EPISODE · Jul 25, 2023 · 2 MIN
896 | Natália Pinheiro | Preta Poeta | - Poética Ancestral
from Toma Aí um Poema: Podcast Poesias Declamadas | Literatura · host Jéssica Iancoski
Poética Ancestral Minha poesia rompe silêncios que vêm de longe Desde quando nos calaram a voz E trazem dores que não são só minhas Porque o que sou, eu não sou sozinha E quando eu grito, é sempre por nós. Eu sei que o racismo deve ter batido com bem mais força Na pele da minha mãe, tias, avós E várias outras que me guiam os passos... Por elas minha poesia quer ser abraço Afetos negados a tantas de nós. E aos poucos esse meu verso que às vezes grita, às vezes chora Tem aprendido que sorrir e celebrar a vida Também é resistir contra esse sistema genocida Que quando não mata ou prende, chicoteia as costas. De LGBTQs, mulheres, indígenas, empobrecidos, pretas... De gente como nós! E quando aponto a minha caneta, é para irem se preparando Porque as minas estão se juntando Os pretos se aquilombando LGBTQ’s se organizando E vai ser bem difícil não ouvir nossa voz! Eu sou a voz da carne julgada de menor valor De corpos tão silenciados Desde a Colônia objetificados Quando nos negaram tudo Inclusive o amor. E por mais que eu carregue um alvo no peito Que a “bala-perdida” sempre ache a minha cor Que o meu corpo seja sempre o suspeito Eu me recuso a ser puramente dor! Então “faço questão de botar no meu texto” O que o Rincon já cantou: “Pretas e pretos estão se amando” E se ontem seguíamos chorando Hoje e amanhã nós seremos calor. E se o afeto é revolucionário O afeto preto é bem mais, é salvador! E Preta, se nós juntas somos imensidão O nosso infinito é revolução E por isso o meu peito batuca amor.
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