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PODCAST · society

PÚBLICO Brasil

O podcast do PÚBLICO Brasil é um encontro de talentos, informação, dicas e debates sobre a real dos brasileiros em Portugal.

  1. 29

    "Eu espero que a minha música chegue a muitas pessoas", afirma Camila Masiso

    Camila Masiso está completando 15 anos de carreira cheia de planos. O mais premente deles, levar seu novo trabalho, Arrudeio, a um número maior de ouvintes. "Eu espero que a minha música chegue a um número maior de pessoas, porque, quando a gente faz arte, é para se conectar com pessoas que estão na mesma frequência que a gente", diz. Arrudeio foi gravado ao vivo em um show em Natal, cidade que Camila nasceu e deixou há oito anos para cruzar o Atlântico e fazer o tão sonhado mestrado em Portugal. "Eu queria muito estudar música, e decidi me mudar de país com minha filha que, à época, tinha apenas 2 anos. Tive de me focar muito, me estabilizar financeiramente, fazer tudo o que um imigrante precisa. Mas deu certo", diz. Depois de se apresentar em Lisboa, em 23 de outubro, na Casa do Capitão, ela seguirá paras as Ilhas Canárias e, no início de 2026, retornará ao Brasil em turnê por Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo. "Estou feliz em reencontrar meu público no Brasil e por me apresentar para aqueles que ainda não me conhecem em Portugal", destaca.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. 28

    Num mundo cada vez mais complexo, "as talentas" fazem a diferença, diz Beia Carvalho

    A futurista e palestrante Beia Carvalho arrancou aplausos da plateia em um evento realizado recentemente no Porto. Numa de suas intervenções no debate que tratava sobre a necessidade de talentos num mundo cada vez mais complexo, ela disparou: "O mundo está precisando de talentas". O neologismo nasceu do inconformismo da brasileira. Para ela, quando se fala de talentos, a primeira imagem que vem na cabeça das pessoas é de um homem, nunca de uma mulher.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  3. 27

    Imigrantes não são inimigos, são a solução para Portugal, dizem ativistas

    Anabela Rodrigues e Priscila Valadão defendem que Governo promova a integração e não a discriminação dos imigrantes.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  4. 26

    O PÚBLICO Brasil, que completa um ano, veio para fazer a diferença, dizem colunistas

    No aniversário do PÚBLICO Brasil, lançado pelo PÚBLICO há um ano, juntamos três colunistas que escrevem com regularidade no site. Cláudia Maximino, Sílvia Caetano e Tatiana Nascimento consideram que o projeto veio para fazer a diferença no meio jornalístico em Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  5. 25

    Brasil deveria usar sua riqueza musical, como soft power, diz embaixador

    O embaixador Lauro Moreira é um apaixonado por música, sobretudo, a produzida pelo Brasil. Ao longo de boa parte de sua carreira diplomática, tornou-se um difusor, mundo afora, das canções criadas por artistas brasileiros. Tudo começou, três décadas atrás, quando reuniu quatro músicos brasileiros para apresentar o cancioneiro popular do Brasil em Barcelona, onde estava a trabalho. O sucesso foi tamanho, que o espetáculo criado por ele, passando por um século da produção musical brasileira, percorreu 22 cidades espanholas e atravessou as fronteiras do país. "Fomos das canções de Chiquinha Gonzaga e do primeiro samba de que se tem notícia, Pelo Telefone, composto por Donga há mais de 100 anos, até os sons criados nos anos de 1990 e 2000", conta. Moreira, que foi casado com a escritora e poetisa Marly de Oliveira, também enveredou pela literatura, mesclando com as músicas, em seus shows, poemas de autores brasileiros. Um deles, Manuel Bandeira, que foi seu padrinho de casamento, lhe deixou um registro histórico. Um dia, o poeta apareceu no apartamento que o embaixador vivia em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, e passou a recitar seus versos. Moreira decidiu gravar tudo. Anos depois, transformou essa raridade em disco. Apesar da riqueza da música brasileira, o embaixador afirma que a produção atual, em boa parte, não tem a qualidade do passado. Mas é questão de gosto, frisa. Para ele, o Brasil deveria usar melhor a sua produção artística, que é valorizada em todo o planeta, como uma espécie de soft power. No entender do embaixador, esse é um dos caminhos para o Brasil consolidar a sua força e a sua importância no contexto internacional.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  6. 24

    “Não há nenhum sinal de fraqueza em viver o luto migratório”, afirma Maria Klien

    Autora do livro Guia do Autodomínio — Para Uma Vida Com Mais Autonomia, a neuropsicóloga Maria Klien diz que "não há nenhum sinal de fraqueza no fato de os imigrantes sentirem as dores da mudança de país", numa espécie de luto migratório. Para ela, é mais do que natural reagir ao fato de deixar uma vida, a família e os amigos para recomeçar outra história num lugar distante. O que não pode, no entender de Maria, é tornar esse luto migratório eterno, a ponto de não se viver plenamente a nova etapa da vida.  Muito dos sentimentos negativos que tomam conta dos imigrantes levam a crises de ansiedade e a ataques de pânico. Ela própria já teve de lidar com esses problemas na vida pessoal e como profissional. O caminho para a superação passa pelo reencontro com o equilíbrio e a autonomia emocional, defende. "É preciso uma escuta interna e a reconstrução de vínculos consigo mesmo", diz. A neuropsicóloga chama a atenção, ainda, para a necessidade de os pais darem mais atenção aos filhos. "Não se trata de fazer isso por sentimento de culpa, mas de parar um tempo, depois que chegar em casa do trabalho, e ouvir o que os filhos têm a dizer, olhando nos olhos, não para a tela do celular", afirma. Segundo ela, isso é fundamental para a educação dos jovens e para que eles se fortaleçam para lidar com as adversidades da vida, inclusive, saber ouvir não.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  7. 23

    "As pessoas limitam muito as mulheres, quando é uma mulher trans o limite vem dobrado"

    Mulher trans, a empresária Giovanna Tavares fica com voz embargada quando remonta à sua infância no Brasil. "Fui apedrejada na porta da escola com 13 anos e ninguém fez nada", conta, para salientar a importância de falar deste temas na escola. Mas, hoje, tem certeza de que tem servido de referência para outras mulheres trans. "Sou exemplo de que é possível superar o estigma de que toda mulher trans está condenada à prostituição", afirma.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  8. 22

    Uma alimentação saudável está longe de dietas radicais

    Ter uma alimentação saudável requer cuidados, mas está longe de dietas radicais, dizem a nutricionista Ângela Moraes e a jornalista Cláudia Maximino, especialista no assunto e colunista do PÚBLICO Brasil. Para elas, uma boa alimentação passa bem longe de alimentos ultraprocessados, um mal para a saúde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  9. 21

    Desejo de brasileiros e americanos pela casa própria ajuda a movimentar mercado imobiliário

    O mercado imobiliário em Portugal continua em alta, impulsionado pela forte procura por moradia pelos estrangeiros, sobretudo, brasileiros e norte-americanos. Ayres Neto, da imobiliária The Agency, e Nuno Coelho, da Overseas Promotora Imobiliária, dizem que, diante de uma demanda maior que a oferta, os preços dos imóveis continuarão subindo, com a necessidade de políticas públicas para minimizar os efeitos da crise habitacional sobre as camadas da população de menor renda. A crescente presença de brasileiros no mercado — que representaram 38% dos estrangeiros que contraíram crédito imobiliário em 2024, segundo o Banco de Portugal — é reflexo das facilidades de financiamento, das taxas de juro mais baixas e da valorização do euro. “Há uma procura muito forte por imóveis de luxo, mas a pressão maior está nas classes média e baixa”, observa Nuno Coelho, que defende incentivos estatais para a construção de habitação acessível, como nos modelos existentes no Brasil. Além dos brasileiros, o fluxo de americanos também tem aumentado significativamente, motivado não apenas pelo custo de vida mais baixo e pela qualidade de vida em Portugal, mas, também, por fatores políticos nos Estados Unidos. “Portugal é visto como uma porta de entrada para a Europa, com boa infraestrutura, segurança e um sistema de saúde acessível. Isso torna o país extremamente atraente”, comenta Ayres Neto. Na visão dos dois especialistas, o desequilíbrio entre oferta e demanda continuará a pressionar os preços até que novas medidas estruturais sejam implementadas.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  10. 20

    A batalha diária das produtoras que difundem a arte brasileira em Portugal

    Não ter medo do fracasso é a primeira regra de quem quer produzir cultura em Portugal. É assim que as produtoras culturais Carol Deguti e Márcia Damasceno definem a receita para dar certo no país. “Num dia você cai, no outro, você resolve o que tinha que resolver e começa tudo de novo. Às vezes, o plano que a gente fez não sai como o esperado”, diz Carol. E quando o público não comparece, quem sofre é o produtor. “O artista, com certeza, não fica muito bem. Mas, como ele, na maioria das vezes, tem o cachê garantido, quem sempre acaba pagando tudo é o produtor. O risco é sempre nosso”, afirma Márcia. Carol também conta como é ser mulher no mundo da produção no mercado das artes. “Falo que estou sempre na luta pelo posicionamento da mulher, que, infelizmente, ainda é muito fechado para nós. Temos essa dificuldade. O homem não tem essa necessidade de se posicionar”, explica. Carol e Márcia produziram a primeira lavagem da Igreja de Santo Antônio, em Lisboa, festa que reproduz, em Portugal, a lavagem do Senhor do Bonfim de Salvador. Foram mais de 5 mil pessoas presentes. Neste ano, diz Márcia, o evento ainda está em produção, sem data definida para ocorrer. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  11. 19

    Cuiqueiros de Lisboa levam o samba e o fado para o coração do carnaval português

    O bloco Cuiqueiros de Lisboa, liderado pelo sambista Neném do Chalé, vai agitar o carnaval deste ano, com um desfile vibrante nas proximidades do Castelo de São Jorge, na sexta-feira (28/02). Criado para manter viva a essência das escolas de samba em Portugal, o grupo reúne brasileiros e estrangeiros apaixonados pelo ritmo que atravessa fronteiras. “A nossa ideia é que o bloco se transforme na primeira escola de samba de Lisboa”, revela ele, destacando a ambição de consolidar a tradição do samba no país. O sambista, nascido e criado no Morro da Mangueira, leva consigo um legado de gerações dedicadas à música. Neto do compositor Pandeirinho da Mangueira e filho de Birinha, o lendário mestre de bateria da escola verde e rosa, Neném construiu sua trajetória no samba com um profundo respeito às suas raízes. Ele destaca a emoção de ver a cultura brasileira tão bem recebida em Portugal. “O samba continua unindo povos, não importa onde esteja”, diz. Além da paixão pelo ritmo, o bloco também se tornou um refúgio para brasileiros que encontram no batuque um vínculo com suas origens. Para este carnaval, o Cuiqueiros de Lisboa promete emocionar o público com um samba-enredo especial, Da Alma do Fado ao Coração do Samba, que homenageia a ligação histórica entre Brasil e Portugal. “Fado e samba têm muito em comum, desde a resistência até a perseguição cultural que enfrentaram no passado”, explica Neném. Com ensaios intensos e uma bateria formada por músicos de diversas nacionalidades, o bloco espera conquistar ainda mais espaço e consolidar sua presença no calendário carnavalesco de Lisboa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  12. 18

    Ainda levará tempo para que todos os imigrantes sejam regularizados em Portugal

    É inegável o esforço que o Governo de Portugal vem fazendo para regularizar a situação dos imigrantes que vivem no país e estão indocumentados. Há 440 mil pessoas penduradas nas extintas manifestações de interesse e 220 mil à espera da troca dos títulos de residência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que não são reconhecidos pela União Europeia. Mas, para as advogadas Catarina Zuccaro e Tatiana Kazan, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que todos esses imigrantes possam, enfim, ostentar a tão sonhada autorização de residência em Portugal. Para elas, é importante que o Governo conduza todo o processo de forma transparente, a fim de evitar problemas futuros mais à frente. As advogadas falam da importância do planejamento para aqueles que desejam emigrar do Brasil para Portugal, recomendam cautela antes de cruzarem o Atlântico e reforçam que Portugal não é o Eldorado, assim como nenhum outro país, pois tem problemas que também afligem a população local. Elas ressaltam, ainda, a importância de se vir com visto para Portugal, para evitar as agruras enfrentadas pelas centenas de milhares de pessoas que dependem da boa vontade da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), responsável pelos imigrantes, para se inserirem na sociedade.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  13. 17

    Educação financeira faz a diferença para quem decide emigrar

    No novo episódio do podcast PÚBLICO Brasil, Sandra Utsumi, diretora executiva do Haitong Bank, e Marcelo Sobreira, professor da HB Escola de Negócios, falam sobre importância da educação financeira, especialmente para imigrantes que chegam a Portugal. Sandra alerta para os perigos de não se informar adequadamente ao realizar transferências de recursos de um país para outro. Ela destaca como a falta de conhecimento pode resultar em perdas financeiras e alerta para a necessidade de se planejar e de cortar gastos, quando as contas não estiverem mais fechando. Marcelo chama a atenção para uma maior conscientização financeira e dos ganhos que podem vir da diversificação dos investimentos. Para ele, a literacia financeira é essencial para garantir que as pessoas saibam como administrar seus recursos, evitando cair em armadilhas. O professor também enfatiza a importância de se criar uma reserva de emergência para suportar os primeiros meses em um novo país. Os dois especialistas falam, ainda, do impacto das redes sociais na forma como os imigrantes enxergam a vida em Portugal, muitas vezes, alimentados por promessas de "Eldorado", que não refletem a realidade do custo de vida em Portugal. Sandra e Marcelo explicam como a criação de uma cultura de poupança e planejamento a longo prazo é fundamental para alcançar um futuro financeiro mais seguro. E reforçam que, com as atitudes certas, é possível aprender a gerenciar o dinheiro de forma eficiente, garantindo não apenas a sobrevivência, mas também a prosperidade, seja em Portugal ou em qualquer outro lugar.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  14. 16

    Para abrir um negócio não basta apenas uma boa ideia, é preciso planejamento

    O que significa empreender? Para Mariana Oliveira, fundadora da Ancestralizando, é transformar a conexão com a ancestralidade africana em um negócio que mistura moda, gastronomia e história. “O empreendedorismo, para mim, é criar e recriar. É investir em algo que reflita quem somos e, ao mesmo tempo, proporcionar trabalho para outras pessoas”, define. A marca, que oferece roupas e acessórios inspirados na cultura afro-brasileira, além de alimentos como o acarajé, busca manter vivas tradições que atravessam gerações. Nilzete Pacheco, mentora empresarial, enfatiza que empreender exige mais do que boas ideias. “Um plano de negócios é essencial, mas ele precisa sair da gaveta. O segredo está na execução e na persistência”, ressalta. Em sua visão, muitos empreendedores, especialmente imigrantes em Portugal, enfrentam desafios por desconhecerem aspectos legais, como códigos de atividade econômica (CAEs) e obrigações fiscais. Segundo ela, “o empreendedor precisa não apenas conhecer seu mercado, mas também entender a legislação local para evitar erros que podem comprometer o negócio”. Apesar das dificuldades, as histórias de Mariana e Nilzete mostram que criatividade e organização podem transformar sonhos em realidades sólidas. Para Mariana, empreender é também um ato de resistência e conexão. “O acarajé, por exemplo, foi o primeiro empreendedorismo das mulheres negras no Brasil. É uma história de luta e liberdade que continuamos a contar”, ressalta. Já Nilzete reforça que o sucesso requer formação e acesso a recursos, que muitas vezes estão disponíveis, mas são pouco conhecidos. Ambas deixam claro que empreender é desafiar limites e, acima de tudo, acreditar no próprio potencial.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  15. 15

    Pierre Aderne reflete sobre o ano-novo: tradição e recomeço de mãos dadas

    O cantor e compositor Pierre Aderne compartilha reflexões sobre o ano-novo em Portugal, comparando com suas experiências no Brasil e em outros países. Ele destaca a importância das tradições, como passar o Réveillon descalço e de branco, um costume que mantém como forma de conexão com a terra e as raízes culturais. Pierre também comenta sobre a diferença entre o caloroso espírito das festas brasileiras e a introspecção típica do inverno português.  Pierre lembra sua primeira celebração de ano-novo em Birmingham, na Inglaterra, aos 15 anos, marcada pela saudade do Brasil e pelo choque cultural. Apesar de desafios como esse, ele destaca a beleza do momento de recomeço que a passagem de ano proporciona. "É uma oportunidade de repensar, de estar próximo, de buscar mais generosidade em um mundo tão individualista," diz. O cantor fala sobre suas conexões musicais com Lisboa e sua recente reaproximação com a capoeira, tradição brasileira que está transmitindo ao filho em solo português. Para ele, a capital portuguesa é um ponto de encontro da lusofonia, onde influências culturais e musicais de países de língua portuguesa se misturam. Pierre se diz esperançoso com o ano que está por vir e acredita que ações coletivas ajudam a superar os desafios sociais e culturais, tanto em Portugal quanto no mundo.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  16. 14

    Natal de brasileiros em Portugal: tradições, sabores e encontros afetivos

    O Natal, um marco de encontros e celebrações, adquire novos contornos para os brasileiros que residem em Portugal. Em uma conversa descontraída, no podcast do PÚBLICO Brasil, a futurista Beia Carvalho e fotógrafa e designer gráfica Pat Cividanes compartilham experiências natalinas, destacando as adaptações culturais e gastronômicas que acompanham a data. Beia relembra seu primeiro Natal em terras lusitanas: “Foi com amigos, uma mudança significativa em relação ao Brasil, onde as festas eram predominantemente familiares”. Economizar nos presentes, algo que no Brasil envolvia listas intermináveis, deu lugar a investimentos em vinhos portugueses e na culinária local, transformando o bolso em aliado das celebrações.  A gastronomia também se destaca como ponto de adaptação e saudade. Tem quem lamente a ausência de tradições brasileiras como o tender, mas o acesso ao bacalhau de qualidade superior em Portugal é celebrado. Pat ressalta: “O salpicão dá para reproduzir, mas o tender é insubstituível”. Entre as iguarias portuguesas que conquistaram o paladar dos brasileiros, a rabanada ganhou novas dimensões, como as versões recheadas de doce de ovos. Além disso, sobremesas típicas, como o almadão, encantam, reforçando a fusão entre as tradições dos dois países. A decoração natalina em Portugal, com luzes e ambientes que remetem ao imaginário de um Natal europeu, é elogiada por Pat: “O clima frio faz mais sentido com o que aprendemos nas histórias e nos filmes”.  Mais do que presentes ou refeições elaboradas, o Natal é descrito como uma oportunidade de criar novos laços e fortalecer amizades. A pandemia e a mudança para Portugal trouxeram reflexões sobre quem priorizar nas celebrações. “O Natal transcende a tradição familiar, é uma desculpa perfeita para reunir pessoas e celebrar o afeto”, afirma Beia. Contudo, os desafios da polarização política e as mudanças nas dinâmicas familiares não são ignorados. “O Natal deveria ser um momento de reconciliação, mas muitas vezes evidencia os rachas nas famílias”, observa Pat. Apesar disso, a mensagem é clara: o espírito natalino continua sendo um convite ao encontro e à celebração da vida, em qualquer parte do mundo.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  17. 13

    Arquitetos brasileiros: as armadilhas da língua e a adaptação ao mercado

    A chegada a Portugal trouxe desafios e oportunidades para os arquitetos brasileiros Paula Russo e Jadiel Tiago, que compartilham uma trajetória marcada na busca por adaptação e inovação. Vindos de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, o casal se estabeleceu no país em 2020, em meio à pandemia, motivado pela oportunidade de Jadiel de iniciar um doutorado e pela conexão pessoal de Paula com Portugal, onde viveu parte da infância. No entanto, exercer a profissão em terras lusitanas revelou diferenças marcantes em relação ao Brasil, que vão da língua, pois vários itens usados nas obras têm nomes diferentes nos dois países, à burocracia para aprovação de projetos nas câmaras municipais. Numa obra em um banheiro de uma casa, por exemplo, quase todos os materiais têm denominações diferentes. Chuveiro em Portugal é duche e descarga, autoclismo. Nada, porém, que atrapalhe o trabalho.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  18. 12

    As dores e as delícias de ser mãe imigrante: uma jornada de desafios e união

    Ser mãe é um desafio por si só, mas enfrentá-lo em um país estrangeiro traz um conjunto único de dificuldades e aprendizados. Ticiana de Castro, cearense radicada em Portugal há oito anos, vive essa realidade e encontrou em redes de apoio entre mães uma forma de superar os desafios diários da maternidade imigrante. "É um suporte emocional que se torna essencial, porque estamos longe da família. Quando surge uma dúvida ou um problema, é esse grupo que acalma nossos corações e nos ajuda a tomar decisões", conta, referindo-se ao grupo ComMadres, formado por mães brasileiras e portuguesas.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  19. 11

    "Só concordamos com a compra quando encontramos o imóvel perfeito", diz Tiago Prandi

    O empresário Tiago Prandi chegou em Portugal há 19 anos por meio de uma proposta de trabalho e nunca mais deixou o país e aqui teve as duas filhas. Assistiu a muitas mudanças no mercado imobiliário até desenvolver uma empresa diferente para os clientes, a Conexão Europa Imóveis, que, segundo ele, é muito mais do que uma imobiliária.  Para ele, o atual momento de Portugal é muito diferente quando comparado com o de duas décadas atrás. “Acredito que país sempre esteve aberto a novidades, sempre recebeu muito bem as pessoas e acredito que mudou para melhor, pois está muito bem preparado para tudo o que está acontecendo”, assinala. Prandi explica que um dos diferenciais da Conexão Europa, fundada há cerca de sete anos, é a busca permanente pela transparência em todo o processo de atuação. Ele garante que, na gestão voltada para o turismo, o investidor, estando em qualquer lado do mundo, vai saber exatamente o que acontece dentro do apartamento.  Quando a empresa é procurada para compra e venda de propriedades, oferece o serviço de busca de imóveis, mas antes cuidam da burocracia, como buscar um número de contribuinte português (NIF) e uma conta bancária. No caso de estrangeiros, sem o NIF e conta bancária, não é possível adquirir um imóvel. O primeiro negócio de gestão do empresário foi com um amigo espanhol. Foi nesse momento que ele desenhou o modelo que segue até hoje. “Esse negócio de assessoria imobiliária foi muito divertido, porque falamos mais não do que sim para os apartamentos, sempre seguimos o que foi pedido no briefing inicial. Só concordamos com a compra quando encontramos o imóvel perfeito", afirma. Quando a aquisição de imóveis envolve financiamento bancário e se define o valor que vai ser buscado de crédito, a Conexão Europa apresenta uma empresa que conhece todos os meandros do setor, pois cada instituição financeira tem as suas especificidades e critérios para emprestar dinheiro”, explica. As assessorias prestadas para aluguel de apartamentos na região de Lisboa partem de um valor inicial de 1.500 euros (R$ 9,3 mil). Já para a compra na região de Lisboa, trabalham com valores mínimos de 250 mil euros (R$ 1,6 milhão), que sobe para 350 mil euros (R$ 2,2 milhões) nos bairros mais nobres.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  20. 10

    "Os imigrantes são fundamentais para Portugal", diz Andréa Zamorano

    A trajetória da empresária e mulher de cultura Andréa Zamorano em Portugal começou há 16 anos, quando abriu o Café do Rio, na Baixa de Lisboa. “Foi a primeira hamburgueria gourmet de Portugal. Naquela altura, os hambúrgueres ainda estavam conotados como uma coisa fast food, trash, menos boa, que não eram saudáveis. E nós viemos com uma nova proposta, que era um hambúrguer sem pão”, conta.  Carioca, mas que viveu quase metade de sua vida em Lisboa, Andrea até trouxe um termo para o português de Portugal: hamburgueria. “Na época, chamavam de casas de hambúrgueres. Nós cravamos esse nome. Depois, vieram centenas de hamburguerias”, diz.Autora de livros publicados em Portugal e no Brasil, entre eles, A Casa das Rosas, Andréa tem uma coluna mensal na Revista Blimunda, da Fundação José Saramago. Mas essa veia artística não se restringe à literatura. Ela manteve, por anos, o Samambaia, refúgio da música de qualidade, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus.  Foi um bar que teve muito sucesso e que marcou uma nova era, tornando-se um lugar de referência para a cultura brasileira em Lisboa. Muita gente legal passou por lá, artistas novos, que estão despontando no Brasil, como Felipe Cato e Letrux, e artistas consagrados, como Danilo Caymmi, Ben Gil, Moreno Veloso”, detalha a empresária. O Samambaia foi vendido e ganhou um novo conceito.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  21. 9

    "Informação e planejamento são fundamentais para empreender", diz Verônica Fernandes

    Informação, planejamento e conhecimento do mercado são os ingredientes para o sucesso para quem deseja empreender, principalmente, em outro país, ensina a carioca Verônica Fernandes, que está em Portugal há quase nove anos. Ela conhecia o país como turista e, quando a família decidiu que queria morar fora do Brasil, Portugal foi logo a primeira opção. No Rio de Janeiro, Verônica teve uma produtora cultural. Organizou shows, exposições e espetáculos. Não apenas no Rio, mas em várias cidades do Brasil. Em Lisboa, é sócia com o marido, Neco Pedrosa, de duas cervejarias. Experiência, trouxeram na bagagem. As atividades parecem distintas. Mas Verônica explica que podem ter pontos em comum. “Quando se faz uma produção artística, tem-se a preocupação com a satisfação do público. Hoje em dia, nós preocupamos com a satisfação do cliente. Ele é o nosso foco principal, o mais importante. É óbvio que as semelhanças terminam aí, porque toda a estrutura de empreendimento é muito diferente”, afirma.  Com a decisão tomada de mudar para Portugal, primeiro, vieram pesquisar o mercado e o país. Olharam tudo de forma diferente de quando eram turistas. Passaram um período para perceber como realizar o sonho. Nessa vinda, já abriram conta em um banco, aportaram uma parte do capital e constituíram a empresa. Quando retornaram ao Brasil solicitaram um visto como empreendedores. “Na época, não havia tantas informações disponíveis sobre como fazer a legalização, como hoje em dia. Viemos para cá para recomeçar do zero e um novo ramo, o da cerveja” lembra Verônica. Outra diferença entre os setores, apontada pela empresária é que, na produção cultural, o processo leva tempo. Entre elaborar o empreendimento, levantar recursos até a sua concretização, temos um prazo longo. Já no ramo de bares e restaurantes tudo tem que estar pronto diariamente. O casal é sócio nas cervejarias Delirium Café Lisboa, no Chiado, e Gulden Draack, em Picoas. “É um casamento expandido. Nós já éramos sócios na produtora cultural no Brasil”, comenta Verônica. “Tínhamos a preocupação em vir para Portugal com tudo resolvido. Pedimos o visto D2, para empreendedores, no consulado de Portugal no Rio de Janeiro. Apresentamos o nosso plano de negócios e a comprovação de capital. A resposta não demorou. Em um mês, já tínhamos o visto. Não havia o movimento tão grande como há hoje”, lembra. Desafio dobrado Buscar muitas informações é o mais importante para qualquer empresário, mesmo no seu país de origem, explica Verônica. “Empreender em um país novo é um desafio dobrado. A legislação é diferente, os hábitos de consumo dos portugueses são diferentes dos brasileiros, são várias leituras novas que temos de ter para entender o terreno. Isso leva tempo”, frisa.  Informação é apontada por Verônica como a melhor forma de se preparar para uma mudança de vida. “Por mais que se prepare, o imigrante, tem que ter muito claro o que quer realizar e como vai fazer. Às vezes, vejo pessoas perdidas nessa realização. Tem que se ponderar as variáveis. Perceber das leis, do consumo, como o mercado de trabalho funciona", ensina. Oferecer salários acima da média do mercado e dar boas condições de trabalho são exemplos que a empreendedora dá para manter o quadro de funcionários sem muitas alterações. Mesmo com mais benefícios, a rotatividade existe, e isso pode impactar no funcionamento no negócio.  “O trabalho em bares e restaurantes é pesado. Existe muita rotatividade no setor. Alguns talentos já estão conosco há três anos. Migraram de postos dentro da empresa e conseguiram crescer. A procura por esses profissionais é grande, sobretudo, se é uma pessoa mais preparada e fluente em idiomas”, diz. Documentação e aluguel  Além de chegar com toda a documentação legalizada, a questão cambial merece toda a atenção para quem deseja empreender em Portugal. O capital não precisa ser muito alto, mas tem que ter uma margem de segurança maior do que no país de origem. Os salários, em comparação ao Brasil, em algumas áreas, são mais altos. Alugar um local para se estabelecer é apontado como um dos maiores desafios. A explosão turística e a procura por pessoas de diversos países que querem se estabelecer aqui fizeram os preços dispararem. “Para se investir em um bom lugar, é preciso estar preparado financeiramente para poder responder às demandas do proprietário. São exigidos muitos meses de caução e aluguéis adiantados. No mínimo, seis vezes o valor do aluguel que tem que ser dado imediatamente. Se for um ponto já existente, é preciso pagar a quem está repassando o negócio. Nesses casos, é possível até pagar um aluguel mais baixo. Isso, de certa forma, compensa o gasto. Se for alugar um local para iniciar o empreendimento do zero, o aluguel vai ser mais alto”, detalha. Antes de se tomar a decisão de se mudar para o outro lado do Atlântico, a empresária aconselha aos futuros empreendedores conhecerem o mercado, fazer pesquisa, entender como tudo funciona. “Tínhamos o propósito definido do que queríamos fazer. Só não sabíamos o porte. Não caímos de paraquedas nesse ramo. Nos anos de 1990, meu marido morou oito anos na Itália e teve um bar de cervejas alemãs. Ele já trazia essa bagagem", relembra Verônica. Ela diz mais: "Na minha outra vida, muito tempo atrás, cheguei a ter um restaurante pequeno. É um ramo desafiador. Não é qualquer um que chega, abre e dá certo, porque dá trabalho, precisa de muita dedicação e conhecimento do ofício. E estar presente o tempo inteiro, no começo. Depois você consegue administrar e voltar a ter uma vida. Empreender em um outro país é se abrir ao novo também. Nem sempre é fácil. É tentativa e erro. É muito importante encontrar um escritório de contabilidade de confiança, que responda às necessidades do negócio e, claro, apoio jurídico”. Processo completo A emigração para Portugal foi completa do ponto de vista familiar, relata, Verônica. “Foi uma emigração em massa. Eu, meu marido, dois filhos, que, na altura, tinham 11 e 4 anos. Também a minha mãe, meu irmão, minha cunhada e a minha sobrinha. O meu irmão (André Diniz) é quadrinista, premiado, então, para ele, onde quer que esteja vivendo, não faz muita diferença. Inclusive, já saiu um livro dele em parceria com o PÚBLICO, uma adaptação de O Idiota, do Dostoiévski”,  afirma. A família, segundo Verônica, adaptou-se bem à mudança. Hoje, o irmão vive em Braga. A mãe gosta muito de viver em Lisboa, e os filhos já são praticamente portugueses. “Foi mais tranquilo do que imaginava, para todos nós. Saber para onde se quer ir e conhecer suas expectativas é muito importante. Não pode ser uma moda. Sou a primeira a dizer que é uma ótima ideia empreender em Portugal, mas tem que ter um propósito. A pessoa tem que saber o que busca. Acho que é mais fácil a adaptação quando é dessa maneira”, enfatiza.  Quanto ao futuro dos negócios, Verônica informa que está prevista a inauguração de uma nova unidade da Gulden Draak, no final de outubro, em uma nova área de alimentação do Shopping Vasco da Gama, com vista para o rio Tejo. “Temos, hoje em dia, os espaços com o maior número de cervejas em Portugal. São 35 torneiras diferentes no Delirium Café e 50, na Gulden Draak. Agora vamos ter um irmão pequeno. A princípio, com 12 marcas, em grande parte, belgas e alemãs. Não temos, até o momento, nenhuma cerveja brasileira pela dificuldade em atender aos prazos mínimos de validade para a importação para a União Europeia. Mas não vendemos apenas cervejas, temos outras bebidas e petiscos variados. Nosso foco principal é receber bem as pessoas”, conclui. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  22. 8

    "Além de boa comida, temos axé, que significa saúde", diz Carol do Acarajé

    A baiana do acarajé, Carolina Brito, mora em Portugal há 21 anos. A aventura da vinda para Portugal começa na praça central do bairro de Itapuã em Salvador da Bahia, onde até hoje se encontram as baianas do acarajé. Carol trabalhava na banca da mãe quando um casal de portugueses em férias na Bahia passou a ir todos os dias comer no local. Certo dia, perguntaram à mãe da jovem se poderiam levá-la para Portugal. Foi um convite que mudou a vida dela. Hoje, com dois restaurantes em Lisboa, está se preparando para abrir um no Porto. Nascida e criada em Salvador, a ancestralidade de Carol está ligada a mítica Lagoa do Abaeté, de água escura e cercada de areia branca, imortalizada por Caetano Veloso na música It’s a Long Way. “Esse pedaço da música me lembra muito da minha infância. Sou neta de ganhadeiras de Itapuã, lavadeiras que eram pagas para fazer esse serviço. Minha mãe lavava roupa, minha avó lavava roupa, minha bisavó, também. Todas lavavam roupas ali na lagoa do Abaeté. Há muito mistério naquela lagoa. Ali tem muito choro e resiliência e muita superação também”, recorda. Mais nova de 14 filhos, Carol ajudava a mãe no tabuleiro de acarajé, enquanto o pai tinha uma barraca na beira do mar. Os empresários portugueses, Cristiane dos Santos e Nelson Almeida, se encantaram com aquela menina. “Eles ficaram uma semana inteira indo na banca. No dia da minha folga, por acaso, foram lá e falaram com a minha mãe que queriam me levar para Portugal. A minha mãe se assustou e me perguntou se eu queria. Era um convite para trabalhar no restaurante Mineirão, no Cais de Gaia no Porto”, conta. A simpatia do casal fez com que Carol aceitasse o convite para cruzar o Atlântico e aportar em terras portuguesas. “Nós falamos de destino, não é? Eu acho que foi mais assim no calor da coisa. Minha mãe argumentou se era muito longe e ressaltou que eu não conhecia ninguém em Portugal. Respondi que tinha gostado deles. Que iria e, se não desce certo, depois de três meses, voltaria para a Bahia. Já se vão 21 anos”, afirma. Hoje, além dos muitos amigos que fez em Portugal, Carol conta com parte da família está vivendo em terras lusitanas e com visitas regulares da mãe, que por acaso, está neste momento em Portugal. “Aqui já tenho irmãos, primos, sobrinhos e uma filha. Acabei construindo minha vida aqui. A minha mãe está nesses dias, como a gente diz, passando uma chuvinha com a gente. Ela não quer ficar permanentemente aqui por causa do frio”, comenta. “Sempre digo para ela vir para ver se estou fazendo tudo direitinho. Ela me responde: Carolina, você me conhece. Então, ela verifica tudo, experimenta, vê a textura e já faz algumas coisas no restaurante. Aos 71 anos, ela me diz para deixá-la trabalhar. Já entendi que ela não sossega. Se sossegar, ela não está vivendo”, diz. Carol fala que o tabuleiro da baiana tem muito a oferecer. Principalmente a alegria de viver. Quando cumprimenta alguém e fala axé, está desejando tudo de bom para essa pessoa. “Se temos saúde, temos axé. Em cada abraço, cada beijo, que damos, falamos axé. É uma forma de desejar tudo de bom. Saúde, prosperidade, felicidades na vida, que é muito importante. Além disso, tenho um bom acarajé para oferecer. O projeto Acarajé da Carol é uma experiência gastronômica” explica. Para a baiana, muitas pessoas vão aos seus restaurantes para matar a saudade de casa. Casa no sentido de aconchego. A proposta do seu projeto é fazer com que as pessoas que são do Brasil e que estão em Portugal e outras que não conhecem lá se sintam bem. O seu compromisso primordial é oferecer um bom acarajé. "O acarajé, ou você ama ou você odeia” sentencia. “Não é fácil chegar matéria-prima aqui. O camarão seco, por exemplo. O fundamental é ter um bom feijão fradinho. Lavar o feijão, preparar a massa e bater muito para ficar bem aerada e mergulhar na frigideira com o dendê quente. Aí se percebe que é um acarajé cinco estrelas”. Óleo de Dendê No início Carol usava o óleo de dendê vindo do Brasil. Mas explica que há uma escassez do produto na Bahia, devido a uma crise de produção no estado. “Acho que hoje a Bahia produz pouco dendê. Se não estou enganada, o maior produtor de dendê é o Pará. Isso aumentou muito o preço do produto no Brasil. Em Portugal, depois de experimentar o dendê de Angola, de Moçambique, encontrei um da Guiné-Bissau, que tem um cheiro maravilhoso, um feitiço puro”, afirma. Em 2008 Carolina se deslocou para Lisboa a convite do então embaixador do Brasil, Celso Souza, para fazer acarajé na festa de Sete de Setembro na Embaixada do Brasil. Como vivia no Porto e existe uma disputa entre as duas cidades, achou que não ia gostar de Lisboa. Chegando na capital portuguesa, recebeu um convite para trabalhar em um restaurante, e foi ficando. Para não deixar os amigos do Porto na mão, chamou a irmã para substituí-la.  Em Lisboa, iniciou uma pequena produção de acarajés no apartamento em que morava, pela insistência de amigos. O movimento cresceu e como não queira incomodar ninguém, conseguiu as quintas-feiras na Casa do Brasil para colocar seu tabuleiro lá. Era dia de folga do trabalho. Tornou-se um sucesso o dia do acarajé na Casa do Brasil. Dali, partiu para a empreitada de ter um restaurante próprio. Inaugurou o Acarajé da Carol na Rua da Rosa, no Bairro Alto, em 2017, com 30 lugares. Com o restaurante, a baiana criou um cardápio mais ampliado. Veio o abará, que é o irmão do acarajé, o aipim frito, o bobó de camarão, um dos pratos favoritos de portugueses e brasileiros. A moqueca de peixe. A linguiça acebolada e a carne de sol.  Hoje, já conta com uma segunda unidade, com 60 lugares, na rua de Santa Marta, e planeja abrir um restaurante na primeira cidade em que morou em Portugal, no Porto. Para os imigrantes que vieram construir a vida em Portugal, Carol deixa uma mensagem: “Desejo que todo mundo seja resiliente e que saiba estar. Não desanime de jeito nenhum. Temos de ter os pés no chão, respeitar para ser respeitado. É fundamental”, conclui.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  23. 7

    "Fazer drinques é o meu mundo", diz a bartender Flavi Andrade. Ela dá dicas

    A brasileira Flavi Andrade, 45 anos, nascida em Brasília, mudou-se para a Europa em 2008 com uma missão bem definida: fazer doutorado em jornalismo, em Sevilha, Espanha. Mas os altos custos do curso e as despesas do dia a dia foram, aos poucos, a empurrando para outro caminho, que, para ela, era apenas um modo de sobrevivência: o de bartender. “Me ajudou muito a bancar minhas despesas”, diz.  O tempo passou e o que surgiu como um bico, um complemento de renda, transformou-se em paixão. “Realmente, me encontrei”, relata Flavi. “A cada dia, percebia que era exatamente o que eu queria da vida”, complementa a brasiliense, dona de uma técnica particular para o preparo de drinques.   A fama daquela jovem, espalhada no boca a boca, acabou lhe rendendo, há 11 anos, um emprego como bartender em um restaurante no Algarve. Flavi sabia que o percurso traçado até ali, que muitos acreditam ser território puramente masculino, acabaria desaguando em Lisboa, o que não demorou muito para acontecer. Um convite do Rossio Gastrobar, que estava sendo montado, foi arrebatador. “Disse sim, e pronto”, conta.  Flavi e o marido, Guilherme, também especialista na arte de preparar coqueteis, fizeram as malas e aportaram na capital portuguesa. Desde então, no comando do bar do Rossio, o que é um feito, ela não para de colecionar prêmios. “O fato de ser mulher não foi um desafio para me tornar bartender, o que me motivou foi dar o meu melhor dentro dessa profissão”, afirma. "Nunca colocar a questão de gênero à frente, mas, sim, a capacidade de fazer o melhor dentro da profissão", acrescenta.  O primeiro grande prêmio conquistado por Flavi foi em 2015, eleita a melhor bartender de Portugal. No ano passado, levou o prêmio de Melhor Bar de Hotel e o Top Cocktail Bar, na Espanha, segundo o Lisbon Bar Show. No início deste ano, o Rossio Gastrobar conquistou o prêmio de Melhor Bar de Restaurante de Portugal, concedido pelo Mesa Marcada, um dos mais conceituados no ramo da gastronomia. Mais recentemente, Flavi foi escolhida a melhor barmaid do país europeu, concedido pelo Lisbon Bar Show 2024. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  24. 6

    "A comida de boteco é a minha inspiração", diz o chef Alexandre Saboya

    O chef Alexandre Saboya, há seis anos em Portugal, é dono do Restaurante Soul Carioca, em São Pedro do Estoril, área nobre na região metropolitana de Lisboa. A casa tem como objetivo fazer valer a culinária brasileira da forma mais próxima da que se vê no Brasil. O carro-chefe do cardápio é a feijoada. Quando o restaurante foi inaugurado, o prato era servido apenas aos domingos, mas a constante procura pelos clientes por esse clássico fez com que Saboya o incluísse no menu todos os dias da semana. “Depois da pandemia, as pessoas passaram a ligar diariamente no restaurante perguntando se tinha feijoada. Percebi, então, que deveríamos oferecer esse prato todos os dias, tanto no almoço quanto no jantar. A feijoada é um sucesso de vendas”, comemora.  Um dos segredos para se fazer uma boa culinária de outro país é encontrar os ingredientes certos, com qualidade para todas as receitas. O chef explica que o começo em Portugal foi um pouco complicado. “Cheguei a preparar a minha carne seca. Comprava a peça de carne, salgava, deixava na geladeira, fazia a troca da salga e, depois, fazia o inverso, tirava o sal para, finalmente, fazer o preparo dos pratos", relata. Ele conta que, com o tempo, começaram a surgir, em território luso, alguns lugares com produtos brasileiros. "Isso nos ajudou muito. Já o torresmo, por exemplo, nós encontramos fácil em Portugal. Aliás, a carne de porco portuguesa é excelente. Com isso conseguimos fazer muito bem as receitas brasileiras no nosso restaurante”, assinala. Além da feijoada, o cardápio conta com a diversidade da culinária. E, no caso do Soul Carioca, o passado de Saboya pesa muito, devido à influência que sofreu da cozinha italiana, tão presente no dia a dia de todos os brasileiros.  “Temos filé a parmegiana, que comemos muito no Brasil. Outro prato com influência italiana que sempre servimos, mas no inverno, é a rabada com polenta. É brasileira, mas também é italiana", diz. "Como tenho formação da culinária italiana, consigo colocar muito dessa cozinha no nosso cardápio”, reforça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  25. 5

    “Me despedi de julgamentos e comecei a cantar”, afirma Madu

    A cantora e compositora pernambucana Madu chegou em Portugal em 2019 para cursar letras, na Universidade de Lisboa. Mas a sua vida foi preenchida com a música. A academia não lhe encheu os olhos e, com a pandemia do novo coronavírus, voltou a fazer o que mais gosta: cantar e compor canções. Acompanhada sempre pelo violão de Ely Janovelli, paraibano e estudante do doutorado em composição musical, que encontrou a cantora em uma reunião de amigos.  O mundo perdeu uma professora para ganhar uma artista de múltiplas facetas. A música Contratempo foi a primeira que ela escreveu e que, de fato, gostou. Ela admite que compunha desde pequena, mas em inglês, porque tinha vergonha de escrever em português e se julgava mal ao cantar.  A vinda para Portugal a fez perder aquilo que a limitava: “Me despedi de julgamentos, comecei a escrever. Compus Contratempo numa noite de inverno muito fria”, relembra. Para Madu, essa música faz com que as pessoas que moram em terras lusitanas se identifiquem com ela, porque traduz o que é ser imigrante, por passar muitos contratempos na vida.  A pernambucana reconhece que sua primeira canção é triste. “Eu gosto de fazer músicas que a gente possa chorar dançando. Tem todo esse movimento legal, é uma música importante na minha vida”, ressalta. Ela acrescenta que, a partir de suas composições, foi entendendo que seu lugar era mesmo no palco. Ely, o violonista, declara que sua formação mais instrumental sempre fez parte do mundo da academia e do mundo popular. Foi nas ruas de Lisboa que ele e Madu convergiram e criaram a canção Gabriela.  Madu explica: “Nós nos encontramos porque temos amigos em comum e, na verdade, eles planejaram nos juntar, eu não sabia. Ely tinha acabado de chegar a Portugal e queria uma compositora para acompanhar além do doutorado dele. Os dois foram a um jantar. De início, ele ficou calado, mas, depois de uma esticada em um bar, viram que tinham muito em comum e não se largaram mais. Paraíba e Pernambuco finalmente se juntaram em Portugal.  Vários lançamentos musicais da dupla vão acontecer ainda neste ano. “Almejo continuar meu trabalho, reforçando a cultura pernambucana, nordestina, dentro do contexto europeu. Quero expandir meu trabalho para fora de Portugal”, afirma Madu, que, depois de quase quatro anos distante de sua terra natal, retornou às origens. Foi uma enorme emoção para a menina que tinha medo de cantar.  Madu se traduz por completo em um poema: “Aqui não tem Olinda, linda pra andar, tampouco batuques de naná. Tem a bossa nossa no meio da rua, jazz ferve, mas não é frevo pra frevar. Axé pra dentro, sigo atenta ao ar 'calento', perto e longe da energia do folião, entendo. Nessa terra posso até ser colombina, mas sou mesmo é lampião”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  26. 4

    Karla da Silva: "O samba, com todos os seus sotaques, une e cura"

    A menina de Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, praticamente nasceu ouvindo música. "Nasci e cresci numa casa com todas as dificuldades que a gente transformou em arte, poesia e muito afeto", diz a cantora Karla da Silva, que, há cinco anos, escolheu Portugal para fincar raízes. "Venho de uma família de muitas mulheres, todas cantoras. Só uma delas era profissional, mas todo mundo cantava na minha casa. Meus primos, minhas tias, todo mundo. Lá em casa era proibido desafinar, era proibido cantar errado, a gente tinha que aprender a cantar direitinho”, conta a artista. O samba, como estava predestinado, era o ritmo que embalava aquela cantoria. Não sem razão. Madureira é berço de três das mais tradicionais escolas de samba do Rio: Portela, Império Serrano e Tradição. Do quintal da casa de Karla, era possível ouvir o som das baterias, que se misturavam às rodas de samba e de choro promovidas pela família dela. Karla diz que, desde que entrou para a música profissionalmente, sempre procurou estar bem acompanhada. E um de seus principais parceiros em Portugal tem sido o paulista Cícero Mateus, que vive em terras lusitanas há 23 anos. Os tios dele já haviam emigrado para o país, quando ele e os irmãos cruzaram o Atlântico a fim de terem uma educação melhor. Karla da Silva e Cícero Mateus são os convidados do terceiro episódio do podcast PÚBLICO Brasil.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  27. 3

    Djedah, o jovem que saiu da Amazônia para desbravar o mundo com seu violão

    O violonista Djedah Medeiros Braga, 18 anos, nasceu no meio da floresta Amazônica e jamais poderia imaginar que, sob as asas do instrumento que ganhou do pai quando ainda era muito menino, desbravaria o mundo. E tudo se deu muito por acaso. Ao postar nas redes sociais um vídeo tocando, despretensiosamente, o seu violão, foi descoberto por uma série de músicos renomados do Brasil, incluindo o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda. “De repente, fiquei famoso”, diz. Djedah Medeiros Braga é o convidado do segundo episódio do podcast e videocast PÚBLICO Brasil.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  28. 2

    Nani Medeiros e João Pita, parceiros de música e da vida

    No primeiro episódio do podcast PÚBLICO Brasil você vai conhecer a cantora Nani Medeiros e o violonista João Pita, que têm feito uma bela carreira em Portugal, inclusive com o fado.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  29. 1

    Estreia a 12 de Agosto: PÚBLICO Brasil

    O podcast do PÚBLICO Brasil é um encontro de talentos, informação, dicas e debates sobre a real dos brasileiros em Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information.

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