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Ogum Oxossi São Jorge
Oxóssi meu pai caçador, Ogum meu tio guerreiro, São Jorge santo justiceiro, abram meus caminhos! www.marcosasas.wordpress.com
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Juhareiz Correya em Voz Alta
Os olhos do poeta me investigam acima de qualquer suspeita. são olhos fogo acesso fogo morto os ombros magros e firmes suportam o meu peso e de todos os homens do bar das ruas das famílias do meretrício da igreja da prefeitura eu falo mas eu gostaria de saber o que ele deseja que eu diga realmente. Suas mãos afiladas movem-se na mesma cadência dos cubos de rum gelo tilim tilim no copo, o poeta estende-se na minha frente como um campo largo e canta o hino nacional com um sorriso falso, o poeta tem no rosto um céu limpo e me diz: todos esses anos não escondem um país de merda, o balcão do bar é de merda, as mesas do bar são de merda, os homens fedem as ruas fedem as casas os cinemas as intenções fedem e eu sou um rato miserável porque não sei gritar até me arrancarem os pulmões. Alguém passa assoviando o poeta se afoga no copo de rum olhos fogo aceso fogo morto mãos afiladas o tronco as pernas os braços estouram-lhe e o poeta angustiado derruba as paredes do bar, agita o teto do bar para o alto, eu espero um dia alguém se aproximar e dizer, você é poeta? quem foi que disse que você é poeta? que autoridade te reconheceu e te permitiu ser poeta? a que sociedade você pertence? e o poeta não sabe que os poetas são presos e espancados e seviciados e mortos neste lugar inocente. Nem sabe que é mais indesejável que um ladrão vulgar. Nem sabe que preparam sua derrota em uma folha de papel ofício timbrado do governo. Cogumelos gigantes levantam-se dos seus sapatos e a multidão de medíocres não sabe escolher uma admiração com os aplausos preparados para um palhaço sem tomate no nariz de gravata, estampa brilhante na televisão. Nem preciso contar a história, as histórias dos jogadores de futebol que são heróis no meu país alegre, por um gol se faz um herói no meu país alegre! e aqui o poeta espreme um pouco de angústia entre cubos de gelo e se afoga em rum falso sem hino nacional para alegrar as noites do meretrício da igreja quando as casas e os cinemas fecham e os homens fedem Juhareiz Correya
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Minha Medicina é Luta
Normalmente escrevo sobre assuntos outros que não os diretamente relacionados ao meu trabalho. Mas, no fim da faculdade, quando a gente mergulha de cabeça num cotidiano cheio de pessoas em sofrimento, tragédias, pequenos (e grandes) milagres, situações revoltantes e aviltantes, momentos onde se revelam o pior e o melhor dos bichos humanos, foi justamente aí que pari esse poema. Tenho muito carinho por ele, mais até por sua dimensão política que pela estética. É meu grito, meu manifesto ético-político, meu juramento hipocrático particular. Leia o poema em www.marcosasas.wordpress.com
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O ABANDONO (PARTE FINAL) - Manoel de Barros em Voz Alta
Se alguém não conhece Manoel de Barros, saiba que a poesia dele é dessas que fazem alçar voo em revoada os passarinhos pousados na cabeça da suas lembranças. Aos 95 anos, segue com uma constatação que se anuncia em cada sorriso. Ele não teve outra idade; só infância. Para ler o poema, vá no Blog de Asas http://marcosasas.wordpress.com
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A mulher e a casa - João Cabral de Melo Neto
Esse poema tem a sutileza erótica que faz de Cabral um dos gigantes da poesia brasileira. É alguém que caminha entre pedras concretas e compactas. Não usa lápis, usa faca bem afiada. Fala de homens e mulheres sublimes, ainda que tenham pedras na alma.
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Sina de Palavras
Recitar esse poema foi quase uma sina de palavras não ditas. Começava a gravar e o carro da garagem do prédio dava partida. Nova tentativa, e a sorte, comovida fazia passar um avião. Outra e eu gaguejava. Na seguinte, alguém gritava descendo as escadas. Depois de vinte tentativas, consegui fotografar o som do poema em Voz Alta.
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Já vai tarde!
Recitando um poema cheio de anti-romantismo. É o discurso amoroso em que o enamorado, cansado das idealizações e intocabilidades típicas do amor romântico, deseja (e idealiza) outro tipo de amor, que se pega com as mãos.
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O Avesso do Verso
Recitando o poema "O Avesso do Verso": O Avesso do Verso De uma coisa, Mulher Pode ter certeza: De hoje em diante você não volta mais Para a lista dos meus temas. Você não merece poemas. Você, Meu Bem, só merece o avesso do verso. E terás, o meu avesso mais perverso, O meu mais profundo silêncio… marcosasas.wordpress.com
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Mercado de São José
Leitura do poema "Mercado de São José". Esse é um mercado público centenário do Recife, que fica numa parte de comércio antigo da cidade e que ainda hoje é tão cheia de gente que uma imagem das ruas de comércio de Hong Kong ajuda a descrever. Mais poemas no blog: marcosasas.wordpress.com
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Meu amor, me escute!
Recitando o poema "Meu amor, me escute!" em que mais uma vez o sujeito amoroso transita no paradoxo entre silêncio e linguagem.
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Contradição
Mais um poema na série "Asas em Voz Alta", recitado daqui de casa. Esse poema se chama "Contradição", e se dá naquela dimensão dupla da linguagem, em que o que é dito é desdito pelo que se diz. Outros poemas no blog marcosasas.wordpress.com
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Abismo Próprio
Leitura do poema "Abismo Próprio". É um poema curto, quase 140 caracteres, o equivalente a um soneto twiteano de hoje em dia...
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Anjos, Arcanjos e Querubins
Marcos Asas recitando o poema "Anjos, Arcanjos e Querubins", escrito nos distantes idos de 1998, se não me engano. Outros poemas, lá no blog: marcosasas.wordpress.com
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Paulistana I
Marcos Asas recitando o poema "Paulistana I". O nome do poema é referência a cidade de São Paulo, que justamente pela imensa quantidade de gente que veio de outros lugares para morar (como eu), atiça a saudade de casa, das lembranças... esse e outros poemas no blog: marcosasas.wordpress.com
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Da Boca
Marcos Asas recitando o poema "Da Boca". Para lê-lo escrito ou encontrar outros textos, é só acessar o blog marcosasas.wordpress.com
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Avesso
Marcos Asas recitando o poema "Avesso". Mais poemas no blog marcosasas.wordpress.com
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Do Fogo à Borboleta
Marcos Asas recitando o poema "Do Fogo à Borboleta", gravado pelo meu netbook. O som de "tap-tap-tap" ao fundo, que parece o bater de asas é sonoplastia do acaso: o dedo estapeando o touchpad. Mais poemas no blog: marcosasas.wordpress.com
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Do Amor Culinário
Marcos Asas recitando o poema "Do Amor Culinário", já postado no blog marcosasas.wordpress.com
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Dos negativos
Marcos Asas recitando o poema "Dos Negativos", com a trilha sonora do cooler do netbook. Para ler o poema, vá no blog, marcosasas.wordpress.com
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Rio Doce/CDU
Durante exatos 7 anos, padeci desse mal e dessa paixão. Foi entre 1995 e 2001. Nessa época eu morava em Casa Caiada, Olinda e estudava no Colégio de Aplicação da UFPE*, em Recife e precisava cruzar as cidades diariamente para freqüentar o colégio. Era um trajeto de quase 19 km para ir e outros 19 km para voltar, na linha de ônibus 920 chamada de “Rio Doce/CDU”, a única que servia para mim. Aquele ônibus era uma verdadeira praça, uma vitrine do mundo. Tinha de tudo. Passei por dezenas de cenas dignas da literatura universal a bordo desse ônibus. Kafka e suas paranóias, os miseráveis de Victor Hugo, a energia de Rimbaud e a sarjeta de Bukowski, além de outras cenas humorísticas e policiais que talvez sejam contadas um dia. Era uma realmente viagem estafante, mas fantástica. O Rio Doce tinha algo de barco, algo de balsa: a impressão que dava era de que todo mundo que subia, descia no mesmo lugar: a Cidade Universitária (CDU). Em pouco tempo passei a transitar pelos bairros em que o Rio Doce/CDU passava. Era como caminhar pelas margens de um rio. Várzea, Cidade Universitária, Cordeiro, Engenho do Meio, Madalena e Derby, fui de um a outro quase por contiguidade, nas margens da av. Caxangá, pingando pela porta traseira. O poema deve ter sido escrito entre 1997 e 2000, não lembro exatamente.
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Epitáfio para a ONU
Marcos Asas recitando o poema "Epitáfio para a ONU". Esse arquivo de áudio foi gravado enquanto ouvia a fantástica Marcha Fúnebre de Chopin. Infelizmente não sei que orquesta a estava executando. Sei que a encontrei passeando no youtube.
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