O Macaco Elétrico

PODCAST · business

O Macaco Elétrico

Jornalista (preferencialmente digital), educador (preferencialmente digital), trabalhando para tornar o mundo um lugar melhor

  1. 500

    Redes sociais, o Diabo e todos nós

    Duas décadas são suficientes para abalar ícones e demolir modelos de negócios outrora bem-sucedidos, se não forem bem cuidados. A crise da revista “Runway”, retratada em “O Diabo Veste Prada 2”, demonstra didaticamente como ninguém está imune a isso, não importa seu tamanho ou setor. O filme estreou com força nos cinemas, trazendo novamente Meryl Streep, como a impiedosa editora Miranda Priestly, e a idealista Andy Sachs, vivida por Anne Hathaway. O drama da publicação reflete o do jornalismo e escancara um movimento que vem transformando decisivamente a sociedade. Ao longo de 20 anos, a imprensa perdeu sua posição de farol do debate público e, com isso, a polarização se instalou. Não se trata de se ter menos jornalismo. O grande problema da mídia profissional é que ela se desconectou do seu público, algo grave para qualquer negócio, mas mortal para uma atividade cuja própria existência se justifica pela representatividade social. As redes sociais perceberam o vazio formado e o ocuparam de forma avassaladora. As big techs prenderam o jornalismo em uma gaiola e agora, seguindo apenas seus interesses opacos, enterram uma notícia importante para promover uma grande porcaria engajadora. E a inteligência artificial deve agravar esse quadro. Aí reside a grande crise: engana-se redondamente quem pensa que isso é um problema do jornalismo. Esse poder de vida ou morte das plataformas digitais paira sobre as cabeças de todas as pessoas e todas as empresas. Viver em função do gosto constantemente variável dos algoritmos é um erro fatal. Em um primeiro momento, pode fazer sentido, pois as plataformas digitais dão visibilidade àqueles que se submetem a elas. Mas esse fôlego é curto, e todos são jogados ao mar quando não interessam mais às big techs. Estamos perdendo o controle sobre como as pessoas nos veem, e quanto do que fazemos é visto e compreendido corretamente por elas. Neste episódio, amplio estas ideias: confira!

  2. 499

    Como algumas frutas podem exaurir os recursos da IA

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Pouca gente pensa (ou mesmo sabe) o que se gasta de recursos para que a inteligência artificial funcione. É um erro achar que tudo é grátis ou até barato, mas essa percepção e o marketing irresponsável das empresas que desenvolvem essa tecnologia estão criando uma explosão de usos banais da IA, enquanto a maioria das empresas ainda patina na busca por resultados concretos para seus negócios. Alguns acontecimentos nos últimos dias me fizeram pensar mais sobre isso. Na terça, na palestra de abertura da conferência Gartner Data & Analytics, em São Paulo, Sarah James, diretora da consultoria, disse ter uma amiga “que não faz mais nada sem antes consultar a IA”. Na mesma fala, ela mostrou que, apesar de 80% das empresas investirem em projetos de IA, apenas 20% já obtiveram qualquer retorno deles. Em outro caso, a revista “Piauí” trouxe uma crítica à ocupação das redes sociais por conteúdo de baixa qualidade produzido por IA, destacando a popularização de vídeos com frutas antropomorfizadas e sexualizadas. As big techs não se importam com isso, pois se beneficiam financeiramente com essa prática, que gera muitas visualizações. Vemos pessoas dizendo estar apaixonadas ou fazendo terapia com plataformas de IA, usos inadequados de uma tecnologia que agrada seus usuários além do aceitável. Enquanto isso, um artigo de “The Economist” explicou que a IA enfrenta a sua primeira crise, pois fornecedores não conseguem suprir a demanda explosiva de data centers por processadores, memórias, transformadores, painéis elétricos e turbinas a gás. Isso não é um acidente, e sim uma consequência de um modelo de negócios baseado em atenção. Mas esse desalinhamento entre usos tolos e exigências estratosféricas merece uma avaliação econômica e ética sobre se faz sentido consumir tantos recursos para produzir “AI slop”, o “lixo da IA”. Sem moralismos, será que estamos aproveitando bem uma das infraestruturas mais caras já criadas?

  3. 498

    Quem decidirá agora o que você compra

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Estamos diante de uma mudança de paradigma no marketing graças à evolução da inteligência artificial. Se as redes sociais consolidaram a entrega de anúncios específicos para as pessoas que têm grande chance de se interessar por eles, a IA começa a colocar em xeque o próprio conceito de campanha e até de funil de vendas. Com os consumidores usando essas plataformas para atividades cada vez mais diversas, mais cedo ou mais tarde, eles as usariam para pesquisar produtos e serviços que quisessem adquirir. Esse momento chegou: segundo estudo da consultoria Bain & Company, publicado em outubro, 58% dos brasileiros já usam a IA para comparar preços, produtos, vendedores e sites, antes de concluir uma compra. Isso muda o marketing profundamente. Cada vez menos adianta construir “uma mensagem incrível” e empurrá-la para “o cliente certo”, se agora ele conversa com uma plataforma que decide, segundo critérios nada transparentes, o que lhe indicará. O desafio de todas as marcas passa a ser, portanto, como se tornar relevantes não apenas para seus clientes, mas também para algoritmos que passam a intermediar o contato entre empresas e pessoas. E isso não é trivial. Esse assunto foi a espinha dorsal do Adobe Summit, um dos maiores eventos globais de tecnologia, criatividade e experiência do cliente, que aconteceu em Las Vegas (EUA) entre os dias 20 e 22 de abril. Conhecida pelos seus programas gráficos, como Photoshop e Illustrator, a Adobe se posiciona agora com soluções para melhorar o desempenho das empresas nesse “novo marketing”. Não é exagero dizer que parte do orçamento de marketing das companhias está sendo gasta para convencer pessoas que cada vez menos tomam as decisões de compra sozinhas. Pouco vale investir milhões se a IA priorizará concorrentes baseada em critérios que suas diretorias sequer compreendem. A questão é como fazer isso certo. É sobre isso que falo neste episódio.

  4. 497

    Como o medo vende a inteligência artificial

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A indústria da inteligência artificial descobriu que pode explorar o medo para ampliar seu poder e vender mais. No dia 7 de abril, a Anthropic, criadora da plataforma Claude, anunciou que não liberará a nova versão do seu produto para o público, por considerá‑la “poderosa demais” e que “o mundo não estaria preparado para ela”. Mas apesar dessa negativa, isso pode ser ótimo para seus negócios. Batizada de Claude Mythos Preview, a empresa acredita que ela poderia ser usada para explorar vulnerabilidades de sistemas de computador, o que tem feito melhor do que as IAs já lançadas. Por isso, a Anthropic oferecerá o modelo apenas a um consórcio de cerca de 40 empresas de tecnologia, incluindo Google, Microsoft, Apple e Amazon, algumas delas suas concorrentes. A expectativa é que elas o usem para encontrar e corrigir vulnerabilidades de segurança em seus próprios softwares estratégicos. A decisão foi suficiente para causar alvoroço no mercado e reacender medos em torno das possibilidades da IA. De fato, o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, disparou temores nas pessoas que iam desde a substituição em massa de empregos –o que já começa a acontecer– até visões apocalípticas, como indícios de uma possível revolta das máquinas, que levaria ao extermínio da humanidade. Pelo menos nesse último caso, nada aponta que acontecerá, não em um horizonte visível. Mas isso não é trivial e envolve capacidades cognitivas artificiais surpreendentes e um poder computacional assustador, que não param de crescer. Chega a ser contraintuitivo uma empresa anunciar que desenvolveu um produto que, de tão poderoso, representaria um risco à humanidade. Sendo assim, o mais razoável seria simplesmente destruí-lo, o que obviamente não acontecerá. E isso se deve ao fato de que essa ansiedade fabricada é um excelente marketing para algo que acabará chegando ao mercado, depois de legitimado com alguma narrativa redentora. É assim que esse mercado cresce captando bilhões de dólares de investidores. E você, tem medo da IA ou acha isso uma bobagem?

  5. 496

    IA ajuda e prejudica criadores de conteúdo

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial está favorecendo a criatividade, enquanto prejudica os criadores. A economia criativa segue crescendo, mas os criadores estão ficando para trás. Essa é a tensão central do relatório “Re|Shaping Policies for Creativity”, publicado recentemente pela Unesco. Com dados de 133 países, ele alerta sobre uma transformação estrutural acelerada pela digitalização e pela IA, que está redesenhando quem ganha, quem perde e quem controla a produção cultural. Nunca foi tão fácil criar, distribuir e acessar conteúdo. O mercado global de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023. Mas isso vem junto com o aumento da precarização do trabalho criativo. O documento destaca que há pouco emprego estável para criadores, os modelos de remuneração são frágeis e as plataformas digitais concentram valor. Com isso, o órgão projeta uma queda de até 24% na receita dos criadores até 2028, impulsionada pela IA e pelo uso não autorizado de conteúdos. O estudo indica que as redes sociais deixaram de ser espaços de interação para impactar a democracia, o bem-estar e a regulação global. Há uma preocupação crescente com saúde mental, governança das plataformas e desinformação. Nesse sentido, é inevitável pensar em como essas mudanças atingem o jornalismo. Quando se fala em perda de receita, desintermediação e captura de valor por plataformas, é exatamente a crise que o setor vive há duas décadas. Isso se agrava com a IA generativa, pois não só as redações perdem o controle de seu produto, como ele ainda passa a ser reprocessado e reapresentado, sem tráfego para a fonte. A cultura é um ativo econômico relevante. Mas o sistema que a sustenta está deslocando valor dos criadores para intermediários tecnológicos. Temos mais produção e circulação, porém menos remuneração. E esse desequilíbrio corrói um pilar de qualquer sociedade. Como resolver isso? É o que falo neste episódio.

  6. 495

    A IA avança, mas os robôs ainda tropeçam

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Há alguns dias, vi um robô humanoide funcionando em um hospital. Ele cambaleava pelos ambientes, pegava objetos em gavetas e fazia lentamente ações simples, que renderam muitas visualizações. Mas diante desses vídeos, às vezes vendidos como produtos prontos em uso, sempre penso que jamais aceitaria ser atendido por aquilo. E, se fosse gestor do hospital, não gastaria um tostão em tal máquina. Estou muito longe de ser um ludita. Pelo contrário, sou um entusiasta de diferentes formas de tecnologia e pesquisador de inteligência artificial. Mas, talvez justamente por isso, desenvolvi um olhar bastante crítico sobre essas supostas “operações”. É um fato que as versões mais recentes de robôs humanoides fazem movimentos incríveis, como se fossem pessoas. Muitos aparecem “trabalhando” em empresas, em atividades diversas. Isso desperta grande entusiasmo em parte do público, como se a ficção científica estivesse se materializando diante de nossos olhos. Mas a verdade nua e crua é que isso não passa de propaganda. Ironicamente, a inteligência artificial que controla essas máquinas avança de maneira galopante, mas seus corpos ainda se comportam como brinquedos caros e limitados. Esses robôs funcionam bem em ambientes extremamente controlados, com tarefas previsíveis. Mas o mundo insiste em ser caótico e inesperado. Além disso, os sentidos de uma criança superam largamente os sensores de qualquer robô, permitindo que ela se adapte a situações simplórias cotidianas em que a máquina não sabe o que fazer. Se há algo que podemos tirar disso é que, apesar de a robótica e principalmente a IA estarem cada vez mais incríveis, há coisas que elas não conseguem fazer, pelo menos ainda. Mas principalmente há aquilo que elas não devem fazer, mesmo sendo capazes. E isso tem a ver com como posicionamos a nossa humanidade nesse cenário. Então, onde robôs humanoides serão realmente úteis? E quando eles ficarão confiáveis de verdade? É sobre isso que falo neste episódio.

  7. 494

    O julgamento que pode redefinir as redes sociais

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Um julgamento histórico desafiou o modelo de negócios das redes sociais, e isso pode mudar tudo! A decisão do Tribunal Superior da Califórnia pode mudar decisivamente a maneira como usamos as redes sociais e até como elas são construídas. Depois de deliberar por uma semana, o júri concluiu na quarta passada que Facebook, Instagram e YouTube viciam seus usuários e que provocaram problemas de saúde mental em uma jovem. A decisão do julgamento, iniciado no dia 17 de fevereiro, pode ser considerada histórica, pois ela não se baseou no conteúdo publicado nessas plataformas, e sim nos seus algoritmos e no seu design, considerados nocivos por manter online as pessoas de maneira artificial e deliberada. Isso cria um precedente para os cerca de 2.000 outros processos semelhantes que estão ativos nos EUA. KGM, hoje com 20 anos, processou a Meta, o YouTube, o Snapchat e o TikTok em 2023. Ela começou a usar as redes sociais aos 6 anos e alegou que os sites causaram danos pessoais, incluindo dismorfia corporal e pensamentos suicidas. O Snapchat e o TikTok fizeram acordos antes do julgamento, mas a Meta e o YouTube prosseguiram com o processo, pois afirmam ser muito difícil provar que redes sociais causam dependência e danos pessoais. Com a decisão, a Meta (dona do Facebook e do Instagram) e o Google (dono do YouTube) devem pagar US$ 3 milhões em indenização, com a primeira sendo responsável por 70% do valor. As empresas disseram que vão recorrer. Foi a primeira vez que o júri de um caso como esse teve acesso a documentos internos das big techs e ouviu depoimentos de seus principais executivos, incluindo Mark Zuckerberg, CEO da Meta. Essa confrontação exibiu um posicionamento que chega a ser cínico dessas empresas. Elas têm consciência dos danos, não fazem tudo que podem para mitigá-los, mas afirmam ser preocupadas com seus usuários. Agora resta saber como essa exposição determinará o futuro dessas plataformas. É isso que eu explico neste episódio.

  8. 493

    Amor em tempos de inteligência artificial

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Em um mundo de relacionamentos banalizados, você acredita que aplicativos de namoro ainda podem encontrar a “pessoa certa”? No dia 12, o Tinder anunciou novos recursos com inteligência artificial para tentar corrigir um problema que ele ajudou a criar. Seu excesso de escolha transformou a busca por sexo e por amor em um exercício de fadiga. A promessa agora é trocar o malfadado “cardápio de gente” pela “curadoria de relacionamentos”. Resta saber se a IA terá sucesso onde os algoritmos tradicionais vêm falhando miseravelmente. O uso da tecnologia para encontrar o par perfeito não é novo. Há três décadas, esses sistemas evoluem de formulários de características simples, como idade, religião e hobbies, para plataformas que cruzam dados, comportamento e preferências. As versões recentes tentam inferir e combinar padrões invisíveis ao próprio usuário, tornando-se, para muitos, o principal, se não o único, caminho para conhecer alguém. Mas tanta “eficiência” tem cobrado um preço alto na saúde mental e na qualidade dos vínculos. Vemos uma distorção sistemática dos relacionamentos, resultando em laços extremamente frágeis e no fenômeno do “dating burnout”. Essa exaustão, derivada da esperança de que o próximo perfil será ligeiramente melhor, gera solidão, ansiedade e baixa autoestima. As pessoas nunca estiveram tão conectadas, mas raramente se sentiram tão sozinhas diante de uma lista infinita de opções descartáveis. Se o amor nunca foi tão “mensurável”, tampouco foi tão instável. A dúvida é se a inteligência artificial pode, de fato, aproximar pessoas reais para relações saudáveis, ou apenas tornará mais eficiente um sistema que já vem sendo considerado falido pelos próprios usuários, pela pretensa “otimização” que corrói o investimento emocional necessário para relacionamentos de longo prazo. Como você tem conhecido pessoas ultimamente? Isso vale para relacionamentos pessoais e profissionais. Será que os algoritmos estão ocupando espaços grandes demais nisso?

  9. 492

    Como a IA pode ajudar a educação

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 As escolas começam a se organizar para um uso pedagógico da inteligência artificial, e essas medidas podem servir para todos nós. Além das transformações intensas por toda a economia, a IA está transformando a maneira como falamos e até pensamos. Por isso, temos que buscar um uso consciente e construtivo dela. Esse cuidado se torna crítico na educação, justamente onde desenvolvemos valores, novas habilidades e formamos cidadãos. Nesse quadro, o Referencial para o Uso e Desenvolvimento Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação, publicado na quinta passada pelo Ministério da Educação, é muito bem-vindo. O documento orienta educadores e instituições e oferece diretrizes para políticas públicas sobre como fazer bons usos dessa tecnologia nas escolas da educação infantil à pós-graduação. Criar um arcabouço de propostas com essa complexidade leva tempo, mas professores e alunos já usam a IA generativa há anos. Infelizmente, por falta de orientação, muitos deles não aproveitam tudo que a tecnologia oferece ou fazem até usos questionáveis dela. Isso não é exclusivo da educação. Pelo contrário, vemos adoções inadequadas dessa tecnologia em todos os setores. A rapidez da sua evolução supera nossa capacidade de compreender o que cada mudança representa. Além disso, nunca algo havia invadido nossos sagrados campos da cognição e da criatividade. Assim, embora seja voltado à educação, a proposta do MEC explicita princípios que podem, com adaptações, orientar outros setores no uso de IA. Ela enfatiza supervisão humana efetiva, transparência e explicabilidade dos sistemas, proteção rigorosa de dados pessoais, avaliação de impacto algorítmico, promoção de equidade e inclusão e soberania tecnológica. Dessa forma, suas diretrizes têm potencial de inspirar políticas públicas e práticas organizacionais muito além do ambiente educacional. Nesse episódio, eu explico com isso funciona. E você, acha que está usando bem a IA no seu cotidiano?

  10. 491

    Como a IA afeta a redução do trabalho

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial nos fará mesmo trabalhar menos? Na esteira dos debates sobre a extinção da jornada de trabalho 6x1, alçada pelo governo como sua principal bandeira neste ano eleitoral, reportagens publicadas no fim de fevereiro na Veja e na Folha provocaram indignação de parte do público. Os textos transpareciam ideias de que o brasileiro já trabalha pouco, não é suficientemente esforçado e que o descanso semanal é um custo. No centro da polêmica, está o conceito de “produtividade”. E, de fato, geramos muito menos riqueza por hora trabalhada do que profissionais de nações desenvolvidas. O problema se agrava quando, diante dos números, as análises incorporam moralismo, como se isso fosse um traço da cultura brasileira, e catastrofismo, que sugere que melhorar as condições de vida das pessoas levaria a economia a um colapso. Correndo por fora, a IA surge como uma força que magicamente melhoraria a nossa produtividade. Economistas e empresários, com destaque para Bill Gates, argumentam que os ganhos trazidos por essa tecnologia poderiam viabilizar semanas com quatro e até três dias de trabalho apenas. A redução da jornada de trabalho é um tema naturalmente popular, mas que não permite leituras apressadas ou populistas de nenhum lado. E a inteligência artificial, a despeito de todo o seu poder, não muda nada quando o debate já nasce enviesado. É preciso abandonar as promessas fáceis, as acusações e as ameaças para entender como aumentar nossa produtividade, como a tecnologia pode nos ajudar nisso e o que mais precisa ser feito para sairmos dessa histórica situação trabalhista subalterna. Essa tecnologia pode ser, sim, uma importante aliada em qualquer caminho que escolhamos. Mas nada virá automaticamente. É sobre isso que falo nesse episódio.

  11. 490

    Trump ameaça Anthropic por ser ética

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Por que Trump decidiu banir a criadora da plataforma de IA Claude? Na semana passada, neste mesmo espaço, abordei em artigo como a militarização da inteligência artificial pode se tornar um severo risco existencial para a humanidade, especialmente em cenários em que limites éticos no desenvolvimento e uso dessa tecnologia sejam desrespeitados. Pois bem, na sexta passada, Donald Trump, resolveu banir a Anthropic de qualquer contrato com o governo, justamente por ela insistir nesses cuidados. Ironicamente, o Claude, plataforma de IA da Anthropic, era, até então, a única classificada como segura para aplicações em redes secretas de militares nos EUA. Agora eles exigem essa tecnologia para “qualquer finalidade legal”. Isso inclui a vigilância em massa de cidadãos e seu uso em armas letais totalmente autônomas. Foi quando o CEO da empresa, Dario Amodei, não concordou. Outras empresas, aparentemente com menos escrúpulos, ocuparam o espaço da Anthropic assim que Trump a escorraçou. A primeira foi a xAI, criadora do Grok, seguida de perto pela OpenAI, dona do ChatGPT. Vale dizer que a Anthropic nasceu quando Amodei e outros pesquisadores se demitiram da OpenAI em 2021 por discordarem da redução na segurança. Um funcionário do governo disse ao jornal Financial Times que o Claude continua sendo o melhor modelo para uso militar, e que cortá-lo imediatamente prejudicaria as operações. De fato, apesar das ameaças e dos insultos de Trump, a transição deve durar seis meses, período em que um acordo ainda pode ser feito. Não se trata de um problema pontual entre uma empresa e militares, ou de mais um arroubo autoritário de Trump. As exigências são profundamente antidemocráticas. Se isso for adiante, criará um Estado autoritário sem precedentes, que violará liberdades fundamentais de cidadãos do mundo todo. E as big techs serão cúmplices. Nesse episódio, eu explico tudo que está por trás dessa crise e como isso afeta você. #InteligênciaArtificial #Anthropic #segurança #ética #democracia #PauloSilvestre

  12. 489

    Egos e incoerência no caminho da superinteligência

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O caminho para a superinteligência artificial está tomado de egos inflados e incoerências. Na quinta, durante a Cúpula de Impacto da IA em Nova Délhi, Sam Altman, CEO da OpenAI, e Dario Amodei, CEO da Anthropic, se recusaram a dar as mãos para uma foto ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Seria uma bobagem, se eles não liderassem as empresas criadoras do ChatGPT e do Claude, duas das principais plataformas de IA do mundo. O gesto explicita a corrida insana pela superinteligência artificial, um cenário hipotético em que as máquinas teriam ampla autonomia operacional e seriam melhores que os seres humanos em quase todas as tarefas cognitivas. Quem chegar lá primeiro assumirá uma inigualável liderança econômica e política. Mas há sérios riscos que não podem ser ignorados nesse desenvolvimento. De certa forma, essa concorrência desmedida contraria o que diz o documento final da cúpula indiana, que prega que “a promessa da IA só se realiza plenamente quando seus benefícios são compartilhados por toda a humanidade”. Mas vozes dissonantes nas próprias organizações afirmam que, para vencer essa disputa, empresas e governos estão perigosamente abandonando a ética e a segurança. Isso vem provocando reações. Mustafa Suleyman, CEO da unidade de IA da Microsoft, fala de uma “superinteligência humanista”. Enquanto isso, mais de 135 mil pessoas, incluindo alguns dos principais pesquisadores da IA do mundo, já assinaram uma declaração que propõe o fim dessa corrida. No Brasil, o manifesto ContAIn Now sugere financiar uma infraestrutura de governança que torne a contenção da IA mais rentável do que a imprudência. Como diz o ditado, “onde há fumaça, há fogo”. O encontro na Índia deixou claro os descomunais interesses, os conflitos, as possibilidades e os riscos em torno da IA. Diante de tudo isso, não podemos ser ingênuos ou catastrofistas se quisermos buscar soluções verdadeiramente sustentáveis. Então, no que devemos prestar atenção e como devemos nos comportar? É sobre isso falo nesse episódio.

  13. 488

    Parem de dizer que a Geração Z é menos inteligente

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 No dia 15 de janeiro, o neurocientista Jared Horvath declarou no Senado americano que “nossos filhos são cognitivamente menos capazes do que nós éramos na idade deles”. A frase inundou as redes sociais, atropelando o debate acadêmico e sendo ampliada para afirmações mais alarmistas, como a de que “a Geração Z seria a primeira geração menos inteligente do que a anterior”. Os senadores americanos investigam o impacto da tecnologia no desenvolvimento dos jovens. Horvath defende firmemente que a tecnologia digital prejudica o aprendizado nas escolas. Mas ele mesmo explica que isso não pode ser confundido com menos inteligência. Como pesquisador, defendo a tecnologia como uma ferramenta capaz de ampliar nossa capacidade de pensar, mas isso só acontece se for conscientemente usada com esse propósito, o que acontece pouco. Ao mesmo tempo, apoio a restrição de telas na escola a atividades estritamente acadêmicas e sob orientação de professores. O problema se agrava quando os jovens usam esses recursos fora da escola, pois normalmente fazem isso sem orientação e até supervisão de um adulto capacitado. Isso conversa com as recentes proibições de redes sociais a crianças e adolescentes na Austrália e na França, podem ser replicadas na Espanha, Dinamarca, Alemanha e Reino Unido. No Brasil, o ECA Digital começa a valer em 18 de março, restringindo o uso de redes sociais por menores, mas sem barrar as plataformas. Dizer simplesmente que os jovens são menos inteligentes que seus pais é como fogo em mato seco nas redes sociais. Mas essa informação, além de imprecisa, contamina um debate já muito polarizado entre pais, educadores e as big techs. Não se podem negar os gravíssimos impactos do meio digital em crianças e adolescentes, que vão muito além da educação, mas soluções eficientes exigem equilíbrio e racionalidade. É sobre isso que falo nesse episódio. E você, como vê essas diferenças cognitivas e comportamentais entre gerações? Você acha que a tecnologia digital impacta a aprendizagem de maneira mais positiva ou negativa?

  14. 487

    Moltbook explica nossos limites diante da IA

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como uma rede social sem humanos está revelando nossos limites diante da inteligência artificial? Nos últimos dias, grandes veículos de comunicação e a Internet foram tomados pelo frenesi em torno do Moltbook, uma rede social com a inusitada característica de que apenas agentes de IA participam, enquanto os humanos podem, no máximo, se tornar voyeurs do que os robôs lá publicam. Porém, a maioria do que as pessoas estão dizendo sobre esse caso demonstra o quanto ainda entendemos pouco da IA e como nossos medos desse desconhecimento podem capturar nossa atenção. Os mais apocalípticos veem nessa improvável plataforma o “despertar das máquinas” que em breve nos exterminarão, enquanto outras pessoas a desdenham como um modismo desimportante. Há ainda aqueles que a acham genial. Se você ainda não sabe do que se trata, o Moltbook é uma rede social lançada em 28 de janeiro em que apenas agentes de IA podem publicar e interagir. Pessoas limitam-se a ler o que as máquinas fizerem. Neste momento, há 1,8 milhão desses sistemas cadastrados nela, que já criaram mais de 300 mil posts e 12 milhões de comentários. O fenômeno do Moltbook deveria servir para que aprendamos mais sobre o funcionamento, limites e possibilidades da IA. Não para nos protegermos de uma improvável “revolta dos robôs”, mas para entendermos que, ao entregarmos crescentemente informações a sistemas que não compreendemos e ao delegarmos a eles decisões sofisticadas e prosaicas, abrimos mão do mais nobre de nossa humanidade. Isso pode nos causar um prejuízo irreparável. Ao longo de milhões de anos, assumimos o controle do planeta ao raciocinarmos e decidirmos. Agora, a despeito de sua inegável capacidade, entregamos, por preguiça, insegurança ou ganância, esse nosso diferencial a máquinas estatísticas que parecem inteligentes. Então como aprender com o Moltbook? É sobre isso que falo neste episódio.

  15. 486

    Celulares, IA e redes sociais na volta às aulas

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como a inteligência artificial avança nas escolas antes do debate sobre segurança dos jovens amadurecer? No início do ano letivo de 2025, a grande novidade foi a proibição de celulares nas escolas mesmo em intervalos. Agora, com as aulas deste ano prestes a começar, cresce a preocupação sobre a influência das redes sociais e até da IA na formação de crianças e adolescentes. A discussão floresce em vários países. A Austrália baniu, em dezembro, as redes sociais para menores de 16 anos em qualquer ambiente, depois de um longo debate. Leis semelhantes estão sendo discutidas na França, Dinamarca, Reino Unido e Nova Zelândia. No caso da IA, o think tank americano Centro para Educação Universal da Brookings Institution acaba de divulgar um estudo que indica que os riscos do uso da IA na educação de crianças e jovens superam seus benefícios. Segundo ele, a dependência excessiva dessa tecnologia pode afetar a capacidade dos estudantes de aprender, seu bem-estar social e emocional, suas relações de confiança com professores e colegas, bem como sua segurança e privacidade. No Brasil, o Insper e a ESPM, duas das principais faculdades particulares do país, começaram 2026 proibindo dispositivos eletrônicos nas aulas de graduação, exceto em atividades acadêmicas. Na primeira, notebooks e tablets ainda são tolerados; na ESPM, nem isso. A justificativa é a grande queda no aprendizado devido à distração causada por esses aparelhos. Essas iniciativas indicam sociedades incapazes de enfrentar os evidentes problemas que as tecnologias digitais criam na formação dos mais jovens. Mas esses recursos digitais continuam vitimando crianças e adolescentes fora da escola. Diante de uma cínica falta de colaboração das empresas que criam essas plataformas, as restrições acabam sendo necessárias, pois o problema continua existindo em qualquer tela. Qual é o nosso papel para melhorar esse debate e a segurança dos mais jovens? É sobre isso que falo nesse episódio.

  16. 485

    Passou da hora de influenciadores se profissionalizarem

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O mercado de influenciadores pode estar diante de um sopro de seriedade. A ocupação cresce vertiginosamente há anos, graças à falsa ideia de que, para se tornar famoso e rico, basta ligar a câmera do celular e falar, mesmo não tendo qualquer preparo para tal. Agora isso pode mudar. Vários países, inclusive o Brasil, estão criando leis para disciplinar, em maior ou menor escala, a atividade dos criadores de conteúdo digital. Pelo menos em tese, isso oferece algumas garantias a esses profissionais, assim como diminui práticas condenáveis, incluindo a desinformação (consciente ou não). Essas regras ficam ainda mais importantes em tempos de inteligência artificial generativa. Graças a ela, pessoas sem qualquer conhecimento sobre determinado assunto conseguem produzir conteúdo que parece verdadeiro, mas que pode estar completamente errado. Como não são capazes de avaliar a produção da IA, passam a bobagem adiante, que pode ganhar grande escala e afetar decisivamente o público. A OpenAI, criadora do ChatGPT, está atenta a isso. Desde novembro, ele oficialmente não oferece mais “aconselhamento” jurídico, financeiro ou sobre saúde, passando a se comportar menos como um “consultor” e mais como uma “ferramenta educacional”. Segundo um estudo da organização de saúde americana KFF, 17% dos americanos adultos usam a IA todos os meses para informações sobre saúde (25% se tiverem menos de 30 anos), mas 56% deles não têm certeza se a informação é correta. Por isso, a mudança no ChatGPT visa evitar processos por informações erradas, mas ela impacta diretamente aqueles que usam o serviço para criar seus conteúdos digitais. Influenciadores têm um papel central em como as pessoas se informam hoje, mas muitos seguidamente demonstram despreparo e até falhas éticas graves. Por isso, as novas regras são muito bem-vindas para profissionalizar essa atividade. Resta saber se elas funcionarão e melhorarão o que vemos nas redes sociais. É sobre isso que falo nesse episódio.

  17. 484

    Revolta infantil no Roblox expõe falhas de segurança

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O Roblox está em pé de guerra, mas os motivos não são óbvios, nem para quem protesta. Ele é uma das plataformas de jogos mais populares entre crianças no mundo, com 151 milhões de usuários, a maioria abaixo dos 13 anos. Nas últimas semanas, implantou restrições em seu chat e exigiu verificação facial para tentar proteger seus usuários contra predadores digitais. Mas ironicamente essas medidas de segurança despertaram uma revolta visceral nas crianças, como se a proteção fosse uma afronta à sua liberdade de brincar, com protestos no próprio ambiente. Longe de se limitar a um problema em um jogo, isso reflete dilemas de uma sociedade conectada. Casos trágicos, como o suicídio do jovem americano Ethan Dallas após sofrer extorsão iniciada no Roblox, mostram que as consequências do que ocorre nesses ambientes virtuais transbordam, muitas vezes de forma irreversível, para o mundo físico e para a estrutura familiar. Os protestos parecem espontâneos, mas a forma coordenada como surgiram, com cartazes cheios de erros exagerados de grafia e linguagem infantil, levanta dúvidas. Não se pode descartar a hipótese de que adultos mal-intencionados, que se beneficiam da falta de regulação, estejam manipulando os menores para manter o acesso facilitado. Embora as mudanças pareçam robustas na teoria, a eficácia dessas barreiras é questionável diante da criatividade humana para burlar regras. A tecnologia, por mais avançada que seja, frequentemente corre atrás do prejuízo, tentando remediar problemas que o próprio design da plataforma permitiu. Resta a dúvida se tais ações vieram para resolver um problema estrutural ou apenas como uma resposta paliativa para conter uma crise de reputação. O fenômeno observado no Roblox é um microcosmo do que acontece em diversas redes sociais, no qual empresas aplicam correções superficiais para aplacar a opinião pública, enquanto a arquitetura que permite o risco permanece intacta e lucrativa. Neste episódio, tento trazer um pouco de luz a essa confusão.

  18. 483

    Como vencer a desinformação e o ódio nas redes

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Este ano eleitoral mal começou e alguns acontecimentos já deixaram claro que a combinação de inteligência artificial, redes sociais, oportunismo e mau-caratismo enterraram a verdade em um bloco de concreto que o cidadão comum não consegue romper. Nesse cenário, o jornalismo surge como o contraponto urgente, e, por isso mesmo, sofre ataques de quem se beneficia da enorme mentirada. O primeiro caso veio com a prisão de Nicolás Maduro, que desembarcou em Nova York usando um agasalho de uma famosa marca americana, que inundou as redes sociais com a foto do ditador venezuelano usando o seu produto. Até aí, é o marketing sendo marketing. Mas não se pode ignorar como isso capturou o debate digital com uma mensagem do tipo “preferida até pelos criminosos”. E houve ainda as incontáveis imagens falsas dessa prisão geradas por IA, aumentando a desinformação. Pior que isso foi o recente ataque orquestrado nas mesmas redes sociais contra o Banco Central e autoridades financeiras envolvidas com a liquidação do Banco Master. Até perfis de fofoca tentaram tirar a legitimidade de uma ação bem-feita. Há ainda as agressões contra a jornalista Malu Gaspar, de “O Globo”, por realizar seu trabalho jornalístico, ao apresentar fatos suspeitos envolvendo um ministro do STF e sua esposa com o mesmo banco. Esses atentados se enquadram em três categorias ou na combinação livre entre elas: desconhecimento do trabalho jornalístico, manipulação das massas ou má-fé de interessados no caso. Qualquer que seja o motivo e diante do enorme barulho que esses temas estão criando, é preciso esclarecer como funciona o jornalismo e por que ele se torna, cada vez mais, essencial para a sociedade, especialmente com a proximidade das eleições. Você se sente preparado para enfrentar a enxurrada de fake news que será jogada sobre todos nós neste ano? E entende como o jornalismo profissional pode ajudar você? É sobre isso que falo nesse episódio.

  19. 482

    Em 2026, a IA decidirá mais por você

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Neste ano que está começando, a inteligência artificial continuará no trono da tecnologia, mas seu reinado será muito diferente do que vimos até agora. Se nos últimos anos, ela impressionou por gerar textos, imagens e códigos, agora o debate se deslocará para a automação de decisões, a delegação de tarefas cognitivas e a reorganização do poder dentro das empresas e da sociedade, algo muito mais sensível. Essa é a conclusão de conversas que tive com executivos de quatro das principais empresas de tecnologia que operam no Brasil. Essas lideranças apontam para um horizonte em que a “IA agêntica” não será mais uma novidade, mas um motor central de estratégias corporativas. A automação não mais se restringirá a tarefas repetitivas, passando a assumir processos cognitivos de julgamento e orquestração. A pressão por produtividade não diminuiu, os custos de operação aumentaram e a paciência com experimentos sem retorno se esgotou. A evolução dos processadores especializados, a pressão por eficiência energética e a necessidade urgente de governança real sustentam essa visão. Por isso, as empresas buscam sistemas menores, mais inteligentes e capazes de operar dentro de casa, garantindo segurança e conformidade com leis cada vez mais rígidas. Embora estejamos falando de tecnologia, o impacto na vida das pessoas e na rotina das empresas será profundo e, por vezes, invisível. Quando um sistema decide sozinho se concede um empréstimo, aprova um tratamento médico ou freia um carro autônomo, ele desloca o eixo da responsabilidade humana. Passamos a delegar à IA o julgamento moral e a capacidade de agir no mundo físico. Isso nos coloca diante de um dilema que ultrapassa a engenharia e entra no campo da ética e da política. A pergunta que definirá 2026 não será, portanto, se esses sistemas serão eficientes, mas quem responderá quando eles inevitavelmente errarem. Como nos preparar para tais desafios? É sobre isso que falo nesse episódio.

  20. 481

    O ano em que a IA deu lucro

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Em 2025, a inteligência artificial saiu do palco e entrou no balanço das empresas. Se 2023 foi o ano do espanto com ela e 2024 marcou a democratização do acesso a essa tecnologia, 2025 foi aquele em que ela deixou de ser uma “atração de circo”, capaz de criar poemas ou imagens divertidas, para se tornar uma ferramenta de trabalho séria, cobrada por eficiência, escala e resultados financeiros. A “mágica” foi substituída pelo início do retorno sobre os investimentos. O mercado termina o ano com essa ideia consolidada, conforme me disseram, há alguns dias, executivos de algumas das principais empresas de tecnologia que operam no Brasil, todas diretamente envolvidas na construção da infraestrutura digital que sustenta empresas, governos e serviços críticos no país. As corporações perceberam que ferramentas genéricas, como o ChatGPT, eram interessantes, mas insuficientes para resolver dores complexas de negócios. Foi necessário organizar dados e adotar sistemas que não apenas “falassem”, mas que “fizessem”. A busca por eficiência operacional em um cenário econômico desafiador empurrou a IA para dentro das engrenagens vitais das companhias, saindo dos laboratórios de inovação para o chão de fábrica e os departamentos financeiros. No início de 2025, a aposta era de que a IA começaria a entregar resultados, o que, de fato, vem se confirmando. Agentes especializados ganharam espaço, a integração ao dia a dia avançou e o discurso ficou mais sóbrio. O que não aconteceu com a mesma velocidade foi a maturidade dos dados e a simplificação da adoção, ainda travadas por legados e decisões mal resolvidas do passado. Contudo, ao integrar a inteligência artificial nos processos de decisão, as companhias descobriram que a tecnologia é a parte fácil do processo. O mais difícil acaba recaindo na cultura empresarial e na responsabilidade de delegar escolhas a uma máquina. Isso exige de nós ética, para não perdemos o controle dos rumos de nossas vidas. Mas será que pessoas e empresas prestarão atenção a isso em 2026? É sobre isso que falo nesse episódio.

  21. 480

    Como nos proteger da máquina de desinformação

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como nos proteger da máquina de desinformação que a IA se tornou? Estamos com 2026 batendo às nossas portas, ano de Copa do Mundo e de eleições, inclusive presidenciais. Como acontece de maneira crescente desde 2018, essa campanha será fortemente influenciada pela desinformação nas redes sociais, agora potencializada pela IA. Infelizmente, ela mesma, que nos oferece recursos incríveis, também se presta àqueles que se beneficiam de uma população ignorante e contaminada por fake news. Nossa capacidade de nos mantermos bem-informados sofre dupla ameaça: a de conteúdos propositalmente falsos, porém mais críveis, e a de fontes pouco confiáveis capturando crescentemente a nossa atenção. Nesse caldo, surgem pretensos “veículos de comunicação” totalmente criados por inteligência artificial, dispensando a ação de jornalistas ou de qualquer ser humano. Eles propõem que, ao delegar para a máquina a escolha dos assuntos e a produção dos conteúdos, seriam livres dos vieses que toda pessoa carrega e, por isso, mais confiáveis e relevantes que os veículos jornalísticos profissionais. Para uma mente desavisada, isso pode parecer uma grande ideia. Infelizmente, ela, por si só, é falsa de diferentes formas. Por isso, penso que os criadores dessas plataformas são, no melhor dos casos, inocentes ou ignorantes e, no pior, intelectualmente muito desonestos. Qualquer que seja a situação, suas propostas enfraquecem o jornalismo e tornam a população ainda mais suscetível à manipulação de grupos de poder, algo que se torna mais perigoso em ano de eleições. Vale observar que, quanto mais poderosa se torna a inteligência artificial, mais importante fica a nossa humanidade, para preservarmos o nosso protagonismo na sociedade. Ao abrirmos mão de nosso senso crítico, corremos o risco de sermos dominados pelas máquinas e –o que é pior– por pessoas que aprenderam a usá-las para impor seus interesses. E infelizmente é o que está acontecendo. Então como nos proteger disso tudo? É disso que falo nesse episódio.

  22. 479

    “Ética líquida” ameaça a nossa evolução

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Por que, em vez de ajudarmos a inteligência artificial a ficar moralmente responsável, seus algoritmos estão tornando nossa ética “líquida”? Em meio a tantas discussões sobre o avanço cognitivo da IA, sobre como ela está transformando o trabalho e os negócios, e até como ela parece ser capaz de nos substituir em qualquer coisa, a ética se sobressai como algo que ainda nos separa das máquinas. Por mais que a IA até simule convincentemente emoções, ela não as sente de fato. A ética fica ainda mais distante dessa tecnologia. O problema é que, de uma década para cá, com as redes sociais, e mais acentuadamente agora, com a IA, cresce o número de pessoas que vivem sob o que chamo de “ética líquida”, que se flexibiliza e até desaparece para atingir objetivos pessoais. Se perdermos a nossa ética, abriremos mão daquele que é nosso maior diferencial frente às máquinas. Nesta sexta, debati sobre isso com meu ex-professor de ética, o jornalista e escritor Jorge Tarquini. Em um encontro mais rico que qualquer conversa com uma plataforma de IA, analisamos essas transformações que o mundo digital promove em todos nós, em maior ou menor escala, e como isso pode criar problemas bem reais na sociedade. Isso não pode ser um detalhe em nossas vidas. Nenhuma sociedade avança sem ética, ou as pessoas partiriam rumo à anarquia ou à bestialidade. Infelizmente, vemos o crescimento de ambos no nosso cotidiano, desembocando em violência, intolerância e egoísmo. A IA pode nos ajudar muito pela sua execução eficiente. Mas não podemos nos comportar como ela, sob o risco de matarmos nossa humanidade. Então como podemos controlar a IA sem que ela nos controle? É sobre isso que falo nesse episódio.

  23. 478

    Austrália proíbe redes sociais a menores de 16 anos

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Por que a proibição australiana de redes sociais a menores expõe a fragilidade de toda a sociedade diante das big techs? Nesta quarta (10), começa a valer a lei australiana que proíbe que pessoas com menos de 16 anos acessem qualquer rede social. Extremista para alguns, inócua para outros, vejo essa medida como um movimento desesperado de uma sociedade que não sabe mais como lidar com os notórios males que essas plataformas causam às pessoas, especialmente os mais jovens. Diante do cinismo e da falta de colaboração das big techs, a Austrália decidiu “cortar o mal pela raiz”. Enquanto isso, a Europa é pressionada pelo governo americano para afrouxar suas leis que protegem cidadãos contra abusos dessas companhias. A iniciativa australiana pode assim definir um novo marco civilizatório contra um grave problema que afeta todos os países, mas cujos governos repetidamente falham em encontrar soluções. Ao contrário do que muitos dizem, não se trata de “perseguição” a essas empresas. Há apenas alguns dias, por exemplo, documentos de um processo judicial nos Estados Unidos revelaram a postura da Meta diante dos resultados de um estudo interno. Segundo ele, adolescentes que ficaram uma semana sem Facebook relataram menos depressão, ansiedade e solidão. Mas em vez de publicar os resultados e buscar soluções, a empresa enterrou o estudo, alegando falhas metodológicas. Nada disso é isolado. Apesar dos benefícios que essas plataformas também nos oferecem, é inegável que elas distorcem relacionamentos. Tanto que as “palavras do ano” recentemente escolhidas pelos prestigiosos dicionários Oxford (“isca de raiva”) e Cambridge (“parassocial”) descrevem diferentes facetas dessa mudança. Resta saber se a nova lei australiana conseguirá reduzir, pelo menos entre os mais jovens, a deterioração da saúde mental provocada pelas redes sociais, e se isso será replicado por outros países, a despeito da pressão americana. Você gostaria de ver uma lei assim no Brasil?

  24. 477

    Inteligência artificial cria “fábricas de golpes”

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial está criando “fábricas de golpes”, e isso nos obriga a repensar nossas defesas digitais. Enquanto o ChatGPT comemora seu terceiro aniversário, que aconteceu neste domingo, o mercado avalia como a IA generativa revolucionou a segurança digital, no que há de bom e de ruim. Neste ano, esta tecnologia consolidou-se como o principal recurso dos criminosos para enganar suas vítimas, e a situação deve se agravar em 2026, segundo a empresa de cibersegurança Tenable. O Brasil tornou-se um “laboratório” do cibercrime, com 315 bilhões de tentativas de ataques no primeiro semestre, que representam 84% do total da América Latina. Sofremos com ataques internacionais sofisticados e com golpes hiperlocalizados, moldados à linguagem e aos hábitos culturais do país. Essa combinação individualiza os riscos, que abandonam o caráter eventual e passam a ser estruturais e cotidianos. A IA já permite que criminosos superem barreiras técnicas e linguísticas com facilidade. Ela automatiza a criação de iscas, clonando vozes ou estilos de escrita com fidelidade assustadora, o que torna a distinção entre o real e o falso quase impossível. Se em 2025 houve uma automação do golpe digital, para o ano que vem, os agentes de IA devem tornar esse processo ainda mais perigoso, executando ataques com autonomia, ajustando-se às reações das vítimas. No lado da segurança, a mesma IA tenta equilibrar o jogo, analisando volumes massivos de dados para identificar comportamentos suspeitos antes que o dano ocorra de fato. Contudo, essa capacidade de defesa permanece, em muitos casos, como uma promessa vendida por fornecedores de software, enquanto a adaptação do ataque parece estar sempre um passo à frente da reação das empresas. Indivíduos e empresas precisam entender que a tecnologia é fundamental, mas não resolverá um problema que é, cada vez mais, humano e político. Mas como? É sobre isso que falo nesse episódio.

  25. 476

    Europa cede e flexibiliza as suas leis digitais

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Será que a Europa vai jogar a toalha e parar de criar leis para produtos digitais que primeiro protejam as pessoas? No dia 18, a Comissão Europeia publicou uma proposta para flexibilizar essas suas legislações. Batizada de “Digital Omnibus”, ela retira diversas limitações para empresas que operam no continente para desenvolver plataformas de inteligência artificial. É uma tentativa de tornar seus produtos competitivos frente aos concorrentes americanos e chineses, criados praticamente sem restrição e com forte apoio governamental. A decisão vai ao encontro de demandas das empresas do bloco e tenta garantir que a Europa não fique de fora de um mercado digital trilionário, que chacoalha a balança geopolítica, mas também cede a pressões das big techs do outro lado do Atlântico. Apesar de seus benefícios inegáveis, o anúncio desperta temores entre especialistas e organismos de proteção de direitos individuais. O principal risco é a enorme erosão da privacidade como direito fundamental. Ao facilitar o uso de dados pessoais para o treinamento de modelos de IA, a Europa sinaliza que a intimidade do cidadão pode ser convertida em combustível para máquinas, sob a justificativa do progresso econômico, criando uma zona cinzenta onde o consentimento se torna uma formalidade obsoleta. Globalmente, isso pode criar um “Efeito Bruxelas reverso”. Se a União Europeia, até então o farol mundial da regulamentação ética, capitular, a corrida global para o fundo do poço regulatório aumentará. Nações emergentes, como o Brasil, podem se sentir pressionadas a desmantelar suas próprias proteções para atrair investimentos, subjugando direitos humanos aos interesses corporativos. Será que a privacidade se tornou um luxo incompatível com a inovação tecnológica? Estamos aceitando passivamente que a dignidade humana seja o preço a pagar pela conveniência digital? É sobre isso que falo nesse vídeo. Depois conte para nós o que acha dessa mudança e suas consequências.

  26. 475

    Como salvar o nosso senso crítico

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Nunca tivemos tanto acesso à informação, mas nunca fomos tão manipulados! Em 15 anos, as big techs tomaram de assalto o debate público, sem qualquer contrapeso democrático, guiadas pela busca de lucro que atropela até o bem-estar dos usuários. Enquanto isso, o jornalismo, a instituição democrática mais talhada para impedir abusos de poder, perdeu seu papel de mediador. O resultado é um ambiente em que a verdade compete com a engenharia do engajamento e, na maioria das vezes, perde. Esse foi o eixo do evento “O jornalismo entre a sobrevivência e a relevância”, que aconteceu no dia 13, organizado pelo Instituto de Estudos Avançados da USP. O debate foi construído a partir de um artigo do jornalista e pesquisador Rodrigo Mesquita, que lá estava. A Internet comercial surgiu em 1995, com a promessa de ser um bem-vindo canal de comunicação democrático e desintermediado. Mas esse ideal idílico caiu por terra em poucos anos, com as plataformas digitais capturando, com seus algoritmos, desejos e sentimentos de toda a humanidade, transformando-os em uma máquina de convencimento eficientíssima, muito maior que a própria mídia, governos e religiões. O jornalismo, que até então organizava a informação cotidiana do mundo e promovia o debate para que as pessoas construíssem sua sociedade, ficou paralisado. Por um misto de arrogância e incompreensão de que seu público não aceitava mais informação unilateral, ainda sofre para lhe oferecer uma experiência participativa. A mídia também é um negócio, com poucas empresas importantes controlando muito do que se noticia. Mas elas obedecem a regras claras de funcionamento, que protegem a sociedade. As big techs, por outro lado, apesar de muitíssimo mais poderosas, não cansam de demonstrar seu desprezo por qualquer instrumento democrático que ameace minimamente seus lucros. Passa da hora de descobrirmos quem controla hoje a esfera pública e como fazer com que, seja lá quem for, necessariamente trabalhe para os cidadãos. Como defender o nosso senso crítico? É sobre isso que falo nesse meu episódio.

  27. 474

    Somos vítimas na “Terceira Guerra dos Navegadores”

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial está transformando os navegadores, o tipo de software que todos nós mais usamos. Além de exibir as páginas que queremos, essa nova geração incorpora assistentes de IA que oferecem interações contextuais, automação de tarefas e respostas inteligentes na mesma tela. Mas apesar desses benefícios, isso dispara alertas sobre invasão de privacidade e até interferência em nosso livre arbítrio. Nesta terceira edição da “guerra dos navegadores”, programas como o Comet, da Perplexity, e o Atlas, da OpenAI, desafiam o domínio do Chrome, que reina com 65% desse mercado. O Google entrou nessa briga para não perder sua liderança, incorporando o Gemini, sua plataforma de IA, ao Chrome. Mas o gigante enfrenta o desafio de evitar que isso canibalize seu buscador, sua principal fonte de receita. As empresas de IA querem ter seus navegadores, pois eles se tornaram o novo ponto de controle da vida digital. Passamos neles a maior parte do tempo online, portanto dominá-los significa ter acesso direto ao comportamento, às preferências e ao contexto de cada usuário. Integrar tudo o que fazemos a um agente de IA é o sonho de qualquer um que queira não apenas fornecer respostas, mas influenciar decisões. O Google já promoveu o Chrome a um “aplicativo que faz tudo” nos seus Chromebooks, notebooks mais baratos em que o navegador é o local onde tudo funciona. Agora, com assistentes de IA interagindo com nossos e-mails, agenda, documentos, compras, relações sociais e tudo mais que fazemos online, isso vai além, tornando-se um intermediário invisível entre a vontade humana e a execução digital. A produtividade norteia essa revolução, mas quando o navegador decide o que priorizar e até o que omitir, ele ameaça nossa autonomia. Trata-se de um deslocamento silencioso, mas profundo, na relação entre humanos e máquinas. Como podemos então aproveitar todo esse poder sem abrir mão da nossa liberdade? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, já está usando um navegador com IA?

  28. 473

    Os US$ 5 trilhões da Nvidia e os limites da IA

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 No dia 29 de outubro, a Nvidia atingiu estratosféricos US$ 5 trilhões de valor de mercado. E isso esconde alertas para todos nós. Primeira empresa a chegar a essa marca, ela é o indicador mais reluzente da importância que a inteligência artificial passou a ocupar em nossas vidas. Mas o mercado já teme que a hipervalorização das empresas ligadas à IA seja uma bolha especulativa prestes a estourar. O questionamento mais importante, entretanto, é quanto a IA seria uma tecnologia viável sem essa injeção insana de dinheiro. A euforia é justificada pelo seu potencial transformador. O mercado calcula que ela deve elevar o PIB global em 7% e a produtividade em 1,5% em uma década. Nesse ano, já representa cerca de 40% do crescimento do PIB americano e é responsável por 80% dos ganhos nas ações. Sem a IA, o crescimento econômico da terra do Tio Sam teria sido cerca de um terço do que foi. Os exageros residem na pressa do mercado em querer que a tecnologia “entregue o futuro logo”, ignorando que poucas dessas empresas são lucrativas, e que a IA ainda impacta pouco ou nada nos resultados de 95% dos que nela investem. A própria OpenAI, maior estrela do setor e criadora do ChatGPT, opera no vermelho. Além disso, seu faturamento estimado em US$ 13 bilhões é insignificante perto dos US$ 300 bilhões que ela se comprometeu a gastar com infraestrutura da Oracle e US$ 250 bilhões com a Microsoft. As empresas investem na IA porque têm medo de ficar para trás, não porque encontraram um modelo de negócio sustentável. O próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, disse em agosto que o setor de IA vive em uma bolha e que “alguém vai perder uma quantidade fenomenal de dinheiro”. Claro que não dá mais para deixar a IA de lado. Mas manter esses investimentos sem retornos pode ser insustentável e causar um “banho de sangue” em poucos anos. Essa corrida desenfreada para “ser dono” da IA já passou dos limites. Para entender melhor como escaparmos disso, convido você a ouvir esse episódio. E depois comente as suas percepções.

  29. 472

    Como a Internet muda vidas na Amazônia

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Podemos aprender muito observando como comunidades amazônicas redesenham seu futuro com o mundo digital. Para você, a Internet funciona de maneira líquida e certa. Mas para quem vive na floresta amazônica, sua chegada amplia a fronteira civilizatória. Não se trata de conforto, e sim de uma “virada de época”, reconfigurando possibilidades de vida. A Amazônia é um desses lugares onde a transformação digital é forçada nos seus limites. Afinal, se algo funciona lá, funciona em qualquer lugar; se fracassa, expõe que o discurso digital talvez fosse frágil, apenas protegido por infraestrutura abundante. E se a tecnologia não preserva a vida com sentido e não produz valor para quem mora na floresta, ela falha miseravelmente. Comprovei esse impacto na semana passada, quando visitei a comunidade ribeirinha Tumbira e a aldeia da etnia Kambeba Três Unidos, a cerca de duas horas de lancha de Manaus. Elas recebem orientação e investimentos da Fundação Amazônia Sustentável. Para isso, há dez anos ela usa soluções da SAP na gestão de seus projetos, com ganhos em transparência, planejamento e impacto socioambiental. A FAS visa conservar a “floresta em pé” e melhorar a qualidade de vida das populações da Amazônia. Partindo do pressuposto de que pessoas com melhores condições cuidarão mais da natureza, implanta programas de educação, cidadania, saúde, empoderamento, pesquisa e inovação, conservação ambiental, empreendedorismo e geração de renda. Também melhora a infraestrutura das comunidades, inclusive com eletricidade e Internet, apoiada por empresas. Isso impede que a Amazônia entre em um colapso ecológico, o que agravaria a crise climática global. Esses ganhos fortalecem a posição do Brasil como um país capaz de conservar e gerar prosperidade na região, não apenas por ser “dono da floresta”, mas sim dono de soluções. Para entender melhor como isso tudo funciona, convido você a ouvir esse episódio. E depois deixe suas percepções nos comentários.

  30. 471

    ChatGPT finalmente se rende à pornografia

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A OpenAI pelo jeito decidiu abandonar os princípios e liberou bots de sexo e pornografia no ChatGPT. A empresa anunciou que permitirá conteúdo adulto na plataforma, incluindo aplicativos eróticos criados por empresas externas. Só que, disfarçada de liberdade criativa, a medida carrega riscos enormes, que vão muito além da exposição de adolescentes. A novidade insere tecnologia sofisticada em um campo carregado de estereótipos, manipulação e consequências sociais imprevisíveis, e isso afeta até quem não consome pornografia. Desenvolvedores independentes e a própria OpenAI ganharão com a abertura de um mercado enormemente lucrativo até então inexplorado pela empresa. Do outro lado, adolescentes ficarão mais vulneráveis, assim como qualquer pessoa sujeita à naturalização de padrões sexuais distorcidos. Na quarta passada, o CEO Sam Altman declarou que a OpenAI “não é a polícia moral eleita do mundo”, ao justificar a liberação. A frase parece uma defesa de princípios, mas é desonesta. Em agosto, ele dizia sentir orgulho por evitar “bots de sexo”, que dariam engajamento, mas seriam “desalinhados com o objetivo de longo prazo” da empresa. Agora, o negócio parece ter pesado mais do que a ética. Esse recurso deve piorar, reforçar e perpetuar estereótipos já consolidados na pornografia. Mulheres e minorias podem ser retratadas de forma ainda mais degradante, e a tecnologia, em vez de corrigir distorções, tende a amplificá-las, criando novas camadas de objetificação. Por fim, não é exagero dizer que isso pode alterar a maneira como as pessoas se relacionam entre si. Expectativas inatingíveis, comportamentos sexualizados distorcidos e uma compreensão enviesada do consentimento são consequências prováveis, pois este recurso reduzirá a necessidade de lidar com a complexidade de parceiros reais. Mas gostem ou não, as pessoas precisam se relacionar com gente de verdade. Para entender melhor esse caso, convido você a ouvir esse episódio. E depois comente o que você acha desse anúncio.

  31. 470

    Por que professores brasileiros usam tanto a IA

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Por que os professores brasileiros usam tanta IA? Nesta quarta, comemora-se o Dia do Professor no Brasil. Mas, apesar de seu papel decisivo para a construção do país, esses profissionais têm pouco a celebrar, pelas conhecidas condições precárias de trabalho e formação e apoio limitados da sociedade. Ainda assim, persistem em sua nobre tarefa, até mesmo adaptando-se às mudanças tecnológicas na profissão, como as impostas pela inteligência artificial. Chega a ser surpreendente que, mesmo com tantas condições adversas, nossos professores estejam entre os que mais usam essa tecnologia no seu trabalho. A informação é da Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizagem, publicada no dia 6 pela OCDE. Realizada desde 2008, cerca de 280 mil professores de 54 países participaram dessa edição. O Brasil aparece em décimo nesse quesito, com 56% dos professores do Ensino Fundamental II usando IA nas suas aulas. Na liderança, empatados com 75%, estão os professores dos Emirados Árabes Unidos e de Cingapura. O país cujos professores menos usam é a França, com apenas 14%. A média dos países da OCDE é de 36%. Vale notar que a adoção da IA na sala de aula varia bastante entre os países com educação de alta qualidade. Cingapura é o único desses acima do Brasil na Talis. Outras nações com educação de destaque vêm depois, como Coreia do Sul (43%), Dinamarca (36%), Estônia (35%) e Finlândia (27%). Por isso, precisamos entender as condições em que essa tecnologia é utilizada na escola e o que leva os professores a adotá-la. Um uso sem preparo e sem apoio pode ajudar em tarefas pontuais, mas também prejudicar a própria compreensão da IA. Já falhamos na educação dos jovens para o uso das redes sociais, levando a problemas graves e diversos. Repetir o erro com a IA pode transformar uma tecnologia poderosa e revolucionária em uma máquina de controle social e limitação cognitiva. Mas então, como devemos usar a IA na aprendizagem? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, o que sugere?

  32. 469

    “Criatividade estatística” da IA pode achatar o nosso senso crítico

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Se fosse lançada hoje, a tirania dos algoritmos das plataformas de streaming teria matado “Bohemian Rhapsody”, obra-prima do Queen. Seus 5 minutos e 55 segundos e estilo para lá de ousado não passariam pelo crivo dessas plataformas, que promovem insistentemente músicas de até 3 minutos, para satisfazer uma geração de ouvintes ansiosos. Mas outro fator nos privaria dessa que é considerada uma das músicas mais inventivas da história: a “criatividade estatística” da inteligência artificial. O debate ganhou força com regras do Spotify para coibir o uso indevido de IA em sua plataforma, anunciadas no dia 24 de setembro. Elas incluem filtros rígidos para evitar spam musical, proteção contra a imitação não autorizada de artistas e a exigência de transparência na adoção da tecnologia. Segundo a plataforma, o objetivo não é punir o “uso criativo” da IA, mas impedir práticas que prejudiquem artistas e ouvintes. Apesar de restrições assim, o concorrente Deezer aponta que hoje 28% das músicas publicadas na plataforma são totalmente feitas por IA; em janeiro, eram “apenas” 10%. Um estudo da consultoria francesa PMP Strategy, publicado em dezembro, indicou que, até 2028, os artistas perderão 24% da receita no setor, pela substituição das obras humanas pelas geradas por IA e pelo uso não autorizado de criações originais. As plataformas de streaming e a IA estão transformando nosso gosto e a própria produção musical. Com o tempo, a IA modificará qualquer tipo de produção em nosso cotidiano, e infelizmente há um risco concreto de que isso piore a qualidade. Isso acontecerá porque já estamos usando, como ferramenta criativa, algo que muitos especialistas afirmam não ter nenhuma criatividade. Mas o problema não é se máquinas podem ser inventivas, e sim entender o que realmente significa criatividade e se estamos dispostos a reconhecê-la em processos não-humanos. Você acha que a “criatividade estatística” da IA pode ser considerada criatividade mesmo, algo até então exclusivo dos seres humanos?

  33. 468

    O valor da IA vem do equilíbrio entre tecnologia e humanidade

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O valor da inteligência artificial vem do equilíbrio entre tecnologia e humanidade. A IA colocou as empresas em uma encruzilhada digital histórica. Extrair valor real dessa tecnologia exige mais que investimentos em sistemas e servidores. Para isso, as lideranças precisam também gerenciar expectativas e cuidar do preparo humano das equipes. Até hoje, apenas 20% dos projetos de IA alcançaram retorno financeiro, e míseros 2% promoveram uma transformação real nos negócios, onde reside o seu grande potencial. As empresas que encontram, capturam e sustentam ganhos com a IA são as que se afastam da descrença exagerada, que impede qualquer ação, e do deslumbramento inconsequente, que leva a investimentos sem foco. Essas foram algumas das principais mensagens da Conferência Gartner CIO & IT Executive, que aconteceu em São Paulo entre 22 e 24 de setembro. O problema muitas vezes vem do desalinhamento de expectativas, com as companhias investindo apenas em projetos de produtividade, mas esperando grande geração de receita. Atravessar esse “vale da desilusão” pede líderes que enfrentem ceticismo, calibrem metas e sustentem investimentos, mesmo sem resultados imediatos. Isso fica mais desafiador quando, segundo o Gartner, 95% dos latino-americanos querem usar IA, mas só 40% confiam que seus gestores farão os movimentos de forma responsável. Isso explica por que as empresas já percorreram quase metade do caminho da prontidão tecnológica para o uso da IA, mas esse avanço mal chega a um quarto no preparo humano. O medo de perder o emprego, a curva de aprendizagem íngreme e sobretudo a falta de confiança na chefia explicam essa diferença. Mas então, o que as empresas devem fazer para extrair esse valor real da IA. É sobre isso que falo nesse episódio. E no seu cotidiano, você vê a IA sendo usada de maneira verdadeiramente transformadora ou apenas incremental?

  34. 467

    IA pode acabar com a nossa privacidade

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Cuidado, pois seus pensamentos em breve poderão não ser mais só seus. A inteligência artificial está sendo usada com outra ciência de ponta, a dos implantes neurais, para criar habilidades inéditas ou solucionar limitações físicas, como dificuldade de falar ou de se mover. Isso é algo muito bem-vindo, que beira a ficção científica, mas desperta alguns alertas de privacidade até então inimagináveis. Afinal, se uma máquina for capaz de ler com boa precisão o que se passa em nosso cérebro para realizar essas tarefas, que garantias teremos de que nossos pensamentos mais íntimos estarão protegidos? O cérebro continua sendo o último bastião da nossa privacidade. Nossos pensamentos são apenas nossos até que decidamos compartilhá-los. Mas agora novas aplicações da tecnologia BCI (sigla em inglês para “interface cérebro-computador”) podem mudar isso. Uma pesquisa recente, que visava identificar palavras que uma pessoa estava pensando para reproduzi-las em um alto-falante, identificou também pensamentos cujo dono não pretendia compartilhar. Considerando que temos cerca de 50 pensamentos por minuto, qualquer sistema com essa proposta merece atenção redobrada. O experimento ainda é embrionário, portanto ninguém precisa ter medo de que o ChatGPT acessará nossos segredos se não contarmos a ele. Mesmo assim, isso já deve alimentar debates sobre como impedir que máquinas invadam esse espaço sagrado que sustenta nossa própria individualidade. Além disso, na mão de governos e de outros grupos de poder, isso significaria a ferramenta definitiva de manipulação das pessoas. Mas, afinal, como funciona essa tecnologia? Estamos mesmo condenados a perder a nossa mais íntima privacidade? É sobre isso que falo nesse episódio. O que você acha que aconteceria se todo mundo soubesse tudo que o outro está pensando?

  35. 466

    O bom e o ruim do "Modo IA" do Google

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Uma novidade do Google pode mudar como construímos nosso conhecimento. Quando foi lançado, o ChatGPT ganhou a alcunha de “assassino do Google”, pois muita gente achava que a sua proposta seria a nova maneira de se buscar conteúdo. Mas passados 33 meses, o uso do buscador mantém-se estável. A ironia é que uma novidade do próprio Google pode enterrar, aos poucos, seu formato consagrado. Trata-se do “Modo IA”, que estreou no Brasil no dia 8, quatro meses depois dos EUA. Ele se parece ao ChatGPT, com uma janela para o usuário escrever o que quer e então receber uma resposta completa, sintetizada a partir do conteúdo de páginas selecionadas pelo buscador. Mas ao contrário do ChatGPT, o “Modo IA” faz parte do buscador. Isso pode ser determinante para popularizar o novo formato em substituição à busca tradicional. Assim a empresa pretende defender seu principal produto do crescimento das plataformas de IA concorrentes. A novidade não deve ser vista como “apenas mais um recurso”. Seu sucesso pode alterar significativamente o processo de como buscamos conteúdo e construímos conhecimento, a exemplo do que o próprio Google fez no passado. Isso atende à demanda crescente por velocidade e praticidade, mas pode levar a ainda mais desinformação e conteúdos errados, e ampliar a tendência à superficialidade. Mais grave é o risco de afetar cognitivamente os usuários. O “Modo IA” transforma a busca em um consumo passivo de respostas prontas, reduzindo o hábito de confrontar informações, exercitar a memória e analisar criticamente as fontes. Pela sua ilusão de completude, reduz a curiosidade e a busca por múltiplos pontos de vista, levando a um processo de “terceirização cognitiva”, em que delegamos tanta coisa às máquinas, que acabamos enfraquecendo nossa própria autonomia intelectual. Surge então a dúvida legítima se esse recurso é mais positivo ou negativo para nós. É sobre isso que falo nesse episódio. E você, acha que está usando a IA de maneira consciente e produtiva, ou está “terceirizando” coisas demais para ela?

  36. 465

    Quando a IA melhora e piora a educação

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial pode e deve ser usada nas salas de aula, mas se não for do jeito certo, pode piorar muito a educação. Nos últimos dias, a proposta de uma escola americana que trocou professores por plataformas de IA ganhou destaque no noticiário. Mas apesar de seduzir famílias interessadas em inovação e dispostas a pagar uma mensalidade equivalente a R$ 18 mil, a ideia promove um profundo desserviço para a educação. Criada pela influenciadora MacKenzie Price em Austin e já presente em outras dez cidades no país, a Alpha School dedica apenas duas horas diárias a disciplinas tradicionais, como linguagem e matemática. Para ela, “as salas de aula são o novo campo de batalha global”. Todo o processo de aprendizagem é conduzido por sistemas de IA, que prometem ajustar o progresso ao desempenho individual dos estudantes, que não são divididos em séries. O restante do tempo na escola serve para socialização, oficinas e projetos em temas como empreendedorismo, oratória, liderança e educação financeira, baseados em metas e recompensas. Para essas atividades, os alunos são auxiliados por “guias” (que não são professores), também orientados por IA. Esse verniz de modernidade parece uma ótima ideia. Mas quem propôs isso não sabe o que é a inteligência artificial e muito menos o que é educação. O tema foi debatido no painel de IA na educação no AI Summit Brasil, que aconteceu na semana passada em São Paulo, do qual participei. A conclusão foi que a IA pode e deve ser usada na escola, mas só trará resultados positivos se for implantada sob orientação de educadores, fugindo de modismos e de propostas espalhafatosas. Mas, então, qual o caminho da IA na educação? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, o que acha de propostas como a da Alpha School?

  37. 464

    Mortes entre quem faz “terapia por IA”

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Não se pode ignorar os casos de pessoas que faziam “terapia por inteligência artificial” e se suicidaram. Desde que o ChatGPT foi lançado, há dois anos e meio, ele vem sendo usado como “psicólogo” por uma quantidade grande (e crescente) de pessoas. A princípio, parece uma boa ideia: ele é uma “voz amiga” sempre disponível para ouvir lamúrias e dar “bons conselhos”, sem julgamentos e ainda de graça. Mas, como já expliquei nesse espaço em mais de uma ocasião, esse é um dos piores usos que alguém pode fazer da inteligência artificial generativa. Em primeiro lugar, do ponto de vista do processo terapêutico, é ineficiente. Justamente pela sua falta de humanidade, essas plataformas não só podem não ajudar os pacientes a encontrar soluções para seus problemas, como ainda podem agravá-los. Mas um caso recente me fez pensar em um novo aspecto grave das “terapias por IA”. A história com final trágico de uma jovem americana expôs uma seríssima limitação dos terapeutas-robôs: eles não conseguem romper os limites daquelas conversas para avisar familiares e autoridades se algo terrível estiver prestes a acontecer. Isso não é um detalhe. Para profissionais de saúde mental, essa ação é uma obrigação legal que ajuda a salvar vidas. Há crises que a terapia não consegue resolver e, por isso, precisam ser encaminhadas para outras instâncias. Entretanto, a IA generativa não é um psicólogo, e, por isso, não segue o código de ética ou outras regras da profissão. E mesmo que quisesse seguir, não conseguiria. É aí que um uso ruim se torna perigoso demais. Mas, afinal, que o problema de se usar a IA como “psicólogo”? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, o que acha de usar essa tecnologia com essa finalidade?

  38. 463

    A interface universal de computadores e celulares

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A maneira como usamos diferentes programas e aplicativos de produtividade em nossos computadores e celulares pode estar com os dias contados! Com o avanço da inteligência artificial, navegar por muitas telas de sistemas distintos para coletar informações tende a ser substituído por simples conversas com um robô. Mas como tudo que se refere a essa tecnologia, precisamos compreender bem a proposta para que um benefício não se transforme em uma armadilha. Especialmente no mundo dos negócios, mesmo com a ampla digitalização de processos, obter informações para uma tomada de decisão pode ser uma tarefa morosa e sujeita a falhas. Uma nova geração de assistentes de IA promete resolver isso, entendendo o que o usuário deseja e acessando todos os sistemas necessários para coletar os dados e organizá-los em uma resposta pronta. Mais do que uma evolução técnica, esse movimento nascente traz uma mudança de paradigma na experiência do usuário e na governança de dados. Essa camada transforma sistemas complexos em “motores de dados” para respostas contextuais. Os benefícios são evidentes, com ganhos em eficiência e produtividade. Mas alguns riscos não podem ser ignorados, como o aumento da dependência tecnológica e uma potencial exclusão digital entre aqueles que não souberem usar a IA. Para muita gente, pode parecer um contrassenso alguém não conseguir usar uma tecnologia criada para facilitar processos. Mas precisamos entender que isso depende de habilidades que nem todos têm. Nesse caso, a sociedade precisa se organizar para capacitar essas pessoas, evitando ampliar o abismo digital já existente no país, e as empresas têm um papel fundamental nesse processo. Você sabe como usar a IA dessa maneira?

  39. 462

    Os outros culpados das denúncias do Felca

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O que sobrou para dizer sobre a rede de pedofilia online denunciada por Felca? Por exemplo, mostrar os responsáveis indiretos por essa tragédia social. O Brasil está em polvorosa desde que ele denunciou a pedofilia nas redes sociais em seu vídeo “Adultização”. Mais do que bem-vindo, o movimento é essencial para resgatarmos uma sociedade civilizada, que proteja crianças e adolescentes. Mas corremos o risco de que o problema seja tratado de maneira superficial e –pior ainda– que acabe em uma escandalosa pizza. O influenciador apontou os responsáveis mais evidentes, como personalidades digitais que exploram a erotização de crianças, os pedófilos que inundam as redes sociais e até pais e mães que, por ação, omissão ou ignorância, colocam os próprios filhos em risco. Mas essa situação também resulta de uma sociedade que, nos últimos 15 anos, se acostumou com todo tipo de barbaridade e até se beneficia delas. O maior exemplo é a classe política. Apesar desses abusos contra os mais jovens serem conhecidos e debatidos há anos, bastou a comoção criada por Felca para o surgimento de dezenas de projetos de lei para combater esse delito. Porém mais grave ainda são os parlamentares que querem impedir que uma solução avance. É o caso também das plataformas digitais, que apresentam um discurso de proteção a crianças e adolescentes, mas que se beneficiam largamente dessas práticas criminosas, que acontecem de maneira explícita em suas páginas, em perfis com milhões de seguidores. Em vez de combaterem a prática, elas desmantelaram suas próprias estruturas de moderação de conteúdo e de proteção. Em seu lugar, montaram poderosos esforços de lobby para convencer políticos a defenderem seus interesses. Não satisfeitas, associaram-se ao presidente americano, Donald Trump, para usar o poder dos EUA para achacar países que buscam soluções. Além de combater os criminosos óbvios, a sociedade precisa, portanto, enquadrar aqueles que sustentam a estrutura para essas atrocidades. Que sugestões você propõe? Nesse episódio, indico alguns caminhos.

  40. 461

    Euforia pela IA e cibersegurança no seu cotidiano

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Se você acha que a influência da inteligência artificial na cibersegurança não afeta você pessoalmente, pense de novo! Claro que as manchetes de invasões a grandes empresas são mais vistosas. Por exemplo, no dia 2 de julho, o Brasil acordou com a notícia do maior crime digital da sua história: o ataque à C&M Software, que desviou pelo menos R$ 800 milhões de instituições financeiras conectadas ao Pix. Não houve violação ao sistema, pois os criminosos fizeram as transferências usando credenciais legítimas de um prestador de serviços. Isso demonstra que a cibersegurança não pode mais se limitar à proteção da estrutura de TI, precisando envolver pessoas, dados e processos. A IA destaca ainda mais o tema, que deve ser visto como um pilar dos negócios. Essas foram algumas das principais conclusões da Conferência Gartner de Segurança e Gestão de Risco, que aconteceu na semana em São Paulo. A mensagem central do evento foi que gestores não podem ignorar ou combater a euforia em torno da IA, e sim usá-la como motor de mudanças planejadas. Tanto que, segundo a consultoria, até 2026, metade dos executivos de alto escalão deverá ter indicadores de performance em cibersegurança atrelados aos seus contratos de remuneração, e isso não se restringe aos líderes de tecnologia. Não dá para ser diferente. Os bandidos já usam a IA para sofisticar seus ataques, como na adoção de agentes de IA que imitam o comportamento humano para burlar proteções de segurança. Assim, a IA automatiza ameaças em grande escala. Agora, preste atenção: com a “Internet dos humanos” evoluindo para dispositivos ligados às pessoas (e eventualmente controlando funções vitais, como um marcapasso conectado), hackers poderão ameaçar vidas remotamente. Nesse cenário, a preocupação não deve ser se estamos seguros, e sim se estamos tomando medidas adequadas para mitigar ameaças dentro do nosso apetite de risco. Mas você sabe fazer o que precisa?

  41. 460

    IA ameaça a sua própria existência

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como a inteligência artificial ameaça a sua própria existência? As primeiras plataformas de IA generativa, como o ChatGPT, se aproximam de seu terceiro aniversário. Em tão pouco tempo, conseguiram a proeza de mudar a maneira como buscamos informação. Mas apesar de suas vantagens inegáveis, elas ameaçam seriamente a maneira como a Internet se organizou e ironicamente a própria sobrevivência desses sistemas. Nos últimos 30 anos, redes sociais e buscadores construíram seus impérios de mídia com conteúdo alheio. Apesar de alguns produtores desse material, especialmente veículos de comunicação, contestarem o modelo, essa usurpação sempre foi justificada com essas plataformas encaminhando seus usuários aos sites dos autores, que faturam com publicidade. Como a IA entrega respostas completas, as pessoas não precisam mais clicar nos links para se aprofundar. Isso está achatando a audiência e as receitas dos criadores de conteúdo, que tentam fazer com que as big techs paguem pelas informações. As empresas de mídia são as vítimas mais visíveis, mas o problema afeta todo mundo. Os caminhos abertos pela inteligência artificial não têm volta. Mas a ganância sem limites e o desrespeito aos direitos autorais das gigantes de tecnologia podem, em médio prazo, matar sua “galinha dos ovos de ouro”, pois a IA precisa continuamente de novas informações confiáveis para continuar funcionando bem. Se os atuais produtores de conteúdo quebrarem e novos não surgirem pelo risco de terem seu trabalho roubado por essas empresas, não haverá mais nada para alimentar a besta digital. E então o modelo pode entrar em colapso. Obviamente isso não interessa a ninguém! Nesse episódio, eu analiso causas e sugiro saídas para esse problema. E você, acha que as big techs deveriam pagar pelo conteúdo que usam para treinar suas plataformas de IA?

  42. 459

    EUA afrouxam ética da IA para vencer a China

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Por que os EUA afrouxaram a ética da inteligência artificial para vencer a China? O plano de IA americano, divulgado na quarta passada, merece atenção. Apesar dos grandes avanços da China, os EUA ainda lideram nessa tecnologia. Assim, suas ações influenciam a IA no mundo. Além disso, mecanismos da proposta podem impedir o Brasil de acessar tecnologias de ponta. Mas o que mais preocupa é a escolha de uma política de desenvolvimento irresponsável e perigosa. A nova Guerra Fria acontece em torno da inteligência artificial. No anúncio do “Plano de Ação de IA dos EUA: Vencendo a Corrida”, Donald Trump não economizou palavras para deixar isso claro. O documento se concentra em três pilares: acelerar a inovação em IA, construir infraestrutura americana, e liderar a diplomacia e segurança internacionais no setor. Eles atendem diretamente a demandas das big techs, que combatem ferozmente qualquer restrição a seus produtos, nos EUA e principalmente no exterior. Essas regras vêm principalmente da Europa, mas também estão sendo criadas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Por aqui, o Marco da IA, aprovado pelo Senado Federal e francamente inspirado na Lei da IA europeia, está sendo discutido na Câmara. Por lá, Trump revogou a ordem executiva do governo anterior, que previa uma avaliação de risco no desenvolvimento de IA, e ameaça retirar recursos de Estados com leis mais restritivas. A nova diretriz manda às favas a prudência recomendada pelos maiores especialistas em IA do mundo. É um documento mais político que técnico, acenando aos eleitores radicais de Trump e às gigantes de tecnologia, essenciais para seus planos. A IA não pode ser vista como apenas “mais uma tecnologia”. Sua evolução desafia os próprios desenvolvedores e pode facilmente ser usada para criar severos danos à humanidade. Ao tratá-la de forma política, esses riscos crescem exponencialmente. Para entender melhor os impactos dessas medidas, convido você a ouvir esse episódio. E depois diga: elas são mesmo necessárias?

  43. 458

    O que ainda une os brasileiros

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Por que os ataques ao Pix reacenderam um sentimento de união nacional? A sociedade brasileira hoje difere muito do que era há 20 anos. Sempre tivemos divisões enraizadas em nossa cultura, algumas profundamente nocivas para determinados grupos sociais e prejudiciais ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Mas em tempos sem smartphones e principalmente sem redes sociais, aparentávamos viver em harmonia, ainda que mais frágil do que acreditávamos. A completa disseminação desses produtos digitais criou, nos anos seguintes, uma profunda rachadura na sociedade que inviabiliza o debate entre aqueles que se posicionam nos extremos opostos. Caiu por terra o mito do brasileiro cordial e colaborativo, dando lugar à intensa polarização. As causas disso sempre estiveram entre nós, nutridas no íntimo de extremistas antes contidos pelas regras da civilidade. Os algoritmos das redes sociais destravaram essas forças ao juntar quem tem os mesmos valores, e os smartphones passaram a reforçar essas ideias o tempo todo. Não demorou para que políticos de várias ideologias se apropriassem dessa polarização, criando uma espiral destrutiva da qual não saímos. Resta algo que ainda une os brasileiros? Nem a seleção de futebol, antes uma unanimidade, consegue fazer isso hoje. Nesse cenário, as absurdas exigências do presidente americano ao Brasil, feitas na semana passada, merecem atenção. Apesar de ter provocado forte indignação na maioria dos brasileiros, nem Donald Trump conseguiu unir a todos nós. Ainda assim, vale analisar aquelas que defendem os interesses das big techs e atacam conquistas tecnológicas e de proteção aos cidadãos do Brasil. Afinal, o Pix, criticado por Trump, é uma unanimidade nacional. Mas nada disso veio ao acaso. O ataque ao Pix esconde o apoio do atual governo americano ao projeto dessas empresas para se tornarem como Estados tecnológicos com poder geopolítico decisivo. Para entender os motivos por trás de tudo isso, convido você a ouvir esse episódio. E depois deixe nos comentários suas percepções sobre esses ataques ao Pix e a outros marcos civilizatórios brasileiros.

  44. 457

    Caímos no lamaçal da confiança na mentira

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Os novos vídeos feitos por inteligência artificial estão testando os limites da verdade. As mais recentes plataformas dessa tecnologia, lançadas nas últimas semanas, põem o nosso discernimento à prova. Simplesmente não é mais possível saber o que é real! A impressionante capacidade de geração dessas plataformas permite que uma mentira suculenta se torne mais crível que uma verdade tristemente limitada pelos fatos, até para olhos treinados. Isso era “crônica de uma morte anunciada”: todo mundo sabia que a tragédia aconteceria, mas ninguém fez nada para evitá-la. E se já não bastasse todo tipo de lixo produzido por IA sendo destacado pelos algoritmos das redes sociais (ao mesmo tempo que escondem bons conteúdos), esse recurso já é usado para enganar a população de maneira voraz, especialmente na política. Já é bem ruim pessoas que não existem fazendo de tudo nos vídeos. Mais grave, entretanto, é ver, diante de nossos olhos, pessoas reais em atividades que nunca realizaram, muitas vezes comprometedoras. Essa tecnologia já existe há algum tempo, mas, até então, seus desenvolvedores limitavam seu uso a pouquíssimos especialistas, enquanto buscavam maneiras para evitar que ela fosse usada indevidamente, uma precaução muito bem-vinda. Mas parece que agora mandaram os escrúpulos às favas, como se vê, aliás, em muitas outras atitudes das big techs desde o começo deste ano. Quando tudo pode ser simulado com perfeição e quando passamos a desconfiar até do que é real, cria-se um ambiente de paranoia e cinismo. Essa erosão da confiança coletiva pode levar as pessoas a rejeitarem fatos documentados e a se refugiarem em teorias conspiratórias. E assim a democracia vai dando lugar à barbárie. Como é possível viver assim? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, já criou um vídeo por IA? O que acha dessa tecnologia?

  45. 456

    IA sacode as relações de trabalho

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 De um lado, temos empresas procurando os melhores profissionais para ocupar suas vagas. Do outro, pessoas buscam seus empregos dos sonhos. No meio disso, a inteligência artifical surge como uma aliada poderosa aos dois grupos. Mas o abuso desses recursos também pode trazer problemas éticos e de confiabilidade. Segundo o relatório “Agentes de IA na prática: Como a inteligência artificial está transformando a gestão de pessoas”, divulgado na semana passada pela plataforma de recrutamento Gupy, 65% das empresas no mundo e 48% no Brasil já usam a IA em processos seletivos. Além de redução de custos e tempo nas contratações, ele indica que a IA pode reduzir a rotatividade e até aumentar a diversidade nas equipes. Isso contraria problemas conhecidos da IA no setor, como sistemas enviesados na avaliação de profissionais e falta de transparência nas escolhas. A solução recai no uso de uma IA concebida para a mitigação sistêmica desses problemas, com justificativas claras e mantendo humanos nas decisões. Mas nem todos se preocupam com isso. Por exemplo, muitas pessoas usam a tecnologia para alterar seus perfis, fazendo com que pareçam mais alinhados com as vagas do que realmente são. Também utilizam robôs para enviar candidaturas em massa. Segundo o LinkedIn, essas práticas explicam o expressivo aumento de 45% nas candidaturas na plataforma no último ano. O impacto da IA no mundo do trabalho vai além de processos de RH e do medo de que trabalhos sejam “roubados” por uma máquina. Mesmo com os benefícios que a tecnologia traz, ela exige habilidades que nem todos conseguem ter, além de alterar radicalmente a maneira como os trabalhos são feitos. Não se pode ignorar a natureza substitutiva de funções da IA. Portanto, mais que oferecer ferramentas, sua chegada está redefinindo o que é trabalhar. Como se ajustar a esse novo mundo do trabalho? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, acha que usa bem a IA no seu trabalho ou está com medo de ser substituído por um robô?empregabilidade #recursoshumanos #PauloSilvestre

  46. 455

    Por que tantos jovens desistem da universidade

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Por que tantos jovens estão rejeitando a universidade? Historicamente, o diploma de um curso superior era o passaporte para um emprego bem remunerado, que garantia um padrão de vida alto. Porém, mudanças no mercado de trabalho, novos interesses dos jovens e o avanço da inteligência artificial estão provocando questionamentos inéditos sobre dedicar anos à universidade. Esse é um fenômeno global, mas com nuances locais. No Brasil, a universidade ainda guarda um forte valor simbólico e prático de ascensão social e profissional. Mas uma pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie revelou que o ensino superior precisa mudar para manter isso diante de jovens que buscam formações alinhadas a seus valores e conectadas às transformações sociais, culturais e tecnológicas. Nos Estados Unidos, a situação é mais dramática. Um levantamento da plataforma de empregos Indeed indicou que 51% dos jovens da Geração Z consideram a universidade um “desperdício de dinheiro”, contra 41% dos millennials e 20% dos baby boomers. Não é para menos. Os custos dos cursos universitários na terra do Tio Sam dobraram desde o ano 2000, enquanto os salários cresceram muito menos. Muitos profissionais precisam trabalhar até 20 anos para pagar pela sua formação. E por lá, a diferença entre a média dos salários das pessoas com e sem ensino superior não para de cair. A explosão da inteligência artificial generativa ampliou esse dilema. Cada vez mais profissionais acham que saber operar bem essa tecnologia pode dispensá-los de fazer uma faculdade. Por outro lado, empresas estão contratando menos profissionais recém-formados, pois os gestores acreditam que a IA pode fazer tudo que eles fariam. Essa “tempestade perfeita” pode levar a uma sociedade cada vez menos crítica, com profissionais incapazes de descobrir algo novo e dependentes da IA. Mas há esperança, e ela passa justamente pela transformação das universidades. Para saber qual é, convido você e ouvir esse episódio. E para você, a universidade também virou “desperdício de dinheiro”?

  47. 454

    Como influenciadores e IA ameaçam a verdade

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Nunca consumimos tanta informação e nunca estivemos tão longe da verdade. Essa é uma das principais conclusões do Digital News Report, estudo sobre o jornalismo publicado anualmente pelo Reuters Institute, divulgado no dia 16. E essa constatação, longe de interessar apenas a profissionais de comunicação, exige ações de toda a sociedade. A edição desse ano mostra que as pessoas continuam se informando cada vez mais pelo meio digital (especialmente smartphones) e menos por mídias tradicionais, uma tendência observada há uma década. Mas vale notar que, mesmo online, a imprensa perde espaço, enquanto influenciadores crescem. E pela primeira vez o estudo identificou o uso da inteligência artificial como fonte de noticiário, adotada por 7% dos entrevistados. Apesar do crescimento desses influenciadores, com 44% dos jovens de 18 a 24 anos os considerando como sua principal fonte de notícias, 47% da população declara que eles são os maiores criadores e propagadores de informações falsas ou enganosas, equiparando-os a políticos. No caso da IA, 41% dizem que notícias geradas por robôs têm menos valor do que as produzidas por jornalistas, preferindo conteúdos com curadoria e apuração humana. Estamos diante de um paradoxo inquietante: mesmo com 58% dos entrevistados se dizendo preocupados com sua capacidade de distinguir entre verdade e mentira, o público se informa cada vez mais por influenciadores. Isso é grave, pois as pessoas, mais ou menos conscientemente, estão decidindo se informar por fontes que reconhecem oferecer conteúdo enviesado ou falso. Por outro lado, os jornalistas, mesmo buscando a verdade, não conseguem se conectar com o seu público como antes. E a combinação das duas coisas representa sérios riscos para a sociedade. Explico por que nesse episódio. Você acha que se informa por fontes isentas e profissionais?

  48. 453

    Tecnologia muda a relação entre clientes e bancos

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Seu banco está preparado para atender verdadeiramente as suas demandas, usando a inteligência artificial como principal ferramenta? A confiança pode ser considerada o principal produto de um banco, desde quando foram criados, e isso não mudará. Mas em tempos em que redes sociais e a inteligência artificial desafiam constantemente nossa percepção de realidade, essas instituições precisam encontrar novas maneiras de se relacionar com o público. Foi-se o tempo em que um nome consolidado e agências imponentes bastavam para isso. Com a digitalização do setor, a confiança vem da transparência nas propostas do banco, da autonomia do cliente para suas escolhas, de produtos verdadeiramente personalizados, de inclusão financeira e até mesmo do alinhamento dos valores da instituição com os do público. Esses conceitos permearam a Febraban Tech, evento anual de inovação promovida pela federação dos bancos, que reuniu 58 mil visitantes em São Paulo, entre os dias 10 e 12 de junho. Eles também aparecem no estudo “Empowered Customer Journeys”, produzido pela consultoria Box1824 e pela empresa global de soluções digitais CI&T, divulgado no evento. Como era de se esperar, a IA esteve em todo lugar, mas dividiu a atenção com o conceito da hiperpersonalização das ofertas, outro recurso cada vez valioso nesse setor. Resta saber quanto as instituições financeiras realmente respeitarão essas demandas do mercado, com uma tecnologia cada vez mais centrada no cliente, indo além do discurso bem-intencionado. Será que estão mesmo fazendo o que precisam? É sobre isso que falo nesse episódio. Confira! E depois conte nos comentários se sente que está sendo bem atendido de verdade pelo seu banco.

  49. 452

    Essa é a hora dos agentes de IA?

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Os agentes de inteligência artificial vão dominar o mundo? Desde o fim de 2024, ouço líderes de grandes empresas de tecnologia dizer que 2025 seria “o ano dos agentes de IA”. Estamos agora no meio do ano, e esses sistemas começam a mostrar mais força, inclusive com o surgimento de plataformas que integram diversos deles para realizar tarefas mais complexas. Resta saber quanto disso cumpre a promessa e quanto é apenas marketing tecnológico, e quais os benefícios e os riscos de seu uso. Agentes são sistemas potencializados pela IA capazes de realizar tarefas com pouca ou nenhuma supervisão humana. Ao contrário de plataformas populares, como o ChatGPT, podem funcionar de maneira contínua, monitorando o ambiente sem necessidade de comandos para cada ação, e aprendendo a cada interação. Essa autonomia representa um grande benefício, mas também acende alguns alertas. Especialmente com a chegada da IA generativa e suas “alucinações”, agentes não supervisionados podem incluir erros sérios nos negócios. E com diversos deles trabalhando de maneira orquestrada, um agente “mal-comportado” pode corromper outros. É preciso separar o que já é realidade do que ainda é expectativa. O levantamento CEO Study, publicado pela IBM, mostra que, enquanto 61% das empresas no mundo que usam IA em sua operação já implementaram agentes, no Brasil esse índice é de 67%. Até o fim do ano, a taxa global deve chegar a 85%. No entanto, a autonomia desses agentes ainda é limitada. O que se vê, na prática, é uma adoção para tarefas específicas e repetitivas, enquanto usos mais sofisticados ainda exigem supervisão humana e governança robusta. Assim, passada metade do “ano dos agentes”, eles avançam, mas de uma maneira não tão exuberante. A desejada autonomia plena, com tomada de decisões complexas e adaptação a contextos ambíguos, segue como objetivo em desenvolvimento. Então como devemos lidar com os agentes de IA? É sobre isso que falo nesse episódio.

  50. 451

    Vaidade, militares e inteligência artificial

    Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 “Vaidade é definitivamente meu pecado favorito.” A afirmação é de John Milton, vivido por Al Pacino no filme “O Advogado do Diabo”. O personagem, o próprio diabo, revela essa predileção por ser o pecado mais insidioso, aquele que seduz o ser humano fazendo-o acreditar que está buscando grandeza, quando na verdade está apenas servindo ao próprio ego. Hoje essa proposta ganha força no desenvolvimento da IA, com as big techs correndo pela inteligência artificial geral. Elas apresentam seus modelos com pompa e retórica messiânica, falam em democratizar a IA, ampliar nossas competências e garantir o bem da humanidade. Mas os bastidores incluem a vaidade de ser a primeira, de controlar a narrativa, de figurar na história como criadora da próxima grande evolução da espécie. O documento “AI 2027”, publicado no dia 3 de abril, traça um cenário no qual o avanço da IA acontece de forma tão acelerada, que escapa ao controle humano. Agentes de IA começam a se autodesenvolver, a simular comportamentos, a enganar pesquisadores e a realizar tarefas tão eficientemente, que os humanos se tornam obsoletos. Essa evolução não é movida apenas por mérito técnico. É alimentada por competição feroz, sigilo estratégico, espionagem e um desejo cada vez mais explícito de manter o protagonismo global. Por isso, lideranças políticas e militares influenciam esse progresso cada vez mais. Levantamentos como esse, por mais bem intencionados e sérios que sejam, incluem uma considerável dose de futurismo incerto. Ainda assim, promovem debates sociais importantes, que podem evitar que visões apocalípticas se concretizem. Mas como ele propõe, talvez a humanidade não esteja pronta para lidar com as consequências de a criatura se voltar contra o criador. Não é uma teoria da conspiração. Afinal, como a vaidade e a ganância das big techs podem deixar a IA se tornar perigosa? Estamos realmente avançando ou apenas alimentando a vaidade de um punhado de empresas que querem brincar de deuses? É sobre isso que falo nesse episódio.

Type above to search every episode's transcript for a word or phrase. Matches are scoped to this podcast.

Searching…

We're indexing this podcast's transcripts for the first time — this can take a minute or two. We'll show results as soon as they're ready.

No matches for "" in this podcast's transcripts.

Showing of matches

No topics indexed yet for this podcast.

Loading reviews...

ABOUT THIS SHOW

Jornalista (preferencialmente digital), educador (preferencialmente digital), trabalhando para tornar o mundo um lugar melhor

HOSTED BY

@PauloSilvestre

Produced by Paulo Silvestre

CATEGORIES

URL copied to clipboard!