EPISODE · Jul 23, 2025 · 2 MIN
AD_09 Marc Ferrez Homens, 1882
from POVO_Audiodescrições · host Instituto Tomie Ohtake
Marc FerrezHomens, mulheres e crianças, possivelmente escravizados, e o administrador (ou feitor) trabalham em terreiro de secagem de café, c. 1882Sapucaia, RJFotografiaColeção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira SallesFotografia em preto e branco. Em uma área ampla, cercada por colinas, dezenas de pessoas negras estão dispostas sobre um terreiro de secagem de café. O terreno está coberto por montes de grãos escuros distribuídos em fileiras alinhadas, formando um padrão quadriculado. Mulheres usam vestidos longos e lenços ou turbantes na cabeça. Algumas carregam cestos grandes de palha sobre os ombros ou na cabeça; outras usam rastelos longos. Homens vestidos com camisas claras e calças escuras também operam com rastelos ou carregam sacos. Ao longe, há algumas crianças próximas aos adultos. À esquerda, um homem de chapéu e postura ereta observa a cena com o braço em riste. Ao fundo, há estruturas cobertas por telhados, galpões e um prédio em construção, posicionados diante da base das colinas. A paisagem é cercada por morros cobertos por vegetação rasteira. O céu está claro.Ao abrir seu primeiro estúdio de fotografia, em 1867, Marc Ferrez inseriu um anúncio nos jornais com os dizeres: “Especialista em vistas do Brasil”. Era comum entre os fotógrafos atuantes naquela época construir cenas que emulavam um país moderno e em rota de desenvolvimento, tendo a economia cafeeira do Sudeste como modelo de organização. No entanto, a escravidão já era, naquele período, vista como um sistema arcaico e que deveria ser superado – não à toa, menos de uma década depois da criação da imagem descrita, a escravidão foi abolida, graças a um longo período de resistência e luta do povo escravizado. A imagem descrita, cuja ocupação quase regular do enquadramento leva a crer que a cena foi completamente dirigida, simula uma escravidão pacífica e ordeira, quase como se fizesse parte da paisagem e da ideia de país moderno construído sobre as bases da economia cafeeira escravagista.AUDIODESCRIÇÃOVozes DiversasElaboração de Texto: Cintia Alves Consultoria: Edgar Jacques Edição de Som: Bianca Milanda LOCUÇÃOEveline SinPAISAGEM SONORACriação e Composição: Juliana Keiko Mixagem e Masterização: Bianca Milanda EDIÇÃO DE ÁUDIO Kerensky Barata
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Marc FerrezHomens, mulheres e crianças, possivelmente escravizados, e o administrador (ou feitor) trabalham em terreiro de secagem de café, c. 1882Sapucaia, RJFotografiaColeção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira SallesFotografia em preto e branco. Em uma área ampla, cercada por colinas, dezenas de pessoas negras estão dispostas sobre um terreiro de secagem de café. O terreno está coberto por montes de grãos escuros distribuídos em fileiras alinhadas, formando um padrão quadriculado. Mulheres usam vestidos longos e lenços ou turbantes na cabeça. Algumas carregam cestos grandes de palha sobre os ombros ou na cabeça; outras usam rastelos longos. Homens vestidos com camisas claras e calças escuras também operam com rastelos ou carregam sacos. Ao longe, há algumas crianças próximas aos adultos. À esquerda, um homem de chapéu e postura ereta observa a cena com o braço em riste. Ao fundo, há estruturas cobertas por telhados, galpões e um prédio em construção, posicionados diante da base das colinas. A paisagem é cercada por morros cobertos por vegetação rasteira. O céu está claro.Ao abrir seu primeiro estúdio de fotografia, em 1867, Marc Ferrez inseriu um anúncio nos jornais com os dizeres: “Especialista em vistas do Brasil”. Era comum entre os fotógrafos atuantes naquela época construir cenas que emulavam um país moderno e em rota de desenvolvimento, tendo a economia cafeeira do Sudeste como modelo de organização. No entanto, a escravidão já era, naquele período, vista como um sistema arcaico e que deveria ser superado – não à toa, menos de uma década depois da criação da imagem descrita, a escravidão foi abolida, graças a um longo período de resistência e luta do povo escravizado. A imagem descrita, cuja ocupação quase regular do enquadramento leva a crer que a cena foi completamente dirigida, simula uma escravidão pacífica e ordeira, quase como se fizesse parte da paisagem e da ideia de país moderno construído sobre as bases da economia cafeeira escravagista.AUDIODESCRIÇÃOVozes DiversasElaboração de Texto: Cintia Alves Consultoria: Edgar Jacques Edição de Som: Bianca Milanda LOCUÇÃOEveline SinPAISAGEM SONORACriação e Composição: Juliana Keiko Mixagem e Masterização: Bianca Milanda EDIÇÃO DE ÁUDIO Kerensky Barata
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