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09.Soco na Névoa episode artwork

Jan 7, 2013 11 min

09.Soco na Névoa

from Contra o Nazismo Psíquico

Soco na névoa O Paradoxo: A enfermeira comenta sobre os fetos que ficam no útero além do tempo necessário, suas unhas crescem e como são finas, eles se cortam no rosto, sua pele se descola do corpo, eles evacuam e depois de comerem as próprias fezes sem terem nascido morrem e apodrecem. A Porta: Fumando uma idéia dentro desse açougue metafísico : É quase impossível não pensar no paradoxo quando irrompe nas esquinas, a humanidade com sua corrompida verticalidade que jamais se tornará o diamante sonhado pelo SER em Bento Prado Jr. se proliferando como a imaginação paralisada como o som da chuva atravessando gerações de nuvens até ser ofuscado por essa matéria escura do Sr. Paul Klee, impossível não-pensar nisso ao vermos a turba exilada em tristes pedaços de carne sem nenhum êxtase ou os incontáveis mortos imitando a concha no ácido do sublime carvão do Eu : Eu ( Um assassino se escondendo dentro do tempo ) Enviando a essência franqueada para campos de concentração dentro do Sol ( Seus raios cantando o infinito-foda-se ) Impossível não pensar nos olhos Do Saturno do Sr. Goya Na capa do Ou o poema contínuo Do Sr. Herberto Helder Saturno mirando os raios, estes que escrevem um cachorro morto no céu . Impossível não pensar no Mozart-quântico que mora no fundo da multidão-sono como uma mônada-semente que não vinga apodrecendo no jardim esquizocênico... Não pensar nas balas-perdidas, no perfume das granadas explodindo no bar das Parcas... Num eclipse-invertido seguido de uma chuva fina por dentro do olhar da criança recém-esquecida... no lixão Nesse bar-iceberg para o barco-bêbado no sangue dos amantes-kamikases ( Não há outros?) habitando como Mozart o fracasso da fusão do um em um ( Nuvens de vapor) no céu de Titanic-world... Impossível não pensar no fracasso invisível dos cadernos de cultura onde o tédio de Camus encontra o de Valéry e ambos são dissolvidos pelo olhar de um catador de papel às 4 da manhã na portaria da USP ( Apenas um esqueleto de vento comenta essa idéia esquiva) Enquanto ainda sonhamos com a devolução das auroras roubadas ou com o cheque sem fundos do carinho entre estranhos, impossível não pensar na covardia disso: A visão de um catador de papel neutro-efervescente totalmente anulado pelo primeiro círculo, de Dante nem na covardia desse falso-poema da ficçionalização do encoberto ou em outras nadificações que alimentam em nós o olhar de Saturno e o desejo por carnificinas tão banais que equivalem a ouvir, no cinema um celular tocando no meio do filme, como um veneno para o sentido oculto nas vozes dos atores, anulando, não as chacinas, mas a intensidade das ausências, como um grito em Bach. Pausa para uma pergunta: É melhor continuar sendo o fantasma de um poema ou em um poema? Ou outra pergunta ? Que se abre no sono-dos-sonos da superficialidade, nessa massa flutuante de anti-seres, onde alguma coisa há indo de encontro, ao nada- absoluto que não há. É impossível não pensar no pouco tempo que nos resta Para tentar voltar ao outro : Ao outro-agora. Impossível não pensar na gratuidade, onde o Sol nasce pisando nas nuvens, para vomitar sua luz no banheiro sujo da humanidade : Esse oceano imóvel... Não pensar nessa chuva de satoris falsificados através do sonho das multidões... Nem na implosão dos cemitérios verticais da arte Criando um gigantesco anti-smog Para o sono dos sentidos... Impossível não pensar no cansaço da visibilidade , Na inauguração da fábrica de suicidas-amadores, (Não há outros?) Na essência evaporada passando pelo buraco da agulha e desaparecendo no brilho surdo da película de Berkeley. Podemos ouvir nos ossos a voz do grão de areia cantando o nosso nome para o azul, na tela Solidão do Sr. Iberê Camargo. Não pensar no pouco tempo Para projetar nosso riso na festa dos cadáveres sem centro, isso equivale ao sono desesperto na saída do baile funk ou ao sono-allegro-disperso de uma festinha universitária, na USP, UNICAMP, Mackenzie, etc em todas erguemos um brinde seco para o véu do corpo, enquanto a verdadeira festa móvel dos galhos avança pelos destroços da calçada, até alcançar os do asfalto, ali os pneus dos carros cantam uma ária dodecafônica para as marcas das calcinhas nas bundinhas das mãezinhas de 13,14,15,16,17,18,19,20 e 21 que rebolam para o sempre e o mesmo, opaciadas por essas minúsculas asinhas de Ícaro quebradas e retorcidas em seus ventres, como seqüestrados em porta-malas, crianças que irão cair para o sempre e o mesmo rútilo vaso sanitário do projeto humano : Uma biblioteca deserta nos subterrâneos de uma igreja gótica abandonada... Enquanto isso, Um bêbado canta um hino Que mistura os hinos do Corinthias e do Flamengo com o Hino Nacional e o resultado parace mais autêntico do que o país em si... É impossível não pensar em esculpir um cão negro com os restos dessa criança índia jogada na vala do silêncio ou na gaveta de cimento das cintilâncias vazias. Essa é para o Sr. Auden : O cemitério da memória transcende a ficção dos fatos? Posso ouvir a sua voz ecoando no jardim, dublada Pelo esqueleto azul de Bruno Tolentino No fundo do rio Tietê: Por exemplo, em Hamlet, é fácil notar que o amor e a morte possuem a lógica de um assassinato, com uma sutil diferença... No amor a ausência é evocada para tentar materializar o fantasma de um vivo. Na morte, a vala comum do silêncio explode e amplia o meio do rosto, pétalas caem para dentro... Por que não conseguimos contornar o nada com nossa mudez? E há um não-grito caindo No piso do Banco Dostoievski, do Hotel Proust, Do Gogol Bank... Que acaba de comprar a China Um não grito no cemitério clandestino do universo... Ainda estou no açougue-presídio, a chegada da tropa de choque não me acordou do metafísico. É impossível não comparar a chegada da tropa de choque com a inércia dos anti-corpos... Não pensar em Simone Weil se esquecendo de Jesus no meio da chuva : E se a partícula pensa. Ela pensa. Também choveu no banho de sol Interrompido pela rebelião em volta do presídio de segurança máxima, centenas de teresas em chamas, formam uma flor São os comandos de um lado e as facções do outro Ela está pensando, dentro da cabine do helicóptero da polícia ou da CIA ( Que diferença fará?) Pensa a policial... Nem mesmo são coisas, como podem pensar? Como podem se revoltar? Simone Weil diz para a chuva. A mesma chuva que dezenas de anos depois molha o visor do capacete dos soldados, Simone Weil passa por mim e entra na fábrica. Esqueça a tropa de choque, procuro pensar, pensar como as partículas, pensar nos mortos que sonham conosco quando estamos acordados, pensar no fantasma do universo, nos raios desse fantasma saindo do Sol, em Cy Twonbly desenhando o canto dos pássaros dentro do açougue. Em Mozart... É melhor não. Me dizem as partículas-Bartleby O nome do jogo é sonhar, não pensar Pode ser uma bela inversão da lógica da morte, ao tentar não-pensar penso, logo, sonho. Sonho com Chet Baker fumando um cigarro na sacada do hotel, antes de cair, com minha mãe morta me acordando, sonho que não existo, sonho com Baudelaire dizendo que : A vida humana vale menos do que uma fábula . A vida humana vale menos que um conto dos irmãos Grimm Sonho que Humphrey Bogart e Camus são a mesma pessoa, sonho que Miles e Coltrane estão tocando com os Beatles, sonho que Jorge de Lima está lendo A invenção de Orfeu para Brian Wilson em uma senzala no Haiti, sonho que sou um peixe de gelo e lentamente me transformo num peixe de fogo, sonho que acordo e não me lembro onde deixei meu corpo, sonho que acordo e não me lembro de ter acordado e as duas sensações são a mesma, sonho que posso enxergar a energia do silêncio, sonho que acordo fora do sonho e pergunto : Pergunto ao silencioso inferno que não funciona direito, Pergunto ao paraíso invisível Visível apenas para o fantasma das crianças Pergunto ao alto fundo dos oceanos, Ao imóvel fantasma do universo, Que vive dentro da criança fantasma pergunto para as paradas cardíacas, para os buracos negros das balas, para o brilho e a fumaça dos pneus queimando MEU CORPO, Para os soldados de 13,14,15,16,17,18,19,20 e 21 Cantando e dançando em volta da fogueira... Para a escuridão das covas vazias, para os espaços livres da minha presença, infinitos ou não, que importa? Pergunto anulando o não-grito : Se não há tempo nenhum, em lugar algum, que estranho anti-sonho é esse, onde nada revela sua essência e propósito? E a resposta, meus caros, É como um soco, Tão forte que me joga para fora, Tão óbvia, que me recuso a dizê-la. Apenas me levanto Dentro de mim mesmo Em algo que jamais senti ou pensei antes E entro na Névoa. Letra: Marcelo Ariel Base: Ismael Sendeski & Nigro, KF Baixo: Miro Dantas

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09.Soco na Névoa

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