da casa ou o país sem casas, o nosso, e como se chegou aqui. Sendo arquitecto, Eduardo Souto de Moura deixa-nos um ensaio gráfico como editorial. No 36 ano de vida, em que foi eleito o jornal europeu do ano pelo European Newspaper Award, o PÚBLICO volta a celebrar com os seus leitores não apenas com a edição especial de aniversário, mas também com uma série de actividades públicas em torno da habitação. Vamos saber com David Pontes, o director do jornal, as razões para a escolha do tema deste ano, do seu director por um dia e também falar sobre o que se projecta para o futuro próximo do seu jornal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
We're indexing this podcast's transcripts for the first time — this can take a minute or two. We'll show results as soon as they're ready.
No matches for "" in this podcast's transcripts.
No topics indexed yet for this podcast.
Loading reviews...
ABOUT THIS SHOW
De segunda a sexta às 7h. Antes de tudo: P24. O dia começa aqui
HOSTED BY
PÚBLICO
CATEGORIES
Loading similar podcasts...