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PODCAST · arts

Felipe Simão - Poesias

by Felipe Simão

Todas as poesias publicadas de Felipe Simão.

Publisher-supplied feed metadata · PodParley refreshed Sep 6, 2025 · Source feed

Episodes

  1. 27 - Lua de carnaval

    A lua antecipou a noite, foi de afoite, brincar carnaval à luz do dia, repentina, toda vadia, entregue como serpentina no meio da multidão, perdeu-se entre todas as gentes, todas as cores, toda emoção, foi mulher vivida, de muitos carnavais, foi moça atrevida de prazeres carnais, foi pé de folia...

  2. 26 - Eu ainda te amo

    É meia-noite e eu sei que você não me ama, eu me despedaço, afundo na lama, eu me afogo nos lençóis, eu que tanto pensava em nós, não passamos dum fiasco É meia-noite, acusam os ponteiros como acusam os meus pensamentos, as memórias dos fatos, que você não me ama É meia-noite, quantos não estão...

  3. 25 - Cobertor de lã

    Hoje não estou bom com as palavras, me nego a conversar, perdido nos meus próprios assuntos que não interessam a ninguém; só quero alguém para dividir o silêncio, um abraço quente, um cobertor de lã e não ter que pensar no amanhã

  4. 24 - Caso de maldade

    Eu perdi a minha virgindade e você perdeu a sua fidelidade, não sei se foi um caso de amor ou de maldade, foi um prazer de momento do qual agora só nos resta o constrangimento

  5. 23 - Diapasão

    Quando contigo me deito, faço do nosso leito ninho de amor vadio, de ti jamais me sacio, pelas tuas linhas me enfio, sinto em nós forte vibração, perco-me nesse diapasão, e não consigo distinguir a emoção, se louco prazer ou pura paixão, só me deixo levar pela eloquente sensação de estar nos teus...

  6. 22 - Síndrome de Estocolmo

    É uma pena que uma mulher tão linda, tão inteligente, que gosta de ser livre, que gosta de sexo, e encara o preciosismo machista que habita em todas as mulheres, uma pena que seja tão fútil, que viva a mercê de homens mais velhos Você deixa que eles suguem toda a sua juventude, eles nunca vão se...

  7. 21 - Excesso de amor

    Essa noite você vem? Não se preocupe meu bem, não é errado ter excesso de amor e querer mais alguém eu sei que você ficou louca depois de ouvir o meu áudio, quer ser promíscua como uma imperatriz romana, venha comigo trair o seu Cláudio, encontrar no prazer proibido o seu nirvana, drogada pela...

  8. 20 - Nada sério

    É na escuridão que brilha nossa paixão; um dedo no interruptor, vários pelo corpo, perambulando sem escopo, prazer disruptor; de fundo música a meio-tom, sintonia em império, o nosso caso não é sério, é um gostoso talvez que se desenrola no looping da nossa esteira, a decisão fica na prateleira...

  9. 19 - Sopro das minhas cinzas

    Neste quarto quero ser contigo mais que duas mulheres de mãos dadas, duas amigas disfarçadas, quero ser uma só nudez entrelaçada, beijar a tua tez e descer com calma por todo o teu corpo, nós duas perdidas de prazer, nas regiões encontradas; o quanto eu te amo, minha namorada, minha deusa vadia,...

  10. 18 - Sou poeta, não sou Romeu

    Malditos versos, nunca acabam, sempre mais uma linha a digitar, sempre mais um motivo a fazer reclamar os meus dedos cansados, mas que malcriação minha, chamá-los desgraçados, são uma benção, que não acabem nunca, que passem por cima de mim e durem muito mais que eu, quero ser velado coberto de...

  11. 17 - Saudade

    A saudade é emoção que invade, inunda, às vezes é doce, sensação de candura, outras, tem gosto de amargura; às vezes é um sentimento de ternura, outras, ataca com voracidade, como se tivessem arrancado um pedaço nosso numa sessão de tortura, dor tão forte que a gente se entrega ao insano…

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  12. 16 - Faço poesia

    Eu não faço amor, faço poesia; a luxúria é vazia para quem mergulhou na dor e hoje tem vício de viver; sou distante, dessas noites o destino me priva, não consigo entreter, me conectar; o momento ofegante fica à deriva, insiste em se dissipar, não chega ao flerte, não entra no quarto, não deixa a...

  13. 15 - Eu te superei

    Tantos dias chorando as tuas saudades, tantas noites sonhando as tuas devassidades, e numa manhã repentina, com um insight de surdina, eu te superei; o que somos não sei, "amigos" foi um termo que no passado precipitadamente afirmei; teu jeito matreiro e confuso, meu pensamento caótico e difuso;...

  14. 14 - Jogo de amor

    Não há nada para me perguntar, eu conheço as regras do jogo na cartilha coloquei fogo, não quero jogar; ponho todas as cartas na mesa para não ter incerteza, sem blefes, sem flertes, mostro a minha cara e ninguém me encara; um ais de paus do naipe de ouros é diferente, eu sou o caos na…

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  15. 13 - Vício

    Você é um vício o arrepio de estar à beira do precipício você é louca mas sou eu que vou para o hospício se ficar mais um segundo sem a sua boca

  16. 12 - Aqueles olhos

    Eu conheço aqueles olhos e eles me conhecem, pelas lentes de outras dimensões, de outras vidas não me esquecem; eu confio naquele olhar como se entre nós houvesse um laço que nunca teve lugar, nunca teve espaço, desses olhos não preciso fugir, não preciso disfarçar Eu conheço aquele sorriso, ele…

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  17. 11 - Amor covarde

    Eu amo demais, eu amo assaz, amo em dobro, amo e nunca tenho logro, porque quando as pessoas percebem que me amam, já é demasiado tarde; o amor que me dão é covarde, não corre atrás, e mesmo que corresse, o fim é de fato esse, não há o que se conserte, não há desejo que se desperte, quando as...

  18. 10 - Personagem

    A primeira mulher que amei o meu amor desfez quando me definiu, “um personagem”, ofensa de nova roupagem; pobre alma disparatada, uma vida repleta de elogios e romances que não dão em nada, não sabia o quão profundamente estava errada, eu não sou um personagem, sou a história, homem imponderável,...

  19. 9 - Zero a zero

    Quando estou conversando com você, sinto que as palavras ficam na ponta do pé, mas nunca põem a cabeça para fora da janela, não saem pelos seus lábios de lua; você foge de mim, mesmo caminhando ao meu lado na rua, você me tem como sábio, mas eu só lanço para o ar ideias nuas Já anunciei o...

  20. 8 - O silêncio também fala

    Você sente minha falta, sofre calado e se orgulha de eu não ouvir isso da sua boca, a si mesmo renega os próprios sentimentos, fazendo essa cara blasé de homem racional, você acredita ter o controle de tudo, e mesmo nas frias madrugadas quando não é mais possível aturar, o seu coração salta a...

  21. 7 - Antes de amar

    Perdi meu amor, antes de sentir no peito ardor antes de provocar com meu toque calor antes de encontrar nos seus braços fulgor, perdi meu amor antes de ter o que se ter para sentir dor Perdi meu amor, e o que me invade é a saudade do que não vivi daquilo que não senti, mas que poderia ter…

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  22. 6 - Yasmin

    Com uma mentira branca que no bem-me-quer a pétala se arranca, fingi te conhecer para fingir te desconhecer se bem que não deixa de ser verdade, pois desde a faculdade, os meus olhos te conhecem, minhas lentes jamais te esquecem, sentada no outro lado da rua, tua pele alva, cor de lua, que eu...

  23. 5 - Eu te amo?

    Na minha cabeça eu te amo e desamo, fantoche duma alucinação que tolo sendo, de presunção estupendo, acredito poder controlar, evito pensar e às vezes até me esqueço da minha paixão, inutilmente me agarro à negação, não sei por que se dá a esse esforço minha mente, talvez seja só para que eu,...

  24. 4 - Corda bamba

    Andamos pelas ruas nos esbarrando como se houvesse um ímã entre nós, somos bastante íntimos com as palavras quando estamos a sós, dois corpos que não conseguem ficar longe um do outro, você abusa da nossa intimidade, na presença de todos passa a mão na minha bunda, me puxa pelo braço, me exibe…

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  25. 3 - Eduarda

    Minha madrugada é viva na companhia dessa mulher altiva, Eduarda, menina carinhosa que no peito se guarda, criatura amável, admirável, a sua coragem de dizer aquilo tudo que sabe fazer; é mulher que se imposta, diz do que gosta, o que é gostoso, o que leva no seu gozo e que não quer esposo; é...

  26. 2 - Eva recifense

    A sua voz é doce, sai mansinha lambuzando os lábios que eu tanto quero provar; nos teus divinos olhos verdes quero mergulhar e na sua infinitude, o seu mundo, o quanto mais eu me aprofundo, posso cada vez mais me esquecer, ser um homem refeito em você, me tornar um semideus, a quem não importa…

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  27. 1 - Menina do bistrô

    O que será que tenho para te dizer? O que posso te oferecer? Por que decidi este poema te escrever? Seria amor à primeira vista ou apenas um ardor oportunista? Seria um admirador altruísta ou apenas a falta de pudor que há em todo artista? Qual será o sabor dos teus lábios, à distância tão doces?...

  28. 42 - 16 de fevereiro

    Essa foi a minha primeira noite sem pesadelos, em dois meses; a vida urbana por si só já é um risco de morte, a vida familiar é um emaranhado de intrigas sem solução dia após dia perigas na beira do abismo e nessa desventura, matura a ideia de que os idealismos são sem razão Hoje é 16 de…

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  29. 41 - Vereda

    Para dizer a verdade, percebo que esse caminho de linhas tortas não me levou a lugar nenhum, longe ou perto dos meus sonhos, continuo distante da realização, o caminho em si não me ensinou nenhuma lição sou eu que devo tirar as lições das estradas que escolhi

  30. 40 - Vislumbre

    Faz um ano que cheguei; a mulher por quem me apaixonei não é mais a mesma, Ipanema perdeu o vislumbre; a Lagoa a praia, o morro Dois Irmãos, são retoques de uma lembrança que exige novas demãos para não esmorecer com o tempo, como uma pintura em afresco; a clausura do apartamento já não parece...

  31. 39 - Sem direção

    Não sei se me entrego ou se só aceito o mau gosto da sorte, a caminhos predefinidos não me apego, expectativas não rego, ando sem um norte, uma bússola é tão inútil quanto a prudência, o quão fútil é a aparência; meu horizonte é traçado por linhas tortas, vejo meras tábuas de madeira que todos...

  32. 38 - As palavras voaram

    Quando eu me tornei escritor, as palavras foram perdendo o valor pra mim. Eu percebi que as palavras são como as sensações, só são eternas no papel. Quando eu me tornei ator, notei que o que as pessoas me dizem, não tem tanta importância, a gente se treina a agir de determinadas maneiras Quando…

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  33. 37 - Aquele dia na Lagoa

    Sentado no cais da Lagoa, à frente, uma estátua, às minhas costas, a Cruz de Malta, pela primeira vez meditei de olhos abertos, pois me recusei a fechar as pálpebras diante de tanta beleza, o ar era mais puro, o vento mais brisa, o céu mais azul, as folhas mais verdes, e nada disso é exagero…

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  34. 36 - Equilíbrio desconhecido

    Não sei quem sou, o que gosto de fazer, o que gosto de comer, qual é o meu habitat natural, se rodeado de gente ou sozinho no meu quarto, com quem ter, se com mulheres ou com homens, talvez unido aos dois pronomes, talvez com todos os pronomes, que depois eu nem consiga lembrar de todos os nomes,...

  35. 35 - La douleur

    Je pense toujours à ma douleur. Qu’est-ce que dois-je faire avec ma douleur ? Évidemment, je dois faire quelque chose, frapper le mur, vivre un amour, écrire un livre, méditer, m’éditer ; je dois transformer la haine, l’angoisse, la désillusion en autre chose que me va faire renaître Je m’ai trop...

  36. 34 - Sacola vazia

    Hoje, depois de acordar, me olhei no espelho e eu não estava lá, era outro no reflexo, irreconhecivelmente igual, nem quem eu fui e nem quem eu quero ser, era alguém que se perdeu e foi parar em Icaraí, alguém que não tinha o que era meu e esqueceu de si, que das próprias virtudes se desprendeu e...

  37. 33 - O mundo

    Sofá, pipoca, um filme em preto e branco, uma tarde de domingo, o descanso merecido, um recanto de amor por nós construído, quatro lábios colados que nada parte, Casablanca já não é no Marrocos, agora fica em Marte Dissolvido na cor dos teus olhos, eu me sinto encasulado num segundo, como uma...

  38. 32 - Harmonização facial

    A gente se amava tanto, o primeiro a amor é sempre o mais latente, a eternidade da adolescência cada aula matada pela conveniência do nosso romance o primeiro amor tudo permite tudo fica ao nosso alcance quantas lições perdidas que hoje nada importam nas nossas vidas quantas vontades repentinas...

  39. 31 - Vida de plástico

    O emprego dos sonhos, estável, bem remunerado, almoços, reuniões, gráficos, relatórios, e-mails, férias na praia, palestras, discursos motivacionais, as mesmas trivialidades, as mesmas piadas na hora do cafezinho, os mesmos assuntos, tempo, família, o que dá certo na cozinha, o novo produto de...

  40. 30 - Itaperuna

    Parece cocaína, mas é só Itaperuna, numa ressaca da festa de Medicina, um café vagabundo que deixa na boca um gosto de milho-torrado, é o sabor amargo da lembrança de que na vida eu nunca tive um verdadeiro amor no apartamento, terceiro andar, abro a janela e fumo o meu prensado para esquecer do...

  41. 29 - Intrigas internacionais

    O Universo é imenso, infinito, o dinheiro, o sexo, a vida, tudo é finito, os homens não passam de formigas que conspiram intrigas internacionais, são pedaços de barro aos quais “Deus” deu vida, todos eles vaidosos, prostram-se pomposos, crendo-se imortais, mas a vida uma hora se finda, um dia…

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  42. 28 - Paixões de um poliglota

    Canções em sueco, filmes em inglês, palavrões em espanhol, obscenidades em francês, pensamentos em italiano, frases em japonês, versos em napolitano ou no dialeto romano, o idioma do cotidiano é o bom e velho português, mas não acaba por aí, de tudo há, de ditados em tupi a cantigas em iorubá As...

  43. 27 - Quando as fantasias dançavam no teto do meu quarto

    Quando as fantasias dançavam no teto do meu quarto, as palavras tinham valor, eram a única coisa que eu tinha Quando as fantasias dançavam no teto do meu quarto, o mundo era grande e minha vida era pequena, a realidade era feita de suposições, os meus casos de amor eram inventados e as minhas...

  44. 26 - Fábrica de traumas

    Está cega e não me ouve; está surda e não vê; suas palavras, como soam severas Ela fala, sou todo ouvidos; eu falo, ela é todos ecos da própria voz Não sei se ela é o meu amor ou meu algoz, um colo acalentador ou uma armadilha atroz, uma mulher que me acaricia ou que me arranha feroz Tem dias que...

  45. 25 - Amor com toques amargos

    Você me toca doce e eu perco o controle; você me fala azedo e no meu peito se faz um destrambolhe; mas não me descomponho, você insiste, palavras acres por lábios ocres; com deboche rebato, com afeto reinvisto, com meu jeito te reconquisto; eu me deságuo, você se inunda; mão na nuca mão na bunda,...

  46. 24 - Rajah

    Deitado no colchão exposto pelo piso gelado observo o caminhar das baratas e já não me levanto num ímpeto assassínio, continuo deitado e as olho com fascínio, admirando a rendição do meu espírito sociopata; a verdade é que eu nunca quis ser diplomata, o meu lugar é aqui com as baratas, onde não…

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  47. 23 - Resignação

    Às vezes parece que tudo vai virar poesia, que a inspiração se esconde em cada esquina, que cada nuvem andeja no céu veleja pela força de compor um verso, quem sabe até uma estrofe; o poeta sofre com papel e caneta à mão, craveja na folha a mais fustigante aflição e costura a ferida no corpo do...

  48. 22 - A crueza que cabe

    Cabelos desgrenhados, lençóis e fronhas desconjecturados, o cheiro de corpos suados, mesclados com látex e lubrificante; queria que o sexo fosse mais poético, mas na falta do edificante, escrevo a crueza que cabe no papel: a irretirável pregnância do sêmen que gera fetos, gruda na pela, mancha os...

  49. 21 - Primeira noite no Rio

    Liberto-me dum sono claustrofóbico, sentindo as gotas de suor que secam num colchão velho, ao fundo, o bafo sonoro de sons distorcidos, é o ritmo da favela que arde, o alarde duma solidão coletiva, de quem celebra a modo pagão um feriado cristão; nem tão bem, nem tão mal, abandonei uma rodoviária...

  50. 20 - Umbral do pretérito

    Andando pelas ruas de um passado que não me pertence mais, notei a desimportância de tudo aquilo que deixei para trás, uma concatenação de histórias poluía a minha cabeça sofrimentos sem sentido dispostos numa cadeia, como o amargo de se ressentir por não aproveitar um dia bonito numa cidade…

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