EPISODE · Sep 2, 2024 · 2 MIN
30 - Itaperuna
from Felipe Simão - Poesias · host Felipe Simão
Parece cocaína, mas é só Itaperuna, numa ressaca da festa de Medicina, um café vagabundo que deixa na boca um gosto de milho-torrado, é o sabor amargo da lembrança de que na vida eu nunca tive um verdadeiro amor no apartamento, terceiro andar, abro a janela e fumo o meu prensado para esquecer do meu futuro mal planejado, que no passado nem penso mais; eu só lembro do cheiro do seu condicionador cabelos afagados, um odor de carinho malcriado, os traços dela desapareceram da minha vida como passos na neve, a gente só lembra quando bebe, a gente só lembra quando não deve, só lembra quando não pode mais, coloca o telefone na bochecha e profere com a voz embriagada um monte de frases sem sentido Parece cocaína, mas é só Itaocara, talvez Campos dos Goytacazes, em setembro, nem lembro mais das histórias de quando eu morava com meus pais, das tantas vezes em que eu quebrei a cara, já fui despejado de tanta casa que perambulo pelas ruas do Rio como um anjo sem asa, vejo as ondas quebrando na pedra do Arpoador; esses filhos da puta não conhecem a minha dor, eles não sabem como é morar no interior; e as ondas violentas de Ipanema me levam nesta tarde cinzenta, para aquela vidraça em Itaperuna, vejo a vagarosidade da gente que passa e os julgo da minha Tribuna, julgo toda aquela gente que como eu nunca aprendeu, que não sabe amar eu grito para o mar, eu grito para expurgar o amor maldito da festa fantasia de Bom Jesus grito blasfemeio, taco pedra na Cruz, que alívio é mandar "Deus" à merda ele e toda aquela vida de merda que “Ele” planejou para mim grito o mais alto que posso, grito sem pudor, proferindo ofensas ao Cristo Redentor grito até me cansar e adormecer nas areias fofas da praia
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Parece cocaína, mas é só Itaperuna, numa ressaca da festa de Medicina, um café vagabundo que deixa na boca um gosto de milho-torrado, é o sabor amargo da lembrança de que na vida eu nunca tive um verdadeiro amor no apartamento, terceiro andar, abro a janela e fumo o meu prensado para esquecer do meu futuro mal planejado, que no passado nem penso mais; eu só lembro do cheiro do seu condicionador cabelos afagados, um odor de carinho malcriado, os traços dela desapareceram da minha vida como passos na neve, a gente só lembra quando bebe, a gente só lembra quando não deve, só lembra quando não pode mais, coloca o telefone na bochecha e profere com a voz embriagada um monte de frases sem sentido Parece cocaína, mas é só Itaocara, talvez Campos dos Goytacazes, em setembro, nem lembro mais das histórias de quando eu morava com meus pais, das tantas vezes em que eu quebrei a cara, já fui despejado de tanta casa que perambulo pelas ruas do Rio como um anjo sem asa, vejo as ondas quebrando na pedra do Arpoador; esses filhos da puta não conhecem a minha dor, eles não sabem como é morar no interior; e as ondas violentas de Ipanema me levam nesta tarde cinzenta, para aquela vidraça em Itaperuna, vejo a vagarosidade da gente que passa e os julgo da minha Tribuna, julgo toda aquela gente que como eu nunca aprendeu, que não sabe amar eu grito para o mar, eu grito para expurgar o amor maldito da festa fantasia de Bom Jesus grito blasfemeio, taco pedra na Cruz, que alívio é mandar "Deus" à merda ele e toda aquela vida de merda que “Ele” planejou para mim grito o mais alto que posso, grito sem pudor, proferindo ofensas ao Cristo Redentor grito até me cansar e adormecer nas areias fofas da praia
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