9 - Aquilo lá no céu
Episode 9 of the Felipe Simão - Poesias podcast, hosted by Felipe Simão, titled "9 - Aquilo lá no céu" was published on September 2, 2024 and runs 2 minutes.
September 2, 2024 ·2m · Felipe Simão - Poesias
Summary
Não era um pássaro, não era um avião, não era um super-herói, era um homem sem motor, plumado de sonhos, e pelado de razão, tão consumido pelo rancor que ficou mais leve que o ar; aquilo que não mata dói e o que não te destrói, te faz flutuar Ressecado por dentro como se só bebesse água do mar, às portas do Paraíso negado, recusava-se a descer e pelas nuvens ousava velejar; sem morrer, sem ser arrebatado, era menos que homem, uma carcaça navegante, uma sombra de céu desimportante; mesmo sem vida, não estava necrosado, mesmo nu, não estava despido, tinha flechas de paixão e não era desejado, tinha charme e não era aprumado, tinha voz e não era ouvido, por todos os cantos atacado, mas não ainda destruído, tinha fama e era desconhecido, tinha cama e não satisfazia a libido, era vazio de pleno, era divertido de tão sério, inquieto de tão sereno, enigmático de tão pouco misterioso, tinha boca e não beijava, um sexo que a outro não colava; sozinho de homens e mulheres, ficou com a companhia das nuvens, tornou-se amante da chuva e se sentia orgulhoso de ouvir seus trovões, gozava com seus raios, dissolvia-se no mar e deixava sua pele morta virar coral É uma fragata que não rouba peixes, mas pedaços de azul, a cada pontada de maior vigor, ele fica mais leve, indelével, vai sobrevoando como um esquilo voador, de canto em canto, tentando fugir da própria dor
Episode Description
Não era um pássaro,
não era um avião,
não era um super-herói,
era um homem sem motor,
plumado de sonhos,
e pelado de razão,
tão consumido pelo rancor que ficou mais leve que o ar;
aquilo que não mata dói
e o que não te destrói,
te faz flutuar
Ressecado por dentro como se só bebesse água do mar,
às portas do Paraíso negado,
recusava-se a descer
e pelas nuvens ousava velejar;
sem morrer,
sem ser arrebatado,
era menos que homem,
uma carcaça navegante,
uma sombra de céu desimportante;
mesmo sem vida, não estava necrosado,
mesmo nu, não estava despido,
tinha flechas de paixão e não era desejado,
tinha charme e não era aprumado,
tinha voz e não era ouvido,
por todos os cantos atacado,
mas não ainda destruído,
tinha fama e era desconhecido,
tinha cama e não satisfazia a libido,
era vazio de pleno,
era divertido de tão sério,
inquieto de tão sereno,
enigmático de tão pouco misterioso,
tinha boca e não beijava,
um sexo que a outro não colava;
sozinho de homens e mulheres,
ficou com a companhia das nuvens,
tornou-se amante da chuva
e se sentia orgulhoso de ouvir seus trovões,
gozava com seus raios,
dissolvia-se no mar
e deixava sua pele morta virar coral
É uma fragata que não rouba peixes, mas pedaços de azul,
a cada pontada de maior vigor,
ele fica mais leve,
indelével, vai sobrevoando como um esquilo voador,
de canto em canto,
tentando fugir da própria dor
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