23 - Resignação
Episode 23 of the Felipe Simão - Poesias podcast, hosted by Felipe Simão, titled "23 - Resignação" was published on September 2, 2024 and runs 2 minutes.
September 2, 2024 ·2m · Felipe Simão - Poesias
Summary
Às vezes parece que tudo vai virar poesia, que a inspiração se esconde em cada esquina, que cada nuvem andeja no céu veleja pela força de compor um verso, quem sabe até uma estrofe; o poeta sofre com papel e caneta à mão, craveja na folha a mais fustigante aflição e costura a ferida no corpo do lírico eu que já não é mais seu Às vezes parece que tudo vai virar poesia, mas a vida é feita de tédio, com intervalos de emoção; às vezes parece que toda rima vai virar poema, que todo riso vai virar cena de livro e depois de filme no cinema, às vezes parece que não haverá dilema, que não importa o tamanho do problema, que não pesará a mágoa ou qualquer outra coisa que chateia; longe da escória, cidadão livre e cada sua estória, mesmo que feia, vai virar letra bonita; mas de fastio fez-se a vida, a trilha se entrava, a mente trava e tudo vira palavra não dita, frase encardida, ferrugem de memória que para nada serve; mas enquanto as palavras não faltam, a percepção não se perde, a memoração não falha, e as estórias não deixam de acontecer, sigo poeta, de papel e caneta até o amanhecer, as letras correm o papel apressadas e nem veem a lua desaparecer, os dias devoram a vida, o tédio devora as horas, e as horas vão nos comendo minuto a minuto sem percebermos, mas hoje não, não neste dia, nesta madrugada, ela ficará, e mesmo quando eu me for, ela ainda estará aqui, será um clarão no escuro, enquanto houver alguém para conhecê-la, com os olhos, com os ouvidos, no seu sentimento perpassar o momento mais duro, a resignação de que a maior parte da vida é antoja, presencialidade de sentido vazia, à transcendência é um ataque, um verdadeiro baque, saber que nem tudo vai virar poesia
Episode Description
Às vezes parece que tudo vai virar poesia,
que a inspiração se esconde em cada esquina,
que cada nuvem andeja
no céu veleja
pela força de compor um verso,
quem sabe até uma estrofe;
o poeta sofre
com papel e caneta à mão,
craveja na folha a mais fustigante aflição
e costura a ferida
no corpo do lírico eu
que já não é mais seu
Às vezes parece que tudo vai virar poesia,
mas a vida é feita de tédio,
com intervalos de emoção;
às vezes parece que toda rima vai virar poema,
que todo riso vai virar cena
de livro e depois de filme no cinema,
às vezes parece que não haverá dilema,
que não importa o tamanho do problema,
que não pesará a mágoa
ou qualquer outra coisa que chateia;
longe da escória,
cidadão livre e cada sua estória,
mesmo que feia,
vai virar letra bonita;
mas de fastio fez-se a vida,
a trilha se entrava,
a mente trava
e tudo vira palavra não dita,
frase encardida,
ferrugem de memória
que para nada serve;
mas enquanto as palavras não faltam,
a percepção não se perde,
a memoração não falha,
e as estórias não deixam de acontecer,
sigo poeta,
de papel e caneta até o amanhecer,
as letras correm o papel apressadas
e nem veem a lua desaparecer,
os dias devoram a vida,
o tédio devora as horas,
e as horas vão nos comendo minuto a minuto sem percebermos,
mas hoje não,
não neste dia,
nesta madrugada,
ela ficará,
e mesmo quando eu me for, ela ainda estará aqui,
será um clarão no escuro,
enquanto houver alguém para conhecê-la,
com os olhos,
com os ouvidos,
no seu sentimento perpassar o momento mais duro,
a resignação de que a maior parte da vida é antoja,
presencialidade de sentido vazia,
à transcendência é um ataque,
um verdadeiro baque,
saber que nem tudo vai virar poesia
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