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066 Notícias parte 2 - um mundo em alerta
Viver no mundo moderno, sem barreiras protetoras contra a avalanche de negatividade é como andar de olhos vendados. A qualquer momento o telemóvel vibra e rouba-nos a paz interior.Para evitar sermos atropelados pela atualidade, o estoicismo ensina-nos a criar filtros. A biologia dispara o alarme, através da química do medo, mas é a consciência que permite pausar e não alimentar essa resposta química com pensamentos catastróficos. O alarme do nosso corpo está descalibrado. O cérebro lança água para todo o prédio só porque detetou uma torrada queimada. Já que a nossa genética não acompanha o ritmo tecnológico, a intervenção mental é a única ferramenta que nos pode ajudar.Perante uma notícia alarmista, a filosofia, antes que o pânico inunde todo o edifício, dirige-se ao painel de controlo, insere o código e silencia a sirene. Compreende que é apenas uma torrada queimada e não uma ameaça real. O estoico não tenta impedir o susto inicial de uma má notícia, pois não controla o primeiro pensamento, mas é responsável pelo segundo e pelo terceiro.Aplicar filtros no momento certo não é fácil. É como aprender uma nova língua, correr uma maratona, perder peso de forma saudável ou falar em público com confiança. Exige grande controlo emocional. Contrariar impulsos requer treino constante, esforço diário e muita atenção sobre os próprios pensamentos.O mundo pode ser difícil, mas governar a própria mente é que exige verdadeiro esforço.Ao nos deparamos com uma má notícia, perguntamos:Esta informação tem um impacto relevante na minha vida?Posso fazer algo para melhorar a situação?
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065 Notícias parte 1 - um mundo em alerta
Porque acolhemos o ruído constante do exterior, enquanto a paz interior se torna distante?A resposta reside na mistura entre biologia antiga e tecnologia moderna.O nosso cérebro foi desenhado para o perigo. Quando vivíamos nas cavernas, o stresse vinha dos predadores, da fome e das catástrofes naturais.Atualmente, podemos estar no sofá, a ler notícias no telemóvel, e desencadear a mesma resposta química do homem das cavernas a ser perseguido por um predador. Relaxados, no conforto de casa, perante um pensamento, uma notícia ou uma mensagem, o coração acelera, as pupilas dilatam e a corrente sanguínea é inundada de cortisol. Um alarme físico toca e nenhuma resposta é dada ao perigo.Grande parte do stresse atual surge de ameaças imaginárias, levando a que a ansiedade faça parte do dia a dia humano.A mente tenta prever o futuro e sobrecarrega-se desnecessariamente.Por que razão valorizamos tanto o negativo?Porque é que não existe um telejornal dedicado a boas notícias? Emissões que relatem os avanços da medicina ou o desenvolvimento de projetos que reduzem a poluição?Não existe porque estaria condenado ao fracasso.O nosso sistema nervoso desenvolveu-se para detetar o perigo, não foi desenhado para vivermos felizes. Se um nosso antepassado pensasse que um farfalhar num arbusto era uma brisa, e fosse um tigre dentes de sabre, a sua linhagem genética acaba ali, mas se julgasse ser um predador e fosse o vento, sobrevivia.
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064 O poder de escolher os pensamentos
Há em nós um rumor de mar que não existe.Julgamos tempestade o que é apenas brisa. O vento toca levemente as velas, mas, receosos de nós próprios, içamos panos de medo e preparamos naufrágios que só acontecem no teatro interior da nossa imaginação. O oceano permanece sereno — quem se agita somos nós.Não são as coisas que nos perturbam, mas a narrativa silenciosa com que as cobrimos.A mente cria mundos com a mesma facilidade com que respira. E se cria, também pode transformar. Há nisto uma grandeza discreta: somos autores do que nos inquieta. Não totalmente senhores do que sucede, mas profundamente responsáveis pelo modo como o interpretamos.O cansaço visita-nos. A fome atravessa-nos. E, contudo, quantas vezes, em momentos de alegria, essas mesmas visitas não nos roubam a paz? Não é a fome que fere — é o pensamento sobre ela. Não é o peso do dia — é o juízo secreto que o declara insuportável.Possuímos uma riqueza invisível: escolher o que permanece na mente. Ninguém no-la pode roubar. Podem tirar-nos quase tudo, mas não a faculdade íntima de decidir que pensamento acolhemos e qual deixamos à porta.A mente é um jardim. Que estranha ironia a nossa: culpamos o céu pelas ervas daninhas, esquecendo que fomos nós que as regámos. A chuva é neutra. A terra é fértil. O que cresce depende da semente.
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063 treinar a mente na família
Os conflitos familiares, por mais desconfortáveis que sejam, são verdadeiros laboratórios para a prática do estoicismo. Não porque o estoico evita o conflito, mas porque o encara como uma oportunidade de exercitar o domínio emocional.Um dos conflitos familiares mais comuns dizem respeito a questões financeiras. Despesas excessivas, dívidas acumuladas e falta de planeamento são dos maiores focos de ansiedade na vida moderna.A filosofia estoica oferece uma abordagem poderosa à gestão orçamental. O estoico não se deixa dominar por desejos consumistas. Cultiva o autocontrolo, valoriza o que tem e rejeita o excesso.Epicteto afirma que a riqueza não consiste em possuir grandes bens, mas em ter poucas necessidades. Quando nos reduzimos ao essencial, tornamo-nos invulneráveis à escassez, o que para Epicteto é ser verdadeiramente rico.Perante uma discórdia financeira na família, o estoico analisa o que pode controlar, que são os rendimentos, despesas, dívidas, prioridades e procura fontes alternativas de rendimento ou aconselhamento financeiro.Epicteto diz-nos que “Não culpes os outros por aquilo que depende de ti.” O estoico assume a sua parte no problema financeiro, seja contribuindo mais ou reduzindo gastos. Se há desemprego ou imprevistos, estes são aceites com coragem, escolhendo a melhor forma de superar a situação.
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062 Por que julgo ser infeliz sem um vício
Por que julgo ser infeliz sem um vício?Vivemos num mundo onde o excesso se disfarça de conforto e o hábito se transforma em prisão. As dependências humanas prometem alívio imediato, mas provocam deterioração da saúde, afastamento social e desequilíbrio emocional. Relacionamentos tóxicos, jogo, álcool, droga, comida, redes sociais e consumo exagerado são exemplos de possíveis origens de vícios que nos prejudicam.Este podcast não se centra em métodos para abandonar dependências. Apresenta estratégias para evitar recaídas e enfrentar o que vem depois, que é o vazio deixado pelo abandono do mau hábito.Para os estoicos, os vícios são sinais de que a alma está dominada por paixões desordenadas e quando tenta escapar à dor, caí em rotinas nocivas.Epicteto ensina que somos livres quando dominamos o que está sob o nosso controlo, e os vícios, por serem impulsos que nos dominam, afastam-nos da liberdade e da paz interior.Após abandonar um vício, a sensação de infelicidade é comum e tem explicações muito claras, tanto do ponto de vista psicológico como neurobiológico.Durante anos, o vício foi associado a momentos de prazer. O cérebro aprendeu a relacionar o hábito a sensações positivas.
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061 reclamação na família
As reclamações dentro da família são oportunidades valiosas para treinar a mente e desenvolver a inteligência emocional, ao transformar conflitos em crescimento interior e relacional.Reclamar é um ato de sofrimento que expressa insatisfação em relação a algo que não corresponde às expectativas. No entanto, cada reclamação é uma porta aberta para compreendermos melhor uns aos outros.O estoico aproveita as reclamações dentro da família para desenvolver relações mais saudáveis, em vez de fingir que não as ouve, responder com agressividade, mudar de assunto abruptamente ou reagir com o famoso “tu também…”.A forma como reagimos a uma reclamação, revela muito do nível estoico em que nos encontramos.A desconfortável reclamação “Deixas tudo para a última hora”, vista com olhos estoicos, proporciona uma oportunidade para treinar a paciência e o autocontrolo. Devemos começar por suspender o julgamento e a irritação. Se há verdade na afirmação, melhoramos a nossa conduta e respondemos: “Entendo que isso te incomoda. Vou ajustar o que for necessário.”Na família, o comentário de vitimização “ninguém me ouve” é um pedido de reconhecimento. Não podemos alterar o passado, nem controlar a dor do outro, mas podemos escolher como reagir a esta situação. O estoicismo convida-nos a responder com domínio emocional. Suspender o impulso de reagir, não contrariar o outro e responder: “Estou aqui para ouvir o que estás a sentir.” A queixa “nunca me ajudas” pode ferir, mas quem treina a mente aprende a não reagir com emotividade e a dominar o impulso de defesa. O estoico não se justifica. Observa a emoção que surge, sem ser dominado por ela. Evita o confronto, fala com clareza, sem ironia ou ressentimento e contrapõe: “Lamento que te sintas assim. Diz-me o que precisas.”Estes são exemplos de reclamações que quase sempre têm um fundo de verdade. Convém avaliá-las, para melhorar o nosso comportamento. No entanto, há situações em que um familiar reclama por algo absurdo ou sem importância.O estoicismo brilha justamente nestes momentos. Quando somos confrontados com o absurdo ou exagero, em vez de reagir com irritação, o estoico age com discernimento e domínio emocional. Perante uma reclamação sem sentido, concentra-se no facto de que não é o que foi dito que o afeta, mas o que escolhe pensar nessa situação.
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060 líderes difíceis no trabalho
Treinar a mente diante de líderes difíceis é um exercício de virtude e resiliência. Para o estoico, cada desafio é uma oportunidade de fortalecer a razão, cultivar a paciência e agir com sabedoria.Líderes difíceis são gestores exigentes, autoritários, agressivos ou críticos que desafiam emocionalmente os colaboradores e tornam o ambiente de trabalho tenso, mas também desafiador para o treino mental.Quem cultiva a disciplina mental estoica colabora com líderes autoritários com mais equilíbrio, sem se deixar dominar por impulsos ou ressentimentos. Desenvolve a resiliência, uma das características mais valorizadas no trabalho, pois transforma conflitos em oportunidades de crescimento e maturidade.Quem não treina a mente reage de forma impulsiva diante de líderes difíceis. Acumula frustrações, sente-se ameaçado, desvalorizado e age com ressentimento ou submissão. Falta-lhe o distanciamento emocional que permite responder com clareza e firmeza. Em vez de refletir, reage. Em vez de escolher, explode ou encolhe-se.Existem lideranças autoritárias, agressivas e críticas.
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059 treinar a mente
O treino mental é uma prática que desenvolve o controlo emocional. Treinar a mente para aceitar adversidades é como preparar o corpo para uma maratona.Tal como o treino físico tonifica os músculos, o treino mental fortalece a mente.O atleta treina com cargas, corre em terrenos desafiantes, sob sol intenso ou frio cortante e esta é a única forma de conquistar uma medalha.O estoico treina com críticas, controla desejos, lida com frustrações e domina impulsos para fortalecer a mente e esta é a única forma de conquistar a verdadeira paz interior.Enquanto o atleta exercita os músculos, o estoico desenvolve a indiferença a elogios e a críticas e recusa-se a ceder à raiva, à vingança, ao orgulho ou à vaidade.A ambos são colocados obstáculos e é exigida disciplina diária. Há dor envolvida, o progresso é lento e a repetição é essencial. Pensadores como Epicteto, Séneca e Marco Aurélio ensinam que na mente está a chave para a tranquilidade. E é justamente aí que o treino mental se torna essencial.O estoico dá especial atenção ao fortalecimento do músculo da aceitação do que não consegue controlar. Assim como um maratonista não domina o clima ou o terreno, o estoico não tenta alterar o comportamento dos outros, o envelhecimento ou a morte.A forma como reagimos a uma crítica revela muito sobre o equilíbrio interior. A pessoa sem treino mental rejeita a crítica. Sente-se injustiçada, defende-se ou contra-ataca. Pensa na crítica vezes sem conta e alimenta ressentimentos. Quem treina a mente não vê a crítica como ameaça. Nunca se irrita e agradece a oportunidade de melhorar.
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058 o vício, diálogo, parte 7-7 fim
O Caminho da Liberdade Interior Parte 7 - A Morte e o LegadoO discípulo, mais sábio e sereno, contempla os grandes mistérios da existência: a morte e o valor de uma vida vivida com propósito. O vício, que outrora lhe obscurecia a visão, tornou-se ponto de partida para uma jornada de consciência e transformação. Neste encerramento, não há fuga, há aceitação, gratidão e o compromisso de deixar marcas no caminho. A sua travessia torna-se exemplo e o seu silêncio ensinamento para os que ainda procuram sentido.Mestre… hoje pensei na morte. Não com medo, mas com curiosidade. O que fica quando partimos? O que vale, no fim?A morte é o último mestre. E o mais silencioso. Ela não rouba — apenas revela. Mostra o que foi essencial e o que foi ruído.Antes, eu vivia para fugir. Agora, vivo para compreender. Mas será que isso é suficiente?Se viveste com propósito, é mais do que suficiente. O valor da vida não está na duração, mas na direção. Muitos vivem longos anos sem nunca acordar. Tu despertaste.E o legado? O que deixo?
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057 o vício, diálogo, parte 6-7
O Caminho da Liberdade Interior Parte 6 - O Tempo e a VigilânciaMais maduro e marcado pela travessia interior, o discípulo contempla o tempo e a impermanência como verdade da existência. Já não se trata apenas de vencer o vício, mas de sustentar a liberdade conquistada com atenção constante. Ele compreende que a transformação é apenas o início e que a vigilância interior deve permanecer como farol, protegendo o espírito da distração e do esquecimento. A sabedoria é agora vivida no silêncio da disciplina e na lucidez da presença.Mestre… tenho pensado muito sobre o tempo. Ele passa, escorre, transforma tudo. E percebo que até a liberdade é frágil se não for cuidada.O tempo é como o vento: não o podes agarrar, mas podes aprender a navegar com ele. E sim, até a virtude precisa de atenção constante — como uma chama que se mantém acesa com vigilância.Às vezes sinto que estou seguro. Que já dominei o vício. Mas depois, num momento de distração, ele sussurra de novo. E percebo que a queda está sempre à espreita.Porque nada é permanente, nem a força, nem a fraqueza. O sábio não confia na estabilidade — confia na prática. A liberdade não é um estado fixo, é uma escolha renovada todos os dias.Então, nunca posso baixar a guarda?
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056 o vício, diálogo, parte 5-7
O Caminho da Liberdade InteriorParte 5 - Tornar-se Espelho Após trilhar o caminho do despertar da consciência, o discípulo já não carrega as marcas da superação. Fortalecido, partilha o que aprendeu, tornando-se guia para outros que ainda caminham na escuridão do vício.A sua presença inspira e lembra uma possibilidade viva para todos os que ousam enfrentar a própria escuridão.Aqui, mestre… algo novo aconteceu. Alguém veio ter comigo. Estava perdido, como eu estive. Falou-me do seu vício, da sua vergonha, da sua vontade de mudar. E eu… escutei. Não julguei. Apenas partilhei o que vivi.Então agora és mais do que discípulo. És espelho . És ponte.Não me senti superior. Senti-me igual. Vi nele o que fui. E percebi que o que aprendi não é só para mim — é para ser passado.
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055 o vício, diálogo, parte 4-7
O Caminho da Liberdade InteriorParte 4 - Enfrentar o vício Ao iniciar o combate ao vício, o discípulo dá um passo corajoso, aplica os ensinamentos do mestre na prática. Cada tentação torna-se uma prova de autodomínio e cada escolha revela a força interior, que não é teórica, é vivida.Nesse caminho, o saber transforma-se em sabedoria, e a luta torna-se jornada de libertação e despertar.Mestre, hoje enfrentei a tentação. Ela veio como sempre: suave, familiar, quase amiga. Mas desta vez… eu parei. Respirei. Lembrei-me das tuas palavras.E o que fizeste?Não cedi. Não por orgulho, mas por clareza. Vi que o prazer que ela prometia era o mesmo de sempre — curto, vazio, seguido de culpa. E escolhi esperar. Escolhi sentir o desconforto sem fugir.Então, começaste a ser livre.Foi difícil. O corpo queria. A mente argumentava. Mas havia uma parte de mim — pequena, mas firme — que dizia: “Não precisas disto.”Essa parte é a tua razão desperta. Ela estava adormecida, mas agora começa a erguer-se.Depois senti algo estranho… não foi euforia, nem orgulho. Foi paz. Silêncio. Como se tivesse recuperado um pedaço de mim.Porque recuperaste. Cada vez que escolhes a tua liberdade em vez do impulso, reconstróis-te. Não és apenas alguém que resiste — és alguém que se transforma.Mas sei que ela voltará. A tentação. O impulso.Claro que voltará. Mas agora tu sabes que tens escolha. E isso muda tudo. O vício perde força quando deixas de ser seu prisioneiro e passas a ser seu observador.Então a luta continua?
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054 o vício, diálogo, parte 3-7
O Caminho da Liberdade Interior Parte 3 - O Primeiro PassoNo combate ao vício, o mestre orienta o discípulo para despertar a consciência, ao enfrentar as raízes emocionais e mentais que sustentam a dependência. Cada passo, nesta jornada, é um ato de libertação, onde a dor é acolhid e a força emerge. É o início de um novo olhar sobre si mesmo.Mestre, como sei que estou a mudar? Que estou a sair do ciclo?Quando deixas de lutar contra o vício como se fosse um inimigo, e começas a escutá-lo como um mensageiro. A mudança começa quando há compreensão, não apenas resistência.Mas às vezes sinto que estou a dar passos para trás.O caminho não é uma linha reta. É como subir uma montanha com nevoeiro. Às vezes tropeças, às vezes perdes a vista do cume. Mas cada passo consciente é uma vitória — mesmo que pareça pequeno.E o desejo… ele não desaparece.Não precisa desaparecer. Precisa ser compreendido. O desejo é energia — pode destruir ou pode construir. Quando o dominas, ele torna-se força criativa.Então posso transformar o vício em algo útil?Podes transformar a tua dor em sabedoria. O impulso em disciplina. A repetição em ritual. O mesmo fogo que queima pode aquecer — depende de como o usas.E como mantenho essa clareza?
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053 o vício, diálogo parte 2-7
O Caminho da Liberdade InteriorParte 2 - A Compreensão da RaizCombater o vício não é apenas romper com um hábito, é mergulhar nas camadas profundas da mente e da memória, onde vivem os traumas e padrões que sustentam a dependência. Ao encarar a raiz do vício, o discípulo começa a despertar a consciência, abrindo espaço para escolhas mais livres e ações mais autênticas. Mestre… e se o vício for tudo o que conheço? Se ele for o único alívio que tenho?Então estás a viver com uma bengala que te impede de andar. Parece apoio, mas enfraquece-te. O verdadeiro alívio não te prende — liberta-te.Mas sem ele, sinto um vazio. Um silêncio que me assusta.É nesse silêncio que começa o teu reencontro contigo mesmo. O vício fala alto, mas não diz nada. O vazio parece escuro, mas é fértil. É nele que podes plantar algo novo.Disciplina. Propósito. Relação contigo próprio. Não precisas de grandes gestos — apenas de pequenos atos repetidos com consciência.Mas às vezes sinto que não sou forte o suficiente.A força não está em nunca sentir fraqueza. Está em não te deixares definir por ela. Cada vez que escolhes a razão em vez do impulso, estás a fortalecer o músculo da liberdade.
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052 o vício parte 1-7, diálogo
O Caminho da Liberdade InteriorDiálogo sobre o vício, o tempo e o sentido da vida.Texto João Zarco Parte 1 de 7 - O Início da Jornada O vício é como uma névoa silenciosa que se instala sobre a mente. Obscurece escolhas e aprisiona o espírito. Neste diálogo o mestre desvenda ao discípulo não apenas os mecanismos que sustentam a prisão invisível do vício, mas também os caminhos para reencontrar a liberdade interior. Mestre, sinto-me fraco. Há um vício que me domina. Tento resistir, mas volto sempre ao mesmo.Então estás doente, mas não perdido.Doente?Sim. O vício é como a febre — não é o mal em si, mas o sinal de que algo dentro de ti está em desequilíbrio.Mas a febre queima. E o vício também.
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051 a mente mente
A mente mente. Nunca negoceies com ela, pois é excelente a contar mentiras convincentes, especialmente a ti próprio.Cada vez que argumentas com a mente, cais no autoengano. Perdes tempo, claridade, força. Ela deve de seguir ordens, não comandar. Se, num momento de dúvida, abrires a porta ao diálogo com a mente, não te estás a preparar para seguir em frente, mas para falhar. Sabes como a negociação mental começa. Primeiro justifica, depois minimiza, encontra atalhos e, no fim, faz-te desistir.A mente é persuasora. Conhece-te. Sabe como usar as tuas fraquezas com lógica.Se a mente mente e boicota os teus objetivos todos os dias, porque confias nela?Confias porque dá-te boas ideias. Inventa. É altruísta e orienta-te quando erras.Confias na mente porque é tudo o que tens. Cria histórias para interpretar o mundo e os teus sentimentos. Mesmo que essas narrativas sejam distorcidas, dão-te direção.No entanto, a mente é especialista em contradições. Diferentes partes têm desejos opostos e sem consciência, essas partes entram numa guerra silenciosa.Deseja segurança com liberdade, amor sem intimidade. Quer ser autêntica, mas teme ser julgada. Apetece-lhe aventura, mantendo a rotina e a zona de conforto. Quer estar só, com espaço e silêncio, mas sente o vazio. Anseia por ser amada, mas sem mostrar vulnerabilidade. Sonha com independência, exigindo segurança. Anseia por paz e alimenta conflitos internos. Rumina, julga e comparar.Estas contradições existem, porque a mente não é uma entidade única. É um conjunto de vozes, com desejos e medos contraditórios.O segredo está em não confiar na mente. As armadilhas constantes, a que ela te sujeita, têm origem na evolução humana. Foi moldada para te proteger, não para te mostrar a verdade. Ela evita o desconforto para preservar a energia e garantir que o ser humano sobreviva numa sociedade com pouco alimento e com muito exercício, o que é completamente contrário ao que acontece nos dias de hoje.
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050 revolta
[email protected] com as emoções à flor da pele. Acumulamos frustrações de tal forma, que uma pequena contrariedade nos mergulha num estado emocional sombrio.A revolta surge como uma reação de oposição a algo considerado injusto. Pode ser externa, associada à indignação social ou política, ou interna, formada pelo desacordo dos nossos desejos. A revolta interna acontece quando duas partes de nós estão em discórdia. Uma procura equilíbrio e bem-estar, a outra mantém-se agarrada a impulsos que nos seduzem.O ser humano é complexo. As vozes da razão e da emoção nem sempre falam em concordância.A consciência sabe que algo nos prejudica. Queremos mudar e, ao mesmo tempo, manter o que nos dá prazer imediato.Revolta-nos as injustiças, conflitos pessoais, morte, doença, falta de liberdade, dificuldade em perdoar.Revoltamo-nos a traição, promessas não cumpridas, violência, destruição ambiental, guerra.A família despoleta também muitos sentimentos de revolta. A comparação, crítica, falta de reconhecimento ou favoritismos são algumas das razões que estimulam a revolta no seio familiar.Na filosofia estoica, a revolta interior acontece quando resistimos à realidade e desejamos que o mundo se comporte segundo os nossos caprichos e não conforme a sua natureza. Esta postura gera sofrimento inútil. Por mais que tentemos, nunca alteramos o que está fora do nosso alcance, o comportamento alheio, a sorte, a saúde, o passado. Epiteto diz-nos que ficamos revoltados por exigirmos do universo uma justiça ou um conforto que ele nunca nos prometeu.
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049 ansiedade
[email protected] ansiedade alimenta a ansiedade e caracteriza-se por uma preocupação excessiva. Acompanhada de tensões físicas e psicológicas, relacionadas com a perceção de um perigo, é uma resposta saudável a desafios, mas facilmente ultrapassa os limites e se torna crónica. O batimento cardíaco acelera e surge a falta de ar, dores no peito e dificuldade de raciocínio.As causa mais comuns da ansiedade incluem o medo do futuro, insatisfação com o passado, problemas financeiros, eventos traumáticos ou mudanças na vida.O estoicismo oferece ferramentas eficazes para lidar com a ansiedade, enfatizando o foco no presente, o controlo das emoções e a aceitação da incerteza do futuro. O caminho para lidar com este problema passa por aprender a distinguir a realidade da perceção e a dominar os pensamentos negativos. Os pensamentos distorcidos, também chamados de distorções cognitivas, são padrões de pensamento que influenciam negativamente a interpretação da realidade. Por exemplo, a catastrofização assume o pior cenário possível. Julgamos que se cometermos um erro no trabalho somos despedidos ou se não nos comportarmos de determinada maneira seremos odiados. Outro exemplo de pensamento distorcido é o ilusão de estar sempre certo, que nos leva a esforçar-nos a provar que as nossas opiniões e ações são as corretas. Estas e outras distorções cognitivas intensificam a ansiedade, criando um ciclo de preocupação e sofrimento emocional.Para além de questionar os pensamentos distorcidos, devemos verificar se a ansiedade surge por algo que não controlamos. Se assim for, focamo-nos apenas no controlável, as nossas ações, pensamentos e reações. O que está fora de controlo, o futuro e a opinião dos outros, não deve consumir a nossa energia.
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048 saúde mental
[email protected] ritmo frenético da sociedade moderna têm impacto na saúde mental. A pressão para ser produtivo, a constante exposição a estímulos digitais e a falta de tempo para descanso criam um ambiente propício ao desenvolvimento de transtornos psicológicos.Para além dos normais fatores que melhoram a saúde mental, exercício físico, sono, alimentação equilibrada e bons relacionamentos, interessa-nos o contributo do estoicismo para a promoção do equilíbrio emocional.Esta filosofia é um complemento valioso para as terapias de saúde mental, embora não substitua o aconselhamento médico.Somos seres humanos pouco adaptados à sociedade atual, que nos sobrecarrega de informação, nos expõe excessivamente à tecnologia e impõe altos padrões de beleza e de felicidade.Melhoramos a saúde mental quando aprendemos a aceitar o que está fora do nosso controlo. Gastamos quantidades imensas de energia com o que não controlamos. Não conseguimos alterar o facto de nem todas as pessoas gostarem de nós, mas sofremos com isso. Reclamamos com as inevitáveis tarefas domésticas. Martiriza-nos a doença, a morte de pessoas queridas, o fato de que todos cometem erros. Angustia-nos o envelhecimento, o não termos tudo o que queremos, as regras no trabalho, a hora de acordar, a personalidade dos outros, a existência de problemas inesperados.Todos estes aspetos são incontroláveis, mas permitimos que nos roubem energia, nos esgotem e adoeçam mentalmente.
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047 energia emocional e mental
[email protected]://estoicismo321.blogspot.comA energia humana não se manifesta apenas fisicamente, mas também na força emocional e na intensidade dos pensamentos. O modo como direcionamos esta energia afeta as relações, o bem-estar e a capacidade de superar desafios.A energia emocional é uma força que impulsiona o comportamento e o estado de espírito. Pode ser positiva, quando sentimos alegria ou entusiasmo, ou negativa, perante a raiva ou a tristeza. Já a energia utilizada pela mente apresenta-se como o combustível do pensamento.As energias mentais e emocionais estão conectadas. O entusiasmo promove a concentração, o stresse e a ansiedade anulam a criatividade e prejudicam o raciocínio.Evitar perdas de energia é essencial, pois dela depende a saúde, a produtividade e o bem-estar. Poupamos energia quando aceitamos o que não controlamos e nos empenhamos no momento presente. Reviver o passado gera depressão, projetar o futuro promove a ansiedade.Poupamos energia quando evitamos discussões, mantemos a calma diante dos desafios e dizemos não a sobrecargas de trabalho.Do ponto de vista estoico, praticar a dicotomia do controlo é essencial para impedir o gasto desnecessário de energia. Aceitar o que está fora do nosso alcance impede o desgaste causados por preocupações infundadas.Perante as adversidades, separa-nos das emoções é outra forma de preservar a energia.Assumir uma postura de observador dos pensamentos e das emoções permite analisar os eventos com mais clareza. Este distanciamento intencional evita a ruminação mental, que drena energia e nos prende a uma espiral de preocupações.Segundo o estoicismo devemos aceitar que o cansaço faz parte da experiência humana e não esperar pela vontade de agir. Simplesmente, fazer o que precisa de ser feito, pois a ação gera motivação.
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046 a vingança
[email protected]://estoicismo321.blogspot.comA vingança surge como uma reação emocional diante duma injustiça.Está associada ao desejo de retribuir, ao suposto agressor, o sofrimento que causou.A vingança não traz satisfação. Leva a um alívio temporário, mas prolonga o sofrimento e impede o crescimento pessoal.O estoicismo defende que a melhor resposta a uma injustiça é manter a serenidade e agir conforme a razão.A vingança e a raiva estão profundamente conectadas. Quando a raiva não é controlada, produz o desejo de vingança, gerando um ciclo destrutivo que mantém a mente presa ao sofrimento.Marco Aurélio aconselha a responder ao mal com o bem e a não permitir que as ações injustas dos outros corrompam a nossa conduta.Vivemos numa sociedade organizada, onde as grandes injustiças são menos frequentes. No entanto, o sentimento de vingança surge em pequenas disputas do dia a dia. Enganam-nos numa compra, barafustamos como o vendedor. Apropriam-se do mérito do nosso trabalho, denunciamos o oportunista. Recebemos uma encomenda errada, protestamos com a empresa de entrega. Passam-nos à frente numa fila, reagimos agressivamente.As relações familiares também desencadeiam sentimentos de injustiça. Laços de sangue não garantem a harmonia. O nível de intimidade leva a que pequenas contrariedades tenham um forte impacto emocional e se transformem em reações conflituosas.Pequenos detalhes facilmente se transformam em gatilhos, que despoletam o desejo de vingança e criam rancores domésticos. Algo simples, como a casa desarrumada ou um tom de voz agressivo geram raiva explosiva, amuos prolongados, sarcasmo, indiferença ou fuga ao diálogo.Estes comportamentos não resolvem problemas, Prolongam a infelicidade no lar, aprofundam distâncias nas relações e criam ressentimentos.
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045 a impulsividade
[email protected] impulsividade é a tendência de agir sem pensar nas consequências, movido pela emoção. Em condições normais, o cérebro analisa uma incidente antes de tomar uma decisão. Recebe informações do ambiente, compara-as com experiências anteriores, efetua uma avaliação, para prever consequências, e, por fim, escolhe a melhor ação a ser tomada.Num ato impulsivo, este processo é ignorado, levando a reações imediatas, conflitos e arrependimentos. A impulsividade tem raízes na evolução humana como um mecanismo de sobrevivência. O corpo, ao perceber uma ameaça, ativa o estado de luta ou fuga, amplamente detalhado no episódio 36 deste podcast.Atualmente, existem poucas situações de perigo ou emergência, no entanto, teimamos em ativar este estado de alerta desnecessariamente, injetando no corpo grande quantidades de cortisol, que nos torna agressivos e prejudica a tranquilidade.Na filosofia estoica, a impulsividade é vista como uma fraqueza. Valoriza-se a autodisciplina e a razão, como guias para uma vida equilibrada, acreditando que o agir impensado afasta-nos da virtude e da paz interior.Segundo Marco Aurélio, a sabedoria consiste em educar as paixões e a razão. A impulsividade provoca sofrimento desnecessário, enquanto o autocontrolo e a reflexão levam ao conhecimento interior.
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044 o preço da tranquilidade
[email protected] tranquilidade é um estado em que a mente e o corpo encontram paz e equilíbrio e é essencial para alcançar a sabedoria e a felicidade.É como um lago calmo a refletir o céu azul. Sem pressa. Sem ruído. Onde tudo flui sem resistência. No estoicismo, a tranquilidade não se encontra presa a momentos, mas em todas as situações do dia a dia.Manter a tranquilidade na sociedade moderna, que aprecia o apego material, é um desafio enriquecedor.A valorização dos bens materiais, como símbolos de sucesso, dificulta a nossa tranquilidade. No entanto, há maneiras de cultivar a paz interior mesmo nesse contexto.É comum julgar que só vivemos sem preocupações se possuirmos poucos bens, mas tal não acontece.Ao aplicar os princípios estoicos, verificamos que sofrer quando perdemos algo, quando somos roubados ou enganados é uma penosa forma de encarar o sucedido.Como posso estar tranquilo perante um roubo, um telemóvel perdido ou um computador estragado?Com posso não me incomodar com o desaparecimento dumas chaves, o extravio de uma encomenda ou o tempo desperdiçado numa fila de espera?Epiteto responde de forma admirável a esta dificuldade, com exemplos do seu tempo: Uma gota do teu óleo derramou? A tua sopa foi roubada? Diz para ti mesmo: “Este é o preço a pagar pela liberdade da paixão! Este é o preço de uma mente tranquila!'Esta maneira de encarar a perda, demonstra de forma perfeita, que é possível aceitar contrariedades como parte natural da vida, sem deixar que perturbem a paz interior. No estoicismo, o foco está no controlável, na nossa reação e no aceitar serenamente o que está fora do nosso alcance.
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043 expetativa e esperança
[email protected] mente é naturalmente inclinada a projetar aspirações no futuro. Sonhamos com um amanhã próspero, mas esta é uma promessa que se pode ou não cumprir, conforme desejamos.Ao colocarmos a paz interior no porvir, tornamo-nos reféns da desilusão e ansiedade. Na filosofia estoica, desejar o futuro é uma armadilha que nos afasta da serenidade. A felicidade não deve depender de algo que pode ou não acontecer. É como desejar que o vento empurre um barco na direção certa, sem ajustar as velas. Séneca, na frase “Deixarás de temer quando deixares de ter esperança” alerta para os perigos de antecipar realizações. Epiteto, por sua vez, reforçava a ideia de que o que está fora do nosso controlo não deve ser fonte de sofrimento.A expetativa e a esperança causam desconforto porque projetam um futuro incerto. Enquanto a expetativa envolve uma antecipação de um acontecimento provável, a esperança manifesta-se num desejo de que algo positivo aconteça, sem uma garantia concreta. Quando estudo para um exame, tenho a expetativa de atinfir uma boa classificação. Se não me preparo, ainda assim, mantenho a esperança que o exame irá correr bem.Ao candidatar-me a um emprego, perante uma entrevista perfeita, tenho a expetativa de ser selecionado. Se não recebi qualquer resposta, mantenho a esperança de ser escolhido.
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042 o estoicismo é fácil
ouvir episódio 032 dicotomia do [email protected] estoicismo é uma filosofia que ensina a virtude, o autocontrolo e a aceitação como caminho para a felicidade.Com um imenso potencial para ultrapassar problemas modernos, surpreende por ser uma filosofia simples e prática.O estoicismo é fácil, independentemente da formação, capacidade intelectual ou estilo de vida de cada indivíduo. Para praticar esta filosofia, o estoico apenas necessita de compreender dois princípios: dicotomia do controlo e separar-se das emoções.A dicotomia do controlo divide o controlável do incontrolável, a separação das emoções evita decisões impulsivas e fortalece a inteligência emocional.A dicotomia do controlo encontra-se detalhada no episódio 32 deste podcast.Controlamos apenas pensamentos e ações. Não controlamos tudo o resto, acontecimentos externos e atitudes dos outros. Não compreender esta separação resulta em angústia e desgaste emocional.Iludimo-nos ao imaginar que modificamos as leis do Universo, mas ele é indiferente à nossa vontade.Por muito que me queixe, nunca altero o passado. Por mais que sofra, perante uma ofensa, não transformo o comportamento dos outros.Posso sentir frustração de manhã à noite, mas essa dor não para o envelhecimento, não melhora o clima, nem traz de volta um emprego perdido.Posso viver angustiado para o resto da vida, que a angústia não devolve um amor não correspondido ou um familiar falecido.Nas relações humanas, posso viver em discórdia, mas a discórdia não altera as pessoas com quem partilho a vida.Em vez de combater o que não controlo, aceito tudo o que acontece, pois faz parte do curso natural da existência. Não adianta lutar contra o inevitável. O melhor é viver satisfeito com o que me é dado.
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041 o sofrimento
[email protected] sofrimento é uma experiência que envolve dor ou desconforto e pode ser físico, emocional ou psicológico. Na filosofia estoica, o sofrimento é inevitável, mas a mameira como o interpretamos é que determina a influência que tem na forma como vivemos.Surge pela doença, perda, ansiedade, conflitos externos ou internos e manifesta-se de várias formas, como tristeza, angústia, medo, raiva ou desespero.Para os estoicos, o sofrimento surge ao atribuir importância exagerada a coisas externas, ignorando que o verdadeiro poder está nas nossas atitudes. Só sofremos com o que nos incomoda. Se nos incomoda é porque estamos perante uma fraqueza, uma debilidade que precisamos de dar atenção para sermos pessoas mais capazes.O sofrimento é, portanto, um alerta, uma campainha que sinaliza o caminho que, no momento, necessitamos de percorrer. Se estivermos atentos à mensagem do sofrimento, se encontrarmos significado na dor e não a abafarmos com distrações, álcool, ansiolíticos ou compras supérfluas, desenvolvemos uma incrível capacidade de resiliência, para superar momentos mais difíceis. Há diversas causas para o sofrimento. Relações humanas, desejo, medo, apego e pensamentos ruminantes, mas todas são alimentadas pelo pensar e o agir.
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040 o poder de dizer não
[email protected] não é uma palavra que estabelece limites e é essencial para o crescimento pessoal.Para Marco Aurélio, saber quando dizer não, é um sinal de sabedoria.Se nunca disséssemos "não" a nada, a vida tornava-se insustentável, por falta de limites e por sobrecarga mental e emocional. Dizer "não" é crucial para proteger o nosso bem-estar e dar prioridade ao que importa.Dos 60 mil pensamentos que temos por dia, metade são decisões conscientes ou inconscientes. Dizer sim ou não a estas decisões influencia a qualidade de vida de cada um. Podemos dizer não a solicitações exteriores, como convites, críticas, compras ou interiores, a desejos, distrações, angústia, raiva, impulsividade.No estoicismo, dizer "não" a certas emoções e ao que está fora do nosso controlo é um pilar fundamental desta filosofia.Dizer "não" às emoções que nos aprisionam, como culpa, raiva ou medo, é um ato de libertação pessoal, que nos permite investir a energia em objetivos e sentimentos mais construtivos. É também uma forma de aceitar que há aspetos da vida fora do nosso controlo, o que, por si só, alivia a ansiedade e reduz frustrações desnecessárias.
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039 queres ser livre?
queres ser livreestoicismo 2.0 musicadovárias versões queres ser [email protected] projeto estoicismo 2.0 possui um canal musical, cujo link se encontra na descrição deste podcast.O canal difunde música estoica, assente no desenvolvimento da capacidade de lidar com as circunstâncias da vida.A música molda o comportamento humano. É, portanto, uma ferramenta poderosa para integrar hábitos estoicos e distinguir o que controlamos, como os pensamentos e as ações, e o que não controlamos, como o comportamento dos outros e os acontecimentos externos. A música estoica desafia a mente a estar presente no aqui e no agora, com mensagens claras de como orientar as interpretações que fazemos do mundo.A canção “Queres ser livre?” oferece uma excelente solução para qualquer incómodo emocional:Queres ser livre? Para a liberdadeSó há um caminhoO desprezo das coisas Que não dependem de tiTodos queremos ser livres, mas o que é ser livre?Ser livre é agir e pensar sem imposições externas ou sem imposições internas?Ser livre é viver de acordo com a vontade ou contrariamente à vontade?Para Epiteto, quanto mais desejamos, menos livres somos. Este filósofo ensina que a liberdade surge quando escolhemos como reagir aos desafios que o mundo nos coloca. Quem faz o que quer, quem segue os seus desejos, não pode ser livre!Ser livre significa não ser escravo da vontade e desprezar as coisas que não dependem de nós.“Para a liberdadeSó há um caminhoO desprezo das coisas Que não dependem de ti”.O caminho para a liberdade varia de acordo com a experiência de cada indivíduo. Na perspetiva estoica, só há um caminho, que é “O desprezo das coisas que não dependem de nós!”
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038 emoções, dificuldade ou oportunidade
[email protected] as emoções não significa suprimi-las ou ignorá-las, mas compreendê-las, para alcançar a paz interior e a verdadeira liberdade.Segundo Marco Aurélio, a alma tinge-se com a cor dos pensamentos. E os pensamentos geram emoções que nos fazerem sofrer, mas essas emoções não são inimigas, são as nossas melhores amigas.Somos muito dramáticos! Inflamamos a mínima dificuldade, transformamo-la num enorme dilema e sofremos. Esta reação ocorre porque damos um peso excessivo aos acontecimentos, esquecendo que o que importa não são as circunstâncias, mas a forma como reagimos.Ingenuamente, julgamos que se agigantarmos um problema, mais depressa o resolvemos. O efeito é contrário! Aumentando a dificuldade, ficamos abatidos, por desperdiçar a força necessária para encontrar a solução.Quando encaramos algo como uma ameaça, surgem emoções dolorosas e o cérebro ativa a ansiedade. Ao perceber as dificuldades como oportunidades de crescimento, como desafios a serem superados, é possível utilizar as emoções como algo construtivo.Não devemos recear nada! Tudo são oportunidades para dominar as emoções e viver em paz connosco mesmos.
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037 fazer as pazes com as emoções
[email protected] as pazes com as emoções significa aceitar e compreender os sentimentos, ao invés de resistir ou reprimi-los. Trata-se de reconhecer que todas as emoções, sejam positivas ou negativas, têm um papel valioso e podem trazer aprendizagens importantes.As emoções são reações internas, que nos permitem comunicar com o mundo. Porém, a comunicação só é eficaz se for clara. Se as emoções estiverem desordenadas, se as paixões entram em conflito com a razão ou os desejos lutam com a moderação, essa clareza dissipa-se, e a comunicação, com o mundo e connosco mesmos, fica comprometida.Do ponto de vista estoico, as emoções são essenciais para o crescimento interior. Funcionam como alertas. Campainhas que assinalam a presença de fraquezas e permitem corrigir debilidades humanas.Uma pessoa que se envergonha, porque magoou alguém, pode usar esse mal-estar para praticar a humildade.O desconforto causado por chegar atrasado, estimula a pontualidade.A culpa por não passar mais tempo com a família, inspira a evitar o desperdício de tempo.A dor da perda ensina a apreciar o presente e as pessoas queridas.As emoções não são obstáculos a serem superados, têm um papel essencial na vida. Em vez de as vermos como inimigas, de as negar, abafar ou culpar por nos fazerem sofrer, devemos agradecer a sua existência. Principalmente às que nos fazem sentir mal, pois são as mais importantes, as que devemos de dar prioridade.
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036 estado de luta ou fuga
[email protected] estado de luta ou fuga é uma reação automática do corpo a situações de ameaça ou perigo. Acontece quando o sistema nervoso simpático percebe algo como uma ameaça à segurança ou bem-estar. Esta resposta, ativa mudanças físicas, para preparar o corpo e enfrentar o perigo.Quando o organismo entra neste estado, acelera o batimento cardíaco, enviando mais sangue aos músculos. A respiração aumenta, disponibilizando mais oxigênio ao corpo. As pupilas dilatam, com uma maior libertação de adrenalina e cortisol e as funções não essenciais, como a digestão, diminuem.Os nossos ancestrais, quando viviam nas cavernas, enfrentavam riscos constantes, como predadores, eventos naturais ou conflitos com outros grupos. A ativação do estado biológico para lutar ou fugir, permitia que os seus corpos reagissem com rapidez, aumentando as hipóteses de sobrevivência. Atualmente, este estado raramente deveria de ser despoletado, pois vivemos em sociedades organizadas, onde a maioria das ameaças à sobrevivência foram neutralizadas, no entanto, para a maioria dos seres humanos, ele é acionado diariamente, em situações que não representam qualquer ameaças....
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035 as emoções
[email protected] emoção tem um papel crucial na vida. É uma resposta do corpo e da mente a estímulos externos ou internos. Experimentamos emoções, produzimos comportamentos e recebemos feedback do mundo. As emoções são divididas em categorias básicas, como felicidade, tristeza, raiva, medo, surpresa, nojo, e em emoções mais complexas, como ciúme, orgulho ou nostalgia.A emoção é o combustível da motivação. Uma bússola interna que ajuda a tomar decisões, indica necessidades, orienta a comunicação e os relacionamento. Todas as emoção têm um propósito, principalmente as que mais nos incomodam. A sensação de fracasso, que tanto nos ensina, identifica limites, o egoísmo mostra como somos, a inveja define metas, o receio resolve problemas. O entusiasmo impulsiona o alcance de metas, a frustração corrige o caminho que devemos percorrer.
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034 o autocontrolo por joão zarco
O autocontrolo é a capacidade de regular pensamentos, emoções e ações. É o guia das reações. Um comandante do nosso barco, nas águas agitadas da vida. Perante uma tempestade, o autocontrolo mantém a embarcação no rumo certo, sem ser levada pelas ondas. O autocontrolo foca-se no que controlamos e aceita tudo o resto. Não domina os eventos externos, mas permite-nos alterar as respostas às vicissitudes da vida. O autocontrolo: 1. Contém a raiva, a ansiedade e a frustração. 2. Resiste às tentações. 3. Modera a ingestão de comida e o gastar compulsivo. 4. Supera os obstáculos e mantém o foco. 5. Respeita a disciplina para estudar, praticar exercício ou seguir uma dieta. No estoicismo, o autocontrolo é uma virtude essencial para dominar o medo, a raiva e o desejo. · Séneca enfatizava a importância de conter a vontade e viver de maneira simples. · Epiteto ensinava que a liberdade vem do controlo dos desejos e das aversões. · Marco Aurélio escrevia reflexões para manter a calma perante as pressões da liderança. texto e leitura joão zarco
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033 a causa da angústia por joão zarco
"Aprende a contemplar as coisas livres de aparências. A dor, o prazer, a morte, a fama. Quem é o real causador das nossas angústias?" Marco Aurélio, Meditações, XII, 8 No estoicismo, não são os eventos externos que causam angústia, mas as representações que criamos sobre eles, ou seja, a maneira como interpretamos e reagimos aos acontecimentos. Epicteto ensina que "não são as coisas em si que nos perturbam, mas os juízos que fazemos delas". O que significa que as situações externas, como perdas, críticas ou dificuldades, são neutras por natureza, e é a nossa perceção que gera sofrimento. A perda de um objeto pode ser interpretada como uma catástrofe e gerar sofrimento, ou como um evento que está fora de nosso controlo. O estoicismo ensina que ao focarmo-nos na razão e no controlo das representações podemos lidar melhor com as emoções e evitar que as circunstâncias externas governem o nosso bem-estar. ...
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032 a dicotomia do controlo por joão zarco
A dicotomia do controlo é um dos pilares centrais do estoicismo e representa uma abordagem prática para alcançar serenidade e autodomínio. A dicotomia do controlo divide os aspetos da vida em duas categorias. O que está sob o nosso controlo, como os pensamentos e as ações, e o que permanece fora de controlo, como o comportamento dos outros e os acontecimentos externos. ... texto e leitura joão zarco [email protected]
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031 A culpabilização por joão zarco
A culpabilização dos outros é um comportamento comum, mas prejudica quem a pratica. Nunca resolve os problemas, o que admira a frequência com que recorremos à infantilidade de, por tudo e por nada, culpar os outros. Reconhecer que termos responsabilidade pelas contrariedades da vida, melhora relacionamentos, resolve problemas e promove o amadurecimento.
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030 a virtude por joão zarco
Para os estoicos, a virtude é à busca da harmonia interior, o objetivo da vida, que deve ser praticado em todas as áreas do nosso dia a dia. É a capacidade de agir de acordo com a natureza, o que significa aceitar as coisas como elas são, sem resistir ou tentar controlar os acontecimentos. [email protected]
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029 a preocupação no estoicismo por joão zarco
A preocupação, assente em aspetos que não podemos alterar, só traz sofrimento e impede-nos de viver com serenidade e equilíbrio. textos e leitura joão zarco joaozarco123.gmail,com
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028 A aceitação por joão zarco
A aceitação é o ato de concordar com o que nos acontece. É a atitude de acolher algo sem resistência, permitindo que faça parte da nossa realidade. Aceitar algo não significa concordar, mas estar disposto a lidar com a situação de forma construtiva. A aceitação melhora a forma como lidamos com os desafios, sejam eles conflitos ou etapas de crescimento pessoal. No estoicismo, a aceitação desempenha um papel fundamental na busca da sabedoria. Segundo os ensinamentos estoicos, devemos aceitar as circunstâncias da vida da forma como são, sem resistência à realidade. Isto significa aceitar tanto as coisas boas quanto as más, reconhecendo que apesar de nem sempre podemos controlar os eventos externos, podemos controlar nossa reação. A aceitação, no estoicismo, relaciona-se com a ideia de viver de acordo com a natureza e com a virtude. Ao aceitar o que não podemos mudar, concentramo-nos em agir virtuosamente, em vez de nos determos na preocupação, na raiva ou na tristeza. O termo Amor Fati ou Amor ao Destino foi introduzido pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche que o via como uma atitude de aceitação e apreciação do destino, sem desejar que as coisas fossem de outra maneira. É a ideia de amar e abraçar, não apenas as coisas boas da vida, mas também os desafios e sofrimentos, pois tudo faz parte de um plano maior e devemos amar tudo o que a vida nos traz. O Amor Fati encontrar beleza e significado em todas as experiências, sejam elas positivas ou negativas. Apresenta contentamento perante o que nos é dado, em vez de lamentar o que temos, o que não temos e o que queríamos ter. 2 qual é o papel da aceitação no estoicismo 3 qual é o papel do amor fati de Nietzsche no estoicismo [email protected]
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027 como domar as más ideias por joão zarco
As más ideias são pensamentos prejudiciais, que causam dano a nós mesmos ou aos outros e provocam consequências negativas. Ter más ideias não é necessariamente algo ruim, pois todos temos pensamentos negativos, mas é importante reconhecê-las e substituí-las por ideias positivas. O estoicismo dá prioridade à capacidade de domar as ideias, para obter o controlo das emoções. Só assim se alcança a serenidade e a paz interior. Os pensamentos e as emoções descontroladas levam-nos a agir de maneira impulsiva, prejudicando o bem-estar e a capacidade de tomar decisões racionais. Domar as ideias significa discernir o que é importante do que não é, para nos libertar-nos do domínio das paixões irracionais e viver de acordo com a natureza racional. texto e leitura joão zarco [email protected]
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026 As Diatribes de Epiteto 3 – Como manter o carácter em todas as circunstâncias
Diatribe 1.2 – Como manter o carácter em todas as circunstâncias Para o animal racional só é insuportável o que é irracional. Mas o que é racional é suportável. Por natureza, pancadas não são insuportáveis. Os Lacedemónios suportam ser chicoteados, por aprenderem que isso é racional. Quando alguém achar que é racional enforcar-se, enforca-se. O animal racional é oprimido pelo irracional e atraído pelo racional. Mas o racional e o irracional revelam-se diferentes para cada um, assim como o bem e o mal, o vantajoso e o desvantajoso. Por isso nos devemos instruir, para aprender a aplicar, de modo harmonioso à natureza, a pré-noção do racional e do irracional, às realidades particulares. Para julgar o que é racional e irracional, não nos guiamos somente pelos valores das coisas exteriores, mas também pelos valores das coisas segundo o carácter próprio de cada um. Para um é racional segurar um penico para alguém, apenas porque considera que, se não o segurar, receberá pancadas e não terá alimentos, mas se o segurar, não sofrerá algo duro ou doloroso. Porém, para outro, não só lhe parece insuportável segurá-lo, como também suportar que outro o segure. Se me perguntares “Devo ou não segurar o penico?”, dir-te-ei que é melhor receber alimentos que não os receber e tem menos valor ser castigado que não o ser. Se receber alimento e não ser castigado depende de segurar um objeto, então, vai segurá-lo. – Mas isso não seria próprio do meu caráter. Pois és tu que te conheces, quanto valor tens e por quanto te vendes a ti mesmo. Diferentes seres humanos vendem-se por diferentes preços. Entre a morte e a vida, o que devemos escolher? A vida. Entre o prazer e a dor, o que devemos escolher? O prazer. Tu farás o que é teu, e eu farei o que é meu. É teu condenar-me à morte. É meu morrer sem tremer. É teu condenar-me ao exílio. É meu retirar-me sem me afligir. Alguém indagou a Epiteto: “Como é que cada um percebe o que é apropriado ao seu caráter?” Não é somente quando o leão ataca – disse Epicteto – que o touro percebe a sua constituição natural e se lança em defesa de toda a manada? Não é evidente que, por possuir a constituição natural, está ao mesmo tempo ciente dela? De igual modo, se algum de nós possui tal disposição natural, não a ignorará. Mas o touro não se torna subitamente touro, nem o ser humano se torna subitamente nobre. É preciso passar por um treino de inverno, é preciso ter-se preparado e não se lançar ao acaso sobre coisas que não são adequadas. Delibera ou decide por quanto vendes a tua capacidade de escolha. Homem, se não puderes fazer outra coisa, ao menos não vendas a capacidade de escolha por pouco. Mas talvez as grandes e singulares ações pertençam a outros, a Sócrates e outros tais. – Então se somos assim por natureza, por que nem todos nem muitos se tornam tais? – Por acaso, todos os cavalos se tornam velozes? Todos os cães se tornam farejadores? Se eu for naturalmente sem talento, deverei, por causa disso, pôr de lado o cuidado? De modo algum! Epiteto não será melhor que Sócrates, mas se eu não o for, ser-me-á suficiente não ser pior. Pois não serei Milão e nem por isso descuido do corpo. Pois não serei Creso e nem por isso descuido das posses. Nem deixamos de cuidar de alguma outra coisa por não esperarmos ser os melhores.
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025 As Diatribes de Epiteto 2- possível diálogo entre Epiteto e Zeus
as diatribes de Epiteto, livro I "Se cuidares desta capacidade, do controlo do impulso, refreamento, desejo, repulsa, e nela colocares as tuas coisas, jamais sofrerás entraves, jamais serás impedimento para ti mesmo, não te queixarás, não censurarás nem adularás ninguém. - Estas coisas parecem-te insignificantes, Epiteto? – De modo algum! – E tu te contentas com elas? – Juro pelos Deuses que sim!"
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024 as representações para Epiteto por joão zarco
Para Epiteto, as representações são imagens que criamos na mente sobre as coisas que acontecem. Essas representações não são certas, nem erradas, mas a maneira como vemos e entendemos o mundo ao nosso redor. A forma como lidamos com as representações é crucial para a liberdade emocional e para a capacidade de viver de acordo com a razão e a virtude. Um mesmo acontecimento é suscetível a diferentes representações, dependendo da experiência, perspetiva e natureza de cada indivíduo. ... Para Epiteto, as representações podem ser úteis ou prejudiciais, dependendo de como as interpretamos. ... texto e leitura joão zarco [email protected]
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023 As Diatribes de Epiteto 1 - Entre as demais capacidades nenhuma se contempla a si mesma
as diatribes de Epicteto, livro I
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021 Manual Epiteto - sê fiel a tudo quanto for interdito
manual do epiteto
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020 Manual Epiteto - quando conncederes ao corpo o que ele exige
manual do epiteto
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019 Manual Epiteto - tudo tem duas asas
manual do epiteto
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018 Manual Epiteto - assim como evitas pisar um prego
manual do epiteto
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017 Manual Epiteto - quando uma ideia te irrompe o espírito
manual do epiteto
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