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Rádio UFRJ - Ouve Essa
by Rádio UFRJ
Programa produzido pela Rádio Batuta com a missão de pescar pérolas pouco conhecidas do acervo musical do Instituto Moreira Salles (IMS), voltado principalmente para discos em 78 rotações. A seleção dos fonogramas é do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos. O acervo está disponível no site discografiabrasileira.com.br.
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O lado cantor de Moacir Franco
No início dos anos 1960, Moacir Franco conseguia ser ao mesmo tempo ator cômico (era o mendigo da Praça da Alegria) e cantor de canções românticas. Fazia sucesso nos dois trabalhos. Em 1962, gravou o bolero “Ninguém chora por mim”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Dançando na boate
O samba de boate – alegre e dançante – é uma das marcas do que foram os chamados anos dourados do Rio de Janeiro nos anos 1950. “Recado”, composto pela dupla Luiz Antônio e Djalma Ferreira, gravada em 1959, representa bem o estilo – uma variação do sambalanço – na voz de Miltinho. Ao fundo, o conjunto Milionários do Ritmo, liderado pelo tecladista Djalma Ferreira, dono e atração da boate Drink, no Leme, na Zona Sul do Rio.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Elizeth em samba-canção clássico
O samba-canção “Nossos momentos”, de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, gravado por Elizeth Cardoso em 1961, costuma estar nas listas de dez maiores clássicos do gênero. O acompanhamento é apenas de órgão, pilotado por Walter Wanderley, e uma breve aparição da guitarra de Heraldo do Monte.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Cauby sempre Cauby
O país deixava aos poucos a era do rádio, vivia o auge da bossa nova e, com os roquinhos de Cely Campelo, já se preparava para receber a Jovem Guarda de Roberto Carlos. Cauby Peixoto, cinco anos depois de aparecer com o sucesso “Conceição”, seguia quase indiferente a essas tendências. Em 1961, ele voltou às paradas, romântico como sempre, com o bolero “Ninguém é de ninguém”, de Umberto Silva, Toso Gomes e Luiz Mergulhão.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Samba de ‘gente pobre, gente rica’
Pedro Caetano diz que compôs “É com esse que eu vou” sem maiores pretensões, mas a letra, que junta grupos diferentes, “gente pobre, gente rica”, tem um aceno significativo de confraternização social num momento em que o país acabara de passar pela ditadura de Getúlio Vargas. O samba fez sucesso no carnaval de 1948, gravado pelo grupo Quatro Ases e um Coringa.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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É o samba-rock, meu irmão
“Chiclete com banana”, de Gordurinha e Almira Castilho, gravado por Jackson do Pandeiro em 1959, comenta a invasão de ritmos estrangeiros no Brasil. Em 1958, o namoro do samba com o jazz tinha dado na bossa nova, e antes ainda o rock começava a ganhar suas primeiras gravações em português. A propósito, muitos críticos classificam “Chiclete com banana” como o primeiro samba-rock.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Novo sucesso depois de ‘Amélia’
“Atire a primeira pedra” marca, no carnaval de 1944, a volta da dupla Ataulfo Alves e Mário Lago à boca do povo, dois anos depois da consagração com “Ai que saudades da Amélia”. Orlando Silva, o intérprete, ainda dividia o trono de maior cantor brasileiro com Chico Alves, Carlos Galhardo e Silvio Caldas, mas os críticos já identificam em sua voz os problemas trazidos pelo uso de drogas.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Uma crônica para o samba
As letras de Billy Blanco costumam ser uma espécie de crônica, sempre com humor, mas em “Viva meu samba” ele adota o lirismo nacionalista para exaltar a pureza do gênero. Gravada em 1957, foi lançada em 1958, o mesmo ano de um samba nada puro, a bossa nova. Silvio Caldas já não exibe os arroubos da estreia, 28 anos atrás, mas permanece com a voz elegante e aveludada que o consagrou.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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A sofrência de Maysa
Maysa gravou “Suas mãos”, de Antônio Maria e Pernambuco, em 1958, recentemente desquitada do industrial paulista André Matarazzo, que não a queria na carreira artística. No samba-canção, Maysa está mais Maysa do que nunca. Sussurra sofrimento – e as letras de Antônio Maria eram perfeitas para isso. E esbanja sensualidade. Estava com 22 anos.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Outro de artista de Cachoeiro
A cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, além de Roberto Carlos, é o berço natal do compositor e cantor Raul Sampaio. Ele é o autor do hino não oficial da cidade, “Meu pequeno Cachoeiro”, mas ficou conhecido também por suas canções de amores complicados. Em 1961, fez enorme sucesso com o bolero “Quem eu quero não me quer”, que compôs em parceria com Ivo Santos, e foi gravado por ele próprio.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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A abertura de ‘O agente secreto’
A música "Samba no Arpege" está na abertura do filme “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, o principal lançamento do cinema brasileiro em 2025. Composta por Waldir Calmon e Luiz Bandeira, foi gravada pelo tecladista Waldir Calmon e seu conjunto em 1958. Arpege era o nome da boate situada na Rua Gustavo Sampaio, no Leme, e ponto fundamental no roteiro por onde se construía a bossa nova na Zona Sul do Rio de Janeiro. Waldir Calmon era o dono da boate.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Cartola oculto como autor
O samba “Não quero mais” foi gravado em 1936 por Aracy de Almeida e traz, no selo do disco, Carlos Cachaça e José Gonçalves, o Zé da Zilda, como compositores, mas na verdade ele é de Cartola e Cachaça. Mais tarde, Zilda do Zé negociou com os autores para que o marido – que tinha roubado o samba – passasse a ter em novos discos uma parceria com Cartola, Cachaça. A partir da gravação de Paulinho da Viola, de 1973, a música ficou com o título de “Não quero mais amar a ninguém”.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Do Rio para o mundo
O samba-exaltação “Rio de Janeiro” foi composto por Ary Barroso em 1944 para o filme norte-americano “Brazil” e chegou a ser indicado ao Oscar de canção original. Não venceu, mas a música ficou para sempre no cancioneiro nacional. Em 1951, foi gravada por Dalva de Oliveira, que começava carreira solo depois de deixar o Trio de Ouro.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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A última marcha de Lamartine
A marcha-rancho “Os rouxinóis” foi a derradeira contribuição de Lamartine Babo para o carnaval, festa da qual foi um dos seus mais importantes compositores. Fez sucesso no carnaval de 1958, gravada pelo grupo Os Rouxinóis de Paquetá, formado por coristas anônimos da gravadora Todamérica. A música foi composta a pedido do rancho do mesmo nome, da Ilha de Paquetá, e fez parte da revista “Bom mesmo é mulher”, cantada por Araci Côrtes.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Sucesso de vários gêneros
“Quem é”, de Osmar Navarro e Oldemar Magalhães, teve sete gravações em 1959, seu ano de lançamento. Nos rótulos desses discos ora era classificada como rock-balada (como é o caso desta de Roberto Amaral), ora como bolero-mambo e até mesmo balada-fox. Todas essas versões estão disponíveis no site Discografia Brasileira. A romântica “Quem é” tem letra sutil, não identifica diretamente o sujeito que cobre a amada de beijos, satisfaz seus desejos e muito a quer.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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À moda de Juca Chaves
Juca Chaves apareceu em meio à bossa nova com um jeito diferente de cantar e também de se apresentar, sempre descalço. Mas “Por quem sonha Ana Maria?”, composta e gravada por ele em 1960, é uma modinha. No site Discografia Brasileira, você pode ouvir o outro lado artístico de Juca Chaves. Ele, de nariz avantajado, apresenta a sátira bem-humorada “Nasal sensual”.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Paixão de cabaré na voz de Nelson Gonçalves
O samba-canção “Doidivana”, gravado em 1960, é uma espécie de síntese da parceria do compositor Adelino Moreira com o cantor Nelson Gonçalves, expoentes astros do repertório passional. É uma declaração de amor às avessas. A intensidade do vozeirão de Nelson Gonçalves é perfeita para transformar a paixão de cabaré em estranha poesia.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Cartola e a Penha
O culto à Nossa Senhora da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, misturava fé, ritual e muito samba. Nos domingos de outubro, intérpretes e compositores apresentavam-se em rodas improvisadas ao pé do morro onde fica a igreja, testando os sambas para o carnaval do ano seguinte. Dependendo da reação, a música era gravada. Cartola e Asobert compuseram “Festa da Penha”, gravada em 1961 por Ari Cordovil.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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As vozes dos Cantores de Ébano
O grupo Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano estreou em 1961 com a balada “A noiva”, uma versão de Fred Jorge. O conjunto, inspirado nos corais das igrejas evangélicas americanas, harmonizava vozes negras femininas e masculinas. “A noiva”, uma canção romântica, ganha com os Cantores de Ébano ares de lamento quase religioso. Atenção para a voz de baixo profundo de Noriel Vilela.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Adoniran também era triste
Os sambas de Adoniran Barbosa são reconhecidos pelo linguajar simples, que busca reproduzir, com humor, o jeito de falar da população mais pobre das ruas de São Paulo. “Iracema” é um caso raro em seu repertório. Conta a história triste de uma mulher atropelada. A gravação original é de 1956, feita pelo conjunto Demônios da Garoa.Apresentação: Luiz Fernando ViannaEdição: Filipe Di Castro
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O humor de Ivon Curi
O mineiro Ivon Curi era o que se chamava de chansonnier, um artista capaz de interpretar de um jeito teatral aquilo que estava cantando. Metade ator, metade cantor. Um dos seus sucessos foi o xote “Farinhada”, de Zé Dantas, de 1955. Na gravação, bem divertida, ele mostra por que se tornou um dos artistas mais solicitados para as chanchadas do cinema e, mais tarde, na televisão, chegando a fazer parte de uma das primeiras escalações do grupo Os Trapalhões, comandado por Renato Aragão.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O início de Tom/Dolores
O samba-canção “Se é por falta de adeus” é a primeira música de autoria de Dolores Duran e também a primeira parceria dela com Tom Jobim. Naquele momento, em 1955, a cantora era muito mais conhecida que o jovem arranjador de gravadoras, compositor iniciante e pianista da noite. Dick Farney gravou “Se é por falta de adeus” em 1959, num arranjo enxuto e já influenciado pela bossa nova, que João Gilberto estreara um ano antes.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O romantismo de Catulo
Catulo da Paixão Cearense foi o primeiro grande letrista brasileiro. “Ontem, ao luar”, com melodia de Pedro Alcântara, é um de seus primeiros sucessos. Tinha um método às vezes polêmico de composição, adaptando versos alheios e botando letras em melodias sem autorização, mas o resultado aqui é uma das mais belas canções românticas nacionais. Vicente Celestino foi o primeiro a gravar “Ontem, ao luar”, em 1917, e bisou o feito em 1952. É esta gravação que apresentamos.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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A felicidade de Lupicínio
O título “Felicidade”, da toada de Lupicínio Rodrigues, é enganoso. Ainda não é dessa vez que o compositor gaúcho trata de um amor bem-sucedido. A novidade é que, ao contrário de seus sambas-canção, ele não está tomado pelo ódio, pedindo vingança ou que a ex role pela estrada como uma pedra qualquer. “Felicidade” é uma toada de dor elegante. Foi gravada em 1947 pelo Quarteto Quitandinha.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O samba do Quatro Ases e um Coringa
Os cearenses do Quatro Ases e um Coringa estavam no auge quando, em 1950, gravaram “Boneca de pano”, um samba do baiano Assis Valente. Eram modernos. Assim como seus rivais Anjos do Inferno, Os Cariocas e Namorados da Lua, interpretavam sambas, baiões e marchinhas de carnaval, além de seguir as últimas novidades dos conjuntos vocais americanos.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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As vozes do Trio de Ouro
O Trio de Ouro existiu de 1937 até meados de 1970, com diversas formações e ótimos serviços prestados à música brasileira. O que gravou o bolero “Negro telefone”, de Herivelto Martins e David Nasser, em 1953, já não tem mais Dalva de Oliveira, sua voz feminina original. É formado por Lourdinha Bittencourt, Herivelto Martins e Raul Sampaio.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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No coração do povo
O escritor Paulo Cesar de Araújo, em seu livro “Eu não sou cachorro não”, diz que o baiano Anísio Silva é um dos fundadores daquilo que mais tarde seria chamado de “brega”, e ele aqui não emprega o termo no sentido pejorativo. Brega é o popular, a canção romântica que fala ao coração do povo. O bolero “Alguém me disse”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, gravado por Anísio em 1960, é uma joia desse tipo de música.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O balanço de Ed Lincoln
O carioca Helton Menezes foi um nome fundamental na afirmação do sambalanço, o samba que era uma espécie de bossa nova para dançar e que fez muito sucesso, principalmente no Rio de Janeiro, no início dos anos 1960. “Vou rir de você”, gravado por Ed Lincoln e seu conjunto em 1962, é um dos destaques do movimento.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Gonzagão e a seca
Luiz Gonzaga teve dois importantes parceiros ao compor sua galeria de clássicos. Talvez Humberto Teixeira, com quem fez “Asa branca”, fosse o mais politizado. Zé Dantas era tido como mais pitoresco – mas nem sempre. “Vozes da seca”, sua parceria com Gonzaga, gravada por este em 1953, é das canções mais fortes sobre a realidade nordestina. Foi lançada em meio à seca que começou em 1952 e só terminaria dois anos depois.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Caymmi e seus dois Joões
Em “João Valentão”, que compôs e gravou em 1953, Dorival Caymmi botou em cena alguns dos elementos espalhados em sua obra de poucos títulos, mas monumental para a cultura brasileira. O João também vive à beira da praia e não é só valentão, tem seus momentos de amor e ternura. O acompanhamento é da orquestra de Oswaldo Borba. Quando está em cena o Valentão, samba rasgado; quando aparece o João romântico, um lindo samba-canção.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Bichos no estúdio
“Bicharada” é um baião divertido em que Djalma Ferreira reproduz, ao teclado do órgão, sons de galos, galinhas, porcos e outros bichos, como se transformasse o estúdio num grande quintal do Brasil rural de 1951. Ele está acompanhado do seu conjunto Milionários do Ritmo e não esquece, além do humor, de fazer o que era seu grande charme: botar o ouvinte para dançar.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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E o breque: ‘Na Glória!’
O choro “Na Glória”, de Raul de Souza e Ari dos Santos, é um clássico das pistas de dança. Gravado em 1949 sob a liderança do trombone do próprio Raul, é um tema instrumental, cortado apenas por uma espécie de breque, quando os músicos gritam as divertidas três notas do título da canção. Raul e Ari compuseram “Na Glória” – alusão a um bairro da Zona Sul do Rio – quando eram colegas de orquestra no Dancing Eldorado, na Praça Tiradentes, no Centro.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Em ritmo de rumba-rock
A orquestra de Silvio Mazzuca era uma das maiores big bands nacionais quando, em 1958, ele gravou a rumba-rock “Tequila”, do americano Chuck Rio. Mazzuca era uma versão paulista de Ed Lincoln, o rei dos bailes de formatura do Rio de Janeiro. Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O balanço de Cyro e Mariuza
Cyro Monteiro já estava em cena desde meados dos anos 1930 – um cantor moderno de voz ao mesmo tempo balançada e bonita – quando, em 1955, gravou “Tem que rebolar”, de José Batista e Magno de Oliveira, num dueto com Mariuza. A cantora faria apenas outras duas gravações e desapareceria, sem deixar referências biográficas nos dicionários da música brasileira.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O samba sincopado de Germano Mathias
“Falso rebolado”, de Venâncio e Jorge Costa, uma gravação de 1957, é citada como um clássico em qualquer conversa sobre samba sincopado. O intérprete é Germano Mathias, paulistano da Barra Funda. Ele marcava o ritmo na tampa da lata de graxa, herança dos antigos engraxates e sambistas negros da Praça da Sé, no Centro de São Paulo.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Um samba que Wilson Batista vendeu
O samba “Não tenho lágrimas”, também conhecido como “Quero chorar”, foi lançado em agosto de 1937, atravessou todo o final do ano e acabou explodindo como um dos sucessos do carnaval de 1938. Oficialmente, os autores são Max Bulhões e Milton de Oliveira. Wilson Batista seria um dos autores originais, mas cedeu a vez a Milton em troca de 30 mil réis. O samba teria muitas gravações, entre elas as de Nat King Cole, nos anos 1950, e Nara Leão, nos anos 1970. A original é de Patrício Teixeira.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Dalva responde a Herivelto
“Que será”, de Marino Pinto e Mário Rossi, gravado por Dalva de Oliveira em 1950, tem todos os dramas inerentes a um bom bolero – e com o plus de que é tudo verdade. A gravação é um dos capítulos da separação entre Dalva e o compositor Herivelto Martins, uma briga que foi parar nosdiscos. A cada música de Herivelto apontando Dalva como vilã, a cantorarespondia com outra. “Que será” é uma dessas respostas.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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A bossa de Aracy de Almeida
“Tenha pena de mim", sucesso no carnaval de 1938, tem um ritmo animado e letra triste, um dos charmes da tradição do samba. De autoria de Ciro de Souza e Babaú, ganhou a interpretação ao mesmo tempo chorosa e balançada, magistralmente cheia de bossa, de Aracy de Almeida.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Flores de carnaval
O sucesso das marchas “Florisbela” e “A jardineira” no carnaval de 1939 fez com que a exaltação às flores persistisse em 1940, com “Dama das camélias” e “Malmequer”. Esta última, de Newton Teixeira e Christovão de Alencar, foi gravada por Orlando Silva, aos 24 anos, já reconhecido como o Cantor das Multidões. No concurso oficial, “Dama das camélias”, com voto do jurado Villa-Lobos, ficou em primeiro lugar. “Malmequer”, com voto de Pixinguinha, em terceiro – mas hoje é mais lembrada que a adversária.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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A ternura de Dolores Duran
O reconhecimento de Dolores Duran como grande compositora só surgiu após sua morte aos 29 anos, infartada, em 1959. Antes, era apreciada mais como cantora. A letra de “Ternura antiga” foi encontrada numa gaveta do apartamento em que ela morava em Copacabana. Ganhou música do pianista Ribamar, seu parceiro nas boates da Zona Sul do Rio, e, em 1961, a primeira gravação, por Luciene Franco.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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As regras da gafieira
Embora paraense, o compositor Billy Blanco forma ao lado do cantor carioca Jorge Veiga uma dupla de grandes representantes do samba feito no Rio de Janeiro. Em “Estatutos da gafieira”, gravação de 1957, estão a crônica de costumes e o bom humor, dois elementos básicos desses artistas. Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O samba da terra de Caymmi
O Bando da Lua fez a primeira gravação de “Samba da minha terra”, de Dorival Caymmi, em 1940. Era um “samba sacudido”, como definia o compositor baiano, e na bossa vocal do grupo carioca, sempre bem-humorada, ficava ainda mais. Na letra, estão alguns dos versos mais conhecidos de Caymmi, como “Quem não gosta de samba/ Bom sujeito não é/ É ruim da cabeça/ Ou doente do pé”.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Bossa carioca em voz paulistana
Isaurinha Garcia tinha um jeito tão particular de cantar que era chamada de A Personalíssima. O sotaque paulistano não foi empecilho para que ela interpretasse com muita bossa o samba de estilo carioca “De conversa em conversa”, de Haroldo Barbosa e Lúcio Alves, sucesso de 1947. Foi acompanhada na gravação pelos Namorados da Lua, que tinha Lúcio como um dos integrantes. Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Lembranças de São Paulo
A valsa-choro “Rapaziada do Brás” é uma das mais firmes marcas musicais, ao lado de “Sampa” e “Trem das Onze”, da cidade de São Paulo. Ela foi composta em 1917 por Alberto Marino. Em 1960, Carlos Galhardo foi o primeiro a gravá-la com letra, de Álvaro Rodrigues.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Uma mulher, uma cidade
A toada “Maringá” foi gravada por Gastão Formenti em 1932. Ninguém sabe de onde o compositor Joubert de Carvalho tirou o nome para batizar a bela cabocla obrigada a deixar sua cidade para fugir da seca nordestina. Nem antes, nem depois, o nome foi comum em mulheres, mas em 1947 Maringá batizou a cidade ao redor da recém instalada Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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Samba fantasmagórico
“Sistema nervoso”, gravado em 1953 por Orlando Correia, é um samba bem fora do padrão de Wilson Batista. Conta mais uma vez a história de um solitário, mas com ar de paródia de filme B de terror. No abandono da madrugada, ele ouve passos e sente a presença da amante no frio que o abraça. Para criar um clima fantasmagórico, o recurso possível para a época foi registrar a voz de Orlando Correia ecoando entre os azulejos do banheiro da gravadora. Wilson Batista teve Roberto Roberti e Arlindo Marques na parceria.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O morro não tem vez
A versão social da bossa novaA bossa nova estreou em 1958, mas, já nos primeiros anos da década seguinte, seus compositores deixavam de lado a temática do sol-sal-sul e engajavam-se em temas da questão social brasileira. O samba “O morro não tem vez”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, gravado em 1963 por Jair Rodrigues, que havia estreado no ano anterior, é bom exemplo disso. Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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A triste ‘Mãe preta’
“Mãe preta”, de Caco Velho e Piratini, é uma toada triste, como todas as que contam histórias da escravidão no Brasil. Ficou famosa internacionalmente ao ganhar nova letra de compositores portugueses e se transformar em “Barco negro”, um fado de Amália Rodrigues. Pior: sem crédito para os autores brasileiros. “Mãe preta” foi gravada em 1943 pelo Conjunto TocantinsApresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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O grito do Bafo
O Bafo da Onça, criado em 1956, é uma das inspirações dos megablocos que hoje enchem as ruas do carnaval do Rio de Janeiro. Seu forte era o samba batucado, como “Oba”, que seu compositor, Oswaldo Nunes gravou em 1962 e que continua a ser cantado.Apresentação: Joaquim Ferreira dos SantosEdição: Filipe Di Castro
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