EPISODE · Jul 23, 2021 · 28 MIN
A Ciência e a Filosofia
from Falando Ciência · host Rádio Universitária FM 107,9
E a filosofia floresceu, desenvolveu-se, determinando a linha mestra da história do Ocidente, interpelando e abalizando a religião, a arte, a política e a ética. E na sua missão apolínea, e quando ela outra vez se voltou para a Natureza, após ter se demorado por séculos nas coisas humanas (antropologia filosófica), a filosofia pariu as primeiras ciências, as ciências da natureza: Física, Biologia, Química, criando um novo modo de ler o mundo. E assim, após essa guinada, o novo modelo de leitura e interpretação dos objetos ganhou identidade própria, estabeleceu-se como conhecimento racional, sistemático, metódico, rigoroso e universal, e se expandiu, a partir da modernidade, para todos os recantos da natureza e da sociedade. E a filha dileta cresceu, atingiu a maioridade e reivindicou a sua autonomia. É razoável dizer que as ciências jamais podem se emancipar da filosofia completamente, pois operam com pressupostos filosóficos inelimináveis. Para os cientistas, por exemplo, a realidade, em todas as suas dimensões, é racional e linguisticamente articulável, mas isso, permanece fora do escopo das ciências e da atividade científica, ou seja, permanece não tematizado por ela, mas é seu ponto de partida necessário. Não assumir a racionalidade da natureza e da sociedade tornaria a pesquisa científica desprovida de sentido. No mesmo sentido, o modo como as ciências compreendem o ser das coisas, isto é, que a realidade é composta de substratos, propriedades e relações, é um pressuposto ontológico assumido passivamente, e uma condição necessária para o fazer científico, porém, a ciência mesma não o questiona, pois colocá-lo em dúvida implicaria sabotar a própria atividade científica. O empreendimento teórico do cientista pressupõe que a realidade é inteligível e dizível. Essa introdução foi extraída do texto Filosofia e Ciência: continuidade e rupturas escrito pelo professor Doutor Custódio Luís Silva de Almeida, professor do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Cientista chefe de cultura do Estado. Essa é a continuação do nosso programa com o professor Custódio sobre filosofia e, como sugere a introdução, agora vamos abordar a complexa e essencial conexão entre Filosofia e Ciência, passando pela história dessa relação e os debates atuais sobre esse interessante tema!
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E a filosofia floresceu, desenvolveu-se, determinando a linha mestra da história do Ocidente, interpelando e abalizando a religião, a arte, a política e a ética. E na sua missão apolínea, e quando ela outra vez se voltou para a Natureza, após ter se demorado por séculos nas coisas humanas (antropologia filosófica), a filosofia pariu as primeiras ciências, as ciências da natureza: Física, Biologia, Química, criando um novo modo de ler o mundo. E assim, após essa guinada, o novo modelo de leitura e interpretação dos objetos ganhou identidade própria, estabeleceu-se como conhecimento racional, sistemático, metódico, rigoroso e universal, e se expandiu, a partir da modernidade, para todos os recantos da natureza e da sociedade. E a filha dileta cresceu, atingiu a maioridade e reivindicou a sua autonomia. É razoável dizer que as ciências jamais podem se emancipar da filosofia completamente, pois operam com pressupostos filosóficos inelimináveis. Para os cientistas, por exemplo, a realidade, em todas as suas dimensões, é racional e linguisticamente articulável, mas isso, permanece fora do escopo das ciências e da atividade científica, ou seja, permanece não tematizado por ela, mas é seu ponto de partida necessário. Não assumir a racionalidade da natureza e da sociedade tornaria a pesquisa científica desprovida de sentido. No mesmo sentido, o modo como as ciências compreendem o ser das coisas, isto é, que a realidade é composta de substratos, propriedades e relações, é um pressuposto ontológico assumido passivamente, e uma condição necessária para o fazer científico, porém, a ciência mesma não o questiona, pois colocá-lo em dúvida implicaria sabotar a própria atividade científica. O empreendimento teórico do cientista pressupõe que a realidade é inteligível e dizível. Essa introdução foi extraída do texto Filosofia e Ciência: continuidade e rupturas escrito pelo professor Doutor Custódio Luís Silva de Almeida, professor do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Cientista chefe de cultura do Estado. Essa é a continuação do nosso programa com o professor Custódio sobre filosofia e, como sugere a introdução, agora vamos abordar a complexa e essencial conexão entre Filosofia e Ciência, passando pela história dessa relação e os debates atuais sobre esse interessante tema!
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