EPISODE · Apr 5, 2021 · 31 MIN
10ª - Paixão do Senhor Jesus (Reflexão de Padre Paulo Ricardo) - A Cruz e os sacramentos - 04-04-21
from O Poder da Oração · host Cássio Rogério de Lima
Nesta última reflexão da série “Paixão de Cristo”, vamos meditar sobre os sacramentos como instrumentos de salvação que Cristo nos deixou na Cruz. Tal reflexão é fundamental para termos clareza sobre a nossa identidade de católicos, principalmente na sociedade atual que, sob a égide do indiferentismo religioso e do relativismo moral, dissolve as verdades de fé, a fim de que se tornem mais palatáveis e menos inconvenientes ao homem moderno. Embora haja uma constante tentativa de negar o caráter redentor da Paixão de Cristo e a eficácia salvífica dos sacramentos, não há retórica ou figura de linguagem que consiga amenizar as palavras do próprio Cristo Ressuscitado: “Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado” (Mc 16, 16). Tal afirmação de Nosso Senhor, que aos olhos do mundo moderno merece a pecha de “intolerante” e “radical”, deriva do fato de que, na Cruz, Nosso Senhor Jesus Cristo conquistou a nossa redenção e, ao mesmo tempo, deixou-nos os meios de alcançá-la, os sacramentos. Inicialmente, convém refletirmos sobre como essa redenção nos foi conquistada. Com sua morte na Cruz, Jesus restaurou para nós o caminho de acesso a Deus. Tal mistério salvífico é representado de forma simbólica por dois acontecimentos: o Coração de Cristo transpassado no Calvário e o véu que se rasgou no templo de Jerusalém. Assim que Nosso Senhor morreu, os Evangelistas nos dizem que o véu do templo se rasgou. Para compreender o significado desse acontecimento, precisamos entender que o templo de Jerusalém estava dividido em partes, cada uma com suas respectivas restrições de acesso: o pátio em frente ao templo era destinado ao povo; a parte interna do templo, chamada de “santo” por sua sacralidade, era destinada somente aos sacerdotes; mas havia uma parte interna mais sagrada ainda, o “santo dos santos”, ao qual tinha acesso somente o sumo sacerdote uma vez por ano. Para expressar o grau máximo de sua sacralidade, o santo dos santos era separado do restante do templo por um véu, uma espécie de cortina. E foi justamente esse véu que se rasgou, de cima a baixo, no momento da morte de Jesus na Cruz, quando o soldado transpassou com uma lança o seu sacratíssimo Coração. Com esse gesto, Deus estava nos mostrando que aquele templo já não era mais sagrado, porque havia entre nós um novo templo, o corpo de Cristo, como Ele próprio anunciara ao falar sobre sua Ressurreição: “Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias” (Jo 2, 19). Enquanto no templo antigo só entravam os sacerdotes, no novo todos podem ingressar. Esse novo templo tem como véu o Coração transpassado de Cristo, por meio do qual temos acesso a Deus. Por isso, a Igreja tanto incentiva a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, forma real e concreta pela qual Deus expressou o seu amor por nós. Em termos simbólicos, o Coração de Jesus constitui uma eloquente metáfora da Encarnação, por meio da qual Deus se fez homem a fim de que o amor divino se realizasse num coração humano. E é por meio dessa união que nós somos salvos. Por isso, precisamos recorrer a Jesus que, do seu peito aberto, nos concede os sacramentos para a união mística com Deus. Essa realidade é perceptível quando observamos que do seu Coração jorraram sangue, que remete ao maior dos sacramentos, a Eucaristia; e água, que representa o primeiro deles, o Batismo.
Embed this episode
NOW PLAYING
10ª - Paixão do Senhor Jesus (Reflexão de Padre Paulo Ricardo) - A Cruz e os sacramentos - 04-04-21
No transcript for this episode yet
Similar Episodes
No similar episodes found.
Similar Podcasts
No similar podcasts found.