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31 - Vida de plástico

Episode 31 of the Felipe Simão - Poesias podcast, hosted by Felipe Simão, titled "31 - Vida de plástico" was published on September 2, 2024 and runs 4 minutes.

September 2, 2024 ·4m · Felipe Simão - Poesias

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O emprego dos sonhos, estável, bem remunerado, almoços, reuniões, gráficos, relatórios, e-mails, férias na praia, palestras, discursos motivacionais, as mesmas trivialidades, as mesmas piadas na hora do cafezinho, os mesmos assuntos, tempo, família, o que dá certo na cozinha, o novo produto de limpeza, como está engarrafado o trânsito, imóveis, aluguel, contas a pagar, ter que trabalhar, aqueles papos de coach, com tantas palavras desnecessárias em inglês, futebol, política, nenhuma profundidade, chegar a casa depois das sete, jantar, mulher, filhos, e uma amante para os dias de hora extra; eu não quero nada disso renego todo esse projeto existencial que fizeram para mim, ser mais um engravatado no meio de vários outros engravatados, que só mudam de nome, de endereço, de escritório, de perfume, de cor de gravata, que fazem amor de forma mecânica, que tem certeza do significado da vida e preenchem seu vazio com o inessencial, dinheiro, um novo cargo, um apartamento no metro mais caro da cidade, a casa na praia, o carro do ano, pagar a faculdade que eles escolhem para os filhos, viajar para Europa,  ir a Disney, uma aposentadoria segura, uma esposa troféu, eles têm tudo isso e são tão vazios quanto eu   Sou visto como um homem sem aspirações por não querer essa vida de plástico; a diferença entre mim e eles é que busco respostas, sem simplesmente aceitar as que me dão, criar uma opinião própria e enxergar algo além do chão; eles vivem iludidos na ignorância e eu, inquieto numa assustadora consciência, eles não entendem as suas vontades, seus sentimentos, suas necessidades além daquilo que é material; sua masculinidade é estufada por orgasmos fingidos de esposas ressentidas e jovens com carência parental, cheia como um balão pode explodir com uma simples agulha, deixar de existir com uma simples dedada; já eu, me entedio de mulheres que não sabem conversar, vivo sozinho com meus orgasmos múltiplos, um único homem num cômodo esvaziado de calor humano, mas cheio de sonhos, projetos, Cultura, Arte, História e Literatura; invenções pairam no ar, exalam-se por todos os ecos das paredes, aparecem em todos os espelhos entram e saem pelas janelas, ocupam as telas, os papéis, a mesa, invadem os aparelhos; diversos mundos se fazem na minha mente, constroem-se diante dos meus olhos, ganham vida pela minha voz; esse quarto é um calabouço enfeitado, às vezes chego a esquecer da minha própria infelicidade, mas assim como eles eu não posso fugir da solidão, não importa quantas pessoas estejam à volta, ela está cerrada dentro de nós, nos condenamos a esse estado, seja tentando ser sozinhos ou ser iguais, no fundo, todo mundo é diferente, mas ninguém aceita os desiguais; eu me contento em ser um infeliz criativo, não engulo essa normalidade inócua, emprego, burocracia casamento, crianças batizadas, uma lareira que aquece o corpo e congela a alma; cuspo essa fórmula mágica da felicidade que me enfiaram goela abaixo, como quando era menino e cuspia todo tipo de remédio; essa prescrição nunca curou nenhum paciente de pular do precipício, pois quando o fim do dia chega, a cabeça no travesseiro se deita, não importa se há uma pessoa do lado, todos veem no teto a própria solidão e se a tristeza é inevitável destino, quero errar diferente, por isso me destrilho e busco encontrar alguma transcendência antes de ser engolido pelo vácuo da inexistência

O emprego dos sonhos,

estável,

bem remunerado,

almoços,

reuniões,

gráficos,

relatórios,

e-mails,

férias na praia,

palestras,

discursos motivacionais,

as mesmas trivialidades,

as mesmas piadas na hora do cafezinho,

os mesmos assuntos,

tempo,

família,

o que dá certo na cozinha,

o novo produto de limpeza,

como está engarrafado o trânsito,

imóveis,

aluguel,

contas a pagar,

ter que trabalhar,

aqueles papos de coach, com tantas palavras desnecessárias em inglês,

futebol,

política,

nenhuma profundidade,

chegar a casa depois das sete,

jantar,

mulher,

filhos,

e uma amante para os dias de hora extra;

eu não quero nada disso

renego todo esse projeto existencial que fizeram para mim,

ser mais um engravatado

no meio de vários outros engravatados,

que só mudam de nome,

de endereço,

de escritório,

de perfume,

de cor de gravata,

que fazem amor de forma mecânica,

que tem certeza do significado da vida

e preenchem seu vazio com o inessencial,

dinheiro,

um novo cargo,

um apartamento no metro mais caro da cidade,

a casa na praia,

o carro do ano,

pagar a faculdade que eles escolhem para os filhos,

viajar para Europa,

 ir a Disney,

uma aposentadoria segura,

uma esposa troféu,

eles têm tudo isso

e são tão vazios quanto eu

 

Sou visto como um homem sem aspirações

por não querer essa vida de plástico;

a diferença entre mim e eles

é que busco respostas,

sem simplesmente aceitar as que me dão,

criar uma opinião própria

e enxergar algo além do chão;

eles vivem iludidos na ignorância

e eu, inquieto numa assustadora consciência,

eles não entendem as suas vontades,

seus sentimentos,

suas necessidades

além daquilo que é material;

sua masculinidade é estufada por orgasmos fingidos

de esposas ressentidas

e jovens com carência parental,

cheia como um balão

pode explodir com uma simples agulha,

deixar de existir com uma simples dedada;

já eu,

me entedio de mulheres que não sabem conversar,

vivo sozinho com meus orgasmos múltiplos,

um único homem num cômodo esvaziado de calor humano,

mas cheio de sonhos,

projetos,

Cultura,

Arte, História e Literatura;

invenções pairam no ar,

exalam-se por todos os ecos das paredes,

aparecem em todos os espelhos

entram e saem pelas janelas,

ocupam as telas,

os papéis,

a mesa,

invadem os aparelhos;

diversos mundos se fazem na minha mente,

constroem-se diante dos meus olhos,

ganham vida pela minha voz;

esse quarto

é um calabouço enfeitado,

às vezes chego a esquecer da minha própria infelicidade,

mas assim como eles

eu não posso fugir da solidão,

não importa quantas pessoas estejam à volta,

ela está cerrada dentro de nós,

nos condenamos a esse estado,

seja tentando ser sozinhos

ou ser iguais,

no fundo, todo mundo é diferente,

mas ninguém aceita os desiguais;

eu me contento em ser um infeliz criativo,

não engulo essa normalidade inócua,

emprego,

burocracia

casamento,

crianças batizadas,

uma lareira que aquece o corpo

e congela a alma;

cuspo essa fórmula mágica da felicidade

que me enfiaram goela abaixo,

como quando era menino e cuspia todo tipo de remédio;

essa prescrição nunca curou nenhum paciente de pular do precipício,

pois quando o fim do dia chega,

a cabeça no travesseiro se deita,

não importa se há uma pessoa do lado,

todos veem no teto a própria solidão

e se a tristeza é inevitável destino,

quero errar diferente,

por isso me destrilho e busco encontrar alguma transcendência antes de ser engolido pelo vácuo da inexistência

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