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18 - Macuriri

Episode 18 of the Felipe Simão - Poesias podcast, hosted by Felipe Simão, titled "18 - Macuriri" was published on September 1, 2024 and runs 1 minutes.

September 1, 2024 ·1m · Felipe Simão - Poesias

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Macuriri nasceu condenado à esperança, nasceu para ser eternamente criança, já nasceu com preguiça, ele rejeita lingüiça, e como petisco só come marisco   Macuriri tem o peito branco que é a cor da paz, Macuriri tem a força do índio goytacaz, tem os olhos castanhos como a castanha de caju os lábios tamanhos, cor de jambu, Macuriri adora comer doce com frufru   Macuriri é saltimbanco, é muito sagaz, Macuriri tem o cabelo azul que é a cor do manto do povo de Cabul, Macuriri é malandro, não tem o sangue-azul   Macuriri tem a pele verde que é a cor da verdade, e é a causa da sua distinção Macuriri foi moldado pela sinceridade e não pode dizer “não”, Macuriri é travesso, mas não faz por maldade, é a sua confissão Macuriri é avesso à vaidade, e à boa razão   Macuriri nunca teve liberdade, cresceu numa prisão Macuriri não tem saudade, pois só viveu na solidão, Macuriri fugiu da sua cidade, abandonou o Sertão   Ele vem duma terra distante, dominada por um jacaré gigante, chamado Ururau, que caçava criancinhas para fazer mingau, e gostava de chupar... creme de bacalhau   Macuriri foi corajoso o bastante, para enfrentar o Ururau, prendeu o jacaré numa armadilha e fincou no seu coração uma forquilha, Macuriri saiu errante andando por qualquer canto e ele pode estar por aí, preste bem atenção para ouvir o seu canto, o canto de Macuriri

Macuriri nasceu condenado à esperança,

nasceu para ser eternamente criança,

já nasceu com preguiça,

ele rejeita lingüiça,

e como petisco

só come marisco

 

Macuriri tem o peito branco

que é a cor da paz,

Macuriri tem a força do índio goytacaz,

tem os olhos castanhos como a castanha de caju

os lábios tamanhos, cor de jambu,

Macuriri adora comer doce com frufru

 

Macuriri é saltimbanco,

é muito sagaz,

Macuriri tem o cabelo azul

que é a cor do manto do povo de Cabul,

Macuriri é malandro,

não tem o sangue-azul

 

Macuriri tem a pele verde

que é a cor da verdade,

e é a causa da sua distinção

Macuriri foi moldado pela sinceridade

e não pode dizer “não”,

Macuriri é travesso,

mas não faz por maldade,

é a sua confissão

Macuriri é avesso à vaidade,

e à boa razão

 

Macuriri nunca teve liberdade,

cresceu numa prisão

Macuriri não tem saudade,

pois só viveu na solidão,

Macuriri fugiu da sua cidade,

abandonou o Sertão

 

Ele vem duma terra distante,

dominada por um jacaré gigante,

chamado Ururau,

que caçava criancinhas para fazer mingau,

e gostava de chupar... creme de bacalhau

 

Macuriri foi corajoso o bastante,

para enfrentar o Ururau,

prendeu o jacaré numa armadilha

e fincou no seu coração uma forquilha,

Macuriri saiu errante

andando por qualquer canto

e ele pode estar por aí,

preste bem atenção para ouvir o seu canto,

o canto de Macuriri

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