PODCAST · education
Slam: Poemar a Própria Vida
by Rafael Calado Alves Pereira
por Rafael Calado Alves Pereira
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Cap 1: Apresentação – O que é o Slam
A palavra é uma onomatopeia, utilizada no inglês para representar algo como um bater de portas e janelass. Esse foi o nome escolhido pelos trabalhadores da construção civil de Chicago, nos EUA, para representar as batalhas de poesia falada (spoken word), que surgiram nos anos 1980. Muitos chamam de “esporte da poesia falada”. O responsável por organizar o primeiro Slam, Marc Kelly Smith, alega que resolveu utilizar da lógica da competição como forma de chamar atenção para o texto e performance dos poetas. O que ocorre em um Slam é semelhante ao que acontece nos saraus, porém com algumas regras simples: Poesias autorais (decoradas ou lidas na hora) de até três minutos; Proibição da utilização de figurino, cenário ou instrumento musical; São escolhidos, aleatoriamente, cinco jurados na plateia que serão os responsáveis por dar notas de zero a dez. Leva a competição aquele que tiver a maior nota. No Brasil, o Slam chegou em 2008, por intermédio da artista Roberta Estrela D’Alva, através do ZAP! Slam (Zona Autônoma da Palavra) na cidade de São Paulo. Não demorou para que viesse então o Slam da Guilhermina, que ocorre na periferia de São Paulo, e se espalhou pelo Brasil, acreduta-se que atualmente existam mais de 150 comunidades de Slam no país todo, sendo que em praticamente todos os Estados do país há pelo menos um. Durante muito tempo – e talvez ainda até hoje, em alguns momentos e espaços – se entendeu a poesia como algo elitizado, limitado aos círculos acadêmicos, porém, aquilo que aqui chamamos de literatura periférica ou marginal (marginal em relação a qual centro?) ou qualquer outro nome que é dado para essa poesia produzida nas favelas e periferias das cidades brasileiras, tem mostrado uma outra cara para a poesia escrita e falada. O movimento dos Slams pegou carona no que já vinha sendo construído pelos Saraus e ajudou a espalhar essa proposta de leitura crítica e poética pelas ruas, praças, bares, universidades e escolas. O post Cap 1: Apresentação – O que é o Slam apareceu primeiro em .
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Cap 2: A escrita livre poética
Em seus pouco mais de 30 anos de existência, o slam tem se apresentado como uma prática de poesia extremamente democrática, um palco aberto às mais variadas manifestações culturais, espaço para aqueles que buscam se expressar livremente. A nossa ideia com a oficina de escrita livre poética é apresentar caminhos para a construção de um de espaço poético dentro das escolas, para que os jovens encontrem nessa prática um espaço de protagonismo, de (re)existência e expressão da própria subjetividade, valendo-se de temáticas próprias do slam ou criando suas próprias temáticas, sejam pelas demandas apontadas a partir da própria realidade ou demandas externas, através da escrita, oralidade e performance. A liberdade da escrita presente na poesia do duelo, possibilitou que, ao longo do tempo, grupos historicamente excluídos se utiliza-se dessa expressão artística como forma de reivindicar seus lugares de direito, de dar visibilidade às suas lutas e se colocar como protagonistas de suas próprias histórias. Essa é uma das características dessa poesia engajada e engajadora, envolvida com a proposta de estar a margem do discurso erudito, por isso ela é marginal, livre e inspiradora. Por ser um modelo de poesia livre, ele acaba dando espaço para as representatividades dos sujeitos ali inseridos, fazendo do slam um movimento de representatividade aliado das causas sociais, um grande propulsor de visibilidade para as pautas negras, indígenas, LGBTQI+, feministas, pessoas com deficiência, anticapitalista, ambiental etc. No entanto, o Slam é um espaço livre para se falar do que quiser: dor, amor, natureza, família; esses temas relacionados à sociedade são muito recorrentes nas poesias, uma representação coletiva em torno da palavra. Gostou? Quer conhecer mais? Neste site estão disponíveis uma proposta de oficina para impulsionar a prática da escrita livre poética. Nossa ideia é permitir que estudantes, professores, funcionários e membros da comunidade, se utilizem dessas ferramentas para facilitar a organização do Slam no espaço escolar. Bora poemar! O post Cap 2: A escrita livre poética apareceu primeiro em .
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Cap 3: A performance, aprendendo a compartilhar suas ideias
Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra” Leitura (…) processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo. Muito mais do que mostrar suas poesias, nesses espaços os sujeitos inseridos no duelo encontram a possibilidade de descobrir-se e de redescobrir-se; eles encontram uma nova forma de construir a si mesmo através da própria experiência e do contato com o outro. No momento em que o mundo se comunica de maneira virtual, onde o contato e a experiência do outro vai perdendo significado, o slam apresenta possibilidades de interação. É através dessa aproximação física e verbal que os leitores e escritores do slam se apresentam: seja como slammer ou como parte da plateia, todos os sujeitos envolvidos na performance poética são de alguma forma tocados por ela. O Slam é um espaço onde a poesia performática se torna a expressão de uma voz, marginal; de lugar de descoberta, de possibilidade de ouvir e de ser ouvido. Você que já conseguiu colocar suas ideias no papel, agora precisa superar a timidez e aprender a compartilhar. Quer conhecer mais? Neste site estão disponíveis uma proposta de oficina para motivar a performance da apresentação da poesia, além de link’s para uma pesquisa. Nossa ideia é permitir que estudantes, professores, funcionários e membros da comunidade, se utilizem dessas ferramentas para facilitar a organização do Slam no espaço escolar. Bora poemar! O post Cap 3: A performance, aprendendo a compartilhar suas ideias apareceu primeiro em .
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Cap 4: Organizando um duelo de poesia Slam
Final do Slam SP, vencido por Cinthya Santos, a Kimani. Imagem: Sérgio Silva Ao trazer o slam para a sala de aula, muito mais do que os saberes formais, é possível estimular os adolescentes e jovens a tornarem-se porta-vozes de si mesmos e dos seus. Os Slams são ambientes de livre circulação e participação, os participantes tornam-se poetas, ouvintes, jurados: todos os participantes do evento, mesmo quem não performa, são importantes para que o evento ocorra. Estamos disponibilizando no link ideias para facilitar a organização do slam em sua escola. Leia, pesquise e planeje. O Slam Interescolar: Para além dos espaços urbanos ocupados pelo Slam, no Brasil, por intermédio do poeta Emerson Alcalde e dos organizadores do Slam da Guilhermina, o Slam passou a ser pensado e organizado como um espaço livre, educativo e democrático de fala e escuta dos estudantes paulistas. Essa relação entre a liberdade criativa da poesia marginal proposta no Slam e o espaço escolar, começou com o Slam Interescolar de São Paulo e ganhou e se espalhou pelo Brasil se tornando um projeto nacional., um circuito de batalha de poesia que ocorre em rede nas escolas públicas de todo o país. Atualmente, além das batalhas estaduais, o Brasil organiza o Slam Interescolar Nacional, reunindo jovens e adolescentes de vários estados. Finalização Quando se dá a liberdade para o sujeito escrever seus versos, ele acaba versando suas experiências, suas vivências. Vivências que podem não ter sido experimentadas por aquele que fala, mas foi ouvida, sentida ou presenciada. A prática do Poetry Slam promove em versos a expressão de uma identidade cultural historicamente marginalizada ou negligenciada pelo sistema escolar. Essa prática de escrita livre, nos remete a experiência da professora e escritora Conceição Evaristo, no termo que ela criou para explicar sua experiência literária, são as “escrevivências”. Conceição (2020) explica que escreviver é uma discussão identitária de pessoas que vivem de alguma maneira a experiência da exclusão seja por sua cor, orientação sexual, identidade de gênero ou condição socioeconômica. Escrever para entender a vida em sua profundidade, pois conforme a autora “Escrevivência nunca foi uma mera ação contemplativa, mas um profundo incômodo com o estado das coisas” (EVARISTO, 2020, p. 34). As produções poéticas do Slam são pautadas pelo princípio das escrevivências. Nas ruas, teatros e nas escolas, a poesia do Slam reflete uma identidade cultural. Oportuniza e da habilidade para que se transforme a arte como uma expressão de denúncia, um grito, uma ferramenta de tensionamento ao discurso hegemônico do processo educacional. Possibilita uma produção centrada em suas próprias experiências. A escrevivência pode parecer à escrita da experiência de uma pessoa ficcionando sua realidade, no entanto ela é “uma escrita que não se esgota em si, mas, aprofunda, amplia, abarca a história de uma coletividade” (p. 35) e assim o povo marginalizado mantém viva a habilidade de contar e reproduzir histórias que dizem de nossa cultura, nossas experiências, tradições e potencialidades. O post Cap 4: Organizando um duelo de poesia Slam apareceu primeiro em .
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