EPISODE · Aug 14, 2019 · 28 MIN
A tecnologia prometia diminuir a desigualdade entre brancos e negros, mas periga aumentá-la ainda mais
from Tecnocracia · host Guilherme Felitti
Este Tecnocracia começa com uma explicação básica para quem não viveu a era da fotografia analógica: nas câmeras do tipo, a foto era “impressa” pela luz em um filme fotográfico, que ia se enrolando a cada pose tirada num tubinho. Os filmes não eram praticamente infinitos como os cartões de memória de hoje; cada um tinha entre 12 e 36 fotografias. Acabadas, o fotógrafo tinha que tirá-lo da câmera e deixá-lo em um estúdio fotográfico, que usaria máquinas caras na época para “transformar” aquele filme em imagens de papel. Basicamente, as máquinas liam a imagem no filme, imprimiam ela no tamanho que você queria e um sujeito, por fim, colocava as fotos em um pequeno álbum. Procure na casa dos seus pais ou avós e você deverá achar um monte desses álbuns com capas medonhas (a Fototica, uma época, colocava uns peixes lisérgicos na capa) e uns adesivos constrangedores para colar nas fotos. Esse foi o modelo que durou mais de 50 anos. A partir da década de 1940, quem quisesse montar um estúdio fotográfico precisava comprar os equipamentos e o papel fotográfico onde o filme seria impresso. Junto com o filme fotográfico, a Kodak, maior empresa do setor e case da líder que foi destruída pela própria petulância, mandava também um cartão colorido chamado Shirley Card. O Shirley Card estampava uma mulher sorridente e maquiada, olhando para a câmera, cercada de quadrados com mais de dez cores, dos tons de cinza às cores primárias. Era com ele que os donos de estúdios calibravam as máquinas que faziam a revelação — era preciso fazer pequenas alterações para garantir que o amarelo que saía nas fotos era o amarelo mais vivo possível. (mais…)
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Este Tecnocracia começa com uma explicação básica para quem não viveu a era da fotografia analógica: nas câmeras do tipo, a foto era “impressa” pela luz em um filme fotográfico, que ia se enrolando a cada pose tirada num tubinho. Os filmes não eram praticamente infinitos como os cartões de memória de hoje; cada um tinha entre 12 e 36 fotografias. Acabadas, o fotógrafo tinha que tirá-lo da câmera e deixá-lo em um estúdio fotográfico, que usaria máquinas caras na época para “transformar” aquele filme em imagens de papel. Basicamente, as máquinas liam a imagem no filme, imprimiam ela no tamanho que você queria e um sujeito, por fim, colocava as fotos em um pequeno álbum. Procure na casa dos seus pais ou avós e você deverá achar um monte desses álbuns com capas medonhas (a Fototica, uma época, colocava uns peixes lisérgicos na capa) e uns adesivos constrangedores para colar nas fotos. Esse foi o modelo que durou mais de 50 anos. A partir da década de 1940, quem quisesse montar um estúdio fotográfico precisava comprar os equipamentos e o papel fotográfico onde o filme seria impresso. Junto com o filme fotográfico, a Kodak, maior empresa do setor e case da líder que foi destruída pela própria petulância, mandava também um cartão colorido chamado Shirley Card. O Shirley Card estampava uma mulher sorridente e maquiada, olhando para a câmera, cercada de quadrados com mais de dez cores, dos tons de cinza às cores primárias. Era com ele que os donos de estúdios calibravam as máquinas que faziam a revelação — era preciso fazer pequenas alterações para garantir que o amarelo que saía nas fotos era o amarelo mais vivo possível. (mais…)
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