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Bem-vindo(a) ao podcast PsyAI.PsyAI: Quando a Mente Encontra a AI é um podcast criado por uma estudante de Psicologia da Universidade de Coimbra, atualmente a frequentar o Mestrado em Intervenção Cognitivo-Comportamental da Psicologia Clínica e da Saúde. Os episódios abordam temas da TCC e da licenciatura em Psicologia, de forma simples e acessível. Os áudios são gerados por inteligência artificial a partir de matérias de estudo, com episódios curtos (15–16 minutos), pensados para facilitar a aprendizagem em qualquer lugar. Boa escuta!(temporadas/ temas)https://www.youtube.com/@psyai.mindai

  1. 33

    T2E16 | Perturbação Obsessivo-Compulsiva: Porque Enfrentar Medos Ajuda

    Neste episódio, exploramos um estudo científico que analisou os mecanismos psicológicos responsáveis pela eficácia da Exposição com Prevenção de Resposta (ERP) no tratamento da Perturbação Obsessiva-Compulsiva (POC). Com base numa amostra de 110 pacientes, os investigadores procuraram perceber se a melhoria clínica resulta sobretudo da habituação — a diminuição natural do medo ao longo da sessão — ou da violação de expetativas, isto é, a discrepância entre o pior cenário antecipado pelo paciente e o que realmente acontece.Os resultados revelam uma conclusão fundamental: ambos os processos são relevantes, mas atuam de forma independente. A habituação observada na primeira sessão previu uma redução percentual significativa dos sintomas, enquanto a violação de expetativas foi determinante para que os pacientes atingissem a remissão clínica. De forma particularmente interessante, a experiência vivida na primeira sessão de exposição destacou-se como o preditor mais forte do sucesso terapêutico a curto prazo.Ao longo da conversa, refletimos sobre as implicações práticas destes achados para terapeutas e pacientes, sublinhando a importância de permitir que o medo diminua naturalmente, mas também de criar experiências corretivas que desafiem crenças catastróficas. Um episódio essencial para compreender como a ERP funciona na prática e como pequenos momentos terapêuticos podem ter um impacto decisivo na recuperação.Referência Bibliográfica:Elsner, B., Jacobi, T., Kischkel, E., Schulze, D., & Reuter, B. (2022). Mechanisms of exposure and response prevention in obsessive-compulsive disorder: effects of habituation and expectancy violation on short-term outcome in cognitive behavioral therapy. BMC Psychiatry, 22.

  2. 32

    T2E15 | Entre o Medo e a Mente: Compreender a Perturbação de Pânico e a Agorafobia à Luz do Modelo Cognitivo-Comportamental

    Neste episódio, mergulhamos na natureza clínica da Perturbação de Pânico e da Agorafobia. Ao longo da conversa, exploramos os critérios de diagnóstico que distinguem um ataque de pânico isolado de uma perturbação crónica, esclarecendo como a recorrência e o medo persistente de novos episódios transformam uma experiência pontual numa condição clínica estruturada.O episódio destaca o papel central da interpretação catastrófica das sensações corporais — como palpitações, tonturas ou falta de ar — explicando como estas leituras distorcidas alimentam um ciclo vicioso de ansiedade antecipatória e evitamento. Com base no modelo cognitivo-comportamental, analisamos os mecanismos psicológicos subjacentes e a forma como crenças disfuncionais contribuem para a manutenção do problema.São ainda apresentados métodos de avaliação rigorosos e protocolos de intervenção baseados na evidência, com especial enfoque na reestruturação cognitiva e na exposição interoceptiva. Discutimos como estas estratégias promovem a habituação terapêutica e ajudam a desconstruir padrões de pensamento desadaptativos, permitindo uma recuperação progressiva e sustentada.Em suma, este episódio funciona como um guia técnico e acessível para compreender a manifestação clínica da Perturbação de Pânico e da Agorafobia, oferecendo uma visão clara sobre os caminhos terapêuticos disponíveis e a importância de uma intervenção estruturada.TikTok: https://www.tiktok.com/@psyia.mindaiYouTube: https://www.youtube.com/channel/UCZPWdJ9gGWLo0kFiU5UUsXA

  3. 31

    T3E09 | O mito do fosso geracional digital (Geração Z)

    Neste episódio, exploramos como a disrupção digital molda as atitudes da Geração Z, comparando os “nativos digitais” com gerações anteriores. A investigação destaca a diferença entre meios de comunicação digitais, que fornecem informação factual, e redes sociais, que exercem pressão normativa através da interação entre pares. Os resultados mostram que, embora a Geração Z seja mais sensível às mensagens digitais, a influência das redes sociais atravessa todas as idades, mostrando como a prática constante em ambientes virtuais tende a uniformizar comportamentos. Discutimos as implicações destes achados para empresas, gestores e estratégias de comunicação na era digital.Referência: Chang, Chin-Wen & Chang, Sheng-Hsiung. (2023). The Impact of Digital Disruption: Influences of Digital Media and Social Networks on Forming Digital Natives’ Attitude. SAGE Open. 13. 10.1177/21582440231191741. Ver podcast: PsyAISpotify: https://open.spotify.com/show/1xsluLG427jmcLSr1Hv3zj?si=8f269720e12d4180Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/psyai/id1867896684TikTok: https://www.tiktok.com/@psyia.mindai#GeraçãoZ #GenerationZ#DisrupçãoDigital #DigitalDisruption#NativosDigitais #DigitalNatives#RedesSociais #SocialMedia#InfluênciaOnline #OnlineInfluence#ComportamentoDigital #DigitalBehavior#TransformaçãoDigital #DigitalTransformation#PsicologiaDigital #DigitalPsychology#MarketingDigital #DigitalMarketing#GestãoEstrategica #StrategicManagement#TecnologiaeSociedade #TechnologyAndSociety

  4. 30

    T3E08 | Uso Problemático da Internet (UPI)

    Neste episódio, exploramos a relação entre desregulação emocional e uso problemático da Internet em adolescentes e jovens adultos. A partir de uma revisão de literatura com participantes entre os 13 e os 25 anos, analisamos como o consumo excessivo de tecnologia pode funcionar como uma estratégia de coping desadaptativa — uma forma de lidar com emoções difíceis quando faltam competências de regulação emocional. Discutimos fatores de risco como a ausência de suporte social e relações familiares frágeis, bem como fatores protetores, incluindo capacidades metacognitivas. Abordamos ainda diferenças de género na vulnerabilidade ao comportamento online compulsivo e refletimos sobre implicações práticas para prevenção e intervenção terapêutica centrada no treino emocional. Um episódio essencial para compreender os desafios psicológicos da juventude na era digital.Referência: Gioia F, Rega V, Boursier V. Problematic Internet Use and Emotional Dysregulation Among Young People: A Literature Review. Clin Neuropsychiatry. 2021 Feb;18(1):41-54. doi: 10.36131/cnfioritieditore20210104. PMID: 34909019; PMCID: PMC8629046.#DesregulaçãoEmocional #EmotionalDysregulation#UsoProblemáticoDaInternet #ProblematicInternetUse#Adolescentes #Adolescents#JovensAdultos #YoungAdults#SaúdeMental #MentalHealth#CopingSaudável #HealthyCoping#RegulaçãoEmocional #EmotionalRegulation#PrevençãoDigital #DigitalPrevention#TecnologiaePsicologia #TechAndPsychology#IntervençãoTerapêutica #TherapeuticIntervention#FatoresDeRisco #RiskFactors#CapacidadesMetacognitivas #MetacognitiveSkills#DiferençasDeGénero #GenderDifferences

  5. 29

    T3E07 | Esvaziar a mente para largar o telemóvel. Meditação e Dependência de Smartphone em Adolescentes (Choi et al., 2020)

    Neste episódio, exploramos um estudo científico que investigou o impacto da meditação de subtração da mente na dependência de smartphone e no bem-estar psicológico de adolescentes na Coreia do Sul. Ao longo de um programa escolar de 12 semanas, jovens que praticaram esta técnica apresentaram menos sintomas de abstinência digital e menor interferência do telemóvel no quotidiano. Falamos sobre como a meditação pode fortalecer o autocontrolo, promover estratégias de coping mais saudáveis e ajudar adolescentes a substituir impulsos imediatos por escolhas mais conscientes. Discutimos ainda o potencial de integrar práticas contemplativas no currículo escolar como forma preventiva de enfrentar as pressões psicossociais e comportamentos aditivos na era digital.Referência:Choi EH, Chun MY, Lee I, Yoo YG, Kim MJ. The Effect of Mind Subtraction Meditation Intervention on Smartphone Addiction and the Psychological Wellbeing among Adolescents. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2020;17(9):3263. https://doi.org/10.3390/ijerph17093263#dependenciaemocional #SmartphoneAddiction #Adolescentes #Adolescents #Meditação #Meditation #SaúdeMental #MentalHealth #BemEstarPsicológico #PsychologicalWellbeing #Autocontrolo #SelfControl #CopingSaudável #HealthyCoping #IntervençãoEscolar #SchoolBasedIntervention #EducaçãoEmSaúde #HealthEducation #PrevençãoDigital #DigitalWellbeing #MindfulnessNaEscola #MindfulnessInSchools

  6. 28

    T3E06 | Como a vinculação precoce molda o adulto

    Neste episódio, exploramos o célebre Estudo de Minnesota, uma investigação longitudinal de três décadas liderada por Alan Sroufe e colegas, que demonstrou como a qualidade da vinculação na infância atua como um alicerce organizador do desenvolvimento humano até à idade adulta.A partir de uma perspetiva do desenvolvimento ao longo da vida, o estudo mostra que as primeiras relações com cuidadores não determinam rigidamente o destino psicológico, mas estabelecem trajetórias probabilísticas que influenciam a forma como o indivíduo regula emoções, constrói relações e responde a desafios futuros. O desenvolvimento é descrito como um processo transacional e não linear, no qual experiências precoces moldam padrões de adaptação que se reorganizam em cada etapa.O modelo hierárquico proposto pelos autores sugere que a continuidade da personalidade não se encontra em comportamentos idênticos ao longo do tempo, mas na coerência da organização comportamental perante tarefas evolutivas sucessivas. Assim, padrões precoces de adaptação tendem a manifestar-se de formas diferentes, mas funcionalmente consistentes, na infância, adolescência e vida adulta.Principais implicações destacadas:Vinculação segura → base para competência social, autorregulação emocional e resiliência ao longo da vida.Vinculação desorganizada → forte preditor de psicopatologia, dificuldades relacionais e problemas de adaptação.Continuidade desenvolvimental → estabilidade baseada na organização interna, não em comportamentos fixos.Mudança possível → novas experiências podem alterar trajetórias, embora padrões iniciais tenham peso estrutural.Neste episódio, discutimos como o Estudo de Minnesota reformulou a compreensão da personalidade e da psicopatologia, mostrando que o desenvolvimento humano é simultaneamente aberto à mudança e profundamente enraizado nas primeiras relações — uma visão essencial para a psicologia do desenvolvimento, a clínica e a prevenção.Sroufe, L. Alan. (2005). Attachment and development: A prospective, longitudinal study from birth to adulthood. Attachment & human development. 7. 349-67. 10.1080/14616730500365928.

  7. 27

    T3E05 | O lado sombrio da identidade segundo Erikson

    Neste episódio, exploramos uma introdução teórica que assinala o cinquentenário da obra de Erikson, "Identity: Youth and Crisis. O texto propõe revitalizar aspetos da teoria da identidade que foram progressivamente simplificados ou negligenciados pela psicologia académica contemporânea.Os autores defendem que a investigação recente reduziu a complexidade da teoria de Erikson a modelos individualistas e lineares, ignorando dimensões centrais como o contexto cultural, as relações sociais e a história coletiva. Em resposta, o artigo convida a um retorno à visão mais ampla de Erikson, que entende a identidade como um processo psicossocial, dinâmico e profundamente enraizado na cultura e na estrutura social.Entre os temas discutidos estão:Identidade na era digital – o impacto das redes sociais na construção e performance identitária.Marginalização e opressão – como desigualdades sociais moldam trajetórias de identidade.Pseudoespeciação e identidade negativa – conceitos eriksonianos pouco explorados que ajudam a compreender polarização, exclusão e conflito intergrupal.Dimensão inconsciente e intergeracional – a identidade como processo que atravessa gerações e sistemas simbólicos.Este episódio reflete sobre como atualizar a teoria de Erikson para o século XXI, propondo uma agenda de investigação e prática que reconheça a identidade como um fenómeno relacional, cultural e histórico — essencial para compreender juventudes em contextos de mudança social acelerada.Schachter, E. P., & Galliher, R. V. (2018). Fifty years since “identity: Youth and crisis”: A renewed look at erikson’s writings on identity. Identity: An International Journal of Theory and Research, 18(4), 247–250. https://doi.org/10.1080/15283488.2018.1529267

  8. 26

    T3E04 | Adolescência é negociação e não guerra

    Neste episódio, exploramos como as relações entre pais e filhos continuam a moldar profundamente as amizades e o mundo social dos adolescentes. A partir da análise de Brown e Bakken (2011), desmontamos a antiga ideia de que a influência familiar e a dos pares competem entre si, mostrando antes como se entrelaçam ao longo do desenvolvimento.Discutimos o papel da monitorização parental, revelando que o conhecimento que os pais têm da vida dos filhos depende muitas vezes da autorrevelação voluntária dos próprios adolescentes — e não apenas de vigilância ou controlo direto. Abordamos também como os estilos de vinculação e a forma como os pais orientam ou gerem as amizades contribuem para o ajustamento psicológico e o comportamento social dos jovens.Ao longo da conversa, refletimos sobre a necessidade de uma perspetiva mais dinâmica e recíproca da adolescência, que reconheça a diversidade cultural e a influência mútua entre contextos familiares e sociais. Um episódio que convida a repensar o papel da família na construção das relações entre pares.Brown, B. B., & Bakken, J. P. (2011). Parenting and peer relationships: Reinvigorating research on family–peer linkages in adolescence. Journal of Research on Adolescence, 21(1), 153–165. https://doi.org/10.1111/j.1532-7795.2010.00720.x

  9. 25

    T3E03 | Adolescência: Os Cinco C´s do Potencial Adolescente.

    Neste episódio analisamos a mudança paradigmática na forma como a adolescência é compreendida, passando de modelos centrados no défice e na patologia para a abordagem do Desenvolvimento Positivo da Juventude (DPJ). A discussão baseia-se em modelos de sistemas evolutivos relacionais que destacam a plasticidade humana e a influência mútua entre o indivíduo e os seus contextos sociais e ecológicos.Exploramos os principais fundamentos teóricos da área, bem como as evidências empíricas que sustentam intervenções orientadas para o fortalecimento de recursos pessoais e comunitários. Um dos focos centrais é o modelo dos “Cinco Cs” — Competência, Confiança, Conexão, Carácter e Cuidado — e o seu papel na promoção do bem-estar e do florescimento juvenil.Mais informação: https://www.researchgate.net/publication/292780943_Positive_Youth_Development_Processes_Programs_and_Problematics

  10. 24

    T3E02 | A Adolescência é Mudança e não a Crise!

    Neste episódio exploramos uma nova forma de compreender a adolescência, afastando-nos da visão tradicional que a retrata como um período inevitável de crise e instabilidade emocional. A partir de uma análise académica rigorosa, discutimos a evolução histórica do conceito de adolescência e confrontamos teorias clássicas com perspetivas contemporâneas da sociologia e da psicologia do desenvolvimento.Ao longo da conversa, abordamos como as transformações cognitivas, biológicas e sociais influenciam a construção da identidade juvenil e a forma como os jovens se posicionam perante a sociedade. Em vez de enfatizar apenas os riscos e dificuldades, o episódio propõe uma leitura mais equilibrada e humanizada, destacando a capacidade de adaptação, resiliência e o potencial de crescimento característicos desta fase da vida.

  11. 23

    T3E01 | Adultos em Suspenso? A Nova Transição para a Vida Adulta

    No episódio de hoje vamos falar sobre uma fase da vida que tem sido cada vez mais discutida na psicologia e nas ciências sociais: a transição para a idade adulta e o conceito de “adulto emergente”. Para isso, vamos fazer uma leitura crítica comparativa de dois artigos científicos que analisam como os jovens entre os 18 e os 29 anos vivem este período marcado por exploração, instabilidade e redefinição de projetos de vida.Ambos os textos partem da constatação de que os percursos para a vida adulta deixaram de ser lineares. Em vez de marcos sociais tradicionais como o casamento, a entrada rápida no mercado de trabalho ou a independência financeira, muitos jovens privilegiam hoje a exploração da identidade, o investimento académico e a construção gradual da autonomia psicológica. Esta mudança tem levado, frequentemente, a uma permanência prolongada na casa dos pais como forma de manter a estabilidade económica e a qualidade de vida.O artigo de Carlos Andrade, publicado em 2010, centra-se sobretudo nas condições sociais que moldam esta transição no contexto europeu. O autor destaca fatores como a precariedade laboral e o prolongamento da escolaridade, defendendo que estas transformações estruturais têm impactos diretos no bem-estar psicológico dos jovens. Andrade é prudente na forma como conceptualiza esta etapa: em vez de assumir automaticamente a existência de uma nova fase universal do desenvolvimento, sublinha a diversidade dos percursos e a influência decisiva do contexto socioeconómico.Já Arnett e colaboradores, num artigo de 2014 publicado na The Lancet Psychiatry, propõem explicitamente a ideia de uma nova etapa do ciclo vital, designada emerging adulthood, que se estende aproximadamente dos 18 aos 29 anos. A partir de comparações entre a Europa, os Estados Unidos e o Japão, os autores descrevem esta fase como caracterizada por exploração identitária, instabilidade e uma sensação subjetiva de estar “entre” estados. O texto enfatiza ainda as implicações para a saúde mental, sugerindo que este prolongamento da transição pode aumentar a vulnerabilidade a problemas como ansiedade e depressão.Colocando os dois artigos em diálogo, torna-se claro que ambos reconhecem uma tensão central: a ampliação das escolhas e da liberdade individual coexistem com pressões sociais significativas e sentimentos de ambivalência. A possibilidade de adiar compromissos definitivos pode ser vivida como oportunidade, mas também como fonte de insegurança e stress psicológico.Do ponto de vista crítico, a principal diferença entre os autores está no grau de universalidade atribuído a esta fase da vida. Enquanto Arnett tende a apresentá-la como uma nova norma do desenvolvimento, Andrade lembra que estas experiências são profundamente moldadas por fatores sociais, económicos e culturais, o que levanta a questão de até que ponto todos os jovens têm realmente acesso às mesmas oportunidades de exploração e adiamento de responsabilidades.Em síntese, ambos os artigos convergem numa conclusão essencial: os sistemas educativos, as políticas sociais e os serviços de saúde mental precisam de adaptar-se a esta fase prolongada de semi-autonomia. A transição para a idade adulta tornou-se um processo mais longo, complexo e individualizado, exigindo respostas institucionais mais flexíveis e sensíveis às vulnerabilidades psicológicas dos jovens.Para quem quiser aprofundar este tema, deixamos as referências dos artigos discutidos neste episódio:Andrade, C. (2010). Transição para a idade adulta: Das condições sociais às implicações psicológicas. Análise Psicológica, 28(2), 255–267.Arnett, J. J., Žukauskienė, R., & Sugimura, K. (2014). The new life stage of emerging adulthood at ages 18–29 years: implications for mental health. The Lancet Psychiatry, 1(7), 569–576.

  12. 22

    T2E14 | A Crueldade na Perturbação do Comportamento

    Neste episódio, apresentamos um guia clínico aprofundado sobre a Perturbação do Comportamento, abordando de forma estruturada os critérios de diagnóstico, os principais fatores etiológicos e as estratégias de intervenção mais eficazes. Começamos por clarificar os sintomas nucleares da perturbação, caracterizados pela violação persistente de normas sociais e dos direitos dos outros, expressa através de comportamentos como agressão física ou verbal, destruição de propriedade, engano e atos fraudulentos.Para além da descrição clínica, exploramos modelos cognitivos e sociais que ajudam a compreender a manutenção da patologia, destacando o papel do processamento distorcido da informação social, bem como das dinâmicas familiares coercivas e inconsistentes no desenvolvimento destes padrões comportamentais.O episódio termina com um enfoque nas abordagens terapêuticas multidimensionais, sublinhando a importância do treino de competências parentais, da reestruturação cognitiva da criança ou adolescente e da implementação de intervenções no contexto escolar. Estas estratégias visam reduzir o impacto funcional da perturbação e promover trajetórias de desenvolvimento mais adaptativas.

  13. 21

    T2E13 | O Interruptor Avariado da Raiva Explosiva (Perturbação Explosiva Intermitente )

    Neste episódio, abordamos de forma rigorosa e acessível a Perturbação Explosiva Intermitente (PEI), um transtorno do controlo dos impulsos marcado por episódios súbitos de raiva intensa e comportamentos agressivos claramente desproporcionais ao estímulo que os desencadeia. Destaca-se o caráter impulsivo destas explosões, que ocorrem sem planeamento prévio ou intenção instrumental.Ao longo do episódio, são explicados os critérios clínicos de diagnóstico, sublinhando a importância de distinguir a PEI de comportamentos agressivos deliberados, bem como de manifestações associadas a outras perturbações mentais ou ao consumo de substâncias. A análise inclui ainda a sintomatologia central, enquadrada num modelo clínico estruturado.Exploramos igualmente o perfil epidemiológico da perturbação, evidenciando o seu início frequente na juventude e a associação a fatores genéticos, neurobiológicos e experiências traumáticas precoces. Em síntese, este episódio funciona como um guia essencial para compreender uma falha significativa no controlo dos impulsos, com impacto profundo na vida social, familiar e profissional do indivíduo.

  14. 20

    T2E12 | Rebeldia ou Perturbação Desafiante de Oposição

    Neste episódio, exploramos de forma clara e fundamentada a Perturbação Desafiante de Oposição (PDO), apresentando as diretrizes clínicas que orientam a sua identificação e diagnóstico. Abordamos este transtorno comportamental caracterizado por padrões persistentes de hostilidade, desobediência e confronto, que devem manter-se por um período mínimo de seis meses para serem clinicamente relevantes.A conversa organiza os sintomas em diferentes dimensões — instabilidade emocional, confronto deliberado e vinditividade — explicando como estes se distinguem de comportamentos normativos da infância e adolescência, tendo em conta a frequência, intensidade e impacto negativo na vida social, familiar ou académica.Analisamos ainda dados de prevalência, o início precoce da perturbação e a importância do diagnóstico diferencial, essencial para evitar confusões com outras condições, como a PHDA ou perturbações do humor. Por fim, refletimos sobre as possíveis origens da PDO, destacando a interação entre temperamento individual, fatores genéticos e contextos familiares, nomeadamente práticas educativas inconsistentes ou excessivamente severas, como fatores de risco relevantes.

  15. 19

    T2E11 | Psicose: Reinterpretar vozes e delírios com TCC (Parte 2)

    Parte 2 do nosso especial dedicado às psicoses.Hoje vamos falar sobre a aplicação da Terapia Cognitivo-Comportamental, ou TCC, no tratamento das psicoses — e, mais especificamente, sobre uma ideia central dessa abordagem: a normalização da experiência do paciente.Na TCC, sintomas como delírios e alucinações não são vistos como algo totalmente separado da experiência humana comum. Pelo contrário: eles são compreendidos como parte de um continuum entre o normal e o patológico. Todos nós, em certos momentos de stress intenso, podemos ter pensamentos estranhos, interpretações distorcidas ou percepções incomuns. Em pessoas com vulnerabilidades específicas, essas respostas acabam sendo mais intensas e persistentes.Por isso, um dos primeiros passos do terapeuta é investir em psicoeducação — explicar ao paciente o que está acontecendo, de forma clara e sem julgamentos. A ideia não é confrontar diretamente as crenças do indivíduo, mas sim explorar, com curiosidade, como ele interpreta os seus sintomas.É aí que entra o chamado questionamento socrático: em vez de dizer “isso está errado”, o terapeuta faz perguntas, convida à reflexão e ajuda o paciente a construir explicações alternativas para aquilo que está vivendo.Outro ponto fundamental da TCC nas psicoses é oferecer estratégias práticas de coping — ferramentas para lidar com a ansiedade, com o medo e com o impacto desses sintomas no dia a dia. O paciente aprende, por exemplo, a diferenciar pensamentos de ações, a observar suas experiências internas sem agir impulsivamente sobre elas e a reduzir o sofrimento associado ao quadro psicótico.No fundo, o objetivo é devolver ao paciente um maior senso de controle, autonomia e compreensão sobre si mesmo — transformando algo que antes parecia assustador e incompreensível em algo que pode ser nomeado, analisado e enfrentado.

  16. 18

    T2E10 | Psicose: vozes, delírios e vulnerabilidade ao stress (Parte 1)

    Parte 1 do nosso especial dedicado às psicoses.Neste episódio exploramos a esquizofrenia como uma perturbação psicótica complexa, resultante da interação entre fatores biológicos e stressores ambientais. Abordamos a diversidade de manifestações clínicas da doença, distinguindo sintomas positivos — como delírios e alucinações — e sintomas negativos, associados a défices emocionais e motivacionais significativos.Analisamos ainda o impacto social da patologia, os critérios de diagnóstico e a importância de um acompanhamento terapêutico contínuo, sublinhando o papel crucial da intervenção precoce e da resiliência no prognóstico.O objetivo central deste episódio é desmistificar a esquizofrenia e reforçar a importância de abordagens terapêuticas centradas na funcionalidade, na autonomia e no desenvolvimento de estratégias de adaptação que ajudem a prevenir recaídas e a promover a qualidade de vida.

  17. 17

    T2E09 | Insónia crónica: quando dormir deixa de ser automático

    Neste episódio mergulhamos numa análise aprofundada da insónia crónica, definida como uma insatisfação persistente com a qualidade do sono que ocorre pelo menos três vezes por semana durante três meses.Exploramos os critérios diagnósticos do ICSD-3-TR e do DSM-5, clarificando como a perturbação se manifesta através de dificuldades em iniciar o sono, mantê-lo ao longo da noite ou sentir que foi restaurador, com impactos relevantes no funcionamento diário.Um dos eixos centrais do episódio é o Modelo dos 3P’s, que distingue:fatores predisponentesfatores precipitantese, sobretudo, os fatores perpetuadores — como hábitos de sono desadaptativos — que mantêm a insónia mesmo depois de resolvido o problema inicial.Por fim, apresentamos a Terapia Cognitivo-Comportamental para a Insónia (TCC-I) como a abordagem de primeira linha, detalhando intervenções como a higiene do sono, o controlo de estímulos para recondicionar a associação entre a cama e o dormir, e a restrição do tempo na cama para aumentar a eficiência homeostática do sono.Um episódio essencial para compreender porque é que a insónia se instala… e como pode ser tratada de forma eficaz.

  18. 16

    T2E08 | Ansiedade Social: do instinto de pertença à fobia incapacitante (Parte 2)

    Esta é a Parte 2 do nosso especial sobre a Perturbação de Ansiedade Social.Neste episódio apresentamos um guia aprofundado sobre a Perturbação de Ansiedade Social, explorando a forma como um mecanismo evolutivo de sobrevivência — o medo ancestral de exclusão do grupo — pode transformar-se numa condição clínica altamente incapacitante.O conteúdo organiza-se em torno da conceptualização diagnóstica, distinguindo a ansiedade social adaptativa do transtorno caracterizado por um receio persistente de avaliação negativa. Analisamos os critérios do DSM-5, com destaque para sintomas somáticos e cognitivos, e discutimos a etiologia multifatorial da condição, incluindo a interação entre temperamento inibido e contextos familiares superprotetores.Através de um caso clínico ilustrativo, o episódio evidencia o impacto profundo e crónico da fobia social na vida académica, profissional e relacional dos indivíduos.Encerramos com uma reflexão sobre as principais abordagens de avaliação e intervenção clínica, sublinhando o objetivo central do tratamento: quebrar o ciclo de evitamento e sofrimento e restaurar o funcionamento social.

  19. 15

    T2E07 | Ansiedade Social: Quando a timidez se torna Fobia Social (Parte 1)

    Esta é a Parte 1 do nosso especial sobre a Perturbação de Ansiedade Social.Neste episódio exploramos as bases teóricas e as estratégias práticas da intervenção psicológica na fobia social, com foco especial no modelo cognitivo-comportamental.Começamos por discutir as teorias do condicionamento e do défice de competências sociais, segundo as quais o medo social pode emergir tanto de experiências traumáticas quanto da perceção de falta de recursos para interagir eficazmente com os outros.O núcleo do episódio centra-se no influente modelo de Clark e Wells, que descreve como ciclos viciosos de auto-foco atencional, comportamentos de segurança e processamento pós-evento — a chamada “autópsia social” — impedem a desconfirmação das crenças nucleares de inadequação.Por fim, apresentamos um roteiro terapêutico estruturado baseado na reestruturação cognitiva e na exposição gradual, incentivando os pacientes a abandonar mecanismos defensivos e a construir uma autoimagem social mais realista, flexível e funcional.

  20. 14

    T2E06 | Ansiedade: Ser o cientista da própria mente (parte 3)

    Esta é a Parte 3 e final do nosso especial sobre as perturbações de ansiedade.Neste episódio entramos na prática clínica da Terapia Cognitivo-Comportamental e exploramos como os terapeutas ajudam os pacientes a transformar a relação com os seus pensamentos — sempre de forma colaborativa, ética e baseada numa formulação individualizada.Falamos do diálogo socrático, uma técnica central de descoberta guiada que permite questionar interpretações automáticas e promover autonomia na resolução de problemas, sem impor pensamentos positivos artificiais.Exploramos estratégias como:identificação de distorções cognitivasdescentração (aprender a ver pensamentos como eventos mentais, não como factos)uso estratégico da distração a curto prazoDestacamos ainda o papel crucial das experiências comportamentais, que vão além da conversa em consultório e permitem testar crenças no mundo real, produzindo aprendizagens emocionais profundas.Por fim, discutimos como técnicas físicas — como respiração controlada e relaxamento — funcionam como complementos importantes para regular a ativação fisiológica e quebrar os ciclos da ansiedade.Um episódio dedicado às ferramentas que ajudam a sair da prisão do medo e a recuperar liberdade no dia-a-dia.

  21. 13

    T2E05 | Ansiedade: Desmontar as armadilhas mentais da ansiedade (parte 2)

    Esta é a Parte 2 do nosso especial sobre as perturbações de ansiedade.Neste episódio mergulhamos no modelo cognitivo da ansiedade, partindo de um princípio fundamental: não são os acontecimentos que geram sofrimento emocional, mas a forma como os interpretamos.Exploramos como as pessoas ansiosas vivem num estado de vulnerabilidade acrescida, onde tendem a:sobrestimar a probabilidade e a gravidade das ameaçassubestimar a sua capacidade de lidar com elasignorar sinais de segurança do ambienteFalamos do funcionamento em dois tempos da mente: um sistema automático e rápido de deteção de perigo e um processamento mais elaborado que, em vez de tranquilizar, pode alimentar ciclos viciosos de preocupação, vigilância corporal e catastrofização.Analisamos como esquemas primitivos de ameaça ativam respostas fisiológicas de sobrevivência — luta, fuga ou congelamento — que, no mundo moderno, acabam por se tornar desadaptativas.O foco central do episódio está no ciclo de manutenção da ansiedade: evitamento, comportamentos de segurança, raciocínio emocional e memória seletiva impedem a desconfirmação dos medos e mantêm o organismo em alerta constante.Fechamos com uma visão integrativa da intervenção terapêutica, combinando técnicas cognitivas, comportamentais e físicas para ajudar a restaurar uma perceção realista de segurança.

  22. 12

    T2E04 | Ansiedade: Porque vemos perigo onde não existe ( parte 1)

    Esta é a Parte 1 do nosso especial sobre as perturbações de ansiedade.Neste episódio exploramos a evolução da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) no tratamento das perturbações de ansiedade, desde os primeiros estudos focados na depressão até à descoberta da especificidade cognitiva do medo.Começamos por clarificar a diferença entre medo — uma resposta imediata a perigos presentes — e ansiedade, entendida como um estado antecipatório orientado para o futuro, frequentemente marcado por sentimentos de incontrolabilidade.Através de exemplos práticos, analisamos os quatro sistemas que compõem a resposta ansiosa — cognitivo, emocional, fisiológico e comportamental — e explicamos por que razão este mecanismo de sobrevivência, tão essencial, se pode tornar problemático quando é desproporcional ou persistente.Falamos ainda de dois grandes motores das perturbações de ansiedade:o evitamento e os comportamentos de segurança, estratégias que aliviam no momento, mas mantêm o problema a longo prazo.Concluímos com uma ideia central da TCC: o objetivo da terapia não é eliminar a ansiedade, mas restaurar o seu papel adaptativo, mostrando que não é a situação em si que determina o sofrimento — é o significado que atribuímos às sensações corporais e aos pensamentos que surgem.

  23. 11

    T1E08 | Descomplicar a Terapia Cognitivo-Comportamental: do Passado às Abordagens Modernas

    Neste episódio apresentamos uma visão panorâmica das Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCC), desmontando preconceitos comuns e acompanhando a sua evolução desde os modelos clássicos de condicionamento até às abordagens contemporâneas. A discussão evidencia o princípio central de que o sofrimento psicológico não resulta diretamente dos acontecimentos, mas da forma como estes são interpretados, através de estruturas cognitivas e esquemas profundos que moldam a atribuição de significado.Ao longo do episódio, exploramos o papel da investigação empírica e da análise funcional no desenvolvimento do modelo, mostrando como a TCC evoluiu da modificação comportamental para a reestruturação cognitiva e, mais recentemente, para as terapias de terceira geração, como o Mindfulness e a Terapia da Aceitação e Compromisso.Por fim, destacamos a crescente valorização das variáveis emocionais e da relação terapêutica como elementos essenciais do processo de mudança, sublinhando a eficácia das TCC numa ampla variedade de perturbações psicológicas.Um episódio fundamental para compreender a história, os princípios e a atualidade das Terapias Cognitivo-Comportamentais.

  24. 10

    T2E03 | Perturbação Depressiva Major - Diagnóstico, Modelos e Tratamento

    Neste episódio aprofundamos a compreensão da Perturbação Depressiva Major, desde os critérios de diagnóstico clínico até às abordagens terapêuticas mais atuais. A conversa começa pela clarificação dos critérios do DSM-5, distinguindo a depressão enquanto patologia clínica de respostas emocionais normativas, como o luto, e explora dados essenciais sobre a epidemiologia e os fundamentos psicobiológicos da doença.Ao longo do episódio, analisamos os principais modelos cognitivo-comportamentais da depressão, contrastando as perspetivas comportamentais clássicas — centradas na perda de reforço e na diminuição da atividade — com a teoria cognitiva de Beck, que destaca o papel da tríade cognitiva negativa e das distorções no processamento da realidade.Por fim, apresentamos um protocolo de intervenção estruturado, integrando técnicas da terapia cognitivo-comportamental com abordagens de terceira vaga, como o mindfulness e a terapia focada na compaixão, que visam não só a redução sintomática, mas também a prevenção de recaídas e o fortalecimento da resiliência psicológica.Um episódio essencial para compreender a depressão de forma integrada, baseada na evidência e clinicamente aplicável.

  25. 9

    T1E07 | As lentes mentais que moldam a realidade (Teoria Cognitiva de Beck)

    Neste episódio exploramos os fundamentos da Terapia Cognitiva de Aaron Beck, centrando-nos na ideia de que não são os acontecimentos em si que determinam o nosso sofrimento psicológico, mas a forma como os interpretamos. A conversa percorre a arquitetura do pensamento humano, distinguindo entre estruturas, processos e produtos cognitivos, e destaca o papel dos esquemas cognitivos — frequentemente moldados por experiências precoces — na origem de distorções no processamento da informação.No plano clínico, o episódio aborda os princípios da reestruturação cognitiva, os erros de pensamento mais comuns e o uso do empirismo colaborativo e da descoberta guiada como estratégias centrais de intervenção. Ao longo da discussão, evidencia-se como a modificação de significados e a flexibilização de crenças nucleares permitem promover mudança emocional e comportamental sustentada.Este episódio oferece, assim, um enquadramento teórico e prático da Terapia Cognitiva de Beck, mostrando a sua aplicabilidade no tratamento de diversas psicopatologias e o seu contributo para uma compreensão mais funcional da experiência humana.

  26. 8

    T1E06 | Primeira Consulta TCC: Contar a História Para Além da Queixa

    Neste episódio, exploramos um guia metodológico para a elaboração da história clínica no modelo cognitivo-comportamental, destacando a entrevista clínica como o instrumento central da avaliação psicológica. Partindo de uma estrutura rigorosa, analisamos o percurso que vai desde a recolha de dados biográficos e do contexto social até à exploração aprofundada do motivo da consulta, sublinhando que a queixa inicial nem sempre corresponde ao problema nuclear do paciente.Um dos focos centrais do episódio é a análise funcional das dificuldades, enfatizando a importância de identificar antecedentes, respostas cognitivas, emocionais e comportamentais, bem como as consequências que contribuem para a manutenção do sofrimento psicológico. Para além da avaliação dos sintomas, discutimos a relevância de integrar o funcionamento positivo e os recursos de coping, permitindo uma compreensão mais completa e equilibrada do indivíduo.Abordamos ainda a necessidade de estabelecer prioridades terapêuticas, tendo em conta o impacto das dificuldades nas várias áreas de vida e o nível de motivação para a mudança. Por fim, refletimos sobre a integração de dados quantitativos provenientes de escalas de avaliação com a observação clínica qualitativa, evidenciando como esta articulação sustenta uma formulação de caso sólida e orienta um plano de intervenção eficaz e baseado na evidência.

  27. 7

    T1E05 | Motivar a mudança sem dar conselhos

    Neste episódio, abordamos a entrevista motivacional como uma abordagem terapêutica colaborativa fundamental para promover a mudança de comportamento, especialmente em contextos marcados pela ambivalência e pela resistência clínica. A partir de um recurso pedagógico, exploramos como esta técnica procura resolver a hesitação interna do paciente sem recorrer ao confronto direto.Discutimos a importância de cultivar a motivação intrínseca através da empatia, da escuta ativa e do reconhecimento das discrepâncias entre os comportamentos atuais e os valores pessoais do indivíduo. O episódio integra ainda os estádios motivacionais do modelo transteórico, oferecendo uma estrutura clara para adaptar a intervenção ao momento de mudança em que o paciente se encontra.Ao longo da conversa, destacamos ferramentas práticas como a escuta reflexiva, a validação emocional e o reforço da autoeficácia, evidenciando como o diálogo guiado pode reduzir a resistência, fortalecer o compromisso com a mudança e promover o bem-estar psicológico.

  28. 6

    T1E04 | A Avaliação Cognitivo-Comportamental: Dar Forma ao Invisível

    Neste episódio, exploramos os fundamentos da avaliação cognitivo-comportamental. A conversa centra-se na avaliação como um processo contínuo, sistemático e colaborativo, que sustenta todas as fases da intervenção terapêutica.Analisamos como diferentes métodos de avaliação — como a entrevista clínica, a observação direta e o autorrelato — se articulam com o desenvolvimento de competências práticas em formulação de caso. O episódio destaca o papel da avaliação na formulação de hipóteses diagnósticas e na seleção de técnicas terapêuticas ajustadas às necessidades específicas de cada paciente.É dada especial ênfase à relação terapêutica e à recolha rigorosa de dados sobre fatores predisponentes e de manutenção, assegurando que a intervenção seja baseada na evidência científica. Este episódio constitui, assim, um guia estruturante para estudantes e profissionais compreenderem como a avaliação sistemática orienta e sustenta todo o percurso de mudança psicológica.

  29. 5

    T1E03 | O Mapa da Terapia Cognitivo-Comportamental (Formulação do caso)

    Neste episódio, aprofundamos a formulação de casos na terapia cognitivo-comportamental, apresentando-a como um guia essencial que acompanha todo o percurso terapêutico — do diagnóstico inicial à conclusão do tratamento. Discutimos a conceptualização de caso como um processo colaborativo e interpretativo, no qual terapeuta e paciente constroem, em conjunto, uma compreensão integrada do problema.Exploramos como a história de vida do paciente se articula com os modelos teóricos da TCC para explicar a origem e a manutenção do sofrimento psicológico. O episódio destaca a identificação de fatores predisponentes, como crenças nucleares e esquemas, fatores precipitantes, que desencadeiam o problema, e fatores de manutenção, que dificultam a mudança.Por fim, refletimos sobre o papel da formulação de caso na organização de informação clínica complexa, na definição de objetivos terapêuticos personalizados e na monitorização rigorosa do progresso do utente, tornando-se uma ferramenta central para uma intervenção eficaz e baseada em evidência.

  30. 4

    T1E02 | A arquitetura da um relação terapêutica eficaz

    Neste episódio, exploramos a relação terapêutica como um dos pilares centrais da terapia cognitivo-comportamental (TCC). Embora as técnicas sejam fundamentais, discutimos por que razão uma aliança colaborativa, sustentada pela empatia, pelo acordo sobre objetivos e pela flexibilidade do terapeuta, é decisiva para a eficácia clínica.Ao longo da conversa, analisamos atitudes essenciais que o terapeuta deve cultivar — e aquelas que deve evitar —, bem como os obstáculos e resistências que podem emergir no processo terapêutico, muitas vezes associados a características individuais do paciente ou a diagnósticos específicos.Abordamos ainda o papel da entrevista motivacional e a importância da gestão das ruturas na relação terapêutica, destacando como a adaptação contínua do estilo do terapeuta pode fortalecer a motivação, promover o envolvimento do paciente e facilitar a mudança.Um episódio essencial para estudantes, profissionais da área da saúde mental e todos os interessados em compreender como a relação humana pode potencializar a intervenção terapêutica.

  31. 3

    T1E01 | Psicoterapia Infantil e o GPS Emocional da Criança

    Olá, sejam muito bem-vindos.No episódio de hoje, vamos falar sobre psicoterapia infantil e sobre algo a que gosto de chamar o GPS emocional da criança.Já reparou como as crianças sentem tudo de forma muito intensa?A alegria, a tristeza, a raiva, o medo… tudo surge com grande intensidade, mas nem sempre as crianças conseguem explicar o que se passa dentro delas. É aqui que entra o GPS emocional.O GPS emocional é aquilo que ajuda a criança a orientar-se emocionalmente.É a capacidade de reconhecer o que está a sentir, compreender a origem desse sentimento e aprender o que fazer com ele.Quando este GPS ainda está em construção — o que é perfeitamente natural na infância — a criança pode perder-se emocionalmente.Isto pode manifestar-se através de birras, choro frequente, dificuldades na escola, comportamentos agressivos ou até um silêncio excessivo.Na psicoterapia infantil, o terapeuta assume um papel muito especial: o de co-piloto emocional.É alguém que ajuda a criança a olhar para o seu mundo interno com segurança e sem julgamentos, utilizando a linguagem que lhe é mais natural: o brincar, as histórias, os desenhos e os jogos.Aos poucos, a criança aprende a dar nome às emoções.Percebe que sentir raiva não é errado, que sentir medo não é sinal de fraqueza e que sentir tristeza faz parte da vida.A terapia ensina que todas as emoções são válidas, mas nem todos os comportamentos precisam de acontecer.Este processo não acontece de forma isolada.A família tem um papel fundamental neste caminho. Quando pais e cuidadores validam as emoções, colocam limites com afecto e ajudam a criança a identificar o que sente, estão a fortalecer o seu GPS emocional no dia a dia.Frases simples como:“Percebo que estás triste”,“Isso parece ter-te deixado zangado”,“Vamos pensar juntos numa solução”,fazem uma enorme diferença.A psicoterapia infantil não tem como objectivo “consertar” a criança.O seu propósito é ensinar caminhos emocionais, oferecer ferramentas internas e ajudar a criança a crescer com mais segurança, autonomia e equilíbrio emocional.Cuidar das emoções desde cedo é um verdadeiro investimento para toda a vida.Obrigada por estar desse lado.Se este episódio fez sentido para si, partilhe com alguém que também possa beneficiar desta reflexão.Até ao próximo episódio.

  32. 2

    T2E02 | Perturbações Disruptivas: Tempestades da Mente

    Neste episódio, falamos sobre as perturbações disruptivas e os desafios que estas colocam no desenvolvimento emocional e comportamental de crianças e adolescentes.Abordamos a Perturbação de DESAFIANTE E OPOSIÇÃO, a Perturbação de COMPORTAMENTO e a Perturbação EXPLOSIVA E INTERMITENTE, ajudando a compreender o que caracteriza cada uma destas condições e de que forma se manifestam no dia a dia.Ao longo do episódio, discutimos os principais métodos de avaliação, os sinais de alerta a que pais, educadores e profissionais devem estar atentos, bem como estratégias de intervenção eficazes, sempre com uma abordagem ética, informada e centrada na criança e no adolescente.Nota: Episódio mais específico para cada uma das perturbações, ver ep 19(PDO) (30.1.26), 20 (PEI) (31.1.26)e 21 (PC) (1.2.26).

  33. 1

    T2E01 | PHDA: Relâmpagos na Mente

    Neste episódio, exploramos a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (TDAH) em crianças e adolescentes, procurando compreender os seus principais desafios e impactos no funcionamento diário.Abordamos estratégias de intervenção directa com a criança e o adolescente, bem como técnicas e orientações dirigidas aos pais, fundamentais para promover um ambiente estruturado, previsível e emocionalmente seguro.Falamos ainda sobre o papel da medicação, quando indicada, e sobre outras intervenções coadjuvantes que podem complementar o tratamento, sempre numa perspectiva integrada e baseada na evidência científica.Este episódio é pensado para estudantes, profissionais da área da saúde e da educação, assim como para todos os que desejam compreender melhor o TDAH e apoiar crianças e jovens de forma informada, empática e eficaz.

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Bem-vindo(a) ao podcast PsyAI.PsyAI: Quando a Mente Encontra a AI é um podcast criado por uma estudante de Psicologia da Universidade de Coimbra, atualmente a frequentar o Mestrado em Intervenção Cognitivo-Comportamental da Psicologia Clínica e da Saúde. Os episódios abordam temas da TCC e da licenciatura em Psicologia, de forma simples e acessível. Os áudios são gerados por inteligência artificial a partir de matérias de estudo, com episódios curtos (15–16 minutos), pensados para facilitar a aprendizagem em qualquer lugar. Boa escuta!(temporadas/ temas)https://www.youtube.com/@psyai.mindai

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