EPISODE · Jul 14, 2021 · 30 MIN
A Vida Autêntica: Eu era cego, e agora eu vejo (João 9) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
Era a Festa dos Tabernáculos em Jerusalém. Nesse momento, Jesus estava no chamado Pátio das Mulheres, além do qual elas não podiam ir, porque as áreas tidas como mais santas estavam reservadas aos homens. Ao se apresentar assim, quebrou mais uma convenção das trevas, a da desigualdade entre as pessoas de sexos diferentes. Esse Pátio era iluminado por grandes lampiões, que eram acesos ao cair da noite. A luz deles iluminava todo o templo e era vista em toda a cidade. Durante todos os dias da Festa dos Tabernáculos, quando os lampiões eram acesos, os anciãos dançavam e convidavam o povo a celebrar ao Senhor que os conduzira pelo deserto até a terra prometida. Nesse contexto, Jesus se apresenta como a luz do mundo e luz da vida. Quando diz “Eu sou”, Jesus manifesta sua existência eterna, como Luz eterna que participou da criação do mundo. Quando se apresentou como Luz, Jesus conhecia o conceito comum na época entre as religiões de mistério. Para eles, e para muitas pessoas que ainda hoje seguem religiões de mistério de escopo gnóstico, a salvação consiste em o homem permitir que sua luz se encontre com a Luz divina e haja uma fusão entre elas. De acordo com esse pensamento, para ser salvo, o homem deve se expor à luz divina, impessoal e energizada. Essa exposição ativa suas energias internas e faz com que ele se aperfeiçoe. Quanto mais exposto estiver, mais perfeito será. Deus não é um ser pessoal que veio ao mundo e morreu por todos. Antes, é uma luz difusa que o homem deve buscar. Não é ele que vem ao encontro do homem; é o homem que, pelo conhecimento e pela razão, que se aproxima dele, até se diluir nele. Talvez por isso mesmo João se refira a essa Luz 29 vezes em seu Evangelho, para mostrar que tipo de Luz é Jesus Cristo. Assim, a belíssima declaração do Messias que veio é, ao mesmo tempo, uma certeza, uma promessa e um convite. Trata-se de uma certeza. Quem segue a Jesus não vive de si mesmo e não vive para si mesmo. Trata-se de uma promessa. Quem segue a Jesus tem a luz da vida. Trata-se de um convite. Quem segue a Jesus deve ser luz para o mundo. E então, essa luz se dirige a alguém que está a vida toda em trevas. O homem não tinha mais qualquer esperança. Estava conformado com a sua condição. Desde cedo, nas brincadeiras com os colegas, aprendera que esse era o seu castigo e que precisava suportá-lo. As pessoas os ajudavam, dando-lhe esmolas. Tocava a vida, uma vida triste, que não podia ver as águas do tanque de Siloé, não podia tocar nelas. Não podia brincar nelas. Ouviu dizer que Jesus estava na cidade, mas nem pensou em lhe pedir que o curasse. Se tivesse oportunidade, lhe pediria uma esmola. Será que o galileu era generoso? O galileu atravessou o pórtico da cidade. O homem estava por ali, mas Jesus não o notou. Os discípulos o viram e sentiram que estavam diante da oportunidade de confirmar ou negar a sua teologia sobre o sofrimento. Jesus deixou de lado as palavras. Embora fosse sábado, cuspiu no chão e fez uma pomada de cuspe e pó. Tomou a pomada precária que fizera e passou nos olhos do homem. Embora fosse sábado, mandou o homem se lavar no tanque de Siloé, que ele bem sabia onde ficava. Quando suas mãos descem, da testa para baixo, ele olha para as águas e vê o seu movimento. Não está mais cego. Aquele homem — que homem era aquele que não pudera ver? — o curara. Seus amigos duvidaram, porque nunca tinham se importado com a sua condição, mas aquele homem se importara. Os especialistas convidados para discutir sua cura — também não se importando com ele — preferiam lamentar que tivesse começado a enxergar no sábado. Os discípulos, os amigos e os especialistas não se importaram, mas Jesus se importou. Ele sempre se importa conosco, sejamos gordos, mancos, cegos ou surdos. Ele olha para as nossas necessidades, nunca para os rótulos/estigmas/estereótipos/juízos que fazem com que nos queiram tirar de circulação. Jesus nos pede que nos lavemos no tanque de Siloé. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
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