18 - Traços de giz
Episode 18 of the Felipe Simão - Poesias podcast, hosted by Felipe Simão, titled "18 - Traços de giz" was published on September 2, 2024 and runs 1 minutes.
September 2, 2024 ·1m · Felipe Simão - Poesias
Summary
Você pensou que eu fosse alguém, eu sou só o pedaço dum homem que se partiu e não morreu Se o escuro fosse um fragmento de papel roxo e os seus lábios fossem traços de giz branco, inebriantes, tomassem conta da minha boca e me impedissem de ser tão franco, tão cruel comigo mesmo, quem sabe eu fosse mais do que um sopro pode carregar Se a minha cama fosse o fundo do poço e você fosse a minha corda, talvez seria menos difícil levantar todas as manhãs; mas por que você quer erguer essa carcaça quase morta? Com tantos apartamentos, por que bater à minha porta? Se eu fosse mais que um amontoado caótico de gelo, você poderia mergulhar em mim, nadar sem ter bordas, e não se preocupar com o fim Se eu ainda tivesse as minhas asas de anjo, fosse feliz como quando eu era criança e tinha um redemoinho no cabelo, eu saciaria seu desejo voar, quiçá teria contigo um filho que não gosta de posar para fotos Se eu não fosse um miserável te amaria profundamente e não tentaria me afastar de ti, te mandar embora; se não fosse mais que pó, agora estaríamos juntos, entrelaçados num abraço nu que só se desmancharia no sol nascente, um daqueles com os mais bonitos raios que não iluminam uma sessão de fotos no Instagram; seríamos o instante desentercedido de passado ou futuro, seríamos na infinitude momentânea, a pura sensação de viver
Episode Description
Você pensou que eu fosse alguém,
eu sou só o pedaço
dum homem que se partiu
e não morreu
Se o escuro fosse um fragmento de papel roxo
e os seus lábios fossem traços de giz branco,
inebriantes, tomassem conta da minha boca
e me impedissem de ser tão franco,
tão cruel comigo mesmo,
quem sabe eu fosse mais do que um sopro pode carregar
Se a minha cama fosse o fundo do poço
e você fosse a minha corda,
talvez seria menos difícil levantar todas as manhãs;
mas por que você quer erguer essa carcaça quase morta?
Com tantos apartamentos,
por que bater à minha porta?
Se eu fosse mais que um amontoado caótico de gelo,
você poderia mergulhar em mim,
nadar sem ter bordas,
e não se preocupar com o fim
Se eu ainda tivesse as minhas asas de anjo,
fosse feliz como quando eu era criança
e tinha um redemoinho no cabelo,
eu saciaria seu desejo voar,
quiçá teria contigo um filho
que não gosta de posar para fotos
Se eu não fosse um miserável
te amaria profundamente
e não tentaria me afastar de ti,
te mandar embora;
se não fosse mais que pó,
agora
estaríamos juntos,
entrelaçados num abraço nu
que só se desmancharia no sol nascente,
um daqueles com os mais bonitos raios
que não iluminam uma sessão de fotos no Instagram;
seríamos o instante
desentercedido de passado ou futuro,
seríamos na infinitude momentânea,
a pura sensação de viver
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