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Museu do Falso
by Museu do Falso
O Museu do Falso é um Museu de Território, composto exclusivamente por um acervo proveniente de criadores e agentes contemporâneos, cada trabalhando na sua área directa de especialidade e competência, subordinando as suas criações/contribuições à premissa e conceito de “Simulacro”: E se um determinado evento tivesse ocorrido de modo diverso ao que efectivamente se verificou?
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Ferradura da pata traseira direita do pónei no qual Ibn Harrik (Afonso Henriques) tentou fugir para Marrocos
Após a derrota na batalha de Badajoz, em 1169, que teve como consequência o fim da expansão do nascente Portugal para Leste, Afonso Henriques sofreu um traumatismo, caiu do seu cavalo e foi capturado por Fernando II de Leão (familiar que apesar de tudo pediu com jeitinho as praças “espanholas” entretanto na posse dos portugueses e a promessa de vassalagem futura). O que se encaminhava para ser uma expansão de Afonso e o seu amigo Geraldo “O Sem Pavor” (conquistador de Évora, entre outras façanhas militares), terminou com um Rei a prometer submeter-se ao primo e Geraldo a encaminhar-se para Marrocos, onde ficaria ao serviço dos Senhores que melhor lhe pagassem.Afonso Henriques terá prometido a Fernando II que, assim que pudesse montar novamente a cavalo, iria prestar a devida homenagem e, então sim, afirmar e confirmar a vassalagem que lhe exigiam.Em sequência e estando Afonso Henriques, conhecido entre os muçulmanos por Ibn Harrik, o “cão galego”, ou o “maldito de Alá” – entre outros mimos – a estanciar nas termas de São Pedro do Sul, para ultrapassar as mazelas, recebe continuadas mensagens de Geraldo, provindas de Marrocos, a incentivar a que Afonso se juntasse a ele, em termos que prometiam saque, glória e talvez umas tagines de frango ou carne de caça da melhor.Conta-se que nunca mais foi visto Afonso Henriques a montar a cavalo e que terá sido transportado até ao final da sua vida por “liteira de homens”.Não se deixou inicialmente convencer pelos apelos de Geraldo, mas farto das termas e da hidroginástica, foi de S. Pedro do Sul até Viseu, para matar saudades dos locais em que conversara com o seu amigo, confessor e conselheiro Teotónio (posteriormente S. Teotónio, o primeiro Santo português; e em vida o Prior da Sé de Viseu), num repente de mágua pelo passado, rouba Afonso um pónei – era astuto o Rei e a promessa era de não montar a cavalo! – e encaminha-se, pelos lados da Cava, orientado ao Caramulo, pensando depois dirigir-se a África para se juntar a Geraldo.Ali para os lados de Vil-de-Moinhos, ao cruzar o Pavia, o pónei sucumbiu ao peso e tropeçou, abatendo Afonso com os costados na água, destruindo uma represa e fazendo com o pónei perdesse uma ferradura (após o que fugiu, o pobre animal, entre pragas). Os populares – que passavam sem água à custa da represa e voltaram a tê-la – dirigiram-se ao local do acidente em alegre festa dando graças a S. João Batista. Reconheceram o Rei e perguntaram-lhe o que se passava e para onde ia ele. Terá respondido o Rei que estava a caminho de Marrocos, para visitar a sua tia, mas não Marrocos África, antes o lugar de Marrocos, em Molelos (ao lado de Tondela) e a poucos quilómetros de distância [afinal havia quem dissesse que tinha por ali familiares, na zona de Viseu].Com este acontecimento, não só se criou o hábito de agradecer, em montaria, a S. João, no que são hoje as Cavalhadas de Vil-de-Moinhos, como se deu origem à música popular infantil “Fui visitar a minha Tia a Marrocos…”, de que há versão muito particular, no referido lugar e envolvente de Molelos.Quanto a Geraldo, teve uma carta confiscada por aqueles para quem trabalhava e viu a sua vida abreviada. Afonso que montou um pónei, nunca chegou a ir prestar vassalagem a Fernando II e com trovões e coriscos regressou a pé ao morro da Sé, tendo deitado a ferradura do pónei a um poço que encontrou no caminho – e que agora se inclui no logradouro do n.º81 da Rua do Carmo, em Viseu.https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo029/
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Proto-Thesaurus Anchieta
https://museudofalso.projectopatrimonio.com/audiodescritivos/
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Faixa Arco-Iros, de Rua ou Arquibancada
“Antes de Viseu ser Viseu”, segundo Bernardo Moto (1865), ocorreu um efeito atmosférico e visual similar a um grande, duradouro e intenso Arco-Íris, de muito impacto para a população da região afectada: a região de Viseu, num sentido alargado. Este evento, levou a que, tendo sido encontrado um “tesouro”, se haja configurado a lenda do pote de ouro no fim do arco-íris associando-se essa potencial benesse com um ser de “pequenas dimensões e trejeitos algo malévolos”. Na circunstância de frequentes trocas comerciais entre a região em causa e a Irlanda, em particular no que respeitava a semente de batata, assumiu-se que seria o “Leprechaun” ou Duende dessas paragens.A agitação causada quer pelo fenómeno atmosférico e pelo tesouro encontrado, motivou a criação de celebrações ocasionais que Teixeira Wallenstein (1921) classificou de “próximas a uma seita”, com alargadas romarias sem destino específico ou, mais frequentemente e até muito próximo dos dias de Hoje, a colocação, transporte ou oferta de motivos, pendões, e/ou faixas rememorativas do evento e suas singulares repercussões.Em pleno século XX, aquando da construção do Cinema S. Mateus, o proprietário, bisneto de um ex-Grão-Mordomo da Faixa do Arco-Íris, diz-se ter insistido para que a decoração do dito imóvel contivesse essa ligação gráfica.A faixa que se apresenta é um exemplar das mais típicas “faixas de rua ou arquibancada” utilizadas aquando das celebrações públicas. O último quartel do século XX levou a alguma mudança de paradigmas e socialmente a prática e a convicção a ela associada tinha sempre um cunho negativo por parte da população em geral, o que ocasionou – pensa-se – o seu desaparecimento ou clandestinidade plena, incluindo dos artefactos anteriormente utilizados.https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo014/
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Cartaz "Digressão Universal do Circus Vaccaensis"
Um dos primeiros grandes nomes ligados às artes performativas em Viseu foi, não o de um indivíduo mas o de uma instituição: o Circus Vaccaensis. Fundado no último quartel do século XIX – em data imprecisa – o Circus Vaccaensis era um circo itinerante, procurando especificamente (por questões de controlo de custos) “trautear” as regiões do interior de Portugal e algumas esporádicas incursões a Espanha. É tido como o período da concepção do modelo que adoptarão com grande valor e que, perto da transição para o século XX, lhes trará alguma fama. O número mais reconhecido era o da corrida de pulgas, a par com o espectáculo vaudevilliano “Les Crazy Pulgas” – que dizem ter servido de inspiração ao cabaret parisiense “Le Crazy Horse Saloon”, de 1951.Genericamente podendo ser inserido no grupo de Circos de Aberrações, esse epíteto sempre foi contestado pelos proprietários do CV (inicialmente A. Melo Cunha; 18?-1882) e pelos seus membros, preferindo estes a designação de Associação Mutualista para a Variedade.A grande explosão de popularidade ocorre em 1880 quando, devido a uma epidemia, morre (ou foge, não se viu bem) a totalidade das pulgas, sendo o CV obrigado a recrutar novos números principais. O Homem-Lobo (n.1864-m.1913) estando na trupe há alguns anos consegue fazer valer as suas reivindicações e alcançar um melhor contrato e destaque, mas é com a Mulher Barbuda (n.1820-m.1912 a bordo do Titanic) e com o Beirão (n.1867-m.?) que, em particular para um público além Beiras, o CV se torna uma atracção garantida.A maior e última (por motivos ainda não esclarecidos) tournée, designada Digressão Universal e com o patrocínio do Elixir de Dr. Huxley, teve então (com o formulário indicado supra), início na Primavera de 1881 e durou cerca de 15 anos, pautando-se por regulares aplausos e actuações em 3 continentes.Foi igualmente com a Digressão Universal que o CV iniciou um processo de valorização e aposta na imagem, através de cartazes de design simples mas eficaz e conjugação das cores com o lettering, e a disposição das estrelas na secção central, algo que Hollywood tomará como modelo e premissa. Desses cartazes – frequentemente reutilizados – poucos exemplares são conhecidos e nenhum em bom estado, assumindo-se este em concreto como um portador das marcas do tempo e intervenções casuais.https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo009/
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Aquilino Ribeiro descasca batatas no Presídio do Fontelo
Bernardo Raimundo da Silva sabia da minha avidez pela leitura. Em 1975 ofereceu-me “O Livro da Marianinha”. Era um avô que gostava de se recostar e conversar com tempo. E disse: Tininha, este será o primeiro de muitos.Ao abrir o livro encontrei uma fotografia. Contou-me que, quando era novo, tinha trabalhado no presídio do Fontelo, na terra que o vira nascer. Já nessa época tinha uma grande admiração pelo escritor e quis o destino que se cruzassem por breves dias.A fotografia tinha-a tirado à socapa com a máquina de um amigo. Confiou-ma então, para que me guiasse como símbolo de liberdade. A ditadura havia acabado e vivia o tempo inesquecível dos primeiros anos de um novo país.Só muito mais tarde consegui perceber o verdadeiro alcance desta dádiva. Não fui a tempo de retribuir. Recuperei uma tábua de cozinha, de família, e concebi esta homenagem ao meu avô.https://museudofalso.projectopatrimonio.com/m/catalogo006/
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